{"id":50246,"date":"2019-01-24T09:25:27","date_gmt":"2019-01-24T11:25:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=50246"},"modified":"2019-03-21T01:03:03","modified_gmt":"2019-03-21T04:03:03","slug":"entrevista-phil-anselmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/01\/24\/entrevista-phil-anselmo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Phil Anselmo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vocalista Phil Anselmo rugiu alto e conquistou visibilidade \u00e0 frente do Pantera, um dos nomes mais ferozes para o metal moderno \u2014 considerando-se a agressividade sonora e o sucesso comercial alcan\u00e7ados pela banda. Discos como &#8220;Cowboys from Hell&#8221; (1990), &#8220;Vulgar Display of Power&#8221; (1992), \u201cFar Beyond Driven\u201d (1994), \u201cThe Great Southern Trendkill\u201d (1996) e \u201cReinventing the Steel\u201d (2000) foram guias em meio \u00e0 selva que era o mainstream da m\u00fasica pesada durante os anos 1990. Mesmo com o sucesso, a impetuosidade caracter\u00edstica dos que n\u00e3o se deixam domesticar fez com que o grupo texano implodisse, anunciando a separa\u00e7\u00e3o em 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Phil continuou sua saga com o Superjoint Ritual, o Down, o Arson Anthem e outros projetos. Mas a natureza foi implac\u00e1vel: al\u00e9m de ter que lidar com problemas envolvendo drogas, o frontman ainda precisou engolir a morte de dois antigos colegas. Um foi o guitarrista Dimebag Darrell, ca\u00e7ado e morto em pleno palco enquanto se apresentava com o Damageplan, em 2004. O outro foi o baterista Vinnie Paul, irm\u00e3o de Dime, que deixou este plano em raz\u00e3o de complica\u00e7\u00f5es card\u00edacas no ano passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fera estava ent\u00e3o ferida, e havia cicatrizes a curar. Algumas da alma (o ressentimento com os antigos parceiros), outras do corpo (problemas nas articula\u00e7\u00f5es e colunas, entre outras enfermidades). Mas o bicho conseguiu ir adiante. N\u00e3o sem dar alguns trope\u00e7os feios pelo caminho, como o que rolou no Dimabash 2016, festival que re\u00fane m\u00fasicos amigos do finado Dimebag para homenage\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Combalido, Phil abandonou h\u00e1bitos antigos, como a bebida, e passou a extravasar sua f\u00faria com os filhotes do The Illegals. As patadas agora se concentram nesse projeto, que lan\u00e7ou o \u00e1lbum \u201cChoosing Mental Illness As A Virtue\u201d (2018) e na\u00a0turn\u00ea em tributo ao conjunto que lhe garantiu posi\u00e7\u00e3o privilegiada na cadeia alimentar da m\u00fasica extrema. Batemos um papo com Phil para entender melhor sua luta por sobreviv\u00eancia, pessoal e profissional, e o que esperar dessa tour Brasil.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NJOXmefzUBo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 meio workaholic. Scour e The Illegals s\u00e3o dois exemplos de projetos musicais seus na ativa atualmente. O que te motiva a se manter trabalhando, escrevendo? Fazer m\u00fasica \u00e9 uma necessidade?<\/strong><br \/>\nPenso que sim. Creio que \u00e9 tudo o que sei fazer bem. Velho demais para mudar. Eu amo filmes de terror (N.d.E: Phil \u00e9 dono da Housecore Records, que organiza o Housecore Horror Film Festival, dedicado \u00e0 m\u00fasica e ao cinema fant\u00e1stico), mas prefiro assisti-los do que trabalhar neles. Tudo que eu quero fazer \u00e9 escrever m\u00fasica. Para ser honesto com voc\u00ea, \u00e9 uma terapia maravilhosa fazer som<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguma outra empreitada musical atualmente, al\u00e9m das duas mencionadas?<\/strong><br \/>\nTem uma banda chamada En Minor em que estou trabalhando, que n\u00e3o tem nada a ver com heavy metal. Tem ainda um disco de death metal que nunca saiu. \u00c9 de 2014 e foi baseado numa hist\u00f3ria de assassinato que ocorreu no M\u00e9xico. Tem a ver com Palo Mayombe (religi\u00e3o com base na adora\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritos de antepassados, cren\u00e7a no poder da natureza e uso de partes de cad\u00e1veres em certos rituais) e Adolfo de Jes\u00fas Constanzo (serial killer, traficante e l\u00edder de seita). Eventualmente esses dois trabalhos v\u00e3o sair. \u00c9 isso, cara: estou sempre ocupado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como manter a voz em dia com tantos projetos? Tocar e ensaiar com todas essas bandas, ainda mais gritando por aproximadamente 30 anos, \u00e9 tarefa que exige.