{"id":49513,"date":"2018-12-17T16:23:20","date_gmt":"2018-12-17T18:23:20","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=49513"},"modified":"2024-06-17T13:09:46","modified_gmt":"2024-06-17T16:09:46","slug":"tres-perguntas-rodrigo-garras-de-andrade-selo180","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/12\/17\/tres-perguntas-rodrigo-garras-de-andrade-selo180\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Rodrigo &#8220;Garras&#8221; de Andrade fala sobre os novos lan\u00e7amentos do Selo 180"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entrevistados como Rodrigo de Andrade, o Garras, do <a href=\"https:\/\/www.selo180.com\/\">Selo180<\/a>, s\u00e3o o sonho de todo jornalista: \u201cEu me empolgo e escrevo bastante\u201d, comentou ele na resposta do e-mail com as tr\u00eas perguntas abaixo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/26\/entrevista-rodrigo-de-andrade-selo-180\/\">a entrevista que fizemos em 2016 tamb\u00e9m \u00e9 excelente<\/a>). E o \u201cexcesso\u201d dele n\u00e3o tem nada de&#8230; excesso. Garras vai abrindo o cora\u00e7\u00e3o de apaixonado por m\u00fasica e, neste caso, contando, em detalhes, todo o trabalho que circundou os lan\u00e7amentos mais recentes do Selo180 em parceria com a Record Collector Brasil: a reedi\u00e7\u00e3o de luxo do \u00e1lbum &#8220;Metr\u00f4 Linha 743&#8221;, de Raul Seixas, lan\u00e7ado originalmente em 1984, e &#8220;A Vida e Obra de Johnny McCartney&#8221;, que Leno gravou na virada de 1970 para 1971, mas a gravadora engavetou e s\u00f3 seria lan\u00e7ado 25 anos depois, pelo pr\u00f3prio Leno, em CD \u2013 essa \u00e9 a primeira vez que o \u00e1lbum ganha edi\u00e7\u00e3o em vinil!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cForam quase dois anos de trabalho no \u2018Metr\u00f4 Linha 743\u2019\u201d, conta Garras na conversa abaixo. \u201cA inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o era de apenas reembalar um disco do artista, mas expandir ele\u201d, explica. O resultado \u00e9 um dos trabalhos mais cuidadosos e sensacionais j\u00e1 feitos com um lan\u00e7amento em vinil no Brasil. Al\u00e9m do encarte original e do release de imprensa da \u00e9poca, a reedi\u00e7\u00e3o de &#8220;Metr\u00f4 Linha 743&#8221; traz um livreto com 28 p\u00e1ginas compilando mais de 50 imagens in\u00e9ditas, rascunhos das letras digitalizados, clipping de reportagens da \u00e9poca e entrevistas com os m\u00fasicos e Kika Seixas relembrando a grava\u00e7\u00e3o. \u201cFizemos tudo com um olhar de f\u00e3\u201d, comenta Garras. O resultado \u00e9 absolutamente sublime \u2013 e, musicalmente, ainda conta com a inclus\u00e3o de uma faixa extra, \u201cAnarkil\u00f3polis\u201d (que nunca havia sido lan\u00e7ada em vinil).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o disco de Leno, Garras conta: \u201cO disco foi engavetado pela gravadora em 1971. Foi censurado pelos militares e tamb\u00e9m pela CBS, que achou o trabalho maluco demais\u201d. Nesta reedi\u00e7\u00e3o ao lado da Record Collector Brasil, \u201cabordagem foi de realizar realmente a primeira edi\u00e7\u00e3o em LP com o trabalho na \u00edntegra. Tinha que ter uma capa gatefold com as letras, ficha t\u00e9cnica e uma foto hist\u00f3rica. Mas desenvolvemos tamb\u00e9m um encarte de quatro p\u00e1ginas contando a hist\u00f3ria do disco\u201d, explica. Repetindo o trabalho cuidadoso de outros lan\u00e7amentos do selo, &#8220;A Vida e Obra de Johnny McCartney&#8221; finalmente ganha edi\u00e7\u00e3o em vinil. E os planos do Selo180 n\u00e3o param por ai: \u201cem mar\u00e7o estaremos lan\u00e7ando uma vers\u00e3o expandida do rar\u00edssimo \u2018Sweet Edy\u2019, do kavernista Edy Star. O LP \u00e9 muito raro e o relan\u00e7amento vai permitir que muitos f\u00e3s redescubram esse cl\u00e1ssico\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No bate papo abaixo, Garras