{"id":47605,"date":"2018-05-21T02:29:02","date_gmt":"2018-05-21T05:29:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=47605"},"modified":"2025-03-05T22:45:31","modified_gmt":"2025-03-06T01:45:31","slug":"entrevista-mogwai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/21\/entrevista-mogwai\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;N\u00f3s procuramos ter certeza que tudo est\u00e1 no m\u00e1ximo&#8221;, diz Barry Burns, do Mogwai"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Victoranpires\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Victor de Almeida<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Mogwai, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/09\/discografia-comentada-mogwai\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um grupo escoc\u00eas de p\u00f3s-rock formado em Glasgow no meio dos anos 90<\/a>, \u00e9 uma dessas bandas que se tem que ver ao vivo. Nem que seja pelo menos uma vez. E n\u00e3o \u00e9 apenas pelo que muita gente fala sobre o alto volume ou caos sonoro que eles apresentam nos shows, nem apenas pelo pioneirismo instrumental que ajudou a criar as bases do p\u00f3s-rock ao redor do mundo, mas sim porque ao vivo \u00e9 que a banda realmente vive e faz ainda mais sentido&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe algo de f\u00edsico na experi\u00eancia de ver o quinteto de Glasgow em um show. Falo isso pois o mesmo grave que fez a parede do Tropical Butant\u00e3 vibrar no dia 08 de maio \u00e9 o mesmo que hipnotiza e emociona o p\u00fablico durante todo o show. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil ver cabe\u00e7as balan\u00e7ando, punhos para cima e gritos do p\u00fablico em diversos momentos de catarse sonora. \u00c9 como se a banda e o p\u00fablico estivessem no mesmo tempo, ou melhor, na mesma sintonia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeff Tweedy uma vez disse, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/11\/tres-vezes-wilco-em-quatro-dias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ao se referir aos shows recentes do Wilco na Am\u00e9rica do Sul<\/a>, que aqui os brasileiros cantam junto com \u201cas partes de guitarra\u201d (quem n\u00e3o lembra de \u201cImpossible Germany\u201d e \u201cRandom Name Generator\u201d nos shows de 2016?). A sintonia com o Mogwai \u00e9 tanta que tamb\u00e9m dava para se ouvir o coro do p\u00fablico na instrumental \u201cRano Pano\u201d ou da bela melodia de \u201cTwo Rights Make One Wrong\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o Mogwai, n\u00e3o existem truques de performance, afeta\u00e7\u00e3o no palco, proje\u00e7\u00f5es em primeiro plano, jogos de luz exc\u00eantricos, alguns dos clich\u00eas implementados pelo p\u00f3s-rock na \u00faltima d\u00e9cada. O que se v\u00ea \u00e9 uma grande banda que se entrega e trabalha para por a m\u00fasica em evid\u00eancia, talvez como ela devesse ser ouvida, valorizando as frequ\u00eancias certas e tocando com o ganho no m\u00e1ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira vez do Mogwai no Brasil foi no j\u00e1 long\u00ednquo 2002 (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/mogwaibrasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relembre aqui<\/a>), com o lan\u00e7amento de seu terceiro disco, \u201c<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/mogwai.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rock Action<\/a>\u201d, de 2001. Depois eles voltaram para promover \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/19\/cd-hardcore-will-never-die-mogwai\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hardcore Will Never Die<\/a>\u201d, seu s\u00e9timo \u00e1lbum, no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/13\/balanco_sonar_sp_2012\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00f3nar S\u00e3o Paulo 2012<\/a>. Agora, em 2018, a banda voltou para mostrar seu nono \u00e1lbum de est\u00fadio, \u201cEvery Country\u2019s Sun\u201d (2017), um disco que, mesmo flertando cada vez mais com o