{"id":50427,"date":"2019-02-14T02:23:10","date_gmt":"2019-02-14T04:23:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=50427"},"modified":"2019-04-19T21:54:53","modified_gmt":"2019-04-20T00:54:53","slug":"musica-assume-form-james-blake","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/14\/musica-assume-form-james-blake\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;Assume Form&#8221;, James Blake"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lucasguarnieri7\">Lucas Guarni\u00e9ri<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que James Blake est\u00e1 \u00e0 frente do seu tempo todo mundo j\u00e1 percebeu logo em seus primeiros trabalhos (\u00e9 imposs\u00edvel dar play no cover de \u201cThere\u2019s a Limit to Your Love\u201d da Feist e n\u00e3o se impressionar com a qualidade t\u00e9cnica). Em \u201cAssume Form\u201d, seu quarto \u00e1lbum lan\u00e7ado no meio de janeiro, o jovem londrino est\u00e1 alcan\u00e7ando um lugar na mesa dos adultos. Gente grande mesmo: Beyonc\u00e9, Kendrick Lamar, Andre 3000, Frank Ocean e Jay-Z, isso s\u00f3 pra citar alguns. A pergunta que fica agora \u00e9: depois de dois \u00e1lbuns un\u00e2nimes entre a cr\u00edtica e uma fila imensa de artistas gigantes procurando seus dedos m\u00e1gicos de produtor, o que ele tem para nos dizer em 2019?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de qualquer coisa, vale lembrar que o superficial nunca foi algo convidativo \u00e0 James Blake. A prefer\u00eancia sempre foi o denso, profundo, escondido, mascarado, intenso e dolorido e em \u201cAssume Form\u201d tudo isso ainda est\u00e1 l\u00e1 e pode ser enxergado sob uma fina camada de seda que representa uma abordagem simples e quase paradoxal sobre assuntos da ordem humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O poder do disco \u00e9 t\u00e3o sublime que a impress\u00e3o que fica depois de ouvir com muita aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que James teve diversos encontros consigo mesmo. Sentado em frente ao espelho, perguntando com muita veem\u00eancia o que o torna diferente dos outros, para o bem e para o mal. A resposta nos \u00e9 dada nas m\u00fasicas por meio de um movimento de assumir uma forma, a sua verdadeira. De algu\u00e9m que entende que distorcer a percep\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio s\u00f3 resulta em um prejudicado. A letra da m\u00fasica hom\u00f4nima que abre o disco \u00e9 a evid\u00eancia disso. Em um espa\u00e7o que por vezes nos parece limitado (3 a 5 minutos de uma faixa normal), ele foi capaz de tra\u00e7ar uma trajet\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o de algo muito importante de ser deixado para tr\u00e1s e como resultado disso, agora poder gozar do privil\u00e9gio de amar algu\u00e9m verdadeiramente, aceitando a si pr\u00f3prio e assim se permitindo a aceitar o outro em sua vida. \u00c9 uma reflex\u00e3o fluida para si mesmo em voz alta e nosso papel ali \u00e9 de conhecer o lado de um menino que, apesar de ter a ind\u00fastria da m\u00fasica aos p\u00e9s, sofre com inseguran\u00e7as completamente relacion\u00e1veis, \u201cwhen you touch me, I wonder what you would want with me\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/em4joakjkv4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A simplicidade ao falar de assuntos t\u00e3o intang\u00edveis com a escolha do instrumental perfeito para seguir a letra, que transita ora por deixar as palavras ganharem for\u00e7a sozinhas, ou como mero aparato de traduzir com exatid\u00e3o aquele sentimento que precisa ser colocado para fora naquele momento, iguala esse \u00e1lbum aos dois primeiros em quest\u00e3o de qualidade. O resultado \u00e9 no m\u00ednimo et\u00e9reo! \u201cBarefoot in the Park\u201d, a faixa 5 (que conta com a presen\u00e7a de Rosal\u00eda, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/12\/13\/musica-el-mal-querer-rosalia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um dos grandes nomes da m\u00fasica em 2018<\/a>), \u00e9 outro exemplo dessa nova abordagem simplista e de um jogo de mostra e esconde de algu\u00e9m que compreende o lugar das mem\u00f3rias. \u201cDescal\u00e7o no estacionamento\u201d \u00e9 uma frase simples que no contexto do disco ganha ares \u00edntimos, intraduz\u00edveis e que deve ser guardado com todo seu significado para os dois que viveram aquele momento. A n\u00f3s basta imaginar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro verso powerhouse do disco se d\u00e1 pela maneira em que ele encontra para falar de amor: \u201cAre you in love? Do your best impression for me\u201d. O amor que a gente conhece na m\u00fasica, desde os Beatles, \u00e9 aquela ideia de reciprocidade e um final feliz. Para James Blake \u00e9 suplicar o sentimento, ou pelo menos a encena\u00e7\u00e3o dele. \u201cBut I promise you, your place is safe \/ Now what about mine?\u201d. A ideia de n\u00e3o ser amado por aqueles que amamos d\u00f3i, nele e em toda pessoa que habitam a terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, \u201cAssume Form\u201d fecha uma trajet\u00f3ria muito bonita: de um James Blake que cresceu exageradamente dentro dele mesmo, passa a ver cor em tudo que o cerca e agora assume a forma final cuja maior transforma\u00e7\u00e3o foi a de falar de si mesmo com a leveza de um dente de le\u00e3o ao vento. Um novo James que segue a pr\u00f3pria tend\u00eancia de transforma\u00e7\u00e3o que no \u00e1lbum hom\u00f4nimo passa dos bastidores para \u00e0 frente do palco como um s\u00f3lido artista, no segundo, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/25\/cds-overgrow-de-james-blake\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Overgrown<\/a>\u201d, transforma o sil\u00eancio em um elemento indispens\u00e1vel na constru\u00e7\u00e3o de clima e mesmo no terceiro, \u201cThe Colour In Anything\u201d, que n\u00e3o alcan\u00e7ou os antecessores em termos de pot\u00eancia e cr\u00edtica, conseguiu se aventurar no maximalismo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vLPQujE_qc8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pkHlze-Pg3g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1xBjZdnNfHQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Lucas Guarni\u00e9ri (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lucasguarnieri7\">fb\/lucasguarnieri7<\/a>) \u00e9 mineiro, estudante de publicidade e apreciador da boa arte<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 James Blake, a revela\u00e7\u00e3o de 2011 \u00e9 um int\u00e9rprete poderoso, por Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/12\/07\/descoberta-ruptura-e-james-blake\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cAssume Form\u201d fecha uma trajet\u00f3ria muito bonita: de um James Blake que cresceu exageradamente dentro dele mesmo, passa a ver cor em tudo que o cerca e agora assume a forma final&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/14\/musica-assume-form-james-blake\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":64,"featured_media":50428,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3504],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50427"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/64"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50427"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50427\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":50722,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50427\/revisions\/50722"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}