{"id":48241,"date":"2018-07-24T16:43:09","date_gmt":"2018-07-24T19:43:09","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=48241"},"modified":"2018-09-05T20:40:52","modified_gmt":"2018-09-05T23:40:52","slug":"balanco-festival-paraiso-do-rock-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/24\/balanco-festival-paraiso-do-rock-2018\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o: Festival Para\u00edso do Rock 2018"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">11 edi\u00e7\u00f5es. Se o feito j\u00e1 \u00e9 not\u00e1vel para qualquer festival, o que dizer de um que ocorre em uma cidade de cerca de 13 mil habitantes que, apesar do elevado IDH, est\u00e1 restrita a um quase monop\u00f3lio de consumo de cultura de massa. Esse \u00e9 o Para\u00edso do Rock, que desde 2008 acontece no m\u00eas de julho em Para\u00edso do Norte, munic\u00edpio paranaense a cerca de 100 km de Maring\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando era mais novo, ouvia Black Sabbath, Led Zeppelin, essas coisas todas. Mas j\u00e1 faz muito tempo que gosto mesmo \u00e9 de ouvir o que se faz aqui em nossa regi\u00e3o\u201d, conta Beto Vizzotto, organizador do festival. Por \u201cnossa regi\u00e3o\u201d, entenda-se n\u00e3o s\u00f3 o Brasil, mas toda a Am\u00e9rica Latina. Esse apre\u00e7o faz com que pesquisa e gosto pessoal se unam para criar uma mistura que, \u00e9 de se supor, n\u00e3o funcionaria em todos os lugares. Mas ali, entre erros e acertos, a equa\u00e7\u00e3o costuma chegar a um resultado bastante apreci\u00e1vel, atraindo um p\u00fablico vari\u00e1vel, mas nunca irris\u00f3rio, a cada edi\u00e7\u00e3o. Nessa edi\u00e7\u00e3o, o n\u00famero oficial foi o de 910 espectadores.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48242\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cigarras.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cigarras.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Cigarras-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jornada de 2018 come\u00e7ou na sexta-feira 13, e qualquer piadinha com a fama lazarenta da data ficaria invi\u00e1vel j\u00e1 a partir do primeiro show. As Cigarras, de Curitiba, quebram de cara o estere\u00f3tipo machista e burrinho de \u201cbanda de minas\u201d. \u00c9 uma banda e pronto \u2013 com influ\u00eancia, sim, das riot grrrls norte-americanas dos anos 90, mas tamb\u00e9m de bubblegum, p\u00f3s-punk, Cramps e brega brasileiro. O come\u00e7o aos trope\u00e7os, por conta de um problema na bateria, n\u00e3o tirou o foco nem o \u00e2nimo das mo\u00e7as, que justificaram seu r\u00f3tulo auto imposto de \u201crock de rua\u201d &#8211; \u00e9 um rock safado (no bom sentido) e vagabundo (idem), que consegue escapar do banal mesmo sem se propor inovador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que falta \u00e0 banda em t\u00e9cnica \u00e9 compensado com cara-de-pau e entrega \u2013 ainda que a pegada firme da baterista Babi Age mere\u00e7a destaque. Can\u00e7\u00f5es como \u201cGato Vagal\u201d e \u201cFritando na Trajano\u201d brilham como trasheiras sujas e redondinhas que s\u00e3o, e o repert\u00f3rio todo tem ares de festa punk, terminando com uma desencanada vers\u00e3o de \u201cT\u00f4 de Saco Cheio\u201d, dos Garotos da Rua. Antes de deixar o palco, a baixista Rubia Oliveira avisa ao microfone: \u201cQuem quiser falar com a gente, procura no Tinder que a gente t\u00e1 l\u00e1\u201d. Russ Meyer aprovaria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48245\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/JonnataDoll.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/JonnataDoll.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/JonnataDoll-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jonnata Doll &amp; Os Garotos Solventes, cearenses radicados em S\u00e3o Paulo, vieram a seguir. Quem j\u00e1 os viu em um palco sabe que \u00e9 preciso ser muito chato para n\u00e3o apreciar seu show, j\u00e1 que a combina\u00e7\u00e3o de androginia, glam rock, letras \u00e1cidas, pop oitentista e provoca\u00e7\u00f5es punk vem embalada em um instrumental encorpado e cheio de riffs. O guitarrista Leo Breedlove comanda com categoria a banda (que contou com o pernambucano Juvenil Silva como convidado especial), mas o foco \u00e9 inegavelmente Jonnata Doll.