{"id":48000,"date":"2018-06-25T08:16:00","date_gmt":"2018-06-25T11:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=48000"},"modified":"2018-07-30T11:08:47","modified_gmt":"2018-07-30T14:08:47","slug":"entrevista-cordel-do-fogo-encantado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/06\/25\/entrevista-cordel-do-fogo-encantado\/","title":{"rendered":"Entrevista: Cordel do Fogo Encantado"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gil Luiz Mendes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o Cordel do Fogo Encantado decidiu parar as atividades em 2010, ap\u00f3s tr\u00eas \u00e1lbuns e pouco mais de 10 anos de estrada, o mundo era outro. Se ouvia m\u00fasica de outra maneira e at\u00e9 a forma das bandas se relacionarem com seus f\u00e3s era diferente. Em fevereiro deste ano, o Cordel anunciou sua volta e tamb\u00e9m um disco novo. E se h\u00e1 algo que n\u00e3o mudou nesses oito anos \u00e9 a forma de intera\u00e7\u00e3o mais sincera que existe entre artista e p\u00fablico: o palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esse ambiente que Lirinha, Clayton Barros, N\u00eago Henrique, Rafa Almeida e Emerson Draugth dominam como poucos na m\u00fasica popular brasileira. Quem j\u00e1 conhecia as apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo do grupo pernambucano ainda sente surpresa ao se deparar com o novo espet\u00e1culo, \u201cViagem ao Cora\u00e7\u00e3o do Sol\u201d (2018). A gera\u00e7\u00e3o mais nova que est\u00e1 sendo apresentada agora ao Cordel v\u00ea que o grupo passa longe de ser apenas m\u00fasica. Poesia e teatro continuam presentes nesse retorno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conversa por telefone com o Scream &amp; Yell, Clayton Barros conta sobre as motiva\u00e7\u00f5es que levaram os integrantes se reunirem novamente (\u201cA gente pensou no momento pol\u00edtico e social que vivemos hoje\u201d), a necessidade de n\u00e3o parecer uma banda datada (\u201cA gente quis apontar setas para o futuro\u201d), o novo disco (\u201cFernando Catatau nos orientou muito sobre a melhor forma de executar as m\u00fasicas desse novo disco\u201d) e como a banda ver novos f\u00e3s e novas tecnologias nessa volta as palcos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ML1VpkKWlRU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes da volta deste ano, a banda tinha se reunido em 2016 para gravar uma m\u00fasica para o filme \u201cLargou as Botas e Mergulhou no C\u00e9u\u201d. Essa reuni\u00e3o foi o primeiro passo para o retorno do Cordel?<\/strong><br \/>\nFoi uma ramifica\u00e7\u00e3o para o resultado atual esse encontro em torno dessa m\u00fasica para o filme. Quando o Lira recebeu o pedido dos diretores do filme (Paulo Junior, Raoni Gruber, Bruno Graziani e Cau\u00ea Gruber), a gente ainda n\u00e3o estava dialogando sobre volta. Digamos que isso foi o primeiro passo. At\u00e9 porque a grava\u00e7\u00e3o foi feita \u00e0 dist\u00e2ncia. Eu, Emerson, Rafa e N\u00eago gravamos em Recife, com a produ\u00e7\u00e3o de Yuri Queiroga, e mandamos o material para S\u00e3o Paulo para o Lira terminar de gravar. A partir do resultado dessa m\u00fasica que come\u00e7a a brotar a possibilidade do que seria uma volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi essa volta?<\/strong><br \/>\nFoi constru\u00edda toda em cima de uma continuidade de trabalhar um disco novo. A gente pensou no momento pol\u00edtico e social que vivemos hoje e falamos sobre que tipo de disco que quer\u00edamos, com essa mensagem de esperan\u00e7a, da for\u00e7a, da luta. Outra coisa que nos influenciou muito para a volta foi a partida e passagem de plano de Nan\u00e1 Vasconcelos. A gente se encontrou no vel\u00f3rio e a gente viu olho no olho que era hora da gente realmente juntar as for\u00e7as e reascender a chama. Eu nunca me considerei um ex-Cordel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Houve mudan\u00e7a no som de voc\u00eas depois dessa pausa?<\/strong><br \/>\nNesses oito anos cada um percorreu uma trajet\u00f3ria e a gente est\u00e1 congregando estes conhecimentos nesse disco. A gente quando pensa no trabalho novo, a gente pensa na continuidade do que j\u00e1 tinha feito e n\u00e3o voltar para fazer show apenas com m\u00fasicas dos discos antigos. A gente quis apontar setas para o futuro. No final de 2016 a gente come\u00e7ou a se encontrar para come\u00e7ar a ensaiar numa casa em que montamos um est\u00fadio em Recife. Come\u00e7amos a levantar o que a gente tinha. Quando paramos em 2010, est\u00e1vamos \u00e0s v\u00e9speras de come\u00e7ar a produ\u00e7\u00e3o de um quarto disco que n\u00e3o veio. T\u00ednhamos uns 12 temas, evolu\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas, melodias, peda\u00e7os de m\u00fasica. Come\u00e7amos a juntar esses peda\u00e7os para compor esse disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi para tornar todas essas partes em um disco?