{"id":49225,"date":"2018-11-18T13:01:22","date_gmt":"2018-11-18T15:01:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=49225"},"modified":"2019-01-27T19:55:36","modified_gmt":"2019-01-27T21:55:36","slug":"faixa-a-faixa-mulamba-mulamba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/11\/18\/faixa-a-faixa-mulamba-mulamba\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: \u201cMulamba\u201d, Mulamba"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">As curitibanas do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/10\/entrevista-mulamba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mulamba<\/a> s\u00e3o um furac\u00e3o ao vivo, viraram um estouro na internet e percorreram palcos importantes do pa\u00eds no \u00faltimo ano. Agora elas lan\u00e7am o seu disco de estreia, o hom\u00f4nimo \u201cMulamba\u201d (2018), gravado no est\u00fadio da Red Bull Station, em S\u00e3o Paulo, e que conta com as participa\u00e7\u00f5es de Lio Soares (do Tuyo) e Juliana Strassacapa (do Francisco, El Hombre).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com nove faixas, o disco de estreia tr\u00e1s as j\u00e1 conhecidas \u201cMulamba\u201d e \u201cP.U.T.A.\u201d \u2013 hit com mais de 2,6 milh\u00f5es de views no YouTube \u2013 ao lado de can\u00e7\u00f5es novas, todas de car\u00e1ter autoral. Algo entre a MPB e o rock, entre o erudito e a rua, meio como um sarau-punk, \u201cMulamba\u201d, o disco, consegue refletir a for\u00e7a do sexteto, formado por Amanda Pac\u00edfico (voz), Cacau de S\u00e1 (voz), Caro Pisco (bateria), \u00c9rica Silva (baixo, guitarra e viol\u00e3o), Fer Koppe (violoncelo) e Na\u00edra Deb\u00e9rtolis (guitarra, baixo e viol\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igualdade e viol\u00eancia de g\u00eanero, sexualidade, padr\u00f5es de feminilidade, amor e outros temas habitam a poesia do Mulamba, criando faixas de car\u00e1ter pop, por\u00e9m sempre com certo tom mordaz. A mensagem pol\u00edtica \u00e9 um ponto de partida crucial, que j\u00e1 estava declarado <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/10\/entrevista-mulamba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em entrevista ao Scream &amp; Yell, em 2017<\/a>, por\u00e9m isso n\u00e3o sobrepuja a musicalidade e a complexidade dos arranjos criados no disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMulamba\u201d \u00e9 um disco que pede aten\u00e7\u00e3o. E para entender um pouco mais sobre cada uma dessas can\u00e7\u00f5es as artistas fizeram um faixa a faixa que passeia por suas cria\u00e7\u00f5es, suas hist\u00f3rias e suas inten\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/353TNXIcUrA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O1 &#8211; Mulamba<\/strong><br \/>\n<em>(Composi\u00e7\u00e3o: Amanda Pac\u00edfico e Cacau de S\u00e1)<\/em><br \/>\n\u201cMulamba\u201d foi a primeira m\u00fasica que fizemos, quando a gente ainda fazia o tributo \u00e0 C\u00e1ssia Eller. A hist\u00f3ria \u00e9 a seguinte: uma amiga estava num show nosso e foi incessantemente assediada por um cara. Ela se sentiu muito desconfort\u00e1vel e pressionada. N\u00e3o teve outra escolha a n\u00e3o ser deixar o local, logo no in\u00edcio do show. Quando ela me relatou o que aconteceu, perguntei por que n\u00e3o contou no momento do ass\u00e9dio, sendo que suas amigas estavam no palco com o microfone na m\u00e3o&#8230; E o ponto que quero chegar \u00e9 esse: do desconforto que sentimos em qualquer lugar, do silenciamento imposto. Na mesma \u00e9poca, a Leticia Sabatella foi chamada de \u201cputa\u201d enquanto caminhava pelo centro de Curitiba, pr\u00f3ximo a uma manifesta\u00e7\u00e3o. Para mim, esses dois fatos demonstram exatamente a opress\u00e3o que a gente vive. Essa m\u00fasica simboliza o momento