{"id":47922,"date":"2018-06-14T09:53:28","date_gmt":"2018-06-14T12:53:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=47922"},"modified":"2018-07-21T12:29:00","modified_gmt":"2018-07-21T15:29:00","slug":"entrevista-juliano-gauche","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/06\/14\/entrevista-juliano-gauche\/","title":{"rendered":"Entrevista: Juliano Gauche"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/trsobrinho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thiago Sobrinho<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos ap\u00f3s o elogiado \u201cNas Est\u00e2ncias de Dzyan\u201d (2016), o m\u00fasico e compositor capixaba Juliano Gauche acaba de lan\u00e7ar o terceiro disco solo de sua carreira. Trata-se de \u201cAfastamento\u201d, \u00e1lbum produzido pelo pr\u00f3prio artista ao lado de Fernando Catatau, frontman da banda cearense Cidad\u00e3o Instigado (outro m\u00fasico do Cidad\u00e3o, Dustan Gallas, assina a mixagem), e que ganha \u00e0s ruas via selo EAEO Records. <a href=\"https:\/\/julianogauche.bandcamp.com\/album\/afastamento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O disco pode ser baixado no Bandcamp<\/a>\u00a0e pode ser ouvido em todas as plataformas de streaming.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com oito faixas, o \u00e1lbum \u00e9 permeado pelo afastamento que o batiza. Nelas, o ex-integrante do Solana encarna as dores e a poesia da ruptura do indiv\u00edduo do ambiente onde vive, de si mesmo e as demais possibilidades desse movimento t\u00e3o comum nas trincheiras do dia a dia. Em \u201cSilmar Saraiva\u201d, m\u00fasica que abre \u201cAfastamento\u201d, o capixaba se aproxima de Ecoporanga, sua cidade natal situada no Norte do Esp\u00edrito Santo. Algo que nos leva se dar conta que nem tudo neste disco est\u00e1 sob o v\u00e9u da dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que perceber ambiguidades do tipo, ouvir as can\u00e7\u00f5es deste novo trabalho \u00e9 perceber \u2013 e se encantar \u2013 com a busca de Gauche por sua voz enquanto artista. \u201cAcho que maior busca de um artista \u00e9 sua assinatura. Quero me aproximar o m\u00e1ximo poss\u00edvel disso\u201d, conta o m\u00fasico que participa de \u201cUm Grito Que Se Espelha\u201d, tributo a Walter Franco lan\u00e7ado pelo Scream &amp; Yell, e define o novo \u00e1lbum em tom de brincadeira como \u201cmantra mec\u00e2nico, discoteca dark, p\u00f3s punk l\u00edrico, caneta sangrenta\u201d. Confira o bate papo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1IXlYcbvA6w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A primeira faixa do seu novo trabalho fala sobre este personagem chamado Silmar Saraiva, do munic\u00edpio de Ecoporanga, localizado no Norte do Esp\u00edrito Santo. Embora o disco se chame \u201cAfastamento\u201d, logo de cara voc\u00ea se aproxima da sua cidade natal. O que h\u00e1 por tr\u00e1s desse distanciamento?<\/strong><br \/>\nEu me sinto exilado de Ecoporanga. E s\u00e3o minhas escolhas que sustentam este quadro. Sou um opositor declarado de quase tudo que exerce seus poderes por l\u00e1. A come\u00e7ar pelo prefeito, que \u00e9 acusado de ter burlado as elei\u00e7\u00f5es, mas, por ser um grande produtor de carne, tem conseguido sustentar isso sem muitos problemas. Ali\u00e1s, tamb\u00e9m sou simpatizante dos direitos dos animais, o que me coloca em conflito direto com a ideologia predominante do mercado local. Al\u00e9m de criticar abertamente as igrejas que l\u00e1 funcionam como currais eleitorais, passando panos quentes em todas essas irregularidades. E acima de tudo minha milit\u00e2ncia pela legaliza\u00e7\u00e3o da maconha, o que me coloca lado-a-lado com o diabo, na vis\u00e3o deles. Por outro lado, sou apaixonado pela natureza do lugar, por sua hist\u00f3ria, por seus poetas&#8230; e esse afastamento, acima de tudo, me d\u00f3i.