{"id":47890,"date":"2018-06-12T00:58:55","date_gmt":"2018-06-12T03:58:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=47890"},"modified":"2018-07-16T15:42:55","modified_gmt":"2018-07-16T18:42:55","slug":"entrevista-10-dias-com-juvenil-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/06\/12\/entrevista-10-dias-com-juvenil-silva\/","title":{"rendered":"Entrevista: 10 dias com Juvenil Silva"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rafael.p.donadio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rafael Donadio<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre fazendo a curva ao contr\u00e1rio, Juvenil Silva segue reinventando, longe das sombras do manguebeat. Hiperativo, escreve a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, movimentando a capital de Pernambuco sem fincar as antenas no mangue, mas muito atento ao que o circunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi em uma viagem, no come\u00e7o de maio, que eu tive o prazer de dividir o apartamento com ele, durante 10 dias. Entre conversas e cervejas das noites loucas de Olinda e Recife, conheci melhor Fabio Alves da Silva, vulgo Juvenil, e me aprofundei no \u00e1lbum mais coracional desse rapaz hiperativo, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/10FS9kqaeJzyhjMbYk0EB2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Suspenso<\/a>\u201d (lan\u00e7ando em 02 de mar\u00e7o de 2018). E tudo que os envolve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas para falar do disco \u00e9 preciso conhecer a faixa b\u00f4nus \u201cPulgas no Planeta\u201d. Voz e viol\u00e3o de Juvenil, trompete de Marcio Oliveira e programa\u00e7\u00f5es de Jalu Maranh\u00e3o d\u00e3o um ar de suspense \u00e0 can\u00e7\u00e3o de tr\u00eas minutos e meio. O trio refaz a sonoridade de uma orquestra (de c\u00e2mara, para n\u00e3o dizerem que exagero) que celebra o amor. N\u00e3o o amor \u00fanico, mas o seu, o nosso, deles, de cada um. \u201cAmores, amores, amores&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o poderia ser em outra data, se n\u00e3o o hoje, Dia dos Namorados, o lan\u00e7amento desta can\u00e7\u00e3o: \u201cO amor n\u00e3o existe. N\u00e3o assim, como \u00e9 colocado, de forma singular, congelada e fechada no sentido de ser. O que existe \u00e9 plural e subjetivo. Amores, um para cada pessoa na face da terra! O Dia dos Namorados \u00e9 uma data rid\u00edcula, onde esse amor \u00e9 propagado de forma comercial e babaca. Aquela coisa normativa e boazinha no outdoor, na TV. N\u00e3o \u00e9 isso que me interessa, o que me interessa \u00e9 reivindicar, abrir os olhinhos para n\u00f3s mesmos e para essa particularidade agredida. Zezinho gosta de Juquinha, mas papai diz que ele precisa fazer jud\u00f4 e ser feroz. Toda essa ladainha propagada por gera\u00e7\u00f5es, pela cultura, a religi\u00e3o, a fam\u00edlia&#8230; Todas essas c\u00e9lulas ultrapassadas, que perpetuam, intactas, travando nossas evolu\u00e7\u00f5es naturais.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ExgjNpAX_M4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, explicando uma m\u00fasica que n\u00e3o estava no disco, Juvenil explica \u201cSuspenso\u201d. Uma obra sobre o amor, o amar e o desamar. O amor primitivo, particular, subjetivo, plural, liberto e louco. Aquele sem raz\u00e3o, sem sentido e at\u00e9 infantil, que, infelizmente, perdemos por regras e imposi\u00e7\u00f5es. O \u201cAmor Primo\u201d, como ele mesmo canta. \u201cPulgas no Planeta\u201d surpreende tamb\u00e9m na produ\u00e7\u00e3o, realizada por Jalu Maranh\u00e3o, no Est\u00fadio El Toboso (Recife). Diferentemente da tradicional afina\u00e7\u00e3o em L\u00e1 440 Hz (convencionada pelos alem\u00e3es, pr\u00e9 Segunda Guerra Mundial), a can\u00e7\u00e3o de Juvenil foi produzida em L\u00e1 432 Hz. Segundo Jalu, existe um movimento mundial de