{"id":48155,"date":"2018-07-09T14:36:51","date_gmt":"2018-07-09T17:36:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=48155"},"modified":"2018-08-31T15:22:07","modified_gmt":"2018-08-31T18:22:07","slug":"essas-sao-as-americas-childish-gambino-beyonce-jay-z-e-elza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/09\/essas-sao-as-americas-childish-gambino-beyonce-jay-z-e-elza\/","title":{"rendered":"Essas S\u00e3o As Am\u00e9ricas: Childish Gambino, Beyonc\u00e9, Jay-Z e Elza"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/felipe.ferreira.7127\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Felipe Ferreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O movimento negro escreveu a pr\u00f3prio punho mais um importante cap\u00edtulo da sua luta, no s\u00e1bado do dia 05 de maio de 2018, com o lan\u00e7amento do videoclipe da m\u00fasica \u201cThis Is America\u201d do rapper norte-americano Childish Gambino (pseud\u00f4nimo do ator e roteirista Donald Glove). A riqueza r\u00edtmica, o gingado contagiante da melodia e, especialmente, o subtexto por tr\u00e1s de todo arrojo musical, revirou os olhos do mundo pra uma Am\u00e9rica sem distor\u00e7\u00f5es e morda\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em apenas quatro minutos, Gambino dan\u00e7a com sagacidade e um ardiloso deboche na realidade invertida do homog\u00eaneo e igualit\u00e1rio sonho americano. Os signos lingu\u00edsticos e imag\u00e9ticos dos planos sequ\u00eancias que comp\u00f5em o clipe questionam a legitimidade da hist\u00f3ria mercantilizada \u2013 pela pr\u00f3pria ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, vale ressaltar \u2013 durante d\u00e9cadas, e nos incita a perceber a influ\u00eancia que a voz de uma interlocu\u00e7\u00e3o exerce no relato e na espetaculariza\u00e7\u00e3o de cada contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa Am\u00e9rica do clipe &#8211; tirana, racista e gotejada de sangue \u2013 \u00e9 o retrato naturalizado de um Estado onde negras e negros s\u00e3o tratados cotidianamente na vig\u00edlia de um olhar discriminat\u00f3rio e sob o julgo violento de um tribunal branco, machista e burgu\u00eas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_48157\" aria-describedby=\"caption-attachment-48157\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-48157 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/This-Is-America-02.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"478\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/This-Is-America-02.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/This-Is-America-02-300x191.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-48157\" class=\"wp-caption-text\"><em>Sai chibata, vem rev\u00f3lver.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viol\u00eancia permanece, agora readequada a novos mecanismos e camuflada no autoritarismo do distintivo policial que sentencia e mata pela cor da pele. A malemol\u00eancia dist\u00f3pica do clipe vem acompanhada de uma s\u00e9rie de elementos da cultura negra (do blackface criado no s\u00e9culo XIX pelo ator branco Thomas Dartmouth ao filme \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/24\/tres-filmes-baby-driver-corra-e-paterson\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Corra!<\/a>\u201d do cineasta negro Jordan Peele) num looping de frames que criticam implicitamente \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o racial nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descal\u00e7o e descamisado, Gambino se personifica num m\u00f3bile transit\u00f3rio no tablado de mimeses reativas e referenciais das narrativas invizibilizadas. A objetifica\u00e7\u00e3o desse corpo negro no estandarte aleg\u00f3rico do exotismo \u00e9 ressignificada pela perspectiva emp\u00edrica do protagonista e exp\u00f5e as marcas do a\u00e7oite de dentro pra fora, sem a interface hipn\u00f3tica do touch screen.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VYOjWnS4cMY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande trunfo da obra \u00e9 que ainda que as balas mirem e acertem com destreza as pol\u00edticas de segrega\u00e7\u00e3o norte-americana, h\u00e1 um di\u00e1logo coletivo com a realidade da negritude numa esfera global. Esse eco amplificado de identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental pra unir timbres distintos num mesmo discurso e ampliar a luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paredes concretas, vaidades emolduradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um m\u00eas ap\u00f3s o lan\u00e7amento de \u201cThis Is America\u201d, Beyonc\u00e9 e Jay-Z \u2013 o casal number one do show business mundial \u2013 voltaram aos holofotes lan\u00e7ando de surpresa um novo \u00e1lbum. \u201cEverything is Love\u201d mais do que dar continuidade a parceria criativa e bem-sucedida do casal, sedimenta uma \u201cNova \u00c9poque\u201d na carreira da cantora norte-americana de 36 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o lan\u00e7amento de \u201cLemonade\u201d (2016), Beyonc\u00e9 assumiu um posicionamento mais incisivo na sua cria\u00e7\u00e3o musical. As letras passaram a carregar um tom mais pol\u00edtico e a linha est\u00e9tica dos videoclipes a reproduzir com pompa e circunst\u00e2ncia representa\u00e7\u00f5es reais da sociedade norte-americana em diferentes n\u00edveis sociais, culturais e econ\u00f4micos (em altern\u00e2ncia de ordem) culminando em uma apresenta\u00e7\u00e3o extremamente politizada no\u00a0<span style=\"font-family: 'Source Sans Pro', sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-weight: 400;\">programa de recordista de audi\u00eancia da TV norte-americana, o\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 16px;\">famoso intervalo do Super Bowl, em 2017.