{"id":48255,"date":"2002-08-12T17:26:42","date_gmt":"2002-08-12T20:26:42","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=48255"},"modified":"2018-07-24T17:46:36","modified_gmt":"2018-07-24T20:46:36","slug":"entrevista-lambchop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/08\/12\/entrevista-lambchop\/","title":{"rendered":"Entrevista: Lambchop"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Lambchop \u00e9 uma super banda. Ok, a brincadeira aqui tem a ver com aqueles que sempre acharam que oito Tit\u00e3s era um exagero de banda, ent\u00e3o que tal os norte-americanos do Lambchop com 14 integrantes. Dois bateristas, v\u00e1rios baixistas, uma se\u00e7\u00e3o de metais e alguns faz-se-tudo formam est\u00e1 que \u00e9 reconhecida como uma das forma\u00e7\u00f5es mais originais, emocionais e brilhantes dos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre o inicio da banda e a data desta entrevista, contamos 16 anos de servi\u00e7os prestados a boa m\u00fasica. Isso, do come\u00e7o quando o grupo gravou uma s\u00e9rie de fitas k-7 sob o nome de Posterchild. O nome Lambchop surgiu em 1992, trazendo consigo, no ano seguinte, um contrato com a importante gravadora Merge e o primeiro single, &#8220;Nine&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria de lirismo, delicadeza e boa m\u00fasica ganha destaque com o mundialmente elogiado &#8220;Nixon&#8221;, de 2000, presente na lista de melhores do ano de praticamente todas as grandes publica\u00e7\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, de uma s\u00f3 vez, aportam no Brasil os dois \u00e1lbuns mais recentes dessa turma de Nashville, capital mundial do country, terra em que Kurt Wagner, o lider\/agregador, reuniu mais de uma d\u00fazia de amigos para dedicar-se a paix\u00e3o pela m\u00fasica. &#8220;Tools In The Dryer&#8221; re\u00fane raridades, lados b, can\u00e7\u00f5es esquecidas e outras colabora\u00e7\u00f5es. &#8220;Is a Woman&#8221;, \u00e1lbum mais recente do grupo, \u00e9 encharcado de sutilezas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os v\u00e1rios amigos que formam o Lambchop est\u00e1 o clarinetista Jonathan Marx, respons\u00e1vel pela compila\u00e7\u00e3o de faixas de &#8220;Tolls In The Dryer&#8221; e um Lambchop desde 1992. O S&amp;Y cruzou as Am\u00e9ricas e estendeu um papo via telefone Taubat\u00e9\/Nashville com Marx para descobrir que apenas metade da turma excursiona enquanto a outra metade mant\u00e9m empregos &#8220;normais&#8221; (jornalismo, engenharia, carpint\u00e1ria) e que o termo alt-country n\u00e3o \u00e9 bem visto pelo banda, o que, convenhamos, seria reducionismo. O Lambchop \u00e9 uma orquestra que mistura jazz, soul, country, rock e quetais com lirismo, frescor e sutileza. Uma super banda, com todas as letras. Confira o bate papo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pbNVx9Y28rk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ol\u00e1, Jonathan. Onde voc\u00ea est\u00e1 agora?<\/strong><br \/>\nEstou no escrit\u00f3rio do meu emprego, em Nashville.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu tinha a informa\u00e7\u00e3o de que a banda estava em turn\u00ea pela Europa&#8230;<\/strong><br \/>\nSomos 14 pessoas, sete est\u00e3o em turn\u00ea e sete ficaram em casa. A cada turn\u00ea, viaja um grupo diferente de pessoas, depende dos empregos e da situa\u00e7\u00e3o pessoal de cada um. Eu n\u00e3o posso sair sempre, n\u00e3o gosto de deixar meus colegas de trabalho em uma situa\u00e7\u00e3o em que fiquem sobrecarregados de servi\u00e7o. N\u00e3o sei ao certo onde a banda est\u00e1 agora, acho que est\u00e3o na Irlanda&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E em que tipo de emprego voc\u00ea trabalha?<\/strong><br \/>\nEu trabalho em um jornal, o <a href=\"https:\/\/www.nashvillescene.