{"id":47037,"date":"2018-04-02T09:51:07","date_gmt":"2018-04-02T12:51:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=47037"},"modified":"2018-05-06T20:55:07","modified_gmt":"2018-05-06T23:55:07","slug":"entrevista-baleia-baleia-baleia-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/04\/02\/entrevista-baleia-baleia-baleia-portugal\/","title":{"rendered":"Entrevista: Baleia Baleia Baleia (Portugal)"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pedro Salgado, de Lisboa<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto bebemos um caf\u00e9 no Chiado, em plena tarde de chuva, Manuel Molarinho come\u00e7a por recordar o seu percurso inicial ligado ao punk. \u201cOs meus amigos do Love You Dead precisavam de um baixista. Na \u00e9poca eu n\u00e3o dominava o instrumento, mas aceitei o desafio e comecei a tocar e comp\u00f4r\u201d, conta. Ap\u00f3s integrar v\u00e1rias bandas, Manuel monteu o seu projeto solo, O Manipulador (uma \u2018one man band\u2019). Em 2013 o m\u00fasico lisboeta estabeleceu-se no Porto e seria convidado para atuar no TRC Zigurfest (um pequeno festival anual de m\u00fasica moderna, associado ao coletivo art\u00edstico Zigur Artists), do qual Ricardo Cabral integrava a organiza\u00e7\u00e3o. \u201cPercebemos que nos d\u00e1vamos bem, t\u00ednhamos um estilo que fazia sentido e eu sentia vontade de regressar \u00e0s bandas com mais energia, algo que tivesse uma linguagem corporal\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Optando pelo nome Baleia Baleia Baleia, inspirado numa conhecida piada, a dupla constitu\u00edda por Manuel Molarinho (baixo e voz) e Ricardo Cabral (bateria) iniciou a sua atividade em 2016, apostando no pop punk, no rock e na can\u00e7\u00e3o autoral e realizando shows vibrantes que cativaram o p\u00fablico do norte e sul de Portugal. \u201cO que temos para falar hoje \u00e9 diferente de h\u00e1 10 anos atr\u00e1s. Perdemos mais tempo com os arranjos das m\u00fasicas, mas pretendemos que as nossas ideias sejam claras e percet\u00edveis\u201d, afirma. Esse cuidado est\u00e1 presente no \u00e1lbum hom\u00f4nimo de estreia da banda, onde se evidencia o punk dan\u00e7\u00e1vel, toadas experimentais e a urg\u00eancia vocal de Manuel. Lan\u00e7ado dia 14 de mar\u00e7o, &#8220;Baleia Baleia Baleia&#8221; <a href=\"https:\/\/baleiabaleiabaleia.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pode ser ouvido e baixado no Bandcamp<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuero Ser Um Ecr\u00e3\u201d e \u201cSacaplica\u00e7\u00e3o\u201d, os dois temas mais diretos do disco, destacam-se igualmente pela for\u00e7a do refr\u00e3o e a conjuga\u00e7\u00e3o da vertente mel\u00f3dica e r\u00edtmica. O \u00e9pico \u201cInterdepend\u00eancia\u201d revela uma ambi\u00e7\u00e3o sonora superior, cabendo a \u201cE Se O Diabo Quiser\u201d o papel de incutir algum mist\u00e9rio \u00e0 habitual ironia l\u00edrica do duo. Para Molarinho a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: \u201cAs nossas letras nunca s\u00e3o escritas de um s\u00f3 jorro, mas essa can\u00e7\u00e3o se refere \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o em geral. O diabo aparece como uma met\u00e1fora para aquilo que consideramos proibido. Depois contextualizamos esse fato na rotina do dia a dia e na forma como o nosso c\u00e9rebro processa as coisas em que pensa\u201d. Para al\u00e9m de ambicionarem uma liberdade criativa absoluta, a outra aspira\u00e7\u00e3o da dupla define o seu car\u00e1ter universalista: \u201cPretendemos comunicar e esperamos que o relacionamento dos outros com a nossa m\u00fasica seja imediato\u201d, conclui. De Lisboa para o Brasil, Manuel Molarinho conversou com o Scream &amp; Yell sobre o Baleia Baleia Baleia. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KBNY47U0kRI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque demoraram um ano a gravar o disco de estreia?