{"id":47713,"date":"2018-05-28T10:27:29","date_gmt":"2018-05-28T13:27:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=47713"},"modified":"2018-06-24T11:02:52","modified_gmt":"2018-06-24T14:02:52","slug":"entrevista-duda-beat","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/28\/entrevista-duda-beat\/","title":{"rendered":"Entrevista: Duda Beat"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duda Beat \u00e9 uma pernambucana radicada no Rio que apareceu inicialmente fazendo backing vocals nos discos de Letrux e Castello Branco. Ela canta, por\u00e9m, desde os 13 anos, e, do tipo que se apaixona e se entrega, Duda transformou suas experi\u00eancias amorosa em can\u00e7\u00f5es e assim nasceu seu disco de estreia, o rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Z2rWqJQNM3A\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sinto Muito<\/a>\u201d (2018).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu release de lan\u00e7amento fala que ela \u201ctransforma sofr\u00eancia em arte e amor pr\u00f3prio\u201d, por\u00e9m n\u00e3o sou afeito ao neologismo sofr\u00eancia \u2013 uma esp\u00e9cie de sofrimento + car\u00eancia, algo bem pr\u00f3ximo da dor de cotovelo, que virou praticamente um sub-g\u00eanero musical da atualidade. Sou do tipo f\u00e3 de Maria Beth\u00e2nia, que entende a dor de amor como parte fundamental da arte e \u00e9 nesse mar que Duda Beat navega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto, essas dores e experi\u00eancias amorosas de Duda s\u00e3o o combust\u00edvel que move \u201cSinto Muito\u201d, um disco que transita por diferentes g\u00eaneros de forma sedutora: tecnobrega, ax\u00e9, indie, baladas rom\u00e2nticas, tudo serve para que a cantora exponha suas emo\u00e7\u00f5es e coloque seus sentimentos na vitrine, para que n\u00f3s dancemos e nos identifiquemos com cada verso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Habitando num universo extremamente pop, \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Z2rWqJQNM3A\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sinto Muito<\/a>\u201d tem potencial para ser a paix\u00e3o dos alternativos em 2018, por isso mesmo conversei com Duda sobre a cria\u00e7\u00e3o do disco, sua carreira e seus amores. Confira abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gFUuxGOsMow?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 quanto tempo voc\u00ea mora no Rio de Janeiro?<\/strong><br \/>\nCheguei ao Rio de Janeiro no final de 2005, eu tinha terminado o terceiro ano \u2013 o colegial. Vim tentar medicina aqui no Rio. A minha tia j\u00e1 morava aqui, eu sempre vinha passar as f\u00e9rias no Rio, e decidi que viria morar. No in\u00edcio foi um choque pro meu pai e pra minha m\u00e3e, por que eles n\u00e3o queriam de jeito nenhum que eu morasse aqui \u2013 a minha m\u00e3e at\u00e9 me apoiou mais, \u201cn\u00e3o, a\u00ed tem quatro faculdades federais, ent\u00e3o s\u00e3o mais possibilidades de voc\u00ea tentar medicina\u201d. Ent\u00e3o acabei vindo, me matriculando no cursinho. Ent\u00e3o o meu tr\u00e2nsito foi mais ou menos esse, eu tinha uns 18 anos quando eu vim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a\u00ed voc\u00ea chegou a fazer a faculdade de Medicina?