{"id":48233,"date":"2006-01-16T15:59:37","date_gmt":"2006-01-16T17:59:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=48233"},"modified":"2018-07-23T16:08:08","modified_gmt":"2018-07-23T19:08:08","slug":"musica-whatever-people-say-i-am-thats-what-im-not-arctic-monkeys","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/01\/16\/musica-whatever-people-say-i-am-thats-what-im-not-arctic-monkeys\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;Whatever People Say I Am, That&#8217;s What I&#8217;m Not&#8221;, Arctic Monkeys"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0Juliana Zambelo<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;Alex Turner \u00e9 o verdadeiro poeta-cronista do nosso tempo,<\/strong><br \/>\n<strong>um Paul Weller ou Morrissey ou Jarvis Cocker da gera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-dance-music, p\u00f3s-Blair&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uau. Melhor explicar: Alex Turner \u00e9 membro do Arctic Monkeys. Essas palavras s\u00e3o do s\u00e9rio e quase sempre pouco impression\u00e1vel jornal Guardian. Alex tem apenas 19 anos. E nada disso faz muito sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mais nova sensa\u00e7\u00e3o do rock brit\u00e2nico, o maior fen\u00f4meno da Internet, \u00e9 tudo grande demais para o Arctic Monkeys, quarteto de Sheffield que de agosto para c\u00e1 se tornou um acontecimento na Gr\u00e3-Bretanha. Mais um. A sua bandeira \u00e9 ter sido o primeiro grupo a construir uma base bastante numerosa de f\u00e3s gra\u00e7as ao boca a boca virtual, atrav\u00e9s de f\u00f3runs de discuss\u00e3o e programas de troca de m\u00fasica, sem execu\u00e7\u00e3o em r\u00e1dio ou contrato com gravadora. Mas se na Inglaterra isso \u00e9 uma novidade digna de aplausos, no Brasil, onde esse \u00e9 praticamente o \u00fanico modo pelo qual o rock n\u00e3o bo\u00e7al (e um pouco do bo\u00e7al tamb\u00e9m) tem circulado h\u00e1 anos, a &#8220;proeza&#8221; nem foi notada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grupo \u00e9 formado por Alex, Jamie Cook, Andy Nicholson e Matt Helders, todos com no m\u00e1ximo 20 anos de idade. Tem pouqu\u00edssimos shows no curr\u00edculo, apesar de a banda j\u00e1 ter cerca de tr\u00eas anos de estrada (se voc\u00ea considerar a fase de grupo formado no col\u00e9gio por meninos de 16 anos como &#8220;estrada&#8221;). O primeiro disco, que ser\u00e1 lan\u00e7ado no final do m\u00eas e j\u00e1 est\u00e1 na Internet h\u00e1 semanas, traz logo no t\u00edtulo uma pista de quanto o sucesso nesses n\u00edveis pode mexer com a cabe\u00e7a de rapazes t\u00e3o jovens: &#8220;Whatever People Say I Am, That&#8217;s What I&#8217;m Not&#8221;. Quest\u00f5es de identidade, soberba camuflando inseguran\u00e7a, rebeldia adolescente sem causa, tudo apenas no nome. Mas como sempre acontece em casos como esse, dentro do rock t\u00e3o cheio de clich\u00eas, o que falta em maturidade &#8211; e falta muito &#8211; , sobra em vigor e entusiasmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Arctic Monkeys \u00e9 mais um desdobramento do punk rock, cria direta do Libertines. Faz can\u00e7\u00f5es de dois minutos e pouco, diretas, no v\u00e1cuo que Pete e Carl deixaram depois do segundo disco, colocando em algumas faixas um tantinho da verve quebrada e dan\u00e7ante que est\u00e1 em voga hoje em dia. E \u00e9 a isso que deve ser comparado. Esque\u00e7a Jarvis Cocker e Morrissey, as diferen\u00e7as s\u00e3o tantas que \u00e9 melhor nem come\u00e7ar. E principalmente esque\u00e7a Paul Weller. Ele tinha a mesma idade desses meninos quando o \u00e1lbum de estr\u00e9ia do Jam foi lan\u00e7ado, mas as semelhan\u00e7as acabam a\u00ed. Turner precisa comer muito arroz com feij\u00e3o para chegar \u00e0 vis\u00e3o cr\u00edtica, o inconformismo sincero e o idealismo de &#8220;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/5Mq5p94xQFYEnRetWkCP7l\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">In The City<\/a>&#8221; (1977). No entanto, Alex \u00e9 observador e tem algumas boas sacadas quando observa a sua gera\u00e7\u00e3o viciada em clubes noturnos, muitas vezes perdida entre a necessidade do approach certeiro e a falta do que dizer, dependente de encontros e conquistas comandadas por DJs e luzes piscantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos pouco mais de quarenta minutos do disco, os primeiros s\u00e3o certamente os melhores &#8211; ou eles te pegam pelo colarinho e balan\u00e7am at\u00e9 voc\u00ea seguir pulando sozinho ou podem deix\u00e1-lo de lado para ouvir outra coisa. A abertura &#8220;The View From the Afternoon&#8221; \u00e9 daquelas m\u00fasicas nas quais cada estrofe parece um refr\u00e3o, tal \u00e9 sua for\u00e7a, e vem seguida do hit do grupo, &#8220;I Bet You Look Good on the Dancefloor&#8221;. Pule para a faixa quatro, &#8220;Dancing Shoes&#8221;, e qualquer metro quadrado vira uma pista de dan\u00e7a em potencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum \u00e9 cheio de refer\u00eancias espertinhas a m\u00fasica pop, como Police (&#8220;And he told Roxanne to put on her red light&#8221;) e Duran Duran (&#8220;Your name isn&#8217;t Rio, but I don&#8217;t care for sand&#8221;). Traz boas baladas, como &#8220;Riot Van&#8221; e &#8220;Mardy Bum&#8221;, e enfraquece no final em uma seq\u00fc\u00eancia de duas ou tr\u00eas m\u00fasicas dispens\u00e1veis. &#8220;Whatever People Say I Am&#8230;&#8221; dever\u00e1 ganhar edi\u00e7\u00e3o nacional pela Slag at\u00e9 abril, mas j\u00e1 est\u00e1 inteiro na Internet, e \u00e9 o primeiro disco relevante do ano. At\u00e9 dezembro ser\u00e3o tantos os hypes que talvez poucos ainda se lembrem do Arctic Monkeys na hora de montar a lista de favoritos de 2006 e &#8220;I Bet You Look Good on the Dancefloor&#8221; seja s\u00f3 mais uma m\u00fasica que as pessoas n\u00e3o tenham mais vontade de dan\u00e7ar. O tempo \u00e9 impiedoso, mas eles n\u00e3o est\u00e3o preocupados. Afinal tempo \u00e9 um assunto sobre o qual esses meninos ainda n\u00e3o sabem absolutamente nada.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pK7egZaT3hs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Alex Turner \u00e9 o verdadeiro poeta-cronista do nosso tempo, um Paul Weller ou Morrissey ou Jarvis Cocker da gera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-dance-music, p\u00f3s-Blair&#8221;.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/01\/16\/musica-whatever-people-say-i-am-thats-what-im-not-arctic-monkeys\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":48234,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[176],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48233"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48233"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48233\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48235,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48233\/revisions\/48235"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48234"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}