{"id":49610,"date":"2019-01-07T13:58:23","date_gmt":"2019-01-07T15:58:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=49610"},"modified":"2019-02-14T02:26:59","modified_gmt":"2019-02-14T04:26:59","slug":"entrevista-pedro-de-luna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/01\/07\/entrevista-pedro-de-luna\/","title":{"rendered":"Entrevista: Pedro de Luna"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escritor, jornalista, quadrinista e gestor cultural. Estas s\u00e3o apenas algumas das v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es que Pedro de Luna acumulou nos decorrer dos anos. Em especial a d\u00e9cada de 90, per\u00edodo em que viveu acompanhou in loco a efervescente cena alternativa musical que imergiu Brasil \u00e0 fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A expertise adquirida foi transformada em noves livros que analisariam n\u00e3o s\u00f3 o universo da m\u00fasica, mas tamb\u00e9m \u00e1reas adjacentes como a vida e obra do quadrinista Marcatti (em \u201cMarcatti: Tinta, Suor e Suco G\u00e1strico\u201d). Sua obra mais recente e, talvez, mais ambiciosa foi lan\u00e7ada em dezembro de 2018: a biografia \u201c<a href=\"https:\/\/belasletras.com.br\/planet-hemp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Planet Hemp &#8211; Mantenha o Respeito<\/a>\u201d, que cobre a carreira da banda, que, a sua maneira, mudou a m\u00fasica brasileira, vide a mistura explosiva de ritmos como rock, rap, reggae, hardcore e adjac\u00eancias e na ado\u00e7\u00e3o de bandeiras como a liberdade de express\u00e3o nas letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro, a carreira da banda criada por Marcelo D2 e Skunk no inicio dos anos 90 \u00e9 passada a limpo de maneira primorosa, fruto de uma longa pesquisa que contou com mais de 100 entrevistados. Outro ponto a favor \u00e9 que, acertadamente, o autor ao contar a trajet\u00f3ria do grupo faz tamb\u00e9m um belo recorte do que acontecia culturalmente no Brasil, principalmente no underground, gra\u00e7as ao crescimento de diversas cenas locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta \u00f3tima entrevista, Pedro fala sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o do livro e o seu car\u00e1ter did\u00e1tico, a import\u00e2ncia de ouvir quem acompanhou in loco toda a trajet\u00f3ria do Planet (\u201cO livro \u00e9 contado pelos que estavam l\u00e1, eu fui apenas uma esp\u00e9cie de menestrel, que organizou os fatos no tempo e no espa\u00e7o, encadeando tudo e dando fluidez a narrativa\u201d), as mudan\u00e7as substanciais do mercado da m\u00fasica dos anos 90 para c\u00e1 (\u201cAs redes sociais criaram a sensa\u00e7\u00e3o da urg\u00eancia, do retorno r\u00e1pido, mas uma rela\u00e7\u00e3o s\u00f3lida \u00e9 constru\u00edda no dia-a-dia.\u201d), o legado desta gera\u00e7\u00e3o, as dificuldades que circundaram a edi\u00e7\u00e3o do livro (\u201cFoi um trabalho duro, solit\u00e1rio e herc\u00faleo\u201d), o mercado editorial e a crescente produ\u00e7\u00e3o de biografias nacionais, projetos futuros e sobre a pol\u00eamica nota de rep\u00fadio lan\u00e7ada pela Na Moral Produ\u00e7\u00f5es, respons\u00e1vel pela carreira do Planet, ante a obra.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zCeJQ2de3qo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Mantenha o Respeito&#8221;, mais do que contar a trajet\u00f3ria do Planet, faz um belo apanhado da cena carioca da \u00e9poca. Este projeto est\u00e1 sendo desenvolvido h\u00e1 quanto tempo?