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mistura de Buster Poindexter (New York Dolls) com Charly Garcia (e um qu\u00ea de Coalhada, o personagem de Chico Anysio), Jonnata, o vocalista, usa sua figura ex\u00f3tica a favor da performance, que seduz ao mesmo tempo que causa estranheza. Passando por temas como pedofilia, coca\u00edna e abandono, suas letras s\u00e3o espertas o suficiente para escaparem da tenta\u00e7\u00e3o do choque f\u00e1cil. \u201cRua de Tr\u00e1s\u201d, \u201cEsqueleto\u201d, \u201cSwing de Fogo\u201d e \u201cT\u00e1xi\u201d se sobressa\u00edram num show pesado e pervertido. OK, n\u00e3o t\u00e3o pervertido: a organiza\u00e7\u00e3o recomendara a Doll que evitasse \u201cexcessos\u201d como os que costuma cometer ao se apresentar em locais menores, como ficar nu ou simular enforcamento. A restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o acanhou o mo\u00e7o, que mesmo contido conseguiu deixar muita mocinha bem-arrumada e \u201cde fam\u00edlia\u201d com olhos arregalados \u2013 para n\u00e3o falar da turma da \u201cclassic-rock-jaqueta-de-couro\u201d, que ficou tentando entender como aquilo tudo se encaixava na sua defini\u00e7\u00e3o jur\u00e1ssica de rock.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48248\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Siba.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Siba.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Siba-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, choque mesmo viria com Siba Veloso. Ter o pernambucano em seu palco era um sonho antigo da organiza\u00e7\u00e3o, ao qual ele e sua \u00f3tima banda se esfor\u00e7aram para corresponder. Sua reinven\u00e7\u00e3o da m\u00fasica tradicional pernambucana, com arranjos roqueiros e ritmos \u201cquebrados\u201d, causou estranheza em boa parte do p\u00fablico, que n\u00e3o tinha qualquer refer\u00eancia daquela sonoridade. Macaco velho, Siba soube reverter a situa\u00e7\u00e3o rapidamente, e antes da metade do show j\u00e1 tinha portenho se arriscando no xaxado e polaco puxando trenzinho, em um verdadeiro Carnaval fora de \u00e9poca. Para o encerramento, improvisou repentes sobre o festival e, com a adi\u00e7\u00e3o o saxofonista Mauricio Habib, da banda argentina El Zombie, puxou um frevo que arrancou at\u00e9 os mais let\u00e1rgicos da apatia. \u201cParece que a gente est\u00e1 rumando para um futuro cada vez mais violento\u201d, disse Siba, minutos antes de descer do palco. \u201cPor isso, a gente tem que celebrar os momentos em que estamos assim, todos juntos e compartilhando uma alegria de viver. Isso \u00e9 at\u00e9 um ato pol\u00edtico, mesmo sem falar de pol\u00edtica\u201d. Isso a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cbuena onda\u201d j\u00e1 havia atingido n\u00edveis altos, a madrugada avan\u00e7ava, e o corpo pedia prud\u00eancia para aguentar o dia seguinte, de modo que muitos dispensaram ficar para ver e ouvir os headbangers do Retalia\u00e7\u00e3o, de Paranava\u00ed. Seu cruzamento de metal e hardcore novaiorquino \u00e9 imaturo, para dizer o m\u00ednimo: o quinteto tocou diversos covers, trope\u00e7ando na execu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios deles. Como resultado, tocaram para poucos, sem empolgar nem com o repert\u00f3rio pr\u00f3prio nem com as vers\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48247\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Retaliacao.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Retaliacao.