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Cheguei no Rio, fiquei sete anos tentando vestibular para medicina e n\u00e3o passei. Da\u00ed quando foi no \u00faltimo ano eu decidi: \u201cah, se eu n\u00e3o passar eu vou tentar direito ou alguma coisa na \u00e1rea\u201d. A minha nota tamb\u00e9m n\u00e3o deu, por que no \u00faltimo ano eu meio que chutei o pau da barraca, n\u00e3o me dediquei tanto, falei \u201cah, agora que se dane, eu vou ver o que vai dar\u201d. Acabou que n\u00e3o deu nem pra direito e nem pra medicina. Dai me lembro que estava pesquisando na UniRio e o curso que tinha a mesma grade de direito no in\u00edcio era Ci\u00eancia Pol\u00edtica, a\u00ed eu falei \u201cbom, vou come\u00e7ar a fazer ci\u00eancia pol\u00edtica e a\u00ed depois eu transfiro a faculdade l\u00e1 dentro, o primeiro semestre era igual e a\u00ed eu transfiro\u201d. S\u00f3 que quando eu entrei em CP eu me apaixonei. E estou me formando agora no meio do ano, sou cientista pol\u00edtica al\u00e9m de cantora!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E nessa \u00e9poca que voc\u00ea estava tentando o vestibular voc\u00ea j\u00e1 compunha ou ainda n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. No in\u00edcio eu n\u00e3o compunha, s\u00f3 cantava. E canto desde os 13 anos, mais ou menos. Teve uma \u00e9poca que frequentei igreja, ent\u00e3o comecei a cantar na igreja. Foi muito legal, pois eram eu e mais tr\u00eas meninas, e ent\u00e3o o pastor da igreja falou: \u201cN\u00e3o, vou te dar um solo\u201d, e foi a primeira vez que ganhei um solo! Foi muito emocionante, super fofo. Depois parei de frequentar a igreja, por que, enfim, estava estudando, fazendo mil coisas. E comecei a ter uma banda no cient\u00edfico, do primeiro ano at\u00e9 o terceiro ano, no col\u00e9gio, l\u00e1 em Recife. A banda tocava covers nos intervalos das aulas; a gente cantava Cl\u00e1udia Leitte, Ivete Sangalo, O Rappa, era super divertido. Mas quando vim pro Rio eu n\u00e3o tava t\u00e3o focada assim na m\u00fasica, tive essa banda l\u00e1 que acabou por que vim morar aqui e tal. No Rio eu j\u00e1 conhecia o Castello Branco, j\u00e1 eram meus amigos, por que eu sempre vinha passar as f\u00e9rias aqui desde os 14 anos. Gabriel toca na R. Sigma, Castello era o cantor da R. Sigma, ent\u00e3o convivi com o Tom\u00e1s [Tr\u00f3ia], que \u00e9 o produtor do meu disco, com o Diogo Strausz, Castelo desde essa \u00e9poca, conhecia eles h\u00e1 bastante tempo. Quando vim morar aqui o R. Sigma estava meio que acabando, o Lucas [Castello Branco] resolveu fazer carreira solo, e ele j\u00e1 tinha me ouvido cantar, por que rolava um viol\u00e3ozinho na casa de um e de outro, e ele me chamou pra fazer participa\u00e7\u00e3o no primeiro disco dele, \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=HdTZL9HnACc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Servi\u00e7o<\/a>\u201d (2014), numa m\u00fasica que se chama \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=sVsATw-97rE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00e9u da Boca<\/a>\u201d. A gente deu umas ensaiadas, mas depois ele foi morar em S\u00e3o Paulo, por que pra ele era melhor, ele tinha mais perspectivas l\u00e1, e eu n\u00e3o cantei mais com ele. Isso ficou guardado dentro de mim, continuei fazendo a minha vida assim, estudando, tinha acabado de entrar na faculdade. Agora no segundo disco dele [\u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2_1-nBU5_3M\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sintoma<\/a>\u201d, de 2017], fiz backing vocal tamb\u00e9m. E com a Let\u00edcia Novais tamb\u00e9m, canto \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=85Vd9FQSSC8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Que Estrago<\/a>\u201d com ela, m\u00e3eana e Martha V (que s\u00e3o uns amores ) no disco da Letrux. E \u00e9 isso, a minha trajet\u00f3ria musical \u00e9 mais ou menos essa. E nesse meio tempo, enfim \u2013 sou libriana, sofro muito por amor, quando me apaixono, me entrego totalmente, acho que d\u00e1 pra perceber um pouco no meu disco \u2013, eu tive amores que nunca era o que eu queria. Na real, eu sempre era muito mais apaixonada, me doava muito mais e essas pessoas n\u00e3o me levavam t\u00e3o a s\u00e9rio. No final de 2015, eu j\u00e1 tava sentindo muito sabe? Estava fazendo a faculdade, mas estava emocionalmente muito desgastada. Uma super amiga minha, que \u00e9 uma super fot\u00f3grafa tamb\u00e9m, a Ana Alexandrino, me indicou um retiro espiritual que se chama vipassana, n\u00e3o sei se voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o conhe\u00e7o n\u00e3o.