<\/strong><br>Desde o meu primeiro livro, \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Niteroi-Rock-Underground-1990-2010-Pedro\/dp\/8591231708\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Niter\u00f3i Rock Underground1990-2010<\/a>\u201d, lan\u00e7ado de forma independente em 2011, que o Planet me chamou a aten\u00e7\u00e3o. Foi quando eu percebi que tinha um material bacana deles no meu acervo pessoal. Eu sempre gostei da banda e dos caras, eles eram um orgulho para a cena carioca. E a\u00ed fui escrevendo outros, como o \u201cBrodagens\u201d (2016) e o \u201ccoLUNAs\u201d (2017) at\u00e9 tomar coragem para encarar o meu livro mais dif\u00edcil. \u201cPlanet Hemp: Mantenha o Respeito\u201d \u00e9 o meu nono livro e em todos eles eu sempre contextualizo o biografado dentro de um contexto. Considero muito importante esse car\u00e1ter did\u00e1tico, por que o underground \u00e9 formado por um grupo restrito de pessoas e muitos leitores sequer viveram os anos 1990. Por isso mesmo o livro situa os m\u00fasicos individualmente antes e depois da banda e dentro da cena, mostrando os aspectos favor\u00e1veis ou n\u00e3o, bem como os lugares e os demais atores, porque o sucesso do Planet decorre de tudo isso, inclusive de se cercar de formadores de opini\u00e3o que podiam ajudar o grupo. As pessoas certas na hora certa. Nas 496 p\u00e1ginas tamb\u00e9m inclu\u00ed v\u00e1rias notas de rodap\u00e9 e um mapa chamado \u201cLocalize J\u00e1\u201d mostrando mais de 50 pontos que a banda frequentava nos anos 1990, ajudando o leitor a compreender o deslocamento geogr\u00e1fico da banda e da pr\u00f3pria cena. N\u00e3o podemos partir do princ\u00edpio que o leitor \u00e9 um cara super interado no underground como n\u00f3s, jornalistas musicais que cobrimos as bandas h\u00e1 anos, e que conhece cada refer\u00eancia citada na obra. At\u00e9 porque tem gente que come\u00e7ou a gostar do Planet de cinco anos pra c\u00e1, que nem tinha nascido naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pessoalidade impressa na obra faz um grande diferencial na narrativa. Para voc\u00ea que acompanhou a cena in loco como foi esta \u00e9poca?<\/strong><br>Curioso porque tentei ao m\u00e1ximo manter uma dist\u00e2ncia dos fatos, por isso o livro \u00e9 contado por quem estava l\u00e1, n\u00e3o apenas os m\u00fasicos, mas os que foram chamados pelo empres\u00e1rio da banda de \u201ccoadjuvantes\u201d. Todos foram importantes para o sucesso do Planet Hemp, desde os amigos e a equipe t\u00e9cnica at\u00e9 os jornalistas, os produtores de eventos, o pessoal das gravadoras, VJs, DJs, outros m\u00fasicos (como Edu K e Castor, do DeFalla) e, claro, os f\u00e3s. Toda boa hist\u00f3ria conta com bons \u201ccoadjuvantes\u201d, que \u00e9 o caso tamb\u00e9m na biografia do Planet. Voc\u00ea deve ter percebido que o livro \u00e9 contado pelos que estavam l\u00e1, eu fui apenas uma esp\u00e9cie de menestrel, que organizou os fatos no tempo e no espa\u00e7o, encadeando tudo e dando fluidez a narrativa. Tamb\u00e9m fiz quest\u00e3o de dar voz a todos, cada um que viveu a hist\u00f3ria, expondo o seu ponto de vista e a sua opini\u00e3o. Sinceramente, n\u00e3o me importa o que eu acho ou penso, pois isso poderia tirar a imparcialidade e a isen\u00e7\u00e3o, e sim as conclus\u00f5es que o leitor vai tirar ao final da