{"id":50336,"date":"2019-02-05T09:46:08","date_gmt":"2019-02-05T11:46:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=50336"},"modified":"2020-06-17T13:55:30","modified_gmt":"2020-06-17T16:55:30","slug":"entrevista-gary-lee-conner","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/05\/entrevista-gary-lee-conner\/","title":{"rendered":"Entrevista: Gary Lee Conner"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Tissot<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do fim dos Screaming Trees, em 2000, o guitarrista Gary Lee Conner ficou 10 anos sem lan\u00e7ar material in\u00e9dito. Em 2019, quase duas d\u00e9cadas ap\u00f3s o encerramento das atividades de uma das lend\u00e1rias bandas de gera\u00e7\u00e3o de Seattle nos anos 90, o m\u00fasico j\u00e1 tem tr\u00eas \u00e1lbuns completos, um par de singles e ainda colet\u00e2neas de grava\u00e7\u00f5es demo em seu cat\u00e1logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro disco solo, \u201c<a href=\"https:\/\/garyleeconner.bandcamp.com\/album\/the-microdot-gnome\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Microdot Gnome<\/a>\u201d, saiu em 2014. Depois vieram \u201c<a href=\"https:\/\/garyleeconner.bandcamp.com\/album\/ether-trippers-2\">Ether Trippers<\/a>\u201d (2016), que foi mixado por Jack Endino e ganhou edi\u00e7\u00e3o em vinil, e \u201c<a href=\"https:\/\/garyleeconner.bandcamp.com\/album\/unicorn-curry\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Unicorn Curry<\/a>\u201d (2018), isso sem contar a limpeza no ba\u00fa que Gary fez e disponibilizou em duas colet\u00e2neas, \u201c<a href=\"https:\/\/garyleeconner.bandcamp.com\/album\/under-the-weeping-willow-tree-one-a-lifetime-of-demos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Under The Weeping Willow Tree One<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/garyleeconner.bandcamp.com\/album\/under-the-weeping-willow-tree-two-another-gathering-of-demos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Under The Weeping Willow Tree Two<\/a>\u201d: \u201cS\u00e3o demos antigas, com material que vai desde os anos 80 at\u00e9 coisas de 10, 15 anos atr\u00e1s. Tem um total de aproximadamente 100 m\u00fasicas nesses \u00e1lbuns\u201d, ele conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivendo desde 2001 na pequena San Angelo \u2014 cidade de pouco mais de 100 mil habitantes no Texas \u2014 o compositor de cl\u00e1ssicos como \u201cNearly Lost You\u201d e \u201cShadow of the Season\u201d revela, em entrevista para o Scream &amp; Yell, hist\u00f3rias dos tempos \u00e1ureos do grunge (\u201cNo come\u00e7o, \u00e9ramos metade punk, metade psicod\u00e9licos, nunca fomos grunge\u201d), como tem usado as redes sociais para divulgar seus novos trabalhos, o ba\u00fa da ex-banda (\u201cTem dois \u00e1lbuns \u2018abortados\u2019\u201d) e quais as chances de uma futura reuni\u00e3o dos Trees.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gary Lee Conner-Downer&#039;s Row\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/S1lp7GmTuzM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conte para a gente um pouco a respeito de seu \u00e1lbum mais recente, \u201cUnicorn Curry\u201d (2018), lan\u00e7ado em outubro passado. Voc\u00ea concorda que a influ\u00eancia das bandas psicod\u00e9licas dos anos 60, que sempre foi uma marca do seu trabalho, aparece de forma ainda mais forte nas novas m\u00fasicas? Como foram os processos de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nBem, sempre fui muito influenciado pela psicodelia dos anos 60, especialmente no come\u00e7o da carreira. O \u00faltimo disco que fiz era mais voltado ao rock progressivo, mas sempre ou\u00e7o muita m\u00fasica psicod\u00e9lica. Desta vez, estava ouvindo muito Donovan e a cole\u00e7\u00e3o English Freakbeat, que na verdade s\u00e3o coisas que escuto desde sempre. Isso influenciou muito meu estilo de composi\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o queria que o \u00e1lbum soasse como se tivesse sido feito nos anos 60, pois n\u00e3o queria uma sonoridade \u201cretr\u00f4\u201d, e sim que ele soasse como algo novo. Por outro lado, definitivamente tem aquele esp\u00edrito, embora tenha sido feito de forma totalmente digital. Com exce\u00e7\u00e3o da guitarra e da voz, tudo o mais que se ouve no disco foi gravado digitalmente. \u00c9 estranho ver as pessoas comentando que o disco soa como se tivesse sido gravado nos anos 60, mas \u00e9 legal porque, hoje em dia, voc\u00ea pode fazer as coisas soarem como quiser digitalmente, porque a resolu\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o alta. O som n\u00e3o precisa soar digital apenas por ser digital. Sei que muita gente curte o som anal\u00f3gico e ainda usa equipamento daquela \u00e9poca. E \u00e9 meio ir\u00f4nico, tamb\u00e9m, que as coisas estejam voltando a sair em vinil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea gravou o disco em casa?