{"id":47027,"date":"2002-01-01T13:39:03","date_gmt":"2002-01-01T15:39:03","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=47027"},"modified":"2020-11-17T04:28:42","modified_gmt":"2020-11-17T07:28:42","slug":"esse-voce-precisa-ouvir-fear-of-music-talking-heads","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/01\/01\/esse-voce-precisa-ouvir-fear-of-music-talking-heads\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ouvir: &#8220;Fear of Music&#8221;, Talking Heads"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/trabalhosujo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alexandre Matias<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Visto de fora, nossa normalidade \u00e9 a coisa mais absurda poss\u00edvel. Matamos e fritamos bichos pra comer. Estudamos metade da vida para trabalharmos em coisas que n\u00e3o tiveram a ver com nada daquilo que aprendemos. Carros usados como armas, armas usadas como brinquedos, brinquedos usados como formas de provocar os outros. O comportamento humano talvez seja a verdadeira ess\u00eancia da humanidade. N\u00e3o \u00e9 a racionalidade ou a estrutura f\u00edsica ou a espiritualidade que nos torna quem somos: \u00e9 a forma que agimos uns com os outros, como nos portamos diante das diversas situa\u00e7\u00f5es da vida, rituais e manias que, tiradas de contexto, n\u00e3o fazem sentido algum. Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea nenhuma esp\u00e9cie no planeta terra &#8211; e talvez no universo &#8211; que seja, ao mesmo tempo, t\u00e3o s\u00e1bia e t\u00e3o idiota. Isso \u00e9 a base da obra davidbyrneana, a s\u00edntese do conceito das letras dos Talking Heads. Analisando a sociedade humana como se a antropologia (ou a zoologia) fosse a sociologia, David Byrne muda um pouco o foco da realidade e v\u00ea uma coisa completamente diferente. Assim, torna-se um cara \u00e0 frente do nosso tempo, mesmo que por apenas uma hora. Percebendo algumas coisas antes de todo mundo, Byrne \u00e9 metade do que faz o Talking Heads uma das melhores bandas detodos os tempos. A outra metade \u00e9 a poderosa se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundado em pleno punk rock, os Talking Heads (como o B-52\u2019s, o Devo, o Fall, o Gang of Four e tantos outros) transformaram a inaptid\u00e3o t\u00e9cnica em ritmo, criando grooves &#8211; quadrados, em geral &#8211; que nos impunham ao ritmo rob\u00f3tico da can\u00e7\u00e3o. Mas aos poucos, a banda come\u00e7ou a criar uma forma pr\u00e1tica de tocar que floresceu onde ningu\u00e9m esperava &#8211; na cozinha. O casal Tina Weymouth e Chris Franz era mais inofensivo que qualquer outro tipo de dupla. Ela fr\u00e1gil e ap\u00e1tica, ele gordo e sorridente, usando bon\u00e9s daquele jeito que s\u00f3 os caipiras norte-americanos conseguem. Mas dali, provavelmente da qu\u00edmica sexual dos dois, surgiu uma m\u00e1quina de ritmo sinuosa e marcial. O baixo de Tina \u00e9 macio e meloso, conduzindo a dan\u00e7a no sentido horizontal, enquanto o marid\u00e3o trabalha no sentido vertical com pulso firme e preciso; um funk minimal que cresce e controla o ambiente. Acrescente a\u00ed a guitarra e os teclados de Jerry Harrison, o mesmo que, ao lado de Johnattan Richman e sob a supervis\u00e3o do ex-Velvet John Cale, gravou as primeiras demos que mais tarde se tornariam o primeiro e cl\u00e1ssico disco dos Modern Lovers. Jerry solava bem, mas reduziu sua guitarra ao su\u00edngue apertado de Tina e Chris e passou a usar o teclado mais como uma m\u00e1quina de ru\u00eddos, tocando-o como um piano quando necess\u00e1rio. \u00c0 frente de tudo, a figura caricatural de David Byrne. Magrelo e constantemente de olhos arregalados, Byrne n\u00e3o tinha cabelos espetados ou jaqueta de couro. Pelo contr\u00e1rio, tocava usando roupas normais, cal\u00e7as de linho e camisas de gola, meias de algod\u00e3o e t\u00eanis. Seu ar t\u00edmido contrastava com sua performance rob\u00f3tica que, acrescido de sua voz nem aguda nem grave e deliciosamente desafinada e da forma percussiva