ainda fala sobre o momento de reviravolta que vive o mercado cultural brasileiro, com o streaming afetando diretamente a venda f\u00edsica (\u201cO CD realmente tem perdido bastante espa\u00e7o, ao menos no meio do rock independente\u201d, avalia) e a derrocada das megastores, que est\u00e1 causando um estremecimento no mercado: \u201cN\u00e3o necessariamente pela perda desses espa\u00e7os e empresas (os independentes nunca tiveram muita abertura por l\u00e1), mas pelo efeito cascata que a ru\u00edna delas acaba provocando\u201d, explica. O calote decorrido dos pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial das grandes livrarias est\u00e1 afetando diretamente distribuidoras de discos, que podem vir a fechar. Mas ele v\u00ea algo positivo nas mudan\u00e7as: \u201cSe espera que ao menos uma parte do p\u00fablico deles acabe migrando para esses espa\u00e7os e canais alternativos. A quest\u00e3o \u00e9 ver quem resiste at\u00e9 l\u00e1 e quais ser\u00e3o os meios de se repor o estoque\u201d, prev\u00ea. Abaixo, voc\u00ea confere o papo na integra. Sobre os discos voc\u00ea pode saber mais em <a href=\"https:\/\/www.selo180.com\/\">www.selo180.com<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/raulmetro2.jpg\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Metr\u00f4 Linha 743&#8221; \u00e9 o segundo lan\u00e7amento do Raul Seixas do Selo 180 ao lado da Record Collector, certo? Quando a gente conversou, tempos atr\u00e1s, voc\u00ea tinha falado que mais alguns discos do Raul iriam sair, e como foi o processo? Esse livreto de 28 p\u00e1ginas \u00e9 uma das coisas mais lindas que j\u00e1 vi em vinil no Brasil!<\/strong><br \/>\nComo sou fanza\u00e7o do Raul, me enche de orgulho ter ele no cat\u00e1logo do Selo180. Esse trabalho de reedi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas \u00e9 sempre feito em parceria com o Fred, da Record Collector Brasil (que foi o primeiro e-commerce de vinil do pa\u00eds). Eu era cliente dele e, desde que fundei o selo, come\u00e7amos a desenvolver projetos desse tipo. O primeiro foi o The Galaxies (de 1968). Na sequ\u00eancia, em 2016, veio o \u201cIsso aqui n\u00e3o \u00e9 Woodstock, mas um dia pode ser: ao vivo no II Festival de \u00c1guas Claras, 1981\u201d. Foi o primeiro lan\u00e7amento em vinil do Raul Seixas em mais de 20 anos e era um t\u00edtulo in\u00e9dito em LP. Uma alegria e um verdadeiro estouro! O p\u00fablico ansiava pelo Raul e por material novo. Batemos alguns recordes do \u201cmercado moderno\u201d de vinil no Brasil com esse t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde ent\u00e3o, estivemos trabalhando na reedi\u00e7\u00e3o do \u201cMetr\u00f4 Linha 743\u201d. Como somos selos independentes, o processo \u00e9 lento. Em nosso cotidiano, desempenhamos quase todas as fun\u00e7\u00f5es de uma grande gravadora, mas sozinhos. Ent\u00e3o, assim como o primeiro Raul que colocamos na rua, foram quase dois anos de trabalho no \u201cMetr\u00f4 Linha 743\u201d. Mas muito recompensador porque chegamos num resultado que superou nossas pr\u00f3prias expectativas. A inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o era de apenas reembalar um disco do artista, mas expandir ele. J\u00e1 t\u00ednhamos a autoriza\u00e7\u00e3o das herdeiras e o apoio do Sylvio Passos quando conseguimos licenciar o t\u00edtulo com a Som Livre (e somos muito gratos, pois a maioria das grandes gravadoras n\u00e3o nos leva a s\u00e9rio) e nos permitiram incluir a faixa b\u00f4nus \u201cAnarkil\u00f3polis\u201d (que nunca havia sido lan\u00e7ada em vinil). Reproduzir o encarte original e o release de imprensa eram passos naturais. J\u00e1 hav\u00edamos decidido em produzir uma capa gatefold, cujo conte\u00fado seria um texto falando sobre o \u00e1lbum. Mas a\u00ed contatamos o capista e designer Felipe Taborda e fomos a loucura com a quantidade de fotos in\u00e9ditas que ele