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quem \u00e9 Silmar? Qual import\u00e2ncia ele teve para sua forma\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nMinha m\u00fasica sempre foi esquisita. E em e Ecoporanga eu podia contar nos dedos de uma m\u00e3o as pessoas que gostavam dela. No topo dessa listinha estava o Silmar Saraiva, que sempre soube me motivar. Ele me ensinou muita coisa. Al\u00e9m de me encher de argumentos para que eu conseguisse sustentar meu discurso. E essa m\u00fasica fala disso: de um lado pessoas como ele, buscando uma vida diferente; e de outro essa sociedade presa pelo medo e coisas do g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 Na faixa \u201cDos Dois\u201d percebemos o distanciamento de um casal. Mas ao longo das outras m\u00fasicas conseguimos pin\u00e7ar configura\u00e7\u00f5es diferentes desse movimento, como o afastamento do indiv\u00edduo do ambiente onde vive, de si mesmo, entre outras possibilidades. O que o aproximou deste tema?<\/strong><br \/>\nLogo nas primeiras m\u00fasicas que escrevi para este disco, me dei conta de que esse movimento de se afastar tinha uma presen\u00e7a muito forte nelas. E reparei tamb\u00e9m que meu ponto de vista em quase tudo era o de quem olhava a situa\u00e7\u00e3o de uma certa dist\u00e2ncia. E que minha vontade de me afastar ainda mais desses mecanismos de domina\u00e7\u00e3o em que vivemos era muito latente. O que me pedia um distanciamento de mim mesmo, enquanto fruto do meio. Ent\u00e3o pareceu \u00f3bvio este t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E artisticamente? Voc\u00ea tem se afastado (ou se aproximado) do qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nAcho que a maior busca de um artista \u00e9 sua assinatura. Quero me aproximar o m\u00e1ximo poss\u00edvel disso. E neste trabalho usei uma t\u00e9cnica proposta por neurocientistas que dizem que voc\u00ea precisa est\u00e1 sempre assimilando coisas novas para que seu c\u00e9rebro crie novas sinapses e se manifeste com mais for\u00e7a e clareza. Ent\u00e3o fui deixando tudo o que me era habitual de lado, e procurando ouvir s\u00f3 coisas novas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para este trabalho voc\u00ea dividiu a produ\u00e7\u00e3o com o Fernando Catatau (Cidad\u00e3o Instigado). Catatau \u00e9 um cara que voc\u00ea vem trocando figurinhas desde \u201cNas Est\u00e2ncias de Dzyan\u201d, seu disco anterior, lan\u00e7ado em 2016. Como foi t\u00ea-lo como co-produtor?<\/strong><br \/>\nMe senti extremamente protegido. Ele e o Dustan Gallas (tamb\u00e9m do Cidad\u00e3o Instigado e respons\u00e1vel pela mixagem) levaram o trabalho para outro n\u00edvel. O Catatau \u00e9 um g\u00eanio e a forma como ele foi desenhando os arranjos com os m\u00fasicos, parecia m\u00e1gica. Mais que um co-produtor, tenho dito que ele acabou virando um co-autor, pois suas interven\u00e7\u00f5es, em algumas partes, acabaram rearmonizando as m\u00fasicas. Pra mim \u00e9 uma grande honra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea define a sonoridade deste \u201cAfastamento\u201d?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei se consigo definir o som que chegamos nele. Durante o processo, express\u00f5es como mantra mec\u00e2nico, discoteca dark, p\u00f3s punk l\u00edrico, caneta sangrenta, e coisa do tipo surgiam, mas em tom de brincadeira. Acho que como n\u00e3o temos mais um mercado com aquelas prateleiras divididas por ritmos, quase ningu\u00e9m mais se preocupa em fazer um trabalho com g\u00eanero definido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cPra Festejar o Sil\u00eancio\u201d foi composta, como diz o release escrito pelo jornalista Jotab\u00ea Medeiros, ap\u00f3s uma \u201cleitura febril\u201d do livro \u201cGrande Sert\u00e3o: Veredas\u201d. O que te encanta nessa hist\u00f3ria publicada pelo Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa l\u00e1 em 1956?<\/strong><br \/>\nFoi a primeira vez que chorei lendo um livro. Acima de tudo, pra mim, ele \u00e9 uma hist\u00f3ria de amor. E eu, com um rom\u00e2ntico incur\u00e1vel, me senti profundamente impactado por ele. Fiz a m\u00fasica logo na sequ\u00eancia da leitura. E usei imagens da minha hist\u00f3ria com a Sil (minha companheira de travessia), para simular aquela natureza de amor em tempos de guerra, presente nele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E de que maneira as leituras que faz influenciam nos teus escritos?