{"id":47661,"date":"2018-05-26T14:02:05","date_gmt":"2018-05-26T17:02:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=47661"},"modified":"2018-07-24T16:46:16","modified_gmt":"2018-07-24T19:46:16","slug":"balancao-festival-boston-calling-2018-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/26\/balancao-festival-boston-calling-2018-eua\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7\u00e3o: Festival Boston Calling 2018, EUA"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">DIA 1<\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito verde, muita New England IPA e uma programa\u00e7\u00e3o dividida entre o rock e o hip hop, com um pequeno espa\u00e7o para a musa Natalie Portman. Esse \u00e9 o Boston Calling, festival de m\u00fasica pop que chega em 2018 \u00e0 sua nona edi\u00e7\u00e3o. Com capacidade para cerca de 30 mil pessoas por dia, o evento tem a fina curadoria de Aaron Dessner, do The National, e acontece no complexo esportivo da Universidade de Harvard. Fica aqui a ressalva, por\u00e9m, de que n\u00e3o \u00e9 preciso ser nenhum g\u00eanio para entender a gra\u00e7a de sua primeira noite, que contou com nomes como Killers, Portugal the Man, Paramore e o pr\u00f3prio National.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47663\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_publico2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"881\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_publico2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_publico2-255x300.jpg 255w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A programa\u00e7\u00e3o oficial come\u00e7ou pouco antes das 15 horas, com o This is The Kit \u2013 a reportagem do Scream &amp; Yell, no entanto, ainda estava encerrando um passeio r\u00e1pido por Boston. O roteiro incluiu pausas para comprar cervejas IPAs da renomada Trillium, ver a bela estrutura da nova \u00e1rea do Museu de Belas Artes projetada por Sir Norman Foster e comer cannoli na filial de Harvard do Mike\u2019s Pastry, uma doceria que, se ficasse em S\u00e3o Paulo, s\u00f3 poderia dividir porta com a cl\u00e1ssica Lanchonete do Seu Oswaldo, no Ipiranga. Sabe como \u00e9: \u201cleave the guns, take the cannoli\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47673\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_lojinha.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_lojinha.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_lojinha-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A parada na Mike\u2019s Pastry \u00e9 estrat\u00e9gica, at\u00e9 pela organiza\u00e7\u00e3o do evento: para chegar ao Boston Calling, o jeito mais f\u00e1cil era se aventurar pela linha vermelha da rede de metr\u00f4 mais antiga dos Estados Unidos, descer na esta\u00e7\u00e3o que d\u00e1 nome \u00e0 universidade e caminhar por cerca de 15 minutos. J\u00e1 dando o spoiler: a ida foi tranquila; a volta, mesmo escoando milhares de pessoas, foi mais confort\u00e1vel do que andar pela linha verde (do metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo) fora do hor\u00e1rio de pico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47669\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_mikkeller.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_mikkeller.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_mikkeller-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao chegar no festival propriamente dito, a primeira parada era conferir Natalie Portman abrindo a The Arena, espa\u00e7o para apresenta\u00e7\u00f5es especiais, podcasts e shows de stand-up montado num gin\u00e1sio de h\u00f3quei, entre os tr\u00eas grandes palcos do evento. A agenda era misteriosa e n\u00e3o dava mais detalhes: ela vai cantar? Vai contar piada? Vai ficar l\u00e1, uma hora, parada, dizendo \u201chello stranger\u201d?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47664\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_natalie.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_natalie.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_natalie-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim das contas, foi bem menos que isso: Natalie subiu para dar um oi e apresentar mais uma etapa da sess\u00e3o de cinema especial do festival \u2013 antes do evento, por tr\u00eas noites houve proje\u00e7\u00f5es de filmes como \u201cLa Belle de Jour\u201d e \u201cO Exorcista\u201d, com curadoria da atriz. Ela falou por pouco mais de um minuto, apresentando uma vers\u00e3o restaurada de \u201cA Concha e o Cl\u00e9rigo\u201d, um filme surrealista franc\u00eas de 1928, com trilha sonora ao vivo executada pelo trio ACME Music. Durante 40 minutos, muita gente ficou com cara de interroga\u00e7\u00e3o, especialmente pela jun\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de um padre que tem del\u00edrios er\u00f3ticos com a performance da banda, bem pr\u00f3xima do esquema post-rock. Daqueles momentos que n\u00e3o fazem sentido nenhum, mas que s\u00e3o incr\u00edveis.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VbfPwA7AvH0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes do pr\u00f3ximo show, uma pausa para reabastecer o f\u00edgado. Por quest\u00f5es de economia, a op\u00e7\u00e3o do dia foi a New England IPA da Samuel Adams (US$ 9 a lata de 473 ml), cervejaria bostoniana das grandes \u2013 para quem quisesse abrir o bolso, por\u00e9m, a dinamarquesa Mikkeller montou um pavilh\u00e3o especial bem de frente \u00e0 arena, oferecendo sete de suas cervejas bombadas. Miss\u00e3o para os pr\u00f3ximos dias para este que vos escreve e o parceiro de cobertura Bruno Dias, do Urbanaque. A programa\u00e7\u00e3o gastron\u00f4mica tamb\u00e9m n\u00e3o deixa a desejar: o festival recrutou alguns dos principais food trucks de Boston para fazer das suas. Nesse primeiro dia, a op\u00e7\u00e3o ficou com os bolinhos de pizza e de mac and cheese do Arancini Bros (US$ 13, a por\u00e7\u00e3o com seis). Tava bom, n\u00e9 Bruno Dias?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47665\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_ne.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_ne.