{"id":49090,"date":"2018-10-29T16:53:22","date_gmt":"2018-10-29T19:53:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=49090"},"modified":"2022-08-09T12:58:05","modified_gmt":"2022-08-09T15:58:05","slug":"entrevista-iggor-cavalera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/10\/29\/entrevista-iggor-cavalera\/","title":{"rendered":"Entrevista: Iggor Cavalera relembra &#8220;Beneath The Remains&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1989, sob os escombros da revolta juvenil e de um pa\u00eds que h\u00e1 pouco havia sa\u00eddo da ditadura, um novato baterista despontava no cen\u00e1rio da m\u00fasica pesada mundial. Iggor Cavalera, ent\u00e3o com 19 anos, experimentava a sensa\u00e7\u00e3o de ver o Sepultura \u2014 banda que formou com o irm\u00e3o Max (voz e guitarra) \u2014 transformar o sonho adolescente numa verdadeira hipnose em massa entre os apreciadores de m\u00fasica extrema. Foi justamente no \u00faltimo ano da d\u00e9cada de 1980 que o grupo mineiro lan\u00e7ou \u201cBeneath the Remains\u201d, trabalho que os consagrou como uma das pot\u00eancias do metal na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e0 toa que, ap\u00f3s quase 30 anos, os Cavalera revisitem a discografia do antigo conjunto dando aten\u00e7\u00e3o especial a esse registro e seu sucessor \u201cArise\u201d (1991) na tour \u201cMax &amp; Iggor Cavalera 89\/91 Era Special Setlist\u201d. A import\u00e2ncia de \u201cBeneath the Remains\u201d n\u00e3o foi soterrada pelo tempo. No livro \u201cSepultura: Toda A Hist\u00f3ria\u201d \u2014 escrito pelo jornalista Andr\u00e9 Barcinski e pelo ent\u00e3o roadie de longa data do quarteto Silvio Gomes \u2014 h\u00e1 um trecho do cap\u00edtulo que fala sobre o disco que refor\u00e7a tal percep\u00e7\u00e3o: \u201cO Sepultura passou de banda desconhecida a uma das maiores promessas do heavy mundial\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBeneath the Remains\u201d foi gravado durante a segunda quinzena de dezembro, em 1988, no est\u00fadio Nas Nuvens (Rio de Janeiro), e teve produ\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o mago do metal Scott Burns (que topou vir dos Estados Unidos por um cach\u00ea menor do que o usual). Al\u00e9m disso, foi o primeiro material do Sepultura com a chancela de uma gravadora de respeito, a Roadrunner Records. Segundo informa\u00e7\u00f5es do livro \u201cSepultura: Toda A Hist\u00f3ria\u201d, foram mais de 60 shows na turn\u00ea do \u00e1lbum (desde o fim de 1988 at\u00e9 dezembro de 1989) e 600 mil c\u00f3pias vendidas. Na entrevista a seguir, o pr\u00f3prio Iggor relata algumas impress\u00f5es da \u00e9poca e como \u00e9 reencontrar com o passado que j\u00e1 foi um futuro primitivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>=&gt;\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/11\/02\/entrevista-max-cavalera-fala-sobre-o-album-arise\/\" rel=\"noopener\">Max Cavalera fala sobre o \u00e1lbum \u201cArise\u201d aqui<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68410\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/beneath1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/beneath1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/beneath1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/beneath1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Sepultura vinha em uma ascens\u00e3o desde o primeiro registro, o split com o Overdose (\u201cBestial Devastation\u201d, de 1985), mas parece que as coisas realmente come\u00e7aram a acontecer depois do \u201cSchizophrenia\u201d (1987). Qual era o clima da banda na \u00e9poca da composi\u00e7\u00e3o do \u201cBeneath the Remains\u201d?<\/strong><br \/>\nO clima era bem legal e nosso nome estava cada vez mais aparecendo na cena do metal internacional. Al\u00e9m disso, havia a chance de gravar nosso primeiro disco com o apoio total da Roadrunner Records.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No livro \u201cSepultura: Toda a Hist\u00f3ria\u201d consta que o \u201cBeneath the Remains\u201d foi o primeiro \u00e1lbum com o qual a banda ficou realmente satisfeita pelo resultado. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nDesde o primeiro disco, sofremos muito tentando traduzir em est\u00fadio o que toc\u00e1vamos ao vivo \u2014 principalmente pelo fato de a maioria dos engenheiros de som nunca terem gravado algo extremo. Ent\u00e3o, principalmente no \u201cBestial Devastation\u201d e \u201cMorbid Visions\u201d, ficamos bastante decepcionados com o resultado final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi trabalhar com o Scott Burns, o cara que estava envolvido com diversas bandas de peso da \u00e9poca (Death, Obituary, Terrorizer\u2026)? Al\u00e9m de ser respons\u00e1vel pela grava\u00e7\u00e3o, ele tamb\u00e9m deu pitacos em alguma composi\u00e7\u00e3o na hora de registrar? Qual o peso do envolvimento dele para o Beneath the Remains ser o monstro que \u00e9?<\/strong><br \/>\nO Scott Burns \u00e9 um produtor animal, mas tamb\u00e9m ajudou muito na parte dos vocais (corrigindo nosso ingl\u00eas macarr\u00f4nico) e a dar uma polida nas ideias brutas dos sons.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual a lembran\u00e7a mais bacana voc\u00ea tem do teu irm\u00e3o (Max) referente a esse trabalho? Algo que ele comp\u00f4s ou fez e que te marcou. Por qual raz\u00e3o?