{"id":4770,"date":"2010-04-01T02:25:31","date_gmt":"2010-04-01T05:25:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=4770"},"modified":"2015-01-13T12:35:56","modified_gmt":"2015-01-13T15:35:56","slug":"entrevista-do-mes-romulo-froes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/04\/01\/entrevista-do-mes-romulo-froes\/","title":{"rendered":"Entrevist\u00e3o do m\u00eas: Romulo Fr\u00f3es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>ENTREVIST\u00c3O DO M\u00caS DE ABRIL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><\/strong><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4771\" title=\"romulo3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/romulo3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">Marcelo Costa<\/a> e <a href=\"http:\/\/twitter.com\/tiagoagostini\" target=\"_blank\">Tiago Agostini<\/a><br \/>\ncolabora\u00e7\u00e3o de <a href=\"http:\/\/twitter.com\/marcot_\" target=\"_blank\">Marco Tomazzoni<\/a><br \/>\nfotos de <a href=\"http:\/\/twitter.com\/licallegari\" target=\"_blank\">Liliane Callegari<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em certo momento das quase cinco horas de conversa para esta entrevista, Romulo Fr\u00f3es foi categ\u00f3rico: a cena atual \u00e9 uma das melhores da hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira. Alguns podem torcer o nariz, principalmente aqueles que n\u00e3o acompanham o cen\u00e1rio independente nacional dos \u00faltimos dez anos, mas a afirma\u00e7\u00e3o do compositor tem base s\u00f3lida e n\u00e3o \u00e9 fruto de algu\u00e9m que vive em um universo paralelo negando o passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ok, a atual m\u00fasica brasileira de qualidade dialoga com passado e com futuro ao mesmo tempo, mas vive num universo paralelo por quest\u00f5es pontuais de mercado e exposi\u00e7\u00e3o. O jornal n\u00e3o tem a mesma for\u00e7a de antigamente. A televis\u00e3o, na maioria das vezes, transforma o artista em mico de circo. E as r\u00e1dios, o principal ve\u00edculo de massa quando o assunto \u00e9 m\u00fasica, est\u00e1 viciada em jab\u00e1 necessitando urgentemente de uma rehab.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA internet \u00e9 o quarto momento\u201d, explica Romulo Fr\u00f3es enquanto busca formatar um discurso em meio a um grupo de pessoas que compreende m\u00fasica de uma forma muito mais ampla do que nos anos 60, por exemplo, mas n\u00e3o sabe se portar direito quando precisa falar da pr\u00f3pria obra, n\u00e3o tem a manha do neg\u00f3cio, n\u00e3o exercita o conceito, o manifesto. \u201cN\u00e3o sei se falta ambi\u00e7\u00e3o. Pode ser\u201d, diz Romulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo como parceiros letristas os artistas pl\u00e1sticos Nuno Ramos e Clima, Romulo Fr\u00f3es adianta que est\u00e1 voltando ao samba em seu quatro disco, em fase de grava\u00e7\u00e3o, que promete ser seu \u00e1lbum mais representativo. \u201cN\u00e3o \u00e0 toa estou pensando em cham\u00e1-lo de \u2018Romulo Fr\u00f3es\u2019 pela primeira vez, e aparecer na capa\u201d. Nas can\u00e7\u00f5es, o cavaquinho de pagode de Rodrigo Campos encontra a guitarra estridente de Guilherme Held.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste extenso e interessante bate papo regado a cervejas, Romulo joga louros sobre uma por\u00e7\u00e3o de jovens cantoras e compositores, cobra postura daqueles que n\u00e3o fazem nada para a cena se transformar em algo maior e conta que quer fazer shows em Recife, no Acre e em Belo Horizonte, mas n\u00e3o paga pra tocar. Fala da festa semanal que est\u00e1 organizando no CB, em S\u00e3o Paulo, e, sobretudo, se mostra feliz com o que tem, mas n\u00e3o satisfeito. Quer mais. Meia d\u00fazia de caras como ele talvez mudassem as coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com voc\u00eas, uma alma pensante em meio a terra devastada. Romulo Fr\u00f3es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a id\u00e9ia de fazer a festa Vers\u00e3o Brasileira?<\/strong><br \/>\nEu sou amigo dos caras (do CB), e eles me convidaram pra fazer algo. Eles queriam tocar a nova cena de m\u00fasica brasileira, e me disseram: \u201cQuer\u00edamos chamar o Cidad\u00e3o Instigado (pra tocar), mas n\u00e3o sabemos falar com os caras\u201d. Eles s\u00e3o uns roqueiros velhos, tatuados, e s\u00f3 ouvem Ramones. J\u00e1 toquei duas vezes l\u00e1 porque sou amigo deles. Ent\u00e3o foi um pouco isso. Agitei junto com as garotas da Alavanca. Mas essa hist\u00f3ria de fazer a festa e outras coisas que estou correndo atr\u00e1s \u2013 um programa de r\u00e1dio, um document\u00e1rio, escrever sobre m\u00fasica \u2013 tem um motivo mais nobre, que \u00e9 pensar a cena que surgiu nos anos 2000 e falar dela, coisa que n\u00e3o tem nenhum artista falando. Acho bacana que um artista fale sobre o que est\u00e1 acontecendo, que n\u00e3o fiquem apenas os jornalistas. \u00c9 uma cena pr\u00f3xima porque todo mundo toca junto, mas ningu\u00e9m pensa muito sobre o trabalho do outro. Fiquei a fim de fazer isso pra falar pras outras pessoas: \u201cTem gente fazendo m\u00fasica boa pra caralho\u201d, e isso est\u00e1 se desdobrando. H\u00e1 ainda outro motivo mais prosaico que \u00e9 tentar viver de m\u00fasica. O caminho \u00e9 abrir frente. Escrevo pra uma revista, ganho um troco; fa\u00e7o uma curadoria em um buteco, ganho outro troco; fa\u00e7o um programa de r\u00e1dio, mais um troco; um show aqui, outro ali e junto uma grana pra viver de m\u00fasica sem ter trampo, fazendo coisas que eu gosto e tocando isso pra frente. Estou com essas duas coisas na cabe\u00e7a: falar pra todo mundo que est\u00e1 acontecendo algo importante. E viver dessa porra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A gente tem um mercado falido. A Tropic\u00e1lia surgiu no final dos anos 60, com militares no poder, mas eles ainda conseguiram aparecer no mercado, conseguiram chamar a aten\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/span><br \/>\nEra a TV come\u00e7ando a rolar, n\u00e9. A internet \u00e9 o quarto momento disso. Primeiro teve a ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, que come\u00e7ou a gravar disco.\u00a0Depois o r\u00e1dio, a TV e agora a internet. Curiosamente, nesses quatro momentos estavam rolando um monte de coisas. Estou lendo agora a biografia da Carmen Miranda e o neg\u00f3cio do r\u00e1dio foi uma maluquice. N\u00e3o foi f\u00e1cil. Ent\u00e3o as coisas se ajustaram e todo mundo nadou nas ondas do r\u00e1dio. Chegou a TV e uma galera caiu fora. Vicente Celestino se fodeu, e o Roberto Carlos come\u00e7ou a surfar na onda. A internet, de certa forma, fodeu uma galera tamb\u00e9m. O povo da MPB que fica chorando por causa da pirataria, falando que n\u00e3o vende disco, tipo o Fagner reclamando na TV. O Fagner se fodeu, em certo sentido. A Biscoito Fino fica reclamando&#8230;\u00a0 uma banqueira. E tem a minha turma, que s\u00f3 existe por causa da internet. S\u00f3 que talvez seja a gera\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil de assentar e se mostrar justamente porque o neg\u00f3cio ficou muito amplo. \u00c9 muita gente fazendo no mundo inteiro a toda hora. Est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil de formar o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 que hoje existe uma oferta muito grande de coisas. Antigamente voc\u00ea tinha um disco do Caetano e s\u00f3 ia pintar um disco da Gal, do Chico, meses depois. Ent\u00e3o voc\u00ea ficava um bom tempo em cima daquele disco do Caetano. Agora a gente tem o seu disco e na semana seguinte sai o da Lulina&#8230;<\/strong><br \/>\nO meu disco j\u00e1 \u00e9 velho. Lancei um disco duplo em abril (de 2009) e n\u00e3o deu nem um ano e j\u00e1 era.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A facilidade que a internet leva pras pessoas mostra que tem muito mais coisa acontecendo, e voc\u00ea n\u00e3o concorre s\u00f3 com o Cidad\u00e3o, com a Lulina e com o disco novo do Caetano, mas tamb\u00e9m com Pixinguinha. O cara vai, baixa o disco e ouve.<\/strong><br \/>\nAcho que a gente pertence a uma gera\u00e7\u00e3o que tem uma percep\u00e7\u00e3o diferente. E tem que parar com isso. Eu cada vez me ponho mais o desafio: posso ser esse cara pra sempre, do meu tamanho, que gravo meus disquinhos, vendo mil c\u00f3pias e \u00e9 isso, acabou. Talvez n\u00e3o exista mais o fen\u00f4meno Caetano Veloso, Gilberto Gil, os caras que fizeram m\u00fasica de inven\u00e7\u00e3o e ainda assim tiveram apelo popular no Brasil inteiro. Talvez n\u00e3o tenha mais. Estou cada vez mais me for\u00e7ando a isso: voc\u00ea grava teu disco, tem uma turma que ouve, um povo te chama pra fazer entrevista, que gosta de voc\u00ea e \u00e9 isso, acabou. Talvez a sua tia nunca v\u00e1 saber que voc\u00ea grava disco. Tem um monte de parente meu que n\u00e3o sabe que eu gravo. (Por outro lado) essa ang\u00fastia vai tomando conta. Entendo que pessoas como o Bruno Morais, por exemplo, que gosto muito, tenham essa ang\u00fastia. Ele faz m\u00fasica pop, comercial. Ele n\u00e3o est\u00e1 fazendo maluquice. (Est\u00e1 cantando) \u201cCora\u00e7\u00f5es partidos\u201d. Ele \u00e9 fofo, podia estar na novela das 8 f\u00e1cil. N\u00e3o est\u00e1 porque n\u00e3o \u00e9 mais&#8230; Acho o Curumin um exemplo louco. Ele nasceu pra ser \u00eddolo pop, pra ser do tamanho do Tim Maia e do Jorge Ben.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voltamos naquele ponto de que n\u00e3o\u00a0h\u00e1 combatividade, uni\u00e3o. No document\u00e1rio do Jards Macal\u00e9 tem uma parte que ele fala: \u201cEnt\u00e3o, l\u00e1 em casa, no quartinho do fundo estavam o Torquato, o Chacal, o Caetano, o H\u00e9lio Oiticica, o Wally e eu imaginava: n\u00e3o vai sair coisa boa, os caras enfurnados num quarto 4 x 4\u201d. Era uma cena sendo pensada, um pessoal que chegou com um discurso, assim como o manguebeat, que n\u00e3o bateu t\u00e3o forte (como apelo popular), mas chegou com um manifesto.<\/strong><br \/>\nO discurso da minha gera\u00e7\u00e3o, sem ter sido organizado, \u00e9 o do cara que faz sozinho e foda-se. E eles fazem do jeito que querem. Aprenderam a gravar disco, gravam em casa, e sabem dessa porra como nenhuma gera\u00e7\u00e3o soube. O Curumin sabe mais de est\u00fadio do que muito engenheiro de som que trabalhava para gravadora nos anos 70. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ele: \u00e9 o Catatau, \u00e9 todo mundo. N\u00f3s fazemos os nossos discos, os nossos shows e n\u00e3o precisamos de ningu\u00e9m. \u00c9 um discurso meio punk. Mas eles tamb\u00e9m n\u00e3o querem ter discurso. \u00c9 isso: \u201cEu n\u00e3o tenho discurso, n\u00e3o tenho pensamento. Eu fa\u00e7o um som, gravo um disco em casa e n\u00e3o enche o saco\u201d. Isso \u00e9 uma esp\u00e9cie de n\u00e3o discurso, talvez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Voc\u00ea acha que isso atrapalha? Falta ambi\u00e7\u00e3o a essa gera\u00e7\u00e3o?