que tocava seu instrumento &#8211; \u00e0s vezes uma guitarra, \u00e0s vezes um imenso viol\u00e3o. Eram os Talking Heads. Sua cr\u00edtica social ir\u00f4nica era &#8211; junto com o marxismo do Gang of Four e o p\u00f3s-modernismo do Pere Ubu &#8211; o m\u00e1ximo que o rock poderia se aproximar do intelectualismo sem parecer pedante ou, pior, progressivo. No final dos anos 70 esta palavra era vista com os piores olhos poss\u00edveis, criando um preconceito que atravessa d\u00e9cadas (algu\u00e9m j\u00e1 disse que \u00e9 imposs\u00edvel ignorar um g\u00eanero inteiro e isso \u00e9 verdade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E os Heads eram intelectuais. E botavam o povo pra dan\u00e7ar. E aos poucos ganharam omundo. Mas estamos ainda em 1979, quando o grupo ainda vinha sendo assimilado. O primeiro disco, &#8220;<a href=\"https:\/\/matias.blogosfera.uol.com.br\/2017\/09\/16\/em-sua-estreia-ha-40-anos-os-talking-heads-inventavam-o-pos-punk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Talking Heads\u201977<\/a>&#8220;, contou com a sorte de um hit perfeito: &#8220;Psycho Killer&#8221;, um cl\u00e1ssico. O segundo, &#8220;More Songs About Food and Buildings&#8221;, os associava pela primeira vez com Brian Eno, num casamento que se mostrava pr\u00e1tico e promissor. Ainda n\u00e3o era o suficiente. Precisavam de uma prova definitiva, um disco que n\u00e3o deixasse d\u00favidas se o grupo era bom ou n\u00e3o. E assim nascia &#8220;Fear of Music&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Centralizando sua tese sociol\u00f3gica no medo, David Byrne explicava com detalhes um mero cap\u00edtulo de algo que as pessoas n\u00e3o tinham certeza que sequer existia. Era um disco conceitual sobre o medo sem sequer citar o medo. As can\u00e7\u00f5es encerram conceitos definitivos sobre assuntos diversos e todos eles s\u00e3o encarados com estranheza, com diferencia\u00e7\u00e3o. O medo \u00e9 decorrente. Gravado no apartamento de Chris e Tina, em Long Island (Nova York), &#8220;Fear of Music&#8221; come\u00e7a nos apresentando ao desconhecido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RI3oswxdeUw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;I Zimbra&#8221; \u00e9 uma letra do poeta nonsense Hugo Ball e n\u00e3o quer dizer nada, pelo menos que saibamos: &#8220;Gadji Beri Bimba Clandridi\/ Lauli Lonn Cadori Gadjam\/ A Bim Beri Glassala Glandride\/ E Glassala Tuffm I Zimbra&#8221;. O ritmo \u00e9 tenso e repetitivo e o funk torna-se sombrio e mais negro que em qualquer outro disco do Talking Heads. Culpa do baixo de Tina Weymouth, que torna-se um el\u00e1stico de groove da noite pro dia e da percuss\u00e3o afro-caribenha que aos poucos vai tomando conta do grupo. A letra \u00e9 cantada em coro como um rito tribal por todos os Talking Heads e por Brian Eno, que &#8220;trata&#8221; o disco (a defini\u00e7\u00e3o \u00e9 dele mesmo &#8211; &#8220;treatments&#8221;, nos cr\u00e9ditos) e acrescenta teclados esquiz\u00f3ides ao final da can\u00e7\u00e3o. Na base, quieto, quase escondido, Robert Fripp ajuda Jerry e David a compor o muro de som que cresce at\u00e9 explodir subitamente ao fim da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;Mind&#8221;, o baixo de Tina (o fio condutor de todo o disco) puxa as guitarras abafadas que parecem datilografar alguma palavra. Byrne, preocupado, procura algo para mudar a mente do ouvindo, j\u00e1 que nem as drogas, nem o tempo, nem a ci\u00eancia, nem a religi\u00e3o, nem o dinheiro, nem ele mesmo parecem surtir efeito. &#8220;Tento falar consigo para esclarecer as coisas\/ Mas voc\u00ea sequer me ouve&#8221;, canta desesperado, enquanto as guitarras cantam riffs pregui\u00e7osos que deslizam pelo baixo central.