eletr\u00f4nico, assume uma postura quase pol\u00edtica de reivindicar o peso das guitarras em tempos em que tanto falamos sobre fal\u00eancia de fabricantes de instrumentos e \u201cqueda\u201d do rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ver m\u00fasicas como \u201cAuto Rock\u201d, \u201cMogwai Fear Satan\u201d e \u201cRano Pano\u201d ao lado de novas como \u201cOld Poisons\u201d, \u201cDon\u2019t Believe The Fife\u201d e \u201cCrossing The Road Material\u201d s\u00f3 mostra que, talvez, um dos maiores legados que o Mogwai deixa \u00e9 que de fato as guitarras, o baixo, a bateria, os amplificadores valvulados, as caixas de som, os pedais de distor\u00e7\u00e3o, ou seja, toda a aparelhagem e arqu\u00e9tipo do rock (mesmo que aqui seja p\u00f3s-rock) ainda s\u00e3o, sim, relevantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes da apresenta\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo em 2018, \u00fanica no Brasil, o multi-instrumentista Barry Burns recebeu o Scream &amp; Yell para uma entrevista. No bate papo, falamos sobre o Brasil, o novo \u00e1lbum, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Europa (sobretudo p\u00f3s-Brexit), a ind\u00fastria da m\u00fasica e (como mostra a foto abaixo) aproveitei o momento para deixar um presente especial para a banda que me fez ter interesse por pedais de distor\u00e7\u00e3o e fuzz.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/barry_fuzz.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Boa noite, Barry! Como vai? Obrigado por me receber&#8230;<\/strong><br \/>\nBoa noite&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que n\u00e3o teremos muito tempo, mas antes de come\u00e7ar trouxe um presente do Brasil para voc\u00ea&#8230; (Entrego uma sacola)<\/strong><br \/>\nS\u00e9rio? Isso \u00e9 pra mim?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim&#8230; \u00c9 um pedal de fuzz brasileiro, achei que faria sentido dar um fuzz nacional de presente para voc\u00eas.<\/strong><br \/>\nO QUE? N\u00e3o acredito! Muito obrigado&#8230; (Abre a caixa) Esse \u00e9 o melhor presente que eu j\u00e1 ganhei. S\u00e9rio, olha o peso disso&#8230; Acho que deve ser muito bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 um pedal de uma das minhas marcas favoritas, a Deep Trip&#8230; Espero que voc\u00ea goste! \u00c9 constru\u00eddo aqui mesmo em S\u00e3o Paulo. Como sei que voc\u00eas usam bastante RATs e Big Muffs, achei que seria legal dar algo diferente&#8230;<\/strong><br \/>\nSim, n\u00f3s temos bastante&#8230; Mas olha s\u00f3 pra isso. Eu j\u00e1 estava \u00e0 procura de algo novo, veio em \u00f3tima hora! Muito obrigado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que estamos falando em fuzz&#8230; \u00c9 muito interessante para mim como voc\u00eas conseguem criar belas melodias usando essa quantidade bizarra de ganho em suas m\u00fasicas. Quero dizer, m\u00fasicas como \u201cRano Pano\u201d, \u201cMogwai Fear Satan\u201d, \u201cMy Father My King\u201d, por exemplo, j\u00e1 s\u00e3o cl\u00e1ssicas&#8230; Queria saber como voc\u00eas pesquisam timbres e sons?<\/strong><br \/>\nAntes de qualquer coisa, o que n\u00f3s sempre fazemos \u00e9 isso&#8230; (Barry pega o pedal e coloca todos os controles no m\u00e1ximo). N\u00f3s procuramos ter certeza que tudo est\u00e1 no m\u00e1ximo&#8230; \u00c0s vezes chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que \u00e9 demais e procuramos refinar um pouco, mas n\u00e3o sei por que isso (de aumentar todos os volumes no m\u00e1ximo) sempre deu certo para n\u00f3s. N\u00f3s sempre mexemos com esses sons bagun\u00e7ados e abafados, mas fazemos de um jeito que voc\u00ea sempre poder\u00e1 ouvir as melodias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sempre existem essas texturas rolando&#8230; Quando escuto \u201cRano Pano\u201d e aquela quantidade absurda de ganho e as camadas v\u00e3o se sobrepondo&#8230; Tinha tudo dar errado, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nSim, essa m\u00fasica \u00e9 muito estranha&#8230; O engra\u00e7ado \u00e9 que quando fizemos ela na primeira vez, gravamos direto no computador, sem amplificadores de verdade. A ideia era gravar tr\u00eas guitarras fazendo a mesma coisa. Uma tinha uma super \u00eanfase nos agudos, outra nos m\u00e9dios e outra nos graves. E, aparentemente, as coisas come\u00e7aram a funcionar desse jeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bel\u00edssimas texturas&#8230;<\/strong><br \/>\nMuito obrigado&#8230;<\/p>\n<figure style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/mogwai_stuart.