<\/span><\/strong><br \/>\nFalta ambi\u00e7\u00e3o&#8230; Que pergunta, hein (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos imaginar essa gera\u00e7\u00e3o daqui 20 anos&#8230;<\/strong><br \/>\nEu acho que a gente vai continuar gravando disco. Tenho certeza que a galera vai estar fazendo m\u00fasica e talvez v\u00e1 estar no mesmo patamar que est\u00e1 hoje, de fazer disco, uma turn\u00eazinha na Europa, e volta.\u00a0\u00c9 gravado por n\u00e3o sei quem. N\u00e3o sei se falta ambi\u00e7\u00e3o (relutante). Pode ser. Eles podem estar satisfeitos com o que eles t\u00eam. Ali\u00e1s, eu acho que eles s\u00e3o muito satisfeitos com o que eles t\u00eam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Podemos falar que \u00e9 pouco?<\/strong><br \/>\nPodem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que, por exemplo, o Cidad\u00e3o \u00e9 uma banda do caralho. Ao contr\u00e1rio do Bruno Morais, que tem uma veia pop muito boa, de qualidade, o Cidad\u00e3o \u00e9 mais&#8230; pirado, mas tem coisas ali que muita gente iria adorar. O Cidad\u00e3o poderia quintuplicar o p\u00fablico dele se tivesse um pouco mais de ambi\u00e7\u00e3o de chegar a um p\u00fablico maior. Talvez falte jogo de cintura&#8230;<\/strong><br \/>\nA nossa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o sabe se portar. Vi o Wado falando isso e acho que ele tem raz\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o que tem a manha do neg\u00f3cio. Pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o tem a m\u00ednima manha do neg\u00f3cio. Neguinho tem vergonha de ir \u00e0 televis\u00e3o. Fui fazer o programa do Edgard (Piccoli) agora, e foi do caralho. O cara \u00e9 gente fina, a fim, estava eu e a C\u00e9u, vai ser o programa de estreia, um cara do bem. Ele tem as limita\u00e7\u00f5es dele, pode n\u00e3o ser o maior entendido de m\u00fasica, mas o cara estava l\u00e1 totalmente a favor de voc\u00ea. Eu sei de neguinho que fica em d\u00favida se vai l\u00e1 ou n\u00e3o. Tipo: \u201cah, esse programa \u00e9 meio ca\u00eddo\u201d. Mas velho, o programa \u00e9 feito pra voc\u00ea! Voc\u00ea vai tocar m\u00fasica, n\u00e3o vai entrar numa banheira. Vai estar com outro artista, n\u00e3o vai ser playback. Existe um pouco de medo. Ele n\u00e3o tem a manha, n\u00e3o sabe se portar. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que quando um artista tem a manha, como o Seu Jorge, sei l\u00e1 de onde veio aquela porra, o cara tem a manha extrema, mais do neg\u00f3cio do que da m\u00fasica, (o cara se d\u00e1 bem). Sempre lembro do Lucas Santtana no Altas Horas junto com o Chiclete com Banana, os dois baianos. Come\u00e7aram a falar da Bahia, o Lucas sobre as pretas do acaraj\u00e9 que ele canta. De repente ele solta um \u201cessa \u00e9 pra dan\u00e7ar\u201d e canta \u201cCira, Regina e Nana\u201d \u2013 n\u00e3o d\u00e1 pra dan\u00e7ar. O Lucas acha que d\u00e1 e ele dan\u00e7a, mas a galera fica sem saber o que fazer. Quando o Bell falou \u201cgalera vamos cantar\u201d a plat\u00e9ia veio abaixo. Esse \u00e9 um retrato acabado da minha gera\u00e7\u00e3o. A gente n\u00e3o \u00e9 praquilo. Ou aquilo vai ter que mudar ou a gente vai ter que mudar. E era o Lucas, que segundo ele faz m\u00fasica pra dan\u00e7ar, e \u00e9 verdade, mas n\u00e3o praquela galera. \u00c9 um chameguinho. A minha gera\u00e7\u00e3o tem isso. Talvez a falta de ambi\u00e7\u00e3o seja o medo de dar conta de algo que vai foder. Porque devia ser foda (antigamente). Adoro entrevista de artista velho, que est\u00e1 meio ca\u00eddo, e que fala que agora est\u00e1 fazendo o trabalho que queria. Outro dia vi a Sandra de S\u00e1: \u201cPor que eu fazia uns discos que eu n\u00e3o acreditava muito, mas a gravadora me fazia fazer aquilo\u201d.\u00a0Ent\u00e3o ela lan\u00e7a agora o disco que \u00e9 o que ela queria, e ele \u00e9 id\u00eantico aos discos antigos (risos). Mas tem esse discurso. Talvez a gente tenha isso: n\u00e3o queira ningu\u00e9m cagando regra, tipo falando da minha roupa. Talvez tenha um pouco de medo de \u201cn\u00e3o vou me meter nisso\u201d. Agora, eu fico esperando que o p\u00fablico mude tamb\u00e9m. Se os artistas mudaram, o p\u00fablico tamb\u00e9m tinha que mudar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas \u00e9 complicado porque a gente est\u00e1 pensando no nosso microcosmo. A grande massa continua a mesma coisa, s\u00f3 que agora eles est\u00e3o ouvindo o Fresno, que \u00e9 a banda que a gravadora est\u00e1 desenvolvendo no momento, ou a Ivete. O Caetano, Gil, Chico, nunca foram grandes sucessos de venda, mas eram muito representativos, pois havia um Andr\u00e9 Midani que sabia que, se estava ganhando uma puta grana com o Odair Jos\u00e9, ent\u00e3o dava pra deixar o Caetano fazer o \u201cAra\u00e7\u00e1 Azul\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nEles n\u00e3o vendiam pra caralho, mas eles tinham a ind\u00fastria por tr\u00e1s deles. A gente n\u00e3o tem ningu\u00e9m, ningu\u00e9m. S\u00f3 blog da internet, cujo publico \u00e9 parecido com o nosso, um pouquinho maior. Eu tenho a minha gravadora (YB), que \u00e9 \u00f3tima. Tenho uma assessoria de imprensa do caralho, e tem um est\u00fadio foda, onde gravo meus discos. Eu j\u00e1 estou num outro patamar. No meio da mis\u00e9ria eu sou rico. \u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o meio abandonada, cada um por si. A gente \u00e9 o nosso pr\u00f3prio empres\u00e1rio, a gente que grava, que divulga, que se fode. Talvez, se tivesse naquele esquem\u00e3o, iria ser daquele tamanho. O Curumin iria ser pop star, o Bruno iria ter um monte de f\u00e3 clube feminino, e eu ia ser o cabe\u00e7udo, o maldito da gravadora. Ia continuar igual, s\u00f3 que agora \u00e9 todo mundo do mesmo n\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do \u201cCalado\u201d pra c\u00e1, as coisas melhoraram? De quando \u00e9 o disco?<\/strong><br \/>\n2004, mas eu comecei a fazer em 2001. Independente tem isso, o disco demora dois, tr\u00eas anos porque voc\u00ea n\u00e3o tem est\u00fadio marcado. Faz quando d\u00e1. Vou come\u00e7ar a gravar (o novo disco) dia 22 de mar\u00e7o, mas o disco pode n\u00e3o sair este ano. Mas do \u201cCalado\u201d pra c\u00e1 melhorou muito, pra caralho. A Tulipa (Ruiz) ainda n\u00e3o gravou disco, mas todo mundo s\u00f3 fala dela. Tem um monte de show, mat\u00e9ria. No meu tempo \u2013 no meu tempo \u00e9 bom, n\u00e9 (risos) \u2013 era foda pra caralho pra neguinho ouvir falar de voc\u00ea. Ele ainda esperava muito o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea come\u00e7ou a tocar quando?<\/strong><br \/>\nBom, tem o cap\u00edtulo \u201cmeu passado me condena\u201d, de quando n\u00e3o tinha internet. Eu tinha uma banda chamada Losango C\u00e1qui, voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o achar nada dela na internet porque eu apaguei todas as provas (risos). Lancei dois discos com essa banda, em 98 e 2000. Em 2001 lancei um EP, esse eu gosto muito, mas \u00e9 dif\u00edcil de achar. S\u00e3o s\u00f3 quatro musicas, mas considero meu come\u00e7o mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que era o Losango C\u00e1qui?<\/strong><br \/>\nEra um Renato Russo de segunda. Eu cantava parecido com ele, umas letras p\u00e9ssimas minhas. Foi uma experi\u00eancia legal porque gravei disco, mas quando fui compor com o Clima \u00e9 que o neg\u00f3cio acendeu. Em 2002, 2004, eu era meio alien\u00edgena fazendo m\u00fasica brasileira. Ainda tinha muita coisa do indie. Lo-Dream ainda fazia sucesso. O Pin-Ups estava sempre pra voltar e n\u00e3o voltava. O disco do Los Hermanos (\u201cBloco do Eu Sozinho\u201d) \u00e9 2001, n\u00e9. Era nessa mesma \u00e9poca que eu estava gravando (o \u201cCalado\u201d). Tinha o Acabou la Tequila, que ningu\u00e9m sabia direito qual era; tinha o Mulheres Q Dizem Sim, que era um tro\u00e7o esquisita\u00e7o, ningu\u00e9m entendeu \u2013 eu adorei, tenho o disco at\u00e9 hoje.\u00a0Ent\u00e3o veio o Los Hermanos e come\u00e7ou a abrir um pouco. Hoje em dia neguinho faz guitarrada paraense aqui em S\u00e3o Paulo e todo mundo acha normal. \u00c9 essa coisa que voc\u00eas falaram de o cara pensar: \u201cVou ouvir o R\u00f4mulo, ou o Pixinguinha ou a Aracy de Almeida?\u201d. Tem uma gera\u00e7\u00e3o inteira que ouve Aracy de Almeida e ouve Ramones, e tudo \u00e9 m\u00fasica e tudo vale. \u00c9 uma esp\u00e9cie de realiza\u00e7\u00e3o da Tropic\u00e1lia. O Caetano fazia isso de um jeito pragm\u00e1tico. Falava que o Odair Jos\u00e9 era foda pra neguinho ficar puto. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que quando o Caetano faz algo desse tipo hoje em dia n\u00e3o d\u00e1 certo. Quando ele canta \u201cUm Tapinha N\u00e3o D\u00f3i\u201d ningu\u00e9m fica puto mais, porque o Curumin canta \u201cFeira de Acari\u201d com mais propriedade. O Kassin faz guitarrada paraense, fala que acha o Chimbinha foda e n\u00e3o tem nada demais. N\u00e3o precisa ter discurso. Se o Caetano falasse nos anos 60 que guitarrista foda era o do Genival Lacerda, pronto, neguinho pegava no p\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4773 aligncenter\" title=\"romulo5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/romulo5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E era uma \u00e9poca que tinha a marcha contra a guitarra.<\/strong><br \/>\nExatamente. Ent\u00e3o melhorou pra caralho, e da\u00ed que vem coisa boa. Tem l\u00e1 um pessoal tipo o Leo Cavalcanti e o Marcelo Jeneci, que falam que foram influenciados por Guilherme Arantes. Foram influenciados por ele, por Luiz Gonzaga e pelo Velvet Underground (toca o telefone). Esse maluquinho que me ligou tem 20 mil vinis. Ele conhece m\u00fasica brasileira pra caralho e \u00e9 um cara que tinha um tesouro escondido. Eu vou na casa dele uma vez por m\u00eas e fico l\u00e1 catando coisa. Mas agora \u00e9 so ir na internet, est\u00e1 tudo l\u00e1. Eu vou l\u00e1 (na casa dele), anoto o vinil, chego em casa e baixo. E eu sou de uma gera\u00e7\u00e3o de gente que comprava a Melody Maker na vaquinha pra todo mundo ler, que neguinho descolava o vinil do Kiss e ficava se gabando, comia umas minas na escola por causa disso. Agora voc\u00ea tem tudo. Isso \u00e9 muito forte. E \u00e9 isso que move essa gera\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso que faz neguinho fazer m\u00fasica boa. Tem muita informa\u00e7\u00e3o. Agora, talvez eles n\u00e3o consigam (chegar a grande massa)&#8230; Eu sei que voc\u00eas esperam, eu tamb\u00e9m espero, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que estou tentando criar um discurso, mas n\u00e3o posso fazer isso pros outros. Cada um tem que criar o seu discurso. Ali\u00e1s, neguinho ficou puto quando eu fiz um show no Ibirapuera, porque achou que eu estava querendo criar um movimento. Me ligavam. E eu falando que foi o cara do jornal que disse (que era movimento). Respondia: \u201cEu n\u00e3o falei nada no show, nem gosto de voc\u00ea\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas qual o problema de ser movimento&#8230; O neg\u00f3cio \u00e9 aglomerar.