{"id":47223,"date":"2002-05-01T10:27:06","date_gmt":"2002-05-01T13:27:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=47223"},"modified":"2018-05-07T08:51:22","modified_gmt":"2018-05-07T11:51:22","slug":"faixa-a-faixa-yankee-hotel-foxtrot-do-wilco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/05\/01\/faixa-a-faixa-yankee-hotel-foxtrot-do-wilco\/","title":{"rendered":"Faixa a Faixa:  &#8220;Yankee Hotel Foxtrot&#8221;, Wilco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Texto publicado na revista Rock Press em junho de 2002<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Uma hist\u00f3ria dos tempos modernos<\/strong><br \/>\n<strong> ou<\/strong><br \/>\n<strong> M\u00fasica, internet e autonomia artistica<\/strong><br \/>\n<strong> ou<\/strong><br \/>\n<strong> &#8220;Voc\u00ea precisa aprender a morrer se quiser continuar vivo&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/10\/15\/yankee-foxtrot-hotel-do-wilco-na-geladeir\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A maioria j\u00e1 leu aqui<\/a>, antes, mas custa nada rememorar. O Wilco, uma das melhores bandas dos \u00faltimos anos, gravou &#8220;Yankee Hotel Foxtrot&#8221; no primeiro semestre de 2001, sob encomenda da gravadora Reprise, subsidi\u00e1ria da poderosa AOL Time Warner. \u00c1lbum entregue, \u00e1lbum recusado, contrato quebrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bafaf\u00e1 correu tabl\u00f3ides, revistas especializadas chegando at\u00e9 a e-zines e discuss\u00f5es de mesa de bar. Defendendo sua cria, a banda abriu m\u00e3o do apadrinhamento AOL Time Warner, pegou as grava\u00e7\u00f5es, liberou-as na web e a hist\u00f3ria se fez. Tr\u00eas milh\u00f5es e meio de streamings depois e 200 mil visitantes acessando a p\u00e1gina da banda na Web\u00a0 em setembro de 2001 para ouvir o \u00e1lbum e, sabe-se l\u00e1 como, ele foi parar no Audiogalaxy, para festa geral dos f\u00e3s e queda de cabelos da Reprise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado? Mesmo sem ter sido lan\u00e7ado em 2001, &#8220;Yankee Hotel Foxtrot&#8221; apareceu em v\u00e1rias listas de melhores do ano. Jeff Tweedy e banda sa\u00edram em tour logo em seguida e n\u00e3o demorou muito para que a gravadora que meses antes havia recusado &#8220;Yankee&#8221; fizesse uma contraproposta que, como era de se esperar, foi recusada pelo Wilco. Isso se chama autonomia art\u00edstica. Quem ri por \u00faltimo sempre ir\u00e1 rir melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o \u00e1lbum debaixo dos bra\u00e7os, o Wilco chegou at\u00e9 a Nonesuch, um pequeno selo nova-iorquino cuja fama \u00e9 proporcionalmente inversa ao seu tamanho, visto que \u00e9 lar de gente como Emmylou Harris, Magnetic Fields, Jo\u00e3o Gilberto e Buena Vista Social Club. A fama do selo diz que seu presidente, Robert Hurwitz, s\u00f3 lan\u00e7a aquilo que gosta, ou seja, boa m\u00fasica. V\u00e1 l\u00e1 entender, a Nonesuch \u00e9 subsidiada pela AOL Time Warner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo o caminho tortuoso enfrentado pelo Wilco valeu a pena. &#8220;Yankee&#8221; chega \u00e0s prateleiras mundiais (no Brasil, ainda sem previs\u00e3o de lan\u00e7amento) do jeito que foi apresentado para os chef\u00f5es da Reprise, em julho de 2001. E, por mais que todo mundo j\u00e1 tenha falado, inclusive n\u00f3s mesmos, muita gente ainda quer saber: &#8220;Yankee&#8221; \u00e9 tudo isso que comentam? Sim, caro leitor. \u00c9 tudo isso e mais um pouco. Tem um sabor pop, mas n\u00e3o \u00e9 popularesco. \u00c9 ex\u00f3tico, mas n\u00e3o \u00e9 extravagante. \u00c9 po\u00e9tico, mas n\u00e3o \u00e9 piegas. \u00c9 dolorido, mas n\u00e3o \u00e9 suicida. \u00c9 sentimento e n\u00e3o mercadoria. E \u00e9 amor e n\u00e3o paix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 conceitual at\u00e9 o \u00faltimo segundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Yankee Hotel Foxtrot&#8221;, ou simplesmente &#8220;YHF&#8221;, s\u00e3o denominadas as esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio da ag\u00eancia de intelig\u00eancia de Israel. Atrav\u00e9s de ondas acima do tr\u00e1fego das esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio comuns, Israel divulga os seus interesses aos seus agentes. A voz, sempre feminina, discursa em c\u00f3digos, o que resulta em distor\u00e7\u00f5es de quem recebe as mensagens desconhecendo a combina\u00e7\u00e3o. Tweedy ampara-se nesta met\u00e1fora para dissertar todas as suas d\u00favidas acerca do tema central do \u00e1lbum: a comunica\u00e7\u00e3o nos relacionamentos. Viver sempre falando em c\u00f3digos com as pessoas que nos cercam \u00e9 a acusa\u00e7\u00e3o. Algu\u00e9m discorda? Quase todas as can\u00e7\u00f5es carregam barulhos