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48159\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Apeshit-02.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Apeshit-02.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Apeshit-02-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lan\u00e7amento desse novo trabalho foi potencializado pelo videoclipe da m\u00fasica \u201cApeshit\u201d. Na suntuosidade do Museu do Louvre, em Paris, o casal Knowles faz uma rever\u00eancia narc\u00edsica ao valor art\u00edstico \u2013 e comercial, claro! \u2013 que suas imagens representam para a plebe do mundo. A auto refer\u00eancia sem falsa mod\u00e9stia desconstr\u00f3i os muros da erudi\u00e7\u00e3o e uma certifica\u00e7\u00e3o qualitativa excludente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escolher o maior museu de arte do mundo \u00e9 um ato de ocupa\u00e7\u00e3o al\u00e9m do corpo-espa\u00e7o. Ao se inserirem no restrito c\u00e2none da arte, predominantemente ocupado por obras brancas de artistas brancos, eles se \u201capropriam\u201d de um territ\u00f3rio historicamente usurpado e fazem uma reintegra\u00e7\u00e3o cultural de valores e ancestralidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O protagonismo de duas personalidades negras influentes na cena internacional imortalizada das obras de arte, parte do princ\u00edpio b\u00e1sico de vitrinizar um status de supremacia para rasurar um imagin\u00e1rio de subalternidade. Usando dos mesmos meios para contestar os fins, eles afrontam os interiores que marginalizam lugares.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kbMqWXnpXcA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O colorismo do ballet de dan\u00e7arinas negras em diferentes tons de pele exp\u00f5e a paleta de grada\u00e7\u00f5es do racismo e como esse resqu\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o europeia se comporta proporcionalmente a pigmenta\u00e7\u00e3o de cada indiv\u00edduo. O ex\u00e9rcito de mulheres negras d\u00e1 as costas a mais uma &#8211; dentre tantas &#8211; coroa\u00e7\u00f5es de her\u00f3is brancos. Napole\u00e3o recebe a coroa, enquanto a V\u00eanus de Milo \u00e9 tomada por corpos \u201cdesalmados\u201d e colonizados ao olhar de uma enigm\u00e1tica Mona Lisa. A famosa obra de Da Vinci fica desfocada no segundo plano do punho cerrado da resist\u00eancia negra, e no final, \u00e9 observada por um olhar esf\u00edngico de express\u00f5es subjetivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O simbolismo do videoclipe confronta o registro est\u00e1tico documental dos livros e a realidade em seu estado vivo. De um lado, o ego racional e exibicionista de indument\u00e1ria africana, do outro, um imperialismo colonial e hostil. \u201cApeshit\u201d \u00e9 uma egotrip representa\u00e7\u00e3o da mulher e do homem negro na fogueira em autocombust\u00e3o das suas vaidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48160\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Apeshit-03.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"692\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Apeshit-03.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Apeshit-03-300x277.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa consci\u00eancia de poder que alia \u201clacrar\u201d a uma representa\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica que descolonize pensamentos \u00e9 ingrediente escasso nas f\u00f3rmulas de sucesso das principais cantoras brasileiras da atualidade. N\u00e3o que todo artista tenha por obrigatoriedade assumir uma postura pol\u00edtica e ideol\u00f3gica de forma enf\u00e1tica, mas no momento atual, onde uma onda conservadora e moralista ganha cada mais altitude, se omitir \u00e9, no m\u00ednimo, ser conivente com as atitudes violentas e repressoras que essa crista nada crist\u00e3 pode desencadear.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Habemus alma e Deus \u00e9 mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48162\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Deus-\u00e9-Mulher-02.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Deus-\u00e9-Mulher-02.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Deus-\u00e9-Mulher-02-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o medo de poss\u00edveis repres\u00e1lias intimida a verve questionadora da maioria das divas do cen\u00e1rio da m\u00fasica nacional, essa pauta contempor\u00e2nea \u2013 vista por muitos como mero patrulhamento \u2013 \u00e9 parte recorrente na discografia das grandes vozes da nossa MPB. Dentre elas, a estrela radiante de Elza Soares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMisturo s\u00f3lidos com os meus l\u00edquidos<br \/>\nDissolvo pranto com a minha baba<br \/>\nQuando &#8216;t\u00e1 seco, logo umede\u00e7o<br \/>\nEu n\u00e3o obede\u00e7o porque sou molhada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cantora e compositora carioca de 81 anos, cujo 60 s\u00e3o de carreira, mostra uma desenvoltura que impressiona pela lucidez da sua entrega e do amor a sua arte. Depois do aclamado \u201cA Mulher do Fim do Mundo\u201d (2015), Elza mostra que continuar\u00e1 cantando at\u00e9 o fim e que falar de feridas abertas das quais ela est\u00e1 inserida \u00e9 uma moviola de transforma\u00e7\u00e3o, que cabe a consci\u00eancia de cada artista julgar necess\u00e1rio reverberar (ou n\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 18 de maio ela emergiu na era da for\u00e7a feminina e brindou o p\u00fablico com mais um \u00e1lbum in\u00e9dito. Com \u201cDeus \u00e9 Mulher\u201d, Elza chega ao 33\u00ba \u00e1lbum da sua discografia, e concede toda dor e aprendizado das suas experi\u00eancias na constru\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum que com provoca\u00e7\u00e3o e independ\u00eancia valoriza a mulher e redesigna a figura sagrada de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMinha lagoa engolindo a sua boca<br \/>\nEu vou pingar em quem at\u00e9 j\u00e1 me cuspiu, viu?