<\/strong><br \/>\nA gente aglomera de outro jeito. O Curumin toca comigo. A banda do Bruno Morais tem a cozinha da Andr\u00e9a Dias. O show que fiz no Ibirapuera era isso: Andr\u00e9a Dias, Bruno, Cidad\u00e3o, Curumin, Guizado e eu. Tinha seis bandas, mas devia ter menos artistas. E isso que estou falando de artista. Tem m\u00fasico, que nem o meu guitarrista, o Gui (Guilherme Held), que vive s\u00f3 do mercado independente. Toca comigo, com a Iara Ren\u00f3, com o Leo Cavalcanti, com a Tulipa, com o Lanny (Gordin) \u2013 o Lanny \u00e9 o maior artista dele. J\u00e1 tocou com o Bruno, mas n\u00e3o faz show com Chit\u00e3ozinho, porque ele \u00e9 musico pra tocar com o Caetano. Ele nem tenta isso e s\u00f3 faz coisa que gosta e se banca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 o negocio do Gabriel Thomaz, que conseguiu criar ao redor dele uma banda sustent\u00e1vel. Ele toca com o Lafayette, faz uma coisinha aqui e ali, mas vive do Autoramas.<\/strong><br \/>\nMas um cara que vive da pr\u00f3pria banda ainda \u00e9 raro. O Curumin n\u00e3o vive. N\u00e3o conhe\u00e7o ningu\u00e9m mais famoso que o Curumin. Ele faz turn\u00ea nos Estados Unidos e tem que tocar com o Arnaldo (Antunes), comigo, com o Guizado. O Cidad\u00e3o n\u00e3o consegue, porque todos eles tocam com todo mundo. Talvez s\u00f3 a C\u00e9u, porque foi a \u00fanica artista que virou. Tem a estrutura por tr\u00e1s, mas foi ela quem quis a Universal. E ainda vende disco pra caramba nos Estados Unidos com a Starbucks.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas ela foi um acaso&#8230; caiu no gosto dos franceses, do povo l\u00e1 fora. N\u00e3o \u00e9 exemplo.<\/strong><br \/>\nE \u00e9 a \u00fanica artista. Vai tocar no Coachella. Lindo, e n\u00e3o toca pra caralho. \u00c9 um ideal de vida. Ela n\u00e3o faz perrengue de TV, n\u00e3o precisa entrar num esquem\u00e3o. Porque \u00e9 foda ser artista. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que (Jards) Macal\u00e9, o (Luiz) Melodia, esses caras se foderam. Eles n\u00e3o sabiam fazer essa porra. O Macal\u00e9 n\u00e3o conseguia ir no Chacrinha, n\u00e3o dava conta daquela atrocidade \u2013 que hoje seria o Faust\u00e3o. O Caetano faz isso com tes\u00e3o, pensa nisso como an\u00e1lise sociol\u00f3gica, achava o Chacrinha um g\u00eanio da ra\u00e7a. O Macal\u00e9 tinha vergonha de ficar tocando e o cara jogando bacalhau. A minha gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o quer isso. Vamos ficar aqui por qu\u00ea? Vai que neguinho chama a gente pra tocar no Big Brother, que \u00e9 um mico, um neg\u00f3cio absurdo. Tem que estar muito seguro de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas seria legal tocar no BBB. \u00c9 uma puta vitrine. Desde que a banda toque sem ningu\u00e9m falando o que tem que fazer, vestir, \u00e9 uma puta abertura. E \u00e9 dessa coisa de ambi\u00e7\u00e3o. Tudo bem, a gente est\u00e1 cada vez caminhando pra um mundo de internet maior&#8230;<\/strong><br \/>\n(Interrompendo) Acho que esse par\u00e2metro pequenininho est\u00e1 aumentando. N\u00e3o tinha lugar pra tocar antigamente. Eu fiz show no Hotel Cambridge, e era rid\u00edculo. Agora tem um monte de lugar, neguinho entende. Ainda \u00e9 pouco. Ali\u00e1s, estou batalhando essa festa (Vers\u00e3o Brasileira, no CB) porque \u00e9 mais um lugar legal pra gente tocar. (Hoje) tem o Studio SP, o Espa\u00e7o Soma, o Centro Cultural Rio Verde&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas uma coisa \u00e9 tocar samba triste no Sesc com todo mundo sentadinho, outra coisa \u00e9 tocar no Studio SP as 2 da manh\u00e3. Como foi essa adapta\u00e7\u00e3o? Como voc\u00ea percebeu que precisava aumentar tudo e colocar guitarra?<\/strong><br \/>\nOutro dia dei uma dura numa menina que toda vez que me encontra fica dando conselhos batidos. A pessoa n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o de como \u00e9 a minha vida. Primeiro reclama que voc\u00ea n\u00e3o leva metais pro Studio SP. Velho, eu j\u00e1 pago do bolso pra tr\u00eas caras, como \u00e9 que eu vou levar metais? E se levar, ningu\u00e9m vai ouvir por que o som \u00e9 uma bosta. E eu n\u00e3o consigo ensaiar. A vida \u00e9 outra. N\u00e3o tem mais o neg\u00f3cio de chamar o iluminador, fazer cen\u00e1rio e etc.\u00a0Ent\u00e3o eu fazia aquele som, nego n\u00e3o ouvia, n\u00e3o tinha lugar pra tocar e eu fui sacando. N\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m que mudei s\u00f3 porque neguinho queria me ouvir, porque a\u00ed pode parecer meio rid\u00edculo. L\u00f3gico que eu j\u00e1 gostava de outras coisas. S\u00f3 acelerou o processo. Ent\u00e3o, se (viol\u00e3o de) sete cordas n\u00e3o dava mais, vamos logo chamar um guitarrista. S\u00f3 que eu queria juntar o guitarrista com o sete cordas, que se recusou a fazer isso. Tudo vai acontecendo e vai te acelerando na vida, te joga pra um lado e pra outro. N\u00e3o tem muito glamour intelectual. Claro, tem no sentido de voc\u00ea sacar as coisas e ir tocando. Eu podia deprimir, ter o perfil do g\u00eanio que n\u00e3o consegue&#8230; Por\u00e9m, como estou a fim, eu vou tocar.\u00a0Ent\u00e3o a menina vira pra mim, no Rio de Janeiro, e fala: \u201cGostei muito do seu show, mas voc\u00ea devia ter tocado algumas covers conhecidas, pras pessoas saberem de onde voc\u00ea vem\u201d. No Rio ningu\u00e9m tem dinheiro pra me levar, ent\u00e3o arrumei uma banda carioca pra tocar. Dream team: Kassin, Domenico e Bubu. Puta banda foda. Passei de cara 10 faixas, os caras tiraram, fiz um ensaio de tr\u00eas horas e toquei. P\u00f4, estou no Rio de Janeiro, fazendo meu melhor, n\u00e3o gostou do show, beleza, mas n\u00e3o fala de coisa que n\u00e3o tem a ver! O mundo n\u00e3o \u00e9 assim. Eu n\u00e3o estava com a minha banda, n\u00e3o ensaiei, n\u00e3o ganhei dinheiro \u2013 ali\u00e1s, paguei pra ir \u2013 n\u00e3o d\u00e1 pra ter metais. Esse show que ela queria ver eu j\u00e1 fiz, no Sesc. Tinha metais, piano de cauda, figurino, cantoras, j\u00e1 foi. Voc\u00ea estava nesse? N\u00e3o? Esquece. Agora \u00e9 rock n\u2019 roll. \u00c9 vida real. Minha gera\u00e7\u00e3o \u00e9 essa tamb\u00e9m, faz do jeito que d\u00e1. Neguinho pode achar que \u00e9 meio capenga, mas a gente ainda faz muito. Tudo isso melhorou. E toda vez que encontro com m\u00fasico de fora de S\u00e3o Paulo, ent\u00e3o, parece que a gente mora em Nova York. Salvador \u00e9 um deserto, terra arrasada. Tem gente foda fazendo musica foda e se fudendo na Bahia, em Belo Horizonte, Recife, no Rio de Janeiro. O Kassin toca mais em S\u00e3o Paulo do que no Rio. O Brasil n\u00e3o expande, vai ficando cada vez mais s\u00f3 em S\u00e3o Paulo. E n\u00e3o \u00e9 nem no interior. Acabei de passar no primeiro edital da minha vida, no Sesi. Vou tocar em Marilia, Franca. A chance de tocar para quatro pessoas \u00e9 enorme. N\u00e3o tem mercado. Mas beleza, vou ser pago pra isso. Fui tocar no Sesc Ribeir\u00e3o Preto e tinha mais gente no palco do que na plat\u00e9ia. Em S\u00e3o Paulo n\u00e3o, se voc\u00ea tocar uma vez por m\u00eas est\u00e1 bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que \u00e9 o que o Wado faz em Macei\u00f3. Ele falou que come\u00e7ou a criar publico. Num show tinha 200 pessoas, mais pra frente 400, no lan\u00e7amento do \u201cAtl\u00e2ntico Negro\u201d tinham 800, e agora eles tocam a cada m\u00eas e meio e d\u00e1 600 pessoas.<\/strong><br \/>\nO Wado \u00e9 um dos raros exemplos (da cena) de cara que sabe falar, que sabe do trabalho, produz pra caralho. Tem mais disco que eu. Ele tem cinco, o meu agora vai ser o quarto, mas tem um duplo no meio (risos). \u00c9 um cara que eu gosto pra caralho e est\u00e1 l\u00e1 em Macei\u00f3, veio pro Rio e n\u00e3o rolou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E vai voltar pra c\u00e1&#8230;<\/strong><br \/>\nPorque l\u00e1 vai rolar menos ainda. Ele era um cara que tinha que ter acontecido j\u00e1. N\u00e3o \u00e9 por falta de trabalho, de pensamento, de qualidade, de popice, porque o \u00faltimo disco dele \u00e9 impressionante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 um cara que teve m\u00fasica em novela.<\/strong><br \/>\nExatamente. Gosto pra caralho dele. Acho ele foda. A coisa de ele ter mixado minha voz quase inaud\u00edvel no \u00faltimo disco&#8230; Eu fiz um coro e n\u00e3o me ou\u00e7o. Reclamei com ele (risos). Uma can\u00e7\u00e3o linda pra caralho (\u201cMartelo de Ogum\u201d), estava eu e o Curumin no est\u00fadio, e o Curumin d\u00e1 pra ouvir. Ele me botou nos cr\u00e9ditos, mas n\u00e3o me ou\u00e7o (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 um cara que tem um discurso<\/strong>&#8230;<br \/>\nE \u00e9 um cara que tem isso de ir sacando as coisas e ir se adaptando, nas melhores inten\u00e7\u00f5es. \u00c9 engra\u00e7ado porque a gente se adapta pra ficar do mesmo tamanho, n\u00e3o \u00e9 pra crescer. N\u00e3o \u00e9 que a gente faz m\u00fasica esquisita e de repente vai fazer musica pop pelo sucesso. N\u00e3o! Voc\u00ea se adapta pra tocar mais. Se eu tiver um trio de baixo, guitarra e bateria eu vou tocar mais do que se eu tivesse um trio, como era o meu caso, que era um sete cordas, clarinete e tamborim. Uma vez no Sesc e olha l\u00e1.\u00a0Mas o cara olha e fala: \u201cAh, ele se vendeu\u201d. \u00c9 rid\u00edculo. Se vendeu pra ficar no mesmo lugar. \u00c9 engra\u00e7ado porque tem o discurso de \u201ca gente faz o que quer, sem ningu\u00e9m metendo o dedo\u201d, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. Talvez na hora de gravar o disco, pois \u00e9 rid\u00edculo uma pessoa n\u00e3o gravar o disco que quer hoje em dia. Voc\u00ea n\u00e3o tem pressa. Quer gravar com uma orquestra? Vai juntando dinheiro at\u00e9 o dia que conseguir, ou vai conhecendo m\u00fasicos eruditos at\u00e9 o dia que voc\u00ea conseguir juntar quatro m\u00fasicos, leva pro est\u00fadio e grava. Eu nunca gravei disco que n\u00e3o queria. Botei arranjo, piano, cordas, metais. Agora, uma vez lan\u00e7ado o disco, que voc\u00ea vai pra vida real, voc\u00ea n\u00e3o domina mais nada. Tipo: quero tocar em Recife. Legal, eu quero, mas nunca toquei. Curitiba eu demorei anos, e fui n\u00e3o por causa da m\u00fasica, mas por causa das artes pl\u00e1sticas. E estava lotado, neguinho cantando todas, pedindo m\u00fasica que eu nem sabia tocar, uma loucura.\u00a0Ent\u00e3o eu penso: por que n\u00e3o toquei l\u00e1 antes? Belo Horizonte a mesma coisa. Tem uma multid\u00e3o que me adora, mas n\u00e3o tem um puto que consiga me levar pra tocar. E eu n\u00e3o estou pedindo cach\u00ea. Quero pagar a minha banda e as passagens, s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea nunca pensou em tocar nos festivais ao redor do pa\u00eds?