{"id":48432,"date":"2018-08-15T11:57:36","date_gmt":"2018-08-15T14:57:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=48432"},"modified":"2019-02-07T11:54:31","modified_gmt":"2019-02-07T13:54:31","slug":"tres-livros-bruce-dickinson-badi-assad-e-bruce-springsteen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/08\/15\/tres-livros-bruce-dickinson-badi-assad-e-bruce-springsteen\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas livros: Bruce Dickinson, Badi Assad e Bruce Springsteen"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48435 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bruce1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"658\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bruce1.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bruce1-205x300.jpg 205w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cPara Que Serve Esse Bot\u00e3o? Uma Autobiografia\u201d, de Bruce Dickinson (Intr\u00ednseca)<\/strong><br \/>\nO ingl\u00eas Paul Bruce Dickinson \u00e9 o vocalista mais famoso de uma das bandas mais famosas de heavy metal da hist\u00f3ria, o Iron Maiden. Mas n\u00e3o s\u00f3 isso: ele tamb\u00e9m \u00e9 piloto oficial de avi\u00e3o de companhias a\u00e9reas (transportando pelos ares pessoas que, muitas vezes, n\u00e3o tem a m\u00ednima ideia de que h\u00e1 um rock star mundial na cabine) e um esgrimista nato que durante muitas turn\u00eas da Donzela de Ferro preferiu buscar uma academia local (em diversas cidades do globo pelo qual sua banda passou) para praticar esgrima com desconhecidos a ficar enchendo a cara no bar do hotel ou se drogando no banheiro. Ou seja, um personagem bastante peculiar que lan\u00e7ou tr\u00eas discos (com o Samson) antes de assumir o vocal do Iron (em 1982), seis \u00e1lbuns solo (alguns no intervalo em deixou a Donzela, entre 1993 e 1999) e ainda arranjou tempo para escrever dois livros (&#8220;The Adventures of Lord Iffy Boatrace&#8221;, de 1990, e &#8220;The Missionary Position&#8221;, de 1992) al\u00e9m desta autobiografia, que mostra um homem com total controle de sua carreira, e que lida com os fatos de sua hist\u00f3ria muitas vezes de maneira c\u00f4mica. \u201cPara Que Serve Esse Bot\u00e3o\u201d n\u00e3o \u00e9 completista (Bruce deixou de fora vida pessoal, casamentos, filhos), mas \u00e9 bem divertida. Cobre desde a inf\u00e2ncia dif\u00edcil em Nottinghamshire, passa pelas mem\u00f3rias marcantes do col\u00e9gio interno (cujo auge \u00e9 uma mijada na sopa dos padres que \u201ctinham autoridade legal para bater\u201d), suas primeiras experi\u00eancias com m\u00fasica e chega at\u00e9 o c\u00e2ncer na l\u00edngua em 2015 que necessitou de 31 sess\u00f5es de radia\u00e7\u00e3o para ser vencido (com o corpo em frangalhos, Bruce certo dia viu pela janela Mick Jagger passando em frente a sua casa, em King\u2019s Road: \u201cEstou quase t\u00e3o magro quanto voc\u00ea, pensei, sorrindo\u201d). \u00c9 um passatempo divertido que revela ainda alguns momentos emocionantes como uma dolorosa visita a uma creche em Sarajevo no meio da guerra e outra a Auschwitz (\u201cChorei muito depois. Senti raiva e ?quei em sil\u00eancio\u201d, conta) num livro que soa um ap\u00eandice importante \u00e0 obra da Donzela de Ferro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7.5 (<a href=\"https:\/\/www.intrinseca.com.br\/upload\/livros\/1%C2%BACAP_ParaQueServeEsseBotao.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leia um trecho<\/a>)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48434 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/badi.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"659\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/badi.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/badi-205x300.jpg 205w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cVolta ao Mundo em 80 Artistas\u201d, de Badi Assad (Editora Pol\u00e9n)<\/strong><br \/>\nMari\u00e2ngela Assad Sim\u00e3o come\u00e7ou no viol\u00e3o aos 14 anos numa fam\u00edlia cujos irm\u00e3os mais velhos eram considerados um dos melhores duos do mundo. Aos 15 come\u00e7ou a colecionar pr\u00eamios e aos 23 debutou com \u201cDan\u00e7a dos Tons\u201d (1989) \u2013 relan\u00e7ado internacionalmente em 2003 com novo nome, \u201cDan\u00e7a das Ondas\u201d. Sua m\u00fasica, uma combina\u00e7\u00e3o de experimentos percussivos vocais com um ex\u00edmio dom no viol\u00e3o, viajou mundo afora e os \u00e1lbuns \u201cSolo\u201d (1994), \u201cRhythms\u201d (1995) e \u201cEchoes of Brazil\u201d (1997), lan\u00e7ados pelo selo nova-iorquino Chesky Records, sedimentaram sua carreira internacional. Cidad\u00e3 do mundo, Badi levou sua m\u00fasica aos mais diversos lugares, e teve acesso a um grande n\u00famero de artistas n\u00e3o t\u00e3o acess\u00edveis do lado debaixo do Equador. Neste livro, ela leva o leitor por novos territ\u00f3rios musicais. Passa por Urkult, festival no norte da Su\u00e9cia, e se encanta com o show de Amina Annabi, cantora franco tunisiana que faz algo conhecido como Ethno Techno. Reverencia Ang\u00e9lique Kidjo, cantora nascida em Benim, na \u00c1frica, que canta em l\u00ednguas nativas, e Miriam Makeba, \u201cque nasceu quando praticamente tudo se tornava proibido aos negros em seu pa\u00eds \u2013 a \u00c1frica do Sul\u201d. Das Am\u00e9ricas, lan\u00e7a luz sobre Ani DiFranco, relembra um dos concertos mais lindos de sua vida (Astor Piazolla no Rio em 1985), passa por Cuba (Bola de Nieve), Trinidad Tobago (Calypso Rose), Chile (Camila