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Paper&#8221; tenta incitar a paranoia: &#8220;Segure o papel contra a luz (alguns raios podem atravess\u00e1-lo)\/ Exponha-se l\u00e1 fora por um minuto (alguns raios podem atravess\u00e1-lo)&#8221;. O su\u00edngue torna-se massivo e, paradoxalmente, minimal, e \u00e9 enfeitado com guitarras que parecem extra\u00eddas de &#8220;Revolver&#8221;, dos Beatles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Cities&#8221; come\u00e7a baixinho at\u00e9 explodir num groove rob\u00f3tico que seria explorado melhor no disco do ano seguinte, &#8220;Remain in Light&#8221;. Na letra, Byrne descreve cidades pelos defeitos, enquanto procura um lugar pra morar: &#8220;Pense em Londres, uma cidade pequena\/ \u00c9 escuro, escuro de dia\/ As pessoas dormem de dia\/ Se quiserem&#8221;, &#8220;H\u00e1 muitos ricos em Birmingham\/ Muitos fantasmas em muitas casas\/ Olha l\u00e1: uma f\u00e1brica de gelo seco\/ Um bom lugar pra arrumar id\u00e9ias prontas&#8221;, &#8220;Esqueci de Memphis\/ Casa de Elvis e dos gregos antigos\/ Eu t\u00f4 fedendo? Eu fedo a comida\/ \u00c9 s\u00f3 o rio, \u00e9 s\u00f3 o rio&#8221;. Sem avisar ningu\u00e9m, Byrne &#8220;rouba&#8221; uma estrofe inteira, imprimindo apenas sua letra no encarte.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jShMQw2H2cM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Life During Wartime&#8221; (que foi surrupiada por Marcelo Nova para compor &#8220;Hoje&#8221;, do Camisa de V\u00eanus, e recentemente gravada pelos Paralamas do Sucesso) \u00e9 o mais pr\u00f3ximo do Talking Heads que est\u00e1vamos acostumados. Como diz o t\u00edtulo, a can\u00e7\u00e3o fala da vida durante a guerra, mas sem romantismo ou pavor. A faixa conta a hist\u00f3ria de um cara que, em meio a uma guerra, tenta viver uma vida normal, apesar de tudo. A letra compila alguns dos melhores momentos do letrista. &#8220;Ouvi falar numa van cheia de armas pronta pra sair. Ouvi falar de cemit\u00e9rios clandestinos perto da estrada, num lugar que ningu\u00e9m sabe onde \u00e9. Som de tiros \u00e0 dist\u00e2ncia, estou me acostumando. Moro na periferia, moro no gueto, moro por toda cidade. Isso n\u00e3o \u00e9 uma festa, n\u00e3o \u00e9 uma discoteca. N\u00e3o d\u00e1 pra ficar de bobeira. N\u00e3o d\u00e1 pra dan\u00e7ar ou paquerar. N\u00e3o tenho tempo pra isso. Transmita a mensagem ao receptor, espere respostas, algum dia. Tenho tr\u00eas passaportes, um par de visas, n\u00e3o sei nem meu nome de verdade. Perto da colina, est\u00e3o abastecendo caminh\u00f5es, tudo est\u00e1 pronto pra sair. Durmo de dia, trabalho \u00e0 noite, nunca mais chego em casa. Isso n\u00e3o \u00e9 uma festa, n\u00e3o \u00e9 uma discoteca. N\u00e3o d\u00e1 pra ficar de bobeira. N\u00e3o tenho tempo pro Mudd Club ou pro CBGB. N\u00e3o tenho tempo pra isso. Ouviu falar de Houston? Ouviu falar de Detroit? Ouvi falar em Pittsburgh, PA? Melhor n\u00e3o ficar \u00e0 janela, algu\u00e9m pode v\u00ea-lo. Tenho umas frutas e manteiga de amendoim pra alguns dias. N\u00e3o tenho caixas, n\u00e3o tenho fones, nem discos pra ouvir (&#8230;) Adoraria te beijar, adoraria te abra\u00e7ar, n\u00e3o tenho tempo pra isso&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Memories Can\u2019t Wait&#8221; fecha o lado A com a mais s\u00e9ria can\u00e7\u00e3o dos Heads. Pesada e depr\u00ea, &#8220;Memories&#8230;&#8221; fala em amn\u00e9sia e coma, mas de forma perturbadora e sutil: &#8220;Voc\u00ea lembra de algu\u00e9m aqui?\/ N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o se lembra de ningu\u00e9m\/ Estou dormindo, deitado\/ Nunca acordei, n\u00e3o me arrependo\/ H\u00e1 uma festa na minha mente\/ Que nunca acaba\/ Uma festa l\u00e1 em cima o tempo todo\/ V\u00e3o festejar at\u00e9 cair\/ Outros podem ir pra casa\/ Outros podem ir dormir\/ Estou aqui o tempo todo\/ N\u00e3o posso ir embora&#8221;. Pela primeira vez as guitarras assumem o comando e o resultado \u00e9 a m\u00fasica mais assustadora do disco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c1OwsD5Ypj0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lado B come\u00e7a no extremo contr\u00e1rio. &#8220;Air&#8221; \u00e9 doce e suave (com belos backing vocals) e d\u00e1 ao baixo os controles do disco, mais uma vez. Agora o objeto de inseguran\u00e7a