<\/strong><br \/>\nNa real, o jeito para manter a voz na melhor forma \u00e9 us\u00e1-la tanto quanto for poss\u00edvel. Parece que, quando tiro uns tempos pra descansar, ela desaparece. Costumava levar uns dois dias para aquecer. Agora \u00e9, tipo, uma semana para realmente engrenar. Estamos ensaiando h\u00e1 uns cinco ou seis dias e a \u00faltima noite foi minha melhor. E ainda n\u00e3o est\u00e1 perfeito. Mas quando eu viajar para a turn\u00ea sul-americana vou estar bem preparado pra caralho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Phil H. Anselmo and The Illegals lan\u00e7ou o disco \u201cChoosing Mental Illness As A Virtue\u201d no ano passado. Como foi a recep\u00e7\u00e3o, do p\u00fablico e da imprensa?<\/strong><br \/>\nEles n\u00e3o sabem o que pensar sobre mim. Todos esperam que eu lance o pr\u00f3ximo Pantera ou um novo Down ou sei l\u00e1 com o que as pessoas estejam acostumadas. E com certeza o disco do Illegals \u00e9 extremo e barulhento. Eu estou cantando de um jeito diferente, e quem ouve acha estranho. Mas muita gente realmente curtiu. \u00c9 um \u00e1lbum que n\u00e3o \u00e9 para todo mundo, mas \u00e9 assim que a m\u00fasica \u00e9: nem toda m\u00fasica \u00e9 para todo mundo. \u00c9 como comida, voc\u00ea ama ou odeia ou \u00e9 indiferente. Eu j\u00e1 esperava essa rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que resolveu colocar seu nome para batizar a banda agora (Phil H. Anselmo and The Illegals)? Por que n\u00e3o s\u00f3 Illegals?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei por que fizemos isso. Para mim, a \u00fanica raz\u00e3o \u00e9 que Phil H. Anselmo and The Illegals soa como uma antiga banda dos anos 1960 ou 1970. Eu curto a sonoridade. Eu amo sons dos 50\u2019s, dos 60\u2019s e dos 70\u2019. E at\u00e9 dos 80\u2019s, como Joan Jett and The Blackhearts. Algo desse tipo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A turn\u00ea que voc\u00ea e os Illegals trazem o Brasil tem metade do repert\u00f3rio dedicado ao Pantera. Por que revisitar a antiga banda agora? O que levou voc\u00ea a pensar que este \u00e9 o momento ideal para esse revival?<\/strong><br \/>\nA morte do Vinnie Paul. Depois de o Vicent nos deixar, eu comecei a me preparar para essa primeira tour de retorno. Tem muitos f\u00e3s que querem ouvir nossos sons antigos. Voc\u00ea tem de entender que h\u00e1, creio, umas duas gera\u00e7\u00f5es que nunca tiveram a chance de ver o Pantera. Ent\u00e3o, para mim, pareceu que, enquanto eu estiver fazendo isso em tributo aos dois irm\u00e3os Abbot (Dimebag &amp; Vincent), e pelo tempo em que pessoas quiserem ouvir e estiveram curtindo a ideia, eu vou seguir. Mas depois n\u00e3o sei. Vai depender da receptividade do p\u00fablico, em primeiro lugar. Segundo, porque eu preferiria escrever um novo disco heavy metal com os Illgelas que seja diferente dos demais \u2014 como todos os \u00e1lbuns da banda acabam saindo diferentes. Mas tocar Pantera pareceu mais importante agora do que em outros tempos. Antes, era como um truque ou s\u00f3 uma jam session. Eu j\u00e1 fiz isso, de me juntar com outros m\u00fasicos para mandar sons do Pantera, s\u00f3 que nunca havia levado a ideia a s\u00e9rio. Neste momento, quero fazer justi\u00e7a \u00e0s composi\u00e7\u00f5es do Pantera, especialmente na quest\u00e3o dos vocais. E parece que isso est\u00e1 mesmo rolando. Sinto que est\u00e1 cada vez melhor. E tenho de dar cr\u00e9ditos aos Illegals. Eles s\u00e3o um bando de caras hardcore e death metal que cresceram com esse estilo. Ent\u00e3o, pedir para aprenderem as faixas do Pantera, que foi o que fiz e eles aceitaram, os faz merecer meu respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como tem sido a rea\u00e7\u00e3o da plateia quando voc\u00eas tocam esses cl\u00e1ssicos do Pantera? Como \u00e9 a vibe dos shows?<\/strong><br \/>\nFudidamente insano, energizante, violento e louco! Fucking loco, babe!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os shows at\u00e9 momento incluem m\u00fasicas como \u2018Mouth of War\u2019, \u2018Walk\u2019, \u2018I\u2018m Broken\u2019, \u2018This Love\u2019, \u2018Fucking Hostile\u2019 e \u2018A New Level\u2019. Por que escolher esses sons: s\u00e3o temas que voc\u00ea curte ou que acredita serem da prefer\u00eancia do p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nPara mim, honestamente, parece que, quando se junta sons do Pantera, h\u00e1 alguns que tem de ser tocados. S\u00e3o necess\u00e1rios. Mas h\u00e1 sempre uma vontade minha de tocar outros menos conhecidos tamb\u00e9m, menos populares, mas que os f\u00e3s do Pantera devem conhecer. Tipo \u2018Primal Concrete Sledge\u2019 ou \u2018Use my Third Arm\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais lembran\u00e7as voc\u00ea tem quando canta Pantera hoje em dia?