tinha. Ele foi muito legal e acess\u00edvel, o que nos encorajou a ir atr\u00e1s de todos que participaram do disco. O Fred entrevistou os m\u00fasicos, o produtor Alexandre Agra, a Kika, o Sylvio Passos. Quando percebemos, t\u00ednhamos material para um verdadeiro dossi\u00ea. A\u00ed come\u00e7amos a elaborar o livreto, decididos a colocar tudo o que era poss\u00edvel. O Sylvio Passos nos auxiliou muito a formatar o texto. Fizemos tudo com um olhar de f\u00e3. Quando bolamos os lan\u00e7amentos, o foco nunca \u00e9 em \u201ccomo podemos economizar e potencializar os lucros\u201d. Muito pelo contr\u00e1rio! O pensamento \u00e9 \u201ccomo esse lan\u00e7amento pode ser o mais incr\u00edvel poss\u00edvel?\u201d! Quando finalizamos, o livreto estava com 28 p\u00e1ginas. Foram meses de trabalho e o resultado nos enche de orgulho. Desconhe\u00e7o reedi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica nos mesmos moldes no mercado fonogr\u00e1fico brasileiro. E acreditamos que realmente acrescentamos algo na obra do Raul. O que comprovamos com o retorno que os f\u00e3s est\u00e3o nos dando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre os pr\u00f3ximos lan\u00e7amentos, sim, tem mais coisas do Raul vindo por a\u00ed. Mas hoje sou mais cauteloso ao comentar. Me vejo como o personagem da m\u00fasica \u201cSess\u00e3o das Dez\u201d: \u201cAo chegar do interior, inocente puro e besta&#8230;\u201d. Sempre comentei muito entre os vinileiros (selos, lojistas, etc) sobre os planos e os projetos que estava desenvolvendo. E isso me fez perder alguns lan\u00e7amentos. Algu\u00e9m corria na frente e cobria a proposta, ou criava alguma dificuldade no licenciamento e acabava inviabilizando o projeto. Por sorte, no que diz respeito ao Raul, temos o apoio das herdeiras, da Kika e do Sylvio Passos. Ent\u00e3o posso garantir que sair\u00e3o mais coisas, desde reedi\u00e7\u00f5es expandidas at\u00e9 material in\u00e9dito. Para 2019 devem ser pelo menos dois LPs. O que eu j\u00e1 posso revelar \u00e9 um disco que est\u00e1 em processo bem adiantado. N\u00e3o \u00e9 do Raul, mas tem muita rela\u00e7\u00e3o com ele. Em mar\u00e7o estaremos lan\u00e7ando uma vers\u00e3o expandida do rar\u00edssimo \u201cSweet Edy\u201d, do kavernista Edy Star. O LP \u00e9 muito raro e o relan\u00e7amento vai permitir que muitos f\u00e3s redescubram esse cl\u00e1ssico. Ter\u00e1 faixas b\u00f4nus e material adicional, mas n\u00e3o um livreto como o do \u201cMetr\u00f4 Linha 743\u201d. Ainda estamos desenvolvendo a parte gr\u00e1fica, mas a ideia \u00e9 valorizar a imagem do Edy. Tem fotos espetaculares. Cogitamos incluir um p\u00f4ster dele nos trajes glam de Ziggy Stardust brasileiro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/leno_johnny.jpg\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No embalo, agora, voc\u00eas est\u00e3o lan\u00e7ando tamb\u00e9m o &#8220;A Vida e Obra de Johnny McCartney&#8221;, do Leno. Suspeito que esse deu um pouco mais de trabalho, n\u00e3o? Como foram as conversas com o Leno para recuperar esse disco? E como voc\u00ea situa a import\u00e2ncia desse lan\u00e7amento para o rock brasileiro?<\/strong><br \/>\nO disco foi engavetado pela gravadora em 1971. Foi censurado pelos militares e tamb\u00e9m pela CBS, que achou o trabalho maluco demais. O Leno era uma figura de imenso sucesso na Jovem Guarda (junto com Lilian, gravou enormes hits como &#8220;Pobre Menina&#8221; e &#8220;Devolva-me&#8221;). E a\u00ed ele apareceu com um disco maluco de roqueiro cabeludo maconheiro. Apenas quatro faixas foram aproveitadas num compacto e, por anos, o Leno achou que haviam apagado as fitas. Na metade da d\u00e9cada de 1990, o Marcelo Fro\u00e9s encontrou o material e o Leno pode recuperar as grava\u00e7\u00f5es. A\u00ed, em 1995, ele lan\u00e7ou o disco em CD. Teve mais uma reedi\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos em 2008. Mas seguia in\u00e9dito em LP. O Fred (Record Collector Brasil) havia sido um dos respons\u00e1veis pelo relan\u00e7amento internacional de 2008. Ele e o Leno s\u00e3o amigos de longa data. Ent\u00e3o, n\u00e3o foi t\u00e3o dif\u00edcil executar o projeto. Teve todos aqueles tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos tradicionais de contrato, licenciamento, recolhimento dos direitos, desenvolvimento da edi\u00e7\u00e3o e fabrica\u00e7\u00e3o. Mas era um projeto que estava em pauta faz muito tempo. Somos fissurados no \u00e1lbum e t\u00ednhamos consci\u00eancia de que era um projeto hist\u00f3rico em formato anal\u00f3gico. A\u00ed a abordagem foi de realizar realmente a primeira edi\u00e7\u00e3o em LP com o trabalho na \u00edntegra. Tinha que ter uma capa gatefold com as letras, ficha t\u00e9cnica e uma foto hist\u00f3rica. Mas desenvolvemos tamb\u00e9m um encarte de quatro p\u00e1ginas contando a hist\u00f3ria do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a import\u00e2ncia do lan\u00e7amento \u00e9 algo realmente incr\u00edvel. Primeiro pelo resgate em si. Depois, pelo fato de que h\u00e1 faixas que realmente estavam na vanguarda da \u00e9poca quando se pensa na est\u00e9tica do hard rock setent\u00e3o. Algumas das faixas mais pesadas foram gravadas antes do que o \u201cJardim El\u00e9trico\u201d, dos Mutantes. Ent\u00e3o, realmente inaugura um tipo de sonoridade no rock brasileiro que viria a ser uma t\u00f4nica no restante da d\u00e9cada. Mas o disco \u00e9 muito mais que isso: tem balada beatle, rock de garagem, jovem guarda, country rock&#8230; E al\u00e9m disso tudo tem um time inacredit\u00e1vel reunido ali. As participa\u00e7\u00f5es s\u00e3o um destaque por si s\u00f3. \u00c9 um disco que tem forte rela\u00e7\u00e3o com o Raul Seixas. Ele participou bastante do \u00e1lbum e, do per\u00edodo em que foi produtor da CBS, \u00e9 um dos principais elos-perdidos na carreira do Raul. Tem faixas com A Bolha, Marcos Valle, Ian Guest, Trio Ternura, Golden Boys, participa\u00e7\u00f5es de integrantes do Los Shakers e Renato e Seus Bluecaps. Ent\u00e3o, \u00e9 um disco que acrescenta mais uma pe\u00e7a no quebra-cabe\u00e7a discogr\u00e1fico de in\u00fameras bandas e artistas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/raulmetro1.jpg\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como est\u00e3o os planos do Selo 180 para 2019 nesse conturbado cen\u00e1rio econ\u00f4mico? Voc\u00eas seguem firmes lan\u00e7ando vinis, mas em 2018 foram v\u00e1rios lan\u00e7amentos em CD, certo? Como voc\u00ea v\u00ea o mercado?<\/strong><br \/>\nNo princ\u00edpio, o foco do Selo180 era realmente trabalhar s\u00f3 com vinil (da\u00ed o nome do selo). Mas logo comecei a ser procurado por bandas e artistas independentes que ainda n\u00e3o tinham um p\u00fablico que justificasse um lan\u00e7amento nesse formato. Ent\u00e3o, j\u00e1 em 2014 comecei a trabalhar tamb\u00e9m com CD, digital e at\u00e9 K7. Hoje, j\u00e1 s\u00e3o mais de 100 lan\u00e7amentos, de 50 bandas e artistas, em todos os formatos. Mas, realmente, desde 2017 a situa\u00e7\u00e3o \u2014 n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4mica \u2014 tem se refletido no mercado e, em 2018, tudo se agravou. O CD realmente tem perdido bastante espa\u00e7o, ao menos no meio do rock independente. O digital, com as plataformas de streaming, se tornou o meio principal. Hoje, n\u00e3o s\u00e3o poucos os lan\u00e7amentos que n\u00e3o possuem nenhum suporte f\u00edsico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algo que est\u00e1 estremecendo o mercado \u00e9 a derrocada das grandes redes de livrarias. E n\u00e3o necessariamente pela perda desses espa\u00e7os e empresas (os independentes nunca tiveram muita abertura por l\u00e1), mas pelo efeito cascata que a ru\u00edna delas acaba provocando. Desde meados de 2017 que algumas dessas