{"id":47388,"date":"2018-05-09T21:57:15","date_gmt":"2018-05-10T00:57:15","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=47388"},"modified":"2018-06-07T00:07:37","modified_gmt":"2018-06-07T03:07:37","slug":"entrevista-lee-ranaldo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/09\/entrevista-lee-ranaldo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Lee Ranaldo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista e resenha por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/janaisapunk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Janaina Azevedo<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lee Ranaldo esteve no Brasil mais uma vez. Desde 2015, o guitarrista veio ao pa\u00eds tr\u00eas vezes, o suficiente para estreitar seus la\u00e7os com as pessoas e a m\u00fasica daqui. Convidado pelo diretor Gustavo Galv\u00e3o, fez a trilha do filme \u201cAinda Temos a Imensid\u00e3o da Noite\u201d, que deve estrear no ano que vem. Ganhou muitos CDs de bandas de rock, mas se interessou mesmo por Tropic\u00e1lia e m\u00fasica caipira, que ele chamou de \u201cclassic music of Brasil\u201d, escrito assim mesmo, na grafia nacional. Tanto que a leitura que deve acompanhar essa sua nova passagem pelo pa\u00eds deve ser \u201cTropical Truth\u201d, a vers\u00e3o traduzida de \u201cVerdade Tropical\u201d, de Caetano Veloso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferente de outras passagens, por\u00e9m, dessa vez Lee Ranaldo acrescentou duas novas cidades brasileiras em seu mapa pessoal: ele tocou no \u00faltimo domingo (06\/05), em Porto Alegre, um show ac\u00fastico surpreendente. E no s\u00e1bado participou da Festipoa Liter\u00e1ria, lan\u00e7ando o seu livro \u201cJrnls 80\u201d na capital ga\u00facha. Do cineasta Cris Oliveira, que participa da produ\u00e7\u00e3o de \u201cAinda Temos a Imensid\u00e3o da Noite\u201d e \u00e9 ga\u00facho, Lee recebeu a recomenda\u00e7\u00e3o de provar o churrasco. Tamb\u00e9m abriu a 20\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Bananada, em Goi\u00e2nia, em dois shows, nos dias 7 e 8 de maio. E dessa forma vai ficando cada vez mais habitu\u00e9 do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista, concedida por e-mail e com o interm\u00e9dio de Luciano Val\u00e9rio, da produtora Desmonta, ele fala sobre esses shows, e tamb\u00e9m sobre \u201cElectric Trim\u201d, seu disco experimental lan\u00e7ado em 2017, sobre como utilizar o est\u00fadio como uma ferramenta, al\u00e9m de contar como \u00e9 seu h\u00e1bito de escrita e cria\u00e7\u00e3o, comentar o atual cen\u00e1rio da m\u00fasica e afastar, mais uma vez, as possibilidades de reuni\u00e3o com sua antiga e c\u00e9lebre banda \u2013 embora tenha deixado em aberto essa resposta durante participa\u00e7\u00e3o em um evento.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/I7BUEG_tMY4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea far\u00e1 shows ac\u00fasticos desta vez no Brasil. Como ser\u00e3o? Como voc\u00ea escolhe o repert\u00f3rio para apresenta\u00e7\u00f5es assim?<\/strong><br \/>\nEm Porto Alegre, me concentrei na m\u00fasica de \u201cElectric Trim\u201d, em um formato ac\u00fastico. Para mim, tocar de um jeito ac\u00fastico \u201ctradicional\u201d parece bastante experimental, considerando meu hist\u00f3rico com a guitarra el\u00e9trica. Mas ainda tem um tanto de eletricidade no ar e uso de amplifica\u00e7\u00e3o. E, na verdade, vai ter um pouquinho de guitarra el\u00e9trica durante o show tamb\u00e9m! Me concentro muito na voz e em vocais, mas estou tocando meus pr\u00f3prios acordes abertos e tamb\u00e9m criando algumas paisagens sonoras durante o concerto. Melodia \u00e9 muito importante nas apresenta\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas. Estou tentando me desafiar a fazer algo diferente \u2013 e os locais de apresenta\u00e7\u00e3o, teatros com lugares para sentar, tamb\u00e9m \u00e9 uma parte desse desafio. \u00c9 bem recompensador compartilhar uma experi\u00eancia com uma audi\u00eancia nesses locais menores \u2013 me sinto muito mais conectado com o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em Goi\u00e2nia, voc\u00ea tocar\u00e1 em um dos maiores festivais de m\u00fasica independente do Brasil. O que voc\u00ea conhece desse festival? E o que est\u00e1 preparando?