{"id":48130,"date":"2018-07-03T14:01:08","date_gmt":"2018-07-03T17:01:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=48130"},"modified":"2023-06-17T09:50:42","modified_gmt":"2023-06-17T12:50:42","slug":"tres-documentarios-som-sol-surf-saquarema-onde-esta-voce-joao-gilberto-e-eu-sou-o-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/03\/tres-documentarios-som-sol-surf-saquarema-onde-esta-voce-joao-gilberto-e-eu-sou-o-rio\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas document\u00e1rios: \u201cSom, Sol &#038; Surf \u2013 Saquarema\u201d, \u201cOnde Est\u00e1 Voc\u00ea, Jo\u00e3o Gilberto?\u201d e \u201cEu Sou o Rio\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Tr\u00eas document\u00e1rios exibidos no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.in-edit-brasil.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festival In-Edit Brasil<\/a>\u00a02018<\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/sss1976.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSom, Sol &amp; Surf \u2013 Saquarema\u201d, de H\u00e9lio Pitanga (2018)<\/strong><br \/>\nNo ver\u00e3o de 1975, Nelson Motta (que apresentava o programa S\u00e1bado Som, na TV Globo) produziu um festival no Rio de Janeiro: em quatro fins de semana, o Hollywood Rock reuniu cerca de 18 mil pessoas por dia no campo do Botafogo. Animado com o sucesso do evento, o m\u00fasico Fl\u00e1vio do Espirito Santo procurou o prefeito da pequena cidade praieira de Saquarema propondo um evento igual no est\u00e1dio local. Sinal verde dado, ele foi atr\u00e1s de Nelson Motta, que, ap\u00f3s muita insist\u00eancia, topou fazer o festival no mesmo fim de semana de um festival de surf em maio de 1976, planejando ainda lan\u00e7ar um filme e um disco sobre o evento (nos moldes de Woodstock). No primeiro dia do \u201cSol, Som, Surf, Saquarema 76\u201d, uma chuva torrencial interrompeu a programa\u00e7\u00e3o e derrubou parte do muro do est\u00e1dio (que j\u00e1 havia sido pulado por centenas de pessoas). Decis\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o: segundo dia gratuito. Na cidade de 10 mil habitantes, caos com mais de 40 mil visitantes (faltava \u00e1gua, comida, hotel), mas quem estava em Saquarema (na vibe rock, surf, paz e amor) n\u00e3o ligou para nada disso, e curtiu a bagun\u00e7a. Nelson Motta saiu quebrado financeiramente do evento, e sem grana para pagar pela filmagem, negociou que o diretor Gilberto Loureiro ficasse com as mais de cinco horas captadas em pel\u00edcula (por Miguel do Rio Branco e Pedro Moraes com som direto por Jom Tob Azulay) em troca do trabalho. Mas o filme nunca foi feito e estava se deteriorando at\u00e9 o diretor H\u00e9lio Pitanga resgatar esse material hist\u00f3rico juntando a ele entrevistas atuais com o produtor Nelson Motta, Lob\u00e3o (que se apresentou com o Vimana e estava na produ\u00e7\u00e3o do evento), o prefeito, surfistas e Angela R\u00f4 R\u00f4, que abre de maneira sensacional as imagens resgatadas, que ainda trazem Made in Brazil, Bixo da Seda, Raul Seixas e Rita Lee &amp; Tutti Frutti (lan\u00e7ando \u201cEntradas e Bandeiras\u201d), entre outros. Trabalho de resgate essencial, \u201cSom, Sol &amp; Surf \u2013 Saquarema\u201d mostra o caos de um festival de rock (e de cal\u00e7as bocas de sino no meio da Ditadura) que fracassou financeiramente, mas permaneceu na mem\u00f3ria de muitos. Hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Nota: 10<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/joaogilberto.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cOnde Est\u00e1 Voc\u00ea, Jo\u00e3o Gilberto?