e afli\u00e7\u00e3o \u00e9 o ar, que, segundo Byrne, &#8220;tamb\u00e9m pode te machucar&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Heaven&#8221; talvez seja um dos melhores momentos do disco. Rock lento e on\u00edrico, a faixa descreve o c\u00e9u como um lugar que nada (ou &#8220;o nada&#8221;) acontece o tempo todo. &#8220;A banda no c\u00e9u toca minha m\u00fasica favorita\/ Toca mais uma vez, toca a noite inteira&#8221;, &#8220;Quando esse beijo acabar, recome\u00e7ar\u00e1\/ E n\u00e3o ser\u00e1 diferente, ser\u00e1 exatamente o mesmo&#8221;. O nada e a morte tornam-se objetos de uma aprecia\u00e7\u00e3o l\u00fadica e in\u00e9dita na m\u00fasica pop. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil acreditar que o nada absoluto possa ser ser t\u00e3o excitante, t\u00e3o divertido&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Animals&#8221; brutaliza a banda para falar da agressividade e do instinto animalesco do ser humano. &#8220;Descobri que os animais n\u00e3o ajudam\/ Eles pensam, s\u00e3o bem espertos\/ Cagam no ch\u00e3o, v\u00eaem no escuro\/ Nunca est\u00e3o l\u00e1 quando precisamos deles\/ Nunca est\u00e3o l\u00e1 quando os chamamos\/ (&#8230;) Animais pensam, entendem\/ Acreditar neles \u00e9 um grande erro\/ Animais querem mudar minha vida\/ Eu sempre foi ignorar conselhos de animais&#8221;. Real\u00e7ando o lado animal do ser humano, Byrne transforma os bichos em seres t\u00e3o racionais como n\u00f3s, apenas para ridicularizar nossas ansiedades e fobias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A guitarra el\u00e9trica \u00e9 posta em um tribunal em &#8220;Electric Guitar&#8221;. O som \u00e9 um anti-ska que conta a hist\u00f3ria de um atropelamento (da pr\u00f3pria guitarra), que chega a algumas conclus\u00f5es: &#8220;Nunca ou\u00e7a a guitarra el\u00e9trica&#8221; e &#8220;Algu\u00e9m controla a guitarra el\u00e9trica&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Drugs&#8221; encerra o disco com uma atmosfera ao mesmo tempo tensa (culpa do baixo, dos teclados e da guitarra esparsa) e buc\u00f3lica (culpa dos sons florestais sob o som da banda).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Fear of Music&#8221; \u00e9 mais uma vers\u00e3o contemplativa que o Talking Heads faz da ra\u00e7a humana, observando-a desta vez pelas coisas que lhe incomoda, que lhe assusta. E \u00e9 o disco em que o funk do grupo est\u00e1 mais coeso e denso, antes de explodir no universo de ritmos caribenhos que seria o pr\u00f3ximo disco do grupo, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2017\/04\/05\/thom-yorke-e-o-radiohead\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Remain in Light<\/a>&#8220;. Mas isso \u00e9 outro papo&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Hu8WIQ_uqGk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Alexandre Matias \u00e9 jornalista, assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oesquema.com.br\/trabalhosujo\/\">Trabalho Sujo<\/a> e \u00e9 colunista do UOL: <a href=\"http:\/\/matias.blogosfera.uol.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">matias.blogosfera.uol.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Fear of Music&#8221; \u00e9 mais uma vers\u00e3o contemplativa que o Talking Heads faz da ra\u00e7a humana, observando-a desta vez pelas coisas que lhe incomoda, que lhe assusta\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/01\/01\/esse-voce-precisa-ouvir-fear-of-music-talking-heads\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":47028,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4854,4782,2709],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47027"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47027"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47027\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57864,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47027\/revisions\/57864"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47028"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}