{"id":49127,"date":"2018-11-02T09:54:18","date_gmt":"2018-11-02T12:54:18","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=49127"},"modified":"2018-12-19T19:45:31","modified_gmt":"2018-12-19T21:45:31","slug":"ao-vivo-roger-waters-em-curitiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/11\/02\/ao-vivo-roger-waters-em-curitiba\/","title":{"rendered":"Ao vivo: Roger Waters em Curitiba"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><em>A menina e o Pink Floyd: tr\u00eas d\u00e9cadas depois<\/em><br \/>\n<em>ou<\/em><br \/>\n<em>A primeira banda louca que entortou minha percep\u00e7\u00e3o sonora!<\/em><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Texto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/adriane.r.perin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Adriane Perin<\/a><br \/>\nFotos por Camila Cara \/ T4F<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 33 anos, no dia 15 de mar\u00e7o de 1985, entrei no Est\u00e1dio Couto Pereira, em Curitiba, aos 14 anos, para ver o show que lembro como o meu primeiro, do grupo porto-riquenho Menudo. Em Curitiba h\u00e1 apenas tr\u00eas meses vinda do interior de Santa Catarina, trazia comigo as boas lembran\u00e7as de inf\u00e2ncia e andava tristonha de saudades. A boy band latina, considerada o maior fen\u00f4meno infanto-juvenil da d\u00e9cada de 80, foi a primeira banda que segui como f\u00e3: cantava, fazia coreografias e, se a mem\u00f3ria n\u00e3o me trai, foi a \u00fanica vez que tive um p\u00f4ster, do Robby. Por\u00e9m, n\u00e3o tive o disco \u2013 era o tempo das r\u00e1dios AM e fita cassete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o vou enrolar: a verdade \u00e9 que pouco ficou na minha mem\u00f3ria daquele tal primeiro show, cuja permiss\u00e3o para ir s\u00f3 tive porque a irm\u00e3 do melhor amigo do meu irm\u00e3o ia e as fam\u00edlias se conheciam. Mal sabia a menina que tudo estava prestes a virar pelo avesso. Cerca de um ano depois tudo come\u00e7aria a mudar \u2013 e come\u00e7ou pela m\u00fasica, isso \u00e9 bem claro agora!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em algum ponto daquele long\u00ednquo 1985 percebi um rapaz diferente na sala de aula. Roupas pretas, cabelos meio compridos; tinha olheiras evidentes emoldurando um olhar que, pra mim, era triste. Ficava sempre no fund\u00e3o (eu ainda era menina das primeiras fileiras, rsrsrs) e cheguei a ouvir que ele n\u00e3o era boa companhia, que o esquisit\u00e3o fumava maconha, coisas do tipo. N\u00e3o me fiei nas avalia\u00e7\u00f5es, mas fiquei na minha. No in\u00edcio do segundo ano, j\u00e1 na mesma turma, mudei de lugar! E puxei a conversa que evoluiu para uma das mais belas amizades que j\u00e1 tive, com direito a cartas e longas horas de conversas ao telefone. Assim conheci a banda preferida dele, o Pink Floyd.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele falava muito do \u201cWish You Were Here\u201d; eu j\u00e1 curtia mais rock nacional e comprara alguns discos. O fato \u00e9 que ali come\u00e7aram as trocas musicais que fariam a diferen\u00e7a na minha vida (pessoal e profissional) anos depois. \u201cThe Final Cut foi o primeiro disco que me \u2018arrasou\u2019. Para desespero de meus pais, eu me trancava no quarto a tarde toda, com um tecido escuro cobrindo a janela: quando n\u00e3o estava estudando estava deitada no ch\u00e3o, com a cabe\u00e7a entre as duas caixas do meu amado 3 em 1 Gradiente, presente de 15 anos. N\u00e3o tinha ideia que a banda estava implodindo, n\u00e3o tinha ideia de nada da hist\u00f3ria deles. Mas, traduzi cada palavra daquele disco mais de uma vez e cheguei num ponto de conhecer cada pausa e respira\u00e7\u00e3o. E foi assim que o \u2018Pink Floyd do Roger Waters\u2019 mudou a percep\u00e7\u00e3o musical da menina.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5IcUL0Niv-g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eis que no \u00faltimo s\u00e1bado, 27 de outubro, entrei pela segunda vez naquele mesmo est\u00e1dio, e posso dizer com toda tranquilidade agora, para \u2018ver\u2019 as m\u00fasicas da primeira banda louca que entortou a minha percep\u00e7\u00e3o sonora! Se posso dizer que algum disco mudou a minha vida, ele foi feito pelo Floyd, sob o comando de Waters. O mesmo cara que estava ali na minha frente, infelizmente enfrentando com a gente o \u00f3dio e a incompreens\u00e3o da maioria presente <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/10\/08\/roger-waters-esta-chegando-ao-brasil-desmascarando-fascistas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no show da turn\u00ea Us + Them<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia era falar sobre a experi\u00eancia musical, sobre as emo\u00e7\u00f5es despertadas e sobre o que a m\u00fasica \u00e9 capaz de fazer com uma pessoa: em menos de um ano ir de um pop adolescente pasteurizado at\u00e9 uma das sonoridades mais complexas da m\u00fasica mundial. Sob o prisma de