leitura. E, para a nossa alegria, at\u00e9 agora foram muitos e muitos elogios! Os anos 1990 ainda foram movidos pelas gravadoras e a MTV, muita gente ganhou dinheiro vendendo disco, o que come\u00e7ou a mudar na virada do mil\u00eanio, com a pirataria de CDs e DVDs, o boom do MP3, e a pr\u00f3pria internet, quando a m\u00eddia come\u00e7ou a perder o monop\u00f3lio e a comunica\u00e7\u00e3o sem filtros entre artista e f\u00e3 se intensificou. Falo muito sobre isso no meu primeiro livro, \u201cNiter\u00f3i Rock Underground1990-2010\u201d, que aborda as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas, econ\u00f4micas, art\u00edsticas e sociais nessas duas d\u00e9cadas. Ele pr\u00f3prio \u00e9 um bom exemplo do impacto da tecnologia. Estava esgotado desde 2013 ou 2014, quando enfim vendi os mil exemplares. Hoje ele est\u00e1 novamente dispon\u00edvel gra\u00e7as impress\u00e3o sob demanda, \u00e0 venda atrav\u00e9s da Amazon.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito se fala sobre o legado deixado pela gera\u00e7\u00e3o anos 90. Quais as principais marcas deixadas por esta gera\u00e7\u00e3o?<\/strong><br>Uma marca que \u00e9 muito importante da gera\u00e7\u00e3o 90, no que tange as bandas, \u00e9 que bandas de rock de todo Brasil criaram suas sonoridades a partir da mistura de outros estilos como fizeram os Raimundos, o Dot\u00f4 J\u00e9ka, o Funk Fuckers, o Planet Hemp, o Rappa e Chico Science e a Na\u00e7\u00e3o Zumbi. E a cria\u00e7\u00e3o de selos e sub-selos que deram vaz\u00e3o ao que era produzido na \u00e9poca. Outro ponto interessante \u00e9 que a gera\u00e7\u00e3o anos 80 fala que nos 90 havia mais facilidade de se divulgar o trabalho. A come\u00e7ar pela pr\u00f3pria MTV. Mas tamb\u00e9m s\u00e3o desta \u00e9poca a cria\u00e7\u00e3o de muitas revistas, fanzines, programas de r\u00e1dio, e programas de TV especializados que davam foco \u00e0 m\u00fasica independente. Ent\u00e3o de fato a gera\u00e7\u00e3o anos 90 se beneficiou por ter mais uma imprensa especializada, decorrente do pr\u00f3prio fomento do mercado, das gravadoras, que investiram pesado. Mas apesar disso as dificuldades eram as mesmas de sempre, pois ainda havia falta de espa\u00e7o para tocar. Por mais que houvesse uma abertura de mercado que facilitou a aquisi\u00e7\u00e3o de melhores instrumentos, mas ter um bom instrumento n\u00e3o faz de ningu\u00e9m um bom m\u00fasico. \u00c9 preciso se dedicar, estudar, praticar, ensaiar. Ent\u00e3o neste contexto \u00e9 importante destacar que nos anos 90 houve um esfor\u00e7o muito grande por parte da cena independente, pois todos os elos da cadeia (bandas, fanzineiros, produtores de evento&#8230;) eram muito unidos. E estamos falando de uma era sem internet. Ent\u00e3o era necess\u00e1rio comparecer nos shows para pegar um fanzine, comprar uma fita demo e conhecer novas bandas. E esta cultura de divulgar a m\u00fasica por conta pr\u00f3pria foi determinante a partir dos anos 2000. O underground para mim se tornou fascinante por causa disso. Quando eu comecei a trocar cartas com pessoas de todo Brasil, que divulgavam coisas que n\u00e3o apareciam nos jornais tradicionais, revistas ou TVs eu fiquei muito fascinado porque eu descobri que ali havia bandas muitos mais legais do que as que tocavam nas r\u00e1dios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O mercado musical sofreu dr\u00e1sticas modifica\u00e7\u00f5es de l\u00e1 pra c\u00e1. Quais as diferen\u00e7as mais substanciais voc\u00ea v\u00ea hoje?