{"id":47403,"date":"2018-05-14T11:01:48","date_gmt":"2018-05-14T14:01:48","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=47403"},"modified":"2018-06-07T09:43:45","modified_gmt":"2018-06-07T12:43:45","slug":"entrevista-cora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/14\/entrevista-cora\/","title":{"rendered":"Entrevista: Cora"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pers\u00e9fone \u00e9 a deusa do submundo na mitologia grega. Filha de Zeus e Dem\u00e9ter, Pers\u00e9fone cresceu no Olimpo, mas sua beleza juvenil despertou o desejo de outros deuses, sendo assim raptada por seu tio Hades, o deus do submundo. Sua m\u00e3e buscou seu retorno ao Olimpo, mas Pers\u00e9fone havia comido o fruto oferecido por Hades: a proibida rom\u00e3. Casada com Hades, Pers\u00e9fone foi obrigada a morar metade do ano \u2013 primavera e ver\u00e3o \u2013 no Olimpo e a outra metade \u2013 outono e inverno \u2013 no submundo. Quando no mundo inferior, Pers\u00e9fone era chamada Cora ou Kor\u00e9 \u2013 seu primeiro nome, significando \u201cmo\u00e7a virgem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cora tamb\u00e9m \u00e9 o nome de uma banda curitibana que tem como n\u00facleo central Ka\u00edla Pelisser (sintetizador, voz e drum machine) e Katherine Zander (guitarra, voz, beats digitais e sintetizador), que lan\u00e7a agora seu primeiro disco, chamado \u201c<a href=\"https:\/\/pwrrecords.bandcamp.com\/album\/el-rapto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">El Rapto<\/a>\u201d, via selo PWR Records (<a href=\"https:\/\/pwrrecords.bandcamp.com\/album\/el-rapto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dispon\u00edvel para audi\u00e7\u00e3o e download no Bandcamp<\/a>). Esp\u00e9cie da vertigem dream pop, o disco passeia por esse universo mitol\u00f3gico do rapto de Pers\u00e9fone para falar sobre feminilidade, liberdade e uma masculinidade um tanto abusiva, tudo de forma tortuosamente pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda existe desde 2013 de alguma forma, segundo as integrantes, buscando \u201cfalar da darkzera que \u00e9 a alma feminina em processo de descobrimento\u201d. O primeiro EP, \u201c<a href=\"https:\/\/honeybombrecords.bandcamp.com\/album\/n-o-vai-ter-cora\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00e3o Vai Ter Cora<\/a>\u201d, saiu em 2017 numa parceria dos selos PWR e Honey Bomb Records, por\u00e9m \u201cEl Rapto\u201d \u00e9 um passo \u00e0 frente para a banda, que assume novos riscos e se mostra mais madura em suas constru\u00e7\u00f5es sonoras. Conversamos com Ka\u00edla sobre o tal mito que cerca o disco, as refer\u00eancias da banda, a produ\u00e7\u00e3o de \u201cEl Rapto\u201d e sobre a m\u00edstica de Twin Peaks. Confira abaixo o papo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/N-4XqvdkvWg?start=18&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O mito de Pers\u00e9fone \u00e9 algo que demarca bastante esse novo trabalho, por\u00e9m o pr\u00f3prio nome da banda j\u00e1 \u00e9 uma refer\u00eancia a esse mito. Como voc\u00eas chegaram a ele?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, justamente o nome do \u00e1lbum foi baseado nessa descoberta. A gente deu o nome da banda sem saber do mito. A banda surgiu em 2013 e a gente queria um nome que fosse meio universal, que a gente achasse que n\u00e3o significava nada muito espec\u00edfico, mas que tamb\u00e9m fosse um nome curto, da\u00ed surgiu Cora. Depois de certo tempo, a gente foi pesquisar o que significava Cora e tudo mais, e descobrimos a parte do mito e isso fez total sentido. Toda a nossa motiva\u00e7\u00e3o para fazer m\u00fasica