em que percebemos nossa for\u00e7a e o quanto \u00e9 importante nos posicionar. A m\u00fasica n\u00e3o foi regravada quando chegamos na RedBull. Fruet, produtor de Porto Alegre, remixou e remasterizou a faixa como quer\u00edamos antes de entrarmos em est\u00fadio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/V6Q75uvo8dM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02 &#8211; Espia Escuta<\/strong><br \/>\n<em>(Composi\u00e7\u00e3o: Cacau de S\u00e1)<\/em><br \/>\n\u201cEspia Escuta\u201d come\u00e7a a se desenhar a partir de refr\u00f5es entre as m\u00fasicas do show. Eu queria criar um bord\u00e3o, deixar claro que h\u00e1 um levante do feminino voltando e se arquitetando. E, principalmente, que precisaremos estar atentas a esse feminino que n\u00e3o se subjuga mais. Depois do refr\u00e3o, comecei a improvisar. Era um momento do show em que a gente brincava com outros funks tamb\u00e9m com cunho pol\u00edtico. Assim, come\u00e7amos a construir essa mulher que n\u00e3o aceita mais ser desvalorizada, que rejeita o papel atribu\u00eddo a ela. \u00c9 sobre como \u00e9 dif\u00edcil alcan\u00e7ar espa\u00e7o de fala e de escuta sendo o feminino. \u00c9 pras manas. TODAS.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/w1aHN_65fVo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03- Desses Nadas (feat. Lio Soares)<\/strong><br \/>\n<em>(Composi\u00e7\u00e3o: Amanda Pac\u00edfico)<\/em><br \/>\nEssa m\u00fasica estava guardada na gaveta. Uma hist\u00f3ria de amor que n\u00e3o aconteceu por acasos da vida. A t\u00edpica sofr\u00eancia que todo mundo j\u00e1 viveu, mas \u00e9 delicado falar sobre porque hoje a pessoa \u00e9 minha amiga. A m\u00fasica me veio inteira, numa vomitada s\u00f3, melodia e letra. O tema do acordeom j\u00e1 estava pronto tamb\u00e9m&#8230; Sempre sonhei que fosse acordeom tocando. No est\u00fadio, quando eu vi o acordeom chegando, chorei. Quando canto, \u201cDesses Nadas\u201d me remete n\u00e3o s\u00f3 a essa experi\u00eancia vivida, mas a todas as coisas que \u00e0s vezes n\u00e3o d\u00e3o certo e deixam algum tipo de mem\u00f3ria, um lado bom. E \u00e9 intenso: v\u00ea-la sendo gravada, depois de tanto tempo guardada, \u00e9 libertar a hist\u00f3ria de dentro e a resgatar dali.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bn1UetyU1_s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04 &#8211; Prov\u00e1vel Can\u00e7\u00e3o de Amor para Estimada Nat\u00e1lia<\/strong><br \/>\n<em>(Composi\u00e7\u00e3o: Amanda Pac\u00edfico)<\/em><br \/>\nEssa a gente fez l\u00e1 no comecinho, foi uma das primeiras can\u00e7\u00f5es que fizemos todas juntas. A Nat\u00e1lia, ex-guitarrista da banda, \u00e9 advogada e, mesmo tendo os seus trabalhos, foi sempre muito pontual e respons\u00e1vel. Ela me dava carona para os ensaios e, em um desses dias, me atrasei e fiquei preocupada. Achei que ela iria me esculachar. Entrei no carro j\u00e1 pedindo mil desculpas e ela disse \u201ccalma, tudo bem, n\u00e3o precisa se estressar\u201d. Ent\u00e3o veio a frase na minha cabe\u00e7a: \u201cque calma que ela tava e eu aqui toda apressada\u201d. Para mim, isso representa muito bem a Nati. Foi a m\u00fasica mais r\u00e1pida que fizemos, em uma noite j\u00e1 estava pronta. Detalhe: a parte do \u201cperdoa se eu me descuidei\u201d, eu havia escrito para outra hist\u00f3ria de amor, enfim, reaproveitei. Musicalmente falando, a gente tinha uma pegada bem pop e quando fomos arranjar para gravar, a partir das sugest\u00f5es da \u00c9rica, percebemos que tamb\u00e9m havia algo de folk. Talvez at\u00e9 uma pegada jazz, que traz uma maturidade para a m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Zt0sFVpBZPo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05 &#8211; Interestelar<\/strong><br \/>\n<em>(Composi\u00e7\u00e3o: Cacau de S\u00e1)<\/em><br \/>\n\u00c9 uma m\u00fasica que come\u00e7a a se esbo\u00e7ar a partir de um olhar que tenho com as mulheres da minha fam\u00edlia e a habilidade delas com crian\u00e7as. Um cuidado, um ato de partilha e de escuta, mesmo com uma estrutura prec\u00e1ria. Isso tudo eu personifiquei numa amiga que eu vi acontecendo na vida. Ela estava presa em um relacionamento abusivo com um rapaz que era bem visto na vila, mas que a oprimia e n\u00e3o dava credibilidade \u00e0 sua destreza com o universo infantil. Isso me fez perceber a sensibilidade, o olhar curioso e respeitoso no jeito que essas pessoas lidavam com as crian\u00e7as. Eu desenhei isso brincando no viol\u00e3o, nunca levei a s\u00e9rio. Seria, a princ\u00edpio, algo meu.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3G2aD3wC59Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06 &#8211; Tereshkova<\/strong><br \/>\n<em>(Composi\u00e7\u00e3o: \u00c9rica Silva)<\/em><br \/>\n\u201cTereshkova\u201d \u00e9 um tema instrumental. Esse riff me veio em um dos ensaios de prepara\u00e7\u00e3o para o disco. Est\u00e1vamos experimentando ideias para \u201cInterestelar\u201d, pensamos em criar um clima antes do arpejo da guitarra introduzir a can\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m pensamos em um final quizas mais impactante, alongando e desenvolvendo a composi\u00e7\u00e3o da Cacau, lan\u00e7ando-a at\u00e9 pairar em outra \u00f3rbita. Sentindo a necessidade de uma parte mais pesada e tensa, arrisquei uma quebra proposital do clima blues de \u201cInterestelar\u201d. Ap\u00f3s o tema feito, a minha ideia era escapar daquilo, a busca infinita pela fuga do tema mantido pelo baixo e pelo violoncelo. Estudamos e ensaiamos muito at\u00e9 gravarmos na RedBull. O nome \u201cTereshkova\u201d veio durante as grava\u00e7\u00f5es: Valentina Vladimirovna Tereshkova foi a primeira mulher a ir ao espa\u00e7o e \u00e9 nesse campo sideral que a gente se sente e se inspira para fazer esse som.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vUH6kqN5ndk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07 &#8211; Lama<\/strong><br \/>\n<em>(Composi\u00e7\u00e3o: Amanda Pac\u00edfico)<\/em><br \/>\n\u201cLama\u201d \u00e9 sobre a cat\u00e1strofe ambiental de Mariana (MG). A m\u00fasica veio a mim quando assisti a entrevista de uma senhorinha bem idosa, revoltada, indignada, com os filhos enfermos na cama, pois beberam \u00e1gua contaminada. Ela mostrava a situa\u00e7\u00e3o da casa e da rua onde morava, tudo tomado por lama, clamando desesperada por algum retorno dos governantes. Isso me tocou num primeiro momento, mas depois me deixou questionando: quem vai assumir esse erro? E at\u00e9 hoje n\u00e3o vimos resolu\u00e7\u00e3o para o caso, foi esquecido. \u00c9 uma m\u00fasica muito dif\u00edcil de cantar porque tem muitas nuances e momentos, come\u00e7ando como se fosse um sussurro, com certa nebulosidade. Estamos falando de muitos animais que morreram e muitas pessoas que perderam tudo, ent\u00e3o \u00e9 como se ecoasse num terreno devastado. \u00c9 o que tentamos executar ali. Me lembro que regravamos muitas vezes para conseguir chegar num lugar que representasse isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WRGXoQSmkGE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08 &#8211; Vila Vint\u00e9m<\/strong><br \/>\n<em>(Composi\u00e7\u00e3o: Cacau de S\u00e1)<\/em><br \/>\nEu comecei essa letra no Rio de Janeiro, onde tive contato direto com as ocupa\u00e7\u00f5es, com a viol\u00eancia da pol\u00edcia e com as a\u00e7\u00f5es do governo. Um dia, a pol\u00edcia foi na Vila Vint\u00e9m, que \u00e9 lida como um lugar com muitos traficantes, com a ideia do governo para desocupar a favela. Ent\u00e3o essa m\u00fasica nasce