<\/strong><br>Acho que comecei a falar disso na pergunta anterior, mas \u00e9 um assunto complexo demais para responder em dois ou tr\u00eas par\u00e1grafos. A tecnologia barateou a grava\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o, por exemplo, mas certas coisas continuam as mesmas. Se a m\u00fasica n\u00e3o for boa, n\u00e3o se sustenta o suficiente. Se o artista n\u00e3o investir no relacionamento com o f\u00e3, sua carreira n\u00e3o vai durar. Percebo que h\u00e1 uma defici\u00eancia enorme na comunica\u00e7\u00e3o entre eles, que ainda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o individualizada como deveria ser. Durante 10 anos eu fiz um movimento em Niter\u00f3i chamado Arariboia Rock e, mesmo com tanta tecnologia, algumas bandas n\u00e3o tinham um release, uma logomarca ou mesmo uma foto decente de divulga\u00e7\u00e3o. Isso numa era onde qualquer smartphone pode fazer fotografias em alta resolu\u00e7\u00e3o e apps colocam efeitos incr\u00edveis na imagem. Ent\u00e3o n\u00e3o adianta s\u00f3 a tecnologia, se falta atitude e cuidado com os detalhes. As redes sociais criaram a sensa\u00e7\u00e3o da urg\u00eancia, do retorno r\u00e1pido, mas uma rela\u00e7\u00e3o s\u00f3lida \u00e9 constru\u00edda no dia-a-dia. Eu sei exatamente quem \u00e9 meu leitor, quem j\u00e1 comprou algum dos meus nove livros. Porque muitos compram direto comigo ou apenas trocam mensagens e fazem os seus coment\u00e1rios pela internet. Sempre haver\u00e1 aquele que s\u00f3 curte, comenta, mas n\u00e3o compra nada nem vai aos eventos, mas nem por isso vou destratar ou ignorar a pessoa. \u201cAme ao pr\u00f3ximo como a si mesmo\u201d. Nenhuma hiper tecnologia desbancar\u00e1 premissas simples e b\u00e1sicas de humanismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algumas das suas obras anteriores abordaram a cena cultural carioca. Estas pesquisas anteriores prepararam o terreno para &#8220;Mantenha o Respeito&#8221;?<\/strong><br>Com certeza. Todas as pesquisas dos meus livros anteriores ajudaram bastante no processo de \u201cPlanet Hemp: Mantenha o Respeito\u201d porque, para a minha surpresa, os integrantes e ex-integrantes quase n\u00e3o tinham nada daquela \u00e9poca. Numa das vezes que eu fui \u00e0 casa do Marcelo D2 eu fiquei surpreso com o seu desprendimento. Ele mesmo n\u00e3o tinha foto, rascunho de letra, mat\u00e9ria de jornal, nada. Me contou que foi mudando de casa e as coisas foram ficando pra tr\u00e1s. Sua primeira mulher contou ao livro que ele nunca teve apego com esse tipo de coisa, enquanto eu sou \u2013 como certa vez disse o Donida (ex-Matanza e Acabou La Tequila) \u2013 um \u201carque\u00f3logo cultural\u201d. Eu guardo tudo: releases, fitas demo, CDs, DVDs, vinis, cartazes, credenciais etc. Eu adoro hist\u00f3ria e preservo com carinho os meus acervos e tudo o que ganhei durante a pesquisa para o livro do Planet Hemp, pois ainda pretendo fazer um doc e uma exposi\u00e7\u00e3o. E sei que essas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o na internet. Para voc\u00ea ter uma ideia, dentre os tantos que colaboraram neste livro, os que mais ajudaram com material de acervo foram o Bacalhau (primeiro baterista), o Kleber (t\u00e9cnico de PA), o Tonante (f\u00e3) e o Ronaldo (primeiro empres\u00e1rio da banda) que me deu a pasta com as colagens do pr\u00f3prio Skunk, a sementinha