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_ne-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o bolinho desceu bem, n\u00e3o se pode dizer o mesmo do show da Pussy Riot, uma banda importante pelo discurso momento hist\u00f3rico (ai Putin, ai Trump), mas que tem pouco a oferecer musicalmente. As russas sabem disso e abrem sua apresenta\u00e7\u00e3o com um digno text\u00e3o de Facebook: s\u00e3o nada menos que 10 minutos de apresenta\u00e7\u00e3o de power point com 25 t\u00f3picos de um manifesto, seguidas por uma s\u00e9rie de perguntas sobre o que raios o Pussy Riot quer. Quando a m\u00fasica finalmente come\u00e7a, as mo\u00e7as entram no palco mascaradas e com roupas de seguran\u00e7a, fazendo uma mistura de hardcore digital com rap e algum tantinho de rock, mas que n\u00e3o avan\u00e7a al\u00e9m. Muito barulho por nada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47666\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_pussyriot.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_pussyriot.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_pussyriot-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais eficiente (\u00eanfase no \u201ceficiente\u201d, um adjetivo sa\u00eddo prontamente do vocabul\u00e1rio corporativo contempor\u00e2neo) \u00e9 o Portugal the Man, que come\u00e7ou seu show l\u00e1 pelas 19h com uma plateia j\u00e1 bastante cheia e um repert\u00f3rio cheio de covers \u2013 foram quatro em um set de 12 m\u00fasicas, com direito a \u201cChildren of the Revolution\u201d, do T-Rex e \u201cFor Whom the Bell Tolls\u201d, do Metallica. Jogando para a galera, Josh Baldwin Gourley n\u00e3o economizou nas guitarras, mas encontrou mesmo seu melhor momento no hit \u201cFeel It Still\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47667\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_portugal.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_portugal.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_portugal-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00edvel da noite subiu pouco tempo depois, quando Natalie Portman voltou a dar as caras. Dessa vez, ela veio introduzir a banda de uns amigos que conheceu h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, num rol\u00ea em Cincinnati: The National. \u00c9 a deixa para que a banda fa\u00e7a um show bonito, regido pelas mem\u00f3rias e pela sofr\u00eancia de Matt Berninger, dominado pelo repert\u00f3rio dos \u00faltimos tr\u00eas discos do grupo, \u201cHigh Violet\u201d (2010), \u201cTrouble Will Find Me\u201d (2013) e o recente \u201cSleep Well Beast\u201d (2017).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47668\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_national.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_national.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_national-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amparado pelos irm\u00e3os Dessner, Berninger tem espa\u00e7o para ser um belo frontman, mesmo com sua cara de professor de literatura sedutor: ele sofre, ele abre os bra\u00e7os, ele canta cada can\u00e7\u00e3o como se seu peito fosse um po\u00e7o intermin\u00e1vel de m\u00e1goa, tristeza e remorso, como um cora\u00e7\u00e3o apaixonado que nem sempre faz o que \u00e9 certo, mas que \u00e9 sincero. \u00c9 o tipo de sensa\u00e7\u00e3o que fica clara em \u201cDon\u2019t Swallow the Cap\u201d (veja o v\u00eddeo abaixo!) ou no bonito dueto que ele tem com Maggie Roggers em \u201cI Need My Girl\u201d. \u00c9 meio depr\u00ea? Sim. Lembra Leonard Cohen? Tamb\u00e9m. Mas no p\u00f4r do sol digno de desenho feito a l\u00e1pis de cor Faber Castell que faz em Boston, \u00e9 um show muito bonito.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dUlM54MkYgs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria o The National o melhor show do dia, n\u00e3o fosse a m\u00fasica pop uma aritm\u00e9tica cheia de improbabilidades. Afinal, como pode uma banda gastar seus dois maiores hits nas tr\u00eas primeiras m\u00fasicas do show? Pior: uma banda que tem seis ou sete discos de carreira, mas s\u00f3 dois deles s\u00e3o realmente bons? E que chega ao palco do Boston Calling ostentando um rid\u00edculo luminoso em neon com o s\u00edmbolo grego de masculino bem no meio do seu palco?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47670\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_publico.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_publico.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_publico-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema \u00e9 que essa banda \u00e9 o Killers. E o Killers tem duas coisas que o National, uma banda mais madura, n\u00e3o tem: refr\u00f5es pop para as massas e Brandon Flowers. Voc\u00ea pode achar que ele \u00e9 meio babaca, que \u00e9 mais bonito do que bom artista ou apenas uma c\u00f3pia crist\u00e3 e heterossexual de Freddie Mercury. Mas ele carrega o show: ele canta, dan\u00e7a, faz piada com os times da cidade (em especial, o Boston Celtics, que pode chegar \u00e0 final da NBA pela primeira vez em quase uma d\u00e9cada) e n\u00e3o precisa de mais de que dez segundos para fazer 20 mil pessoas baterem palmas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47672\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_killers.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_killers.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_killers-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ele tem na m\u00e3o algumas das melhores can\u00e7\u00f5es das duas \u00faltimas d\u00e9cadas, abrindo o show com \u201cMr. Brightside\u201d e praticamente a emendando com \u201cSomebody Told Me\u201d. \u00c9 uma descarga de adrenalina t\u00e3o grande que pouco importa que os singles dos \u00faltimos discos sejam horr\u00edveis (\u201cThe Man\u201d, por exemplo, soa como um lado Z dos Bee Gees) e que eles apare\u00e7am em uma sequ\u00eancia logo ap\u00f3s \u201cSomebody Told Me\u201d, porque logo depois h\u00e1 \u201cFor Reasons Unknown\u201d ou \u201cSmile Like You Mean It\u201d. Ou \u201cRead My Mind\u201d. E por que n\u00e3o uma cover espert\u00edssima de \u201cAmerican Girl\u201d, fazendo uma justa homenagem ao saudoso Tom Petty?