<\/strong><br \/>\n\u00c9 um retiro espiritual muito legal, de medita\u00e7\u00e3o, voc\u00ea passa 10 dias meditando, \u00e9 muito acolhedor. Voc\u00ea n\u00e3o fala, voc\u00ea fica imersa realmente naquele universo e voc\u00ea aprende algumas t\u00e9cnicas l\u00e1. E mudou muito a minha vida! Tudo que eu sofria eu escrevia, mas eu n\u00e3o tinha o intuito de transformar isso em m\u00fasicas, mas l\u00e1 eu meio que decidi: \u201cN\u00e3o, eu vou compor, por que isso vai ser uma forma de me curar, de botar isso pra fora, vai ser legal pra mim, vamos ver no que vai dar\u201d. Nesse meio tempo eu j\u00e1 tinha escrito algumas coisas, e o Tom\u00e1s Tr\u00f3ia, que \u00e9 o produtor do meu disco, nessa \u00e9poca foi morar em S\u00e3o Paulo, com o Lucas \u2013 o Castello Branco. Ele passou uma temporada l\u00e1 e estava voltando, foi meio que na mesma \u00e9poca do meu retiro. Tom\u00e1s sempre foi super meu amigo, e falei: \u201cBom, vou mostrar esses meus rascunhos pro Tom\u00e1s, vamos ver se rola, vamos ver se ele curte, se ele fala alguma coisa que ele achou legal\u201d. Na \u00e9poca, mostrei a [faixa] \u201cPro Mundo Ouvir\u201d, que hoje em dia est\u00e1 totalmente diferente, por que foi a m\u00fasica que mais passou por modifica\u00e7\u00f5es durante o processo, mas mostrei-a e mostrei mais algumas outras, mais duas, acho que a \u201cDe Repente\u201d tamb\u00e9m e outra que nem entrou no disco. Rolou uma empatia muito grande dele pelo que eu escrevia, por que como ele era meu super amigo, ele me ouvia reclamar daquelas coisas, sabe? Ele falou: \u201cN\u00e3o, vamos come\u00e7ar a ver o que a gente faz, vem aqui, eu vou fazendo uns arranjos pras m\u00fasicas\u201d, eu chegava normalmente pra ele com letra e melodia e ele que fez arranjo, comp\u00f4s comigo, por que os arranjos na m\u00fasica s\u00e3o tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa produ\u00e7\u00e3o demorou cerca dois anos nesse ritmo, certo?<\/strong><br \/>\nExatamente. A gente trabalhou tudo com muito carinho. E n\u00e3o s\u00f3 por isso: eu, como artista independente, sou quem pago as minhas coisas, entendeu? Sou a produtora fonogr\u00e1fica do meu disco, ent\u00e3o tive que trabalhar para tamb\u00e9m bancar o meu sonho. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9 r\u00e1pido, tamb\u00e9m por isso. Mas ao mesmo tempo fui muito contemplada com a ajuda de amigos maravilhosos, por que toda essa galera trabalhou comigo, acreditou no meu trabalho, enfim, foi uma ajuda super m\u00fatua e que hoje resultou nesse disco que eu amo tanto, por ser o meu primeiro e fala muito sobre mim. \u00c9 uma coisa muito linda!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47715\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dudabeat1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dudabeat1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dudabeat1-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dudabeat1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Numa das suas falas no release de lan\u00e7amento voc\u00ea diz \u201cconfesso que tornar p\u00fablica a minha vida, dessa forma, d\u00e1 um frio da barriga\u201d. Esse frio na barriga surge pelo fato de suas can\u00e7\u00f5es serem muito pessoais e \u00edntimas?