criadora do Planet Hemp. Algum material coletado durante a pesquisa para o livro do Planet ser\u00e1 utilizado para a biografia do Speed, ex-parceiro do Black Alien e que tocou com o Planet Hemp e cantou com o Marcelo D2. Esse meu d\u00e9cimo livro est\u00e1 previsto para mar\u00e7o e est\u00e1 sendo escrito junto com um f\u00e3 do Speed &#8211; que sequer o conheceu pessoalmente, mas admira a sua obra e est\u00e1 empenhado em preservar o seu legado para a posteridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O livro \u00e9 fruto de uma longa pesquisa com mais de 100 entrevistados. Quais as dificuldades de editar tanto material? Como se deu a sele\u00e7\u00e3o do que deveria ou n\u00e3o entrar?<\/strong><br>A pesquisa foi a parte mais dif\u00edcil por que fiz sozinho e sacrificou bastante a minha fam\u00edlia e a minha sa\u00fade. Como havia muita imprecis\u00e3o nas datas, tive que fazer uma cronologia dos principais marcos da banda por dia, m\u00eas e ano. Ela foi disponibilizada no final da biografia. Nesse aspecto, a imprensa escrita foi fundamental, pois a mat\u00e9ria de jornal tem a data completa. Quase ningu\u00e9m coloca o ano num flyer de show, por exemplo. E depois que surgiram blogs e redes sociais como Orkut e Fotolog, muita coisa se perdeu quando essas p\u00e1ginas sa\u00edram do ar. Foi um trabalho duro, solit\u00e1rio e herc\u00faleo. Durante dois anos dormi e acordei com a hist\u00f3ria na cabe\u00e7a. Em setembro de 2017 entrei na fase de entrevistas pessoais e por e-mail, e foi bastante cansativo, indo na casa de um por um. Tenho tudo registrado seja em \u00e1udio, v\u00eddeo, e-mail ou arquivos de \u00e1udio. As entrevistas com Mario Caldato Jr e Seu Jorge, por exemplo, que moram nos EUA, realizei por \u00e1udio no Whatsapp. Aproveitei praticamente tudo o que as pessoas falaram nas entrevistas, o que n\u00e3o entrou era por n\u00e3o agregar nada \u00e0 hist\u00f3ria ou fazer simples promo\u00e7\u00e3o pessoal. Desde o in\u00edcio a inten\u00e7\u00e3o do livro nunca foi lavar roupa suja ou fazer \u201cmimimi\u201d. Isso n\u00e3o interessa a ningu\u00e9m, muito menos ao p\u00fablico. Ali\u00e1s, aproveito para agradecer ao editor <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/21\/entrevista-marcelo-viegas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Viegas<\/a> que foi muito criterioso e cuidadoso com as palavras na revis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BNeg\u00e3o foi um dos poucos integrantes do Planet a n\u00e3o serem ouvidos, devido a conflito de agendas. Por que n\u00e3o foi vi\u00e1vel espera-lo? A aus\u00eancia da sua voz dificultou a constru\u00e7\u00e3o da obra?<\/strong><br>Corrigindo a sua pergunta, ele foi o \u00fanico entre integrantes e ex-integrantes da banda que n\u00e3o deu entrevista. Ele devia estar muito ocupado por que quando come\u00e7amos os encontros, em setembro, pois ele mesmo sugeriu que deix\u00e1ssemos para novembro e dezembro, mas infelizmente n\u00e3o rolou o encontro. Mesmo assim o livro ficou \u00f3timo, pois eu tinha muitas entrevistas dele em jornais, sites, revistas e fanzines, e n\u00e3o comprometeu em nada o livro. Como dissemos na nota do dia 28\/12\/2018 (<a href=\"https:\/\/belasletras.com.br\/com-todo-o-respeito\/\" target=\" _blank\" rel=\"noopener\">publicada no site da editora Belas Letras<\/a>) \u201caguardar mais tempo por BNeg\u00e3o seria falta de respeito com quem encontrou espa\u00e7o na sua agenda para colaborar. Se mais algu\u00e9m ficou de fora e considerou que deveria estar no livro, pedimos desculpas pela omiss\u00e3o, que certamente n\u00e3o foi volunt\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O mercado editorial brasileiro parecia preferir traduzir biografias de artistas internacionais do que investir em produ\u00e7\u00f5es nacionais. Mas, de uns tempos pra c\u00e1, isto tem mudado bastante. A que se deve esta mudan\u00e7a?