<\/strong><br \/>\nSim, fa\u00e7o tudo no meu computador, em casa. Chamo de est\u00fadio, mas \u00e9 s\u00f3 meu computador, minhas guitarras e tal. Esse \u00e9 o terceiro \u00e1lbum que fa\u00e7o desde 2010. Depois que os Screaming Trees se separaram, n\u00e3o fiz muita coisa. Gravei alguns sons, mas n\u00e3o lancei nada. A raz\u00e3o disso \u00e9 que n\u00e3o existia nada como o Bandcamp. Tinha o MySpace, \u00e9 claro, mas para fazer seu som online, n\u00e3o tinha um lugar dispon\u00edvel para lan\u00e7ar os seus discos at\u00e9 uns 10 anos atr\u00e1s. Foi a\u00ed que comecei a gravar muito mais. A primeira coisa que lancei foi sob o nome The Microdot Gnome, como uma banda mesmo, mas na verdade era apenas eu. Depois mudei, coloquei meu pr\u00f3prio nome e batizei o disco como \u201cThe Microdot Gnome\u201d (2014). Esse foi meu primeiro disco solo ap\u00f3s a banda, em 2010. Depois, lancei uns dois \u00e1lbuns, que tamb\u00e9m est\u00e3o no Bandcamp, de demos antigas, com material que vai desde os anos 80 at\u00e9 coisas de 10, 15 anos atr\u00e1s. Tem um total de aproximadamente 100 m\u00fasicas nesses \u00e1lbuns (lan\u00e7ados em dois volumes: \u201cUnder The Weeping Willow Tree One\u201d e \u201cUnder The Weeping Willow Tree Two\u201d). Depois disso, o \u00faltimo disco que gravei que de fato saiu em CD e vinil foi \u201cEther Trippers\u201d (2016), que foi lan\u00e7ado pelo selo do meu irm\u00e3o Van [Van Conner, ex-baixista do Screaming Trees], <a href=\"https:\/\/strangeearthrecords-store.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Strange Earth Records<\/a>. Isso foi h\u00e1 uns tr\u00eas anos. Parece que levo mais ou menos esse tempo para lan\u00e7ar um novo disco. Apesar de eu ter uma meta de lan\u00e7ar mais um ainda esse ano, porque tenho muitas m\u00fasicas, mas ainda n\u00e3o comecei a gravar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea grava e produz tudo sozinho, certo? Ningu\u00e9m mais tocou com voc\u00ea nesses discos?<\/strong><br \/>\nSim, fiz tudo completamente sozinho. Odeio mixar, porque nunca tenho a menor ideia se o som est\u00e1 legal. Na verdade, pedi pro Jack Endino mixar o \u201cEther Trippers\u201d pra mim, ent\u00e3o o som dele \u00e9 um pouco diferente dos outros. Gosto de uma produ\u00e7\u00e3o seca, sem muitos efeitos, especialmente na bateria. \u00c9 que parece que isso casa melhor com o som digital \u2014 fica parecendo que soa menos digital desse jeito. Muitos instrumentos que eu uso, como os teclados mellotron e a bateria, t\u00eam um determinado som porque s\u00e3o sampleados. O problema \u00e9 quando voc\u00ea coloca muitos efeitos, a\u00ed o som n\u00e3o fica bom. O som da bateria vem de um programa de sampler. Eles gravam todos esses sons de bateria e a\u00ed uso um tipo de sequenciador primitivo. \u00c9 um saco, porque o fabricante faliu, ent\u00e3o eles n\u00e3o est\u00e3o lan\u00e7ando mais atualiza\u00e7\u00f5es. Mas \u00e9 basicamente um ProTools, que \u00e9 usado na maioria dos est\u00fadios, apenas feito por outra companhia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gary Lee Conner - Downer&#039;s Row\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lgdFtxK7cHE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea diria que h\u00e1 um conceito ou tema por tr\u00e1s das m\u00fasicas? O que quer dizer \u201cUnicorn Curry\u201d?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei, apenas pensei nisso&#8230; Escuto muitas bandas psicod\u00e9licas antigas, as letras entram no meu c\u00e9rebro e se misturam todas, e a\u00ed o que sai disso \u00e9 uma s\u00edntese de tudo que ouvi ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde quando voc\u00ea vive em San Angelo, no Texas?<\/strong><br \/>\n\u00c9, vivo no meio do nada, no Texas. Minha esposa e eu, na \u00e9poca da banda, viv\u00edamos em Nova Iorque \u2014 foi l\u00e1 que eu a conheci. Ent\u00e3o, eu vivia indo e voltando de Seattle. Quando a banda acabou, decidimos nos mudar, ela queria ficar mais pr\u00f3xima de onde os pais viviam, em Oklahoma. Ent\u00e3o, ela conseguiu um emprego no Texas \u2014 ela \u00e9 professora universit\u00e1ria, d\u00e1 aula de qu\u00edmica. Essa \u00e9 a principal raz\u00e3o para a gente viver aqui. Estamos na cidade desde 2001. Sabe como \u00e9, as pessoas perguntam, \u201co que voc\u00ea est\u00e1 fazendo a\u00ed?