de r\u00e1dios n\u00e3o sintonizadas. O \u00e1lbum funciona como uma su\u00edte dividida em 11 can\u00e7\u00f5es. Pela r\u00e1dio YHF, Tweedy passa a sua vis\u00e3o dos c\u00f3digos do amor, enquanto o zumbido de microfonia de r\u00e1dio marca presen\u00e7a. Est\u00e1tica como uma tv fora do ar. Como um relacionamento terminado. Algu\u00e9m consegue adivinhar o que o pr\u00f3ximo est\u00e1 pensando? N\u00e3o. Ent\u00e3o por que tentamos? Ru\u00eddos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos tempos modernos, em que o direcionamento de um trabalho art\u00edstico passa pela sala do marketing antes mesmo de ser composto, n\u00e3o deixa de ser tocante que uma banda defenda sua m\u00fasica com todas as armas que tem, no caso, com a pompa e a liberdade que a Internet possue. Sem d\u00favida, vivemos uma nova era. O mundo com n\u00f3s o conhec\u00edamos, acabou. Artigos antes impreter\u00edveis como honestidade e esperan\u00e7a agora s\u00e3o raros. No mundo capitalista, o que manda \u00e9 o que vende. Bem vindo ao novo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, desculpe desapontar os felizes com a nova ordem, aqui e ali, vozes se erguem contra tudo isso. Vozes como a de Jeff Tweedy e seu Wilco. &#8220;I&#8217;ve got reservations \/ &#8216;Bout so many things but not about you&#8221; canta Tweedy na faixa que encerra um dos melhores \u00e1lbuns desde sempre. Basta saber quem \u00e9 voc\u00ea e de que lado voc\u00ea est\u00e1.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YLlg9LMPwnE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>I am trying to break your heart<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Psicodelia pura. Efeitos e mais efeitos &#8211; guitarra e teclados &#8211; revezam-se com pratos de bateria na abertura da can\u00e7\u00e3o. O som vai morrendo quando uma batida de viol\u00e3o escudada pelo som de uma guitarra zumbindo toma \u00e0 frente. A bateria entra, faz umas viradas e desaparece. O piano surge. A voz de Tweedy \u00e9 melanc\u00f3lica e cansada. Ele assume ser um assassino na parte baixa da avenida, aceita quando ela o chama de b\u00eabado e conclui no refr\u00e3o: &#8220;I am trying to break your heart&#8221;. A abertura n\u00e3o poderia ser t\u00e3o perfeita e t\u00e3o anti-pop. E termina cheia de microfonias, como uma r\u00e1dio n\u00e3o sintonizada (uma YHF?). Um \u00e9pico de pouco mais de sete minutos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/f7gb926Si7I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Kamera<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Batida leve a l\u00e1 Big Star de &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/03\/19\/third-sisters-lovers-big-star\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Third\/Sisters Lovers&#8221;<\/a> e o R.E.M. de &#8220;Out Of Time&#8221; em clima que tamb\u00e9m remete a &#8220;SummerTeeth&#8221;, o \u00e1lbum anterior. No meio da can\u00e7\u00e3o, um tecladinho come\u00e7a a rodear a melodia. A voz de Tweedy continua impregnada de melancolia, apesar da batida &#8216;happy&#8217; do viol\u00e3o. A letra escancara. &#8220;For my family, tell I&#8217;m lost on the sidewalk&#8221;. No fim, o piano acompanha a melodia e Kamera serviria muito bem como primeiro single. &#8220;I\u2019ve driven in the dark \/ With echoes in my heart \/ For my family, tell em I\u2019m lost, yeah, I\u2019m lost \/ You know it\u2019s not okay&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BY5smjNp8wY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Radio Cure<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lenta, arrastada e cheia de efeitos, aqui e ali. Um piano tenta chamar a aten\u00e7\u00e3o no refr\u00e3o. Jeff Tweedy canta como se o ar lhe incomodasse nos pulm\u00f5es. A voz sai arrastada com cheiro de u\u00edsque. &#8220;Cheer up \/ honey I hope you can \/ there is something wrong with me \/ my mind is filled with silvery stars.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5j2ykHinIPg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>War on War<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">As guitarras ac\u00fasticas voltam a acelerar a melodia, mas a voz de Tweedy continua escorrendo tristeza. Um riff perturbado de guitarra passeia pela can\u00e7\u00e3o, saturado, cheio de efeitos. O piano retorna doce, e o contraste ilumina esta guerra. O recado: &#8220;You have to learn how to die \/ If you wanna wanna be alive&#8221;. Acaba com algu\u00e9m puxando o fio da aparelhagem e desligando tudo. Tamb\u00e9m lembra R.E.M.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v4_O4Sj-XTs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Jesus, Etc.