<\/strong><br \/>\nOuvi falar no festival, e sei que \u00e9 grande. Vou apresentar dois shows l\u00e1 \u2013 um ac\u00fastico e um mais experimental, com guitarra el\u00e9trica e proje\u00e7\u00f5es. Dois concertos muito diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 muito ligado ao Brasil ultimamente: \u00e9 a sua terceira passagem aqui nos \u00faltimos quatro anos. Tamb\u00e9m trabalhou em uma trilha sonora de um filme brasileiro. O que o pa\u00eds significa para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nDemorou muito para o Sonic Youth vir ao Brasil e \u00e0 Am\u00e9rica Latina &#8211; n\u00f3s est\u00e1vamos a 20 anos juntos quando isso finalmente aconteceu. Desde ent\u00e3o, passei a amar muito o Brasil e outros pa\u00edses na Am\u00e9rica Latina e fico muito feliz de voltar. Eu amo as pessoas, a comida, a m\u00fasica e a cultura. Ainda \u00e9 menos familiar pra mim do que, digamos, Europa ou Austr\u00e1lia ou Jap\u00e3o, ent\u00e3o ainda estou aprendendo em cada viagem que fa\u00e7o para c\u00e1. Espero continuar voltando!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acompanha o cen\u00e1rio da m\u00fasica brasileira quando est\u00e1 por aqui?<\/strong><br \/>\nSempre ganho CDs de bandas novas e ou\u00e7o-os. Tento manter os ouvidos abertos para a cena independente. Mas tamb\u00e9m estou aprendendo mais sobre a m\u00fasica cl\u00e1ssica do Brasil, &#8211; a cena tropicalista, por a\u00ed. Estou lendo o livro de Caetano, \u2018Verdade Tropical\u2019, agora. Recentemente, me interessei pelo instrumento chamado viola caipira \u2013 na verdade, comprei uma na minha \u00faltima visita aqui. Ent\u00e3o tenho ouvido Helena Meirelles, e outros que tocam esse estilo \u201chillbilly\u201d. Tanta coisa para aprender!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/leeranaldo.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre o teu livro: \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/11\/23\/tres-perguntas-nilson-paes-editora-terreno-estranho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jrnls80<\/a>\u201d foi rec\u00e9m lan\u00e7ado em edi\u00e7\u00e3o brasileira pela <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/11\/23\/tres-perguntas-nilson-paes-editora-terreno-estranho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Editora Terreno Estranho<\/a>. Como foi para voc\u00ea ver seus escritos traduzidos para o portugu\u00eas? Como foi a rea\u00e7\u00e3o dos teus f\u00e3s brasileiros?<\/strong><br \/>\nFico feliz de ser traduzido. O livro cobre a primeira metade da exist\u00eancia do Sonic Youth. Embora n\u00e3o seja a \u2018hist\u00f3ria\u2019 da banda, \u00e9 um registro dos meus sentimentos e pensamentos durante aqueles anos enquanto n\u00f3s nos torn\u00e1vamos mais conhecidos. Eu j\u00e1 tive livros traduzidos para o espanhol e o italiano. Estou feliz de ter esse agora, em portugu\u00eas. Acho que o livro ficou muito bonito e, at\u00e9 agora, as rea\u00e7\u00f5es que ouvi foram muito gentis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual a import\u00e2ncia da escrita para voc\u00ea? De que forma se conecta com a sua cria\u00e7\u00e3o musical?