{"id":48042,"date":"2018-06-28T09:43:50","date_gmt":"2018-06-28T12:43:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=48042"},"modified":"2018-08-10T14:00:01","modified_gmt":"2018-08-10T17:00:01","slug":"entrevista-dingo-bells-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/06\/28\/entrevista-dingo-bells-2018\/","title":{"rendered":"Entrevista: Dingo Bells (2018)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Versando de forma agridoce sobre as agruras de existir em nosso tempo, os ga\u00fachos da Dingo Bells constru\u00edram uma s\u00f3lida base de f\u00e3s tendo apenas um disco como bagagem, o excelente \u201cMaravilhas da Vida Moderna\u201d (2015), que lhes levou ao palco do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/11\/saiba-como-foi-o-festival-morrostock-2017-em-santa-maria-rs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festival Morrostock<\/a> e do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/21\/balancao-lollapalooza-brasil-2016\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lollapalooza Brasil 2016<\/a> e rendeu dois trof\u00e9us do Pr\u00eamio A\u00e7orianos de M\u00fasica 2015 (nas categorias Composi\u00e7\u00e3o Pop e Projeto Gr\u00e1fico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos se passaram desde a estreia e agora eles lan\u00e7am seu segundo disco, \u201c<a href=\"http:\/\/www.aescotilha.com.br\/musica\/caixa-acustica\/dingo-bells-todo-mundo-vai-mudar-resenha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Todo Mundo Vai Mudar<\/a>\u201d (2018), produzido por Marcelo Fruet e viabilizado atrav\u00e9s do edital da Natura Musical. Expandindo seu olhar sobre a maturidade, o trio \u2013 Felipe, Rodrigo e Diogo &#8211; mergulhou mais fundo na busca pela compreens\u00e3o do nosso tempo, tudo em embalagem pop e po\u00e9tica bastante envolvente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua passagem por Santa Maria (RS) no que seria o terceiro show oficial de lan\u00e7amento do disco, numa noite muito fria, no Theatro Treze de Maio, a banda me recebeu para uma conversa sobre o novo disco. Com ares de espet\u00e1culo de teatro, o novo show conta com proje\u00e7\u00f5es e momentos especiais, que mostraram a grandiosidade que o Dingo Bells assume no palco e perante o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No camarim, antes do show, Felipe Kautz (baixo e voz) contou como foi a produ\u00e7\u00e3o e a press\u00e3o do segundo disco, a presen\u00e7a do guitarrista Fabr\u00edcio Gambogi na banda e o novo show e o desenvolvimento do projeto com a Natura Musical. Rodrigo Fischmann (voz e bateria) chegou logo depois para acrescentar seu olhar sobre o tema que circunda \u201cTodo Mundo Vai Mudar\u201d: incertezas. Confira o papo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_e3X4s4Pvlc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTodo Mundo Vai Mudar\u201d, o novo disco, teve as can\u00e7\u00f5es compostas num tempo mais curto, de dois meses. Como foi esse processo de produ\u00e7\u00e3o do segundo disco.<\/strong><br \/>\nFelipe: Entre tapas e beijos. [risos] Foi um processo interessant\u00edssimo e acho que muito enriquecedor. Ele cobrou seu pre\u00e7o sim, a gente teve que aprender a se comunicar muito melhor enquanto um grupo que comp\u00f5e, ent\u00e3o tu tem que estar aberto a ouvir cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas que tu faz e tamb\u00e9m tem que galgar ali o teu espa\u00e7o pra poder criticar o que vem de fora. Ent\u00e3o eu acho que a gente brinca com esse neg\u00f3cio de tapas e beijos, mas de fato foi isso que rolou. Por\u00e9m a banda saiu com mais for\u00e7a desse processo, por que a gente j\u00e1 est\u00e1 junto h\u00e1 tanto tempo que tu meio que aclara as vias do di\u00e1logo e da comunica\u00e7\u00e3o. Foi