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nashville Scene<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acabaram de ser lan\u00e7ados no Brasil a colet\u00e2nea de &#8220;Tools In The Dryer&#8221; e o recente &#8220;Is A Woman&#8221;. Como voc\u00ea apresentaria esses dois discos ao p\u00fablico brasileiro?<\/strong><br \/>\nBem, &#8220;Tools In The Dryer&#8221; \u00e9 uma colet\u00e2nea com faixas extra\u00eddas de alguns singles em 45 rpm, de compila\u00e7\u00f5es, de CDs n\u00e3o-oficiais que n\u00f3s mesmos gravamos e de algumas fitas que t\u00ednhamos guardadas. Fizemos esse disco para que os f\u00e3s pudessem ter acesso a esse material, o que seria dif\u00edcil sem a compila\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m serve para apresentar a banda para quem n\u00e3o nos conhece, mostrando que n\u00e3o somos nenhum tipo particular de banda, somos uma banda de muitas possibilidades que v\u00e3o al\u00e9m de defini\u00e7\u00f5es como soul ou country ou qualquer outra coisa. &#8220;Is A Woman&#8221; \u00e9 um \u00e1lbum mais calmo e mais sutil que o anterior, &#8220;Nixon&#8221;, que tinha muitos metais, cordas, um acento mais soul, corais gospel. \u00c9 um \u00e1lbum mais sossegado mas ainda com nossa cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que &#8220;Is A Woman&#8221; \u00e9 t\u00e3o mais diferente de &#8220;Nixon&#8221;? De onde veio a motiva\u00e7\u00e3o para essa mudan\u00e7a, quais foram as raz\u00f5es?<\/strong><br \/>\nV\u00e1rias raz\u00f5es. N\u00f3s excursionamos ap\u00f3s o lan\u00e7amento de &#8220;Nixon&#8221; e muitas pessoas, principalmente na Europa, esperava que recri\u00e1ssemos as can\u00e7\u00f5es exatamente como elas estavam no \u00e1lbum. E isso \u00e9 dif\u00edcil, \u00e9 caro e complicado colocar 14 pessoas excursionando e tocando em palcos muitas vezes pequenos, as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o realmente dif\u00edceis. E &#8220;Nixon&#8221; \u00e9 \u00e1lbum realmente dif\u00edcil de ser reproduzido ao vivo, porque exige todo esse pessoal e todas essas condi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o optamos por fazer um \u00e1lbum que fosse mais f\u00e1cil de tocar em turn\u00ea, que n\u00e3o desse essa frustra\u00e7\u00e3o aos f\u00e3s, mas cujas composi\u00e7\u00f5es abrissem possibilidades para receber mais instrumentos quando consegu\u00edssemos ter mais pessoas no palco quando mais de sete de n\u00f3s estivessem dispon\u00edveis. As composi\u00e7\u00f5es de &#8220;Is A Woman&#8221; v\u00e3o bastante para essa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas est\u00e3o satisfeitos com o resultado final?<\/strong><br \/>\nSim, sim, com certeza! Totalmente!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 faz quinze anos que o Lambchop est\u00e1 na ativa, e normalmente voc\u00eas s\u00e3o associados ao termo alt-country, no qual acho que voc\u00eas n\u00e3o se encaixam&#8230;<\/strong><br \/>\nCertamente n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230;mas ainda assim permanece a associa\u00e7\u00e3o ao termo. Isso chega a incomodar?<\/strong><br \/>\nA mim, incomoda um pouco, sim. Eu acho que \u00e9 uma simplifica\u00e7\u00e3o exagerada do nosso trabalho e n\u00e3o nos sentimos ligados a esse tipo de m\u00fasica. N\u00f3s temos uma conex\u00e3o com o country, sim, mas a m\u00fasica country mais antiga, dos anos 50, 60 e 70, n\u00e3o com essas coisas mais modernas associadas ao g\u00eanero. \u00c9 uma defini\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se aplica a n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Josh Rouse, outro artista que costuma ser ligado a esse r\u00f3tulo, declarou em entrevista ao Brasil que n\u00e3o se considera pertencente a ele&#8230;<\/strong><br \/>\nClaro que n\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230;e tamb\u00e9m que considera voc\u00eas uma grande banda, mas mais uma banda de soul, com elementos de country e de rock. Com soul (alma) acima de tudo.