{"id":46388,"date":"2018-02-01T09:15:51","date_gmt":"2018-02-01T11:15:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=46388"},"modified":"2018-04-05T10:49:03","modified_gmt":"2018-04-05T13:49:03","slug":"entrevista-sollado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/02\/01\/entrevista-sollado\/","title":{"rendered":"Entrevista: Sollado"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rafael.p.donadio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rafael Donadio<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma esquina do Parque Residencial Quebec, em Maring\u00e1, foi combinado o encontro com alguns integrantes da banda <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/solladomga\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sollado<\/a>, na Lanchonete do Pescador. Entre as mesas de madeira, pingas de toda e qualquer marca, inclusive as artesanais da regi\u00e3o. Nas paredes, desenhos, fotos e peixes empalhados, de in\u00fameras esp\u00e9cies, al\u00e9m daquelas fotografias cl\u00e1ssicas dos pescadores com seus pr\u00eamios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela quinta-feira de calor forte, Jo\u00e3o Paulo (percuss\u00e3o) e Valter Rosini (vocal e sintetizadores) j\u00e1 me esperavam nas mesas da cal\u00e7ada, com uma gelada na mesa e um pedido de iscas feito. Quando sentei, vi Fernando Morete (viol\u00e3o e vocal) chegando, vestindo chinelos e carregando a insepar\u00e1vel garrafa t\u00e9rmica e o terer\u00e9. \u201cVou dar um tempo na bebida\u201d. Os dois riram, mas ele realmente n\u00e3o bebeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de come\u00e7armos a falar do \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/4Gb5fMVGgFbSBDellhe522?si=ZO823lvjTDyeA1MUlfuG9g\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sollado<\/a>\u201d (2017), segundo da banda, que at\u00e9 ent\u00e3o se apresentava como Sollado Brazilian Groove, Jo\u00e3o Paulo j\u00e1 avisou que estava ali de gaiato, os outros dois que falariam. \u201cEu estava vindo para c\u00e1 e o cara me ligou para tomar uma. \u2018Estou indo l\u00e1 na entrevista, vamo junto\u2019\u201d, explicou Rosini, enquanto experiment\u00e1vamos a pimenta da casa. N\u00e3o muito adequada para aquele calor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo nas primeiras can\u00e7\u00f5es do disco \u00e9 poss\u00edvel entender a mudan\u00e7a do nome. Com uma identidade mais definida e com letras reflexivas, pontuais e atuais, Sollado agora \u00e9 muito mais que groove brasileiro. Sollado \u00e9 frevo, \u00e9 punk, \u00e9 \u201cforr\u00f3ck\u2019n\u2019roll psychobrega\u201d, \u00e9 samba, \u00e9 maracatu. Estabelecida como nunca esteve nestes sete anos de grupo, Sollado agora est\u00e1 entre buscas. Arriscando cada vez mais a procura de sons e de novas formas de se produzir como banda independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com olhos e ouvidos apontados para todos os cantos do planeta, o grupo maringaense se apropria de todas essas refer\u00eancias e, com a simplicidade e o clima buc\u00f3lico do Noroeste do Paran\u00e1, faz disso elos de uma gigante corrente. \u201cSe todos podemos ser uma mesma coisa, em conjunto, por que n\u00f3s vamos nos separar? Onde e qual a causa da gente se separar? M\u00fasica, para n\u00f3s, \u00e9 uma forma de reconstruir esse elo entre as pessoas\u201d, reflete o vocalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o \u00e1lbum todo faz refletir. N\u00e3o \u00e0 toa o rock psicod\u00e9lico estelar \u201cA Procura Deste Som\u201d est\u00e1 ali, celebrando a hist\u00f3ria e sinalizando o momento de transforma\u00e7\u00e3o do grupo. \u201cEla \u00e9 um elo do disco. \u00c9 uma celebra\u00e7\u00e3o do come\u00e7o da banda, homenagem por todos que passaram por ela, com o momento atual, junto com uma certa busca de um novo som\u201d, diz Rosini.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda ainda conta com Jos\u00e9 Augusto (guitarra), Gabriel Moraes (baixo) e Andr\u00e9 Lauer (bateria). Produzido por toda a banda, com Moraes na lideran\u00e7a, \u201cSollado\u201d foi gravado no Est\u00fadio Mojo (Maring\u00e1) e masterizado por Felipe Tichauer (que j\u00e1 trabalhou com Curumin, Rodrigo Campos, Bixiga 70, Banda do Mar e Elza Soares, entre outros). A mixagem tamb\u00e9m \u00e9 assinada por Gabriel Moraes. O trabalho foi lan\u00e7ado pelo selo Maring\u00e1 Original Balan\u00e7o (MOB).