\u201d, mas \u00e9 tipo: eu nasci na Calif\u00f3rnia, depois vivi boa parte da minha vida entre Ellensburg e Seattle, depois Nova Iorque e agora aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea visita Ellensburg (cidade natal dos Screaming Trees) ou Seattle com frequ\u00eancia?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o vou pra l\u00e1 desde 2000. Quase 20 anos j\u00e1. Eu me mantenho informado a respeito pela internet, mas n\u00e3o tenho visitado. Praticamente n\u00e3o tenho mais fam\u00edlia l\u00e1, apenas alguns amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que os Trees nunca tocaram no Brasil, mas voc\u00ea j\u00e1 veio ao pa\u00eds alguma vez? De f\u00e9rias, de repente?<\/strong><br \/>\nNunca fomos a\u00ed. Talvez algum dia, quem sabe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem tocado ao vivo nos \u00faltimos anos?<\/strong><br \/>\nAinda n\u00e3o, mas tenho pensado a respeito. N\u00e3o tenho banda. Fiz alguns shows ac\u00fasticos solo, mas nada demais. Como tenho promovido um pouco mais esse disco novo, inclusive consegui apoio de alguns selos pequenos para lan\u00e7\u00e1-lo em CD e vinil, estou recebendo mais aten\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com os discos anteriores. N\u00e3o sei se estou vendendo mais, mas pelo menos estou recebendo mais aten\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea for <a href=\"https:\/\/garyleeconner.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00e0 minha p\u00e1gina no Bandcamp<\/a>, pode ouvir toda minha discografia gratuitamente por streaming, s\u00f3 precisa pagar se quiser baixar as m\u00fasicas. Muita gente ainda quer os formatos f\u00edsicos hoje em dia, como vinil e CD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais as chances de vermos voc\u00ea tocando no Brasil em breve?<\/strong><br \/>\nAh, n\u00e3o sei. Se eu fosse fazer algo do tipo, precisaria de ensaios intensos por pelo menos um m\u00eas!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gary Lee Conner - Winter Song (live acoustic)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7i8frO0HqCk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea parece gostar de interagir com os f\u00e3s nas m\u00eddias sociais, especialmente no Facebook, relembrando hist\u00f3rias antigas dos dias de Screaming Trees e tamb\u00e9m tocando m\u00fasicas novas. O qu\u00e3o importante \u00e9 esse ve\u00edculo para um artista independente como voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nO Facebook \u00e9 tudo que tenho, na verdade. Porque n\u00e3o fa\u00e7o muitos shows nem nada do tipo. Ent\u00e3o, para mim \u00e9 bem importante. Sempre fui meio ermit\u00e3o, muito introvertido e t\u00edmido. At\u00e9 lan\u00e7ar esse disco, nunca fui muito de conversar com as pessoas na internet por muito tempo. Mas descobri que, fazendo isso, muitas pessoas se interessaram pelos novos discos e, na verdade, estou curtindo fazer isso. Ent\u00e3o, meio que estou me for\u00e7ando a sair da minha concha um pouco e contar hist\u00f3rias dos tempos da banda e tal. Tamb\u00e9m compartilho m\u00fasicas das minhas demos e outras coisas. Ent\u00e3o, \u00e9, vou continuar fazendo isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os servi\u00e7os de streaming s\u00e3o a mais recente onda no consumo de m\u00fasica, mas os artistas frequentemente reclamam de serem mal pagos por essas empresas. Qual \u00e9 a melhor maneira de os f\u00e3s consumirem sua m\u00fasica sem trazer preju\u00edzos ao artista?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma grande mudan\u00e7a, e realmente vejo a diferen\u00e7a entre as vendas digitais desde que esse \u00e1lbum saiu no outono passado [nota do editor: primavera, no Brasil] e meus discos de tr\u00eas anos atr\u00e1s. O disco novo est\u00e1 sendo bastante ouvido, mas n\u00e3o est\u00e1 vendendo tanto quanto o anterior. H\u00e1 tantos lugares para se ouvir m\u00fasica de gra\u00e7a hoje em dia, que fazem com que menos pessoas acabem comprando. Isso \u00e9 bom e ruim. Quer dizer, tem mais gente ouvindo o seu som, mas, por outro lado, voc\u00ea est\u00e1 ganhando menos dinheiro. Mas n\u00e3o \u00e9 por isso que estou fazendo m\u00fasica hoje em dia. De jeito