como um grito de resist\u00eancia e desespero, pela vis\u00e3o de quem vive em um lugar e \u00e9 retirado. A grava\u00e7\u00e3o foi um processo muito dif\u00edcil e delicado e, ao mesmo tempo, muito grande e ambicioso para mim. Foi algo que eu nunca pensei que aconteceria. Gravar esse disco na RedBull tamb\u00e9m simboliza a discrep\u00e2ncia da realidade de uma grande cidade, que \u00e9 um espa\u00e7o maravilhoso com muito a ser desfrutado, mas que n\u00e3o pode ser desfrutado por todos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZdpZ-93uUnY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09 &#8211; P.U.T.A (feat. Ju Strassacapa)<\/strong><br \/>\n<em>(Composi\u00e7\u00e3o: Amanda Pac\u00edfico e Cacau de S\u00e1)<\/em><br \/>\nLi, nas m\u00eddias sociais, o relato de uma amiga que falava do medo de voltar da faculdade \u00e0 noite, descer do \u00f4nibus e ir andando at\u00e9 sua casa no escuro. Quando uma mulher descia junto, ela se sentia mais segura. Ficou martelando na minha cabe\u00e7a: esse medo \u00e9 recorrente entre todas as mulheres. Foi o que me despertou para um peda\u00e7o da m\u00fasica. Eu j\u00e1 estava com desejo de falar sobre o medo do abuso, do estupro e da impot\u00eancia que a gente sente. Na mesma \u00e9poca, uma mulher foi esquartejada no centro de Curitiba e seu corpo foi encontrado em um rio. N\u00e3o sabiam quem era, mas quando cogitaram ser uma mulher em situa\u00e7\u00e3o de rua, deixaram de dar import\u00e2ncia. Esses casos me causaram muita revolta, senti uma urg\u00eancia em falar desses temas e de como a mulher \u00e9 deixada \u00e0 margem. Essa m\u00fasica tem uma pegada muito intensa, uma carga emotiva muito forte e dolorida porque a gente est\u00e1 dando voz a muitas vozes caladas. Muitas mulheres se sentem abra\u00e7adas com essa m\u00fasica, sabemos do cuidado que ela exige. Por ser uma narra\u00e7\u00e3o que vai da primeira pessoa para terceira pessoa rapidamente, achamos interessante gravar ao mesmo tempo, Cacau e eu em salas separadas. E cada uma conseguiu tomar para si a emo\u00e7\u00e3o uma da outra. S\u00e3o as coisas que todas n\u00f3s queremos falar e est\u00e3o muito bem costuradas nessa can\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tem como n\u00e3o se reconhecer, n\u00e3o se emocionar e n\u00e3o se mobilizar a gritar \u201cBASTA!\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Dx9amlz17cI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kqm1DI4xPA0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e colabora com o site\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aescotilha.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Escotilha<\/a>. Escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As curitibanas do Mulamba s\u00e3o um furac\u00e3o ao vivo, viraram um estouro na internet e percorreram palcos importantes do pa\u00eds no \u00faltimo ano. Agora elas lan\u00e7am o seu disco de estreia. Conhe\u00e7a o \u00e1lbum faixa a faixa!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/11\/18\/faixa-a-faixa-mulamba-mulamba\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":49226,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2056],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49225"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49225"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49225\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49227,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49225\/revisions\/49227"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49226"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49225"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49225"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49225"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}