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><em>Stuart Braithwaite<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora n\u00f3s estamos em 2018, a \u00faltima vez que voc\u00eas vieram ao Brasil foi em 2012&#8230;<\/strong><br \/>\nMuito tempo, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas, antes dessa, a primeira vez foi em 2002&#8230;<\/strong><br \/>\nMuito, muito tempo, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, muito tempo atr\u00e1s&#8230; Eu queria saber se voc\u00eas t\u00eam alguma lembran\u00e7a do Brasil que voc\u00eas poderiam contar.<\/strong><br \/>\nMinha mem\u00f3ria \u00e9 bem ruim&#8230; Mas da primeira vez que n\u00f3s viemos, me lembro de estar em uma cidade chamada Belo Horizonte. N\u00f3s tocamos l\u00e1 e foi uma experi\u00eancia muito boa porque n\u00e3o era no Rio ou em S\u00e3o Paulo. N\u00e3o \u00e9 uma cidade pequena, mas \u00e9 menor que essas outras duas. E foi uma experi\u00eancia \u00f3tima&#8230; Foi h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s, mas eu sempre me lembro disso&#8230; Eu era um menino. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando agora do t\u00edtulo do novo \u00e1lbum, \u201cEvery Country\u2019s Sun\u201d&#8230; Ele tem algum significado diferente para voc\u00eas hoje em dia? Pergunto isso porque o \u00e1lbum acabou por encontrar um mundo muito complexo, politicamente falando&#8230; Eu lembro que quando escutei \u201cParty In The Dark\u201d pela primeira vez, n\u00e3o teve como n\u00e3o pensar na crise pol\u00edtica europeia, principalmente na situa\u00e7\u00e3o do Reino Unido p\u00f3s-Brexit&#8230;<\/strong><br \/>\nNem me fale&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>At\u00e9 para n\u00f3s aqui no Brasil&#8230; Todos estamos \u201cHungry for another peace of mind\u201d, se \u00e9 que voc\u00ea me entende&#8230; (risos) O significado do \u00e1lbum mudou em alguma coisa?<\/strong><br \/>\nAssim, a ideia do t\u00edtulo do \u00e1lbum veio bem no \u00faltimo minuto e n\u00f3s colocamos sem querer dizer nada demais. Mas, nesse caso, veio a significar alguma coisa por acidente. Foi um acidente total&#8230; Quando n\u00f3s estamos gravando um disco, n\u00f3s tentamos n\u00e3o assistir televis\u00e3o e, ao inv\u00e9s disso, ver filmes e coisas do tipo. Quero dizer, n\u00e3o tinha nada para se ver, a n\u00e3o ser o Trump&#8230; E n\u00f3s n\u00e3o quer\u00edamos ele na nossa m\u00fasica. Por\u00e9m, acho que n\u00f3s sempre estivemos cientes do desastre que aconteceu&#8230; Falo at\u00e9 por mim&#8230; que moro na Alemanha (nota: Barry \u00e9 propriet\u00e1rio do bar DasGift em Berlim) e, possivelmente, n\u00f3s teremos que voltar para o Reino Unido para tirar vistos&#8230;<\/p>\n<figure style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/mogwai_alex.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"504\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><em>Alex Mackay<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda falando sobre a situa\u00e7\u00e3o do Brexit&#8230; Eu li uma reportagem discutindo o impacto do Brexit para as bandas independentes do Reino Unido e voc\u00ea era um dos entrevistados. Acredito que voc\u00ea falou que se o referendo decidisse a favor da sa\u00edda, tornaria muito mais dif\u00edcil para bandas como o Mogwai excursionarem pela Europa. Voc\u00ea poderia comentar isso?