{"id":49336,"date":"2018-11-30T09:09:46","date_gmt":"2018-11-30T11:09:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=49336"},"modified":"2019-02-11T02:14:57","modified_gmt":"2019-02-11T04:14:57","slug":"o-imprevisivel-christian-fennesz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/11\/30\/o-imprevisivel-christian-fennesz\/","title":{"rendered":"O imprevis\u00edvel Christian Fennesz"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarcoAntonioBarbosaJr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marco Antonio Barbosa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 um compositor e m\u00fasico austr\u00edaco que utiliza elementos de ru\u00eddo branco\u201d, garante uma das apresenta\u00e7\u00f5es distribu\u00eddas \u00e1 imprensa a respeito dos dois shows que Christian Fennesz far\u00e1 no Brasil no primeiro fim de semana de dezembro. Outra defini\u00e7\u00e3o, mais po\u00e9tica (e mais vaga), vem do segundo release: \u201c\u00c9 conhecido a partir de seu pr\u00f3prio mundo musical\u201d. T\u00e1 certo, t\u00e1 certo. \u00c9 dif\u00edcil mesmo traduzir em palavras o transe sinest\u00e9sico provocado pelos sons que saem da guitarra e dos computadores empregados por Fennesz como ferramentas preferenciais no est\u00fadio e no palco. \u00c9 shoegaze eletr\u00f4nico? Ambient techno? Glitch sinf\u00f4nico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde meados da d\u00e9cada de 1990, o m\u00fasico se especializou em borrar as fronteiras entre o eletr\u00f4nico e o ac\u00fastico, o plangente e o agressivo, a disson\u00e2ncia e a serenidade \u2013 em temas impressionistas que revelam infinitas e inesperadas filigranas a cada nova audi\u00e7\u00e3o. Seja solo, em discos consagrados pela cr\u00edtica como \u201cEndless Summer\u201d (2001) e \u201cVenice\u201d (2004), seja em parcerias com nomes como Ryuichi Sakamoto, Jim O\u2019Rourke ou Sparklehorse, os sons produzidos pelo austr\u00edaco escapam de classifica\u00e7\u00f5es previs\u00edveis.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xqCDjCUJCiU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto \u00e9 assim que nem mesmo o pr\u00f3prio Fennesz sabe antecipar com certeza qual \u00e9 o repert\u00f3rio dos shows. \u201cNunca chego a montar um setlist de verdade. Vou mais ou menos improvisando sobre trechos e partes do meu cat\u00e1logo\u201d, anuncia o m\u00fasico, que estar\u00e1 sozinho no palco. Seu arsenal resume-se a uma guitarra (uma Fender Jaguar, n\u00e3o por acaso o modelo favorito de guitarristas como Kevin Shields e Thurston Moore) e dois laptops, al\u00e9m de \u201cum monte de pedais de efeitos\u201d, complementa o austr\u00edaco de 55 anos. \u201cDefinitivamente vou tocar algumas partes de meu novo \u00e1lbum, \u201cAgora\u201d, que acabei de gravar h\u00e1 apenas algumas semanas. Espero encontrar um p\u00fablico com a mente aberta.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seus trabalhos mais conhecidos, Fennesz interpola ambi\u00eancias eletr\u00f4nicas dissonantes e densas camada de drones com ricas texturas de guitarra que j\u00e1 renderam compara\u00e7\u00f5es com o My Bloody Valentine e Manuel Gottsching. De um panorama sonoro aparentemente denso e impenetr\u00e1vel, surgem do nada momentos de beleza hipn\u00f3tica, como \u201cCircassian\u201d (de \u201cVenice\u201d) ou a faixa-t\u00edtulo de \u201cEndless Summer\u201d. Sobre o pr\u00f3ximo disco, o m\u00fasico afirma que ser\u00e1 \u201cmais sinf\u00f4nico\u201d que \u201cB\u00e9cs\u201d, o \u00faltimo trabalho solo, de 2014. \u201cUsei mais sintetizadores desta vez. At\u00e9 mesmo um Synclavier\u201d, conta, referindo-se ao synth\/sampler digital que revolucionou a produ\u00e7\u00e3o de m\u00fasica eletr\u00f4nica nos anos 1980 (at\u00e9 o RPM usou um na \u00e9poca&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por conta do vindouro lan\u00e7amento de \u201cAgora\u201d, Fennesz diz n\u00e3o ter planos de embarcar t\u00e3o cedo em um novo projeto coletivo. \u201cTive sorte de ser chamado para colaborar com todos esses grandes m\u00fasicos. Aprendo coisas novas a cada colabora\u00e7\u00e3o\u201d, diz ele sobre a longa lista de discos gravados em parceria com outros nomes. O mais recente foi \u201cIt\u2019s Hard for me to Say I\u2019m Sorry\u201d (2016), junto a Jim O\u2019Rourke. \u201c\u00c9 um privil\u00e9gio. Gosto de trabalhar sozinho, mas \u00e0s vezes, como m\u00fasico, sinto falta da intera\u00e7\u00e3o humana.