<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Remete, de in\u00edcio, a &#8220;How To Fight Loneliness&#8221;, can\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum anterior. Violino e cravo embelezam o sublime arranjo que tamb\u00e9m remete aos galeses do Gorky&#8217;s Zygotic Mynci. Tamb\u00e9m tem potencial de single, bem&#8230; &#8220;Jesus don&#8217;t cry \/ you can rely on me honey \/ you can combine \/ anything you want&#8221;&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/O72cQZeTbxQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Ashes of American Flags<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra can\u00e7\u00e3o que se arrasta em um arranjo pouco convencional. A bateria \u00e9 lenta e pesada. A guitarra cheia de efeitos \u00e9 distante. E a letra \u00e9 simples e bela. Soa como um desabafo (c\u00ednico, claro) de quem caminha muito, mas sabe que &#8220;I can spend 3 dollars and 63 cents \/ On diet Coca Cola and unlit cigarettes&#8221; porque &#8220;All my lies are only wishes \/ I know I would die if I could come back new&#8221;. Final \u00e0 la Pink Floyd &#8220;Wish You Were Here&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GdKZQTfEGCk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Heavy Metal Drummer<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Clima de boteco, com a bateria \u00e0 frente (claro), afinal, &#8220;She fell in love with the drummer&#8221;. A letra \u00e9 c\u00ednica e deliciosa. &#8220;I miss the innocence I&#8217;ve known \/ Playing Kiss covers beautiful and stoned \/ She lifted up her shirt at the battle of the bands \/ He twirled his sticks, she helped him to his van \/ She fell in love with the drummer&#8221;. \u00c9 toda cadenciada com o viol\u00e3o conduzindo e um teclado que remete \u00e0 Crystal Lake do Grandaddy encaminha a can\u00e7\u00e3o para o final.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LGF-5sjGaF4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>I&#8217;m The Man Who Loves You<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Clima \u00e0 la Neil Young safra 72, com algo de &#8220;I Can&#8217;t Stand It&#8221;, do \u00e1lbum anterior. A guitarra come\u00e7a \u00e0 frente, saturada em um riff nervoso. O viol\u00e3o vem por tr\u00e1s das microfonias e Jeff Tweedy tenta convencer a garota de que o amor que ele sente \u00e9 t\u00e3o simples que s\u00f3 de segurar a m\u00e3o dela, seria compreendido. &#8220;I wanted when I started writing this letter to you \/ If I could you know I would just hold your hand and you&#8217;d understand \/ I&#8217;m the man that loves you&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yrKJX-CT2gw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Pot Kettle Black<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais microfonia na abertura, contrastando com a levada limpa da guitarra ac\u00fastica (sim, os Stones de &#8220;Exile on Main Street&#8221;). Tweedy canta baixo e bem. Os efeitos s\u00f3 surgem no meio da m\u00fasica, assim como uma guitarra solo distante na mixagem. Um quase break morrendo em efeitos no meio da can\u00e7\u00e3o \u00e9 o perfeito resumo do \u00e1lbum. &#8220;Every songs is a comeback \/ every moments a litle bit later&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/854yNi1HIq8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Poor Places<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longa introdu\u00e7\u00e3o com vocal e efeitos nos leva ao passado. \u00c9 ali, remexendo seu ba\u00fa de mem\u00f3rias, que o vocalista busca inspira\u00e7\u00e3o. &#8220;There&#8217;s bourbon on the breath of the singer you love so much \/ He takes all his words from the books you don&#8217;t read anyway&#8221;. Remete \u00e0 Sargeant Peppers dos Beatles. Uma voz feminina ao fundo, perdida em meio ao barulho, sussura &#8220;Yankee Hotel Foxtrot&#8221; como c\u00f3digo ao infinito, ou at\u00e9 onde as microfonias conseguirem chegar (Ser\u00e1 que algu\u00e9m distinguiu a codifica\u00e7\u00e3o?).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3ox56kjygfo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>Reservations<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Yankee Hotel Foxtrot&#8221; termina do mesmo jeito que come\u00e7a. Uma faixa longa (outro \u00e9pico de sete minutos), desconstru\u00edda, clim\u00e1tica, melanc\u00f3lica, cheia de efeitos e de colagens, mas, tamb\u00e9m, arrebatadora e sublime. Piano a frente, e a voz de Jeff Tweedy escorrendo melancolia nas duas primeiras estrofes, para, com o voz em dobro, gritar o refr\u00e3o desesperado:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>How can I convince you it&#8217;s me I don&#8217;t like?<\/em><br \/>\n<em> And not be so indifferent to the look in your eyes.