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s esfor\u00e7amo-nos por ter as melhores condi\u00e7\u00f5es para uma boa capta\u00e7\u00e3o sonora. O Teatro Nacional do Porto deixou-nos gravar as baterias no Teatro Rivoli (duas delas j\u00e1 tinham sido registradas na nossa sala de ensaios, Quarto Escuro). Se n\u00f3s cumpr\u00edssemos esses timings seria a melhor forma poss\u00edvel, porque daria para gravar em Agosto (o m\u00eas de f\u00e9rias do Ricardo). Ele \u00e9 t\u00e9cnico de som no Rivoli, eu tenho quatro bandas e organizo um festival itinerante de Inverno, \u201cUm ao Molhe\u201d, dedicado aos colegas que tocam sozinhos em palco. Em fun\u00e7\u00e3o do tempo dispon\u00edvel, encontramos um espa\u00e7o para registrar as coisas \u00e0 nossa medida. Na realidade, acabou por ser bom que a grava\u00e7\u00e3o demorasse um ano, porque as can\u00e7\u00f5es ficaram com novas roupagens e deu para nos divertirmos no est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dos aspetos marcantes do disco \u00e9 a sua intensidade r\u00edtmica. De algum modo procuraram trazer para o \u00e1lbum a energia que voc\u00eas existem no palco?<\/strong><br \/>\nSim, procuramos ao m\u00e1ximo que o \u00e1lbum soe como um show, ou pelo menos que tenha esse feeling. Mas n\u00e3o queremos tocar igual no disco e ao vivo. Isto pode parecer contradit\u00f3rio mas n\u00e3o \u00e9. Os discos e os shows s\u00e3o realidades distintas para n\u00f3s e queremos aproveitar o melhor de cada faceta. Ao vivo o som tem menos camadas, \u00e9 mais cru, mais despido, mas h\u00e1 toda uma componente visual e de contato com o p\u00fablico que \u00e9 imposs\u00edvel transportar. Tentamos compensar enriquecendo o disco textural e harmonicamente com todo o tipo de arranjos, duplicando ou triplicando linhas de baixo, gravando v\u00e1rias vozes, editando imensas coisas aqui e ali e inclusivamente usando a primeira fase da mixagem como parte da composi\u00e7\u00e3o. No fundo, aproveitamos todas as liberdades que o est\u00fadio nos d\u00e1, mas tamb\u00e9m quisemos incorporar ao m\u00e1ximo os erros, os acasos, as oscila\u00e7\u00f5es, tudo aquilo que nos torna humanos e imperfeitos para que soe como se estivesse acontecendo enquanto ouvimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O single \u201cQuero Ser Um Ecr\u00e3\u201d inclui um refr\u00e3o certeiro e a sua urg\u00eancia vocal destaca-se na tempestade s\u00f3nica da faixa. Concorda com esta leitura?<\/strong><br \/>\nRealmente, \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o bastante urgente e foi das primeiras m\u00fasicas que fizemos. Eu n\u00e3o me coloco numa posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, porque em v\u00e1rios momentos estou sendo o ecr\u00e3, imerso nesse mundo e alheado do resto. De certa forma a can\u00e7\u00e3o coloca uma pergunta: Porque queremos ser um ecr\u00e3? Existe tamb\u00e9m um tom jocoso e de aceita\u00e7\u00e3o, porque os seres humanos s\u00e3o fal\u00edveis e n\u00e3o tem mal nenhum divertirmo-nos com isso. Esse tom \u00e9 mais est\u00e9tico do que racional, ou seja, foi aquele que nos pareceu mais adequado. Por vezes, deixar as coisas flu\u00edrem tamb\u00e9m \u00e9 mais interessante do que pensar tudo ao mil\u00edmetro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o as vossas principais influ\u00eancias musicais?<\/strong><br \/>\nO stoner rock n\u00e3o \u00e9 a nossa principal influ\u00eancia, porque vamos buscar muitos elementos ao conte\u00fado rock e trocamos m\u00fasicas de que gost\u00e1mos. Existem v\u00e1rias refer\u00eancias que nos unem: Lightning Bolt, Beatles e Sonic Youth. O Ricardo mostrou-me algum Dead Meadow que eu n\u00e3o conhecia, bem como sonoridades mais calmas. Confesso que n\u00e3o penso muito no que escuto quando estou compondo com ele. No meu projeto solo, O Manipulador (com loops), nos Burgueses Famintos (poesia com spoken word) ou no Madrasta (trio de rock experimental) tudo passa pelo c\u00e9rebro e pela desconstru\u00e7\u00e3o, enquanto o Baleia vem mais do instinto, da emo\u00e7\u00e3o e de n\u00e3o ter medo de sermos um ato inesperado. Na realidade, somos um conjunto de coisas de que n\u00e3o gostamos, mas fomos obrigados a ser. A cultura pop tem disso e imp\u00f5e-se um pouco \u00e0 for\u00e7a. O Baleia relaciona-se mais com a urg\u00eancia de tocarmos juntos, divertirmo-nos, criando algo que se soltasse e fosse nosso. Tudo dentro do rock e da m\u00fasica alternativa, n\u00e3o seguindo os c\u00e2nones tradicionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o os objetivos futuros da banda?