nenhum eu poderia viver das m\u00fasicas que eu fa\u00e7o, a n\u00e3o ser que passe uns seis meses por ano na estrada, fazendo shows. Hoje, duvido at\u00e9 mesmo que grandes artistas estejam ganhando dinheiro com discos. Tem esse lance do vinil, claro, mas \u00e9 t\u00e3o absurdamente caro produzir um disco de vinil, que eu n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es de financiar uma tiragem do meu \u00e1lbum nesse formato. Consegui algu\u00e9m de uma gravadora que se interessou em fazer uma tiragem pra mim. Ent\u00e3o, em termos de receita&#8230; Os Screaming Trees nunca ganharam tanto dinheiro assim, de qualquer forma. Se tiv\u00e9ssemos ido um pouquinho melhor, provavelmente ter\u00edamos ganho uma soma decente. Quer dizer, a gente ainda ganha alguns milhares de d\u00f3lares todo ano de direitos autorais. Ainda estamos vendendo nossos discos e tal, ent\u00e3o&#8230; O suficiente para pelo menos dizer, \u201cpuxa, estamos ganhando algo com o que fizemos\u201d. Mas n\u00e3o chega perto de ser uma quantia suficiente para se aposentar e viver disso. Nunca vendemos tantos discos quanto outras bandas de Seattle. N\u00e3o sei os n\u00fameros exatos, mas, nosso disco mais vendido foi \u201cSweet Oblivion\u201d, que vendeu umas 350 mil c\u00f3pias nos Estados Unidos \u2014 n\u00e3o fa\u00e7o ideia de quanto vendeu no resto do mundo. Talvez algumas das bandas que venderam 1 ou 2 milh\u00f5es de discos talvez ainda ganhem uma boa grana, mas \u00e9 dif\u00edcil dizer. Alguns acordos com gravadoras foram prejudiciais para os artistas. N\u00f3s demos metade dos nossos direitos sobre as m\u00fasicas no come\u00e7o da nossa carreira, porque n\u00e3o entend\u00edamos o que est\u00e1vamos fazendo. A Sony nos deu, tipo, 10 mil d\u00f3lares de adiantamento para a gente dar metade dos direitos sobre as m\u00fasicas para eles \u2014 para sempre, eu acho&#8230; Eu poderia estar ganhando o dobro do que ganho hoje. Ent\u00e3o, sei l\u00e1. O problema com esse lance da grana \u00e9, sabe, come\u00e7amos em um selo pequeno, a SST, e fizemos turn\u00eas e trabalhamos como uma banda de verdade. Mas a\u00ed, chegamos a um ponto em que decidimos assinar com uma grande gravadora porque, bem, o que mais poder\u00edamos fazer? J\u00e1 hav\u00edamos feito todo o resto. E algumas das outras bandas tamb\u00e9m estavam fazendo isso, l\u00e1 por 1989, mais ou menos. S\u00f3 que a\u00ed as coisas mudaram, especialmente quando o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/09\/13\/exposicao-nirvana-taking-punk-to-the-masses-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nirvana<\/a> se tornou grande, e o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/15\/pearl-jam-brasil-tour-2011\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pearl Jam<\/a> logo em seguida, sabe? As coisas n\u00e3o mudaram apenas para n\u00f3s, e sim para a ind\u00fastria como um todo. Muitas bandas, como a nossa, passaram a ter gente oferecendo dinheiro. A\u00ed tudo mudou de algo que era art\u00edstico para se tornar um emprego. N\u00e3o completamente, mas uma grande parte daquilo se tornou um emprego. Agora, n\u00e3o tem nada disso. A \u00fanica raz\u00e3o para fazer o que eu fa\u00e7o \u00e9 art\u00edstica, \u00e9 porque eu amo escrever m\u00fasica. N\u00e3o tem muito a ver com ganhar dinheiro, a n\u00e3o ser um pouquinho aqui e ali. \u00c9 bacana vender suas m\u00fasicas e se dar conta que, \u201cp\u00f4, ganhei 20 pratas, legal!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea pensa do rock atual? Acha que a m\u00fasica ainda \u00e9 importante para os jovens de hoje como era para os de antigamente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei. Minha filha escuta coisas no YouTube. Ela tem acesso a um monte de m\u00fasica legal, comigo e a m\u00e3e dela. Minha esposa tem uma cole\u00e7\u00e3o gigante de discos. Mas ela n\u00e3o aproveita nada. Tudo que ela escuta \u00e9 online. Mas estou me tornando uma dessas pessoas tamb\u00e9m! Tenho muitos discos e CDs, mas escuto m\u00fasica no YouTube quase que exclusivamente. O YouTube, para quem curte rock de garagem antigo e bandas psicod\u00e9licas, \u00e9 tipo uma mina de ouro! Tem tanta coisa antiga. Quase todos os dias, descubro uma m\u00fasica que n\u00e3o conhecia antes, o que, para mim, \u00e9 incr\u00edvel. Tipo, m\u00fasicas psicod\u00e9licas antigas dos anos 60. Achei que j\u00e1 tinha escutado tudo, mas nos \u00faltimos anos, tenho encontrado muita coisa no YouTube. Sei que \u00e9 dif\u00edcil de acreditar, mas tem muita coisa l\u00e1.