<\/strong><br \/>\nFicaria muito caro, quase invi\u00e1vel para bandas menores&#8230; Por exemplo, quando n\u00f3s vamos para a Su\u00ed\u00e7a, que n\u00e3o fica na Uni\u00e3o Europeia, n\u00f3s precisamos tirar esses vistos de trabalho caros&#8230; N\u00f3s precisamos tirar para vir para o Brasil, mas voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia. E isso \u00e9 ok&#8230; Mas se voc\u00ea for viajar para tocar na Europa, em casos de bandas menores, n\u00e3o vai dar mais, vai ficar muito caro&#8230; \u00c9 um desastre para a m\u00fasica ao vivo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com certeza&#8230; Na primeira vez que voc\u00eas vieram para o Brasil, em 2002, voc\u00eas tiveram o \u201cRock Action\u201d lan\u00e7ado por uma gravadora brasileira&#8230;<\/strong><br \/>\nIsso faz muito tempo&#8230; Qual era o nome da gravadora mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Trama.<\/strong><br \/>\nIsso mesmo&#8230; Trama!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, agora voc\u00eas voltam em 2018 e nenhum selo brasileiro est\u00e1 trabalhando o \u00e1lbum de voc\u00eas por aqui. As coisas mudaram muito?<\/strong><br \/>\nSim, as coisas mudaram completamente desde ent\u00e3o&#8230; N\u00f3s temos muito mais controle sobre as nossas m\u00fasicas agora que n\u00f3s temos nosso pr\u00f3prio selo. N\u00f3s trabalhamos com o licenciamento dos discos em diferentes pa\u00edses agora. Sinto que, agora, n\u00f3s n\u00e3o temos mais algu\u00e9m para culpar caso algo d\u00ea errado, mas tamb\u00e9m acho que \u00e9 muito melhor para n\u00f3s estarmos no controle de tudo, fazer a divulga\u00e7\u00e3o, os discos&#8230; Acho muito melhor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ano passado, antes de voc\u00eas lan\u00e7arem o novo \u00e1lbum voc\u00eas tocaram de surpresa no Festival Primavera Sound, em Barcelona, executando o disco inteiro&#8230; Isso foi ideia da pr\u00f3pria banda?<\/strong><br \/>\nNa verdade, foi uma ideia (do Primavera)&#8230; Eles realmente queriam muito que n\u00f3s toc\u00e1ssemos naquele ano mesmo sem que a gente tivesse nada de novo. Assim, n\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos exatamente o que fazer&#8230; E eles falaram: \u201cPor que voc\u00eas n\u00e3o tocam o \u00e1lbum novo e voltam tamb\u00e9m ano que vem?\u201d. Ent\u00e3o foi como um acordo de dois anos e n\u00f3s pensamos: \u201cVamos tentar\u201d. N\u00f3s ensaiamos direto por duas semanas, por que n\u00f3s nunca ensaiamos um \u00e1lbum do come\u00e7o ao fim, n\u00e3o sei o porqu\u00ea, mas nunca fazemos isso. Tentamos e deu tudo certo, as pessoas estavam interessadas em ver como era o novo \u00e1lbum e foi uma boa experi\u00eancia para n\u00f3s&#8230; Ter certeza que poder\u00edamos tocar todo o disco, o que n\u00e3o fazemos com tanta frequ\u00eancia, foi muito bom e acho que \u00e9 algo que podemos fazer de novo quando tivermos um novo disco.<\/p>\n<figure style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/mogwai_cat.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"492\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><em>Cat Myers<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso \u00e9 interessante porque voc\u00eas fazem alguns shows baseados em \u00e1lbuns, como \u201cZidane: A 21st Century Portrait\u201d (2006) e o \u201cAtomic\u201d (2016)&#8230; Existe alguma diferen\u00e7a para voc\u00eas em tocar um \u00e1lbum espec\u00edfico ou um setlist convencional com os cl\u00e1ssicos?<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 bem diferente&#8230; Quando n\u00f3s fizemos os shows do \u201cAtomic\u201d foi uma coisa bem emocional por causa do filme. Do \u201cZidane\u201d n\u00f3s fizemos poucos shows, n\u00e3o acho que muita gente estava interessada em ver aquilo ao vivo porque n\u00f3s n\u00e3o recebemos muitas ofertas&#8230; (risos) N\u00f3s recebemos quatro ofertas e fizemos as quatro. Foi bom, mas se tivermos que fazer isso por mais de um m\u00eas ficar\u00edamos bem entediados&#8230; N\u00f3s mudamos o setlist toda noite e ficar preso a tocar o mesmo set toda noite deixaria tudo meio chato para n\u00f3s. Eu n\u00e3o sei&#8230; Prefiro essa configura\u00e7\u00e3o de hoje a noite, onde tocamos o que d\u00e1 vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2017, o primeiro \u00e1lbum de voc\u00eas \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/06\/25\/500-toques-elton-john-amy-winehouse-e-mogwai\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Young Team<\/a>\u201d completou 20 anos. Pensando nisso, uma coisa que me vem a cabe\u00e7a \u00e9: voc\u00eas t\u00eam no\u00e7\u00e3o o quanto voc\u00eas s\u00e3o influentes?