<\/strong><br \/>\nAcho que est\u00e1 tudo relacionado de alguma forma, em termos de tentar levar uma vida criativa, reflexiva. Tr\u00eas coisas \u2013 criar arte visual, fazer m\u00fasica e escrever \u2013 me interessam desde que eu era muito jovem. De alguma forma, eles se complementam. N\u00e3o pretendo desistir de nenhuma delas. Palavras escritas acabam em letras, ou poemas, ou, \u00e0s vezes, na tela de uma pintura. A inspira\u00e7\u00e3o das minhas viagens me levam aos meus desenhos de estradas ou impress\u00f5es que fa\u00e7o em discos antigos. S\u00e3o atividades diferentes, mas todas v\u00eam de algum lugar, dentro de mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea ainda escreve di\u00e1rios, como os que se tornaram \u201cJrnls80\u201d?<\/strong><br \/>\nAinda mantenho anota\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o tanto quanto costumava. Por esses dias, meu \u201cdi\u00e1rios\u201d de viagem tendem a ser mais desenhos que fa\u00e7o nas turn\u00eas, de estradas por onde estou viajando \u2013 s\u00e3o os meus \u201cjournals\u201d do momento!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sobre o \u201cElectric Trim\u201d, fala mais sobre ele e como foi a concep\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o do seu \u00faltimo disco?<\/strong><br \/>\nDesde o in\u00edcio, o disco era pra ser um processo novo, de explora\u00e7\u00e3o. Tudo que eu sabia era que seria diferente de qualquer outro projeto com que eu j\u00e1 tinha trabalhado. Encontrei dois novos colaboradores em Jonathan Lethem e Raul Fernandez, que se encaixavam perfeitamente com o meu m\u00e9todo de trabalho, e cada um deles abriu novas ideias em um momento que foi importante. Tem sido empolgante que, neste momento j\u00e1 avan\u00e7ado da minha carreira, eu ainda esteja aprendendo coisas novas e tentando novos m\u00e9todos. As m\u00fasicas do meu disco novo nasceram no est\u00fadio, com o meu produtor Raul Fernandez e eu \u2013 trabalhando em intervalos (ele mora em Barcelona) por cerca de um ano, construindo as m\u00fasicas de rascunhos, usando o est\u00fadio como uma ferramenta mesmo. Raul trabalhou comigo. Come\u00e7amos com demos cruas, e constru\u00edmos as can\u00e7\u00f5es de formas muito diferentes \u2013 cada uma \u00e9, de fato, como um pequeno filme \u2013 porque n\u00e3o h\u00e1 banda tocando em todo o \u00e1lbum, cada m\u00fasica \u00e9 independente e tem seu som \u00fanico. O est\u00fadio foi o instrumento primordial nesse caso, mais do que qualquer coisa. Est\u00e1vamos usando o est\u00fadio para construir esse disco de uma forma muito moderna, aproveitando os computadores, samplers, baterias eletr\u00f4nicas, mas sem esquecer dos m\u00fasicos. Eu queria conseguir trabalhar no aspecto da linguagem das m\u00fasicas, de uma forma colaborativa similar, mais do que gerar todas elas eu mesmo, sozinho. Para o novo disco, me abri para muitas t\u00e1ticas e m\u00e9todos, e quis uma forma de fazer o mesmo com as letras. Queria outro ponto de vista para as palavras, para que tudo n\u00e3o fosse do meu ponto de vista, apenas. L\u00e1 pelo fim, pedi a um amigo, o escritor americano Jonathan Lethem, para trabalhar comigo criando as letras para o disco. Foi um novo processo de desenvolvimento para mim, acho que n\u00f3s dois curtimos. Eu queria permitir outras perspectivas, ao inv\u00e9s de apenas a minha, que influenciasse as letras \u2013 ent\u00e3o Jonathan e eu trocamos escritos durante o per\u00edodo em que o disco se desenvolveu \u2013 acho que ficamos ambos bem satisfeitos com os resultados e espero que fa\u00e7amos mais juntos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x2XRnzj-YmE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea fez parte de uma gera\u00e7\u00e3o de bandas que marcou a m\u00fasica independente. O que voc\u00ea pensa do cen\u00e1rio underground hoje? \u00c9 mais f\u00e1cil ter uma carreira hoje, com todos os recursos que voc\u00ea n\u00e3o teve?