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gary Lee Conner-Bed Of Roses (live acoustic)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7LqK6USG7jk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sons mais novos? H\u00e1 alguma banda atual que voc\u00ea recomende?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o muitas. Continuo tentando encontrar coisas que eu goste e que sejam novas, mas o mais perto que eu consigo chegar disso \u00e9 os Black Angels, uma banda de Austin (Texas), que nem \u00e9 t\u00e3o nova. Acho que eles come\u00e7aram em 2005, por a\u00ed. \u00c9 provavelmente a banda mais nova que eu curto. Eu realmente queria encontrar coisas novas, mas n\u00e3o tem muitas bandas fazendo o tipo de m\u00fasica que eu gosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea vai a shows com frequ\u00eancia?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o tem nada aqui na minha cidade, na verdade, s\u00f3 algumas bandas country. San Angelo fica a 320 km de tudo \u2014 tanto de Dallas, quanto de Austin e San Antonio. De vez em quando vou l\u00e1, mas acho que o \u00faltimo show em que eu estive foi na \u00faltima vez em que tocamos com os Trees.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As pessoas est\u00e3o sempre perguntando sobre uma reuni\u00e3o dos Screaming Trees. Eu prometo que n\u00e3o vou perguntar sobre isso, mas alguma vez houve alguma oferta para uma turn\u00ea ou disco novo da banda?<\/strong><br \/>\nAs pessoas continuam dizendo que a gente deveria voltar. Acho que uns cinco ou seis anos atr\u00e1s, n\u00f3s pensamos a respeito. Mas acabou que n\u00e3o quer\u00edamos fazer isso. Talvez algum dia desses a gente decida fazer, mas sei l\u00e1. Muita gente quer ver a banda reunida, mas, por outro lado, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/20\/mark-lanegan-ao-vivo-em-sao-paulo-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mark Lanegan<\/a> [ex-vocalista dos Screaming Trees] est\u00e1 sempre ocupado com seus discos solo e ele faz umas duas ou tr\u00eas turn\u00eas por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/09\/18\/show-mark-lanegan-ao-vivo-em-sao-paulo-2018\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ele vem ao Brasil com frequ\u00eancia<\/a>.<\/strong><br \/>\nSe ele decidir fazer a reuni\u00e3o, pode acontecer. De outra forma, simplesmente n\u00e3o vai rolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sem querer entrar muito no assunto, mas voc\u00ea ainda se d\u00e1 bem com os ex-companheiros de banda?<\/strong><br \/>\nConverso bastante com meu irm\u00e3o. Com o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/23\/entrevista-nando-reis-2016\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Barrett [Martin<\/a>, ex-baterista e colaborador de longa data de Nando Reis], converso um pouco, principalmente por e-mail. N\u00e3o tenho falado com o Mark. Ele me ligou h\u00e1 alguns anos, provavelmente na \u00e9poca em que est\u00e1vamos falando sobre voltar com a banda. Tivemos uma boa conversa, mas n\u00e3o falei mais com ele desde ent\u00e3o. \u00c9 estranho, quando voc\u00ea est\u00e1 numa banda, especialmente em uma banda como a nossa \u2014 e digo isso especialmente entre mim e Mark \u2014, era tipo: teve uma \u00e9poca em que escrev\u00edamos can\u00e7\u00f5es juntos, e a\u00ed virou uma coisa em que eu escrevia as m\u00fasicas, dava-as para ele fazer o que quisesse com elas \u2014e da\u00ed ele mudava todas as letras ou n\u00e3o mudava nada&#8230; Ent\u00e3o, especialmente no per\u00edodo final da banda, quando rolaram os problemas com drogas, a gente chegou a um ponto em que o Mark era a coisa principal da minha vida. Ele era o cara que estava do meu lado em tudo o que eu fazia e, agora, \u00e9 completamente&#8230; nada! Eu n\u00e3o tenho mais nada a ver com ele, a n\u00e3o ser pelo fato de escutar os discos dele de vez em quando \u2014 eu curto o trabalho solo dele. E ainda ou\u00e7o Screaming Trees de vez em quando. \u00c9 tipo uma fam\u00edlia, \u00e9 isso que a nossa banda \u00e9. \u00c9 mais como uma fam\u00edlia disfuncional, especialmente tendo dois irm\u00e3os na forma\u00e7\u00e3o, e todos tendo seus problemas pessoais e tal. E agora, todo mundo est\u00e1 mais velho e deveria ser capaz de se dar bem, mas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que o seu irm\u00e3o Van anda fazendo?