{"id":49115,"date":"2018-10-31T13:07:23","date_gmt":"2018-10-31T16:07:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=49115"},"modified":"2018-12-09T23:50:28","modified_gmt":"2018-12-10T01:50:28","slug":"entrevista-monza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/10\/31\/entrevista-monza\/","title":{"rendered":"Entrevista: Monza"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos depois do divertido \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/16\/tres-discos-raca-monza-bilhao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hoje Foi Um Dia Fant\u00e1stico<\/a>\u201d (2016), os paulistanos do <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/monzabanda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Monza<\/a> voltam envoltos em camadas de melancolia no novo \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/7oCsTEs3YVF0QOkjE5ZnjD\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bonsai<\/a>\u201d (2018). Produzido de forma independente e lan\u00e7ado pelo selo Freak, o novo disco deixa de lado a ironia e n\u00e3o tem medo de assumir dores e revir\u00e1-las de forma distinta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bonsai, a planta, \u00e9 daquelas que voc\u00ea cria e cerceia seu crescimento: impedida de crescer, ela encontra sua for\u00e7a naquele espa\u00e7o, dentro de suas limita\u00e7\u00f5es e imposi\u00e7\u00f5es. \u00c9 dessa met\u00e1fora que parte o disco do Monza: amadurecer \u00e9 compreender limita\u00e7\u00f5es e bater cabe\u00e7a com certas imposi\u00e7\u00f5es. Nesse sentido, a melancolia e for\u00e7a desse universo apresentado no disco n\u00e3o poderia ser mais simb\u00f3lico para este 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Monza \u2013 formado por F\u00e1bio Le\u00e3o no baixo, Felipe Misale na voz e guitarra, Francisco Fernandes na guitarra e Luca Galego na bateria \u2013 parece mais amadurecido, menos pop que em sua estreia, mas tamb\u00e9m sem arestas a serem presas. \u201cBonsai\u201d soa como um disco mais redondinho para apresentar a banda a novos p\u00fablicos, por isso mesmo batemos um papo com a banda via e-mail, para compreender mais sobre todo esse universo que constr\u00f3i o Monza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco Fernandes e Felipe Misale falaram sobre influ\u00eancias, sobre o processo de produ\u00e7\u00e3o e sobre a independ\u00eancia da banda. Confira a entrevista abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/G_ArLAcUw0Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas falam que esse novo disco &#8220;contempla a ang\u00fastia como parte do todo&#8221;, nesse sentido, eu acho ele mais melanc\u00f3lico e com menos ironia ou aquele humor auto-depreciativo que pairava sobre o &#8220;Hoje Foi Um Dia Fant\u00e1stico&#8221;. Essa foi uma mudan\u00e7a premeditada?<\/strong><br \/>\n<strong>Francisco<\/strong>: Foi sim uma mudan\u00e7a premeditada. Natural, mas premeditada. Hoje acho esse lance do auto-depreciativo um neg\u00f3cio complicado. Voc\u00ea se esconde por tr\u00e1s do humor e pouco muda, no que diz respeito \u00e0s quest\u00f5es que gostaria de levantar. Distancia um pouco, esfuma\u00e7a e n\u00e3o resolve. Claro que a ironia pode ser uma ferramenta, mas n\u00e3o exatamente nesse momento, falando do que estamos falando. Pro &#8220;Bonsai&#8221; foi mais interessante trazer a tem\u00e1tica pra frente, poder conversar de maneira mais aberta a respeito. Ajuda a esclarecer as coisas na nossa cabe\u00e7a tamb\u00e9m, o que acho bem importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, &#8220;Bonsai&#8221; foi composto pelos quatro, de forma conjunta, acreditam que isso impacta nessa sensa\u00e7\u00e3o mais melanc\u00f3lica que o disco passa?