<\/strong><br \/>\nSim, totalmente. Vou te falar: senti frio na barriga de expor, mas ao mesmo tempo eu tinha certeza que as pessoas iam se identificar. Acho que um dos objetivos desse meu discurso totalmente honesto e pessoal foi tocar de certa forma as pessoas que se identificam com isso. N\u00e3o \u00e9 o fato de a gente estar numa sociedade onde as pessoas n\u00e3o querem mais nada com ningu\u00e9m, por que isso \u00e9 um fato, at\u00e9 brinco com meus amigos: \u201cDesde que inventaram essa hist\u00f3ria de ficar, o povo que quer romance se lascou\u201d. A gente acaba se apaixonando, n\u00e3o tem quem n\u00e3o se apaixone na vida, em algum momento, e pra quem ama \u00e9 muito dif\u00edcil, para quem ama e n\u00e3o \u00e9 correspondido, no caso. Ent\u00e3o, fiquei sim com frio na barriga de me expor, mas ao mesmo tempo queria mostrar pras pessoas que elas transformem sua dor de alguma forma. Fazer esse disco foi uma cura pra mim e, ao mesmo tempo, se voc\u00ea prestar aten\u00e7\u00e3o, chega ao final do disco, mais ou menos ali na [faixa] \u201cBolo de Rolo\u201d, eu j\u00e1 estou totalmente empoderada. Enfim, \u00e9 isso que quero passar pras pessoas, saber que o amor vem, mas o amor vai embora e o mais importante \u00e9 voc\u00ea saber o que voc\u00ea vai fazer com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse sentido que voc\u00ea fala de certo empoderamento, \u00e9 algo que eu vejo presente no disco, por isso, em contraponto, eu me questiono o porqu\u00ea do t\u00edtulo \u201cSinto Muito\u201d, quando percebo que o disco n\u00e3o tem esse car\u00e1ter de pedido de desculpas, mas sim de se entender e se empoderar, sabe?<\/strong><br \/>\nExatamente. O \u201cSinto Muito\u201d, na verdade, ele tem duas conota\u00e7\u00f5es: \u00e9 um \u201csinto muito amor\u201d, eu sinto muito esse sentimento, mas ao mesmo tempo \u00e9 um \u201csinto muito, voc\u00ea me perdeu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah sim!<\/strong><br \/>\nNo final da hist\u00f3ria toda, acabei me dando muito bem, n\u00e9? Acabou que estou com o Tom\u00e1s [Tr\u00f3ia] hoje em dia e eu estou totalmente realizada nesse sentido amoroso. \u00c9 um cara que \u00e9 muito companheiro, meu melhor amigo. E o mais curioso \u00e9 isso: o meu grande amor tava do meu lado, entendeu? E eu n\u00e3o tinha atentado pra isso, ent\u00e3o at\u00e9 pra isso esse disco serviu. Pra nos unir, tanto criativamente quanto amorosamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de voc\u00ea morar muito tempo no Rio de Janeiro, o seu disco tem muito de Pernambuco. Como \u00e9 essa sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica popular pernambucana?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 uma das coisas que eu sempre conversava com o Tom\u00e1s durante o processo, era o fato de, ao mesmo tempo, de voc\u00ea perceber nessas m\u00fasicas que tem uma pegada americanizada, eu sempre ficava assim: \u201c\u00f4, vamos trazer uma coisa da minha terra, sabe?\u201d. Ele olhava pra minha cara e falava assim: \u201cEduarda, voc\u00ea vai abrir a boca e o povo vai saber que voc\u00ea \u00e9 recifense, n\u00e3o tem muito como esconder isso\u201d. Eu quis trazer alguns ritmos de l\u00e1, a \u201cBixinho\u201d, por exemplo, \u00e9 uma m\u00fasica muito brasileira, a gente fez quest\u00e3o de ter isso no \u00e1lbum, de ter a parte americanizada, mundial \u2013 nem vamos falar americanizada, vamos dizer mundial \u2013 e ter essa parte Brasil, que \u00e9 muito importante. E uma coisa curiosa: o meu nome de verdade \u00e9 Eduarda Bittencourt, e na hora de eu escolher essa hist\u00f3ria do nome, eu fiquei muito tensa, acho que foi uma das coisas mais dif\u00edceis: \u201cQual o nome que eu vou ter?