{"id":49012,"date":"2018-10-18T20:42:33","date_gmt":"2018-10-18T23:42:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=49012"},"modified":"2018-11-26T11:10:55","modified_gmt":"2018-11-26T13:10:55","slug":"tres-perguntas-luiza-lian-fala-do-disco-azul-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/10\/18\/tres-perguntas-luiza-lian-fala-do-disco-azul-moderno\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Luiza Lian (2018)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de 2017, visitei a sede do <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/selorisco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">selo RISCO<\/a> e ali, a cantora <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/luizalian\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Luiza Lian<\/a> e o produtor Jo\u00e3o Bagdadi Neto (um dos s\u00f3cios do selo) me mostraram as demos do que viria a ser o terceiro disco de Luiza. Era uma obra surpreendente, por dois motivos: o primeiro era por ser um \u00e1lbum org\u00e2nico, de banda, muito diferente do minimalismo eletr\u00f4nico e sombrio do \u00f3timo \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/12\/entrevista-luiza-lian-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Oy\u00e1 Tempo<\/a>\u201d, segundo e celebrado \u00e1lbum de Luiza; o segundo, por conseguir apresentar uma \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d do samba rock que n\u00e3o soava como mero artif\u00edcio \u2013 ao contr\u00e1rio, resgatava o melhor do g\u00eanero sem apelar para os extremos de soar reverente ou de vandalizar a estrutura que faz do estilo ser aquilo que ele \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nova surpresa viria ao escutar, j\u00e1 agora em outubro de 2018, a vers\u00e3o finalizada de \u201cAzul Moderno\u201d. Aquele disco de banda, fluido, cheio de apelo pop, teve suas refer\u00eancias originais preservadas, mas as texturas foram totalmente transformadas. Luiza pediu a Charles Tixier (da banda Charlie &amp; Os Marretas, e parceiro criativo de Luiza em \u201cOy\u00e1 Tempo\u201d) que \u201cdestru\u00edsse\u201d o material daquelas sess\u00f5es buc\u00f3licas. E foi o que m\u00fasico fez, introduzindo elementos tecnol\u00f3gicos, por\u00e9m sem recorrer ao artif\u00edcio f\u00e1cil da eletr\u00f4nica pela eletr\u00f4nica. Com a produ\u00e7\u00e3o dividida entre ele e Tim Bernardes, o lado experimental p\u00f4de encontrar uma conviv\u00eancia pac\u00edfica com o apre\u00e7o pela can\u00e7\u00e3o, e o resultado \u00e9 um disco \u00fanico, com uma sonoridade bastante particular. Ainda bonito, ainda pop, mas com uma flu\u00eancia totalmente diferente. \u201c\u00c9 a mesma alma, mas outro tempo\u201d, define a artista. Ou\u00e7a \u201cIarinhas\u201d, \u201cSou Yab\u00e1, \u201cGeladeira\u201d e a faixa-t\u00edtulo para entender, na pr\u00e1tica e logo de cara, como isso funciona. Mas n\u00e3o deixe de ouvir o \u00e1lbum inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez um dia essa primeira encarna\u00e7\u00e3o de \u201cAzul Moderno\u201d (podemos chamar de\u2026 \u201cAzul Arcaico\u201d?) venha \u00e0 tona e se fa\u00e7a escutar. Porque merece ser ouvida. Mas Luiza Lian conseguiu avan\u00e7ar em seu caminho maturidade e ousadia, e o presente dela e de seus ouvintes \u00e9 esse belo Azul Moderno, sobre o qual ela fala nessa breve entrevista.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sH4gJp_Y4_M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As demos de &#8220;Azul Moderno&#8221; apontavam para uma volta do formato banda, como no seu \u00e1lbum de estreia (de 2015), com uma instrumenta\u00e7\u00e3o mais tradicional dentro do formato rock. S\u00f3 que os arranjos que entraram no disco s\u00e3o bem diferentes disso. As melodias est\u00e3o l\u00e1, mas existe essa instrumenta\u00e7\u00e3o esparsa, meio desconstru\u00edda. O que te levou a mudar o caminho?<\/strong><br \/>\nO \u2018Azul Moderno\u201d come\u00e7ou a ser composto no fim de 2015 e in\u00edcio de 2016. A ideia \u00e9 que ele fosse meu segundo disco, por isso fomos gravar ele no fim de 2016, meio entrela\u00e7ado com o \u201cOy\u00e1 Tempo\u201d. S\u00f3 que, no meio do caminho, muitas coisas foram se transformando. Por um lado, tem m\u00fasicas que eu canto j\u00e1 h\u00e1 muito tempo, como \u201cSou Yab\u00e1\u201d e \u201cPomba Gira do Luar\u201d, e, por outro, foram surgindo outras coisas, tipo \u201cSanta B\u00e1rbara\u201d. Nessa coisa de ter sido o desenho do meu segundo disco, a gente tinha uma ideia sobre o processo de produ\u00e7\u00e3o: sab\u00edamos que no fim do ano \u00edamos viajar juntos \u2013 eu, Tim, Charles e Gui [Jesus Toledo, m\u00fasico e produtor] \u2013 para o s\u00edtio do Gui e come\u00e7ar a levantar as bases. Mas j\u00e1 tinha uma vontade de que o trabalho fosse mais experimental e tivesse uma textura mais eletr\u00f4nica. S\u00f3 que, na viagem, a gente percebeu que, como banda, acab\u00e1vamos fazendo coisas de banda. Porque arranj\u00e1vamos juntos, e tal. Ent\u00e3o n\u00e3o fazia sentido gravar umas bases e depois mandar um sintetizador por cima. Decidimos gravar algumas das sonoridades que a gente queria, e tamb\u00e9m algumas bases na pegada mais Jorge Ben, samba rock, enfim, gravar as estruturas, esses arranjos, levar esse processo at\u00e9 o fim, para depois o Charles