{"id":4715,"date":"2010-03-23T20:38:36","date_gmt":"2010-03-23T23:38:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=4715"},"modified":"2023-11-08T13:36:52","modified_gmt":"2023-11-08T16:36:52","slug":"quando-a-musica-incendiou-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/03\/23\/quando-a-musica-incendiou-a-sociedade\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ler: &#8220;Criaturas Flamejantes&#8221;, Nick Tosches"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Esse Voc\u00ea Precisa Ler<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-4716\" title=\"nick_tosches\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/nick_tosches.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/nick_tosches.jpg 260w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/nick_tosches-195x300.jpg 195w\" sizes=\"(max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Quando a m\u00fasica incendiou a sociedade<br \/>\npor Gabriel Innocentini<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma tarefa dif\u00edcil, mas Nick Tosches a aceitou: tentar definir o que \u00e9 o rock-and-roll. De quebra, legou uma aula aos seus leitores. Primeiro, de jornalismo: checagem e apura\u00e7\u00e3o n\u00e3o fazem mal a ningu\u00e9m. Segundo, de hist\u00f3ria da m\u00fasica: se voc\u00ea deseja saber qual o significado da express\u00e3o \u201chonky-tonk\u201d e onde ela surgiu, \u201cCriaturas Flamejantes\u201d \u00e9 leitura obrigat\u00f3ria. E ainda h\u00e1 anedotas edificantes sobre a vida de Jerry Lee Lewis ou sobre o surgimento da hist\u00f3rica gravadora Sun Records, de Sam Phillips.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fartamente documentado, incluindo at\u00e9 um par\u00e1grafo de pura listagem, como o relativo \u00e0 primeira vez em que a met\u00e1fora \u201crock-and-roll\u201d foi usada em can\u00e7\u00f5es populares, o livro de Nick Tosches exibe uma pesquisa completa, que cobre at\u00e9 mesmo o uso b\u00edblico da express\u00e3o: \u201cO oitavo vers\u00edculo do Salmo 22 diz \u2018Confiou no Senhor\u2019. Mas a palavra hebraica que foi traduzida como \u2018confiou\u2019 \u00e9 originalmente gahlahl, que n\u00e3o quer dizer confian\u00e7a. A B\u00edblia de G\u00eanova de 1560 traduziu o verso literalmente: \u2018Aquele que rolou com o Senhor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pista para entender esse fen\u00f4meno da cultura norte-americana chamado rock-and-roll \u00e9 a cita\u00e7\u00e3o do antrop\u00f3logo Richard Wallaschek: \u201cA caracter\u00edstica mais surpreendente em todas as can\u00e7\u00f5es selvagens \u00e9 a ocorr\u00eancia constante de palavras que n\u00e3o t\u00eam nenhum significado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTutti Frutti\u201d, de Little Richard, \u00e9 sempre uma refer\u00eancia quando se trata de avaliar o impacto do rock-and-roll na vida de grandes m\u00fasicos, como Bob Dylan ou Lou Reed. O l\u00edder do Velvet Underground disse sobre a can\u00e7\u00e3o: \u201cQuando eu a ouvi no r\u00e1dio, ela possu\u00eda tudo o que faltava no meu mundo\u201d. Quem conhece a m\u00fasica, sabe que o refr\u00e3o, malicioso, consistia em \u201cpalavras sem nenhum significado\u201d: \u201cTutti frutti all rootie, awopbopaloobop, alopbamboom\u201d. Era a m\u00fasica que explodia em horm\u00f4nios, feita para adolescentes, no ritmo da rebeldia que come\u00e7ava a surgir nos EUA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tosches sequer cita Little Richard, preferindo se concentrar em duas figuras emblem\u00e1ticas \u2013 e brancas: Elvis Presley e Jerry Lee Lewis. O rei do rock \u00e9 desenhado como um grande mist\u00e9rio \u201cnuma era carente de magia\u201d. De onde vinha seu poder, sua for\u00e7a? Tosches acredita que nem o ex-caminhoneiro da Crown Eletric Company sabia. Elvis \u00e9 considerado por ele como o respons\u00e1vel, juntamente com Sam Phillips, Scotty Moore e Bill Black, pela exist\u00eancia do rock-and-roll. Tudo por causa da grava\u00e7\u00e3o de \u201cBlue Moon of Kentucky\u201d, numa sagrada segunda-feira, 5 de julho de 1954.