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/37-Ir1qfeWk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez seja uma compara\u00e7\u00e3o injusta, mas se o National fez um grande show, o Killers deu um espet\u00e1culo. Seria bobo dizer que, \u00e0s vezes, ser adolescente como a banda de Las Vegas \u00e9 melhor que ser maduro como Matt Berninger. At\u00e9 mesmo porque os dois melhores momentos do show da trupe de Brandon Flowers s\u00e3o em can\u00e7\u00f5es sobre \u201colhar para o passado\u201d: \u201cAll These Things That I\u2019ve Done\u201d e \u201cWhen You Were Young\u201d. Mas \u00e9 um olhar nost\u00e1lgico, feliz, que \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o deixar o complexo esportivo de Harvard com um sorriso no rosto. Amanh\u00e3 tem mais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47671\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston1-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">DIA 2<\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">A previs\u00e3o do tempo prometia frio e chuva, a escala\u00e7\u00e3o do festival trazia algumas das principais bandas de rock (lembra dele?) da atualidade (Jack White, Queens of the Stone Age e Royal Blood). Mas no segundo dia de Boston Calling, tanto os meteorologistas quanto os analistas de previs\u00f5es pop quebraram a cara: fez sol, bastante calor e quem fugiu do c\u00e2none moderno do g\u00eanero ou nem tentou se aproximar dele \u00e9 que apresentou os melhores shows do festival.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47690\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_geral.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_geral.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_geral-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio da sexta-feira, o s\u00e1bado fez a equipe do Scream &amp; Yell chegar cedo ao complexo esportivo de Harvard. A raz\u00e3o \u00e9 a senhorita Lillie Mae, uma das crias de Jack White e sua poderosa m\u00e1quina de gravar discos, a Third Man Records. Munida de violino e viol\u00e3o, a mo\u00e7a faz um som gostoso de ouvir no come\u00e7o da tarde, situado naquela encruzilhada entre o folk, o rock, o country e, como diriam S\u00e1 &amp; Guarabyra, \u201co p\u00f3 da estrada\u201d. Para uma refer\u00eancia mais espec\u00edfica \u00e9 poss\u00edvel dizer que ela soa como uma vers\u00e3o moderna de cantoras como Emmylou Harris e Linda Ronstadt, s\u00f3 que com o peso de uma banda regida sob os ausp\u00edcios de mr. White.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47691\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lillie.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lillie.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lillie-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o reparar em can\u00e7\u00f5es como \u201cWash Me Clean\u201d, \u201cThese Daze\u201d ou \u201cOver the Hill and Through the Woods\u201d, isso para n\u00e3o dizer que a tatuagem de cora\u00e7\u00e3o partido que a mo\u00e7a enverga no bra\u00e7o esquerdo pode, na verdade, partir alguns cora\u00e7\u00f5es por a\u00ed. Foi bonito, especialmente no final, quando ela dedicou uma exibi\u00e7\u00e3o instrumental de sua banda (\u201c\u00e9 pros f\u00e3s hardcore, eu inclusa\u201d) com violino, bateria e guitarra com um sotaque t\u00e3o caipira quanto os filmes de caub\u00f3i que passavam antigamente na Sess\u00e3o da Tarde.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VXP5Tf5kEC4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E j\u00e1 que o assunto \u00e9 a Third Man Records, a gravadora de Jack White compareceu ao festival com um trailer de venda de vinis no melhor food truck n\u00e3o comest\u00edvel do Boston Calling. Havia badulaques da gravadora, como chaveiros, isqueiros e bon\u00e9s, mas o principal eram os discos: de singles reeditados do White Stripes a vers\u00f5es especialmente feitas para o festival de \u00e1lbuns e compactos de bandas como Los Lobos e The Shins. Era tenta\u00e7\u00e3o demais para a carteira, mas esta reportagem foi capaz de apenas gastar com um compacto de \u201cFell In Love With A Girl\u201d\/\u201dI Just Don\u2019t Know What to Do With Myself\u201d, por meros US$ 6. (Do lado, havia tamb\u00e9m uma barraca da Newbury Comics, com barganhas como uma edi\u00e7\u00e3o usada do primeiro vinil dos Byrds, \u201cTurn! Turn! Turn!\u201d, por US$ 9; j\u00e1 o parceiro Bruno Dias saiu com \u201cAwaken, My Love\u201d, do Childish Gambino por US$ 18).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47692\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_third.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_third.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_third-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, uma parada r\u00e1pida de uns 15 minutos para conferir a rapper Leikeli47. O flow era bom, mas em vez de tocar suas pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es, a cantora se encaminhou pela \u201cavenida das mem\u00f3rias\u201d e resolveu relembrar hits do passado que a inspiraram, como \u201cKilling Me Softly\u201d, na vers\u00e3o dos Fugees. Uma pena. N\u00e3o deu pra ficar mais porque de novo havia uma miss\u00e3o em curso: ver Natalie Portman, desta vez ao lado de St. Vincent, apresentar sua sess\u00e3o de filmes mudos feministas e surrealistas. A apari\u00e7\u00e3o de Annie Clark foi bastante \u201ctruqueira\u201d: sob uma base pr\u00e9-gravada, ela apenas adicionou uns \u201coohh\u201d e \u201caaah\u201d ao curta que era projetado no tel\u00e3o. J\u00e1 a pr\u00f3pria Natalie fez um voice over sobre um curta, com uma pegada t\u00e3o \u201cpapo cabe\u00e7a\u201d que fez o c\u00e9rebro estralar que nem pururuca.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zm2Yqm_RW68?