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho certeza se \u00e9 mais f\u00e1cil ou n\u00e3o. A internet abriu o acesso de uma forma que permite a qualquer um lan\u00e7ar sua m\u00fasica, mas tamb\u00e9m contribuiu para uma situa\u00e7\u00e3o onde h\u00e1 uma quantidade t\u00e3o grande de m\u00fasica que \u00e9 dif\u00edcil saber por onde come\u00e7ar! Ent\u00e3o, de algumas formas, os velhos m\u00e9todos \u2013 boca a boca, ou assistir a um show, ou ler uma resenha \u2013 ainda s\u00e3o as formas de descobrir novas m\u00fasicas. Nunca \u00e9 \u201cf\u00e1cil\u201d ter uma carreira, isso requer muito trabalho e dedica\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 algo que n\u00e3o muda. Ou\u00e7o m\u00fasicas novas o tempo todo, pop, experimental, todo tipo de coisa. Eu ainda encontro muitas m\u00fasicas inspiradoras, o tempo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sobre o Sonic Youth. As pessoas costumam a te pedir para a banda voltar? O que voc\u00ea pensa sobre isso?<\/strong><br \/>\nAs pessoas est\u00e3o sempre pedindo uma \u201creuni\u00e3o\u201d, uma \u201cvolta\u201d. Preciso dizer que n\u00e3o acho que qualquer um de n\u00f3s est\u00e1 pensando sobre uma reuni\u00e3o do Sonic Youth mesmo. Nunca falamos sobre tocar ou fazer shows juntos. Sei que muitas pessoas pensam nisso, mas devo dizer, n\u00f3s n\u00e3o pensamos. Acho que todos est\u00e3o muito felizes agora, trabalhando separadamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu toca m\u00fasicas do Sonic Youth nos shows solos?<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 toquei algumas vezes, mas n\u00e3o \u00e9 uma prioridade para mim. Como era comum no Sonic Youth, em boa parte da nossa carreira, estou mais interessado na m\u00fasica que fa\u00e7o agora do que olhar pra tr\u00e1s, com nostalgia do passado. Eu amo a m\u00fasica que fizemos, e \u00e9 divertido de vez em quando relembrar uma ou outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi a import\u00e2ncia, para voc\u00ea, de ter tocado numa banda como o Sonic Youth?<\/strong><br \/>\nO Sonic Youth foi uma banda especial, de um tipo que n\u00e3o acontece todo dia. Era um grupo de quatro iguais, todos trabalhando nas m\u00fasicas, compondo juntos (menos as letras). O mais democr\u00e1tico que consegu\u00edamos ser. Ficamos juntos por 30 anos e tivemos muitas experi\u00eancias interessantes \u2013 do mundo do indie-rock nos anos 80 a entrar no mundo da m\u00fasica \u201ccorporativa\u201d, junto com amigos tipo Nirvana e Mudhoney, tocando com Iggy Pop ou Neil Young, coisas maravilhosas, especialmente quando voc\u00ea percebe o qu\u00e3o \u201cdif\u00edcil\u201d nossa m\u00fasica era. Ainda n\u00e3o \u00e9 palat\u00e1vel e nem vai ser \u201cmainstream\u201d, mas mesmo assim sobrevivemos e constru\u00edmos uma carreira ligada \u00e0 arte, \u00e0 cultura e ao rock and roll com os quais crescemos. Lan\u00e7amos discos e vendemos uma boa quantidade deles, discos que foram, em sua maioria, adquiridos por pessoas que entendem de m\u00fasica. Quando a banda chegou ao fim, j\u00e1 tinha passado mais da metade da minha vida. Foram 30 anos juntos, uma jornada inacredit\u00e1vel. Fomos sortudos por estar em Nova York durante um per\u00edodo muito fascinante de explora\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o. N\u00f3s \u2013 Thurston, Kim e eu \u2013 t\u00ednhamos ido para l\u00e1 para ver mais, e para participar, ent\u00e3o absorvemos o que pod\u00edamos e ent\u00e3o formandos a banda para mostrar para o p\u00fablico o que t\u00ednhamos visto, e onde t\u00ednhamos estado, e levamos muitas pessoas junto para onde quer que f\u00f4ssemos. Agora, estamos todos com nossos pr\u00f3prios projetos, como fizemos nos \u00faltimos anos. Todos muito comprometidos com o que estamos fazendo AGORA. N\u00e3o acho que nenhum de n\u00f3s est\u00e1 olhando pra tr\u00e1s. O Sonic Youth ainda tem um grande arquivo e fazemos lan\u00e7amentos de arquivos, etc. Mas estamos olhando para frente, agora. Eu sei que eu estou.