<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea tem que pagar. \u00c9 simples assim. N\u00e3o estou nem criticando, as regras s\u00e3o claras. Ano passado eu tive um probleminha com o Fabr\u00edcio (Nobre), que sempre falava em entrevista que me adorava, e \u00e9 verdade, ele gosta mesmo. Fui falar com ele pra eu tocar, e ele perguntou se eu tava a fim mesmo e sabia como era o esquema. Ent\u00e3o ele me escalou pro Bananada (em Goi\u00e2nia), e me mandou um e-mail longo dizendo o que eles n\u00e3o davam, que \u00e9 nada. Basicamente era um cachorro quente e um translado. Mas era claro o e-mail dele, e eu n\u00e3o entendi, achei que nada n\u00e3o inclu\u00eda a passagem. Ent\u00e3o combinei cach\u00ea com a minha banda. Eu ia perder mil reais, dar R$ 300 pra cada um mais um rango que eu ia pagar pra eles, mas ia tocar no Bananada. Massa. Falei com o Curumin e ele perguntou: \u201cOs caras v\u00e3o dar passagem? Pra mim n\u00e3o deram\u201d. Falei com o Tat\u00e1 e a mesma coisa. Falei com o Bubu e a mesma coisa.\u00a0S\u00f3 ent\u00e3o\u00a0me liguei que tinha entendido errado. Voltei no e-mail e estava l\u00e1 em mai\u00fascula. Liguei pro Fabr\u00edcio e pedi desculpa, n\u00e3o dava pros caras irem de \u00f4nibus, disse que entendia eles n\u00e3o terem dinheiro, mas pedi o da passagem. Ele me disse que n\u00e3o podia e arrematou: \u201cMas est\u00e1 claro no e-mail?\u201d. \u201cEst\u00e1 claro, super claro, mas eu n\u00e3o entendi\u201d. Pior \u00e9 que saiu na revista Bravo que eu ia tocar. N\u00e3o fico puto com o Fabr\u00edcio, porque as regras estavam claras. Mas se as regras s\u00e3o essas eu n\u00e3o vou tocar, n\u00e3o tem como eu ir tocar. Como vou pagar passagem pra minha banda ir pro Acre? Eu n\u00e3o sou uma banda de rock de moleque. Eu vi o Pablo Capil\u00e9 numa entrevista (para o site O Inimigo \u2013 leia <a href=\"http:\/\/www.oinimigo.com\/blog\/?p=3634\" target=\"_blank\">aqui<\/a>), e estava todo mundo um pouco com raz\u00e3o, mas s\u00f3 fiquei puto de neguinho falar que o China era estrela. Isso \u00e9 rid\u00edculo. Ele \u00e9 um puta cara que agita as paradas dele, vai atr\u00e1s. O foda dessas discuss\u00f5es \u00e9 que neguinho daqui fica puto achando que o Fabr\u00edcio e o Capil\u00e9 t\u00e3o comendo camar\u00e3o (na beira da praia), o que n\u00e3o \u00e9 verdade. Os caras agitaram um neg\u00f3cio important\u00edssimo. Tem problemas como todo mundo tem, mas n\u00e3o \u00e9 verdade que eles est\u00e3o enriquecendo. Agora, eles tamb\u00e9m acharem que o China \u00e9 estrela n\u00e3o d\u00e1. O China se fode. Tem est\u00fadio, grava o disco dele. Ele s\u00f3 n\u00e3o quer e n\u00e3o pode pagar (pra tocar). Est\u00e1 todo mundo certo e todo mundo errado. Mas eu n\u00e3o vou tocar em festival nenhum, porque n\u00e3o tenho dinheiro. Eu j\u00e1 decidi que n\u00e3o vou mais pagar pra tocar. Ano passado fiz um monte disso, agora nunca mais. N\u00e3o toco mais pela metade da bilheteria. E o cach\u00ea \u00e9 R$ 450 reais, R$ 150 pra cada cara da minha banda. E o cara me diz: \u201cAh, mas eu acho que voc\u00ea consegue isso\u201d. Ter\u00e7a-feira, 2 da manh\u00e3 na Rua Augusta eu n\u00e3o consigo. N\u00e3o vai nem minha mulher. V\u00e3o quatro pessoas e o cara vai me dar R$ 60. O cara do Tapas (bar na rua Augusta) at\u00e9 hoje n\u00e3o me pagou. N\u00e3o d\u00e1. Por isso que n\u00e3o toco em festival. Se neguinho me ligasse e garantisse passagem, hotel e rango, eu ia e pagava o cach\u00ea pros m\u00fasicos. Agora eu ter que pagar tudo n\u00e3o d\u00e1. Tenho essa rela\u00e7\u00e3o com os m\u00fasicos da minha banda, eu pago tudo. Se a gente vai tocar no programa do Edgard eu pago, porque eles s\u00e3o m\u00fasicos profissionais. E por isso eles me amam, porque curtem minha m\u00fasica, mas tamb\u00e9m porque eu respeito eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente est\u00e1 passando por essa experi\u00eancia agora, com a festa do site na Casa Dissenso. Estamos descobrindo como funciona esse neg\u00f3cio de contratar banda. N\u00e3o sabemos se a casa vai encher ou se vamos ter que tirar grana do bolso pra pagar a banda (nota: tivemos que tirar). O lance \u00e9 ir atr\u00e1s de patroc\u00ednio porque s\u00f3 assim vamos conseguir pagar um cach\u00ea decente.<\/strong><br \/>\nQue \u00e9 o caminho de todo mundo hoje. O CB \u00e9 legal. E eu fico puto porque nenhum cara vai ao show do outro. Ningu\u00e9m foi me ver tocar at\u00e9 hoje. Com exce\u00e7\u00e3o ao Bruno, que \u00e9 muito meu amigo, e tem uns caras novos que eu conheci agora. Curumin nunca foi ao meu show. Catatau nunca foi. Andr\u00e9a Dias nunca foi. Leo Cavalcanti tamb\u00e9m n\u00e3o. S\u00f3 estou falando de todos que eu fui. Porque, cara, voc\u00ea tem que ir! Por interesse art\u00edstico, pra ajudar a cena, pra sair de casa. Vai ver seu amigo, porque se voc\u00ea n\u00e3o for ele n\u00e3o vai conseguir tocar mais. Eu fico: \u201cMo\u00e7ada, tenho uma festa no CB, vamos l\u00e1, a casa paga cach\u00ea bacana, vai l\u00e1 ver, v\u00ea o bar, v\u00ea que a festa \u00e9 legal, depois voc\u00ea vai l\u00e1 tocar\u201d. Eu acho foda essa coisa de um n\u00e3o ver o show do outro. A galera gosta tanto que toca junto, grava disco, mas eu acho que tem que ser mais do que isso. Tem que prestigiar. Voc\u00ea n\u00e3o pode ir l\u00e1 s\u00f3 quando for gravar o disco. Vai l\u00e1 porque voc\u00ea gosta, e fala pros outros. Isso eu sinto falta, de neguinho n\u00e3o fazer a cena virar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea v\u00ea essa patotinha S\u00e3o Paulo e Rio?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o cenas que convergem, mas s\u00e3o bem diferentes, at\u00e9 pelo clima da cidade. A do Rio me parece ser alegre, e a de S\u00e3o Paulo mais urbana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">O pilar da cena do Rio \u00e9 a Orquestra Imperial, aquela coisa de \u201cEre\u00e7\u00e3o\u201d, mais festiva, e em S\u00e3o Paulo tem voc\u00ea, mais triste, mais reflexivo&#8230;<\/span><\/strong><br \/>\nT\u00e1, mas tem o Curumin que fica cantando m\u00fasica de baile mais feliz que os caras de l\u00e1. Tem o Leo que faz m\u00fasica hedonista. \u00c9 que a cena de S\u00e3o Paulo \u00e9 a cena do Brasil, tem cara do Cear\u00e1, cara do Recife. A novidade em S\u00e3o Paulo \u00e9 que tem gente daqui fazendo m\u00fasica. Antigamente era mais pontual. Tinha o Adoniran, o Paulo Vanzolini e voc\u00ea vai contando nos dedos. Agora tem uma galera enorme que nasceu aqui, conviveu com a galera do Recife, do Rio, ent\u00e3o acho que isso j\u00e1 faz a cena ser diferente. No Rio s\u00e3o os cariocas e pronto. E acho que tem uma diferen\u00e7a de humor sim por que o humor do Rio \u00e9 diferente, mas se voc\u00ea pegar o Los Hermanos, se pegar o \u201cRitmistas\u201d, que \u00e9 o disco do Domenico, vai ver que \u00e9 um disco triste, profundo. Tem diferen\u00e7a de temperamento, mas me sinto absolutamente identificado com a galera do Rio de Janeiro, com Kassin, Nervoso, +2, Los Hermanos, Rubinho (Jacobina)&#8230; Se eu morasse l\u00e1 seria a minha turma f\u00e1cil. Que aqui \u00e9 o Cidad\u00e3o, a Andr\u00e9a Dias, o Guizado. Talvez tenha isso de temperamento, o carioca \u00e9 mais feliz mesmo. Tamb\u00e9m, com aquela puta cidade foda, linda, mas n\u00e3o sinto que tenha diferen\u00e7a na m\u00fasica. Quer dizer, tem, e \u00e9 bom que tenha, mas o Kassin est\u00e1 totalmente dentro de uma cena aqui de S\u00e3o Paulo. Toca com banda paulista, produz disco da galera daqui. Eu acho que a galera de Recife \u00e9 mais diferente. Eles tem algo deles que bate aqui em S\u00e3o Paulo, mas eles tem algo deles. A Karina Buhr tem algo que a gente n\u00e3o tem, apesar de parecer pra caralho, do Guizado tocar com ela. Tem um sotaquinho que \u00e9 diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Voc\u00ea nunca comp\u00f4s com a Lulina?<\/span><\/strong><br \/>\nEstou tentando. A Lulina \u00e9 paulista. Ela fica tirando sarro de paulista, mas ela \u00e9 daqui, com sotaque pernambucano. Adoro. Acho um caso exemplar de uma garota de Olinda que mora em S\u00e3o Paulo, e tem o sotaque e \u00e9 do rock, uma figurinha pequena e que comp\u00f5e e grava como uma doida. Essa eu nem tento competir, est\u00e1 no d\u00e9cimo disco. E \u00e9 uma cantora que comp\u00f5e. \u00c9 muito representativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4774 aligncenter\" title=\"romulo7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/romulo7.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/romulo7.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/romulo7-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente tem uma safra de compositores enorme. Bruno comp\u00f5e, voc\u00ea comp\u00f5e&#8230;<\/strong><br \/>\nTodo mundo comp\u00f5e nessa gera\u00e7\u00e3o, mas a novidade \u00e9 que as cantoras comp\u00f5em. \u00c9 uma esp\u00e9cie de premissa. Voc\u00ea n\u00e3o pode mais ser cantora se n\u00e3o compor. A Nina (Becker), a Thalma (de Freitas), a Karina (Buhr). E mesmo as cantoras int\u00e9rpretes, porque o trampo da Karina n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dar a voz, \u00e9 tudo, e n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a acho uma das melhores letristas. Ela est\u00e1 se esfor\u00e7ando pra isso. Mas uma cantora como a Mariana (Aydar), que \u00e9 espetacular, brilhante e podia ter todos os compositores a seus p\u00e9s, eu em primeiro lugar, mesmo ela quer compor, porque ela acha que precisa. N\u00e3o tem mais a Maria Beth\u00e2nia que fica no Olimpo: \u201cPor favor, mandem chamar os compositores\u201d. A coisa do homem compondo desde os anos 60 j\u00e1 \u00e9 realidade, mas cantora \u00e9 novidade. Eu fico puto, porque acho que cantora tinha que cantar s\u00f3 compositores (risos). Eu fico puto quando pego o disco de uma cantora que adoro e s\u00f3 tem m\u00fasica dela. P\u00f4, libera ai. E toda hora que conhe\u00e7o uma cantora j\u00e1 tento a aproxima\u00e7\u00e3o. \u00c9 um outro jeito de sua m\u00fasica ir pra outros lugares. Isso eu acho uma coisa interessante. N\u00e3o adianta, a gente sempre vai voltar na gera\u00e7\u00e3o dos anos 60, os caras est\u00e3o a\u00ed at\u00e9 hoje. O Caetano cantava o Chico, o Gil. Eu podia cantar musica do Catatau, que acho foda, mas nunca penso nisso. Talvez isso fa\u00e7a falta tamb\u00e9m. Acho que at\u00e9 penso mais em compor com o Catatau, o que vai ser imposs\u00edvel, mas eu podia, por exemplo, cantar \u201cO Pinto de Peitos\u201d. Que n\u00e3o seja em disco. Podia cantar em show. Podia cantar \u201cMagrela Fever\u201d, que \u00e9 foda, totalmente pra minha banda, e eu n\u00e3o toco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se amanh\u00e3 voc\u00ea tivesse uma proposta do Sesc pra fazer um show apresentando a nova gera\u00e7\u00e3o\u00a0tocando cinco musicas dessa galera toda que voc\u00ea circula, o que voc\u00ea cantaria?