{"id":46574,"date":"2018-02-18T12:10:43","date_gmt":"2018-02-18T15:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=46574"},"modified":"2018-04-09T16:07:41","modified_gmt":"2018-04-09T19:07:41","slug":"tres-livros-piano-vermelho-infinita-highway-e-noturnos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/02\/18\/tres-livros-piano-vermelho-infinita-highway-e-noturnos\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas livros: \u201cPiano Vermelho\u201d, \u201cInfinita Highway\u201d e \u201cNoturnos&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Resenhas por\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Adriano Mello Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-46577 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/piano.jpg\" alt=\"\" width=\"430\" height=\"637\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/piano.jpg 430w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/piano-203x300.jpg 203w\" sizes=\"(max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cPiano Vermelho\u201d, Josh Malerman (Editora Intr\u00ednseca)<\/strong><br \/>\nUm som poderoso que causa danos tremendos a quem escuta aparece na \u00c1frica sem maiores explica\u00e7\u00f5es. O ex\u00e9rcito estadunidense fica preocupado com o que pode ser uma nova arma a ser utilizada contra o pa\u00eds e por conta desse poder pensa evidentemente em reverter isso a seu favor. O cen\u00e1rio \u00e9 os anos 50 e depois de algumas tentativas de descobrir mais sobre o som, o ex\u00e9rcito resolve apelar para m\u00fasicos que tamb\u00e9m s\u00e3o soldados e serviram na Segunda Guerra Mundial. Esses m\u00fasicos formam os Danes, uma banda de Detroit que teve um grande sucesso e hoje paga as contas gravando outras bandas no pr\u00f3prio est\u00fadio. Essa \u00e9 a premissa de \u201cPiano Vermelho\u201d (\u201cBlack Mad Whell\u201d, no original), lan\u00e7ado em 2017 e que ganha edi\u00e7\u00e3o tupiniquim pela editora Intr\u00ednseca com 320 p\u00e1ginas e tradu\u00e7\u00e3o de Alexandre Raposo. Obra do escritor e m\u00fasico Josh Malerman, \u201cPiano Vermelho\u201d \u00e9 o sucessor de \u201cCaixa de P\u00e1ssaros\u201d, um thriller psicol\u00f3gico que rendeu boas vendas e cr\u00edticas. Intercalando passagens ocorridas na \u00c1frica e as que vieram ap\u00f3s isso, o autor tenta montar um mosaico de mist\u00e9rio sobre o que realmente representa o som, contudo faz isso de maneira nada objetiva, inserindo cap\u00edtulos que servem somente para crescer o n\u00famero de p\u00e1ginas e nada mais. A narrativa simples e sem muitos floreios \u2013 que podia ser um m\u00e9rito quanto ao ritmo \u2013 n\u00e3o rende o esperado e deixa a obra com aquele sabor de descart\u00e1vel. Para dizer que n\u00e3o h\u00e1 bons momentos, a amizade dos membros dos Dunes rende bem e podia ter sido mais explorada em contrapartida ao mist\u00e9rio que exp\u00f5e. E depois de heroicamente se chegar ao final do livro, a revela\u00e7\u00e3o do tal mist\u00e9rio \u00e9 bem chinfrim. Emulando quest\u00f5es temporais, existenciais e pessoais, aumenta ainda mais o sentimento de tempo perdido quando se chega ao final do \u00faltimo par\u00e1grafo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 3 (<a href=\"https:\/\/www.intrinseca.com.br\/upload\/livros\/PianoVermelho_ISSUU.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia um trecho diretamente do site da editora<\/a>)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-46575 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/infinita.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"648\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/infinita.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/infinita-208x300.jpg 208w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cInfinita Highway: Uma Carona com os Engenheiros do Hawaii\u201d, de Alexandre Lucchese (Belas Letras)<\/strong><br \/>\nDentro do rock nacional surgido na abertura pol\u00edtica dos anos 80, a banda Engenheiros do Hawaii era dif\u00edcil de compreender. Tendo a figura controversa de Humberto Gessinger \u00e0 frente, o trio vendeu mais de 100 mil exemplares de todos os discos da estreia de 1986 (\u201cLonge Demais das Capitais\u201d) at\u00e9 1993 (\u201cFilmes de Guerra, Can\u00e7\u00f5es de Amor\u201d) e estourou com \u201cO Papa \u00e9 Pop\u201d, de 1990, que a levou para est\u00e1dios, programas dominicais e tudo mais. Humberto colocou em livro em 2009 (\u201cPra Ser Sincero\u201d) uma boa parte das aventuras desde o primeiro show, mas isso do ponto de vista dele, o que deixou de fora fatos menos louv\u00e1veis em uma trajet\u00f3ria. Lan\u00e7ado em 2016, \u201cInfinita Highway: Uma Carona com os Engenheiros do Hawaii\u201d, do jornalista ga\u00facho Alexandre Lucchese, tem a miss\u00e3o de dissecar esse fen\u00f4meno de modo mais amplo e explicar tamanha adora\u00e7\u00e3o pelo grupo e seu dono at\u00e9 hoje, uma vez que Humberto continua fazendo shows cheios pelo Brasil, mesmo que em intensidade menor. Com extenso trabalho de pesquisa, 328 p\u00e1ginas e publica\u00e7\u00e3o da editora Belas Letras, o livro apresenta a banda desde a forma\u00e7\u00e3o em 1985, que seria para um \u00fanico show, at\u00e9 \u201cSimples de Cora\u00e7\u00e3o\u201d, disco de 1995 que foi o \u00faltimo do baterista Carlos Maltz. Entre o vislumbre, a inadequa\u00e7\u00e3o e o profissionalismo, Lucchese nos mostra perfis de artistas talentosos, mas pouco a vontade com o processo da m\u00fasica como neg\u00f3cio. Narra tamb\u00e9m as sa\u00eddas de Carlos Stein (que depois fundaria o Nenhum de N\u00f3s), de Marcelo Pitz (baixista da estreia) e principalmente de Augusto Licks, o \u00f3timo e experiente guitarrista que transformou a m\u00fasica do grupo. \u00c9 um livro indicado para f\u00e3s, mas