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em quest\u00e3o de meses, a grava\u00e7\u00e3o daria luz a um novo estilo musical \u2013 o rockabilly, uma mistura de rock-and-roll com hillbilly, o rock caipira. Mas com uma distin\u00e7\u00e3o importante, segundo Tosches: a alma desse estilo era branca, vinha da ro\u00e7a. Assim, o rockabilly n\u00e3o seria um roubo da m\u00fasica negra pelos brancos como alegam alguns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o rockabilly era inovador, era mais por causa de seu temperamento \u2013 insano, demon\u00edaco \u2013 do que por suas supostas inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, j\u00e1 incorporadas, de uma maneira ou de outra, pela m\u00fasica country, como o contrabaixo slap ou o efeito de eco (delay) da Sun.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob esse ponto de vista, Jerry Lee Lewis \u00e9 a figura que concentra todo o poder dionis\u00edaco do rockabilly, capaz de inflamar o p\u00fablico com suas atitudes autodestrutivas e transgressoras. Tosches, que \u00e9 autor de uma biografia sobre ele (\u201cHellfire\u201d, ainda sem tradu\u00e7\u00e3o no Brasil), o considera \u201co \u00faltimo selvagem americano, \u201chomo agrestis americanus ultimus\u201d. Ele \u00e9 comparado a ningu\u00e9m menos do que William Faulkner, ganhador do pr\u00eamio Nobel de Literatura de 1949, por sua personalidade indom\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado no Brasil pela editora Conrad na cole\u00e7\u00e3o I\u00ea I\u00ea I\u00ea, que tamb\u00e9m inclui obras de Lester Bangs, Greil Marcus e Simon Reynolds (todos obrigat\u00f3rios), \u201cCriaturas Flamejantes\u201d parece uma conversa, com Nick Tosches compartilhando suas teorias sem soar chato, apontando aqui e ali quais os fatos cr\u00edticos que alteraram o rumo da hist\u00f3ria, dando carne, osso e ritmo aos personagens principais. Isso inclui a percep\u00e7\u00e3o de que para entender aquele per\u00edodo, \u00e9 prefer\u00edvel desenhar um esbo\u00e7o do que ocorria nos diversos lugares do que pretender conferir uma ordem acabada a todos os eventos que deram origem ao rock-and-roll.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou como ele mesmo diz: \u201cA verdade \u00e9 que Jerry Lee Lewis soube que o fim est\u00e1 pr\u00f3ximo, deve estar pr\u00f3ximo, e que o fim-est\u00e1-pr\u00f3ximo \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de tudo; sem isso n\u00e3o existiria rock-and-roll, nem epifanias de jukebox, apenas pessoas p\u00e1lidas e fr\u00e1geis olhando pela janela. Sem a obsess\u00e3o ou a febre ou o medo do fim pr\u00f3ximo, tudo \u00e9 sensato e simples\u201d. Como discordar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Gabriel Innocentini cursa jornalismo na Unesp de Bauru e assina o blog  <a href=\"http:\/\/blogeurogol.blogspot.com\/\">Eurogol<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Disparos do Front da Cultura Pop&#8221;, de Tony Parsons, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/03\/23\/disparos-do-front-da-cultura-pop-tony-parsons\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Gabriel Innocentini\n\u00c9 uma tarefa dif\u00edcil, mas Nick Tosches a aceitou: tentar definir o que \u00e9 o rock and roll. 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