{"id":48210,"date":"2018-07-19T17:24:35","date_gmt":"2018-07-19T20:24:35","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=48210"},"modified":"2018-10-25T14:34:42","modified_gmt":"2018-10-25T17:34:42","slug":"entrevista-andre-travassos-moons","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/19\/entrevista-andre-travassos-moons\/","title":{"rendered":"Entrevista: Andr\u00e9 Travassos, Moons"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/trsobrinho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thiago Sobrinho<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Travassos \u00e9 o Moons e vice-versa. Quer dizer&#8230; N\u00e3o mais. Em &#8220;<a href=\"https:\/\/listentomoons.bandcamp.com\/album\/thinking-out-loud\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thinking Out Loud<\/a>&#8220;, segundo trabalho da banda formada pelo m\u00fasico mineiro ex-C\u00e2mera e um dos principais nomes da atual cena alternativa de Belo Horizonte, novas pe\u00e7as foram se encaixando ao que era uma <em>onemanband<\/em>, ou o &#8220;trabalho de um homem s\u00f3&#8221; \u2013 e que pode ser flagrado em &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/15\/faixa-a-faixa-songs-of-wood-fire-m-o-o-n-s\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Songs of Wood &amp; Fire<\/a>&#8220;, o disco de estreia lan\u00e7ado em 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Aconteceu ao longo de 2017 e teve algumas fases. N\u00f3s fizemos shows em v\u00e1rios formatos at\u00e9 chegar nessa forma\u00e7\u00e3o atual de seis integrantes&#8221;, explica Andr\u00e9 sobre o movimento que fez o Moons tornar-se a banda que acaba de lan\u00e7ar &#8220;Thinking Out Loud&#8221; pela Balaclava Records, um disco bonito com ecos de Nick Drake, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/bob-dylan-com-cafe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bob Dylan<\/a> e, numa referencia mais atual entre outros \u00edcones da folk music, os caras do Fleet Foxes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na composi\u00e7\u00e3o do novo trabalho (e o encarte \u00e9 bastante explicito quanto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o mutante da banda: \u201cOn this recording Moons were&#8230;\u201d), Andr\u00e9 Travassos contou com Bernardo Bauer (voz e baixo), Digo Leite (voz, gaita, banjo e viol\u00e3o), Felipe D&#8217;Angelo (voz, teclado, piano e guitarra), <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/13\/entrevista-jennifer-souza-em-lisboa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jennifer Souza<\/a> (voz e guitarra), Tiago Eiras (bateria e percuss\u00e3o) e Victor Magalh\u00e3es (teclado, piano e synths) al\u00e9m de Guri Assis, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/02\/download-o-novo-disco-de-leonardo-marques\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Marques<\/a> (que divide a produ\u00e7\u00e3o), Rodrigo Garcia, Rodrigo Viana e Thiakov.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo aconteceu em um s\u00edtio em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte. &#8220;Foram dias de muita m\u00fasica! Quando n\u00e3o est\u00e1vamos improvisando ou trabalhando nas m\u00fasicas na sala que virou nosso est\u00fadio, est\u00e1vamos cozinhando na beira do fog\u00e3o a lenha ouvindo m\u00fasica ou tocando viol\u00e3o&#8221;, relembra Travassos. &#8220;Todo esse ambiente reflete diretamente nas m\u00fasicas&#8221;, garante o m\u00fasico, que conversou com o Scream &amp; Yell. Confira o bate papo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HQl94ToGFp0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quase dois anos ap\u00f3s lan\u00e7ar &#8220;Songs of Wood &amp; Fire&#8221;, o Moons est\u00e1 de trampo novo: &#8220;Thinking Out Loud&#8221;. Mas, desta vez, enquanto uma banda e n\u00e3o um projeto solo. Qual foi desse salto de passar de ser apenas voc\u00ea para seis integrantes?