<\/strong><br \/>\nAlgumas coisas ainda eram muito ligadas ao passado e a gente queria uma coisa que tanto fale a \u00e9poca em que a gente parou, mas que seja um sin\u00f4nimo desse intuito de sequ\u00eancia. Parte do material que a gente tinha deixado parado foi mesclado com coisas novas que compomos nesses seis meses de est\u00fadio. E para isso tomar forma era necess\u00e1rio um produtor que todo mundo curtisse, por isso chamamos o Fernando Catatau. Tinha muita coisa a ser feita por sermos uma banda com muita percuss\u00e3o e apenas um instrumento harm\u00f4nico. Eles nos orientou muito sobre a melhor forma de executar as m\u00fasicas desse novo disco. Nesse disco, por exemplo, eu passei a usar viol\u00f5es de 12 cordas e de cordas de a\u00e7o, coisa que antes eu s\u00f3 fazia com viol\u00e3o de corda de nylon.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse foi o processo de est\u00fadio, mas como se deu essa volta nas apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo?<\/strong><br \/>\nA gente fez de tudo para n\u00e3o criar expectativa. H\u00e1 um processo muito grande para gravar um material novo e depois tem mais uma bateria infinita de ensaios para montar o show. Foi preciso levantar todas as m\u00fasicas de todos os discos para juntar com as do \u00e1lbum novo. Isso foi uma batalha herc\u00falea (risos). Depois de revisitar toda a nossa obra, porque n\u00e3o tem como fazer um show s\u00f3 de m\u00fasicas novas, e principalmente em um retorno depois de tanto tempo fora dos palcos. O nosso show est\u00e1 com quase duas horas de dura\u00e7\u00e3o. A gente percorre os tr\u00eas discos anteriores e toca quase todo o disco novo, tudo isso costurado dentro de um roteiro. E um brilho especial \u00e9 a parte feminina com Isadora Melo, cantora e atriz pernambucana, fazendo os vocais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que faz o Cordel ser uma banda t\u00e3o cultuada mesmo depois de oito anos longe dos palcos?<\/strong><br \/>\nEu que costumo dizer que o Cordel \u00e9 baseado por tr\u00eas pilares: a poesia, o teatro e a m\u00fasica. Mas a cada disco sempre fizemos quest\u00e3o que fosse algo novo, como transformado em um laborat\u00f3rio dentro do nosso universo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O mundo e a forma como se consome m\u00fasica mudou bastante em oito anos. Qual foi o cen\u00e1rio que o Cordel encontrou nessa volta?<\/strong><br \/>\nTudo mudou no mundo, principalmente pelas redes sociais. A gente n\u00e3o tinha nada disso, os nossos discos estavam fora das plataformas streaming. Nessa volta est\u00e1 havendo esse di\u00e1logo e isso est\u00e1 sendo muito massa. A quantidade de mensagens que a gente recebe \u00e9 muita bacana. Gente que n\u00e3o nos conheciam e agora curte nosso trabalho por conta da internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mesmo com oito anos ausentes, h\u00e1 uma renova\u00e7\u00e3o no p\u00fablico do Cordel?<\/strong><br \/>\nEu vi no show do Recife pessoas de 60 anos e uma garotada de 17, 18. Pra gente \u00e9 muito bom ver esse p\u00fablico que j\u00e1 nos conhecia e se deparar com esse pessoal mais novo, que tem um valor muito grande pra gente, porque \u00e9 um tipo de f\u00e3 que consome nossa m\u00fasica de uma outra forma. Nunca se tocou tanta m\u00fasica nos fones de ouvido como agora. A gente se preparou para este momento, entendemos em que momento est\u00e1vamos entrando e o que nos esperaria. Avaliamos muita coisa para essa volta, mesmo que algumas saiam naturalmente do controle. A gente n\u00e3o domina o tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A grande tem\u00e1tica do disco de voc\u00eas \u00e9 a liberdade. Qual o paralelo que isso tem com o atual cen\u00e1rio pol\u00edtico do pa\u00eds?<\/strong><br \/>\nConversamos muito sobre esse tema t\u00e3o recorrente que \u00e9 a liberdade. O que \u00e9 liberdade? A gente vive em um mundo cercado por todos os lados. Somos oprimidos seja por partidos pol\u00edticos, seja por ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, fake news, embates virtuais que ficam jogando o nosso c\u00e9rebro para um lado e para outro, e muitas pessoas n\u00e3o sabem nem para onde est\u00e3o indo. A liberdade \u00e9 querer todos livres. A diferen\u00e7a deve ser o que nos une. Principalmente em um pa\u00eds miscigenado como o nosso. As nossas igualdades t\u00eam que ser comemoradas, mas a gente percebe que cada vez mais o nosso pa\u00eds est\u00e1 dividido. Isso fortalece essa corrente o mal que a gente ver crescer por a\u00ed.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/twD4Gvjumbs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3PoosTlNYmQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4xYpDxi4s_g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span class=\"curator-description\">\u2013 Gil Luiz Mendes (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes<\/a>), jornalista, viveu boa parte da vida no Recife e hoje mistura a sua loucura com a de S\u00e3o Paulo. Tem passagens pelas r\u00e1dios Jornal do Commercio, CBN , Central3 e tem textos publicados no IG e na Carta Capital. \u00c9 skatista e m\u00fasico quando d\u00e1 tempo.<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Cordel do Fogo Encantado est\u00e1 de volta com novo disco e novo show, mas a mesma sede de palco de sempre, e a mesma busca por entendimento: &#8220;A liberdade \u00e9 querer todos livres. 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