<\/strong><br \/>\nA literatura \u00e9 a minha principal fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Nem sei se trato a m\u00fasica com tanta seriedade como trato os livros. A m\u00fasica, pra mim, \u00e9 s\u00f3 uma ferramenta que eu uso para manifestar o que colho da poesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A cantora Soledad acaba de lan\u00e7ar uma m\u00fasica tua: \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ZGKHwEmy0CU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">De Manh\u00e3, Logo Cedo<\/a>\u201d. Fala um pouco sobre essa composi\u00e7\u00e3o e conta como foi que a m\u00fasica foi cair nas m\u00e3os dela.<\/strong><br \/>\nEssa can\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nasceu durante o processo deste disco novo. Mas ela soava redundante dentro do conjunto que j\u00e1 estava predominando. Ent\u00e3o a deixei de lado. Mas ela come\u00e7ou a tocar na minha cabe\u00e7a sem parar. Como se n\u00e3o quisesse ficar pra tr\u00e1s. Ent\u00e3o perguntei a ela o que ela queria e o nome da Soledad surgiu. Como j\u00e1 estava buscando fazer alguma coisa com ela, pois sou muito f\u00e3 do jeito que a Soledad interpreta, tudo isso caiu como uma luva. Pra minha sorte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fora a Soledad, voc\u00ea tem outras parcerias em vista?<\/strong><br \/>\nSim. Al\u00e9m dessa vers\u00e3o da Soledad, tamb\u00e9m foram lan\u00e7adas recentemente uma vers\u00e3o da m\u00fasica &#8220;Para Tua Mulher Quando Te Casares&#8221;, pela Tassia Holsbach, uma vers\u00e3o de &#8220;Dos Dois&#8221;, pela Izza Beatriz, o Daniel Groove vai lan\u00e7ar em breve uma vers\u00e3o para &#8220;Bolero de Mentira&#8221; e a cantora Patr\u00edcia Coelho tamb\u00e9m gravou duas parcerias que temos juntos em seu novo disco, que tamb\u00e9m sai j\u00e1 j\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Junto disso tudo, acabou de sair tamb\u00e9m \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/03\/download-um-grito-que-se-espalha-tributo-a-walter-franco-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um Grito que se Espalha<\/a>\u201d, tributo a Walter Franco lan\u00e7ado pelo Scream &amp; Yell. A m\u00fasica que voc\u00ea interpreta \u00e9 \u201cRevolver\u201d (uma can\u00e7\u00e3o que voc\u00ea j\u00e1 tocava antes). O que o levou a optar por essa can\u00e7\u00e3o e o que ela diz para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nMinha banda em Ecoporanga se chamava Rev\u00f3lver (com acento mesmo), por causa da surpresa que tive ao ver o Walter Franco citando meu disco predileto dos Beatles, na \u00e9poca. Como tudo isso se deu, \u00e9 uma confus\u00e3o digna de deixar pra l\u00e1. Mas quando vi que teria a oportunidade de fazer minha vers\u00e3o pra ela, foi uma alegria s\u00f3.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nUsGMVMJIKc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Thiago Sobrinho (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/trsobrinho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.trsobrinho<\/a>) \u00e9 jornalista do A Tribuna em Vit\u00f3ria, Esp\u00edrito Santo. A foto que abre o texto \u00e9 de Harodo Saboia \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Juliano est\u00e1 lan\u00e7ando seu terceiro disco solo, &#8220;Afastamento&#8221;, e define o novo \u00e1lbum em tom de brincadeira como \u201cmantra mec\u00e2nico, discoteca dark, p\u00f3s punk l\u00edrico, caneta sangrenta\u201d. Ou\u00e7a! \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/06\/14\/entrevista-juliano-gauche\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":59,"featured_media":47923,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1724],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47922"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47922"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47922\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47934,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47922\/revisions\/47934"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}