<\/p>\n<blockquote class=\"instagram-media\" style=\"background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 750px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);\" data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/Bidb3ZmDr7T\/\" data-instgrm-version=\"8\">\n<div style=\"padding: 8px;\">\n<div style=\"background: #F8F8F8; line-height: 0; margin-top: 40px; padding: 50% 0; text-align: center; width: 100%;\">\n<div style=\"background: url(data:image\/png; base64,ivborw0kggoaaaansuheugaaacwaaaascamaaaapwqozaaaabgdbtueaalgpc\/xhbqaaaafzukdcak7ohokaaaamuexurczmzpf399fx1+bm5mzy9amaaadisurbvdjlvzxbesmgces5\/p8\/t9furvcrmu73jwlzosgsiizurcjo\/ad+eqjjb4hv8bft+idpqocx1wjosbfhh2xssxeiyn3uli\/6mnree07uiwjev8ueowds88ly97kqytlijkktuybbruayvh5wohixmpi5we58ek028czwyuqdlkpg1bkb4nnm+veanfhqn1k4+gpt6ugqcvu2h2ovuif\/gwufyy8owepdyzsa3avcqpvovvzzz2vtnn2wu8qzvjddeto90gsy9mvlqtgysy231mxry6i2ggqjrty0l8fxcxfcbbhwrsyyaaaaaelftksuqmcc); display: block; height: 44px; margin: 0 auto -44px; position: relative; top: -22px; width: 44px;\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;\"><a style=\"color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/Bidb3ZmDr7T\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma publica\u00e7\u00e3o compartilhada por Luiza Padilha (@luizapads)<\/a> em <time style=\"font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px;\" datetime=\"2018-05-07T02:45:07+00:00\">6 de Mai, 2018 \u00e0s 7:45 PDT<\/time><\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p><script async defer src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Resenha: Lee Ranaldo em Porto Alegre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thurston Moore esteve em Porto Alegre e 2012, Steve Shelley (baterista do Sonic Youth) em 2017. Em 2018, foi a vez de Lee Ranaldo, o ourives da guitarra do Sonic Youth, aportar por aqui. Agora, nos resta esperar por Kim Gordon. O fim de semana de Lee na capital ga\u00facha come\u00e7ou com a participa\u00e7\u00e3o na Festipoa Liter\u00e1ria, programa\u00e7\u00e3o que celebra a literatura na capital. O guitarrista foi uma das atra\u00e7\u00f5es do pen\u00faltimo dia do evento, em que falou brevemente sobre o livro \u201cJnrls 80\u201d, e autografou para f\u00e3s empolgados com a presen\u00e7a de um \u00eddolo t\u00e3o querido e acess\u00edvel. \u201cAcho muito legal estar aqui em um evento sobre livros. N\u00f3s vivemos em uma \u00e9poca em que precisamos de livros\u201d, disse ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo recinto, passeavam diferentes gera\u00e7\u00f5es da poesia brasileira, da jovem Luna Vitrolira at\u00e9 o experiente Marcelino Freire, e o marginal Chacal. Perguntado por um f\u00e3, Lee respondeu sobre a possibilidade de retorno do Sonic Youth: \u201cyou never know\u201d. No dia seguinte, enfim o primeiro show de Lee Ranaldo em Porto Alegre. No excelente teatro do campus Porto Alegre da Unisinos, Lee subiu ao palco sozinho, munido de guitarras, viol\u00f5es, o arsenal de pedais, arco de violino, um celular e uma gatorra. Sim, o instrumento inclassific\u00e1vel criado pelo esteiense Tony da Gatorra foi parar na m\u00e3o do ex-Sonic Youth, que conseguiu contextualizar o barulho bizarro daquela esp\u00e9cie de foice bizarra, dotada de cordas e circuitos el\u00e9tricos, dentro de seu show. A plateia assistia incr\u00e9dula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 isso j\u00e1 teria valido a pena. Mas o show foi muito mais. Com ecos inconfund\u00edveis de sua antiga e celebrada banda, Lee vai construindo um t\u00fanel de som, nem tanto ac\u00fastico quanto o an\u00fancio da apresenta\u00e7\u00e3o pregava. O repert\u00f3rio \u00e9 baseado em \u201cElectric Trim\u201d, mas tamb\u00e9m inclui vers\u00f5es de can\u00e7\u00f5es de sua banda, Lee Ranaldo and the Dust, como \u201cThe Rising Tide\u201d. \u00c9 impressionante notar como a can\u00e7\u00e3o sai t\u00e3o ruidosa