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre peixes, cerveja e o terer\u00e9 de Fernando, os sollados de p\u00e9 vermelho contaram sobre a produ\u00e7\u00e3o do disco, as participa\u00e7\u00f5es dos novos e eternos sollados, da forma\u00e7\u00e3o da banda e algumas importantes reflex\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K1jyHaroGZo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a produ\u00e7\u00e3o deste segundo \u00e1lbum, o \u201cSollado\u201d?<\/strong><br \/>\nValter &#8211; A gente chegou no Est\u00fadio Mojo com uma quantidade de m\u00fasica e a outra metade foi feita j\u00e1 l\u00e1 dentro. As m\u00fasicas que a gente j\u00e1 tocava e chegaram praticamente prontas foram \u201c\u00c9 de Roubar a Sombra\u201d, \u201cEntre Buscas\u201d, \u201cDiferente Fim\u201d e \u201cSeres\u201d. Essas a gente j\u00e1 tocava desde a \u00e9poca que t\u00ednhamos outros integrantes \/ parceiros na banda, ent\u00e3o elas trazem isso tamb\u00e9m, essa fase, que foi muito boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas tiveram participa\u00e7\u00f5es na grava\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nFernando &#8211; Teve o Claudio Caldeira (saxofone) no \u201cA Procura Desse Som\u201d, o Lucas Trabuco em \u201cPara Todos os Efeitos\u201d e \u201cGostaria de Saber\u201d e Ricardo Martins \u2013 o Z\u00f3io \u2013 em \u201cGostaria de Saber\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valter &#8211; Mas d\u00e1 para citar todos os outros que passaram pela banda, por todos terem, de certa forma, ajudado na constru\u00e7\u00e3o da banda e de uma ou outra m\u00fasica. Inclusive, um dia o Ricardo estava em casa e eu j\u00e1 tinha uma parte da m\u00fasica feita, \u201cGostaria de Saber\u201d, e pegamos o viol\u00e3o e ficamos conversando e acabou saindo o resto. Foi bem r\u00e1pida. Tem m\u00fasica que demora quase 10 anos, outras 10 minutos (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe algum processo de composi\u00e7\u00e3o na banda? Como nascem m\u00fasica e letra?<\/strong><br \/>\nFernando &#8211; Cada m\u00fasica nasce de um jeito. \u00c0s vezes o Valtinho chega com a letra e a gente faz a harmonia ou come\u00e7a com uma melodia vocal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valter &#8211; As m\u00fasicas do Fernando geralmente chegam mais prontas, como em \u201cTerra Azul\u201d. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o meio intuitiva. Mas, geralmente, se for pensar em uma f\u00f3rmula, podemos dizer que as m\u00fasicas come\u00e7am com as letras. At\u00e9 na hora de colocar na ordem do disco, pensamos no que elas dizem, sempre tendo conex\u00e3o, algum tipo de elo. As que n\u00e3o t\u00eam, vai se encaixar com algo que ainda vai vir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando &#8211; \u201cTerra Azul\u201d eu compus depois da trag\u00e9dia de Mariana (MG). \u00c9 uma cr\u00edtica ao desenvolvimento exacerbado do homem, uma cr\u00edtica ao homem usurpar da pr\u00f3pria natureza em benef\u00edcio da gan\u00e2ncia, desse desenvolvimento acima de tudo. E a ideia se juntou a uns grafites e frases que vi aqui em Maring\u00e1. \u00c9 um frevo do fim do mundo. Frevo com rock\/punk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais as liga\u00e7\u00f5es que existem entre o disco anterior e esse, como o nome da primeira faixa do \u201cSollado\u201d ser o nome do disco anterior, \u201cPara Todos os Efeitos\u201d?<\/strong><br \/>\nValter &#8211; A ideia dessa m\u00fasica eu pensava desde o come\u00e7o do Sollado, logo que a internet come\u00e7ou a ficar mais acess\u00edvel e as pessoas come\u00e7aram a ficar vidradas em rede. Ent\u00e3o, parecia que o que estava em volta dos visores do computador era banal. As pessoas n\u00e3o querem saber do outro, querem saber do visor dizendo o que eles precisam fazer. Um comportamento bovino. E tem a liga\u00e7\u00e3o com \u201cNulidade\u201d \u2013 \u00faltima m\u00fasica do disco anterior \u2013 quando fala sobre a corrup\u00e7\u00e3o, sujeira e a impunidade. \u00c9 um elo de liga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-46391\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Fernando-Morete-Foto-SENSE.