muito proveitoso. E a gente acabou achando no disco o lugar do nosso denominador comum, digamos assim, em termos de cria\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, foi muito massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00eas tinham algum tipo de press\u00e3o j\u00e1 que o primeiro disco foi muito bem recebido pelo p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nFelipe: Cara, algum tipo de press\u00e3o eu acho que sim. Acho que o que rolou com o \u201cMaravilhas [da Vida Moderna]\u201d foi algo que nos pegou de surpresa tamb\u00e9m. O disco teve uma repercuss\u00e3o, em termos de imprensa, p\u00fablico e etc., maior do que a gente imaginava. Claro que a gente se esfor\u00e7ou para isso, trabalhou para isso e era isso que a gente queria, mas nunca tem como saber o que vai rolar. Ent\u00e3o, para esse segundo disco, rolou meio que certa tens\u00e3o pra entender o que do \u201cMaravilhas\u201d tinha feito ele rolar t\u00e3o bem e eu acho que a ideia num segundo trabalho \u00e9 meio que tu tentar pegar aquelas coisas que funcionaram e levar elas adiante, somadas a outras coisas pra tu seguir contando uma hist\u00f3ria, chegando at\u00e9 as pessoas. Ent\u00e3o, a tens\u00e3o que rolou foi um pouco isso, pra gente tentar descobrir quem a gente era e o que a gente queria propor e dar um passo adiante com rela\u00e7\u00e3o ao primeiro disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea acha que voc\u00eas conseguiram descobrir de alguma forma quem voc\u00eas eram nesse processo ou ainda n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFelipe: Acho assim: a nossa carreira \u00e9 uma coisa que j\u00e1 vem de um tempinho e a ideia \u00e9 estender ela ao longo da nossa vida, ent\u00e3o tu nunca sabe onde tu vai parar ou qual que \u00e9 o teu limite. A gente ficou super feliz com o resultado do disco, a gente acha que \u00e9 um disco que \u00e9 resultado do afloramento das individualidades. Eu acho que todo mundo se descobriu um pouco mais enquanto m\u00fasico, enquanto artista, enquanto compositor. E o trabalho que a gente fez foi tentar deixar essas coisas virem \u00e0 tona e encontrar aquilo que era comum entre n\u00f3s quatro. Entre n\u00f3s quatro no caso eu estou adicionando o Fabr\u00edcio Gambogi, que \u00e9 o guitarrista e arranjador que j\u00e1 nos acompanha h\u00e1 alguns anos e que no \u201cTodo Mundo Vai Mudar\u201d comp\u00f4s as m\u00fasicas junto com a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso eu ia perguntar: o nome dele sempre aparece junto da banda, mas como um agregado, digamos assim, de todo modo, ele trabalha com voc\u00eas h\u00e1 muito tempo, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFelipe: Exato. A gente conheceu o Fabr\u00edcio quando a gente ainda tava na escola de m\u00fasica, quando tinha, sei l\u00e1, 13 anos de idade. E depois de muitos anos ele passou a trabalhar com a gente. Chamamos ele pra fazer alguns arranjos de sopros e no final a gente tava querendo somar um quarto elemento ao vivo. O Fabr\u00edcio \u00e9 um puta m\u00fasico, que fora ser um ser humano incr\u00edvel, \u00e9 um cara que toca muito um monte de coisa. E ele foi entrando, galgando o espa\u00e7o dele ali e foi &#8211; bah! &#8211; um excelente refor\u00e7o para o processo criativo desse segundo disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse show de hoje \u00e9 num formato mais de teatro, tem a banda, tem sopros e tudo mais. Eu vi voc\u00eas j\u00e1 uma vez no SESC.<\/strong><br \/>\nFelipe: Qual SESC?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SESC S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos.<\/strong><br \/>\nFelipe: Bah, que legal, cara!