j\u00e1 tinha muito a ver com a parte do mito, que \u00e9 essa coisa da descoberta interna, de trabalhar com o oculto, dessa dualidade de \u00e0s vezes ser madura e \u00e0s vezes ser imatura, de assumir outros pap\u00e9is na vida; ent\u00e3o a gente decidiu basear o disco nessa simbologia do mito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que a\u00ed vem o nome do disco, o \u201cEl Rapto\u201d, que tamb\u00e9m tem a ver com a hist\u00f3ria de Pers\u00e9fone&#8230;<\/strong><br \/>\nIsso, ela tem essa personalidade dual, a Pers\u00e9fone se chamava Cora antes de ser raptada. N\u00e3o sei se voc\u00ea est\u00e1 inteirado do mito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, sim. Eu na verdade conheci o mito de Pers\u00e9fone por causa daquela m\u00fasica do Cocteau Twins (\u201cPersephone\u201d, do \u00e1lbum \u201cTreasure\u201d, de 1984). Eu nunca entendia a m\u00fasica e a\u00ed acabei lendo sobre o mito grego para tentar entender, de todo modo at\u00e9 hoje n\u00e3o entendo muito dela.<\/strong><br \/>\nA gente nem tava ligada nisso quando deu o nome da banda. E quando descobrimos tudo isso foi tipo \u201cnossa!\u201d, parece que abriu todo outro universo que j\u00e1 estava ali, mas a gente n\u00e3o sabia. Foi muito legal. Resolvemos pegar do mito todo o recorte do rapto, que \u00e9 o momento em que ela \u2013 \u00e9 um momento muito simb\u00f3lico \u2013passa para esse outro lado, que ela descobre essa outra face da personalidade dela: oculto, escuro, tudo mais. Que \u00e9 esse momento tamb\u00e9m de amadurecimento, de \u201cah, ser\u00e1 que eu sou ainda uma menina inocente?\u201d, \u201cque outra face eu posso assumir?\u201d, \u201cque responsabilidades eu posso tomar?\u201d, ent\u00e3o esse \u00e9 o recorte do qual o \u201cEl Rapto\u201d fala. T\u00eam v\u00e1rias partes dessa simbologia do rapto que o retratam como o momento em que ela foi violada, que ela perdeu a virgindade e etc, todas essas coisas. \u00c9 ela entrando em contato com o masculino de uma forma abusiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso que eu ia dizer: o mito da Pers\u00e9fone \u00e9 um ponto de partida dentro do disco para diferentes discuss\u00f5es sobre o feminino, a liberdade e a domina\u00e7\u00e3o do masculino.<\/strong><br \/>\nIsso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea percebe que esses temas s\u00e3o uma constante no trabalho da Cora desde o lan\u00e7amento anterior?<\/strong><br \/>\nCom certeza, foi por isso que quando a gente descobriu o mito, a roupagem das m\u00fasicas, das nossas composi\u00e7\u00f5es ficou muito mais clara. A gente j\u00e1 estava tratando disso, s\u00f3 que de uma maneira mais inocente, talvez. Esta j\u00e1 era a nossa tem\u00e1tica sem sabermos de toda essa simbologia. Tudo que a gente faz est\u00e1 muito baseado nessas quest\u00f5es psicol\u00f3gicas e internas; as nossas m\u00fasicas antigas falavam da rela\u00e7\u00e3o com o pai, dessa coisa da figura paterna, de liberdade, questionavam essas coisas internas sobre auto-prote\u00e7\u00e3o, auto-valor&#8230; tudo isso de uma forma mais adolescente, um grito mais adolescente mesmo, sem tanta consci\u00eancia das coisas. Agora eu sinto que tem mais consci\u00eancia \u2013 depois do rapto ter entrado em nossa vida, do mito \u2013 e tem um recorte mais claro sobre o qual tratar as coisas que a gente quer falar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cEl Rapto\u201d tem nome em espanhol e faixas cantadas em portugu\u00eas, ingl\u00eas e espanhol. Como essas diferentes l\u00ednguas surgiram na produ\u00e7\u00e3o de voc\u00eas? Foi algo natural ou foi mais pensado e definido?