<\/strong><br \/>\nO objetivo \u00f3bvio \u00e9 tocar e rodar. No dia 14 de Abril estaremos no Hard Club. Temos v\u00e1rias datas marcadas para depois desse show e o interesse na banda tem aumentado, mas essa atua\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais importante para n\u00f3s. O pa\u00eds \u00e9 pequeno, por isso convidamos todo o mundo a ir ao Porto e passear um pouquinho (existem voos baratos a partir do Algarve tamb\u00e9m). Depois disso continuaremos a tocar e pensaremos num novo disco, em mais m\u00fasicas e eventualmente fazer shows no estrangeiro. Para j\u00e1 estamos nos divertindo. Tamb\u00e9m temos um lado visual (Ricardo Cabral dirigiu o clipe de \u201cQuero Ser Um Ecr\u00e3\u201d) e com os v\u00e1rios amigos dessa \u00e1rea pretendemos fazer v\u00eddeos para as can\u00e7\u00f5es mais apelativas. Queremos desviar-nos um pouco dessa base de compor, gravar e atuar, mantendo um igual grau de divers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria de deixar alguma mensagem para os leitores brasileiros do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica brasileira \u00e9 um mundo. Por isso, \u00e9 um pouco inescap\u00e1vel n\u00e3o ter algumas refer\u00eancias. Relativamente \u00e0 mensagem, escutem a nossa m\u00fasica e mandem feedback. Adorariamos tocar no Brasil e se a nossa cena colher f\u00e3s l\u00e1 seria muito legal. \u00c9 um pa\u00eds com muito entusiasmo. Eu tive a felicidade de passar uma semana no Rio de Janeiro e percebi que h\u00e1 um apre\u00e7o muito grande pela energia positiva. Apesar de existir o lado triste, sobressai a alegria na m\u00fasica ao vivo e essa tamb\u00e9m \u00e9 uma marca dos shows do Baleia Baleia Baleia. Quando escolhemos o nome da banda, descobrimos que existia um grupo brasileiro que se chamava Baleia. Eles fazem um som experimental, alternativo e com uma vertente eletr\u00f4nica. S\u00e3o dif\u00edceis de catalogar, isso \u00e9 bom, mas lembram um pouco o Radiohead. Eu e o Ricardo escutamos muito Tim Maia durante as viagens de carro. Ele tamb\u00e9m \u00e9 f\u00e3 de Erasmo Carlos. No meu caso, gosto bastante de Dilermando Reis (um guitarrista de chorinhos e valsas). Sinto que no Brasil a m\u00fasica faz parte do cotidiano e em qualquer m\u00fasico vemos aquilo que ambicionamos: a guitarra \u00e9 uma extens\u00e3o do bra\u00e7o. Para mim, \u00e0s vezes, existe uma separa\u00e7\u00e3o, mas recordo que no Rio estive em casa de um amigo, vi-o tocar e cantar e senti que aquilo era um bolo em que v\u00e1rias pessoas entravam de uma forma m\u00e1gica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/29LljO-40R8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a>.\u00a0A foto que abre o texto \u00e9 de\u00a0 Pedro Gomes Almeida \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Download: Projeto Visto -&gt; Reaproximando Brasil e Portugal com m\u00fasica (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/14\/download-projeto-visto-2\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Ou\u00e7a: 15 can\u00e7\u00f5es do pop portugu\u00eas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/24\/ouca-15-cancoes-do-pop-portugues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) e uma playlist chamada Tugas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2016\/04\/24\/duas-playlists-latin-e-tugas\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com nome inspirado numa conhecida piada, o duo Manuel Molarinho (baixo e voz) e Ricardo Cabral (bateria) formou o Baleia Baleia Baleia no Porto, em 2016, apostando no pop punk, no rock e na can\u00e7\u00e3o autoral! \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/04\/02\/entrevista-baleia-baleia-baleia-portugal\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":47038,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2723,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47037"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47037"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47037\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47043,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47037\/revisions\/47043"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47038"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}