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Retaliacao-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A noite de s\u00e1bado trazia um pouco mais de p\u00fablico, consequ\u00eancia de um dia de clima agrad\u00e1vel e da presen\u00e7a do Ultramen no lineup. Abrindo os trabalhos, a maringaense Stolen Byrds n\u00e3o negou peso em seus riffs inspirados pela ressaca p\u00f3s-grunge dos anos 90: Helmet, Rollins Band, 311\u2026 voc\u00ea conhece o esquema (ou n\u00e3o?). Tampouco negou alto-astral (o vocalista Edwardes Neto n\u00e3o parava de sorrir), e mostravam confian\u00e7a em seu pr\u00f3prio taco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada disso, por\u00e9m, foi suficiente para justificar o hype que se formou localmente ao redor deles \u2013 o site A Escotilha chegou a cham\u00e1-los de Melhor Banda de Rock do Paran\u00e1. Menos, menos: s\u00e3o \u00f3timos m\u00fasicos, mas as can\u00e7\u00f5es de estruturas repetitivas (e repetidas, j\u00e1 que mimetizam harmonias e arranjos muito comuns na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo passado), as letras em ingl\u00eas, os vocais dram\u00e1ticos e o teclad\u00e3o proeminente logo come\u00e7am a cansar o ouvinte. Tivessem tocado por 20 minutos \u2013 ou fossem melhor orientados na constru\u00e7\u00e3o de seus temas \u2013, a sensa\u00e7\u00e3o final teria deixado uma mem\u00f3ria mais instigante. Mas ficaram no palco pelo dobro dessa dura\u00e7\u00e3o, dividindo a plateia \u2013 enquanto alguns aplaudiam efusivamente, outros se dirigiam ao bar e por l\u00e1 ficavam (e um espectador mais angustiado repetia \u201ctortura, tortura\u201d\u2026 mas tamb\u00e9m n\u00e3o era para tanto).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48243\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ElZombie.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1079\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ElZombie.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ElZombie-209x300.jpg 209w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o sexteto argentino El Zombie veio sem hype algum e garantiu seu espa\u00e7o entre os melhores do festival com sua mistura de ska, swing, rockabilly e reggae. Para\u00edso do Norte foi a primeira das seis datas de sua turn\u00ea brasileira, e o apetite pela estreia em terra brasilis era evidente. A vocalista Agus Palpebra exibia uma especial combina\u00e7\u00e3o de predicados: n\u00e3o bastasse seu canto potente, treinado em conservat\u00f3rio, dan\u00e7ou e interagiu com o p\u00fablico durante todo o show, e sua figura \u2013 ruiva, esguia e trajada em uma matadora combina\u00e7\u00e3o de vestidinho de ver\u00e3o e meias tr\u00eas quartos \u2013 hipnotizou boa parte da plateia. Mas ningu\u00e9m estava mais \u00e0 vontade que o guitarrista (e tamb\u00e9m vocalista e principal compositor) Guillermo Vega. Ele arriscou mensagens em portugu\u00eas, saltou pelo palco e ainda desceu em meio \u00e0 plateia para tocar sua guitarra. O p\u00fablico foi se aproximando do palco, e no final do show, essa proximidade criou condi\u00e7\u00f5es para que a \u00e1rea virasse uma verdadeira pista de dan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veio ent\u00e3o a Ultramen. \u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o pensar neles como uma banda ga\u00facha que deseja ser carioca \u2013 bem dizia Luis Fernando Ver\u00edssimo, pela boca do Analista de Bag\u00e9, que o Rio de Janeiro \u00e9 onde o ga\u00facho mais se sente em casa. Brincadeiras \u00e0 parte, s\u00f3 a surdez impede compara\u00e7\u00f5es da banda com O Rappa \u2013 com a diferen\u00e7a que Tonho Crocco sabe usar a voz ao vivo, e Falc\u00e3o j\u00e1 esqueceu de como faz\u00ea-lo h\u00e1 muito, muito tempo. Acredito que vou morrer sem entender o encanto que a banda exerce no Sul do pa\u00eds \u2013 na pr\u00e1tica, eles eram a atra\u00e7\u00e3o principal da noite, ainda que n\u00e3o estivessem como headliners (o Forgotten Boys viria em seguida).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sexteto se recusa a apenas cumprir tabela e ficar no feij\u00e3o com arroz populista. Apesar de alguns corinhos clich\u00eas, d\u00e1 para ver que tocam com vontade, e que fazem tudo que est\u00e1 ao seu alcance para que sua mistura de samba rock, hip hop e heavy rock d\u00ea liga. Para os convertidos, rendeu bem mais que isso: foi o show mais cat\u00e1rtico em termos de resposta do p\u00fablico, com pogo, muita gente cantando junto, Tonho Crocco (surpreendentemente mais magro e rejuvenescido) cantando e saltando entre os f\u00e3s. Mas para quem n\u00e3o era adepto, n\u00e3o foi ali que a convers\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48244\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ForgottenBoys.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ForgottenBoys.