<\/strong><br \/>\nEngra\u00e7ado que as pessoas sempre perguntam do ingl\u00eas e do espanhol, mas a verdade que o que \u00e9 novidade \u00e9 o portugu\u00eas; a gente n\u00e3o escrevia em portugu\u00eas. Essas duas faixas em espanhol j\u00e1 t\u00eam uns dois anos. A gente come\u00e7ou a compor em ingl\u00eas e, quando a banda come\u00e7ou, eu tinha acabado de vir de uma experi\u00eancia na Argentina \u2013 eu morei l\u00e1 por quase um ano. Ent\u00e3o voltei com essa vontade de escrever em espanhol. Depois eu e a Katherine voltamos para l\u00e1 juntas, vivemos v\u00e1rias coisas por l\u00e1. Ent\u00e3o isso j\u00e1 acompanha a gente faz um tempo. A gente tinha algumas m\u00fasicas tamb\u00e9m em ingl\u00eas e a novidade foi compor em portugu\u00eas mesmo, tipo a gente achou que era necess\u00e1rio nesse momento compor em portugu\u00eas, pra falar mais com as pessoas, pra&#8230; enfim, a gente faz m\u00fasica brasileira, a gente est\u00e1 no Brasil, achamos que era essencial escrever em portugu\u00eas, at\u00e9 para demonstrar certa maturidade l\u00edrica, por que \u00e9 mais dif\u00edcil, \u00e0s vezes, voc\u00ea se expor e falar o que voc\u00ea quer falar em portugu\u00eas, j\u00e1 que \u00e9 essa linguagem com a qual a gente est\u00e1 acostumado, que a gente j\u00e1 se sente mais exposto. Qualquer coisa que voc\u00ea falar pode ter muito mais nuances do que se fosse falado em outra l\u00edngua \u2013 pois assim as coisas passam mais batidas, em ingl\u00eas, por exemplo. Ent\u00e3o foi meio que isso tamb\u00e9m: um \u201cdar a cara a tapa\u201d, compor em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dentro do \u201cEl Rapto\u201d percebo o trabalho de voc\u00eas pr\u00f3ximo do dream pop, mesmo assim voc\u00eas brincam com diferentes g\u00eaneros e subg\u00eaneros nesses 40 minutos. Como voc\u00eas trabalharam para construir isso: havia sonoridades iniciais com as quais voc\u00eas queriam lidar ou transmitir?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, desde o come\u00e7o a gente nunca teve um estilo exatamente que queria seguir ou um g\u00eanero musical no qual a gente se baseasse completamente. A banda que mais nos influenciou desde o in\u00edcio foi o Warpaint, a gente sempre viu elas nesse sentido tamb\u00e9m: voc\u00ea via que o produto da m\u00fasica tinha a ver com muitos estilos, mas \u00e9 dif\u00edcil encaixar o estilo delas em algum g\u00eanero espec\u00edfico. Talvez por essa ter sido a influ\u00eancia principal no in\u00edcio, a gente tamb\u00e9m acabou usando muitos outros g\u00eaneros para compor o que a gente faz. O produto acabou saindo com algo parecido com o dream pop, mas acho que no momento da composi\u00e7\u00e3o a gente usou v\u00e1rias outras coisas, por exemplo, a m\u00fasica eletr\u00f4nica, que agora est\u00e1 bem mais presente, os beats eletr\u00f4nicos e v\u00e1rios outros recursos. Sou muito chegada em p\u00f3s-punk tamb\u00e9m, em no wave, new wave, chillwave&#8230; todo mundo da banda, eu acredito, se identifica com esses estilos, at\u00e9 essa m\u00fasica pop mais experimental, tipo Animal Collective, Dirty Projectors, essas coisas que desconstroem um pouco os estilos, ent\u00e3o acho que foi essa mistura mesmo que rolou no disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente falou de g\u00eaneros musicais e do mito da Pers\u00e9fone, mas que outras coisas influenciam voc\u00eas? Livros, filmes, essas coisas&#8230;<\/strong><br \/>\nTem uma coisa bem curiosa que acompanhou a gente nessa descoberta do mito: a gente descobriu o mito e com isso v\u00e1rias outras coisas amarradas. Quando fui escarafunchar o mito, descobri que o arqu\u00e9tipo