retorno dessa afina\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a refer\u00eancia do A1 Oriental, aproximando-se da m\u00fasica natural. Porque, se \u00e9 para falar de amor da forma mais crua e desnuda poss\u00edvel, que a sonoridade a acompanhe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SUSPENSO<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m da tr\u00edade folk, rock e psicodelia, que acompanha os dois primeiros discos, &#8220;Desapego&#8221; (2013) e &#8220;Super Qualquer no Meio de Lugar Nenhum&#8221; (2014), as novas composi\u00e7\u00f5es recebem, em \u201cSuspenso\u201d, a mistura de um Juvenil mais maduro. Com 13 faixas (at\u00e9 hoje), o trabalho aflora sentimentos num cruzamento musical. Uma confus\u00e3o de \u00f3dio, agonia, carinho, prazer, tes\u00e3o&#8230; \u201csentimento onipresente na possibilidade\u201d. Mas independente de como aflore, ser\u00e1 sempre \u201ctransante e dan\u00e7ante, porque \u00e9 assim que \u00e9 melhor para se viver\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juvenil canta sem medo da cafonice de amar. Pelo contr\u00e1rio, mostrando a cafonice de toda e qualquer barreira imposta a esse sentimento. Tudo em uma confus\u00e3o de g\u00eaneros harmonicamente organizados: Vanguarda Paulista, \u201crefr\u00e3o meio Tim Maia\u201d, \u201cThe Kinks, garagem anos 1970\u201d, \u201crock\u2019n\u2019roll doido, jovem\u201d, T. Rex, Stevie Wonder, brega da d\u00e9cada de 1970 e 1980 \u2013 \u201cmeio Reginaldo Rossi ou banda Labaredas\u201d \u2013, progressivo, \u201cm\u00fasicas latinas, Academia da Berlinda, coisas bem de Olinda\u201d, Hyldon, Cassiano etc. M\u00fasica onipresente na possibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi vivendo amores, desamores, solid\u00e3o, solitude e putaria que Juvenil juntou m\u00fasicas suficientes para tratar de um tema t\u00e3o complexo, mas, que no desapego coracional do pernambucano, torna-se simples, como um dia h\u00e1 de ser. Sem amarras, sem certo ou errado. \u201cQuando eu falo de amor no disco, eu falo do meu (rs). N\u00e3o posso falar dos outros n\u00e3o. Mas eu sugiro que as pessoas entrem no pr\u00f3prio sentimento, n\u00e3o no massificado. Ent\u00e3o, eu falo sempre tentando aprimorar e amadurecer\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSuspenso\u201d foi mixado por Arthur Dossa e Bruno Freire, gravado no Est\u00fadio Casa do Kaos (Recife\/PE), Casa da Pompeia (S\u00e3o Paulo\/SP) e em home studios de amigos. Captado por Homero Basilio, Arthur Dossa, Adriano Le\u00e3o, Gilvandro R, Diego Firmino, D Mingus, Bruno Freire e Rama Om. O disco foi finalizado e masterizado por Adriano Le\u00e3o, no Est\u00fadio Casa do Kaos (em Joao Pessoa\/PB).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47892\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/P\u00f4ster-do-disco-Susenso-Juvenil-Silva-Theus-Pinoli.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1062\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/P\u00f4ster-do-disco-Susenso-Juvenil-Silva-Theus-Pinoli.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/P\u00f4ster-do-disco-Susenso-Juvenil-Silva-Theus-Pinoli-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DEPENDURADO<\/strong><br \/>\nNo meio do percurso, as can\u00e7\u00f5es e todo o conceito do disco esbarraram nas cartas do Tarot, que chegou a Juvenil por meio de uma \u201camiga m\u00edstica, toda bruxa\u201d, como definiu, carinhosamente, o m\u00fasico. Mais especificamente, a carta d\u2019O Dependurado. Foi, ent\u00e3o, que Juvenil se descobriu suspenso no planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA energia do Dependurada fala de aceitarmos a natureza das coisas, elevando-nos acima da frustra\u00e7\u00e3o pelo que n\u00e3o corre de acordo com o que possamos ter sonhado. As coisas s\u00e3o o que s\u00e3o e o Dependurada escolhe n\u00e3o as modificar, ao ter consci\u00eancia de que isso n\u00e3o surtiria efeito. Ent\u00e3o, afasta-se e espera, procurando ver todos os \u00e2ngulos dos problemas que tem pela frente, mas v\u00ea-los de cima, de um patamar onde o envolvimento emocional \u00e9 atenuado ou mesmo suprimido. Transcende.