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E era na Comedoria, um show que a gente assistiu sentado, todo mundo no ch\u00e3o, voc\u00eas tocaram mais tranquilos. Depois eu vi voc\u00eas aqui no Morrostock.<\/strong><br \/>\nFelipe: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/11\/saiba-como-foi-o-festival-morrostock-2017-em-santa-maria-rs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Que foi muito massa esse show<\/a>!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E era um show de festival mesmo, grande, tudo. Ent\u00e3o, eu imagino que hoje j\u00e1 \u00e9 outro show diferente dos que eu j\u00e1 vi.<\/strong><br \/>\nFelipe: Sim, sim! [Em tom de galhofa] Hoje voc\u00ea vai ver coisas in\u00e9ditas! [Risos] Mas assim, a gente tem tr\u00eas shows que faziam parte do nosso projeto para o edital Natura Musical, que s\u00e3o os tr\u00eas shows oficiais de lan\u00e7amento, digamos assim, que foi o Audit\u00f3rio Ibirapuera, o Theatro S\u00e3o Pedro, em Porto Alegre, e o Treze de Maio aqui em Santa Maria.Para esses shows que fazem parte do nosso projeto do Natura a gente pensou sim nesse espet\u00e1culo mais pra teatro, ent\u00e3o a gente est\u00e1 com o nosso naipe de sopros, a gente est\u00e1 com uma luz pensada, est\u00e1 com proje\u00e7\u00f5es pensadas, e tem um roteiro pensado em conjunto com o Martino Piccinini (que \u00e9 quem est\u00e1 fazendo essas proje\u00e7\u00f5es e cenografia) e com a Carol (que \u00e9 nossa iluminadora). Queremos justamente valorizar essa atmosfera que o teatro permite tu criar, que \u00e9 uma experi\u00eancia mais audiovisual que \u00e0s vezes uma casa de show, e at\u00e9 mesmo num festival, isso est\u00e1 expresso de outras formas, saca? N\u00e3o d\u00e1 pra explorar tanto assim. Ent\u00e3o hoje \u00e9 um show bem formatadinho pra teatro mesmo, mas \u00e0s vezes eu tenho muita vontade de ver a galera de p\u00e9. Pra mim, o ideal seria conjugar os dois mundos: poder entregar essa experi\u00eancia audiovisual, mas com a galera podendo responder fisicamente, de p\u00e9, dan\u00e7ando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No caso, voc\u00ea falou que essa \u00e9 uma atividade ligada a Natura Musical. E voc\u00eas realizaram tamb\u00e9m o workshop, aqui em Santa Maria, que tamb\u00e9m \u00e9 parte do projeto patrocinado pela Natura. Como funcionou esse workshop? E como foi essa experi\u00eancia pra voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nFelipe: Pra gente foi&#8230; [Rodrigo chega]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigo: Tudo bem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe: Estamos falando da Oficina aqui, Rodrigo. Cara, foi super legal! Uma das contrapartidas do nosso projeto era uma oficina experimental de composi\u00e7\u00e3o e uma audi\u00e7\u00e3o comentada do disco. A gente optou por uma din\u00e2mica que deixasse a galera expressar o que eles queriam ouvir e qual o rumo que eles queriam ter, levar esse encontro e tal. E foi muito legal, cara, por que a galera meio que discutiu e perguntou sobre coisas relacionadas a toda a cadeia de uma banda independente. Desde coisas mais de administra\u00e7\u00e3o, planejamento e carreira, passando por grava\u00e7\u00e3o, por composi\u00e7\u00e3o, pela quest\u00e3o dos shows, passando pela parte visual e gr\u00e1fica dos discos, ent\u00e3o pra gente foi super legal meio que conseguir dividir \u201cas milh\u00f5es\u201d de tarefas que a gente tem que lidar no dia a dia enquanto uma banda independente, que tem que se virar com o que tem em m\u00e3os. Ent\u00e3o, na verdade, a gente ficou at\u00e9 com vontade de fazer em outras cidades, por que tu acabas te aproximando muito de uma galera que t\u00e1 comprando a mesma briga que tu. Ent\u00e3o essa troca \u00e9 sempre massa. Pra gente foi muito afud\u00ea!