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FHb_KLa6VgU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Christian Fennesz se apresentou no Brasil em maio de 2005, quando o pa\u00eds vivia em um clima pol\u00edtico bem diferente do atual. O m\u00fasico \u00e9 conhecido por suas posturas progressistas: em mar\u00e7o \u00faltimo, cancelou sua participa\u00e7\u00e3o em um festival na Alemanha por causa dos <a href=\"https:\/\/mixmag.net\/read\/giegling-co-founder-says-women-are-usually-worse-at-djing-than-men-news\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">coment\u00e1rios mis\u00f3ginos de um dos produtores do evento<\/a>. \u201cN\u00e3o sou um ativista. Mas mulheres se sentiram insultadas por aqueles coment\u00e1rios. Sou contra boicotes, mas n\u00e3o poderia me apresentar em um evento no qual as mulheres poderiam se sentir desconfort\u00e1veis\u201d, pondera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cToco para meus f\u00e3s, onde quer que seja, e meus f\u00e3s s\u00e3o pessoas progressistas e t\u00eam meu apoio\u201d. Sobre a conturbada atmosfera pol\u00edtica do Brasil, Fennesz acredita que n\u00e3o tem o direito de se manifestar. \u201cEspecialmente porque <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2018\/10\/01\/mundo\/opiniao\/extremadireita-na-austria-devemos-ficar-preocupados-1845592\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">meu pa\u00eds natal hoje vive sob um governo de extrema direita tamb\u00e9m<\/a>. Estou ciente da situa\u00e7\u00e3o no Brasil e sei que n\u00e3o \u00e9 muito diferente <a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/entrevista\/2017\/09\/29\/Por-que-a-extrema-direita-cresce-no-mundo-segundo-este-estudioso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">do que se passa em muitos outros pa\u00edses hoje<\/a>. Mas, como austr\u00edaco, n\u00e3o \u00e9 o momento de apontar o dedo para ningu\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vs-BkRmyJns?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marco Antonio Bart (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/BartBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@bartbarbosa<\/a>) \u00e9 jornalista e m\u00fasico. Conhe\u00e7a o projeto\u00a0<a href=\"https:\/\/borealis1.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Borealis<\/a> e tamb\u00e9m seu canal no Medium:\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/telhado-de-vidro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/medium.com\/telhado-de-vidro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c9 dif\u00edcil traduzir em palavras o transe sinest\u00e9sico provocado pelos sons que saem da guitarra e dos computadores empregados por Fennesz como ferramentas preferenciais no est\u00fadio e no palco. \u00c9 shoegaze eletr\u00f4nico? Ambient techno? Glitch sinf\u00f4nico?\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/11\/30\/o-imprevisivel-christian-fennesz\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":36,"featured_media":49338,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3350],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49336"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/36"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49336"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49336\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49634,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49336\/revisions\/49634"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49338"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}