\u201d, de Georges Gachot (2018)<\/strong><br \/>\nO jornalista alem\u00e3o Marc Fischer, nascido em Hamburgo e residente de Berlim, estava com o cora\u00e7\u00e3o partido quando resolveu fazer uma viagem para ver se esquecia o amor perdido. Com um amigo, desembarcou em T\u00f3quio, mas nada na capital japonesa o acalantava. Isso at\u00e9 topar com o editor de uma moderna revista japonesa (\u201ccheias de t\u00eanis e fotos porn\u00f4 de Terry Richardson\u201d), ir beber uma cerveja com ele em sua casa, e se espantar com um pequeno santu\u00e1rio cujo \u00edcone maior era\u2026 um disco de bossa nova. Bastou ouvir \u201cHo-ba-la-la\u201d, de Jo\u00e3o Gilberto, para ganhar vida novamente. E um v\u00edcio: ele queria quer Jo\u00e3o Gilberto tocasse \u201cHo-ba-la-la\u201d para ele! Para isso, arrumou as malas e se mudou para o Rio de Janeiro, onde come\u00e7ou uma longa saga atr\u00e1s do g\u00eanio, que rendeu o livro \u201cHo-ba-la-la: \u00c0 Procura de Jo\u00e3o Gilberto\u201d, lan\u00e7ado na Alemanha em 2011 (edi\u00e7\u00e3o nacional via Cia das Letras no mesmo ano) pouco tempo depois de Marc se suicidar (sem ter ouvido Jo\u00e3o tocar \u201cHo-ba-la-la\u201d). Esse livro caiu nas m\u00e3os do cineasta franco-su\u00ed\u00e7o Georges Gachot, que j\u00e1 havia feito tr\u00eas filmes sobre a m\u00fasica brasileira (\u201cMaria Beth\u00e2nia \u2013 M\u00fasica \u00c9 Perfume\u201d, de 2005; \u201cRio Sonata\u201d, sobre Nana Caymmi, de 2010; e \u201cO Samba\u201d, de 2014), e tamb\u00e9m \u00e9 um apaixonado por Jo\u00e3o Gilberto. Encantado com a narrativa detetivesca de Fischer, que na busca por Jo\u00e3o Gilberto encontrou grandes hist\u00f3rias, Gachot decidiu recriar os mesmos passos do alem\u00e3o escudado por centenas de fotos, anota\u00e7\u00f5es, registros, grava\u00e7\u00f5es (todos cedidos pela fam\u00edlia do jornalista) e a mesma Watson de Marc Fischer (a carioca Raquel Balassiano) na tentativa de encontrar Jo\u00e3o e ouvir \u201cHo-ba-la-la\u201d. No caminho, assim como Marc, Gachot ir\u00e1 conversar com Jo\u00e3o Donato, Miucha, Marcos Valle, Roberto Menescal e Garrincha (cozinheiro que preparava e mandava entregar o prato favorito de Jo\u00e3o: fil\u00e9 grelhado no sal grosso, com arroz maluco e farofa), entre outros, num document\u00e1rio absolutamente l\u00edrico e po\u00e9tico que homenageia todos os apaixonados por m\u00fasica. Encantador!<\/p>\n<p>Nota: 10<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/eusouorio.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cEu Sou o Rio\u201d, de Anne Santos e Gabraz Sanna (2017)<\/strong><br \/>\nEm meio ao boom do rock nacional dos anos 80, o Black Future amargou um longo tempo de espera at\u00e9 que o EP \u201cCartas do Absurdo\u201d, engavetado, se transformasse no seminal \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/22\/10-perolas-raras-do-rock-brasil-anos-80\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eu Sou o Rio<\/a>\u201d (1988). A participa\u00e7\u00e3o de Edgard Scandurra, Paulo Miklos, Edu K, Alex Antunes e Thomas Pappon pesou na decis\u00e3o da RCA em investir no batuque p\u00f3s punk samba macumba, mas o disco s\u00f3 fez sucesso de cr\u00edtica \u2013 Satan\u00e9sio, um dos cabe\u00e7as da banda, at\u00e9 dividiu uma capa da revista Bizz com Humberto Effe, dos Picassos Falsos, em 1989. A outra metade do genial Black Future, Tant\u00e3o, seguiu numa carreira err\u00e1tica de m\u00fasico experimental, performer e artista pl\u00e1stico tornando-se\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/figura-mitologica-da-lapa-tantao-lanca-album-de-estreia-no-circo-voador-21914272\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um anti-her\u00f3i amado e odiado do underground carioca<\/a>. Numa noite de 