<\/strong><br \/>\n<strong>Francisco<\/strong>: O disco foi se realizando em quarteto, o que \u00e9 uma parada nova pra gente. Gravamos por conta, est\u00e1vamos mais pr\u00f3ximos. A sonoridade trazer alguma coisa de melanc\u00f3lico parece ser parte do jeito que tocamos quando estamos juntos. Desde composi\u00e7\u00f5es, at\u00e9 a escolha de sons e tal. O F\u00ea trouxe umas novas afina\u00e7\u00f5es e uma porrada de ideias. As letras, um pouco mais comigo. O F\u00e1bio tomou conta das grava\u00e7\u00f5es e criou toda uma atmosfera sonora pro disco. E o Luca \u00e9 o cara que consegue transformar qualquer ideia torta em m\u00fasica pronta, coloca a gente nos eixos quando t\u00e1 todo mundo perdido. Foi meio assim que funcionou e, por mim, com certeza impactou na forma como o disco est\u00e1 soando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea fala que voc\u00eas gravaram por conta, de forma independente, como foi esse processo de produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<strong>Francisco<\/strong>: O processo foi bem independente mesmo. O come\u00e7o dos arranjos e a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o foi toda feita em casa, com os instrumentos que estavam na m\u00e3o. Viol\u00e3ozinho, bateria do teclado. Aos poucos, conforme as m\u00fasicas foram tomando forma, a gente passou para o est\u00fadio do F\u00e1bio e gravamos umas guias. No est\u00fadio o lance foi mais demorado, a gente perdeu bastante tempo descobrindo uns sons, criando umas camadas novas, modificando os arranjos inclusive. Foi s\u00f3 na mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o que pedimos ajuda para o Guilherme Chiapetta, que \u00e9 uma cara que a gente admira bastante e que j\u00e1 tinha trabalhado no &#8220;Hoje Foi Um Dia Fant\u00e1stico&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas lidam com essa independ\u00eancia toda: pende mais pro lado positivo ou negativo? Hoje voc\u00eas conseguem viver de m\u00fasica?<\/strong><br \/>\n<strong>Francisco<\/strong>: A\u00ed j\u00e1 falo por mim, mas vejo a independ\u00eancia como \u00fanica alternativa. \u00c9 um som espec\u00edfico e tenho dificuldade de imaginar a gente num esquema que n\u00e3o esse. Acho sempre positivo, como experi\u00eancia mesmo, entender todas as partes do processo. Tem muito corre, papelada, administrar tempo e grana. Ao mesmo tempo, uma certa liberdade criativa que tamb\u00e9m \u00e9 legal. Por sorte rolam meios de existir enquanto banda desse jeito&#8230; Viver da banda, pra gente, ainda \u00e9 um neg\u00f3cio distante. Mas todo mundo meio que trabalha com m\u00fasica, direta ou indiretamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre o nome do disco, tem toda essa simbologia de se criar, cuidar e manter um bonsai. Poder\u00edamos fazer um paralelo entre criar um bonsai e manter um banda independente?<\/strong><br \/>\n<strong>Francisco<\/strong>: O nome surgiu de uma leitura um pouco mais dura do bonsai. Da beleza e da forma como o crescimento da \u00e1rvore \u00e9 impedido, o que \u00e9 meio brutal. Mas com certeza, partindo para um outro lado e pensando nesse sentido do trabalho de manuten\u00e7\u00e3o, o paralelo funciona bem! Gravar um disco, montar um show, criar conte\u00fado o tempo todo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse sentido, podemos dizer que o nome &#8220;Bonsai&#8221; tem a ver com amadurecimento e todas as asperezas que v\u00eam atreladas a isso?<\/strong><br \/>\n<strong>Francisco<\/strong>: Eu acho que encaro o amadurecimento como a constata\u00e7\u00e3o dessas coisas, sim. Elas ficam mais claras, mais f\u00e1ceis de reconhecer. A gente falou de melancolia l\u00e1 atr\u00e1s e tem um pouco de entender ela n\u00e3o como fase, mas como parte da vida. A coisa n\u00e3o se dissocia. A ang\u00fastia, por exemplo, tamb\u00e9m faz parte das nossas rela\u00e7\u00f5es com outras pessoas e com o mundo. As coisas boas e bonitas trazem um bocado disso. Acho que vem da\u00ed a rela\u00e7\u00e3o com o nome &#8220;Bonsai&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse disco voc\u00eas exploram mais camadas e as can\u00e7\u00f5es parecem mais complexas sonoramente. O que inspirou voc\u00eas? Quais s\u00e3o as refer\u00eancias mais coletivas assim?