que n\u00e3o consegue avan\u00e7ar al\u00e9m, trazendo observa\u00e7\u00f5es repetidas sem meter o dedo nas feridas com a intensidade que se esperava, al\u00e9m de ter decis\u00f5es question\u00e1veis como inserir depoimentos de f\u00e3s totalmente desnecess\u00e1rios. Assim como a banda, alterna boas e interessantes passagens com outras t\u00e3o chatas como as m\u00fasicas mais enfadonhas do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 5 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2016\/11\/29\/trecho-da-biografia-dos-engenheiros-do-hawaii\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leia um trecho do livr<\/a>o)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n\u2013 Alexandre Lucchese: \u201cOs guris n\u00e3o deviam ser f\u00e1ceis de trabalhar\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/25\/entrevista-alexandre-lucchese\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Download: Scream &amp; Yell lan\u00e7a tributo aos Engenheiros do Hawaii (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/11\/download-tributo-aos-engenheiros-do-hawaii\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Ao vivo: Humberto Gessinger segue em frente dignamente (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/03\/29\/humberto-gessinger-ao-vivo-em-sp\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Humberto Gessinger: \u201cN\u00e3o h\u00e1 planos para nenhuma volta dos EngHaw\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/27\/entrevista-humberto-gessinger-2016\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Carlos Maltz: \u201cEu n\u00e3o sou uma pessoa muito equilibrada, sabe?\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/16\/entrevista-carlos-maltz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-46576 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/kazuo.jpg\" alt=\"\" width=\"430\" height=\"644\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/kazuo.jpg 430w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/kazuo-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cNoturnos \u2013 Hist\u00f3rias de M\u00fasica e Anoitecer\u201d, de Kazuo Ishiguro (Cia das Letras)<\/strong><br \/>\nKazuo Ishiguro nasceu no Jap\u00e3o, mas ainda crian\u00e7a se mudou para a Inglaterra com a fam\u00edlia. L\u00e1 virou escritor e produziu obras como \u201cOs Vest\u00edgios do Dia\u201d, \u201cN\u00e3o Me Abandone Jamais\u201d e \u201cO Gigante Enterrado\u201d, vendendo alguns milh\u00f5es de exemplares pelo mundo com eles. Em 2017 ganhou o pr\u00eamio Nobel de Literatura, o que levou a Companhia das Letras a republic\u00e1-lo. Uma dessas republica\u00e7\u00f5es foi \u201cNoturnos \u2013 Hist\u00f3rias de M\u00fasica e Anoitecer\u201d (&#8220;Nocturnes \u2013 Five Stories of Music and Nightfall&#8221;), lan\u00e7ado originalmente em 2009. O livro \u00e9 um \u201cIshiguro menor\u201d, digamos assim, composto por cinco contos que apresentam a m\u00fasica como condutora, seja por um praticante em in\u00edcio de carreira, seja por um artista calejado fazendo o impens\u00e1vel para obter sucesso ou mesmo um amante de velhas can\u00e7\u00f5es estadunidenses perdido pela vida e jogado no meio de uma complicada situa\u00e7\u00e3o. Com tradu\u00e7\u00e3o de Fernanda Abreu e 216 p\u00e1ginas, essa reedi\u00e7\u00e3o (a editora j\u00e1 o havia lan\u00e7ado aqui em 2010) d\u00e1 chance para novos leitores conhecerem um trabalho que se n\u00e3o carrega o tom sublime das obras mais famosas do autor, apresenta uma prosa repleta de melancolia que, por mais triste que possa ser, ainda carrega alguma beleza. Em todos os contos temos a vida passando e deixando feridas abertas, algumas que j\u00e1 doeram tanto que hoje j\u00e1 nem se sente mais nada, o tempo cuidou de amortecer tudo. Dos cinco contos, os maiores destaques ficam com \u201cCrooner\u201d e \u201cCelistas\u201d onde essa melancolia assume tons de acentuada desilus\u00e3o e que a m\u00fasica retrata isso de maneira t\u00e3o delicada. \u201cNoturnos\u201d serve tamb\u00e9m para que novos leitores se aproximem mais da obra de Kazuo Ishiguro, buscando ir al\u00e9m. \u00c9 um livro para ler com uma bebida na m\u00e3o e um disco antigo tocando na vitrola suavemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7,5<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n\u2013 \u201cO Gigante Enterrado\u201d \u00e9 um trabalho constru\u00eddo com aud\u00e1cia e ousadia por Kazuo Ishiguro, (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/30\/livros-a-smith-j-vandermeer-e-k-ishiguro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LlSDk6LoSZM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Adriano Mello Costa assina o blog de cultura Coisa Pop:\u00a0<a href=\"http:\/\/coisapop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/coisapop.blogspot.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cPiano Vermelho\u201d \u00e9 tempo perdido; \u201cInfinita Highway&#8221; \u00e9 apenas para f\u00e3s dos Engenheiros; \u201cNoturnos&#8221; \u00e9 uma bela introdu\u00e7\u00e3o a um Nobel de Literatura\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/02\/18\/tres-livros-piano-vermelho-infinita-highway-e-noturnos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":9,"featured_media":46578,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[2640,1304,322,1488,1305],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46574"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46574"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46574\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46581,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46574\/revisions\/46581"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46578"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}