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/euBs58H39DM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas acreditam que esse tipo de patroc\u00ednio, como o da Natura Musical, d\u00e1 certa liberdade para voc\u00eas produzirem de forma independente. Por que o primeiro disco foi feito com&#8230;<\/strong><br \/>\nFelipe: O crowndfunding.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o voc\u00eas tinham total liberdade, eram s\u00f3 voc\u00eas bancando aquilo, com a ajuda do p\u00fablico. Como \u00e9 agora trabalhar com o apoio da Natura?<\/strong><br \/>\nFelipe: Sou muito a favor de editais e pol\u00edticas de incentivo \u00e0 cultura. Particularmente, acho que \u00e9 isso mesmo que tem que fomentar essas coisas. Acho que o \u00fanico limite que a Natura nos apresentou foi a quest\u00e3o do prazo, que tu tem um ano e meio de execu\u00e7\u00e3o do projeto, a partir da assinatura do contrato, depois que tu \u00e9 selecionado e tal. Mas fora isso, cara, o disco \u00e9 todo nosso! N\u00e3o teve temas que a gente cuidou ou coisas que a gente levou em considera\u00e7\u00e3o que a Natura poderia ou n\u00e3o gostar. Acho que nesse sentido \u00e9 muito positivo o edital deles por que eles meio que estudam um pouco os artistas, sacam aquela carreira, da\u00ed d\u00e3o a liberdade pra tu fazer o teu projeto. Ent\u00e3o, nesse sentido, foi muito legal, a gente n\u00e3o se sentiu pressionado ou coagido artisticamente em nenhum momento. A gente fez o disco que a gente queria fazer e entregamos o disco da Dingo Bells que a gente tinha imaginado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa que eu noto desde o primeiro disco, que volta agora nesse segundo disco, \u00e9 as pessoas falarem sempre que voc\u00eas retratam o amadurecimento ou maturidade, essa tem\u00e1tica espec\u00edfica. Voc\u00eas sentem que esse tema circunda em torno das coisas que voc\u00eas produzem? Ou \u00e9 algo que s\u00f3 as pessoas percebem depois de pronto?<\/strong><br \/>\nRodrigo: N\u00e3o sei se isso soa&#8230; N\u00e3o sei se sobre o amadurecimento, mas o que se falou bastante \u00e9 que o trabalho em si amadureceu, em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cMaravilhas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse sentido, o primeiro seria sobre o amadurecimento e nesse voc\u00eas amadureceram?<\/strong><br \/>\nRodrigo: &#8230;e nesse a gente amadureceu de fato. Acho que sim, por que o \u201cMaravilhas\u201d era uma previs\u00e3o aos nossos anseios, medos, certezas ou n\u00e3o, sobre o que era o amadurecimento. Com o nosso amadurecimento, veio o \u201cTodo Mundo Vai Mudar\u201d, que \u00e9 justamente a certeza das incertezas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso que eu ia dizer, por que o disco inteiro \u00e9 sobre \u2013 eu pelo menos, como ouvinte, entendo ele como \u2013 incertezas.<\/strong><br \/>\nRodrigo: Exatamente. A maturidade traz mais d\u00favidas e essa foi um pouco a nossa conclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe: E tem uma coisa que a gente discute bastante inclusive durante o processo de composi\u00e7\u00e3o, era meio que uma preocupa\u00e7\u00e3o quase constante nossa, de cuidar muito com os apontamentos diretos, assim, no sentido de que a gente n\u00e3o se sente no direito de dizer \u201cah, esse tipo de vida e de comportamento \u00e9 v\u00e1lido e esse n\u00e3o\u201d, ent\u00e3o a gente acaba normalmente optando por questionamentos, reflex\u00f5es e d\u00favidas existenciais que \u00e9 muito mais da pessoa fazer esse balan\u00e7o e ver como \u00e9 que ela ir\u00e1 atuar no mundo, dentro da sua pr\u00f3pria vida, etc., do que propriamente dizer \u201cah, tem que ser A, tem que ser B ou tem que ser C\u201d. Ent\u00e3o eu acho que, em fun\u00e7\u00e3o disso, de n\u00e3o querer determinar como as pessoas devem fazer nas suas vidas, a