<\/strong><br \/>\nEle teve o selo Strange Earth por um tempo, acho que ele est\u00e1 tentando coloc\u00e1-lo nos trilhos novamente. Eu sei que ele tinha um disco um tempo atr\u00e1s, <a href=\"https:\/\/valisrocks.bandcamp.com\/album\/minds-through-space-and-time-2\">tamb\u00e9m dispon\u00edvel no Bandcamp<\/a>. Ele ainda vive em Seattle e de vez em quando toca por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que os Screaming Trees foram uma banda subestimada?<\/strong><br \/>\nBem, eu acho que\u2026 tivemos uma bela carreira na SST, levando em conta que fizemos os discos que quer\u00edamos fazer e trabalhamos como uma banda de verdade. Fomos aprendendo ao longo do caminho, naqueles tr\u00eas, quatro anos em que fizemos discos, shows e pensamos que era s\u00f3 aquilo ali mesmo. E a\u00ed, de repente, foi tipo: pera\u00ed. A gente pode ir mais longe. Quem sabe estar em uma grande gravadora, vender muitos discos e tal. Vendemos o suficiente para um selo indie como a SST, mas a sedu\u00e7\u00e3o do rock \u00e9, tipo, \u201ca gente podia ser famoso, ou rico, ou ambos, ou sei l\u00e1 o qu\u00ea&#8230;\u201d Ent\u00e3o, o que aconteceu foi que assinamos com a Epic\/Sony e, de repente, eles n\u00e3o sabiam muito bem o que fazer com nosso primeiro disco l\u00e1, \u201cUncle Anesthesia\u201d (1991). At\u00e9 que vendemos bem, pois j\u00e1 t\u00ednhamos uma boa base de f\u00e3s \u2014 vendemos umas 50 mil c\u00f3pias. E a gravadora n\u00e3o esperava muita coisa \u2014 as grandes gravadoras acham que ningu\u00e9m te conhece antes de assinar com uma delas \u2014, ent\u00e3o foi bem bom. Quando est\u00e1vamos fazendo o \u201cSweet Oblivion\u201d (1992), de repente o Nirvana explodiu, e o Pearl Jam explodiu logo depois. Ent\u00e3o, quando o nosso disco saiu, j\u00e1 era um ambiente completamente diferente para uma banda de Seattle. Apesar de a gente nunca ter sido \u201cgrunge\u201d, de forma alguma. No come\u00e7o, \u00e9ramos metade punk, metade psicod\u00e9licos \u2014 especialmente ao vivo, nosso som ficava mais punk, sabe como \u00e9? Mas quando o \u201cSweet Oblivion\u201d saiu, a gente estava num lance mais hard rock. S\u00f3 que isso n\u00e3o fez diferen\u00e7a, a gente era de Seattle, ent\u00e3o nos categorizaram como grunge tamb\u00e9m. Muita gente comprou esse disco e tivemos muitas oportunidades que antes n\u00e3o t\u00ednhamos \u2014 tocamos nos programas do David Letterman e do Jay Leno, esse tipo de coisa. Ent\u00e3o, a gente levou a banda para o pr\u00f3ximo n\u00edvel. Claro, a gente n\u00e3o chegou naquele n\u00edvel realmente alto, de vender milh\u00f5es de c\u00f3pias, mas chegamos em ponto em que ao menos pod\u00edamos ser uma banda que estava trabalhando e recebia alguma aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Mas a\u00ed, o que aconteceu foi que, terminado o ciclo do \u201cSweet Oblivion\u201d, eu n\u00e3o tinha nada escrito, porque ficamos um ano na estrada. A gente sentou e disse: precisamos escrever uma por\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas para o pr\u00f3ximo disco \u2014 quer\u00edamos lan\u00e7ar em seguida, para capitalizar em cima daquele momento bom que o rock estava vivendo em 93 e 94. Por algum motivo, as coisas n\u00e3o rolaram. Gravamos um disco que a gente n\u00e3o curtiu. Se tiv\u00e9ssemos lan\u00e7ado o disco naquela \u00e9poca, talvez as coisas tivessem sido diferentes, mas n\u00e3o fa\u00e7o ideia. Acabamos levando mais dois anos para lan\u00e7ar o \u201cDust\u201d (1996), que \u00e9 um disco completamente diferente daquele que fizemos em 1994. Para chegar l\u00e1, foram dois anos de composi\u00e7\u00e3o intensa, todo maldito dia. Foi nessa \u00e9poca que as coisas come\u00e7aram a parecer como um emprego. Passei todo o ano de 1994 e boa parte de 1995 sentado em meu apartamento, em Seattle, escrevendo pelo menos uma m\u00fasica por dia e mandando para o Mark. A\u00ed, eu recebia a aprova\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o \u2014 ele me ligava se gostava da m\u00fasica, e se n\u00e3o gostava, simplesmente deixava quieto. Ent\u00e3o, nem sempre eu tinha um feedback positivo. Para completar, eu tinha acabado de me casar, e a minha esposa vivia em Nova Iorque. Foi um per\u00edodo dif\u00edcil. Mas, de alguma forma, conseguimos compor todas as m\u00fasicas para \u201cDust\u201d e, a\u00ed, nos juntamos ao George Drakoulias, que foi o produtor. Acabou que este \u00e9 um dos discos de que mais me orgulho. Meu favorito ainda \u00e9 \u201cInvisible Lantern\u201d (1988), por ser mais psicod\u00e9lico e tal, mas pensando no que quer\u00edamos alcan\u00e7ar com um disco, acho que \u201cDust\u201d foi o que chegou mais perto do nosso desejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Trees tamb\u00e9m s\u00e3o \u201crespons\u00e1veis\u201d, de certa forma, por apresentar Josh Homme ao mundo. Vinte anos depois, ele \u00e9 considerado um dos grandes rockstars do nosso tempo. Voc\u00ea ainda mant\u00e9m contato com ele?