\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NmDsmHtOgyw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As 11 faixas do \u00e1lbum exprimem os danos da coloniza\u00e7\u00e3o euroc\u00eantrica e a conscientiza\u00e7\u00e3o acerca do nosso lugar de fala (\u201cO Que Se Cala\u201d), as diretrizes educacionais que embranquecem e catequizam o aprendizado da nossa hist\u00f3ria (\u201cEx\u00fa Nas Escolas\u201d), e a conjuntura do feminismo negro cada dia mais amolado e convicto de si (\u201cDeus H\u00e1 De Ser\u201d). \u201cDeus \u00e9 Mulher\u201d \u00e9 uma carta-aberta que caminha na trilha contr\u00e1ria da omiss\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em texto no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo, a jornalista Sheila Leirner classificou o afronte megaloman\u00edaco do casal Beyonc\u00e9 e Jay-Z como um \u201c<a href=\"https:\/\/cultura.estadao.com.br\/blogs\/sheila-leirner\/bacanal-narcisista-no-louvre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bacanal narcisista<\/a>\u201d opositor e vulgar <a href=\"https:\/\/cultura.estadao.com.br\/blogs\/sheila-leirner\/formidavel-resposta-a-bacanal-narcisista-no-louvre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ao realismo modesto e arraigado nas suas origens<\/a>, retratado no videoclipe do rapper de mil facetas Childish Gambino. Na revista online Vice, a jornalista Amanda Cavalcanti <a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\/article\/mbkw3q\/clipes-artistas-negros-beyonce-jayz-apeshit\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">contra-atacou<\/a>: &#8220;Longe de ser narcisista, &#8216;Apeshit&#8217; \u00e9 um olhar cr\u00edtico sobre a supremacia da arte branca e europeia&#8221;. Em outro texto, a historiadora Ana Lucia Araujo conectou &#8220;Apeshit&#8221; com o filme &#8220;Pantera Negra&#8221;\u00a0acenando &#8220;<a href=\"http:\/\/www.historianviews.com\/?p=339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para as a\u00e7\u00f5es de grupos ativistas tal como o Decolonize This Place<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p>De fato, o que Estad\u00e3o, Vice a historiadora Ana Lucia pontuam em margens opostas s\u00e3o extremos de uma mesma Am\u00e9rica. A causa negra \u00e9 a mesma, mas o mosaico de alegorias que dilatam essas demandas atemporais \u00e9 essencialmente antag\u00f4nico. Beber da fonte capital causadora de toda opress\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho um tanto arriscado, que pode fragilizar a pr\u00f3pria mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto o polo norte-americano da for\u00e7a provoca uma cis\u00e3o audiovisual estrat\u00e9gica, o lado latino banha um clamor agudo e inconfund\u00edvel no ventre f\u00e9rtil de um sagrado feminino insubmisso que resistir\u00e1 at\u00e9 o fim do mundo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-48161\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elzasoares.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"636\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elzasoares.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elzasoares-300x254.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Felipe Ferreira (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/felipe.ferreira.7127\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb\/felipe.ferreira.7127<\/a>) \u00e9 escritor, roteirista, jornalista e autor do livro &#8220;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/meusgriphos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Griphos Meus: Cinema, Literatura, M\u00fasica, Pol\u00edtica &amp; Outros Gozos Cr\u00f4nicos<\/a>&#8221; (Independente).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um di\u00e1logo antropol\u00f3gico entre \u201cThis is Am\u00e9rica\u201d, \u201cApeshit\u201d e \u201cDeus \u00e9 Mulher\u201d: enquanto o polo norte-americano da for\u00e7a provoca uma cis\u00e3o audiovisual estrat\u00e9gica, o lado latino banha um clamor agudo e inconfund\u00edvel\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/09\/essas-sao-as-americas-childish-gambino-beyonce-jay-z-e-elza\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":48158,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3,118],"tags":[3072,3071,1754,3073],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48155"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48155"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48155\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48163,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48155\/revisions\/48163"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48158"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}