<\/strong><br \/>\nFoi um processo muito natural como tudo que rolou no Moons at\u00e9 ent\u00e3o. A princ\u00edpio, a minha ideia era apenas de gravar um disco e registrar algumas composi\u00e7\u00f5es que eu tinha em um formato mais org\u00e2nico e minimalista do que fizemos durante seis anos no C\u00e2mera. Mas ai veio o convite pra fazer um show de lan\u00e7amento e me empolguei, reuni alguns amigos para me acompanharem e essa turma acabou virando a banda que gravou o \u201cThinking Out Loud\u201d, que \u00e9 resultado da consolida\u00e7\u00e3o desse encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como rolou esse movimento? Foi de uma hora pra outra ou as pe\u00e7as foram se aconchegando pouco a pouco?<\/strong><br \/>\nEle aconteceu ao longo de 2017 e teve algumas fases. N\u00f3s fizemos shows em v\u00e1rios formatos at\u00e9 chegar nessa forma\u00e7\u00e3o atual de seis integrantes. E foi necess\u00e1rio trocar o tecladista e baterista, pois ambos foram moram em Porto. Mas a qu\u00edmica rolou muito f\u00e1cil, tanto musicalmente quanto pessoalmente. \u00c9 legal pensar que o Moons foi o catalisador do encontro dessas pessoas que at\u00e9 ent\u00e3o eram meros conhecidos. Desde ent\u00e3o muitos de n\u00f3s temos colaborado nos discos uns dos outros, como no pr\u00f3ximo disco do Bernardo Bauer, e no disco do Rodrigo Damati, ex-Maglore, que vem ai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso tudo aconteceu enquanto o disco era gestado ou as 10 faixas do \u00e1lbum s\u00e3o fruto de um trabalho coletivo?<\/strong><br \/>\nO disco foi todo composto em grupo, basicamente em duas imers\u00f5es que fizemos em um s\u00edtio nos arredores de BH. A primeira imers\u00e3o era na verdade para ensaiarmos para os shows do \u201cSongs of Wood &amp; Fire\u201d, mas muitas ideias surgiram e pensamos que valia a pena, num futuro, fazer uma segunda para termos mais material para um segundo disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inclusive, a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum foi feita num s\u00edtio em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Quanto tempo voc\u00eas ficaram por l\u00e1?<\/strong><br \/>\nIsso mesmo! Foram duas idas, uma em julho e outra em janeiro, onde ficamos o final de semana todo fazendo jams e lapidando as ideias que j\u00e1 t\u00ednhamos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como transcorreram os dias nesse s\u00edtio ao lado dos outros m\u00fasicos? Quais reflexos voc\u00ea acredita que esses momentos tiveram no trabalho?<\/strong><br \/>\nForam dias de muita m\u00fasica! Quando n\u00e3o est\u00e1vamos improvisando ou trabalhando nas m\u00fasicas na sala que virou nosso est\u00fadio, est\u00e1vamos cozinhando na beira do fog\u00e3o a lenha ouvindo m\u00fasica ou tocando viol\u00e3o. Tudo isso acompanhado de nossas namoradas\/esposas e cachorros em um clima muito fam\u00edlia. Todo esse ambiente reflete diretamente nas m\u00fasicas, \u00e9 muito diferente de compor um disco na cidade depois de pegar tr\u00e2nsito. Tudo tem sua beleza, mas essa leveza do clima do campo, da vida em comunidade refletiu de uma maneira muito bonita no resultado final. Cada vez que tocamos essas m\u00fasicas \u00e9 sempre muito nost\u00e1lgico lembrar de todos esses bons momentos que passamos l\u00e1 no s\u00edtio!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Embora agora o Moons seja uma banda, ele segue na premissa do primeiro disco de ter o viol\u00e3o como carro chefe das can\u00e7\u00f5es. Isso significa que, por ora, as distor\u00e7\u00f5es e efeitos de guitarra do C\u00e2mera, sua antiga banda, continuar\u00e3o escanteados do seu processo de composi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o existe uma regra, mas creio que sim. O viol\u00e3o \u00e9 o meu instrumento preferido e melhor amigo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/L7jDKfHQbOc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A faixa &#8220;Moons Reprise&#8221; conta com um di\u00e1logo do filme &#8220;Paris, Texas&#8221;, do diretor Wim Wenders. Antes de falar sobre essa cena, me diz a import\u00e2ncia desse filme para voc\u00ea e como foi que ele entrou na sua vida.