<\/strong><br \/>\nEle era do Kyuss, mas pouca gente o conhecia na \u00e9poca. Ele sempre foi muito legal. N\u00e3o tenho falado com ele, mas nos damos bem. Foi \u00f3timo t\u00ea-lo na banda. Acho que ele ficou mais ou menos um ano tocando com a gente, primeiro no Lollapalooza e, depois, fizemos uma turn\u00ea europeia. Mais tarde, em 99 ou 2000, gravamos com ele. Ele est\u00e1 em \u201cCrawlspace\u201d e \u201cAnita Grey\u201d, se me lembro bem. S\u00e3o duas m\u00fasicas do nosso \u00faltimo disco, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/09\/05\/o-ultimo-suspiro-do-screaming-trees\/\">Last Words<\/a>\u201d (2011). Foi nessa \u00e9poca que ficamos de saco cheio da Epic, eles n\u00e3o estavam fazendo nada por n\u00f3s. Passamos uns dois ou tr\u00eas anos procurando uma nova gravadora, mas nunca deu certo, ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gary Lee Conner-Barriers (Live Acoustic)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3lYZrdlT_J8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m trabalhou com o falecido Chris Cornell. Ele foi um dos produtores de \u201cUncle Anesthesia\u201d. Chris \u00e9 muito famoso como cantor e compositor, mas n\u00e3o se sabe muito sobre ele como produtor. O que voc\u00ea lembra mais da experi\u00eancia de trabalhar com ele e como sua participa\u00e7\u00e3o influenciou o som do disco?<\/strong><br \/>\nAcho que a principal raz\u00e3o para o chamar foi, sabe, t\u00ednhamos Terry Date como nosso produtor. Ele havia trabalhado com o Soundgarden em \u201cLouder Than Love\u201d (1989). A maior parte do seu trabalho, at\u00e9 ent\u00e3o, havia sido com bandas de metal. E a gente n\u00e3o tinha nada de metal. Ent\u00e3o, pensamos que o Chris obviamente sabia que tipo de banda \u00e9ramos, e como t\u00ednhamos a mesma empres\u00e1ria que o Soundgarden, e \u00e9ramos amigos dele, o convidamos para ser uma esp\u00e9cie de filtro entre n\u00f3s e o Terry. Assim, ele podia ajudar o produtor a entender melhor qual era a nossa. Da\u00ed ele acabou fazendo uns backing vocals no disco tamb\u00e9m. Foi legal t\u00ea-lo por perto. Ele definitivamente contribuiu para o \u00e1lbum, especialmente sendo esse cara que traduzia nossas ideias para o produtor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda h\u00e1 algum material n\u00e3o lan\u00e7ado do Screaming Trees?<\/strong><br \/>\nTem, mas n\u00e3o fa\u00e7o ideia de onde esteja. Eu sei que tem uma por\u00e7\u00e3o de coisas. Tem dois \u00e1lbuns \u201cabortados\u201d. Um que gravamos em Los Angeles quando ainda est\u00e1vamos na SST. Algumas dessas m\u00fasicas foram regravadas no \u201cBuzz Factory\u201d (1989), mas t\u00eam v\u00e1rias que n\u00e3o foram. E a\u00ed, temos o disco de 93\/94, em que algumas m\u00fasicas entraram na colet\u00e2nea \u201cOcean of Confusion\u201d, como \u201cWatchpocket Blues\u201d e \u201cPaperback Bible\u201d. Tem tamb\u00e9m uma vers\u00e3o inicial de \u201cDying Days\u201d. E muitas outras m\u00fasicas, da \u00e9poca da Epic, umas faixas aqui e outras ali. Mas como eu disse, n\u00e3o sei onde essas fitas est\u00e3o. N\u00e3o fa\u00e7o a menor ideia. O Van tinha umas fitas de demos que gravamos, e coisas ao vivo gravadas com o Dan Peters [baterista do Mudhoney]. Uns dois anos atr\u00e1s ele estava falando sobre lan\u00e7ar essas grava\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o sei se isso vai dar em algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual voc\u00ea considera seu principal legado ap\u00f3s mais de tr\u00eas d\u00e9cadas fazendo m\u00fasica? E especialmente sobre os Trees, est\u00e3o pensando em relan\u00e7ar seus antigos \u00e1lbuns? Sei que \u201cSweet Oblivion\u201d foi relan\u00e7ado em vinil, mas e quanto aos outros?