<\/strong><br>Seria pretensioso demais cravar uma resposta definitiva, mas sugiro pelo menos dois motivos: maior interesse do p\u00fablico brasileiro pela sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria (o que foi alavancado tamb\u00e9m com a adapta\u00e7\u00e3o das biografias em livro para o formato audiovisual) e uma vis\u00e3o menos preconceituosa dos pr\u00f3prios editores, que vem valorizando ainda mais o produto nacional. A editora Belas-Letras, que lan\u00e7ou a biografia \u201cPlanet Hemp: Mantenha o Respeito\u201d, tanto publicou no Brasil a bio do Anthony Kieds (vocalista do Red Hot Chilli Peppers) e do Jim Lindberg (vocalista do Pennywise) quanto a do Nasi (vocalista do Ira!) e das bandas Nenhum de N\u00f3s e Engenheiros do Hawaii. Quem assistiu ao filme \u201cLegalize J\u00e1\u201d (lan\u00e7ado em 18\/10\/18) provavelmente ter\u00e1 interesse em ler a biografia do Planet Hemp e conhecer melhor aquele per\u00edodo antes da banda se formar. O filme \u00e9 uma livre adapta\u00e7\u00e3o, o livro \u00e9 a hist\u00f3ria nua e crua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente a Na Moral produ\u00e7\u00f5es, respons\u00e1vel pela carreira do Planet Hemp, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NaMoralProducoes\/photos\/a.10151286620269401\/10156254919289401\/?type=3&amp;__xts__%5B0%5D=68.ARDN0ejD8Bwhbp9rhrIZEjypxu3C6Cuhzq8omBbxOIp-b2yVbRJrQZ56lNbTNyzlmO3MorzTznOLxCHD8hjr5OVigS2pWN9ZNXVri1vO8Ap7ICKvdZjWk8UcAgCzhNJ0JRkTy8UJW686jdQIF5ipoOWroyhBWrjAqLiyYe0w9EPA2CKiIsxcQqcOwEEj6F25EdCgXtgWqssXNo6II1E5GOXgKs8dBEJ_gwddbkCm7UeEy4JxOkEwlVkrzAi7kK7Fnzff-0OK_z2ylOlJlBNGocbrEsHnzyaE9hnG9HXuND_g6asUBvxkAaUDg6VpZrTFcyy74Qc-SDtuVJCHvHBH&amp;__tn__=-R\">soltou uma nota de rep\u00fadio ao livro<\/a>. Ao que parece a opini\u00e3o dos integrantes n\u00e3o \u00e9 o mesmo da produtora. Como voc\u00eas lidaram com esta nota?<\/strong><br>Eu j\u00e1 vinha recebendo cal\u00fanias e difama\u00e7\u00f5es do empres\u00e1rio pela internet h\u00e1 alguns dias, al\u00e9m de xingamentos dele no meu Whatsapp. Tenho mensagens dos integrantes dizendo que adoraram o livro, inclusive o Marcelo D2, al\u00e9m de ter contado com a presen\u00e7a do Formig\u00e3o, Bacalhau, Pedrinho, Z\u00e9 Gonzales e Apollo Nove nos eventos realizados no Rio e SP. Pelo visto, o \u00fanico que ficou descontente foi o empres\u00e1rio, mas sem dizer o motivo, e passou v\u00e1rios dias me xingando e amea\u00e7ando. No \u00faltimo dia 28, ap\u00f3s outra nota caluniosa, pessoal e ofensiva emitida pelo empres\u00e1rio, liberamos um comunicado p\u00fablico esclarecendo os fatos. Pouco depois o post foi retirado do Facebook da banda e mantido sem qualquer repercuss\u00e3o no Facebook da produtora. At\u00e9 o momento esta foi a \u00fanica pol\u00eamica, mas em se tratando de Planet Hemp, a \u00fanica banda de rock brasileira que foi perseguida e presa, tudo \u00e9 poss\u00edvel.Aos interessados, o texto que divulgamos <a href=\"https:\/\/belasletras.com.br\/com-todo-o-respeito\/target=\" rel=\"noopener\">est\u00e1 dispon\u00edvel aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A obra deixa em aberto diversas hist\u00f3rias que se entrecruzam a trajet\u00f3ria do Planet. Dos v\u00e1rios precedentes apresentados qual deles voc\u00ea gostaria de fazer? A hist\u00f3ria do Matanza, ao que parece, daria um \u00f3timo livro!