<\/strong><br \/>\nEsse filme \u00e9 sublime. Ele fala nas entrelinhas o tempo todo. Pelo menos para mim, as principais mensagens do filme n\u00e3o est\u00e3o nos di\u00e1logos e no enredo em si, mas sim nas imagens, nos vazios e nos sil\u00eancios. O Matheus Fleming (guitarrista do C\u00e2mera) \u00e9 um grande f\u00e3 do Wim Wenders. No primeiro disco do C\u00e2mera j\u00e1 us\u00e1vamos um trecho de um filme dele como sampler nos shows. Ai um dia me deparei com esse filme e foi paix\u00e3o a primeira vista. Toda vez que assisto \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o diferente!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, a trilha sonora \u00e9 assinada pelo Ry Cooder. Ela continua sendo uma refer\u00eancia para as composi\u00e7\u00f5es do Moons?<\/strong><br \/>\nRy Cooder \u00e9 um monstro sagrado da m\u00fasica e vai ser sempre uma inspira\u00e7\u00e3o. Ele e o Angelo Badalamenti, por serem grandes compositores de trilhas sonoras, trabalham as m\u00fasicas de maneira muito imag\u00e9tica e \u00e9 isso que nos fascina!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E esse di\u00e1logo entre os personagens Jane e Travis? Qual o motivo de o incluir no \u00e1lbum como uma faixa e de que forma ele se conecta com a narrativa de &#8220;Thinking Out Loud&#8221;?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 uma cena emblem\u00e1tica do filme, quando a Jane finalmente coloca para fora todos os sentimentos que guardou ao longo dos anos que esteve longe do Travis. \u00c9 de uma sinceridade tocante. \u00c9 um desabafo que se assemelha com o ato de compor uma can\u00e7\u00e3o e colocar para fora sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es. Mas foi tamb\u00e9m uma forma de homenagear esse filme t\u00e3o fundamental da minha vida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora com o disco lan\u00e7ado, como tem sido tocar essas m\u00fasicas em cima do palco? Como essas novas faixas e as do primeiro \u00e1lbum est\u00e3o se comportando ao vivo? Elas t\u00eam tomado caminhos diferentes das vers\u00f5es que ouvimos em est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nA gente tem buscado trazer o clima do disco para cima do palco, pensando com muito cuidado na ordem das m\u00fasicas durante o show e at\u00e9 mesmo trazendo algumas m\u00fasicas do primeiro disco para essa linguagem mais et\u00e9rea do \u201cThinking Out Loud\u201d. Essas mudan\u00e7as foram muito naturais e necess\u00e1rias para trazer um dinamismo maior para o show! A gente toca o \u201cThinking Out Loud\u201d quase que na \u00edntegra. Nossos shows tem uma caracter\u00edstica bem intimista e contemplativa, assim como os discos. A gente se preocupa muito de levar todo esse clima para o palco, desde a intensidade da banda, da ilumina\u00e7\u00e3o, etc. S\u00e3o noites de muitos #moments!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/odxkx9iiTDs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Thiago Sobrinho (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/trsobrinho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.trsobrinho<\/a>) \u00e9 jornalista do A Tribuna em Vit\u00f3ria, Esp\u00edrito Santo. A foto que abre o texto \u00e9 de Yannick Falisse \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Andr\u00e9 Travassos \u00e9 o Moons e vice-versa. Quer dizer&#8230; N\u00e3o mais. 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