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falando em comida, hora de parar para abastecer. Bruno Dias foi de combo de lanche de brisket com Mac and Cheese (US$ 13), que estava bem saboroso. J\u00e1 esta reportagem foi de uma apimentada por\u00e7\u00e3o de fish and chips (US$ 12), acompanhada de uma ostra pescada localmente (US$ 2,25), afinal, s\u00f3 se vive uma vez e n\u00e3o se pode perder a chance de bancar o fino nos \u201cist\u00eaites\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47693\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_fish.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"544\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_fish.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_fish-300x218.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m local era o Belly de Tanya Donelly, uma das atra\u00e7\u00f5es mais aguardadas do dia: afinal, uma das principais bandas de Boston nos anos 1990 est\u00e1 de volta ap\u00f3s 23 anos com um novo disco, \u201cDove\u201d. Mas\u2026 n\u00e3o funcionou: se em est\u00fadio as novas can\u00e7\u00f5es funcionam muito bem, ao vivo a transi\u00e7\u00e3o \u201cloud-quiet-loud\u201d e os vocais charmosos de Donelly se perdem entre peso e volume, e nem mesmo o semi-hit \u201cGepetto\u201d foi capaz de levantar a plateia, debaixo de um sol de rachar o coco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47697\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_belly1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"505\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_belly1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_belly1-300x202.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sol na cabe\u00e7a fez muita gente querer pegar o trem azul para qualquer \u00e1rea com sombra. Prioridades: era preciso saber o que aconteceu na final da Champions League, e n\u00e3o eram poucas as camisetas do Liverpool no complexo esportivo de Harvard. Pena que faltou combinar com o S\u00e9rgio Ramos para fazer a festa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ci5rBMVGcpI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devidamente refrescado com mais uma New England IPA da Samuel Adams (que s\u00f3 seria melhor se fosse mais barata, pois quem converte tamb\u00e9m quer se divertir), hora de conferir o Royal Blood. \u00c9 uma banda engra\u00e7ada. Por um lado, \u00e9 de se admirar que apenas dois caras, tocando rock sem usar guitarras, consigam mover algumas milhares de pessoas em pleno 2018. Por outro, d\u00e1 um pouco de pregui\u00e7a, porque \u00e9 o dom\u00ednio da t\u00e9cnica e da engenharia sobre a arte.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47696\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_royal.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_royal.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_royal-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calma: benjaminianamente falando, a gra\u00e7a maior do Royal Blood \u00e9 que eles t\u00eam bons pedais de distor\u00e7\u00e3o. Mike Kerr \u00e9 um bom baixista, mas na maior parte do tempo, trata seu instrumento como se fosse uma guitarra. (E quando faz isso, d\u00e1 saudade de Mark Sandman e seu baixo de duas cordas no Morphine, um homem que sabia respeitar os graves). Ben Thatcher, seu companheiro nas baquetas, \u00e9 um baterista bastante superior a Meg White (para comparar com outro duo famoso), mas, em conjunto, o Royal Blood n\u00e3o consegue sair de uma mesma din\u00e2mica como fazia o White Stripes: falta varia\u00e7\u00e3o \u00e0 sequ\u00eancia de \u201cporradas\u201d que a banda distribui com seu som, fazendo muitas vezes um show inteiro parecer preenchido com a mesma coisa. Melhor tentar algo diferente no palco azul, talvez?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47710\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_blood.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_blood.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_blood-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do alto dos meus 26 anos, \u00e9 bastante prov\u00e1vel que este escritor puxe para cima a m\u00e9dia de idade da plateia do Brockhampton, um coletivo de rappers que se autointitula \u201ca primeira boy band da era da internet\u201d. Todos eles se conheceram em um f\u00f3rum de f\u00e3s de Kanye West. No ano passado, soltaram nada menos que tr\u00eas discos ao longo de 12 meses, fazendo uma parte da internet (e muita molecada) pirar com seu trap pesad\u00e3o. Ao vivo, d\u00e1 para entender quase tudo: j\u00e1 no come\u00e7o do show, quando Joba surge com uma guitarra pra cantar a baladinha \u201cSummer\u201d, se sabe que o que vai acontecer \u00e9 algo diferente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a_FudvjmzSI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o ao todo sete caras em cima do palco, rimando e agitando, em uma experi\u00eancia est\u00e9tica incr\u00edvel que faz o rock do Royal Blood soar um bocado ultrapassado. S\u00e3o batidas dan\u00e7antes, com palavras de ordem e divers\u00e3o na mesma medida, uma ferramenta de express\u00e3o de zoeira, mas tamb\u00e9m de raiva e tens\u00e3o. O tel\u00e3o \u00e9 muito bem feito (tem at\u00e9 a participa\u00e7\u00e3o do ator Ansel Elgort, o motorista de \u201cBaby Driver\u201d) e o show rola todo sob uma base solta, sem DJ. O fato de ser um coletivo tamb\u00e9m ajuda o grupo: enquanto um ou dois rimam, os outros dan\u00e7am, agitam e n\u00e3o deixam a plateia ficar parada, no melhor esquema cooperativo \u201cum por todos, todos por um\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47707\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_waknada.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"484\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_waknada.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_waknada-300x194.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Ser\u00e1, por\u00e9m, o \u00faltimo show do Brockhampton por algum tempo: logo ap\u00f3s o show, a banda divulgou um comunicado dizendo que vai cancelar os shows restantes da turn\u00ea americana para se realinhar j\u00e1 que um de seus membros, Ameer Vann, foi retirado do grupo depois de ser acusado de abuso sexual, emocional e de ter rela\u00e7\u00f5es com uma menor de idade. Em comunicado oficial, a banda pediu desculpas por n\u00e3o ter se pronunciado oficialmente antes).