de Pers\u00e9fone tem v\u00e1rias outras representa\u00e7\u00f5es, por exemplo, no tar\u00f4 ela \u00e9 a Sacerdotisa. No Zod\u00edaco, ela \u00e9 o signo de Virgem, que inclusive \u00e9 o meu signo e o da Katherine tamb\u00e9m. E a\u00ed a gente descobriu isso da Sacerdotisa e eu sempre gostei muito de \u201cTwin Peaks\u201d, sei que \u00e9 uma coisa que a Kathe tamb\u00e9m gosta bastante. Eu tinha uma cole\u00e7\u00e3o de cartas de tar\u00f4 com os personagens de \u201cTwin Peaks\u201d. E me lembro que a Sacerdotisa no tar\u00f4 de \u201cTwin Peaks\u201d era a \u201cLog Lady\u201d [a mulher do tronco]. Nas primeiras temporadas, antes de todos os epis\u00f3dios, ela fazia uma introdu\u00e7\u00e3o, falando v\u00e1rias coisas que tinham a ver com o epis\u00f3dio. E ela era assim, uma pessoa meio esquizofr\u00eanica, mas que, a nosso ver, tinha muita consci\u00eancia das coisas, por isso que \u00e0s vezes ela estava \u00e0 frente, as pessoas n\u00e3o entendiam o sentido que havia no que ela falava. Ent\u00e3o a gente come\u00e7ou a usar samples dessas falas dela antes das m\u00fasicas no show \u2013 isso a gente j\u00e1 vem fazendo h\u00e1 um ano e meio, mais ou menos. Esso foi um modo de a gente representar a simbologia do mito de uma maneira mais indireta, usando tamb\u00e9m uma coisa que a gente gostava, que \u00e9 \u201cTwin Peaks\u201d. Gosto muito da linguagem que o [David] Lynch usa, essa coisa subjetiva mesmo, de mensagens n\u00e3o t\u00e3o claras e que voc\u00ea v\u00ea ali, absorve, n\u00e3o entende, mas depois, durante a vida, voc\u00ea vai tendo algumas epifanias do que aquilo tinha para te dizer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco de voc\u00eas \u00e9 lan\u00e7ado pelo selo independente PWR Records. Nunca sei se eu falo certo&#8230;<\/strong><br \/>\nSe pronuncia \u201cPower\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sempre fico na d\u00favida se eu deveria falar PWR ou \u201cPower\u201d&#8230;.<\/strong><br \/>\nAham, \u00e9 \u201cPower\u201d mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No caso, h\u00e1 uma cena cada vez maior de produtores independentes, que est\u00e3o dando um g\u00e1s em diferentes eixos foram daquela coisa s\u00f3 de S\u00e3o Paulo. Como voc\u00ea percebe a import\u00e2ncia desse tipo de a\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, a PWR surgiu de uma iniciativa muito legal, um cat\u00e1logo que rolou uma \u00e9poca, de outra produtora, que catalogou todas as bandas de meninas que tinham no Brasil. E a\u00ed a PWR veio dessa iniciativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/10\/31\/entrevista-pwr-records\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">eu cheguei a conversar com uma das meninas<\/a> [Let\u00edcia Tom\u00e1s] quando elas estavam iniciando ainda os trabalhos da PWR, elas estavam lan\u00e7ando a Papisa naquela \u00e9poca.<\/strong><br \/>\nAssim, \u00e9 muito importante trabalhar com pessoas jovens \u2013 elas s\u00e3o bem jovens \u2013 que entendem a linguagem da internet e todas essas coisas. E que tamb\u00e9m s\u00f3 trabalham com mulheres, elas entendem bastante os tipos de drama que a gente passa, de \u00e0s vezes n\u00e3o ser levada a s\u00e9rio por que \u00e9 mulher ou de situa\u00e7\u00f5es de falta de credibilidade por voc\u00ea ser mulher, ser jovem, numa cena que \u00e9 muito masculina. Ent\u00e3o \u00e9 importante contar com o apoio delas nesse sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m de voc\u00eas duas, a grava\u00e7\u00e3o do disco contou com uma banda de meninos, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSim, na verdade a nossa banda, no