<\/strong><br \/>\nEu tenho uma ideia disso&#8230; N\u00e3o quero admitir porque me parece estranho dizer isso. A gente conhece outras bandas e ouve relatos sobre a influ\u00eancia que temos. Quando n\u00f3s ouvimos, ficamos meio&#8230; (suspiro). Quando n\u00f3s sa\u00edmos e vamos pra casa, \u00e9 realmente muito bom poder influenciar as pessoas e as m\u00fasicas que as pessoas fazem, mas assim, a m\u00fasica evolui, a gente ouve outras bandas e eles v\u00e3o ouvir outras bandas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma \u00faltima pergunta: Eu n\u00e3o sei se voc\u00ea sabe&#8230; Mas, nos \u00faltimos 10 anos, o p\u00f3s-rock tem se tornado algo relevante no Brasil e voc\u00eas s\u00e3o uma das maiores refer\u00eancias por aqui&#8230;<\/strong><br \/>\nQue maravilha&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 ouviram alguma coisa de p\u00f3s-rock brasileiro?<\/strong><br \/>\nFalo por mim e, talvez, pela banda como um todo&#8230; N\u00f3s n\u00e3o ouvimos muito p\u00f3s-rock&#8230; Sim, a gente ouve o Godspeed, o Do Make Say Think e bandas como essas, \u00e0s vezes. Mas, ultimamente, temos ouvido m\u00fasicas de g\u00eaneros bem diferentes&#8230; O que pode ser uma boa coisa por que essas coisas acabam influenciando o jeito que abordamos a nossa m\u00fasica. Se ouv\u00edssemos p\u00f3s-rock o tempo todo n\u00f3s n\u00e3o ter\u00edamos mudado tanto&#8230; Isso pode n\u00e3o ser verdade, mas eu penso desse jeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito obrigado, Barry! Aproveite o Brasil, bom show para voc\u00eas&#8230;<\/strong><br \/>\nDe nada, eu que agrade\u00e7o&#8230; Esse pedal deve ser o melhor presente que eu j\u00e1 ganhei. Incr\u00edvel! (Vira e pergunta para algu\u00e9m do staff). Ser\u00e1 que eu consigo usar isso ainda hoje<\/p>\n<figure style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/mogwai_dominic.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"508\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><em>Dominic Aitchison<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Victor de Almeida (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Victoranpires\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@Victoranpires<\/a>) \u00e9 jornalista, Doutor em Comunica\u00e7\u00e3o pela UFPE e professor da Universidade Federal de Alagoas. Autor dos livros &#8220;&#8221;Al\u00e9m do P\u00f3s-Rock&#8221; (2015) e &#8220;Circuitos Urbanos e Palcos Midi\u00e1ticos&#8221; (2017). A foto que abre o texto \u00e9 de divulga\u00e7\u00e3o. A foto de Barry com o pedal \u00e9 de Victor de Almeida. As fotos do show s\u00e3o de Marcelo Costa \/ Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Antes do show em S\u00e3o Paulo, o multi-instrumentista Barry Burns recebeu o Scream &#038; Yell para uma entrevista. No bate papo, Brasil, o novo \u00e1lbum, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Europa (sobretudo p\u00f3s-Brexit) e mais. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/21\/entrevista-mogwai\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":57,"featured_media":47606,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2883],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47605"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47605"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47605\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":87955,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47605\/revisions\/87955"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47606"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}