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ForgottenBoys-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podia ter acabado a\u00ed, mas tinha os Forgotten Boys, essa banda especializada em oferecer mais do mesmo. Eles t\u00eam aquela pose de \u201croqueiros de verdade\u201d que fica bem em comercial de ve\u00edculo off-road, e o som segue na mesma linha. Digamos que eles est\u00e3o para o rock como a s\u00e9rie Sons of Anarchy est\u00e1 para o universo dos motoclubes: tem a apar\u00eancia certa e algumas coisas a ver, mas \u00e9 s\u00f3 uma fantasia povoada de clich\u00eas que n\u00e3o resiste a uma examinada mais cuidadosa. \u00c9 rock farofa travestido de rock de garagem, com direito a uma cover \u201cvisceral\u201d (tosse, tosse) de \u201cKick Out the Jams\u201d para fechar o show. Como uma boa farofa, desce. S\u00f3 n\u00e3o d\u00e1 para esperar muito mais que isso. E o bar ainda estava aberto, tinha cinco cervejas da local Arauc\u00e1ria a pre\u00e7o justo, ent\u00e3o passou r\u00e1pido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale mencionar que, como em todos os anos, h\u00e1 um \u201cpr\u00e9-Para\u00edso do Rock\u201d uma semana antes. Trata-se de shows menores em Maring\u00e1 a cargo de bandas que n\u00e3o entram no lineup \u201coficial\u201d do festival. Em 2018, esses shows ficaram a cargo dos maringaenses Fernando Duran e Brian Olivion &amp; Seus Raios Cat\u00f3dicos, al\u00e9m dos veteranos Pelebr\u00f3i N\u00e3o Sei?, de Curitiba. Na quinta-feira seguinte, um evento na Casa de Cultura de Para\u00edso do Norte abria oficialmente o festival \u2013 neste ano, foi um debate sobre Circula\u00e7\u00e3o e Cena Autoral na Am\u00e9rica Latina do qual participaram Beto Vizzotto, Rog\u00e9rio BigBross (veterano de muitos festivais na Bahia e propriet\u00e1rio do selo BigBross Records), Jotab\u00ea Medeiros (escritor e jornalista de cultura da revista Carta Capital), Guillermo Vaga (guitarrista da banda argentina El Zombie) e este que vos escreve. Houve, ainda, uma breve apresenta\u00e7\u00e3o de Juvenil Silva tocando can\u00e7\u00f5es de Belchior ao viol\u00e3o, para acompanhar a sess\u00e3o de aut\u00f3grafos do referido Jotab\u00ea, autor da biografia \u201cApenas um Rapaz Latino-Americano\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Scream &amp; Yell cobriu as edi\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/15\/balanco-festival-paraiso-do-rock-2015\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2015<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/30\/balanco-festival-paraiso-do-rock-2016\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2016<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/19\/balanco-festival-paraiso-do-rock-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2017<\/a> do festival. As visitas repetidas permitem constatar a matura\u00e7\u00e3o lenta, mas constante, da organiza\u00e7\u00e3o e curadoria a cargo de Beto Vizzotto, tarefas que desempenha com o aux\u00edlio de C\u00edntia e Arthur Vizzotto, respectivamente esposa e sobrinho. A paix\u00e3o empregada no festival colhe seus frutos, e em medida menor, semeia seus erros. Na edi\u00e7\u00e3o deste ano, o festival manteve sua curadoria plural e a proposta de integra\u00e7\u00e3o latino-americana. Mesmo que Stolen Byrds e Forgotten Boys (curiosamente, as duas bandas que cantam em ingl\u00eas) tivessem deixado a desejar para alguns, sua presen\u00e7a foi coerente com a proposta do festival. Siba e El Zombie, por sua vez, comprovaram que propostas mais dan\u00e7antes sempre ganham a ades\u00e3o do p\u00fablico \u2013 como foi o caso de Seu Pereira e Coletivo 401 e de Maciel Sal\u00fa em edi\u00e7\u00f5es anteriores. J\u00e1 o metal, apesar de estar contemplado na escala\u00e7\u00e3o a partir de 2017, parece n\u00e3o emplacar: Retalia\u00e7\u00e3o (2018) e Corpsia (2017) mais afastaram que atra\u00edram a audi\u00eancia. O Retalia\u00e7\u00e3o, em especial, mostrou um amadorismo indigno de um festival com essa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, o Para\u00edso do Rock ainda \u00e9 simultaneamente um mist\u00e9rio e um refresco na cada vez maior lista de festivais de m\u00e9dio porte do Brasil. Afinal, \u00e9 raro que um festival chegue a 11 anos mantendo certa dose de \u201cinoc\u00eancia\u201d, sem se contaminar pelo esp\u00edrito corporativo que transformou outros festivais em desfile publicit\u00e1rio. Al\u00e9m disso, \u00e9 um festival focado na m\u00fasica, n\u00e3o na \u201cexperi\u00eancia\u201d \u2013 essa fal\u00e1cia marqueteira que vem transformando a m\u00fasica em acess\u00f3rio em ambientes onde ela deveria ser protagonista. Como se escreveu aqui desde a primeira cobertura do festival: vida longa ao Para\u00edso do Rock!