Waters, no entanto, n\u00e3o se pode ignorar a quest\u00e3o pol\u00edtica, outro elo que une essas experi\u00eancias distantes no espa\u00e7o tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naqueles meados dos anos 80 o Brasil tamb\u00e9m respirava pol\u00edtica, mas o entorno era libert\u00e1rio, o momento era de esperan\u00e7a com o primeiro presidente civil eleito, mesmo que indiretamente, depois de anos de ditadura. Um clima completamente diferente do que vivemos na v\u00e9spera desta elei\u00e7\u00e3o tensa de 2018, marcada por mentiras, pelo desinteresse\/desilus\u00e3o de parte expressiva dos eleitores, ao lado da viol\u00eancia e preconceito de outra parte. A pimenta ficou ainda mais ardida pelo fato de o show ser em Curitiba, um dos epicentros da derrocada em que nos metemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao sentar-me diante do computador para escrever, primeiro empaquei; depois, entrei na viagem para em seguida desistir. Investiguei meus sentimentos novamente, parei de novo, coloquei o disco para rolar outra vez&#8230; Afinal, como come\u00e7ar, o que escrever sobre a minha experi\u00eancia \u2013 t\u00e3o desimportante \u2013 no meio desse clima que a gente t\u00e1 vivendo?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0peE_wopx8Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode dizer que foi um show pac\u00edfico \u2013 embora nada de grave tenha acontecido. Roger Waters, que, claro, manteve sua postura pol\u00edtica, foi vaiado \u2013 e muito. Horas depois, o que j\u00e1 estava claro se confirmou nas urnas. O cantor ingl\u00eas e sua produ\u00e7\u00e3o seguem \u00e0s voltas com uma demanda da Justi\u00e7a (?) brasileira. Para mim, ficou um gosto amargo na boca, junto com os sons e imagens incr\u00edveis e com a certeza de que a maioria n\u00e3o entendeu nada. Eles entenderam menos que uma garotinha assustada de 15 anos, tr\u00eas d\u00e9cadas atr\u00e1s!!! A garota tamb\u00e9m seguiu a vida e se transformou em uma produtora e jornalista cultural \u2013 e jamais se afastou da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que eu tenha vivido para ver Roger Waters e as can\u00e7\u00f5es do Pink Floyd serem vaiadas do meu lado, me sinto mais forte do que nunca \u2013 e isso tem a ver com o show que vi e com as can\u00e7\u00f5es que continuo a ouvir e que continuam a dar a certeza de que escolhi certo os meus caminhos! Vou continuar colocando Pink Floyd para rodar no toca discos, vou conhecer as novas can\u00e7\u00f5es de Roger e David Gilmour, reencontrar velhos amigos. E sei que n\u00e3o sou a \u00fanica \u2013 nem mesmo em Curitiba!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ah, sim, meu amigo \u00e9 guitarrista e vocalista de uma \u00f3tima banda cover do Pink Floyd!!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Jp9hsiUZXlE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Breathe<br \/>\n2. One of These Days<br \/>\n3. Time<br \/>\n4. Breathe (Reprise)<br \/>\n5. The Great Gig in the Sky<br \/>\n6. Welcome to the Machine<br \/>\n7. D\u00e9j\u00e0 Vu<br \/>\n8. The Last Refugee<br \/>\n9. Picture That<br \/>\n10. Wish You Were Here<br \/>\n11. The Happiest Days of Our Lives<br \/>\n12. Another Brick in the Wall Part 2<br \/>\n13. Another Brick in the Wall Part 3<br \/>\n14. Dogs<br \/>\n15. Pigs (Three Different Ones)<br \/>\n16. Money<br \/>\n17. Us and Them<br \/>\n18. Smell The Roses<br \/>\n19. Brain Damage<br \/>\n20. Eclipse<br \/>\n21. The Bravery of Being Out of Range<br \/>\n22. Comfortably Numb<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7-Qm9ZqFApA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;\u00a0Adriane Perin (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/adriane.r.perin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb\/adriane.r.perin<\/a>) \u00e9 jornalista e uma das respons\u00e1veis pela <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/deinvernocomunicacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">De Inverno<\/a>, produtora cultural e assessoria em comunica\u00e7\u00e3o social<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Ainda que eu tenha vivido para ver Roger Waters e as can\u00e7\u00f5es do Pink Floyd serem vaiadas do meu lado, me sinto mais forte do que nunca \u2013 e isso tem a ver com o show que vi e com as can\u00e7\u00f5es que continuo a ouvir&#8221;, conta Adriane\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/11\/02\/ao-vivo-roger-waters-em-curitiba\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":49128,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3274],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49127"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49127"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49127\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49129,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49127\/revisions\/49129"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}