\u201d. Por que Duda, s\u00f3 Duda, ia ficar Duda Bittencourt, n\u00e3o! Duda Bittencourt \u00e9 a m\u00e9dica, \u00e9 a cientista pol\u00edtica. A\u00ed eu me atentei para o fato de que um dos movimentos mais importantes da minha terra \u00e9 o Manguebeat e falei: \u201cT\u00e1\u00ed, eu posso usar isso, n\u00e3o vou ser piegas, nem estou querendo ser americanizada, \u00e9 da minha terra e acabou\u201d. Ent\u00e3o, o Bittencourt virou um Beat. Perfeito pra mim. A minha influ\u00eancia \u00e9 tanto musical quanto no meu nome. Total!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m disso, uma das coisas que me encantou no seu trabalho foi o cuidado est\u00e9tico e visual: o clipe de \u201cBixinho\u201d, os v\u00eddeos no canal e tal. E voc\u00ea mesma falou que banca todas essas coisas. Essa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o importante para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nEssa preocupa\u00e7\u00e3o de visual \u00e9 muito minha, e \u00e9 tamb\u00e9m muito das parceiras que fa\u00e7o. Das fotos do encarte, por exemplo, fiz com um grande artista aqui do Rio de Janeiro que se chama \u201cVida Fodona\u201d \u2013 \u00e9 o Raphael Narciso \u2013, ent\u00e3o ele trouxe muito dele ali tamb\u00e9m. J\u00e1 o clipe da \u201cBixinho\u201d foi uma parceria minha com a Obvious Agency. Todas essas pessoas s\u00e3o super minhas amigas, eu tenho total liberdade para dizer o que eu gosto e o que eu n\u00e3o gosto. Mas, por exemplo, a Marcela Ceribelli [diretora criativa da Obvious], que \u00e9 minha amiga de muito tempo, ela me trouxe um pouco das refer\u00eancias est\u00e9ticas dela, como eu j\u00e1 curtia foi f\u00e1cil, entendeu. Foi a mesma coisa do disco: trabalhar com o Tom\u00e1s era muito f\u00e1cil pra mim, por que a gente tem as mesmas refer\u00eancias, a gente tem o gosto parecido. O mais importante nesse processo, quando voc\u00ea vai escolher essas parcerias, \u00e9 voc\u00ea se identificar com o que elas trazem pra voc\u00ea e isso rolou em todos os \u00e2mbitos. V\u00e3o sair outros clipes, mais pra frente agora, a\u00ed voc\u00ea vai ver essa mistura que tem a est\u00e9tica dos artistas, mas tem a minha tamb\u00e9m. E rolou qu\u00edmica nessas parcerias. Na parte criativa e est\u00e9tica \u00e9 50\/50.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/59XaUP0RfBA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1e6ToDMVavY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4WY-DEdXjlU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e colabora com o sites\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aescotilha.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Escotilha<\/a>. Escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. A foto que abre o texto \u00e9 de\u00a0Ana Alexandrino \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Duda Beat \u00e9 uma pernambucana radicada no Rio que apareceu inicialmente fazendo backings nos discos de Letrux e Castello Branco. Ela canta, por\u00e9m, desde os 13 anos, e agora lan\u00e7a seu disco de estreia,  \u201cSinto Muito\u201d.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/28\/entrevista-duda-beat\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":47714,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2923],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47713"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47713"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47713\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47716,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47713\/revisions\/47716"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47714"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}