{"id":50267,"date":"2019-01-29T11:00:30","date_gmt":"2019-01-29T13:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=50267"},"modified":"2019-03-06T22:46:50","modified_gmt":"2019-03-07T01:46:50","slug":"entrevista-patricia-marx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/01\/29\/entrevista-patricia-marx\/","title":{"rendered":"Entrevista: Patricia Marx"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Patricia Max tem muita hist\u00f3ria, muito passado, mas prefere mirar o futuro, o agora e, por isso mesmo, \u201cNova\u201d, seu 13\u00ba \u00e1lbum, \u00e9 um trabalho cuidadoso que flerta com o pop, na mesma medida em que usa e abusa de experimenta\u00e7\u00f5es, tudo de forma bastante coesa, mostrando a for\u00e7a de uma autora de pulso firme e que sabe o que quer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de mais de 30 anos de carreira e com mais de tr\u00eas milh\u00f5es de discos vendidos, Patricia escolhe seguir a fluxo da neo-soul e da m\u00fasica eletr\u00f4nica que ela j\u00e1 vinha vasculhando desde o in\u00edcio dos anos 2000. \u201cNova\u201d \u00e9 o resultado mais completo dessa busca, apresentando a voz l\u00edmpida e certeira da cantora de forma liberta e bastante confort\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o 14 faixas produzidas pela pr\u00f3pria Patricia ao lado de Herbert Medeiros e lan\u00e7adas pelo LAB 344. O disco tamb\u00e9m conta com participa\u00e7\u00f5es do produtor norte-americano Paul Pesco, que toca baixo ac\u00fastico e teclados em \u201cDentro em seu Lugar\u201d; e do rapper franc\u00eas Lou Piensa na faixa \u201cDon\u2019t Break My Heart\u201d, um dos momentos mais pop do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas das faixas de \u201cNova\u201d s\u00e3o assinadas pela pr\u00f3pria Patricia, de forma solo ou em parcerias. Al\u00e9m disso, o repert\u00f3rio ainda conta com regrava\u00e7\u00f5es da \u00f3tima \u201cDan\u00e7a do Tempo\u201d, de Jorge Ailton, e tamb\u00e9m de \u201cLuz Numa L\u00e1grima\u201d, do amigo Jair Oliveira. No bate papo abaixo ela fala sobre suas escolhas art\u00edsticas, a produ\u00e7\u00e3o do disco e sobre sua hist\u00f3ria na m\u00fasica. Confira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ow8wv5HxgpM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cNova\u201d \u00e9 um disco que aposta em sonoridades n\u00e3o t\u00e3o pops e diretas. Voc\u00ea sente que esse \u00e9 um disco inteiramente autoral, de como voc\u00ea acredita na sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nSim. Desde o \u00e1lbum lan\u00e7ado em 2004 (\u201cNu Soul\u201d) que eu n\u00e3o lan\u00e7ava um \u00e1lbum autoral com tanta liberdade, musicalmente e conceitualmente falando. Depois que estive em Londres, entre 2001 e 2003, a convite do 4hero (grupo de m\u00fasica eletr\u00f4nica contempor\u00e2nea UK\/Jamaica), onde gravei a faixa \u201cUnique\u201d, em parceria de letra e melodia, no \u00e1lbum chamado \u201cCreating Patterns\u201d de 2001, nunca mais fui a mesma pessoa. Conhecer Londres e o trabalho deles foi um divisor de \u00e1guas para mim em termos de liberdade art\u00edstica. Foi conhecer os c\u00f3digos harm\u00f4nicos, aquela tristeza com esperan\u00e7a que tem na m\u00fasica deles, junto com o minimalismo que sempre acreditei e admirei no jazz. Trabalhar com Marc Mac e Dego foi uma escola p\u00f3s-moderna. Conviver com os produtores, ir \u00e0 Dollis Hills para gravar no est\u00fadio deles, e vivenciar um ambiente de m\u00fasica saindo pelos poros. Em 2002 fui morar em Londres, e l\u00e1 gravei o primeiro \u00e1lbum dirigido e produzido por mim, com parcerias do meu ex-marido e produtor, Bruno E., e o 4hero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora \u201cNova\u201d surge produzido em parceria com o Herbert Medeiros. Como foi esse trabalho conjunto?