<\/strong><br>Com certeza. Ningu\u00e9m est\u00e1 sozinho no mundo, nossos caminhos est\u00e3o sempre se cruzando com os de outros. No caso do Planet Hemp, havia a hemp family que inclu\u00eda bandas como O Rappa, Chico Science &amp; Na\u00e7\u00e3o Zumbi, Squaws, Farofa Carioca, Black Alien, Funk Fuckers, Cabe\u00e7a, Tornado, Cynics, Serial Killer e tantas outras. Eu gostaria de escrever sobre o Garage, por exemplo, onde o Planet fez os seus primeiros shows, e que foi a casa que abrigou todo mundo, bom ou ruim, independente do estilo musical. A dedica\u00e7\u00e3o do (falecido) Fabio Costa ao underground \u00e9 um caso raro, e que custou a pr\u00f3pria vida. Tamb\u00e9m acho bacana (e ao mesmo tempo tr\u00e1gica) a hist\u00f3ria dos Raimundos. Na bio do Planet eu contei que, na fat\u00eddica noite do show da banda brasiliense em Santos, quando v\u00e1rios jovens morreram caindo da escada, o Planet Hemp ficou detido a madrugada toda numa delegacia em Belo Horizonte. Mas ningu\u00e9m soube por que o foco da imprensa estava na trag\u00e9dia santista. S\u00f3 que no dia seguinte ao incidente em Minas Gerais, a banda do Marcelo D2 pegou a estrada pra ser presa em Bras\u00edlia. Os Raimundos eram broders do Planet, que tamb\u00e9m eram broders do Charlie Brown Jr., do Jorge Cabeleira e o Dia em Que Seremos In\u00fateis (PE), d\u00b4Os Cabeloduro (DF) e tantos outros. Eu falo muito sobre a real amizade da galera under carioca no livro \u201cBrodagens\u201d (2016), tamb\u00e9m dispon\u00edvel em impress\u00e3o sob demanda pela Amazon.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/r8PimfoxaFk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Bruno Lisboa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@brunorplisboa<\/a>) \u00e9 redator\/colunista do&nbsp;<a href=\"http:\/\/pignes.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pigner<\/a>&nbsp;e do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014. A foto que abre o texto \u00e9 de Elza Cohen \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Banda que, a sua maneira, mudou a m\u00fasica brasileira, vide a mistura explosiva de ritmos como rock, rap, reggae, hardcore e adjac\u00eancias mais marijuana e liberdade de express\u00e3o, o Planet Hemp acaba de ganhar uma excelente biografia! Pedro de Luna conta como foi escreve o livro &#8216;Planet Hemp: Mantenha o Respeito&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/01\/07\/entrevista-pedro-de-luna\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":49612,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[2640,1829,3429,3428],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49610"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49610"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49610\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49617,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49610\/revisions\/49617"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49612"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}