<\/strong><br \/>\nCinco&#8230; Tem uma dos \u201cRitmistas\u201d, do Domenico, que acho linda. Alguma do Catatau. \u00c9 dif\u00edcil escolher qual, pois tem umas doze que acho foda. \u201cMagrela Fever\u201d, do Curumin, que talvez nem seja uma das m\u00fasicas que eu mais gosto, mas acho que o Curumin teria que estar nesse neg\u00f3cio. Nossa, cara (pensando). Ia ter alguma do (Marcelo) Camelo, mas n\u00e3o sei qual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carreira solo? Voc\u00ea gostou do disco dele?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, mas acho bacana o lance que ele quis fazer. Acho um bom disco, mas a minha expectativa dele \u00e9 gigante. Ele foi fazer o disco, esperei uma obra prima. Ela n\u00e3o veio. Estou esperando o segundo. Voltando&#8230; tem uma m\u00fasica do Camelo, uma do \u201cRitmistas\u201d, Curumin, Catatau, que eu n\u00e3o sei qual. Perai, vou escolher uma que tem um dos versos mais lindos da m\u00fasica brasileira: \u201cEscolher entre chuva e sol \u00e9 como sofrer de h\u00e9rnia e correr uma maratona de cem passos de animais\u201d. Falta a quinta, (pensando). N\u00e3o pode ser m\u00fasica minha, n\u00e9? (risos gerais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico? O que voc\u00ea acha deles?<\/strong><br \/>\nAcho muito bom! Acho o Tat\u00e1 (Aeroplano) um cara muito foda, que conhece, fala, tem opini\u00f5es fortes, vai ao show de todo mundo. Ele \u00e9 nosso DJ oficial, tocando nossa m\u00fasica no Studio SP. Mas tem algo ali, e o problema \u00e9 meu, n\u00e3o do Tat\u00e1. Eu tenho problema com musica engra\u00e7ada. Por exemplo, o DoAmor eu n\u00e3o dou conta. Sou um sujeito muito mal-humorado, n\u00e3o dou conta da piada, mas isso \u00e9 problema meu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas \u201cPare\u00e7o Moderno\u201d n\u00e3o \u00e9 uma piada&#8230;<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, mas tem algo ali. Piada n\u00e3o \u00e9 a palavra. No caso do DoAmor sim, que \u00e9 piada escrachada. No caso do C\u00e9rebro \u00e9 humor, tem uma ironia, tipo: \u201cVou acordar o S\u00e9rgio Sampaio\u201d, mas o C\u00e9rebro \u00e9 foda em termos de som, e o Tata \u00e9 um grande compositor. Est\u00e1 dif\u00edcil achar uma quinta m\u00fasica, podia ser uma do +2. O Kassin tem m\u00fasicas lindas&#8230; tem o Lucas Santtana&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se fosse o Caetano?<\/strong><br \/>\nEu escolhia doze agora, s\u00f3 dos \u00faltimos dois discos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o Rodrigo Campos?<\/strong><br \/>\nCalma\u00ed! Claro, o Rodrigo! \u201cRua 3\u201d. A m\u00fasica mais linda que eu ouvi no ano passado. Fiz alguma lista pra algu\u00e9m, que fiquei numa d\u00favida louca entre o disco do Rodrigo ou o \u201cM\u00e9todo Tufo\u201d como melhor da d\u00e9cada e escolhi o Cidad\u00e3o porque j\u00e1 passou tanto tempo e ainda est\u00e1 na minha cabe\u00e7a. Mas \u201dRua 3\u201d \u00e9 brilhante, narra a semana do cara, fala do metr\u00f4 Carr\u00e3o, em S\u00e3o Paulo, coisa que eu nunca vou conseguir fazer. Rodrigo Campos foi um dos encontros mais f\u00e1ceis que eu tive na m\u00fasica. Estou compondo um monte com ele, e a gente vem de dois lugares diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a aproxima\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEu me apaixonei pelo disco do cara e fui atr\u00e1s dele. Fui no Tuca, n\u00e3o gostei do show, porque ele cantava mal no sentido da dic\u00e7\u00e3o. Achei o som legal, comprei o disco e pirei. Fui atr\u00e1s dele, escrevi, e ele \u00e9 m\u00f3 brother. Neguinho fala, eu vou atr\u00e1s. Por isso fico puto quando ningu\u00e9m vai ao meu show. O Kiko Dinucci agora \u00e9 uma paix\u00e3o nova. O Rodrigo \u00e9 foda. \u00c9 uma linguagem louca, uma g\u00edria de bandido que vira poesia. Tem uma m\u00fasica nova dele do caralho chamada \u201cSete Vela\u201d, sobre um amigo que \u00e9 puxador de carro&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e3o Paulo era o t\u00famulo do samba, e o novo samba est\u00e1 nascendo aqui&#8230;<\/strong><br \/>\nPorque a gente n\u00e3o tem tradi\u00e7\u00e3o nessa porra, n\u00e3o tem que ficar pagando pau pra Portela&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E n\u00e3o adianta a Maria Rita gravar um disco no morro como foi o \u00faltimo&#8230;<\/strong><br \/>\nNo Morro da Urca, n\u00e9.\u00a0\u00d4 disquinho de merda aquele&#8230; Perdi minha chance de ser gravado&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tudo bem, voc\u00ea ainda tem chance com a Marisa Monte&#8230;<\/strong><br \/>\nIria adorar se a Marisa me gravasse. Ela \u00e9 do caralho. Acho engra\u00e7ado&#8230; ela \u00e9 muito importante pra minha gera\u00e7\u00e3o e ningu\u00e9m admite isso. Em alguma hora ali era ela quem fazia essa ponte pop gravando Laurie Anderson, Jamel\u00e3o, Velha Guarda, Lou Reed, fazendo parceria com o Arnaldo e o Carlinhos Brown. \u201cCor de Rosa e Carv\u00e3o\u201d \u00e9 um disco foda. \u00c9 a melhor grava\u00e7\u00e3o de \u201cDan\u00e7a da Solid\u00e3o\u201d, melhor que a do Paulinho da Viola. Tem o Gil tocando viol\u00e3o! Mas ningu\u00e9m fala dela. Talvez seja vergonha, sei l\u00e1. Ela piorou bastante, o que \u00e9 normal na carreira de algu\u00e9m, e acho que ela inventou uma formulinha e est\u00e1 indo atr\u00e1s&#8230; mas n\u00e3o vejo nenhuma cantora falando dela e todas devem muito. Adoraria que ela gravasse uma m\u00fasica minha. Ela l\u00ea teu blog?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ela l\u00ea o blog do Alexandre Matias (risos \u2013 para entender a piada, clique <a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/trabalhosujo\/2009\/02\/20\/marisa-monte-le-o-trabalho-sujo.htm\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<\/strong><br \/>\nQuando ela ia lan\u00e7ar o disco duplo, de samba, o Arnaldo (Antunes) falou comigo e com o Nuno (Ramos) perguntando se a gente n\u00e3o queria mandar algo. A gente gravou umas 300 m\u00fasicas e mandou, mas n\u00e3o sei nem se ela ouviu. Saber quem eu sou ela sabe, que ela tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 boba, ela sabe o que acontece, mas nunca acenou pra gravar uma m\u00fasica minha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa brincadeira de escolher m\u00fasicas da sua gera\u00e7\u00e3o para tocar \u00e9 meio como defender a cena mesmo. Era uma coisa que o Renato Russo falava nos anos 80, de fortalecer o cen\u00e1rio, um falar do outro, e a Plebe tocava m\u00fasica da Legi\u00e3o, a Legi\u00e3o tocava com a camiseta da pe\u00e7a \u201cFeliz Ano Velho\u201d, do Marcelo Rubens Paiva, que usava camiseta da Plebe Rude, o Paralamas tocava \u201cQu\u00edmica\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nEu fa\u00e7o isso no sentido mais estreito, tipo o Rodrigo Campos. Conheci o cara, me apaixonei pela m\u00fasica loucamente, escrevi sobre o disco, chamei ele pra minha banda e estou compondo com ele, v\u00e3o ter tr\u00eas m\u00fasicas dele no disco. E estou a fim de fazer um disco s\u00f3 eu, ele e o Kiko Dinucci, os sambistas tortos de S\u00e3o Paulo. Mas eu podia colocar duas ou tr\u00eas m\u00fasicas (dessa gera\u00e7\u00e3o) a cada show meu. Tipo: \u201cAgora vou cantar uma m\u00fasica de um cara que se chama Wado, agora uma do Curumin, uma do Catatau\u201d. Estou falando isso e pensando comigo mesmo. E isso era uma coisa que neguinho fazia, todo mundo cantava com todo mundo al\u00e9m de compor. O Caetano cantava o Chico. Essa minha gera\u00e7\u00e3o tem uma coisa autoral muito forte, at\u00e9 as cantoras, que n\u00e3o gravam Chico, Caetano, porque pega mal. Mas deviam cantar. Falo isso pra Mariana: \u201cVoc\u00ea \u00e9 cantora, e pode cantar o que voc\u00ea quiser\u201d. J\u00e1 vi ela cantando \u201cCarcar\u00e1\u201d, e ela pensa na Beth\u00e2nia e, na boa, foda-se a Beth\u00e2nia. Canta \u201cCarcar\u00e1\u201d que voc\u00ea pode, e fica lindo. Mas tamb\u00e9m acho do caralho que ela queira me cantar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou de disco novo. O que vem?<\/strong><br \/>\nDepois dessa maluquice de disco duplo&#8230; gravei um monte de coisa, e acho que esse disco me serviu pra tirar uma esp\u00e9cie de sumo dessas coisas que v\u00e3o do Nelson Cavaquinho at\u00e9 o Jards Macal\u00e9 e tentar entender qual o som que eu fa\u00e7o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E qual o som que voc\u00ea faz?<\/strong><br \/>\nEu sou um sujeito que lida com a m\u00fasica brasileira, um compositor com muita facilidade de compor, muito ligado na letra, fa\u00e7o m\u00fasica por causa dela \u2013 e a letra \u00e9 muito mais importante que a m\u00fasica. Sou um cara que n\u00e3o sabe de m\u00fasica, mas que fica querendo inventar brincando com isso. Inventar n\u00e3o \u00e9 misturar as coisas, mas esticar, pegar o que o Macal\u00e9 fez e tentar esgar\u00e7ar aquilo, pegar o Nelson Cavaquinho e esgar\u00e7ar, e juntar os dois tecidos. Acho que esse monte de coisa que eu fui fazendo acabou criando um novo tecido, que \u00e9 dif\u00edcil de dizer o que \u00e9, teria que dar um nome. Mas acho que esse (novo) disco vai ser uma coisa muito pessoal. O samba voltou de algum jeito, n\u00e3o do jeito que era, pagador de um tributo a um samba triste. \u00c9 outra coisa. \u00c9 o Rodrigo, que veio de outro lugar, que tem um cavaquinho meio venenoso. O cavaquinho de antes era melodioso. O dele tamb\u00e9m \u00e9, mas \u00e9 um neg\u00f3cio do Cacique de Ramos, que ele gosta muito, e eu nunca gostei. Ele me abriu o olho, eu tinha muito preconceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como ele entra esteticamente dentro da banda?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um neg\u00f3cio muito rico, por que o Gui (Guilherme Held) mudou o jeito de tocar guitarra por causa do Rodrigo. A grande novidade do \u00faltimo disco foi o Gui, as guitarras dele, mas mais que isso suas composi\u00e7\u00f5es. As melhores m\u00fasicas que fiz na vida foram com o Gui. \u201cPara Fazer Sucesso\u201d, \u201cSei L\u00e1\u201d, \u201cPierrot Lun\u00e1tico\u201d. Eu trouxe pra esse disco novo tudo que aprendi com o Gui. O Rodrigo entrou com um sotaque que fez a guitarra do Gui ir pra outro lugar, porque ele tinha que dar conta de um cavaquinho. Ele fica se medindo, e est\u00e1 adorando, fica querendo fazer naipes, uma maluquice. Voc\u00ea pode dizer: Novos Baianos. \u00c9, mas por um cara de Ara\u00e7atuba que \u00e9 disc\u00edpulo do Lanny Gordin e \u00e9 isso que liga ele aos Novos Baianos, mas o cavaquinho do Rodrigo n\u00e3o \u00e9 o do Pepeu. O do Pepeu \u00e9 o do choro, o do Rodrigo \u00e9 o do pagode, \u00e9 o do Fundo de Quintal, ele gosta daquela porra. O comportamento \u00e9 o mesmo, mas o resultado \u00e9 outro. E tudo isso organizado por mim, que \u00e9 o sujeito que est\u00e1 fora de tudo, o cara das artes pl\u00e1sticas. Acho que tudo isso que estava espalhado nos outros discos est\u00e1 aqui, e tem o Nuno e o Clima fazendo letra, pensando sobre tudo isso. Eles nunca escreveram t\u00e3o bem. No \u00faltimo disco as letras j\u00e1 estavam boas, mas agora eles pegaram o jeito de escrever, que \u00e9 uma letra que n\u00e3o fala sobre absolutamente nada, meio abstrata. Acho legal pra caralho. E foi chegando num n\u00edvel de que voc\u00ea vai elencando versos e foda-se, esse neg\u00f3cio vai fazer sentido de algum jeito. Porque a guitarra est\u00e1 com o cavaquinho, e a m\u00fasica \u00e9 um samba que n\u00e3o fala do samba. Vai ser uma esp\u00e9cie de s\u00edntese dos outros discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quantas m\u00fasicas voc\u00eas est\u00e3o trabalhando?