\u201d Texto do arcano A Dependurada, cl\u00e1ssico relido e retratado pela artista maringaense Elisa Riemer, em Nosotras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi num domingo, antes do meu voo de volta para casa, aproveitando as \u00faltimas cervejas, depois de uma tarde inenarr\u00e1vel no Bar Iraq, que emergimos. Sa\u00edram das incont\u00e1veis conversas, e algumas mensagens a mais \u2013 para lembrar exatamente o que hav\u00edamos dito \u2013 todas essas informa\u00e7\u00f5es, inclusive o faixa a faixa abaixo:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47891\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/suspenso.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/suspenso.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/suspenso-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/suspenso-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DEGOLADO<\/strong><br \/>\n\u201cDegolado\u201d vem dessa brincadeira de falta de consci\u00eancia no sentimento. Sem cabe\u00e7a. Eu tinha a impress\u00e3o que o sentimento do amor era um sentimento onipresente nas possibilidades, mas acaba sendo posto, por muitos, como uma coisa negativa, e se perpetuando assim. Eu pergunto, ent\u00e3o, onde que estava isso que eu sinto agora, em rela\u00e7\u00e3o a dor? Quando eu estava com a pessoa eu n\u00e3o sentia isso. Por que a gente est\u00e1 sofrendo se a gente est\u00e1 junto na consci\u00eancia, no cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s44PL9OqJH4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HOMENS PARDAIS<\/strong><br \/>\nEssa m\u00fasica veio de uma \u00e9poca que eu n\u00e3o tinha onde morar. Ent\u00e3o, Jalu Maranh\u00e3o (autor da m\u00fasica) me chamou para morar na casa dele e me mostrou essa m\u00fasica. Ela chamava \u201cA Terra \u00e9 Pequena Pra Mim\u201d, mas eu mudei para \u201cHomens Pardais\u201d, que \u00e9 uma m\u00fasica que fala sobre transcender a dor e a divers\u00e3o. Muita coisa em rela\u00e7\u00e3o a coragem, liberta\u00e7\u00e3o e voo livre, que eu me identifiquei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jalu Maranh\u00e3o: Eu fiz a m\u00fasica h\u00e1 uns 15 anos. Ela fala sobre liberdade, de como um homem deve ser um cidad\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OApCi8f9c6c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AS COISAS N\u00c3O SE AJEITAM SOZINHAS<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma can\u00e7\u00e3o que passa mais ou menos a ideia: \u201cA ficha caiu\u201d. De olhar em volta e ver que est\u00e1 tudo muito troncho e, de certa forma, aceitar uma parte disso, para poder resolver e encarar. E por outro lado de duvidar de muita coisa em torno daquilo que estava acontecendo. Quando eu voltei para Recife, depois de uma viagem ao Sul, e n\u00e3o tinha lugar para ir, eu fui para casa de minha fam\u00edlia. Quando eu voltei, primeira coisa que minha tia me disse foi: \u201cMenino, tu tais perdido, n\u00e9?\u201d A\u00ed eu ri, brinquei. Sentei na cama e fiz a m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BTFNKF7cAbk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GAIOLA<\/strong><br \/>\nEla veio de uma reflex\u00e3o do que \u00e9 liberdade. Veio como uma coisa contestadora, sobre liberdade, amor livre e essas coisas. E ela veio depois de eu sair da casa da minha fam\u00edlia, quando eu passei por uma rua, por um vizinho que sempre teve um passarinho. Ele fez da garagem dele uma gaiola enorme. Ent\u00e3o, ele meio que forjava uma liberdade dos passarinhos dele. E talvez para ele mesmo tamb\u00e9m. E, no total, a liberdade \u00e9 uma grande utopia. \u00c9 o que eu acho.