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47695\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"691\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston2-300x276.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea, amigo roqueiro, est\u00e1 se perguntando \u201cqual \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o do rock\u201d (se \u00e9 que a gente precisa de uma, mas v\u00e1 l\u00e1), talvez seja bom prestar aten\u00e7\u00e3o em St. Vincent. Ela \u00e9 uma fiel disc\u00edpula da escola David Byrne de pensamento: isto \u00e9, fazer o povo dan\u00e7ar enquanto enfia goela abaixo can\u00e7\u00f5es esquisitas, com solos de guitarras, batidas quebradi\u00e7as, vocais distorcidos e uma mensagem pr\u00f3pria. A de Annie Clark (o nome de batismo da mo\u00e7a) \u00e9 pela for\u00e7a das mulheres e da sedu\u00e7\u00e3o como arma estrat\u00e9gica em meio ao mundo bizarro em que vivemos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47701\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_vincent.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_vincent.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_vincent-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esteticamente intrigante: os m\u00fasicos homens da banda de apoio n\u00e3o t\u00eam rosto, usando m\u00e1scaras e peruca, como se fossem figuras gen\u00e9ricas. J\u00e1 a pr\u00f3pria St. Vincent arrasa quase qualquer cora\u00e7\u00e3o com seu conjunto de mai\u00f4 e botas de cano alto laranjas, al\u00e9m das guitarras em cores extravagantes (rosa-choque, verde lim\u00e3o, azul brilhante). H\u00e1 postura, h\u00e1 coreografias.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47706\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_st2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"577\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_st2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_st2-300x231.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, h\u00e1 um tel\u00e3o superproduzido, com proje\u00e7\u00f5es que complementam o que se ouve e v\u00ea em palco. E n\u00e3o \u00e9 pouco: Annie pode passar despercebida, mas \u00e9 uma baita guitarrista, inventiva e vers\u00e1til. \u00c9 bonito de ver o que ela faz com \u201cHuey Newton\u201d, \u201cDigital Witness\u201d ou \u201cMasseduction\u201d, pegando emprestada uma li\u00e7\u00e3o de Prince. Ou \u201cSlow Disco\u201d, uma can\u00e7\u00e3o pop redondinha. \u00c9 definitivamente um show para ser visto se passar na sua frente (enquanto isso, na plateia, um grupo de umas 10 mo\u00e7as em \u201copera\u00e7\u00e3o despedida de solteira\u201d curtia as can\u00e7\u00f5es de Annie Clark. Entre um sacolejo e outro, s\u00f3 consigo imaginar que casamento divertido vai ser esse em que a noiva gosta de St. Vincent).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/soKXNudkjO0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, hora de ver o Queens of the Stone Age. L\u00e1 pelo meio do show da trupe de Josh Homme, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o curiosa: \u201cNossa, mas isso aqui t\u00e1 meio repetitivo?\u201d. A bem da verdade, \u201capesar da crise\u201d, o Queens \u00e9 uma das bandas que o p\u00fablico brasileiro melhor pode acompanhar nos \u00faltimos anos, como se S\u00e3o Paulo fosse realmente uma perna natural de qualquer turn\u00ea norte-americana. Ao mesmo tempo, esse per\u00edodo coincidiu com o momento em que o Queens encontrou seu maior sucesso comercial (em \u201c&#8230;Like Clockwork\u201d) e ousou mal (em \u201cVillains\u201d), o que faz com que as apresenta\u00e7\u00f5es sejam bastante parecidas, e n\u00e3o importa se \u00e9 no complexo esportivo de Harvard ou do Palmeiras.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47702\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_qotsa.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_qotsa.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_qotsa-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Divaga\u00e7\u00f5es \u00e0 parte, o show que se viu no Boston Calling foi mais curto e bastante parecido com o que a banda fez na abertura para o Foo Fighters no Allianz Parque em fevereiro. As diferen\u00e7as, por\u00e9m, s\u00e3o substanciais. Vamos l\u00e1: 1) a abertura com a dobradinha \u201cYou Think I Ain\u2019t Worth a Dollar, But I\u2019m a Millionaire\u201d e \u201cNo One Knows\u201d. 2) uma \u00e1rea VIP que n\u00e3o ocupa toda a frente do palco. 3) espa\u00e7o para pogar ou curtir o show de forma relaxada. 4) um Josh Homme visivelmente relaxado e \u00e0 vontade. 5) algumas can\u00e7\u00f5es a menos de \u201cVillains\u201d. 6) a presen\u00e7a do hit de karaok\u00ea absoluto \u201cIn My Head\u201d. \u00c9 aquela li\u00e7\u00e3o de Mick Jagger: \u201c\u00e9 s\u00f3 o rock\u2019n\u2019roll, mas a gente gosta\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/F-1eg5k6iPk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria bonito se o headliner da noite, John Anthony Gillis, vulgo Jack White, rezasse por uma cartilha parecida. Ele \u00e9 o dono do \u00fanico hino do rock de est\u00e1dio desse s\u00e9culo (It\u00e1lia, Copa do Mundo de 2006 e a cabe\u00e7ada do Zidane, n\u00e3o vamos esquecer). Ele tem tr\u00eas ou quatro bandas incr\u00edveis e uma carreira solo bastante interessante. Mesmo cheio de esquisitices, o rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u201cBoarding House Reach\u201d tem algumas belas can\u00e7\u00f5es, como \u201cOver and Over and Over\u201d, que abre a apresenta\u00e7\u00e3o do guitarrista em Boston, ou \u201cConnected by Love\u201d, que fecha o set principal.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47703\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_jack.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_jack.