<\/strong><br \/>\n\u00c9 bem por a\u00ed. Veja o Yo La Tengo, por exemplo, voc\u00ea pode dizer que eles s\u00e3o uma banda de rock comum? Ou mesmo o Superchunk, eles s\u00e3o simplesmente rock? Acho que n\u00e3o, que eles n\u00e3o cabem em nenhuma caracteriza\u00e7\u00e3o em particular, e o mesmo acontece conosco. Na cabemos em uma defini\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, e n\u00e3o queremos ser apenas um grupo de rock. Tem muita coisa em nossa m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 algum plano de tocar no Brasil? Voc\u00eas j\u00e1 receberam convites para vir aqui?<\/strong><br \/>\nEu gostaria de ir a\u00ed, mas n\u00e3o sei quando. N\u00e3o recebemos convites ainda. Em grandes turn\u00eas, j\u00e1 viajamos bastante pelos Estados Unidos, pela Europa e at\u00e9 demos uma passada pela Austr\u00e1lia, mas nunca estivemos na Am\u00e9rica do Sul. Seria legal irmos a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sabia que tem um festival, o Free Jazz (que n\u00e3o \u00e9 exatamente de jazz), que recebe bandas com propostas musicais diferentes? No ano passado, vieram Grandaddy, Belle and Sebastian e Sigur Ros. Poderia ser uma boa oportunidade para voc\u00eas.<\/strong><br \/>\nSim, parece ser. Quando \u00e9 esse festival?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em outubro.<\/strong><br \/>\nHmm, \u00e9 um per\u00edodo dif\u00edcil para estarmos a\u00ed. Ainda estaremos em turn\u00ea, e os que estar\u00e3o em casa realmente n\u00e3o ter\u00e3o como ir. Eu mesmo estarei bastante ocupado aqui no servi\u00e7o. Mas gostar\u00edamos mesmo, n\u00e3o tenha d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que h\u00e1 o interesse pelo pa\u00eds, vamos \u00e0 pergunta b\u00e1sica de jornalistas brasileiros: voc\u00ea conhece m\u00fasica brasileira? (risos)<\/strong><br \/>\nDeus, \u00e9 claro! N\u00e3o tanto quanto gostaria, mas conhe\u00e7o, tanto que dei algumas entrevistas na semana passada e disse aos jornalistas o quanto a m\u00fasica brasileira me influencia. Alguns jornalistas brasileiros at\u00e9 ficaram de trocar discos comigo, mas mesmo por aqui tem havido grande interesse, principalmente pela Tropic\u00e1lia. Eu gosto de todos os diferentes estilos da m\u00fasica brasileira, gosto de bossa nova, gosto pra valer da Elis Regina, mas tamb\u00e9m gosto de coisas mais modernas, como&#8230; Otto, \u00e9 esse o nome, certo? Ele \u00e9 bom, Amon Tobin tamb\u00e9m \u00e9 muito legal. Sei que ele n\u00e3o vive no Brasil e n\u00e3o faz exatamente m\u00fasica brasileira, mas sou um grande f\u00e3 dele, ele \u00e9 muito bom mesmo. Tenho interesse por m\u00fasica brasileira h\u00e1 muito tempo e tenho encontrado boas novidades da\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 ouviu Jorge Ben?<\/strong><br \/>\nSim, ele \u00e9 realmente legal! Tenho v\u00e1rios vinis dele que comprei por aqui numa loja que costuma ter de tudo. Ele \u00e9 fant\u00e1stico!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jonathan, como nosso tempo est\u00e1 acabando, vamos a algumas perguntas r\u00e1pidas: voc\u00eas esperavam que &#8220;Nixon&#8221; tive uma repercuss\u00e3o t\u00e3o boa entre cr\u00edticos e uma grande parcela do p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nAcho que n\u00e3o. N\u00f3s queremos que as pessoas gostem da nossa m\u00fasica, mas esperamos que qualquer um goste, n\u00e3o a fazemos para um p\u00fablico espec\u00edfico, embora seja legal termos f\u00e3s que realmente gostem do nosso trabalho. Alguns at\u00e9 gostam porque s\u00e3o f\u00e3s, outros v\u00e3o se interessando aos poucos&#8230; O mais importante \u00e9 fazer m\u00fasica e n\u00e3o se preocupar com esse retorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que em uma banda de 14 pessoas seja dif\u00edcil encontrar uma influ\u00eancia musical comum, afinal \u00e9 dif\u00edcil at\u00e9 colocar todos num palco, o que dizer de um consenso nos gostos! Mas, mesmo assim, existe algo em comum que os influencie?