gente acaba optando por perguntar mais do que apontar, muitas vezes, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00eas est\u00e3o sentindo a resposta do p\u00fablico? Por que eu sinto que as pessoas tinham uma rela\u00e7\u00e3o muito forte com o primeiro disco. Como que elas reagiram a esse novo disco, voc\u00eas j\u00e1 tem essa percep\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nRodrigo: Muito legal a resposta da galera. Principalmente, se for a termos bem pr\u00e1ticos, nos shows&#8230; No Ibirapuera, que a gente tinha rec\u00e9m lan\u00e7ado o disco&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe: Fazia duas semanas&#8230; N\u00e3o! Nove dias!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigo: Nove dias e j\u00e1 tinha uma resposta massa. No Theatro S\u00e3o Pedro foi sensacional, depois a gente foi pra Curitiba, no Festival Coolritiba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe: Curitiba chamou muita a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigo: Uma galera cantando as m\u00fasicas novas, isso j\u00e1 \u00e9 um term\u00f4metro bacana, que j\u00e1 \u00e9 um \u00f3timo sinal, por que j\u00e1 demonstra essa rela\u00e7\u00e3o afetiva com as m\u00fasicas. E as respostas que vem pelas redes sociais \u2013 eu fico um pouco mais de olho nisso \u2013 eu noto que \u00e0s vezes o coment\u00e1rio \u00e9 \u201ccara, eu ouvi uma vez e achei estranho, ouvi outra e j\u00e1 me bateu, na terceira eu n\u00e3o consigo mais parar de ouvir\u201d. Ent\u00e3o, a gente tamb\u00e9m se prop\u00f4s um n\u00edvel de complexidade um pouco mais profundo \u2013 na nossa opini\u00e3o \u2013 do que alguns caminhos que o \u201cMaravilhas\u201d tem em termos da constru\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o, as partes, a pr\u00f3pria letra, ent\u00e3o acho que exige uma rela\u00e7\u00e3o mais aprofundada tamb\u00e9m. Como o \u201cMaravilhas\u201d teve essa constru\u00e7\u00e3o muito legal do p\u00fablico entrar no disco e as pessoas j\u00e1 misturavam o que era Dingo Bells e o que era \u201cMaravilhas da Vida Moderna\u201d, elas gostavam da banda gostando de um disco. E agora \u00e9 legal que a gente j\u00e1 pegou um p\u00fablico pr\u00e9-disposto a entender a obra, como uma obra completa. Um \u00e1lbum. Por que teve uma rela\u00e7\u00e3o de \u00e1lbum com o \u201cMaravilhas da Vida Moderna\u201d, ent\u00e3o isso foi muito legal pra poder ter um entendimento que a gente queria do \u201cTodo mundo vai mudar\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cD2wg00JqZw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na entrevista que voc\u00eas deram em 2015 para o Scream &amp; Yell voc\u00eas conversaram com o Bruno Capelas&#8230;<\/strong><br \/>\nFelipe: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/20\/entrevista-dingo-bells\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bah, foi bem legal, foi l\u00e1 no CCSP, no cafezinho<\/a>, lembra que a gente trocou uma ideia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigo: Uhm&#8230; n\u00e3o lembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o Bruno comenta o fato de voc\u00eas serem uma banda mais pop, voc\u00ea [apontando para o Rodrigo] fala que esse conceito do pop \u00e9 um tanto perigoso, n\u00e3o tanto pelo conceito em si, mas pelo que as pessoas entendem desse conceito do pop. E quando eu escrevi esse ano para A Escotilha sobre o novo disco eu n\u00e3o lembrava dessa entrevista e o que eu falei \u00e9 que o que me encantava no novo disco era&#8230;<\/strong><br \/>\nFelipe: Foi tu que escreveu n\u2019A Escotilha?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi sim.<\/strong><br \/>\nRodrigo: Bah, que animal!