<\/strong><br \/>\nO Max sempre foi o cara mais presente em todas as grava\u00e7\u00f5es da \u00e9poca, n\u00e3o desgrudava do est\u00fadio do come\u00e7o at\u00e9 o fim, com a mixagem do disco. Ele inclusive foi para Fl\u00f3rida mixar o \u201cBeneath the Remains\u201d com o Scott Burns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Olhando para tr\u00e1s, hoje, de que maneira tu avalia a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o como baterista do \u201cSchizophrenia\u201d para o \u201cBeneath the Remains\u201d? Pode-se dizer que o estilo Iggor j\u00e1 estava definido ali ou ainda passava por um processo de forma\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAcho que sim, mas eu ainda estava tentando tocar com estilo muito parecido ao dos bateras da \u00e9poca. Acredito que a partir do \u201cArise\u201d eu comecei a criar meu estilo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi pela \u00e9poca do lan\u00e7amento do \u201cBeneath the Remains\u201d que come\u00e7aram a rolar altas mat\u00e9rias sobre o Sepultura na imprensa gringa. Algumas at\u00e9 comparavam a banda a nomes como Slayer e Metallica \u2014 bandas das quais eram abertamente admiradores. Rolava aquela sensa\u00e7\u00e3o de \u2018agora a porra ficou s\u00e9ria\u2019?<\/strong><br \/>\nCom certeza! Ver nosso nome comparado com o das bandas que a gente cresceu ouvindo dava sensa\u00e7\u00e3o de que est\u00e1vamos dando passos bem maiores para nos firmarmos na cena mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem um lance curioso sobre a capa do disco, <a href=\"https:\/\/ninecircles.co\/2016\/02\/18\/throwback-thursday-the-artwork-of-michael-whelan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">feita pelo Michael Whelan<\/a> (artista bem requisitado na \u00e9poca pelas bandas de metal). Reza a lenda que tu havia escolhido um desenho dele e que, na surdina, a Roadrunner teria deixado essa imagem para o Obituary usar no \u201cCause of Death\u201d. Procede? Como foi esse lance?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 verdade! O Max descobriu o Michael Whelan por meio da capa de um livro do HP Lovecraft, e a gravadora achou \u201cmelhor\u201d passar nossa ideia para o Obituary. Tem at\u00e9 uma vers\u00e3o com essa arte como se fosse o \u201cBeneath the Remains\u201d online por ai. Hahahahahah!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9, atualmente, revisitar as composi\u00e7\u00f5es desse disco? Curte tocar as faixas como elas foram gravadas ou muda algumas partes da execu\u00e7\u00e3o para fazer ao vivo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito legal tocar essas m\u00fasicas ao vivo! Mas, para ser sincero, foi um saco ensaiar sozinho at\u00e9 lembrar todas as partes dos discos. Eu tento deixar o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel da original.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual tua faixa preferida do disco? E seria essa mesma m\u00fasica a que tu mais gosta de tocar atualmente? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nEu estou curtindo muito tocar a \u2018Infected Voice\u2019. No disco (\u201cArise\u201d) ela meio passou batida, mas ao vivo \u00e9 um monstro de m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sepultura - Inner Self [OFFICIAL VIDEO]\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8wL8GjSeo3M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sepultura - Infected Voice LIVE Germany 1991 Arise Tour\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vUy0LOr-bAA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sepultura - Dead Embryonic Cells [OFFICIAL VIDEO]\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c7Z8Ww1EmMk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Ben Para Todo Mal<\/a>. Entrevista cedida pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/abstratti\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Abstratti Produtora<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Document\u00e1rio \u201cSepultura Endurance\u201d, de Otavio Juliano, conta metade da hist\u00f3ria (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/27\/tres-documentarios-sepultura-endurance-time-will-burn-e-guerrilha-a-trajetoria-da-dorsal-atlantica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cUnder a Pale Grey Sky\u201d, ao vivo do Sepultura em dezembro de 1996, vale a pena cada centavo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/10\/10\/tres-cds-qotsa-the-vines-e-jon-spencer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Lan\u00e7ado pelo selo mineiro Cogumelo Records, \u201cBestial Devastation\u201d foi gravado e mixado em dois dias (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/15\/pensata-rock-brasil-10-discos-30-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Prestes a passar por a BH (31\/10 no Mister Rock BH), Rio (01\/11 no Circo Voador), SP (03\/11 no Tropical Butant\u00e3) e Porto Alegre (04\/11 no Opini\u00e3o) com seu irm\u00e3o Max, Iggor Cavalera fala sobre a turn\u00ea que re\u00fane os discos &#8220;Beneath The Remais&#8221; e &#8220;Arise&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/10\/29\/entrevista-iggor-cavalera\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":49091,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3302,974],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49090"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49090"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49090\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":68411,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49090\/revisions\/68411"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}