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_jack-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o fa\u00edscas de um fogo, por\u00e9m, que n\u00e3o chega a se acender em momento nenhum. N\u00e3o que houvesse problema com a recusa do pop em si, mas o caminho que White escolhe n\u00e3o passa tamb\u00e9m pelo seu melhor (guitarras, guitarras!). Petardos como \u201cThe Hardest Button to Button\u201d soam embolados e atropelados, como se, a despeito de sua empolga\u00e7\u00e3o, o guitarrista quisesse mesmo \u00e9 ir para casa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47705\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_jack2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_jack2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_jack2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despeito do grande repert\u00f3rio que tem nas m\u00e3os, White n\u00e3o consegue criar climas para o show. Se, de repente, surge um sucesso como \u201cSteady as She Goes\u201d, que anima o p\u00fablico, logo depois ele se perde em devaneios com sua banda. Chega a dar raiva: \u00e9 uma boa banda, as can\u00e7\u00f5es est\u00e3o ali, mas\u2026 n\u00e3o funciona. A ponto desta reportagem deixar o complexo atl\u00e9tico de Harvard antes do fim do show, vendo \u201cSeven Nation Army\u201d diretamente da ponte do rio Charles, j\u00e1 a centenas de metros de dist\u00e2ncia. Ao menos o metr\u00f4 estava, mais uma vez, vazio. Partiu domingo!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47709\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/jackwhite4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/jackwhite4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/jackwhite4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">DIA 3<\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brrrrr.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alegria de brasileiro com o tempo bom nos EUA dura pouco: foi s\u00f3 elogiar o calor de Boston que S\u00e3o Pedro resolveu aprontar das suas e sacanear o \u00faltimo dia de Boston Calling. No domingo, a temperatura n\u00e3o passou nunca dos 15 graus e ainda rolou uma chuva chata, castigando o dia mais &#8220;fofo&#8221; do festival. Afinal, que adjetivo seria melhor para descrever uma programa\u00e7\u00e3o que tinha nomes como Dirty Projectors, Alvvays, Fleet Foxes e Decemberists? N\u00e3o era s\u00f3, por\u00e9m: tamb\u00e9m havia espa\u00e7o no cartaz para Thundercat, um DJ set do grande Mike D, dos Beastie Boys, e o headliner do dia, Eminem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47727\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_calling1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"433\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_calling1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_calling1-300x173.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com alguns minutos de atraso devido \u00e0 chuva, o Dirty Projectors de David Longstreth abriu os trabalhos no come\u00e7o da tarde de domingo tentando seguir em frente ap\u00f3s um cora\u00e7\u00e3o partido. No caso, o do pr\u00f3prio Longstreth, que se separou da ex-companheira de banda Amber Coffman \u2013 o fim do relacionamento entre os dois foi o principal tema do obsessivo e mal-sucedido &#8220;Dirty Projectors&#8221;, lan\u00e7ado pelo grupo no ano passado e base para o repert\u00f3rio de seus shows mais recentes.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47728\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_dirty.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_dirty.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_dirty-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No palco azul do Boston Calling, por\u00e9m, o &#8220;g\u00eanio incompreendido&#8221; de Longstreth se permitiu &#8220;sacodir a poeira e dar a volta por cima&#8221;. Ele revisitou can\u00e7\u00f5es gravadas com Coffman (&#8220;Dance for You&#8221;, &#8220;Impregnable Question&#8221;) e mostrou m\u00fasicas in\u00e9ditas previstas para o pr\u00f3ximo disco da banda, com lan\u00e7amento marcado para julho. Duas delas, bastante apaixonadas, se destacaram em um belo show: o single &#8220;Break Thru&#8221; e a bonita &#8220;I Found in U&#8221;. Ambas mant\u00e9m as marcas registradas do grupo: a combina\u00e7\u00e3o de batidas com ritmos diferentes em uma mesma m\u00fasica, fraseados agudos de guitarra, arranjos elaborados e dan\u00e7antes e uma divis\u00e3o de linhas vocais de dar inveja em muito coral. Vem coisa boa por a\u00ed.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gUE1bbiCakc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi preciso apertar o passo para chegar a tempo do in\u00edcio do show do Alvvays, a banda canadense mais escocesa da atualidade, fazendo um aceno \u00e0 candura de Jesus and Mary Chain e Teenage Fanclub. Capitaneado pela guitarrista\/vocalista Molly Rankin, o grupo baseou sua apresenta\u00e7\u00e3o no repert\u00f3rio de &#8220;Antisocialites&#8221;, \u00e1lbum lan\u00e7ado no ano passado que \u00e9 uma verdadeira cole\u00e7\u00e3o de pepitas pop.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47729\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_alvvays.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"504\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_alvvays.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_alvvays-300x202.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estavam quase todas l\u00e1: &#8220;In Undertow&#8221;, &#8220;Lollipop&#8221;, &#8220;Not My Baby&#8221;, &#8220;Saved By a Waif&#8221;, fazendo o p\u00fablico se agitar com as m\u00e3os frias, mas o cora\u00e7\u00e3o quente (e algumas l\u00e1grimas no rosto). Uma pena que, em alguns momentos, os riffs de guitarra de Alec O\u2019Hanley e o peso da bateria de Sheridan Riley ficaram um pouco abaixo do volume para causar mais impacto na plateia. Nada, por\u00e9m, que um refr\u00e3o como o de &#8220;Archie Marry Me&#8221;, uma das can\u00e7\u00f5es de amor mais bonitas da \u00faltima d\u00e9cada, n\u00e3o fosse capaz de resolver. Como diria Hebe Camargo: &#8220;uma gracinha&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MEUFKV4U4Fw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o que dizer sobre Thundercat, um cara que tem a moral de tocar de shorts no frio rid\u00edculo que fazia em Boston? N\u00e3o d\u00e1 para negar que ele tem uma boa banda e que \u00e9 um virtuose de seu instrumento, fazendo o que quer com o baixo, passeando pelo jazz e pelo funk. O problema \u00e9 que, apesar de refr\u00e3es soul interessantes, ele coloca esse virtuosismo a servi\u00e7o de uma m\u00fasica bastante derivativa, com um resultado que fica aqu\u00e9m de suas pr\u00f3prias capacidades, em um show pouco acess\u00edvel que ficou pequeno demais para o palco verde, o maior dos tr\u00eas do Boston Calling. Ou, em portugu\u00eas claro: \u201cpra qu\u00ea tanta nota, meu Deus do c\u00e9u?