{"id":48168,"date":"2018-07-11T11:36:02","date_gmt":"2018-07-11T14:36:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=48168"},"modified":"2018-08-31T10:56:45","modified_gmt":"2018-08-31T13:56:45","slug":"entrevista-nitro-di-da-guedes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/11\/entrevista-nitro-di-da-guedes\/","title":{"rendered":"Entrevista: Nitro Di (Da Guedes)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando lan\u00e7ou o \u00e1lbum \u201cO Rap \u00c9 Compromisso\u201d, em 2000, o finado rapper Sabotage deu o recado: o estilo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 m\u00fasica, mas sim uma manifesta\u00e7\u00e3o na qual DJs e MCs podem projetar suas demandas \u2014 geralmente colocadas \u00e0 margem da sociedade \u2014 para al\u00e9m do gueto. Mas antes mesmo de o paulista assassinado em 2003 disponibilizar essa obra para o mundo j\u00e1 havia gente comprometida com o g\u00eanero. Em Porto Alegre, o Da Guedes serve de exemplo. O grupo criado em 1993, no bairro Partenon, sempre soube da for\u00e7a que as rimas e as batidas t\u00eam como forma de express\u00e3o. E \u00e9 por isso que eles continuam colocando em pr\u00e1tica o trecho prof\u00e9tico do hit \u201cN\u00e3o Para\u201d. Aquele que diz: \u201cDa Guedes t\u00e1 a\u00ed e n\u00e3o para n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCriamos um mercado que n\u00e3o existia\u201d, pontua Nitro Di na entrevista abaixo sobre o per\u00edodo que o grupo surgiu, nos anos 90. \u201cFaz\u00edamos com amor no gueto, mas foram algumas parcerias que possibilitaram essa maior proje\u00e7\u00e3o\u201d, conta. O conjunto, por\u00e9m, deu uma parada em 2009, mas retomou as atividades em 2012. Nitro Di, um dos MC\u2019s do trio \u2014 composto tamb\u00e9m por Baze e DJ Deelay \u2014, ainda levou a milit\u00e2ncia em prol do rap at\u00e9 as ondas do dial. Ele assumiu um programa dedicado ao hip hop, o Mix Tape, na rede Atl\u00e2ntida (emissora de maior audi\u00eancia no sul do pa\u00eds). Para completar, o cara tamb\u00e9m est\u00e1 como respons\u00e1vel pela agenda de rap no <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/subclubcultural\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sub Club Cultural<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tr\u00eas MC\u2019s n\u00e3o se apresentam regularmente juntos ao vivo. Por quest\u00f5es de compromissos pessoais e agenda, Baze marca presen\u00e7a apenas em alguns shows, em que o trio se apresenta como Da Guedes. Quando est\u00e3o apenas Nitro Di e DJ Deelay, o nome Fam\u00edlia Da Guedes entra em cena: \u201cCriamos esse projeto paralelo com o objetivo de manter o nome do grupo ativo e reunimos convidados em cada apresenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 gente da nova e da velha escola\u201d, conta Nitro Di, que aproveita o papo abaixo para dizer como v\u00ea o sucesso do rap no cen\u00e1rio atual: \u201cO que percebo \u00e9 que o que mais atrai o jovem de hoje \u00e9 o protagonismo: ele n\u00e3o quer s\u00f3 assistir, ele quer fazer. O rap \u00e9 uma m\u00fasica que facilita esse caminho, basta um beat e uma rima\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>O Da Guedes faz show neste s\u00e1bado (14\/7), \u00e0s 23h, no <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/subclubcultural\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sub Club Cultural<\/a> (Joaquim Nabuco, 288, em Porto Alegre). A apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 especial, pois re\u00fane os outros dois membros originais do trio: Baze e DJ Deelay.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hp9yeQuqJAI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Da Guedes foi criado no come\u00e7o dos 1990, quando tamb\u00e9m surgiram outros grupos expressivos do hip hop nacional, como o pr\u00f3prio Racionais MC\u2019s. Qual acreditas ter sido o papel da tua gera\u00e7\u00e3o para que o rap tenha se tornado t\u00e3o forte atualmente?