<\/em><br \/>\n<em> When I&#8217;ve always been distant, and I&#8217;ve always told lies for love<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>I&#8217;m bound by the choices so hard to make<\/em><br \/>\n<em> Bound by these feelings so easy to fake<\/em><br \/>\n<em> But none of this is real enough to take me from you<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>I&#8217;ve got reservations<\/em><br \/>\n<em> &#8216;Bout so many things but not about you<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>I know this wasn&#8217;t what you were wantin&#8217; me to say<\/em><br \/>\n<em> How can I get closer and be further away?<\/em><br \/>\n<em> And the truth? It proves it&#8217;s beautiful to lie<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>I&#8217;ve got reservations<\/em><br \/>\n<em> &#8216;Bout so many things but not about you<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s tr\u00eas minutos e meio de melodia de deixar aqueles que amam com o cora\u00e7\u00e3o em peda\u00e7os, a can\u00e7\u00e3o quase acaba, e uma coda surge e segue mais tr\u00eas minutos at\u00e9 morrer e encerrar o melhor \u00e1lbum de 2001, 2002 e desde sempre. Se Jeff Tweedy estava tentando partir cora\u00e7\u00f5es com suas d\u00favidas sobre as rela\u00e7\u00f5es humanas, conseguiu.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-47225\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/wilco4.jpg\" alt=\"\" width=\"734\" height=\"988\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/wilco4.jpg 734w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/wilco4-223x300.jpg 223w\" sizes=\"(max-width: 734px) 100vw, 734px\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (@screamyell) edita o Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Wilco ao vivo no Parco Della Musica, 2010 em Roma, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/05\/31\/wilco-ao-vivo-em-roma\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas vezes Wilco em quatro dias no Brasil (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/11\/tres-vezes-wilco-em-quatro-dias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cSky Blue Sky\u201d, Wilco, um disco setent\u00e3o para 2007, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/04\/26\/sky-blue-sky-um-disco-setentao-para-2007\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cSky Blue Sky Tour Edition\u201d, Wilco, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/04\/02\/500-toques-wilco-marah-e-um-tributo-a-neil-young\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cKicking Television\u201d, do Wilco, uma poderosa banda de rock, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/musicadois\/wilco_kicking.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cA Ghost Is Born\u201d, Wilco, um disco chato, chato, chato, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/musicadois\/wilcoghost.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cWilco (the album)\u201d, Wilco: Jeff Tweedy conquista e ao mesmo tempo desaponta (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/20\/bunnymen-wilco-e-pearl-jam\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cOnce Around\u201d, Autumn Defense, projeto de John Stirratt e Pat Sansone (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/30\/ben-folds-autumn-defense-mavis-staples\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Melhores da D\u00e9cada 00: \u201cYankee Hotel Foxtrot\u201d, Wilco, no segundo lugar (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/09\/top-20-internacional-da-decada-00\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cThe Autumn Defense\u201d, The Autumn Defense: m\u00fasica calma para cora\u00e7\u00f5es roqueiros (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/09\/12\/500-toques-the-autumn-defense-rilo-kiley-e-stereo-total\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mas, desculpe desapontar os felizes com a nova ordem, aqui e ali, vozes se erguem contra tudo isso. Vozes como a de Jeff Tweedy e seu Wilco. Basta saber quem \u00e9 voc\u00ea e de que lado voc\u00ea est\u00e1.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/05\/01\/faixa-a-faixa-yankee-hotel-foxtrot-do-wilco\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":47224,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[396],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47223"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47223"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47223\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47251,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47223\/revisions\/47251"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47224"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}