momento da grava\u00e7\u00e3o, era eu, a Katherine, a Lu\u00edsa \u2013 que agora j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais na banda \u2013 o Lorenzo [Molossi] e o Leonardo [Gumiero]. Eles j\u00e1 estavam tocando com a gente h\u00e1 algum tempo. Sempre foi dif\u00edcil para a gente ter uma forma\u00e7\u00e3o 100% feminina, a gente j\u00e1 chegou a ter em alguns momentos, mas n\u00e3o durou muito. At\u00e9 por que faltam mulheres instrumentistas, ainda mais aqui em Curitiba, pois as que t\u00eam j\u00e1 possuem muitos outros projetos e acaba que n\u00e3o tem essa disponibilidade. J\u00e1 depois de algumas forma\u00e7\u00f5es, a gente meio que desapegou dessa ideia da forma\u00e7\u00e3o ser 100% feminina. A gente preza por trabalhar com pessoas que est\u00e3o afim mesmo de se envolver, de se doar para o projeto e que, enfim, tenham ideias parecidas com as nossas, do que s\u00f3 trabalhar com meninas. Os caras com quem a gente trabalha e trabalhou sempre foram pessoas \u00f3timas, com a cabe\u00e7a muito aberta e dispostas a se desconstruir e a entender como \u00e9 trabalhar com mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco foi todo gravado em Curitiba, com produ\u00e7\u00e3o do Leonardo Gumiero. Como foi esse processo de trabalho?<\/strong><br \/>\nO L\u00e9o tocava com a gente fazia uns dois anos, ele tocava baixo e a entrada dele foi muito importante, por que ajudou muito a gente a amadurecer musicalmente. \u00c0s vezes tinham coisas que a gente queria fazer e n\u00e3o sabia como. E assim, ele \u00e9 um m\u00fasico genial, ent\u00e3o consegue materializar muito f\u00e1cil as ideias. E ele produz tamb\u00e9m \u2013 ele tem um projeto solo de eletr\u00f4nico e toca em algumas outras bandas \u2013, ent\u00e3o a gente achou que n\u00e3o havia a possibilidade de gravar com outra pessoa, por que ele j\u00e1 entendia muito o que a gente queria e o que a gente estava fazendo, o caminho que a gente estava tomando. A gente achou que ele entendeu bem a proposta do que a gente queria: ele foi exatamente na medida do que a gente queria colocar, a nossa po\u00e9tica pessoal, a nossa po\u00e9tica como banda e foi muito, muito bom trabalhar com ele como m\u00fasico e produtor. E durante esse tempo ele fez toda diferen\u00e7a no nosso amadurecimento.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/O79-0VJV8VI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/f07AzSysdsQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hhX3M4waejw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e colabora com o sites\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aescotilha.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Escotilha<\/a>. Escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. A foto que abre o texto \u00e9 de\u00a0Lara Albrech \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Banda curitibana que tem como n\u00facleo central Ka\u00edla Pelisser e Katherine Zander, a Cora est\u00e1 lan\u00e7ando seu primeiro \u00e1lbum cheio, &#8220;El Rapto&#8221;, pelo selo PWR Records. Conhe\u00e7a o trabalho delas!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/14\/entrevista-cora\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":47564,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1957,1422],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47403"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47403"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47403\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47407,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47403\/revisions\/47407"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}