<\/strong><br \/>\n(suspiro) Bom, obviamente de turn\u00eas com a banda e de ter crescido com os caras. Ter aprendido com eles. S\u00e3o lembran\u00e7as bem complexas. Umas \u00f3timas, outras nem tanto. Algumas lindas, outras bem tristes. O que acontece \u00e9 que, uma vez que eu vejo a galera mais nova, molecada que nunca conseguiu ver o Pantera, enlouquecendo, \u00e9 s\u00f3 nisso que posso prestar aten\u00e7\u00e3o. Isso me mant\u00e9m focado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No fim de janeiro completa-se tr\u00eas anos do fat\u00eddico epis\u00f3dio no Dimebash de 2016. Como isso te afetou? Tirou li\u00e7\u00f5es desse ocorrido?<\/strong><br \/>\nCom certeza aprendi algumas li\u00e7\u00f5es. Eu n\u00e3o sou uma pessoa pol\u00edtica e qualquer um com ju\u00edzo sabe que aquilo foi apenas eu sendo idiota. Foi isso! N\u00e3o era nenhuma porra de declara\u00e7\u00e3o ou insulto. Eu fui um idiota e era isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E para quem n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3ximo a voc\u00ea ou n\u00e3o curte seu trabalho \u2014 ou mesmo f\u00e3s que gostam, mas se sentiram ofendidos \u2014, como acreditar que foi apenas um erro?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o foi nem mesmo um equ\u00edvoco. Fui eu sendo est\u00fapido, sarc\u00e1stico. Eu j\u00e1 me desculpei. Para quem ainda est\u00e1 ressentido, me parece que o problema \u00e9 mais dessas pessoas do que meu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguns m\u00fasicos que se diziam amigos seus deram declara\u00e7\u00f5es n\u00e3o muito lisonjeiras sobre voc\u00ea depois do Dimebash. Mas outros, como Doug Pinnick (baixista do King\u2019s X, que \u00e9 gay e negro), te defenderam. Foi dolorido ter pessoas pr\u00f3ximas te detratando?<\/strong><br \/>\nFoi algo desagrad\u00e1vel e hip\u00f3crita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem contato com algum deles atualmente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, quero que se fodam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea parece estar mais cuidadoso com a sa\u00fade agora, certo? Parou de beber e perdeu peso. Est\u00e1 dando mais aten\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio corpo?<\/strong><br \/>\nEstou bem magro mesmo. \u00c9 preciso fazer isso. Minha carreira toda parece uma grande les\u00e3o. Dos joelhos aos ombros, passando pelas costas\u2026 Tenho de ter cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Down tocou em Porto Alegre em 2011, lembra de algo sobre a passagem pela cidade?<\/strong><br \/>\nSempre que viajo e n\u00e3o tenho chance de visitar a cidade ou alguma \u00e1rea em espec\u00edfico, \u00e9 apenas uma viagem de avi\u00e3o, um quarto de hotel e o show. Ent\u00e3o, o que recordo \u00e9 uma \u00f3tima participa\u00e7\u00e3o da plateia, muita energia da galera e nada menos do que muito amor. E isso s\u00e3o \u00f3timas lembran\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre o Down: a banda planeja algo para este ano ou est\u00e1 em hiato?<\/strong><br \/>\nEst\u00e1 em hiato, mas \u00e9 preciso entender que o grupo \u00e9 composto por membros de outras diferentes bandas (Corrosion of Conformity, Crowbar, Eyehategod) e todos est\u00e3o trabalhando. Eu fico feliz com isso. Podemos ficar sem tocar por quatro ou nove anos, mas sempre acabamos nos encontrando com o Down. Todos est\u00e3o se dando bem, e isso \u00e9 a boa nova. Quando for a hora e todos estiverem prontos, estaremos bem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bl3TcDMV3Ec?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Gh52s75SH10?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eOSU0BjN91s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>. Entrevista cedida pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/abstratti\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Abstratti Produtora<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Tocar Pantera pareceu mais importante agora do que em outros tempos. 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