<\/strong><br \/>\nFaz\u00edamos com amor no gueto, mas foram algumas parcerias que possibilitaram essa maior proje\u00e7\u00e3o. Passamos por gravadoras, trabalhamos com renomados produtores, tocamos em r\u00e1dio e TV, vendemos CDs f\u00edsicos, organizamos shows e criamos um mercado que n\u00e3o existia. O caminho seguinte foi n\u00f3s mesmos montarmos nossos est\u00fadios, selos e gravadoras. Acredito que isso tudo provou para as gera\u00e7\u00f5es seguintes que era poss\u00edvel sonhar. Ainda mais com a Internet, que abriu as fronteiras e rompeu limites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Da Guedes \u00e9 o nome de maior visibilidade do rap ga\u00facho. Como foi essa conquista para a banda? Como assimilaram o lance de sair do gueto e rodar nas FMs mais populares do estado?<\/strong><br \/>\nAssimilamos aos poucos e fomos crescendo com isso. Nosso in\u00edcio n\u00e3o foi diferente do de outros artistas: acreditamos em um sonho e sempre focamos muito em nosso trabalho. As parcerias que fechamos foram cruciais para que tiv\u00e9ssemos essa ascens\u00e3o. Al\u00e9m disso, conseguimos corresponder \u00e0s expectativas de um p\u00fablico que ajudamos a formar. Ter um rap consciente tocando em FMs na \u00e9poca j\u00e1 demonstrava onde o g\u00eanero poderia chegar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O trio original (Nitro Di, Baze e DJ Deeley) n\u00e3o tem se apresentando com tanta frequ\u00eancia. O que tem rolado mais seguido \u00e9 o Fam\u00edlia Da Guedes, contigo e o Deeley. Por que isso? E como rolou de juntar os tr\u00eas novamente para este show no Sub Club Cultural?<\/strong><br \/>\nO grupo foi fundado por n\u00f3s tr\u00eas e passou por diversas forma\u00e7\u00f5es ao longo dos anos. Foram v\u00e1rios colaboradores, sendo que cada um teve papel extremamente relevante. Em 2009, est\u00e1vamos fora de atividade. Um convite do norte do Rio Grande do Sul, em 2012, nos fez voltar \u00e0 essa forma\u00e7\u00e3o original e encarar os palcos novamente. Desde esse retorno montamos algumas pequenas turn\u00eas pontuais todos os anos para celebrarmos com nosso p\u00fablico. N\u00e3o \u00e9 sempre que conseguimos agenda para reunir todo o time. Eu e o Deeley, que estamos na estrada mais direto, montamos a Fam\u00edlia Da Guedes para suprir uma demanda de shows que continua crescendo. Criamos esse projeto paralelo com o objetivo de manter o nome do grupo ativo e reunimos convidados em cada apresenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 gente da nova e da velha escola. Apresentamos m\u00fasicas do grupo e de nossos trabalhos solos, al\u00e9m recebermos a contribui\u00e7\u00e3o de artistas dos locais por onde passamos. \u00c9 uma grande fam\u00edlia e estamos visitando nossos parentes espalhados pelo mund\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu vais ser o player de rap do Sub Club Cultural \u2014 o cara que agenda artistas do g\u00eanero no espa\u00e7o. O que podemos esperar? Grandes nomes ou gente nova que vem mandando brasa?<\/strong><br \/>\nPrimeiramente, apreciei muito o convite da casa e o tipo de parceria. Estava h\u00e1 um tempo querendo fazer um trabalho mais forte na Capital, colocando meu conhecimento desses anos de estrada em pr\u00e1tica novamente. Em rela\u00e7\u00e3o ao que podemos esperar\u2026 As duas coisas! A parceria com o Sub Club Cultural vai permitir uma agenda que contemple novos artistas locais e fa\u00e7a a conex\u00e3o com nomes consagrados, inclusive de outros Estados. Pretendo organizar essa demanda da melhor forma, proporcionando ao p\u00fablico um espet\u00e1culo de qualidade. A proposta e a estrutura do local j\u00e1 colaboram para que isso tudo aconte\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O