<\/strong><br \/>\nA gente vai gravar 14, espero muito ficar nesse n\u00famero. Talvez 12, se eu conseguir tirar umas duas para fazer um disco foda. Estou num momento de fazer um disco desses, tipo: \u201cEssas duas m\u00fasicas est\u00e3o tirando for\u00e7a, ent\u00e3o foda-se, adeus, sai fora\u201d. Estou a fim de pensar a ordem (das faixas). No \u00faltimo foi uma zona. \u201cVamos gravar tudo\u201d. \u201cE qual \u00e9 a ordem?\u201d. \u201cA que est\u00e1 no pro tools\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E foi considerado um dos melhores do ano por muita gente&#8230;<\/strong><br \/>\nSempre digo que se eu fa\u00e7o um disco dos dois ele ia ser muito mais forte. Tenho certeza. Vou fazer isso agora. N\u00e3o \u00e0 toa estou pensando em cham\u00e1-lo de \u201cRomulo Fr\u00f3es\u201d pela primeira vez, e aparecer na capa \u2013 l\u00f3gico que de uma maneira esquisita, at\u00e9 j\u00e1 andei tirando umas fotos estranhas. Tenho um sentimento que \u00e9 um disco com vocabul\u00e1rio mais definido. N\u00e3o que os outros n\u00e3o tivessem. Tem uma coisa que estou testando, que nunca fiz, que \u00e9 a minha voz n\u00e3o ser esse canto pasmacento que sempre foi, essa coisa que faz o Jo\u00e3o Gilberto parecer um cantor l\u00edrico. Estou a fim de tentar mais. Posso achar tudo uma bosta e voltar a cantar do mesmo jeito, mas quero fazer coros. A voz sempre ficou em segundo plano, era s\u00f3 pra cantar as coisas, at\u00e9 chamei cantoras pra dar outro colorido. Eu sempre tive esse ar cool: \u201cAh, eu canto como brasileiro\u201d. Mas era uma coisa meio de covardia, meio vergonha de pegar e soltar pra fora, ser um cantor. N\u00e3o que eu ache que cante mal, mas \u00e9 muito sem express\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um amigo nosso sempre diz que n\u00e3o gosta do jeito que voc\u00ea canta&#8230;<\/strong><br \/>\nFico puto quando me chamam de desafinado! N\u00e3o tem que ver se eu canto afinado ou n\u00e3o, pois tem gente que canta afinado e \u00e9 uma bosta. Afina\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o canto brasileiro. Foda-se. Tem l\u00e1 a Elis Regina, tudo bem, mas tem o Nelson Cavaquinho, o maior cantor de samba de todos os tempos e o cara nunca acertou uma nota. Isso me deixa puto. E tem quem fale e n\u00e3o sabe nada de m\u00fasica, n\u00e3o sabe se estou afinado. Entendo quando dizem que tenho um canto besta. Mas at\u00e9 hoje isso me serviu como estilo: \u00e9 o cara que canta besta, que est\u00e1 num puta rock e n\u00e3o muda o jeito de cantar. Quando elogiam \u00e9 por isso tamb\u00e9m: \u201cO bacana do Romulo \u00e9 que a banda est\u00e1 l\u00e1 detonando e ele n\u00e3o perde a sua sisudez\u201d. Tem gente que ama, que se eu soltar a voz vai ficar puto. Mas eu entendo quem n\u00e3o gosta, tanto que estou pensando em mudar, fazer coro, estou com isso na cabe\u00e7a. L\u00f3gico que vai ser de um jeito esquisito de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha t\u00e3o esquisito assim?<\/strong><br \/>\nComo o Rodrigo fala, quando eu digo que est\u00e1 esquisito \u00e9 porque est\u00e1 bom (risos). No come\u00e7o eu falava que o cavaquinho estava esquisito e ele achava que estava fazendo merda, agora ele persegue essa esquisitice. Mas n\u00e3o \u00e9 esquisito pra quem est\u00e1 acostumado. Eu n\u00e3o persigo o esquisito. Persigo o n\u00e3o natural, at\u00e9 o n\u00e3o musical. A minha banda agora est\u00e1 foda, como nos outros discos, mas s\u00e3o pessoas de perfis diferentes. O Pedro Ito \u00e9 um batera formado, muito ligado em tudo. Ele n\u00e3o consegue deixar de ser m\u00fasico por minha causa. Ele faz o que quero, mas tem que se satisfazer, e isso leva o som prum outro lugar sensacional, muito novo. Ele sacou tamb\u00e9m que persigo o n\u00e3o normal. Mas n\u00e3o considero meus discos dif\u00edceis. N\u00e3o fiz o \u201cAra\u00e7\u00e1 Azul\u201d. Fa\u00e7o disco que d\u00e1 pra cantar, mas n\u00e3o \u00e9 pop, n\u00e3o \u00e9 o \u201cJapan Pop Show\u201d. \u00c9 muito diferente. O Curumin tem uma facilidade com a m\u00fasica pop que eu nunca vou ter. Adoro o jeito dele cantar, n\u00e3o me imagino fazendo aquilo, mas quero tentar, e talvez minha m\u00fasica n\u00e3o ag\u00fcente o que ele faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00ea tem uns momentos pop.<\/strong><br \/>\nNunca no canto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a m\u00fasica com a Nina (\u201cO Que Todo Mundo Quer \/ Ningu\u00e9m Liga\u201d) \u00e9 bem pop dentro do conceito do samba&#8230;<\/strong><br \/>\n\u00c9, um frevo. Tem um disco paralelo que sair\u00e1 em algum momento, juntando os frevos meus, do Clima e do Nuno. J\u00e1 tem seis, a gente quer lan\u00e7ar um daqui a muitos anos. Tanto que o frevo que pode entrar no disco novo est\u00e1 muito sobre alerta, porque est\u00e1 muito frevo, muito especifico. Vou gravar ele porque o acho muito foda. A Nina vai cantar, mas talvez n\u00e3o entre, porque eu n\u00e3o quero algo que se destaque muito. Quero que essa coisa do canto, que \u00e9 uma massa meio amorfa, v\u00e1 para o conjunto todo, para a composi\u00e7\u00e3o, pro som, e voc\u00ea n\u00e3o sabe bem o que est\u00e1 acontecendo. \u00c9 samba, mas o baixo \u00e9 diferente. A m\u00fasica \u00e9 triste, mas a letra n\u00e3o. Eu n\u00e3o quero que fique algo que voc\u00ea consiga identificar, nada que fique claro. Porque o outro disco tinha v\u00e1rios cap\u00edtulos pequenos, que eram lindos. Por exemplo, \u201cAstronauta\u201d, que acho uma das can\u00e7\u00f5es mais lindas que j\u00e1 fiz, mas dentro do universo ela tirava for\u00e7a de \u201cPara Fazer Sucesso\u201d, de \u201cSei L\u00e1\u201d, das can\u00e7\u00f5es mais bem feitas. Mesmo que eu tenha uma m\u00fasica linda, se ela est\u00e1 tirando for\u00e7a de um neg\u00f3cio mais abstrato, ela vai sair fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4772 aligncenter\" title=\"romulo4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/romulo4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 formado em artes pl\u00e1sticas?<\/strong><br \/>\nSou, na verdade em licenciatura, mas minha vida \u00e9 artes pl\u00e1sticas. Primeiro eu quis ser desenhista, depois pintor, depois desencanei, mas trabalho com isso, com o Nuno desde 92, s\u00f3 que entre idas e vindas, porque ele n\u00e3o tinha grana (naquela \u00e9poca), era pobr\u00e3o. E em 2000 ele fez uma retrospectiva, me chamou pra trabalhar por um ano, e depois o neg\u00f3cio foi indo e estou l\u00e1 desde ent\u00e3o. Agora estou num outro caminho, de sair fora de l\u00e1, mas \u00e9 dif\u00edcil pra caralho, porque \u00e9 um trampo \u00f3timo. Por exemplo, agora faz 15 dias que n\u00e3o vou l\u00e1 porque vou ganhar dinheiro com outra exposi\u00e7\u00e3o de um amigo meu e o dinheiro dessa exposi\u00e7\u00e3o eu vou gastar no disco. Ent\u00e3o o Nuno me permite que eu saia do trampo pra fazer outra exposi\u00e7\u00e3o, pra gravar o disco e ainda me paga um sal\u00e1rio, porque sou funcion\u00e1rio dele. Tenho uma situa\u00e7\u00e3o muito c\u00f4moda. Ele \u00e9 meu amigo, parceiro, e a partir de julho estou fodido, porque ele vai estar na Bienal e eu vou parar tudo em fun\u00e7\u00e3o disso. Eu criei uma rela\u00e7\u00e3o perfeita, t\u00e3o perfeita que se deixar vou ser assistente dele at\u00e9 os 80 anos. Eu estou no dilema do Tostines: eu n\u00e3o vivo de m\u00fasica porque tenho essa situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel ou eu tenho essa situa\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o vivo de m\u00fasica? Ser\u00e1 que se eu cair fora eu n\u00e3o vou me virar? Porque meu plano perfeito n\u00e3o deu certo. Era trabalhar com ele, aprender um monte,\u00a0ent\u00e3o eu gravava um disco, estourava no segundo e ia embora. Eu lancei o primeiro, o segundo, o terceiro, todos figuram nas listas de melhores do ano, as pessoas me chamam de g\u00eanio, sou capa da Ilustrada tr\u00eas vezes por ano e n\u00e3o tenho a menor possibilidade de viver de m\u00fasica. Ent\u00e3o o plano perfeito fodeu. E l\u00e1 se v\u00e3o 18 anos. Mas minha vida \u00e9 \u00f3tima. S\u00f3 trabalho com arte. De certa forma o plano se realizou, eu vivo de arte \u2013 n\u00e3o da minha, mas de arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a aproxima\u00e7\u00e3o musical de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nPrimeiro eu era artista e fui trabalhar com ele. A\u00ed fui desencanando, vi que podia virar um emprego e pensei: \u201cbeleza, n\u00e3o vou mais pintar, mas vou fazer isso\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea n\u00e3o pinta mais?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, faz tempo. Mas fiz um desenho recentemente e fiquei muito feliz, porque a Tulipa Ruiz vai lan\u00e7ar o disco dela e chamou uma galera pra desenhar tulipas, a flor, e eu n\u00e3o desenhava h\u00e1 20 anos. Foi um tes\u00e3o. A tulipa ficou linda, deu vontade de voltar. A m\u00fasica sempre esteve na minha vida, sempre com bandinha e tinha essa porra do Losango C\u00e1qui. Inclusive tem uma parceria minha com o Nuno em um dos discos, mas \u00e9 for\u00e7ada, porque eu peguei um poema dele e musiquei. Ele detesta, nunca falou pra mim, mas ele achava uma bobagem. Numas dessas sa\u00eddas, porque ele n\u00e3o tinha grana pra eu ser funcion\u00e1rio dele no come\u00e7o \u2013 pintava uma exposi\u00e7\u00e3o, trabalhava, rolava a grana e depois eu sa\u00eda \u2013, a forma que eu ganhava dinheiro era com produ\u00e7\u00e3o de filme publicit\u00e1rio. Foi quando conheci o Clima, que era diretor. Me aproximei dele, porque ele tamb\u00e9m \u00e9 artista pl\u00e1stico e quando ele soube que eu trabalhava com o Nuno se aproximou de mim. Ele foi mais generoso comigo do que o Nuno no sentido da m\u00fasica. Porque ele sacou que a minha m\u00fasica era ruim, mas ele at\u00e9 hoje acha que canto bem, e ele come\u00e7ou a perceber que eu tinha umas melodias boas. Ele enxergou que a \u00fanica coisa ruim eram as letras. E comecei a compor alucinadamente com ele. Um dia cantei uma m\u00fasica pro Nuno, porque sempre tem um viol\u00e3o no atelier, e o Nuno perguntou de quem era. \u201cA letra \u00e9 sua?