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe: <a href=\"http:\/\/www.aescotilha.com.br\/musica\/caixa-acustica\/dingo-bells-todo-mundo-vai-mudar-resenha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gostei muito do teu texto<\/a>!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Valeu! &#8230;eu escrevi que o disco era muito pop e isso era uma das qualidades dele. Voc\u00ea ainda sente esse certo perigo do conceito do pop?<\/strong><br \/>\nRodrigo: Eu acho que nessa \u00e9poca da primeira entrevista, talvez, n\u00e3o me lembro em que ponto estava tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o com o \u201cMaravilhas\u201d, mas a gente n\u00e3o sabia direito o entendimento das pessoas do pop. Acho que o \u201cMaravilhas\u201d comprovou que existe um entendimento que \u00e9 o que a gente gostaria desse universo pop. E a gente investiu de novo nisso no \u201cTodo Mundo Vai Mudar\u201d, nesse nosso entendimento do pop. Talvez, falando na \u00e9poca, deveria ser o pop que \u00e9 associado a FM pop, a r\u00e1dio&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Talvez ao sentido de pop que \u00e9 passageiro tamb\u00e9m, pode ser isso?<\/strong><br \/>\nRodrigo: Exatamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 que entendo esse pop num conceito de que se comunica f\u00e1cil com as pessoas, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o com elas&#8230;<\/strong><br \/>\nRodrigo: Perfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe: A gente encara mais por esse vi\u00e9s mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigo: Identifica\u00e7\u00e3o. Acho que f\u00e1cil identifica\u00e7\u00e3o ou identificando temas que muitas vezes s\u00e3o universais: mudan\u00e7as, o tempo, as pessoas, as rela\u00e7\u00f5es. Quem n\u00e3o se identifica com isso, n\u00e9? E a\u00ed est\u00e1 o pop tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vejo muito na m\u00fasica independente que \u00e9 feita no Brasil que \u00e0s vezes a pessoa n\u00e3o quer ser pop, a\u00ed a can\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e9 pop, mas ela tenta colocar uma guitarra, uma coisa estranha meio para n\u00e3o ser t\u00e3o acess\u00edvel, para parecer mais cabe\u00e7udo, digamos assim, e nem sempre \u00e9 o que vale, sabe?<\/strong><br \/>\nFelipe: \u00c0s vezes fica sem cara nenhuma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. Por que \u00e0s vezes a can\u00e7\u00e3o pop de 3 minutos diz mais.<\/strong><br \/>\nR: Exato! Acho que o lance pop \u00e9 bem nesse terreno que tu t\u00e1 falando. Nossa maior vontade \u00e9 que o nosso som chegue ao m\u00e1ximo de pessoas. Ent\u00e3o, a gente veste essa m\u00fasica com uma forma que chegue f\u00e1cil nas pessoas e que n\u00e3o cause&#8230; claro, n\u00e3o digo isso pra todo repert\u00f3rio, tem algumas m\u00fasicas que propositalmente a gente diz \u201cvamos causar a estranheza\u201d, que isso tamb\u00e9m tem o seu lado pop de tu chamar a aten\u00e7\u00e3o pelo diferente. Isso j\u00e1 foi muito trabalhado, mas eu acho que \u00e9 mais ou menos por a\u00ed. Causar essa identifica\u00e7\u00e3o f\u00e1cil, nesses temas universais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5XHnN6F9i70?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e colabora com o sites\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aescotilha.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Escotilha<\/a>. Escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. A foto que abre o texto \u00e9 de\u00a0Rodrigo Marroni \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tr\u00eas anos se passaram desde o elogiado disco de estreia e agora eles lan\u00e7am seu segundo disco, \u201cTodo Mundo Vai Mudar\u201d (2018), produzido por Marcelo Fruet e viabilizado atrav\u00e9s do edital da Natura Musical. 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