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 uma influ\u00eancia em comum que \u00e9 o fato de todos gostarmos de m\u00fasica, amarmos m\u00fasica. Estamos ligados a ela, essa \u00e9 a conex\u00e3o maior. Talvez duas ou tr\u00eas pessoas gostem de uma mesma banda ou tipo de m\u00fasica, eu posso gostar de uma m\u00fasica que o baterista gosta, ou que o baixista curte, mas o real fator comum \u00e9 o interesse pela m\u00fasica. Sempre trocamos CDs entre n\u00f3s &#8211; ali\u00e1s, sou eu que apresento m\u00fasica brasileira para os outros, gostamos de tocar juntos, ent\u00e3o sempre alimentamos o interesse e o gosto pela m\u00fasica. A liga\u00e7\u00e3o \u00e9 essa: a m\u00fasica afeta a todos n\u00f3s de alguma forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma curiosidade: como voc\u00eas surgiram com o t\u00edtulo &#8220;Your Fucking Sunny Day&#8221; (algo como &#8220;seu dia ensolarado de merda&#8221;)? Pergunto porque acho que \u00e9 o melhor t\u00edtulo dado a um tema instrumental, muito legal, por sinal.<\/strong><br \/>\nBem, acho que esse \u00e9 um exemplo perfeito do humor de Kurt (Wagner).\u00c9 parte de sua sensibilidade, seu racioc\u00ednio, e n\u00f3s gostamos disso. \u00c9 simplesmente o jeito que ele escreve.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48258 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/lambchop3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"738\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/lambchop3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/lambchop3-300x295.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>&#8220;Tools in The Dryer&#8221; &#8211; 2001 (Merge\/Trama) <\/strong><\/span><br \/>\n<strong><span style=\"color: #ff0000;\">&#8220;Is a Woman&#8221; &#8211; 2002 (Merge\/Trama)<\/span><br \/>\nResenhas por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tools in the Dryer&#8221; nada tem do oportunismo das colet\u00e2neas de sucesso. Meio que para apresentar o verdadeiro Lambchop ao mundo que os descobriu somente com o elogiad\u00edssimo &#8220;Nixon&#8221; (2000), Jonathan Marx compilou 16 faixas que mapeiam 13 anos de hist\u00f3ria. A viagem musical tem inicio no primeiro single, &#8220;Nine&#8221; de 1993, uma deliciosa rock song com guitarras sujas e tchu tchu tchu nos vocais empolgantes. Segue com a dobradinha &#8220;Whitey&#8221;\/&#8221;Cigaretiquette&#8221; de 1996. A primeira, com pedais de efeito distantes na mixagem criando clima, vocal declamado e clima de boteco. J\u00e1 a segunda, clim\u00e1tica a l\u00e1 big band, com guitarra a frente em batida ska numa letra que n\u00e3o lamenta quando diz: &#8220;Estou fumando, estou fumando de novo&#8221;. Em &#8220;Each With A Bag of Fries&#8221;, de 1992, a grava\u00e7\u00e3o tosca registrada em seu quarto d\u00e1 um charme todo especial para a can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o quesito \u00e9 tosquice, &#8220;All Over The World&#8221;(1987) ganha disparado. O vocal anasala no microfone e quase encobre os instrumentos. Flautas e clarinetas brincam numa farra leve e divertida. &#8220;Style Monkeys&#8221;, tosquice da mesma se\u00e7\u00e3o Marc Trovillions bedroom 1987, lembra muito REM. A crueza das duas grava\u00e7\u00f5es encanta. Contudo, viajamos at\u00e9 1999, &#8220;Up With Love&#8221;, primeiro single de &#8220;Nixon&#8221;, soul\/jazz de primeira numa vers\u00e3o remixada arrepiante. A mais recente can\u00e7\u00e3o da compila\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;Love TKO&#8221;, registrada ao vivo no ver\u00e3o londrino de 2000, inspiradora. Um crescendo que s\u00f3 faz imaginar como eles podem ser bons ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encarte aponta &#8220;Tools In The Dryer&#8221; com um \u00e1lbum de &#8220;A-sides, B-sides, live