<\/strong><br \/>\n<strong>Felipe<\/strong>: A grande diferen\u00e7a do &#8220;Hoje Foi Um Dia Fant\u00e1stico&#8221; (2016) para o &#8220;Bonsai&#8221; (2018) \u00e9 que o primeiro passou por um processo de adapta\u00e7\u00e3o, a maioria das can\u00e7\u00f5es foram feitas em trio, antes da entrada do F\u00e1bio (assumindo o baixo) e criando espa\u00e7o para uma segunda guitarra que o Chico viria a assumir. O &#8220;Bonsai&#8221; j\u00e1 nasceu em quarteto e com os quatro colocando a m\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o. Pensamos em partes espec\u00edficas para cada um e tamb\u00e9m em quebrar um pouco mais a m\u00fasica em momentos, apesar da gente ter uma caracter\u00edstica de composi\u00e7\u00e3o de um rock mais fluido. Aconteceu nesse processo tamb\u00e9m a liberdade para ficar em est\u00fadio criando, em muito momentos uma terceira linha mel\u00f3dica em algumas faixas, &#8220;Travessa&#8221; &#8211; faixa que abre o disco &#8211; acho que apresenta bem essas camadas. Acho que de influ\u00eancias coletivas, que mais influenciaram no som final do disco e da banda em geral, passa por Built to Spill, Real State, Pure X, Beach Fossils&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m dessas refer\u00eancias sonoras, quais outras coisas influenciam voc\u00eas? Digo livros, filmes, artistas.<\/strong><br \/>\n<strong>Felipe<\/strong>: Pessoalmente falando, eu tenho mais conex\u00e3o com artistas visuais contempor\u00e2neos como a V\u00e2nia Mignone, James Benjamin Franklin, Ruohan Wang, consumo muita cultura de internet e v\u00eddeo arte tamb\u00e9m. Acho interessante o modo como Andrew Savage da banda Parquet Courts mant\u00e9m uma vida dividida entre m\u00fasica e artes pl\u00e1sticas de uma forma muita sadia. Algo muito pr\u00f3ximo aos movimentos de vanguarda dos anos 1960 em que o pessoal se juntava pra produzir arte em todos os campos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A preocupa\u00e7\u00e3o visual de voc\u00eas tamb\u00e9m \u00e9 algo importante: a capa do Eduardo Sancinetti \u00e9 linda e faz parte da s\u00e9rie &#8220;Selva&#8221;, de 2015. Como voc\u00eas chegaram a esse projeto?<\/strong><br \/>\n<strong>Felipe<\/strong>: N\u00f3s ficamos em d\u00favida no come\u00e7o se seria uma foto ou uma ilustra\u00e7\u00e3o. Acabou que durante uma busca de refer\u00eancias eu me lembrei da obra do Sancinetti que sempre me chamou aten\u00e7\u00e3o, acompanho ele desde 2009 (por a\u00ed). Resolvi mostrar pros meninos pra ver o que eles achavam dessa est\u00e9tica. todos curtiram e a gente acionou o Eduardo pra ver a possibilidade dele fazer algo espec\u00edfico pra capa do disco. Marcamos um encontro no est\u00fadio e ele foi mostrando in\u00fameras obras que ele j\u00e1 tinha feito, um cat\u00e1logo enorme. A pintura do que se tornou a capa do &#8220;Bonsai&#8221; eu lembro do momento em que ele tirou a tela de um pl\u00e1stico bolha, j\u00e1 tinha at\u00e9 o formato 1:1 necess\u00e1rio para uma capa, foi amor \u00e0 primeira vista.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aaAfDDJrFag?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/07qLsXTMWm8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oIMpsTKoR0M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e colabora com o site\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aescotilha.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Escotilha<\/a>. Escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. A foto usadas no texto \u00e9 de Carlos Oliveira\u00a0\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dois anos depois do divertido \u201cHoje Foi Um Dia Fant\u00e1stico\u201d (2016), os paulistanos do Monza voltam envoltos em camadas de melancolia no novo \u00e1lbum \u201cBonsai\u201d (2018). 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