Moreno), Peru (Yma Sumac) al\u00e9m de Brasil, Europa, \u00c1sia e Oceania, onde homenageia a neozolandesa Lorde, o paquistan\u00eas Nusrat Fateh Ali Khan e a mong\u00f3lica Urna (\u201cSua voz alcan\u00e7a quatro oitavas e \u00e9 uma de uma pureza cristalina\u201d, descreve). A grande maioria dos artistas presentes aqui \u00e9 desconhecida do grande p\u00fablico brasileiro (calma: h\u00e1 nomes como Sting, Tori Amos, Mumford &amp; Sons, Zeca Baleiro e Ed Sheeran na lista), o que ati\u00e7a o prazer da novidade numa escrita doce e apaixonada, de quem vive a m\u00fasica de uma maneira sem fronteiras. O resultado \u00e9 uma interessante aula de m\u00fasica mundial que deve ser acompanhada <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/user\/12148742471\/playlist\/2Hd5U5aMQICnRMegF6Cc4w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">com sua playlist no Spotify<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48436 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/springsteen.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"680\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/springsteen.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/springsteen-199x300.jpg 199w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBorn To Run \u2013 Autobiografia\u201d, de Bruce Springsteen (Editora Leya)<\/strong><br \/>\nBruce coleciona 20 Grammys, quatro American Music Awards e um Oscar al\u00e9m de ter colocado <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/16\/discografia-comentada-bruce-springsteen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">11 discos no topo da parada estadunidense<\/a>. Esses n\u00fameros, por\u00e9m, n\u00e3o sensibilizam o p\u00fablico brasileiro, que nunca deu muito bola para o Chef\u00e3o \u2013 n\u00e3o foi \u00e0 toa <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/19\/bruce-springsteen-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que seu show de 2013 em S\u00e3o Paulo<\/a> teve o menor p\u00fablico de toda aquela turn\u00ea. E quer saber: n\u00e3o ser\u00e1 com esta dedicada autobiografia que ele ir\u00e1 conquistar mais adeptos, principalmente porque este livro (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2018\/01\/1953675-ao-fim-de-cada-dia-eu-me-espanto-por-continuar-aqui-afirma-philip-roth.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que comoveu at\u00e9 o escritor Philip Roth<\/a>) parte da aceita\u00e7\u00e3o de que alguns dos maiores \u201cdefeitos\u201d do artista s\u00e3o tamb\u00e9m suas maiores virtudes. O pr\u00f3prio Bruce percebeu isso em 1975, ap\u00f3s arremessar um dos \u201ctest pressing\u201d do \u00e1lbum que o catapultaria a fama na piscina do hotel: \u201cSentado nos fundos da loja, me sentia cada vez mais aflito \u00e0 medida que o disco tocava. Eu ainda n\u00e3o podia lan\u00e7a-lo. N\u00e3o conseguia ouvir mais nada a n\u00e3o ser aquilo que entendia serem as falhas do disco: o bomb\u00e1stico som do rock de arena e a cantoria estilo Pavarotti de New Jersey encontra Roy Orbison, exatamente as mesmas coisas que davam ao disco magia, poder e beleza. Era um quebra-cabe\u00e7as: parecia que n\u00e3o pod\u00edamos ter um sem o outro. O produtor Jon Landau tentou me explicar pacientemente que, muitas vezes, a \u2018arte\u2019 funciona de formas misteriosas. O que faz algo grandioso tamb\u00e9m pode ser uma de suas fraquezas. Tal como acontece com as pessoas. Deixei que lan\u00e7assem o disco\u201d. Numa narrativa que remete a um di\u00e1rio em que Bruce, primeiramente, conversa consigo mesmo, ele rememora a inf\u00e2ncia pobre com riqueza de detalhes e debate quase que infinitamente quest\u00f5es pol\u00eamicas de sua carreira procurando sempre se sair bem com o personagem (muitas vezes sacana) do outro lado da mesa (como, por exemplo, o manager Mike Appel, que o levou aos tribunais e o impediu de gravar durante tr\u00eas anos), o que em alguns momentos pode incomodar o leitor, mas, no final, ganha pontos pelo aroma de honestidade (esse termo batido e fora de moda) que o livro deixa no ar ao refor\u00e7ar a imagem \u201cgente como a gente\u201d de Bruce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/02\/15\/bruce-springsteen-explica-born-in-the-usa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leia um trecho do livro<\/a>)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pdT9SmVEaP4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uItaOo39ytE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/129kuDCQtHs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (@screamyell) edita o Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Bruce Dickinson diverte num livro que favorece esgrima e avia\u00e7\u00e3o e deixa o Iron Maiden em segundo plano; Badi ati\u00e7a o prazer da novidade numa escrita doce e apaixonada; Bruce Springsteen continua sendo Bruce Springsteen em &#8220;Born To Run&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/08\/15\/tres-livros-bruce-dickinson-badi-assad-e-bruce-springsteen\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":48433,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[811,2719,109],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48432"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48432"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48432\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48437,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48432\/revisions\/48437"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}