tracks, and remixes&#8221;, mas ele funciona mesmo como um \u00e1lbumd e fotografias, belas fotografias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viramos uma p\u00e1gina do \u00e1lbum e chegamos a &#8220;Is A Woman&#8221;, o sucessor de &#8220;Nixon&#8221; e a resposta do Lambchop para aqueles que encaixavam a banda na se\u00e7\u00e3o &#8220;alt-country&#8221; da m\u00fasica atual. &#8220;Is A Woman&#8221; chuta para longe o termo reducionista, centrando inspira\u00e7\u00e3o em baladas lentas, quase jazz, quase lounge, quase soturnas, tra\u00e7ando um paralelo com Tom Waits, Leonard Cohen e Tindersticks.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A musicalidade do \u00e1lbum \u00e9 toda amparada em pianos, viol\u00f5es e uma percuss\u00e3o quase aud\u00edvel. A frente, a voz de Wagner em falsetes desfilando letras de solid\u00e3o, abandono e morto. A quietude do \u00e1lbum parece querer destacar os temas sombrios que permeiam o mundo estranho de Kurt.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;The Daily Growl&#8221; abre o disco num quase sil\u00eancio at\u00e9 a voz de Kurt declamar &#8220;Thought I felt a chill \/ Thought an underrated skill \/ A Hazard to the emotionally challenged \/ Fibres from a rope \/ In the roughness of your hands you cope&#8221;. Mais a frente, a letra ainda diz: &#8220;Down the street you go \/ Rumors of a one man show \/ How silly we can about the future&#8221;. Seis longos e belos minutos de m\u00fasica. &#8220;Caterpillar&#8221;, a m\u00fasica que mais se destaca em &#8220;Is a Woman&#8221; s\u00e3o 6m19s de estranhezas e belezas. &#8220;I have shat upon the hillside \/ neck deep in cushion clover \/ up where I&#8217;m sure you&#8217;ve braided those necklaces and bracelets,&#8221; canta\/declama Kurt sobre quase base nenhuma. A letra prossegue: &#8220;but you have lost your socks and panties \/ out by the caterpillar \/ that grades the road I walk on \/ while I&#8217;m dreading English.&#8221; O clima cresce, contagia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, diferente de &#8220;Nixon&#8221; e &#8220;Tools in The Dryer&#8221;, &#8220;Is a Woman&#8221; \u00e9 um \u00e1lbum para ser escutado em sil\u00eancio, na solid\u00e3o, naquela hora em que os gar\u00e7ons est\u00e3o subindo as cadeiras sobre as mesas, fechando o bar e voc\u00ea n\u00e3o sabe se quer voltar para casa ou procurar outro bar aberto. Um \u00e1lbum para ser degustado, n\u00e3o ouvido, no momento certo. Esse \u00e9 o mundo estranho de Kurt Wagner, meus amigos. Cuidado ao entrar nele. \u00c9 dif\u00edcil, por vezes dolorido, por\u00e9m, como disse Jonathan, &#8220;\u00e9 simplesmente o jeito que ele escreve&#8221;. E \u00e9 belo e emocionado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48257\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/lambchop2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/lambchop2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/lambchop2-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/lambchop2-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Lambchop \u00e9 uma super banda. Dois bateristas, v\u00e1rios baixistas, uma se\u00e7\u00e3o de metais e alguns faz-se-tudo formam est\u00e1 que \u00e9 reconhecida como uma das forma\u00e7\u00f5es mais originais, emocionais e brilhantes dos \u00faltimos tempos.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/08\/12\/entrevista-lambchop\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":48256,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3110],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48255"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48255"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48255\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48260,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48255\/revisions\/48260"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}