pegar tudo isso e entrar no processo dele, que \u00e9 diferente do processo de produ\u00e7\u00e3o com o Tim. A gente fez o disco inteiro e deu para o Charles desconstruir, como se esse disco fosse um remix de um disco que nunca foi lan\u00e7ado. Porque pra mim tinha esse di\u00e1logo com o passado, era o que eu imaginava quando a gente foi pro s\u00edtio, porque, como eu disse, o \u201cOy\u00e1\u201d j\u00e1 estava mais engatinhado. Depois do s\u00edtio, a gente ainda foi pro est\u00fadio e levantou uma por\u00e7\u00e3o de vozes, corinhos, e foi essa a vers\u00e3o que voc\u00ea escutou. Foi ai que eu entreguei o material pro Charles e falei: \u201cdestr\u00f3i\u201d. Ele destruiu para reconstruir. \u00c9 um disco bem paralelo ao \u201cOy\u00e1 Tempo\u201d, mas teve mais tempo de matura\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se fosse a calmaria depois da tempestade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Oy\u00e1 Tempo&#8221; era um projeto de v\u00e1rias linguagens, n\u00e3o s\u00f3 a m\u00fasica, e os shows eram o momento maior disso. &#8220;Azul Moderno&#8221; traz alguma proposta nesse sentido?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 uma coisa que a gente est\u00e1 descobrindo ainda. Eu tenho um pensamento muito visual, e eu ainda estava entendendo como chegar nele. Se for acrescentar pessoas na minha banda agora, vai ser mais para acrescentar elementos dessa \u201cvisualidade\u201d agora do que somar m\u00fasicos. Digo nesse momento, porque a gente viu que isso \u00e9 muito importante \u2013 para a linguagem, para a mensagem, para o tipo de sensorialidade que eu quero que as pessoas tenham no meu show. Se eu pudesse, faria muito mais, sabe? Seria uma grande instala\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 algo muito forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A espiritualidade nunca abandona suas letras, desde o primeiro disco. Por outro lado, o nosso &#8220;mundo material&#8221;, do qual n\u00e3o escapamos, est\u00e1 cada vez mais polarizado e agressivo. Como voc\u00ea deixa suas letras e suas m\u00fasicas n\u00e3o serem afetados por esse clima pesado que estamos encarando?<\/strong><br \/>\nAs minhas letras s\u00e3o muito afetadas por isso que a gente t\u00e1 vivendo. Minhas letras trazem um lugar de ang\u00fastia, de melancolia\u2026 Acho que o \u201cOy\u00e1 Tempo\u201d era mais denso que o \u201cAzul Moderno\u201d, que \u00e9 uma tentativa de olhar as coisas de um ponto de vista um pouco mais amplo, com um pouco mais de calma, em oposi\u00e7\u00e3o a essa polariza\u00e7\u00e3o que a gente t\u00e1 vivendo. Ent\u00e3o, isso vai estar diretamente afetado pelo nosso tempo. Acho que n\u00e3o t\u00e1 suspenso, pelo contr\u00e1rio. \u00c9 minha maneira de reagir diante dessa cegueira, desse monte de raiva. As minhas letras s\u00e3o, sim, afetadas por isso, mas n\u00e3o dominadas. A espiritualidade me leva a encarar isso de um ponto de vista mais consciente, mais centrada em mim mesmo, porque a espiritualidade \u00e9 o caminho do autocentramento. A grande dificuldade \u00e9 manter a espiritualidade nesse momento. Todo meu caminho espiritual at\u00e9 agora foi para n\u00e3o estar na reatividade. \u00c9 um caminho para o autoconhecimento, para o n\u00e3o julgamento. \u00c9 minha tentativa, mas muitas vezes a gente n\u00e3o \u00e9 capaz de n\u00e3o reagir, n\u00e3o embater, n\u00e3o reagir a essa dualidade da vida. Mas acho que \u00e9 exatamente por ser uma busca que isso fica voltando e depois retorna na minha poesia. Minha maneira de falar qualquer coisa vai ser pela minha poesia, e a espiritualidade invade muito essa poesia, porque ela \u00e9 central na minha exist\u00eancia. Nesse momento, parece que tudo quer te tirar dessa espiritualidade. Parece que a \u00faltima coisa que faz sentido dentro desse tipo de tens\u00e3o, desse embate, de uma guerra, \u00e9 essa espiritualidade. Qualquer busca, na verdade: um Tai-Chi, uma yoga\u2026 Mas acho que \u00e9 isso que faz a gente se manter na caminhada, sem cair para fora dos eixos, sabe?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uuQkh2CGb-w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Segundo Luiza, &#8220;Azul Moderno&#8221; \u00e9 &#8220;um disco bem paralelo ao &#8216;Oy\u00e1 Tempo&#8217;, mas teve mais tempo de matura\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se fosse a calmaria depois da tempestade&#8221;. Assista ao clipe da faixa t\u00edtulo e saiba mais sobre o terceiro \u00e1lbum de Luiza Lian. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/10\/18\/tres-perguntas-luiza-lian-fala-do-disco-azul-moderno\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":49014,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[837],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49012"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49012"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49012\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49228,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49012\/revisions\/49228"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49014"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49012"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49012"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49012"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}