<\/strong><br \/>\nHerbert conhece os acordes que gosto, ele saca r\u00e1pido o que voc\u00ea est\u00e1 falando, h\u00e1 uma grande afinidade entre n\u00f3s. \u00c9 um cara sens\u00edvel, sofisticado e muit\u00edssimo talentoso. Um gentleman. \u00c9 incr\u00edvel quando estamos compondo. O trabalho com ele \u00e9 virginiano. Ou seja, detalhado, focado e minucioso (risos). Conheci o Herbert atrav\u00e9s do cantor e produtor Filiph Neo, que produziu comigo o \u00e1lbum \u201cTrinta\u201d (2013), ao lado de outros dois produtores, Sorry Drummer e Bruno E. Herbert foi diretor musical e tecladista do DVD \u2018Trinta ao Vivo\u201d e tamb\u00e9m rearranjou e coproduziu comigo os quatro singles que foram lan\u00e7ados nas plataformas digitais: as releituras de \u201cTe Cuida Meu Bem (Sextape Parte 1)\u201d, \u201cDestino\u201d, \u201cTigresa\u201d e \u201cTapete M\u00e1gico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu percebo que \u201cNova\u201d oscila entre momentos mais pop e outros mais experimentais, de forma bem intercalada. Essa foi uma ambienta\u00e7\u00e3o planejada durante a produ\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nSim, totalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea fala que o t\u00edtulo \u201cNova\u201d tem a ver com o ciclo de uma estrela: nascimento, explos\u00e3o, imperman\u00eancia. Voc\u00ea poderia explicar mais sobre esse conceito?<\/strong><br \/>\nEsse conceito de imperman\u00eancia aprendi com o budismo, nos meus quase 18 anos de contato com essa filosofia. Quando descobri o budismo, em 2001, foi como voltar para casa e estar aonde eu sempre senti que deveria estar, reencarnacionista. Meu primeiro contato e aula foi justamente sobre morte e imperman\u00eancia. Foi um choque de consci\u00eancia, um outro jeito de ver as coisas. A morte nos ensina muito, nos ensina a viver de forma mais significativa. Voc\u00ea sabe que um dia, todos n\u00f3s vamos morrer, que essa \u00e9 \u00fanica garantia que temos nesta vida. Ent\u00e3o, o que vale realmente a pena? Voc\u00ea para pra pensar. E nessa \u00e9poca, eu tinha acabado de ter meu filho Arthur.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das faixas, \u201cCrystal 528hz\u201d, explora essa frequ\u00eancia do t\u00edtulo, que \u00e9 tida como uma sonoridade de cura. Isso est\u00e1 relacionado \u00e0 sua pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, gostaria de saber como voc\u00ea lida com essas possibilidades m\u00edsticas e se tem alguma cren\u00e7a.<\/strong><br \/>\nDe 2007 pra c\u00e1, tenho estudado sobre m\u00fasicas binaurais, de solfeggio e tamb\u00e9m as frequ\u00eancias. Cada uma delas, em espec\u00edficos hertz, trabalha com a vibra\u00e7\u00e3o de cada emo\u00e7\u00e3o nossa, atuando como um rem\u00e9dio. Nosso corpo el\u00e9trico, et\u00e9reo e espiritual, emite frequ\u00eancias baixas, medias e altas. Dependendo do nosso estado mental e emocional, estamos na luz ou na escurid\u00e3o, de zero a mil. Conheci a medita\u00e7\u00e3o com o budismo tamb\u00e9m. \u00c9 meu jeito de tirar umas f\u00e9rias do mundo externo, de tudo o que acreditamos ser real, ou apenas poder me reabastecer, ficar em sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea lan\u00e7ou um belo clipe para \u201cYou Showed Me How\u201d. Tem perspectiva de lan\u00e7ar outros clipes do disco?<\/strong><br \/>\nV\u00e1rios!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-50269\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/patriciamarx_NOVA.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/patriciamarx_NOVA.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/patriciamarx_NOVA-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/patriciamarx_NOVA-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando nessas quest\u00f5es est\u00e9ticas, \u201cNova\u201d tem uma capa linda, bem como belas fotos que tamb\u00e9m seguem o mesmo conceito. Qual \u00e9 a sua preocupa\u00e7\u00e3o com essa parte est\u00e9tica de um lan\u00e7amento? Voc\u00ea tamb\u00e9m assume a frente e pensa em ideias, possibilidades, cria em torno disso?