\u201d. \u201cN\u00e3o, a letra \u00e9 de um cara, o Clima\u201d. O Nuno teve uma experi\u00eancia m\u00ednima com m\u00fasica, \u00e9 casado com a irm\u00e3 do Arnaldo Antunes, em alguma hora ele quase foi um Tit\u00e3, j\u00e1 foi gravado pelo Belchior \u2013 ele n\u00e3o conta qual foi a m\u00fasica, uma parceria dele com o Arnaldo. E o Nuno come\u00e7ou a me falar de umas m\u00fasicas que tinha feito e quando a gente viu estava compondo, e desde ent\u00e3o nunca mais paramos. Acabamos de fazer uma parceria, e estou num momento foda, porque a \u00faltima m\u00fasica que voc\u00ea fez \u00e9 sempre a melhor, e estou assim, sem querer colocar uma m\u00fasica nova (no disco). A gente fez uma m\u00fasica linda hoje \u2013 e l\u00f3gico que ela pode n\u00e3o ser linda daqui um m\u00eas. A coisa mais forte do meu trabalho \u00e9 a coisa entre eu, Clima e Nuno. Isso \u00e9 uma cena. \u00c9 o nosso grupo. A gente s\u00f3 fala de m\u00fasica o tempo inteiro, de um jeito que as pessoas se assustam. Da minha m\u00fasica mesmo. Porque neguinho tem medo de ser criticado. Eu adoro a cr\u00edtica, se o cara tiver o que dizer. Se n\u00e3o, mando tomar no cu. A gente sempre brinca que tinha acabado de pegar o \u201cC\u00e3o\u201d, e eu adoro o disco, mas a gente sentou num boteco e destruiu faixa a faixa, falou que tinha feito uma merda de \u00e1lbum. Temos a consci\u00eancia de n\u00e3o nos acharmos g\u00eanios, se proteger de algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quando te chamam de g\u00eanio?<\/strong><br \/>\nNingu\u00e9m me chama de g\u00eanio. At\u00e9 hoje ningu\u00e9m falou mal de um disco meu melhor do que eu falo. N\u00e3o \u00e9 que eu fique esperando que algu\u00e9m fale mal, pelo contr\u00e1rio, mas acho importante que um cr\u00edtico tivesse algo pra falar num sentido mais profundo, coisas que eu penso. A galera fala mal de um jeito p\u00e9ssimo. Pra falar mal n\u00e3o pode ser: \u201cEsse cara \u00e9 paulista e fica fazendo sambinha\u201d (fala com voz de ironia), essas besteiras. O que significa isso? Nada. Tem uns caras do Rio, A Camarilha dos Quatro (veja <a href=\"http:\/\/camarilhadosquatro.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>), eram uns caras que escreviam sobre cinema e agora falam de m\u00fasica, e cada um deles escreve sobre voc\u00ea p\u00e1ginas. \u00c9 muito foda. O L\u00edvio (Vilela), do Bloody Pop (veja <a href=\"http:\/\/bloodypop.com\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>), \u00e9 foda. O mesmo que acontece na m\u00fasica acontece no jornalismo. Voc\u00ea pega a Rolling Stone e o Tiago (Agostini) tem que dar conta de um Em Est\u00fadio com 1000 toques. Voc\u00ea paga suas contas com isso, mas pode fazer as coisas paralelas, do jeito que mais gosta, e isso que eu acho legal hoje. Antes s\u00f3 tinha a Bizz. Ou voc\u00ea estava l\u00e1 ou n\u00e3o estava. (Hoje em dia), o blog \u00e9 onde as coisas mais legais de m\u00fasicas saem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Voc\u00ea tem uma linguagem das artes pl\u00e1sticas que \u00e9 muito contestat\u00f3ria. Voc\u00ea j\u00e1 pensa arte num certo ambiente. N\u00e3o \u00e9 como o Curumin, que acorda e faz m\u00fasica porque \u00e9 m\u00fasico, e n\u00e3o precisa um conceito.<\/strong><\/span><br \/>\nO meio em que eu vivo \u00e9 muito mais profundo, at\u00e9 porque \u00e9 um tipo de arte que pega coisas de outras artes. O Nuno, boa parte do trabalho dele tem a ver com literatura, m\u00fasica popular. O cara vai esculpir em areia versos do Cartola, e eu sou de uma turma que \u00e9 assim. O Caetano \u00e9 de m\u00fasica e tamb\u00e9m tem isso. Mas eu sou mais de artes pl\u00e1sticas. Toda vez que algu\u00e9m de m\u00fasica fala de artes pl\u00e1sticas erra 100%, inclusive o Caetano. Ele deu sorte que conheceu o Helio Oiticica, que \u00e9 o maior artista brasileiro de todos os tempos, se n\u00e3o neguinho iria achar at\u00e9 hoje o Portinari foda. A m\u00fasica se basta muito. O Jards tamb\u00e9m deu sorte, que estava ali com o Wally Salom\u00e3o. Porque m\u00fasica n\u00e3o precisa de artes pl\u00e1sticas. M\u00fasica \u00e9 a coisa mais forte que existe no Brasil, tem uma puta hist\u00f3ria. Artes pl\u00e1sticas n\u00e3o t\u00eam hist\u00f3ria, est\u00e1 come\u00e7ando. A minha gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o discute bem a hist\u00f3ria da musica. Eles falam de pedal, porque tiveram que aprender. Como eles manjam de equipamento, parece que n\u00e3o contribui pra nada, mas o som dos discos \u00e9 foda, obra prima. O papo pode ser mais chato. Eu acho que sou o cara que menos manja de equipamento, mas sei do que eles t\u00e3o falando, e sei da import\u00e2ncia daquilo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Voc\u00ea, assim como o Wado, teve a sorte de estar com as pessoas certas&#8230;<\/strong><br \/>\nE h\u00e1 uma grande intelig\u00eancia nisso. \u00c9 o grande lance do Caetano, e o que o faz estar vivo at\u00e9 hoje. Quando ele viu que o Jaques Morelembaum tinha dado o que tinha que dar, pegou a molecada. E daqui a pouco talvez eles n\u00e3o d\u00eaem mais conta. V\u00e3o gravar um terceiro disco e beleza. Teve a \u00e9poca Jards Macal\u00e9, teve a \u00e9poca da banda Black Rio, que foi a que durou menos, teve o Morelembaum&#8230; ele \u00e9 um cara exemplar disso. O Gil n\u00e3o tem isso, porque ningu\u00e9m toca melhor que ele. Ele se basta. Ele arruma os caras para fazer o trampo dele. Como o Curumin: ningu\u00e9m nunca vai tocar melhor que ele. O Catatau nem se fala, agora eu n\u00e3o. Pra parecer eu tem n\u00e3o parecer nada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>A sua m\u00fasica no disco da Mariana Aydar difere um pouco&#8230;<\/strong><br \/>\nNa composi\u00e7\u00e3o. Ai sim difere um pouco. O som n\u00e3o. O som eu acho parecido com o da galera porque gosto do disco deles. Eu chamo o Gustavo Lenza, que \u00e9 o cara que faz o disco da C\u00e9u, do Curumin, do Lucas, e ele faz daquele jeito. Ent\u00e3o voc\u00ea tem uma bateria no meu disco que est\u00e1 no disco de todo mundo. E isso eu acho foda. Hoje o som \u00e9 muito bom. Nos anos 60 tinha um puta som, mas era sorte. Tinha um maestro, mas \u00e0s vezes ele estragava. E \u00e9 curioso porque a galera de hoje usa os mesmos instrumentos dos anos 70, tudo que foi renegado nos 80 e 90. A gente est\u00e1 revivendo. Nego grava disco em gravador de rolo \u2013 depois p\u00f5e no pro tools, mas grava em rolo \u2013 tudo \u00e9 valvulado, o instrumento \u00e9 de 68, mas tudo isso com pensamento. L\u00e1 era o jeito de gravar. O livro do Tim Maia \u00e9 legal porque mostra que ele ficava puto porque n\u00e3o conseguia o som que queria. O Caetano \u00e9 outro. Primeiro porque eles n\u00e3o sabiam como fazer. Tim Maia falava: \u201cporra, o disco que eu ou\u00e7o nos EUA n\u00e3o tem esse som\u201d.\u00a0Ent\u00e3o ele comprava o mesmo baixo, o mesmo microfone, tudo, jogava na m\u00e3o dos caras e n\u00e3o tiravam o mesmo som. O Curumin tira o som da Motown, do Tim Maia, ele sabe tudo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Estamos num momento em que a tecnologia est\u00e1 muito avan\u00e7ada. O Nevilton, por exemplo, comprou os equipamentos e grava tudo em casa.<\/strong><br \/>\nE neguinho trata isso como algo menor e n\u00e3o \u00e9.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Exato. O som do \u00faltimo EP dele \u00e9 muito melhor que o do \u201cQuatro Esta\u00e7\u00f5es\u201d, da Legi\u00e3o Urbana, que tem uma produ\u00e7\u00e3o terr\u00edvel.<\/strong><br \/>\nO Caetano voltou \u00e0 tona por causa do som. Algu\u00e9m perguntou outro dia: \u201cQual o melhor disco dessa gera\u00e7\u00e3o?\u201d. E algu\u00e9m respondeu: o \u201cC\u00ea\u201d. Achei perfeito, porque a banda \u00e9 dessa gera\u00e7\u00e3o com as can\u00e7\u00f5es do Caetano. Foi a intelig\u00eancia dele de, aos 70 anos, sacar que algo estava acontecendo. \u00c9 o primeiro sinal de relev\u00e2ncia dessa cena.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>O que incomoda algumas pessoas \u00e9 o batismo da m\u00e1fia do dend\u00ea&#8230;<\/strong><br \/>\nMas \u00e9 um batismo diferente. Ele gravou dois discos com os caras, at\u00e9 porque o que ele fala que gosta ningu\u00e9m ouve mais. Esse \u00e9 um batismo mais profundo. Ele gravou dois discos lindos com o Pedro S\u00e1, um guitarrista sensacional que estava no Mulheres Q Dizem Sim. Outro dia me perguntaram se eu achava que o Los Hermanos era o big bang da gera\u00e7\u00e3o, e pra mim \u00e9 o Mulheres, porque estavam l\u00e1 o Domenico, o Pedro S\u00e1, o Kassin estava por ali&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Ainda faltava um letrista&#8230;<\/strong><br \/>\nFaltava, se bem que tem uma das maiores letras da gera\u00e7\u00e3o: \u201cTodo homem tem voz grossa e tem pau grande. E \u00e9 maior do que o meu\u201d. Mas \u00e9 verdade, faltava o Camelo e o Amarante ali. Mas o Caetano diz muito mais gravando dois discos com os caras. A banda \u00e9 foda. O Marcelo (Callado) tem o DoAmor com o Ricardo (Dias Gomes), que era do Brasov, e tem o Pedro que era do Mulheres Q Dizem Sim, um povo com tent\u00e1culos musicais fodas. O Caetano vai l\u00e1 e pega e grava. Se ele falasse que gosta de mim eu ia achar foda. N\u00e3o ia mudar nada, e essa \u00e9 a novidade de hoje. Se a Marisa Monte gravasse m\u00fasica minha, talvez n\u00e3o mudasse nada. Ali\u00e1s, a chance de mudar nada \u00e9 gigante. Talvez se ela lan\u00e7asse um disco s\u00f3 com m\u00fasicas minhas, mas ainda tenho d\u00favidas. Antigamente a Elis Regina pegava uma m\u00fasica do Milton Nascimento e puf, ele estourava. \u201cVou gravar o Belchior\u201d: mudava de rumo. Jo\u00e3o Bosco, Fagner, Ivan Lins, todos mudaram de vida. A Gal Costa pegou duas m\u00fasicas dos meus discos e ningu\u00e9m sabe disso. Porque n\u00e3o toca mais, as coisas n\u00e3o s\u00e3o mais assim. O Marcelo Camelo mudou um pouquinho de tamanho depois da Maria Rita, mas nada se compara ao Belchior. Nada do que era&#8230; Eu sa\u00ed na capa da Ilustrada quatro vezes. Muda a vida de algu\u00e9m? Na vida pessoal, talvez. Naquele dia voc\u00ea fica numa alegria, mas minha tia n\u00e3o sabe que eu gravo disco, a fam\u00edlia n\u00e3o l\u00ea a Folha. Faust\u00e3o? Talvez, mas voc\u00ea vai do jeito errado. A Mallu (Magalh\u00e3es) foi no Faust\u00e3o e se fodeu. Ela nunca mais vai fazer sucesso na vida depois que foi l\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>O neg\u00f3cio \u00e9 o r\u00e1dio&#8230;<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 foda, cara! A gente n\u00e3o tocar no r\u00e1dio. Imagina ficar tocando \u201cPara Fazer Sucesso\u201d no r\u00e1dio o tempo inteiro, em varias r\u00e1dios? Duvido que essa porra n\u00e3o vire. A r\u00e1dio \u00e9 mais forte que a TV. Na TV voc\u00ea \u00e9 um mico de circo. No r\u00e1dio n\u00e3o, \u00e9 perfeito, voc\u00ea fica feliz. O que importa ali \u00e9 a m\u00fasica. Toda vez que toquei em r\u00e1dio era uma loucura, todo mundo ligava, mas s\u00e3o eventos muito especiais. A minha piada \u00e9 que toda vez que toco no r\u00e1dio \u00e9 porque eu estou na esta\u00e7\u00e3o. Eu sei que j\u00e1 aconteceu, mas nunca tive o