\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47730\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_thuner.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_thuner.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_thuner-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pausa para reabastecer o est\u00f4mago: como estava frio, a reportagem do Scream &amp; Yell optou por um mac-and-cheese de US$ 10. N\u00e3o estava aquela maravilha, mas atraiu olhares na pracinha de alimenta\u00e7\u00e3o do festival de quem buscava algo quentinho e confort\u00e1vel. (Ali\u00e1s, vale aqui o elogio: perto das barraquinhas de comida, havia sempre mesas, bancos e balc\u00f5es para quem quisesse comer com um pouco mais de conforto, uma ideia que deveria ser copiada pelos festivais brasileiros. Outra \u00e9 o protetor solar de gra\u00e7a distribu\u00eddo pela organiza\u00e7\u00e3o, que evitou que muita gente ficasse laranja no evento). De quebra, outra parada no galp\u00e3o da Mikkeller para uma cerveja: a escolha da vez foi a Pomegranate Blush, uma sour com rom\u00e3 bastante salgada no sabor e no bolso (US$ 10 o pint).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47731\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_mikkellr.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_mikkellr.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_mikkellr-300x204.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi uma boa pedida para acompanhar o show do Decemberists, em uma apresenta\u00e7\u00e3o singular. Assim como o Alvvays e o Dirty Projectors, o grupo de Portland, Oregon, tem grandes can\u00e7\u00f5es. A diferen\u00e7a \u00e9 que, ao vivo, elas s\u00e3o cantadas por Colin Meloy, um tipo muito especial de frontman: com cara de bibliotec\u00e1rio ou analista de sistemas, ele n\u00e3o se furta apenas em cantar suas m\u00fasicas, por vezes esquisitas, sobre amor (\u201cSucker\u2019s Prayer\u201d) ou o ritmo de trabalho de mineradores (\u201cRox in the Box\u201d). Ele tamb\u00e9m se ajoelha, cruza os bra\u00e7os indignado e faz piadas dignas de tioz\u00e3o do pav\u00ea como, logo no in\u00edcio do show, quando diz que o tempo frio estava perfeito para uma banda que carrega o nome do m\u00eas mais frio do Hemisf\u00e9rio Norte.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47732\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_decemberists.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_decemberists.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_decemberists-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais que isso, ele \u00e9 um dos poucos nomes do pop\/rock do festival que tem consci\u00eancia do momento pol\u00edtico em que vive, e o melhor exemplo disso aparece em \u201cEverything is Awful\u201d (\u201cTudo \u00e9 horroroso\u201d), uma das can\u00e7\u00f5es do novo \u00e1lbum \u201cI\u2019ll Be Your Girl\u201d, lan\u00e7ado em mar\u00e7o pela banda. Na parte final da m\u00fasica, quando surge um coro \u201cla la la la la awful\u201d, Meloy vai desdobrando frases que d\u00e3o a ironia do momento. (\u201cTem um supremacista branco na Casa Branca\/ e um monte de idiotas em seu gabinete\/ E voc\u00ea est\u00e1 aqui cantando num show\/ Ouvindo um cara branco e h\u00e9tero te dizer que tudo \u00e9 horroroso\u201d).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZJAqIGTTCII?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele tamb\u00e9m vem acompanhado de uma banda vers\u00e1til \u2013 com destaque especial para o multi-homem Chris Funk, que toca de bandolim a saxofone, e para Jenny Conlee \u2013 e que sabe destilar suas refer\u00eancias e variedade musical. H\u00e1 o folk, claro, mas tamb\u00e9m h\u00e1 Smiths (citado diretamente em \u201cOnce in My Life\u201d), R.E.M., can\u00e7\u00f5es de trovadores e at\u00e9 mesmo musicais (a incr\u00edvel \u201cBen Franklin\u2019s Song\u201d, parceria de Meloy com Lin Manuel Miranda, o autor do hypado \u201cHamilton\u201d).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gveKmxUfP8w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim das contas, uma hora pareceu pouco para os Decemberists, em um show que mesclou bem as novas can\u00e7\u00f5es com o repert\u00f3rio anterior da banda \u2013 destaque especial para a dobradinha final com \u201cO Valencia!\u201d e a \u00e9pica \u201cThe Mariner\u2019s Revenge Song\u201d, com direito a 10 minutos de performance, intera\u00e7\u00e3o com a plateia e at\u00e9 uma baleia infl\u00e1vel voando pela frente do palco. Um showza\u00e7o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47733\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_miked.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_miked.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_miked-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo n\u00e3o se pode dizer do DJ set feito pelo beastie boy Mike D, outra apresenta\u00e7\u00e3o que pareceu grande demais para o palco verde, marcada por muita trucagem e pouca performance. Nem mesmo quando Mike D pegou o microfone para animar a plateia houve motivo para empolga\u00e7\u00e3o, fazendo sua presen\u00e7a ali (e at\u00e9 parte da mem\u00f3ria dos Beastie Boys) um exerc\u00edcio ruim de nostalgia. Para quem estava ali para ver Eminem, no \u00fanico momento do festival em que o espa\u00e7o do complexo esportivo de Harvard pareceu ser apertado para o p\u00fablico do dia, foi o suficiente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47734\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/fleetfoxes.