somente com Lee tocando quanto a vers\u00e3o executada pela banda completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque Lee Ranaldo d\u00e1 corpo ao barulho. Cria can\u00e7\u00f5es passando o bra\u00e7o da guitarra no ch\u00e3o, bate nas costas da guitarra, passa o celular pelas cordas, eletrifica o viol\u00e3o ac\u00fastico com uma hipnose de pedais. Experimental sim, mas muito acess\u00edvel tamb\u00e9m, porque tem, afinal de contas, melodia. Temos muitas bandas influenciadas, de alguma forma ou de outra, por Sonic Youth em Porto Alegre. Quem circulou pelo teatro, esbarrou em v\u00e1rios integrantes dessas bandas. Foi um verdadeiro fim de semana de celebra\u00e7\u00e3o da m\u00fasica barulhenta e da cultura post-punk na capital ga\u00facha.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/N5C50pCU1GY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Mk1hvQnJH7g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EdALN_rLLiU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Janaina Azevedo (<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/janaisapunk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.facebook.com\/janaisapunk<\/a>) \u00e9 jornalista e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010. A foto que abre o texto \u00e9 de Liliane Callegari \/ Scream &amp; Yell<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013\u00a0Falando sobre coisas b\u00e1sicas como vida e amor, Lee Ranaldo lan\u00e7a um belo disco (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/21\/cds-lanegan-weller-e-ranaldo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Lee Ranaldo fez um desfile de Fenders detonadas e s\u00f4nicas no Largo da Batata, em SP (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/29\/show-lee-ranaldo-ao-vivo-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cSonic Youth: Sleeping Nights Awake\u201d, document\u00e1rio do Projeto Moonshine (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/11\/21\/sonic-youth-sleeping-nights-awake\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cGirl in a Band\u201d, de Kim Gordon, uma intensa confiss\u00e3o de fracasso (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/12\/girl-in-a-band-a-memoir-kim-gordon\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201c1991 \u2013 The Year Punk Broke\u201d: dif\u00edcil n\u00e3o se apaixonar por Kim Gordon (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/30\/tres-filmes-pre-grunge-metal-e-punk\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Thurston Moore em S\u00e3o Paulo: \u201cVoc\u00eas est\u00e3o sentindo o gosto do inferno? (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/15\/shows-kurt-thurston-carl-e-ian\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;As pessoas est\u00e3o sempre pedindo uma &#8216;reuni\u00e3o&#8217;, uma &#8216;volta&#8217;. Preciso dizer que n\u00e3o acho que qualquer um de n\u00f3s est\u00e1 pensando sobre uma reuni\u00e3o do Sonic Youth mesmo&#8221;&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/09\/entrevista-lee-ranaldo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":35,"featured_media":47569,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1185,994],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47388"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/35"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47388"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47388\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47570,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47388\/revisions\/47570"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47569"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47388"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47388"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47388"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}