<\/strong><br \/>\nMinha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 ter uma integridade com o som, com o conceito do \u00e1lbum, e que possa transmitir a outra metade do som em imagem. Um \u00e1lbum passa por quatro fases: constru\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o, concep\u00e7\u00e3o. Depois, vem a fase de voc\u00ea falar sobre ele, em forma de palavras. Voc\u00ea tem que explic\u00e1-lo aos outros, em forma de entrevistas. \u00c9 transpor o som em palavras. Depois apresenta-lo em forma de videoclipe, de uma maneira curta e simples. O que nem sempre \u00e9 simples. Porque m\u00fasica, pra mim, s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es. E, muitas vezes, voc\u00ea n\u00e3o encontra palavras para descrever aquele monte de coisas que voc\u00ea sentiu quando fez determinada m\u00fasica. Depois vem o show. \u00c9 a hora que voc\u00ea transforma o \u00e1lbum numa exposi\u00e7\u00e3o crua, mas bela. Voc\u00ea est\u00e1 nu, entregue, exposto, rasgado, ali na frente de todo mundo. Eu amo fotografia, arte, colagens, design, moda, e isso tudo faz parte do meu olhar, do mundo tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 falou algumas vezes que a sonoridade oitentista n\u00e3o \u00e9 a sua praia, tanto que desde o in\u00edcio dos anos 2000 voc\u00ea flerta mais com a neo soul e outras possibilidades mais voltadas para black music e a m\u00fasica eletr\u00f4nica. O que n\u00e3o sai de suas playlists?<\/strong><br \/>\nJazz e m\u00fasica cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem um grupo de f\u00e3s que te acompanha em todas as suas mudan\u00e7as sonoras e art\u00edsticas, como voc\u00ea se relaciona com esse p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nMuito bem. H\u00e1 muito respeito entre n\u00f3s. Acho-os discretos. Gosto disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00eddia se refere muito a voc\u00ea falando do passado, da sua carreira infantil e de seu sucesso pop nos anos 80 e 90. Isso de alguma forma te incomoda?<\/strong><br \/>\nBastante. Considero isso uma forma de bullying, invalidando o meu presente t\u00e3o bonito quanto. No fundo, tem uma galera bem desatualizada. Deve ter pregui\u00e7a de pesquisar, de ouvir as coisas com mais calma. \u00c9 a cultura de julgar, sem conhecer direito e achar fashion ser dos anos 80.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m disso, vire e mexe voc\u00ea aparece na m\u00eddia por coisas que as pessoas teoricamente consideram &#8220;pol\u00eamicas&#8221;, como alguma foto sua no Instagram ou alguma outra coisa banal. Como voc\u00ea lida com isso hoje em dia, depois de tanto ter a sua vida exposta?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o me arrependo de nada. Essa sou eu. Sou uma \u00f3tima pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando a falar do novo disco, voc\u00ea j\u00e1 tem previs\u00e3o de lan\u00e7ar um show relativo ao &#8220;Nova&#8221;?<\/strong><br \/>\nSim. Estou com muitas ideias malucas para este show. N\u00e3o vejo a hora de testa-las!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9aq3OzVvbUU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oIwlnJPeLWg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RLEZs5CJowk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>&nbsp;\u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Tamb\u00e9m colabora com o site&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.aescotilha.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Escotilha<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Patricia Max tem muita hist\u00f3ria, muito passado, mas prefere mirar o futuro, o agora e, por isso mesmo, \u201cNova\u201d, seu 13\u00ba \u00e1lbum, \u00e9 um trabalho cuidadoso que flerta com o pop, na mesma medida em que usa e abusa de experimenta\u00e7\u00f5es, tudo de forma bastante coesa. Saiba mais sobre a nova fase de Patricia!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/01\/29\/entrevista-patricia-marx\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":50268,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2909],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50267"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50267"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50267\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":50565,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50267\/revisions\/50565"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}