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/fleetfoxes.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/fleetfoxes-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor fechar o dia com o Fleet Foxes, que, mesmo debaixo de chuva, arrastou um bom n\u00famero de presentes para o palco azul, em um show que mostrou bem o disco mais recente da banda, \u201cCrack Up\u201d, mas tamb\u00e9m saudou os f\u00e3s dos primeiros anos do grupo liderado por Robin Pecknold. Ao todo, foram nada menos que seis can\u00e7\u00f5es do disco de estreia hom\u00f4nimo, lan\u00e7ado em 2008, em uma apresenta\u00e7\u00e3o calorosa e afetiva, que poderia ter sido ainda mais interessante caso o clima estivesse melhor.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47735\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston7-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao final de tr\u00eas dias de muita m\u00fasica, comida, cerveja e uns filmes esquisitos escolhidos pela Natalie Portman, o Boston Calling se coloca com uma \u00f3tima op\u00e7\u00e3o de festival para quem quer ver grandes artistas sem precisar passar perrengue e aproveitar para fazer turismo, na melhor acep\u00e7\u00e3o da \u201cescola Marcelo Costa de viagens\u201d. A compara\u00e7\u00e3o com um festival brasileiro pode ser injusta por diversas quest\u00f5es de escala, log\u00edstica e mercado, mas v\u00e1 l\u00e1: o ingresso para cada noite do Boston Calling custava US$ 105 (R$ 395, na convers\u00e3o do d\u00f3lar da segunda-feira ap\u00f3s o festival). J\u00e1 o passaporte para os tr\u00eas dias sa\u00eda US$ 289 (R$ 1077). \u00c9 praticamente a metade do ingresso de inteira para os tr\u00eas dias do Lollapalooza \u2013 com a diferen\u00e7a d\u00e1 pra pagar uma parte da passagem de avi\u00e3o ou a hospedagem na cidade durante o festival, por baixo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47739\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/puritan.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/puritan.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/puritan-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Boston Calling tamb\u00e9m sai ganhando na estrutura. Afinal \u00e9 um festival para cerca de 30 mil pessoas (contra as 100 mil do brasileiro), praticamente sem filas, com variedade de comidas, boas cervejas e facilidade para sair e chegar (a esta\u00e7\u00e3o de Harvard fica a cerca de 20 minutos do centro da cidade e nos tr\u00eas dias de shows os trens n\u00e3o chegaram a estar lotados na ida ou na volta). Isso para n\u00e3o falar nos shows que n\u00e3o deu para acompanhar, por falta de pernas ou conflito de hor\u00e1rios, como Pond, Tyler the Creator, Khalid, Oh Sees ou Paramore.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47740\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_people.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_people.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston_people-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estrutura, por\u00e9m, seria apenas um detalhe se n\u00e3o fossem os shows. Chamou a aten\u00e7\u00e3o a disposi\u00e7\u00e3o dos artistas em tocar na cidade que deu ao mundo nomes como Pixies, Modern Lovers, Lemonheads e\u2026 v\u00e1 l\u00e1, Boston. \u201cFoi mais legal tocar aqui que no Coachella\u201d, disse Tyler the Creator, segundo o parceiro de cobertura Bruno Dias. Foram tr\u00eas dias de momentos especiais, do rap ao rock, do stoner \u00e0 fofice, do folk \u00e0 esquisitice. Ano que vem, quem sabe, tem mais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47736\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/bonstonjbl.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/bonstonjbl.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/bonstonjbl-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>TOP 5<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Bruno Capelas (Scream &amp; Yell)<br \/>\n1 &#8211; The Decemberists<br \/>\n2 &#8211; The Killers<br \/>\n3 &#8211; Brockhampton<br \/>\n4 &#8211; St. Vincent<br \/>\n5 &#8211; Alvvays<br \/>\nMen\u00e7\u00e3o honrosa: Lillie Mae<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Bruno Dias (Urbanaque\/Capricho)<br \/>\n1 &#8211; Tyler the Creator<br \/>\n2 &#8211; St. Vincent<br \/>\n3 &#8211; Brockhampton<br \/>\n4 &#8211; Lillie Mae<br \/>\n5 &#8211; The Decemberists<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47737\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston8.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston8.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/boston8-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista e trabalha no caderno Link, de O Estado de S\u00e3o Paulo. Todas as fotos e v\u00eddeos por Bruno Capelas, exceto fotos por Boston Calling:<strong> DIA 1<\/strong> &#8211; Natalie Portman <strong>DIA 2<\/strong> &#8211; Geral de abertura \/ Segunda foto do Royal Blood \/ QOTSA \/ Jack White \/ St. Vincent e\u00a0Brockhampton\u00a0 <strong>DIA 3<\/strong> &#8211; Geral de abertura \/ Mike D \/ Fleet Foxes \/ Fotos finais de p\u00fablico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Muito verde, muita New England IPA e uma programa\u00e7\u00e3o dividida entre o rock e o hip hop, com um pequeno espa\u00e7o para a musa Natalie Portman. Esse \u00e9 o Boston Calling! Saiba como foi o primeiro dia do festival!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/26\/balancao-festival-boston-calling-2018-eua\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":47676,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2922,191,2920,2921,2076,2705],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47661"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47661"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47661\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47742,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47661\/revisions\/47742"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47676"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}