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-XWhmfCylNc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>OSCILANDO<\/strong><br \/>\nQuando morei de favor na casa de Jalu Maranh\u00e3o, em troca, eu ficava ajudando ele a gravar as m\u00fasicas dele. Ficava todo dia gravando, arranjando, discutindo pesquisas e estudos. L\u00e1 eu tive romances, hist\u00f3rias, e Oscilando eu criei l\u00e1. Fiz bem r\u00e1pido, no meio das reflex\u00f5es, das discuss\u00f5es de relacionamento e dos pensamentos em torno desses romances. Fala sobre o amor que vai e vem, dos altos e baixos. Que vai \u00e0s vezes t\u00e3o longe e se perde, que n\u00e3o tem mais volta. \u00c9 uma m\u00fasica que fala de amor mesmo, de desencontros no amor.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vYf5oR_9v4A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SE O MEU LEGAL TE FAZ MAL<\/strong><br \/>\nEra uma m\u00fasica da Canivetes. \u00c9 engra\u00e7ado, porque \u00e9 como se fosse uma semente desse disco. Eu fiz essa m\u00fasica quando tinha uns 18 ou 20 anos de idade, era muito jovem, e n\u00e3o entendia muito bem o que eu estava falando ali e nem o que significava direito. Ent\u00e3o eu resolvi gravar de novo, porque tinha pouco conhecimento e n\u00e3o tinha um registro. \u00c9 uma homenagem a minha inf\u00e2ncia e a minha adolesc\u00eancia. \u00c9 uma m\u00fasica meio cruel, com uma letra que fala um pouco da minha inf\u00e2ncia, da solid\u00e3o, da solitude da minha inf\u00e2ncia. A m\u00fasica \u00e9 um tipo de alerta, dizendo para ficar longe, caso n\u00e3o ache legal as coisas que eu penso e falo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JtmAcbrqsNY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SOLITUDE ESPONT\u00c2NEA<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma m\u00fasica instrumental, que se comunica apenas com o t\u00edtulo. Deixa a reflex\u00e3o do que seria a solitude espont\u00e2nea. Essa quest\u00e3o da solitude espont\u00e2nea \u00e9 algo que eu sempre busquei e fui fascinado. \u00c9 a arte de ser s\u00f3, estar s\u00f3, e estar bem. \u00c9 uma coisa que eu confesso que eu busco, mas n\u00e3o domino muito. Mas quando eu fiz eu estava solteiro e estava bem. Estava sentindo essa solitude espont\u00e2nea. Primeira coisa antes de estar com algu\u00e9m \u00e9 poder estar bem sozinho, porque voc\u00ea vai dar coisa boa para essa pessoa. E ela tamb\u00e9m, estando legal, vai retribuir coisa boa, ent\u00e3o vai ser um casal foda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zAj-cUS87K8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CABE\u00c7A CORA\u00c7\u00c3O<\/strong><br \/>\nDepois da casa de Jalu, fui morar em um atelier, tamb\u00e9m em Olinda, de Flavio Emanoel. Amigo, artista pl\u00e1stico, coroa muito louco que deixa Jim Morrison parecendo um bebezinho careta. De vez em quando ele me alfinetava: \u201cVoc\u00ea ainda \u00e9 muito jovem, tem muito o que aprender, muito o que errar.\u201d Eu lembro que o mote dessa m\u00fasica surgiu com isso, \u201cn\u00e3o h\u00e1 idade de errar\u201d, porque eles tamb\u00e9m erravam, assim como eu e todo mundo. E essa coisa de confundirem meu corpo, minha alma, meu cora\u00e7\u00e3o, minha cabe\u00e7a. Querem botar tudo como uma coisa s\u00f3, mas n\u00e3o \u00e9! N\u00f3s somos muitos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TAbvVsoXPo4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ZANZA<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica \u00e9 a que mais mostra a rotina de que como eu estava na \u00e9poca. Eu andando por a\u00ed, sentindo aquelas coisas todas, sofrendo mesmo, agoniado. Uma letra forte, densa e tensa. Por\u00e9m, s\u00e3o instigadas. S\u00e3o as coisas que boto de maneira tensa, mas transante e dan\u00e7ante, porque \u00e9 assim que \u00e9 melhor para se viver.