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48246\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/paraiso.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/paraiso.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/paraiso-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Top 3 \u2013 Melhores Shows<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Vinhas (Scream &amp; Yell \/ <a href=\"https:\/\/www.zonadeobras.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona de Obras<\/a>)<\/strong><br \/>\n1 &#8211; El Zombie<br \/>\n2 &#8211; Jonnata Doll e Os Garotos Solventes<br \/>\n3 \u2013 Siba<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jotab\u00ea Medeiros (<a href=\"http:\/\/medeirosjotabe.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escritor<\/a> \/ <a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carta Capital<\/a>)<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Jonnata Doll e Os Garotos Solventes<br \/>\n2 \u2013 Siba<br \/>\n3 \u2013 Forgotten Boys<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rog\u00e9rio BigBross (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/bigbross.bigs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BigBross Records<\/a>)<\/strong><br \/>\n1 \u2013 Cigarras<br \/>\n2 &#8211; Jonnata Doll e Os Garotos Solventes<br \/>\n3 \u2013 Stolen Byrds<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andye Iore (<a href=\"http:\/\/zombilly.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zombilly<\/a>)<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Jonnata Doll e Os Garotos Solventes<br \/>\n2 &#8211; El Zombie<br \/>\n3 &#8211; Cigarras<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcelo Domingues (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/DemoSul\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festival Demosul<\/a>)<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Cigarras<br \/>\n2 &#8211; Siba<br \/>\n3 &#8211; El Zombie<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rafael Pinto Donadio (<a href=\"http:\/\/maringa.odiario.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Di\u00e1rio do Norte do Paran\u00e1<\/a>)<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Siba<br \/>\n2 \u2013 Jonnata Doll e Os Garotos Solventes<br \/>\n3 \u2013 Forgotten Boys<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48251\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/jonnata1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/jonnata1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/jonnata1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. Fotos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/andyeiore\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Andye Iore<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"11 edi\u00e7\u00f5es. Se o feito j\u00e1 \u00e9 not\u00e1vel para qualquer festival, o que dizer de um que ocorre em uma cidade de cerca de 13 mil habitantes que, apesar do elevado IDH, est\u00e1 restrita a um quase monop\u00f3lio de consumo de cultura de massa.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/24\/balanco-festival-paraiso-do-rock-2018\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":48250,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[945],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48241"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48241"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48241\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48254,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48241\/revisions\/48254"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}