2016, Tant\u00e3o levou sua poesia lis\u00e9rgica e sua voz escarrada para o est\u00fadio Radiolixo, no bairro do Est\u00e1cio, e acompanhado de dois m\u00fasicos gravou seu primeiro disco em quase 30 anos, \u201c<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/figura-mitologica-da-lapa-tantao-lanca-album-de-estreia-no-circo-voador-21914272\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Espectro<\/a>\u201d (2017), de Tanta?o e os Fita, que apareceu em v\u00e1rias listas de melhores do ano. Este document\u00e1rio segue a mesma vibe \u201cone shot\u201d (com repeti\u00e7\u00f5es) do disco \u201cEspectro\u201d, com a dupla Anne e Gabraz filmando um fim de semana alucinado na vida errante de Tant\u00e3o pelos becos do Rio. Entre carreiras de coca\u00edna, disquetes de computador, copos de cerveja e improvisos chapados de can\u00e7\u00f5es dos Mutantes e da Legi\u00e3o, o espectador acompanha a rotina auto-criativa-destrutiva de Tant\u00e3o, que berra que \u201cartistas nunca morrem: se matam\u201d e aporrinha um ensaio de reuni\u00e3o do Black Future, que quase termina em briga. S\u00e3o 78 minutos de desconforto num filme que \u201chomenageia\u201d a cria\u00e7\u00e3o da arte de maneira sufocante para um p\u00fablico que est\u00e1 acostumado a saber das fofocas dos \u201cvencedores\u201d do establisment pop, mas se esquece de todos os demais, como se eles fossem mendigos que todos desviam o olhar na rua da cultura. Pesado, chapado e melanc\u00f3lico, \u201cEu Sou o Rio\u201d \u00e9 o desnudamento da cria\u00e7\u00e3o, um desfile assustador em que a po\u00e9tica sorri sarcasticamente enquanto o sangue escorre de uma faca atolada no peito. Valeu a pena.<\/p>\n<p>Nota: 13<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UeliC2zKDik?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IEmVy7Dma2Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xTE7pZ-2Dcs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (@screamyell) edita o Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Festival In-Edit 2014: Pulp, Kathleen Hanna, Hendrix, The National e mais (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/01\/6%C2%BA-in-editbrasil-um-filme-por-dia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Festival In-Edit 2015: Slint, Joe Strummer, Bob Dylan, Edwyn Collins, Elliot Smith e mais (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/05\/alguns-filmes-do-7%C2%BA-in-editbrasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Festival In-Edit 2017: The Stooges, Nick Cave, J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3, Serguei, Coltrane e mais (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/06\/16\/9o-festival-in-edit-brasil-alguns-filmes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cSom, Sol &#038; Surf \u2013 Saquarema\u201d recupera filmagem quase perdida de festival de 1976; \u201cOnde Est\u00e1 Voc\u00ea, Jo\u00e3o Gilberto?\u201d homenageia todos os apaixonados por m\u00fasica: &#8220;Eu Sou o Rio&#8221; \u00e9 pesado, chapado e melanc\u00f3lico, \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/03\/tres-documentarios-som-sol-surf-saquarema-onde-esta-voce-joao-gilberto-e-eu-sou-o-rio\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":48131,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[3051,3061,3052,3053,3059],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48130"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48130"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48130\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48132,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48130\/revisions\/48132"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}