rap meio que faz o que o rock e o pop faziam no passado, que \u00e9 se conectar e conversar com o p\u00fablico. O lance de gerar identifica\u00e7\u00e3o forte por meio de uma sonoridade e o que est\u00e1 relacionado \u00e0 ela. Porque achas que o g\u00eanero tem essa capacidade nos dias de hoje? E o que levou os estilos citados anteriormente a perderem audi\u00eancia, na tua opini\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\u00c9 complicado afirmar isso, pois todos os estilos musicais passam por altos e baixos. O que percebo \u00e9 que o que mais atrai o jovem de hoje \u00e9 o protagonismo: ele n\u00e3o quer s\u00f3 assistir, ele quer fazer. O rap \u00e9 uma m\u00fasica que facilita esse caminho, basta um beat e uma rima. A produ\u00e7\u00e3o musical do nosso g\u00eanero cresce de forma gigantesca e isso proporciona uma evolu\u00e7\u00e3o monstruosa. Essa gera\u00e7\u00e3o se sente representada pelo hip hop, seja cantando, dan\u00e7ando ou fazendo arte. \u00c9 uma cultura de inclus\u00e3o, talvez essa percep\u00e7\u00e3o tenha fidelizado o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ter um programa como o Mix Tape, na Atl\u00e2ntida, r\u00e1dio do segmento jovem de maior audi\u00eancia no RS, talvez seja a prova do que foi dito na quest\u00e3o anterior. Como \u00e9 lidar com a responsabilidade de ser o porta voz do rap para um p\u00fablico que, certas vezes, acaba at\u00e9 conhecendo mais sobre esse tipo de som depois de te escutar no dial?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma grande responsabilidade! Meu programa atinge toda a rede, que contempla Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Desde que assumi, em 2007, sabia o tamanho do desafio. A preocupa\u00e7\u00e3o de entregar um programa de rap que o p\u00fablico da r\u00e1dio assimile e de agradar ao pessoal que j\u00e1 conhece o g\u00eanero requer um trabalho dedicado de pesquisa semanal, garimpando artistas locais, nacionais e estrangeiros. Cada domingo entrego uma &#8220;mixtape&#8221; in\u00e9dita de duas horas, com lan\u00e7amentos da semana e cl\u00e1ssicos que n\u00e3o podem faltar. O que n\u00e3o posso esquecer, al\u00e9m das minhas ra\u00edzes, \u00e9 que estou na maior r\u00e1dio comercial do sul do Brasil. O que me mant\u00e9m l\u00e1 h\u00e1 mais de 10 anos, al\u00e9m do cr\u00e9dito que a emissora me d\u00e1, \u00e9 o bom senso. Existem m\u00fasicas que n\u00e3o s\u00e3o feitas para tocar no nesse tipo de FM, inclusive algumas das minhas. Acredito que o povo que me acompanha j\u00e1 se deu conta disso. Agrade\u00e7o tamb\u00e9m aos nossos ouvintes e colaboradores!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OvhkvDyY8eU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6zk-95mYJKE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/012tZBhfDoU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista. A foto que abre o texto \u00e9 de Marcos Fucks \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um dos tr\u00eas MC&#8217;s do grupo de rap ga\u00facho Da Guedes, Nitro Di fala sobre o retorno da forma\u00e7\u00e3o original, os shows do Fam\u00edlia Da Guedes e tamb\u00e9m sobre seu programa na R\u00e1dio Atl\u00e2ntida, entre outras coisas. Confira!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/11\/entrevista-nitro-di-da-guedes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":48169,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3083,3084],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48168"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48168"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48168\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48173,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48168\/revisions\/48173"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48169"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}