empresas n\u00e3o pagam seus fornecedores. E n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 distribuidoras e editoras de livros. Tem distribuidoras de CDs, LPs, DVDs e Blu-rays que fornecem t\u00edtulos de gravadoras e selos de pequeno, m\u00e9dio e grande porte. Nesse cen\u00e1rio, tem que se levar em conta que o mercado fonogr\u00e1fico de m\u00eddias f\u00edsicas est\u00e1 acossado h\u00e1 muito mais tempo que o mercado editorial de livros. Fatalmente, esse calote e fechamento das grandes redes t\u00eam afetado diretamente distribuidoras de discos, e n\u00e3o acredito que elas possuam lastro para continuarem operando. Isso desmantela consideravelmente um meio importante de se disseminar a tiragem de um CD em larga escala pelo territ\u00f3rio nacional, por exemplo. Ao mesmo tempo, tem que se lembrar que foram essas mesmas redes que sufocaram e exterminaram lojas e livrarias pequenas em cidades menores por todo o interior do pa\u00eds, promovendo uma concorr\u00eancia desleal, com pol\u00edticas agressiva de pre\u00e7os, venda pela internet e distribui\u00e7\u00e3o pelo correio. O fim da Fnac, Saraiva, Cultura pode acabar tendo um efeito positivo para lojas e selos independentes. Se espera que ao menos uma parte do p\u00fablico deles acabe migrando para esses espa\u00e7os e canais alternativos. A quest\u00e3o \u00e9 ver quem resiste at\u00e9 l\u00e1 e quais ser\u00e3o os meios de se repor o estoque. Mas para isso os independentes tem grande desenvoltura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre planos para 2019, \u00e9 a primeira vez em 5 anos de exist\u00eancia que as possibilidades do Selo180 se retraem ao inv\u00e9s de se expandir. Seguir\u00e3o acontecendo lan\u00e7amentos em formato digital e vinil (que j\u00e1 passou por seu holocausto e continua a\u00ed), mas a tend\u00eancia \u00e9 que saiam menos CD e que as tiragens sejam menores. \u00c9 uma m\u00eddia que depende muito das distribuidoras (disseminar vinil \u00e9 mais num esquema de guerrilha mesmo). Entre os pr\u00f3ximos lan\u00e7amentos do Selo180, posso citar a reedi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do \u201cSweet Edy\u201d do Edy Star (em parceria com Record Collector Brasil), uma edi\u00e7\u00e3o super-luxo do \u201cCl\u00e1ssicos: Ao Vivo\u201d da banda Cachorro Grande, o LP \u201cPiscinas Vazias Iluminadas em P\u00e9\u201d, da Musa H\u00edbrida (em parceria com Esc\u00e1pula Records e PWR Records, viabilizado pela Natura Musical), o LP hom\u00f4nimo do Gustavo Telles &amp; Os Escolhidos, o compacto em espanhol do Escambau (em parceria com Melomano Discos), o CD do duo franco-brasileiro Burning Ambition e o novo disco in\u00e9dito dos Irm\u00e3os Panarotto. E temos v\u00e1rias bandas do caralho em est\u00fadio: Baby Budas, Trem Fantasma, Los Marias&#8230; E repare que eu disse que para a 2019 as possibilidades diminu\u00edram. (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MMlLVomYpKE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a&nbsp;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em parceria com a Record Collector Brasil, o Selo180 est\u00e1 colocando duas edi\u00e7\u00f5es caprichadas de discos do Raul Seixas e de Leno nas lojas. Neste bate papo, Garras fala ainda do momento atual do mercado brasileiro&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/12\/17\/tres-perguntas-rodrigo-garras-de-andrade-selo180\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":49517,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3404,2006,772],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49513"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49513"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49513\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82131,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49513\/revisions\/82131"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}