prazer de me ouvir no r\u00e1dio&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Nosso problema \u00e9 que aqui eles se acostumaram a receber R$ 30 mil pra tocar o disco da gravadora, ent\u00e3o ele n\u00e3o vai tocar seu disco de gra\u00e7a porque abre precedente. Ent\u00e3o ele pega e toca o Caetano \u2013 velho. N\u00e3o toca o disco novo do Guns, toca \u201cSweet Child of Mine\u201d. S\u00f3 velharia, as novidades s\u00e3o de quem est\u00e1 pagando, e as pessoas n\u00e3o mudam. Tanto n\u00e3o mudam que o Caetano \u00e9 o terceiro maior arrecadador de direitos autorais do Brasil hoje&#8230;<\/strong><br \/>\nE n\u00e3o tem nenhuma m\u00fasica do \u201cCe\u201d e do \u201cZii e Zie\u201d. A TV eu quero que se foda, o jornal \u00e9 legal porque todo dia tem algu\u00e9m na capa, mas r\u00e1dio tinha que mudar. O povo me conhece em Curitiba por causa da R\u00e1dio L\u00famen (ou\u00e7a <a href=\"http:\/\/www.grupolumen.com.br\/lumenfm.php\" target=\"_blank\">aqui<\/a>), que me toca bastante. N\u00e3o tem disco meu em Curitiba pra vender. A minha tia iria saber que sou m\u00fasico se eu tocasse no r\u00e1dio. A minha m\u00e3e \u00e9 um caso cl\u00e1ssico. Ela n\u00e3o tem gosto nenhum, e ouve radio desde que nasceu. Ouvia Aracy de Almeida, ama Dolores Duran, Orlando Silva, at\u00e9 hoje, porque ouviu no r\u00e1dio. Hoje ela ama o Zez\u00e9 di Camargo, a Claudia Leitte, porque ela n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 todo mundo tocando no r\u00e1dio, ela canta igual. Ent\u00e3o o que tocar ela vai gostar. Falar que o r\u00e1dio toca o que o povo quer ouvir \u00e9 uma balela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Ele dita o que o povo quer ouvir.<\/strong><br \/>\nSim. E meu pai, que tem um gosto foda (mas n\u00e3o ouve mais m\u00fasica, nem o meu disco), diz que tamb\u00e9m tinha m\u00fasica ruim naquela \u00e9poca, mas as duas tinham o mesmo peso, voc\u00ea escolhia o que queria ouvir, e a m\u00fasica boa eventualmente ganhava. Hoje a concorr\u00eancia \u00e9 desleal: como eu vou concorrer com a Claudia Leitte? A Maria Beth\u00e2nia criou um subselo, lan\u00e7a um disco por ano, e n\u00e3o toca na r\u00e1dio, mas est\u00e1 lan\u00e7ando. A Gal Costa morreu. Mesmo quando ela quis fazer um disco de novos compositores fez tudo errado, n\u00e3o se envolveu. Ela esqueceu quem eu sou, e eu j\u00e1 tive com ela. Pra mim a Gal \u00e9 a maior cantora de todos os tempos, mas a carreira de hoje morreu. O Jorge Ben morreu. O Caetano est\u00e1 viv\u00edssimo. O Gil vai ressuscitar agora, j\u00e1 gostei do \u00faltimo disco dele. O Paulinho da Viola lan\u00e7a um cl\u00e1ssico a cada dez anos, tem o tempo dele. O Chico&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>O Chico \u00e0s vezes se perde nesse neg\u00f3cio de pegar uns puta m\u00fasicos para fazer uns arranjos e se esquece da simplicidade de \u201cJo\u00e3o e Maria\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nMas ele n\u00e3o sabe nada de som. Ele est\u00e1 pouco se fodendo. O \u00faltimo disco dele, \u201cCarioca\u201d, \u00e9 foda. Tem um document\u00e1rio&#8230; o produtor est\u00e1 ali na frente dele fodendo a m\u00fasica, com um arranjo horr\u00edvel, e o Chico preocupado com um cac\u00f3fato, nego come\u00e7ou a dar risada e ele: \u201cO que foi?\u201d. \u201cAh, Chico, \u00e9 que est\u00e1 \u2018como um gato a sua dona\u2019, \u00e9 a suadona, n\u00e9\u201d. E ele come\u00e7a a se preocupar. A m\u00fasica \u00e9 linda, o cara estragando o arranjo at\u00e9 que ele chega a \u201caos p\u00e9s da dona\u201d. E fica. O Caetano n\u00e3o. Ele chama o Pedro S\u00e1 pra fazer rock. O Chico quer fazer m\u00fasica boa \u2013 e ele faz aos rodos \u2013 e d\u00e1 na m\u00e3o de um man\u00e9. \u00c0s vezes d\u00e1 certo, \u00e0s vezes n\u00e3o, mas ele n\u00e3o fica pensando nisso. Ele pensa na suadona. \u201cCarioca\u201d \u00e9 foda, a primeira m\u00fasica \u00e9 muito boa, mas o som do disco \u00e9 uma bosta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>O que voc\u00ea pensa sobre o seu futuro?<\/strong><br \/>\nEu estou ficando velho, meu truque perfeito n\u00e3o deu certo, e j\u00e1 saquei que n\u00e3o vai acontecer ou se acontecer ser\u00e1 por quest\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o ao meu controle. Ent\u00e3o quero continuar gravando disco, continuar com o que conquistei. Fazer o disco, lan\u00e7ar, dar entrevista,\u00a0ent\u00e3o acaba e come\u00e7a tudo de novo. Tem o momento pr\u00e9-disco novo, que \u00e9 do caralho, e ele nem existe ainda.\u00a0Ent\u00e3o voc\u00ea ouve umas coisas que voc\u00ea n\u00e3o tava pensando&#8230; vou sair daqui cheio de coisa na cabe\u00e7a. Acho legal registrar esse processo. Conquistei algo que \u00e9 poder fazer m\u00fasica, e acho isso foda. Se o Caetano falar que gosta de mim vou achar foda. Se a Marisa Monte gravar uma m\u00fasica minha vou achar foda. Se a Universal quiser me contratar eu ia achar foda, mas s\u00f3 se eu puder fazer o que eu fa\u00e7o, sen\u00e3o vai tomar no cu. \u00c9 rid\u00edculo artista novo que vai pra gravadora e diz que faz o que os caras querem. Foda-se. Trouxa, voc\u00ea n\u00e3o precisa disso. Antes voc\u00ea n\u00e3o gravava em casa, tinha que depender de uns caras desses. O Liminha ficava falando merda pros Tit\u00e3s. Voc\u00ea tinha que dar conta daquilo, mas n\u00e3o precisa mais engolir sapo hoje em dia. Talvez voc\u00ea tamb\u00e9m esteja perdendo coisas, porque o Liminha tamb\u00e9m tinha algo a dizer&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Essa liberdade em excesso n\u00e3o faz as pessoas passarem dos limites?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acho ruim passar dos limites. Acho merda ficar aqu\u00e9m dos limites, porque n\u00e3o ouve outra pessoa, n\u00e3o se exp\u00f5e. A pior coisa da arte \u00e9 o neguinho n\u00e3o se expor, o g\u00eanio de boteco. E hoje ele n\u00e3o cola mais. Nos anos 60 tinha o g\u00eanio de boteco que dizia que n\u00e3o gravava porque era um artista integro, n\u00e3o faz pacto com ningu\u00e9m. Em artes pl\u00e1sticas tem muito disso. Em m\u00fasica n\u00e3o tem mais. Eu fa\u00e7o o que quero na minha gravadora, no est\u00fadio. Voc\u00ea lan\u00e7a seu disco. Pode n\u00e3o ter o esquema da grande gravadora, e \u00e9 isso que eu falo: se a Warner me chamasse eu ia amarrad\u00e3o porque eles tem algo que n\u00e3o tenho. V\u00e3o me fazer tocar no Canec\u00e3o. A Mariana Aydar tem isso. Ela \u00e9 da minha gera\u00e7\u00e3o, tocou no Canec\u00e3o e eu no Cinematheque. Ela tocou no Canec\u00e3o por que \u00e9 melhor que eu? Talvez, mas tamb\u00e9m porque ela tem gravadora. E isso n\u00e3o faz dela uma artista menor, porque ela fez o disco que ela queria, ningu\u00e9m encheu o saco. O Zeca Pagodinho est\u00e1 l\u00e1 porque ela ama ele, e cantando m\u00fasica dela. Se voc\u00ea n\u00e3o faz o disco nas suas condi\u00e7\u00f5es est\u00e1 fora. Eu prefiro a Nina como artista. Ela vai lan\u00e7ar dois discos lindos, bem mais que o da Mariana. Mas a Mariana \u00e9 uma cantora fenomenal que gravou um disco super bonito, e eu acho legal, porque eu quero ter as duas pra mim. E j\u00e1 que n\u00e3o da pra ter duas em uma eu pego as duas. A Mariana que \u00e9 uma cantora fenomenal e a Nina que \u00e9 mais parecida comigo. A Mariana \u00e9 cora\u00e7\u00e3o. A Nina n\u00e3o, vai lan\u00e7ar dois discos, gravou tr\u00eas (can\u00e7\u00f5es do Jorge) Mautner. Ela \u00e9 louca de ter feito isso. A Mariana \u00e9 mais cl\u00e1ssica. \u00c9 a Maria Beth\u00e2nia e a Gal Costa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Voc\u00ea chegou a conversar com a Karina Buhr?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, s\u00f3 de oi mesmo. Preciso chegar mais junto dela. Ela comp\u00f5e pra caralho, o disco inteiro \u00e9 dela, lindo, muito lindo, letras \u00f3timas. Acho a Andr\u00e9ia Dias uma \u00f3tima compositora, a Lulina tamb\u00e9m, a Mariana \u2013 mas ela s\u00f3 triscou nesse ultimo disco \u2013 a Nina comp\u00f5em muito bem. E a Thalma, a Thalma \u00e9 muito boa, e ela n\u00e3o lan\u00e7a esse primeiro disco, todo mundo fica cobrando dela, e ela fica aflita. A m\u00fasica do disco da Orquestra (Imperial) \u00e9 linda O dia que ela conseguir vai lan\u00e7ar um disco espetacular. Ela canta uma m\u00fasica in\u00e9dita minha no show, que fiz pra ela e acho muito bonita. E ela escolheu cantar samba jazz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #888888;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Pra finalizar, como voc\u00ea v\u00ea essa cena de hoje? \u00c9 uma das melhores dos \u00faltimos tempos?<\/strong><br \/>\nAcho uma das melhores da hist\u00f3ria. \u00c9 foda porque estou dentro dela, e fica dif\u00edcil comparar com os anos 30, ou com 60\/70. Vai ter que passar uns 20 anos pra neguinho olhar pra tr\u00e1s, mas o Cidad\u00e3o Instigado j\u00e1 lan\u00e7ou dois discos que, pra mim, est\u00e3o entre os maiores da hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira. O Los Hermanos, o + 2&#8230; tem uns dez discos que acho que est\u00e3o entre os melhores da discografia de todos os tempos. Tenho certeza disso. Agora, \u00e9 uma cena que surgiu no fim do mundo, terra desvastada. Ningu\u00e9m ouv<\/span><span style=\"color: #000000;\">e&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4775 aligncenter\" title=\"romulo9\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/romulo9.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Entrevist\u00e3o do m\u00eas de fevereiro: Nevilton e Heitor (Banda Gentileza) (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/21\/entrevista-do-mes-heitor-e-nevilton\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevist\u00e3o com Wado, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/11\/03\/entrevista-wado\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Romulo Fr\u00f3es lan\u00e7a &#8220;No Ch\u00e3o sem o Ch\u00e3o&#8221; no Sesc Pomp\u00e9ia, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/05\/04\/romulo-froes-lanca-cd-em-grande-estilo\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n-&#8220;No Ch\u00e3o Sem o Ch\u00e3o&#8221;, de Romulo Fr\u00f3es, no Melhores de 2009 do Scream &amp; Yell (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/26\/melhores-discos-nacionais-2009\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa e Tiago Agostini\nPrester a gravar um novo disco, Romulo analisa o cen\u00e1rio atual e garante: \u00e9 um das melhores da hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/04\/01\/entrevista-do-mes-romulo-froes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4770"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4770"}],"version-history":[{"count":52,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4770\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28084,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4770\/revisions\/28084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}