<\/strong><br \/>\nAdoraria planejar relan\u00e7amentos, o problema \u00e9 que a maioria do nosso material est\u00e1 na SST. N\u00e3o tenho falado com eles. Eles nos pagaram por um tempo, e nos \u00faltimos anos eles t\u00eam vendido discos na internet. Acho que alguns de nossos discos ainda est\u00e3o em cat\u00e1logo. Mas n\u00e3o tive mais not\u00edcias deles, ent\u00e3o nem sei se eles nos devem alguma coisa ou n\u00e3o. Seria legal se eles nos contatassem para dizer se nos devem ou n\u00e3o. Mas, na Epic, eles fizeram um pequeno box set com os tr\u00eas discos lan\u00e7ados pela gravadora e tamb\u00e9m uma vers\u00e3o expandida de \u201cDust\u201d, com lados B e grava\u00e7\u00f5es ao vivo e tal. Seria legal lan\u00e7ar algo com todos os discos, mas n\u00e3o sei se \u00e9 poss\u00edvel, por causa dos direitos envolvendo duas gravadoras diferentes. Aparentemente eles t\u00eam direitos sobre as m\u00fasicas para sempre, ou at\u00e9 elas completarem 70 anos ou algo assim. Mas a\u00ed eu n\u00e3o estarei mais aqui pra ver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quanto a um disco ao vivo, DVD, Blu-Ray ou algo do tipo? Algum plano?<\/strong><br \/>\nTemos algumas grava\u00e7\u00f5es, sim. O Van tem uma. Tocamos em um est\u00fadio, sem p\u00fablico, com o Dan Peters, do Mudhoney. Foi gravado em oito canais e mixado. Tem umas demos com o Dan Peters tamb\u00e9m, de coisas que est\u00e1vamos compondo para o \u201cSweet Oblivion\u201d. Sobre o Dan, ele tocou com a gente por alguns meses, mas a\u00ed precis\u00e1vamos sair em turn\u00ea e perguntamos para ele: vai ficar com a gente ou vai ficar no Mudhoney? A\u00ed ele escolheu o Mudhoney, o que compreendemos totalmente. Toda vez que um novo membro entrava na banda, isso acabava influenciando o nosso som. Com o Pickerel [Mark Pickerel, primeiro baterista da banda], no come\u00e7o, ele tinha um estilo selvagem. J\u00e1 o Barrett tinha uma pegada mais John Bonham, o que funcionava bem com o som que est\u00e1vamos fazendo na \u00e9poca. Lembro que est\u00e1vamos tentando tocar \u201cShadow of the Season\u201d com o Dan Peters. \u00c9 uma m\u00fasica muito mais Led Zeppelin do que Mudhoney, que puxava mais para o punk rock. Ele ficou, tipo, \u201cque neg\u00f3cio \u00e9 esse?\u201d A\u00ed veio o Barrett e pegou de primeira. \u00c9 mais o estilo dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quanto ao futuro, o que podemos esperar de voc\u00ea nos pr\u00f3ximos anos?<\/strong><br \/>\nComo mencionei antes, espero fazer um novo disco esse ano, porque tenho muitas m\u00fasicas. Tr\u00eas ou quatro anos entre discos parece algo meio est\u00fapido, especialmente porque n\u00e3o estou fazendo mais nada no momento. Talvez, l\u00e1 pelo ver\u00e3o [inverno, no Brasil], eu tenha algo novo para lan\u00e7ar. N\u00e3o sei se vai ser no Bandcamp, ou se algum selo vai se interessar em lan\u00e7ar, mas definitivamente podem esperar por mais m\u00fasicas minhas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Screaming Trees - Nearly Lost You\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PE5f561Y1x4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Screaming Trees - Dollar Bill\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1lfd7zeHRRs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Screaming Trees - Bed Of Roses\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GAmZsfFKCxU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Screaming Trees 1996-06-23 Minneapolis, MN\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bFzyoyysGcA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Leonardo Tissot (<a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.leonardotissot.com<\/a>) \u00e9 jornalista especializado em comunica\u00e7\u00e3o corporativa e produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Vivendo desde 2001 na pequena San Angelo, no Texas, o compositor de cl\u00e1ssicos como \u201cNearly Lost You\u201d e \u201cShadow of the Season\u201d revela, em entrevista para o Scream &#038; Yell, hist\u00f3rias dos tempos \u00e1ureos do grunge, como tem usado as redes sociais para divulgar seus novos trabalhos e quais as chances de uma futura reuni\u00e3o dos Screaming Trees.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/05\/entrevista-gary-lee-conner\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":63,"featured_media":50337,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3491,344,1089],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50336"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50336"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50336\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56416,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50336\/revisions\/56416"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50337"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}