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KZHfEPrlA_k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>VACAS MAGRAS<\/strong><br \/>\nEm Vacas Magras a gente d\u00e1 um salto para tr\u00e1s no tempo. O disco tem toda uma ordem cronol\u00f3gica e l\u00f3gica, mas essa \u00e9 uma fenda. N\u00e3o sei porque eu escolhi fazer isso, mas eu escolhi. \u00c9 sobre a pessoa saciar o desejo de expans\u00e3o, de liberdade, de experimenta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o que eu falo muito no disco. \u00c9 uma m\u00fasica que eu fiz depois de uma separa\u00e7\u00e3o de um relacionamento. O disco tamb\u00e9m tem muito a ver com esse per\u00edodo p\u00f3s ruptura, de lugar, pessoas, amizade, romance, relacionamentos, ruptura at\u00e9 de si mesmo. Mas ela poderia ser a primeira m\u00fasica, porque ela fala de um per\u00edodo antes desse afastamento todo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eMtPulPU8z8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>AMOR PRIMO<\/strong><br \/>\nTalvez o amor primo seja um dos amores idealizados nessa \u00e2nsia do disco. Esse disco anseia muito por um amor diferente, por essa expans\u00e3o da palavra amor, dessa postura de relacionamentos e rela\u00e7\u00f5es, em que a gente quer uma coisa nova, revolucion\u00e1ria e forte. Jean Santos pediu para eu fazer essa m\u00fasica para um dos filmes dele, \u201cSuperpina\u201d. N\u00e3o \u00e9 bem o amor livre, \u00e9 um amor primitivo, liberto e louco, sem raz\u00e3o. Sem sentido, at\u00e9 infantil. Coisa que s\u00f3 as crian\u00e7as t\u00eam.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kdm_BEjS-kc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DE QUE ADIANTOU<\/strong><br \/>\nUma can\u00e7\u00e3o que quase n\u00e3o entrou no disco, pelo fato de eu achar ela um tanto cruel, uma can\u00e7\u00e3o dura. Diz as coisas na cara, de uma maneira at\u00e9 c\u00ednica. Por\u00e9m, n\u00e3o estou falando de uma pessoa espec\u00edfica, eu falo de diversos personagens, fict\u00edcios e reais. Ent\u00e3o, acabo formando um personagem s\u00f3, potencializado. Fala em suic\u00eddio e sobre fugas e mais fugas para superar a dor. No final, a letra da uma suavizada, at\u00e9 uma brincada com aquela dureza do come\u00e7o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0hNj6t1F4_8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DE UMA FORMA OU DE OUTRA<\/strong><br \/>\nO meu amigo que produziu o disco, Arthur Dossa, brincou que era muito dif\u00edcil a galera fazer rock\u2019n\u2019roll no tom de F\u00e1. Ent\u00e3o eu resolvi fazer a \u201cDe Uma Forma ou de Outra\u201d, que \u00e9 a minha primeira m\u00fasica feita em F\u00e1. E \u00e9 s\u00f3 isso: \u201cMeu bem\/no fim\/de uma forma\/ou de outra\/n\u00f3s vamos\/dan\u00e7ar.\u201d \u00c9 o que eu falei antes, mesmo que seja mal, as m\u00fasicas v\u00e3o ser dan\u00e7antes, para cima, harmonicamente, melodicamente e ritmicamente falando. E no sentido da palavra mesmo: de uma forma ou de outra, a gente se fode ou vai dan\u00e7ar. Para mim, \u00e9 o grand finale.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KiP_R1fV2Zg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Rafael Donadio (Facebook:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rafael.p.donadio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rafael.p.donadio<\/a>) \u00e9 jornalista maringaense que est\u00e1 sentindo na pele a\u00a0\u00a0dificuldade de fazer produ\u00e7\u00e3o cultural nos feudos paranaenses (mas n\u00e3o vai desistir).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sempre fazendo a curva ao contr\u00e1rio, Juvenil Silva segue reinventando, longe das sombras do manguebeat. 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