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Fernando-Morete-Foto-SENSE.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Fernando-Morete-Foto-SENSE-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais bandas mais influenciam a Sollado?<\/strong><br \/>\nValter &#8211; Dif\u00edcil falar o que a gente gosta de ouvir e o que tentamos colocar no disco. Mas eu, como um cara que gosto de escrever, posso dizer que tem at\u00e9 punk, com mais sutileza, uma cr\u00edtica sem botar o dedo na ferida. Uma coisa que reflete, que serve para refletir. \u00c9 dif\u00edcil falar de bandas ou algo que influenciam, porque at\u00e9 minha m\u00e3e pode influenciar, quando diz alguma coisa, em qualquer momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando &#8211; Eu acho que a est\u00e9tica do disco tem um pouco a ver com o que tem sido feito agora no Brasil. Algo como Anelis Assump\u00e7\u00e3o, Iara Renn\u00f3, Curumin, C\u00e9u. A quest\u00e3o do tipo do som, de fazer preenchimento com overdubs eletr\u00f4nicos. Isso um dia vai ser escutado e v\u00e3o saber que \u00e9 dessa \u00e9poca. \u00c9 um disco atual. Esse \u00e9 o trabalho que o Gabriel Moraes faz como produtor, tem esse toque dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco provoca a reflex\u00e3o e, como disse o Valter, faz cr\u00edticas, mesmo que mais sutis. Existe uma mensagem do disco como um todo?<\/strong><br \/>\nValter &#8211; A mensagem mais forte \u00e9 para n\u00f3s mesmos, como banda, de tentar se achar cada vez mais. Tanto que a primeira m\u00fasica, \u201cPara Todos os Efeitos\u201d, \u00e9 algo bem amplo. O \u00e1lbum todo \u00e9 meio dimensional. A gente tenta misturar o mundano \u2013 at\u00e9 de algo misterioso, que a gente n\u00e3o conhece \u2013 com o supremo. A m\u00fasica \u00e9 sens\u00edvel, ent\u00e3o a gente tem que ter respeito pelo que a gente faz. E muitas pessoas se unem a n\u00f3s, a banda, por essa caracter\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando &#8211; A gente tem um lance meio de caipira crist\u00e3o, de ter uma parada mais simples e dar valor nas coisas da vida. Lealdade, hombridade e valores assim. E todo mundo na banda tem um lance de espiritualidade, a gente carrega uma f\u00e9 e cr\u00e9dito nas coisas. Ent\u00e3o a m\u00fasica vem nesse questionamento do mundo terreno, desses valores: perguntando onde est\u00e3o, apontando o dedo para a perda e tentando retomar esses valores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valter &#8211; Uma das coisas mais fortes que fazem as pessoas se aproximarem do nosso som \u00e9 a palavra. Sempre remetemos a um valor humano. Todas as m\u00fasicas t\u00eam uma ess\u00eancia terrena e espiritual. A eleva\u00e7\u00e3o do ser humano como fruto de Deus: se todos podemos ser uma mesma coisa, em conjunto, por que n\u00f3s vamos nos separar? Onde e qual a causa da gente se separar? O porqu\u00ea da gente separar, mesmo acreditando nisso. M\u00fasica, para n\u00f3s, \u00e9 uma forma de construir elo entre as pessoas. Tem sempre gente querendo pulverizar o meio que j\u00e1 \u00e9 pulverizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com sete anos de carreira e o segundo trabalho no mundo. Qual o significado desse disco para a Sollado?<\/strong><br \/>\nValter &#8211; Na minha cabe\u00e7a j\u00e1 come\u00e7a pelo fato da gente estar tirando o \u201cBrazilian Groove\u201d da parada. \u00c9 um momento de transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma conquista de ter conseguido fazer isso nesse momento, porque fizemos uma escolha de fazer isso dessa forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando &#8211; Nesse momento a gente fez essa escolha, agora a gente precisa procurar processos para arrumar outros caminhos para fazermos m\u00fasica. Como vai ser ainda n\u00e3o sei. Esse disco \u00e9 bem diferente do disco anterior, \u00e9 mais produzido, mais introspectivo, um disco que o sujeito tem que parar para ouvir. \u00c9 uma nova conquista que conseguimos fazer e agora precisamos de novos mundos. Uma nova conquista e uma nova transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas t\u00eam uma identidade mais forte, ineg\u00e1vel, mas o som remete bastante \u00e0s m\u00fasicas nordestinas. O que do Paran\u00e1 voc\u00eas colocam nas can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nFernando &#8211; Acho que na nossa m\u00fasica a linguagem \u00e9 o que tem de mais forte da cultura paranaense. O Paran\u00e1 ainda est\u00e1 em forma\u00e7\u00e3o. Somos formados por imigrantes europeus, por mineiros, nordestinos, paulistas. Mas, na m\u00fasica, a gente traz a coisa simples do caipira, a m\u00fasica que faz ode \u00e0 natureza, por exemplo. Na banda, todo mundo tem essa cultura desde moleque, todo mundo escutou m\u00fasica caipira, ia na casa da v\u00f3 no s\u00edtio, festa junina, que, inclusive, foram trazidos por esses migrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu queria que voc\u00eas contassem um pouco de como aconteceu a forma\u00e7\u00e3o da banda.<\/strong><br \/>\nFernando &#8211; A gente fez a m\u00fasica \u201cEntre Buscas\u201d para ter a banda. Tinha acabado o Maracatrutas \u2013 grupo que tocava covers de bandas como Na\u00e7\u00e3o Zumbi, Otto, Eddie etc \u2013 e a gente ficou pensando que a gente queria tocar alguma coisa diferente, mais lado b, as coisas que estavam rolando na \u00e9poca de m\u00fasica alternativa, que a galera estava fazendo. E essas coisas eram o disco do Seu Jorge e Almaz, Academia da Berlinda, Eddie, esses caras que a gente ouvia. Enquanto a gente se reunia para fazer isso, para tocar, surgiu a ideia do festival na UEM (Universidade Estadual de Maring\u00e1), o Acorde Universit\u00e1rio. Isso foi em 2010. A UEM foi o elo da gente. Ali foi o catalisador. Ali que a gente se encontrou e se conheceu, tanto nas aulas de agronomia \u2013 Valter e Jos\u00e9 Augusto cursaram Agronomia na UEM \u2013 quanto nas festas que tinham na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual era a forma\u00e7\u00e3o nesse come\u00e7o?<\/strong><br \/>\nFernando &#8211; Al\u00e9m da gente, que permanece at\u00e9 hoje (Valter Rosini, Fernando Morete, Jos\u00e9 Augusto e Jo\u00e3o Paulo Costa), foi mudando os bateristas e os baixistas. Come\u00e7ou com o Mour\u00e3o e o L\u00e9o, depois entrou o Lucas Trabuco (baixo) e o Leandro Benavide (bateria). O Trabuco e o Benavide estavam na \u00e9poca do primeiro disco, \u201cPara Todos os Efeitos\u201d (2014), e ajudaram muito, foram bem importantes. Inclusive, foi o Benavide que deu \u201ca cara\u201d da m\u00fasica \u201cDiferente Fim\u201d. Ele tinha uma sala de est\u00fadio dentro da casa dele, tinha v\u00e1rios instrumentos. Ent\u00e3o, algumas partes do primeiro disco foram gravadas l\u00e1. Depois entraram o Gabriel Moraes no baixo e o Andr\u00e9 Lauer (Turco) na bateria. Mas Trabuco, Benavide e esses outros que passaram s\u00e3o Sollado tamb\u00e9m. Inclusive, o Trabuco est\u00e1 muito presente no disco. \u00c9 uma miscel\u00e2nea de gente que entra e sai e que esperamos que continue acontecendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que \u201cEntre Buscas\u201d, que praticamente foi a \u201cdesculpa\u201d para a forma\u00e7\u00e3o da banda, n\u00e3o foi gravada at\u00e9 ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFernando &#8211; A banda teve v\u00e1rias mudan\u00e7as, sa\u00eda um cara, entrava outro, e nisso a m\u00fasica ia sofrendo desconstru\u00e7\u00f5es. A m\u00fasica, no come\u00e7o, era outra coisa. A proposta era outra, a letra era outra, depois que a gente deu uma reformulada nela. At\u00e9 por isso \u00e9 a m\u00fasica que tem mais refer\u00eancia de coisa brasileira, no disco inteiro. Ent\u00e3o, ela acabou n\u00e3o sendo gravada porque, por essas mudan\u00e7as, ela acabou nunca sendo consolidada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cEnquanto o mundo inteiro avisa, voc\u00ea acha que n\u00e3o precisa e que palavras nunca tem o dom de transformar. Sendo assim, n\u00e3o se poderia esperar diferente fim\u201d. Depois de oito m\u00fasicas, com oito mensagens diferentes, essas frases da \u00faltima m\u00fasica tem algum significado especial?<\/strong><br \/>\nValter &#8211; Ambiguidade. Vemos hoje uma enorme quantidade de opini\u00f5es e (des)informa\u00e7\u00f5es e tudo isso muitas vezes despejado, ao alcance de qualquer um. As palavras parecem f\u00fateis e sem sentido diante da passividade e falta de atitude. Tipo o c\u00e3o que late e n\u00e3o morde. E esse excesso de informa\u00e7\u00e3o nos leva a necessidade de apurar nosso filtro, vendo realmente quais as palavras realmente relevantes e \u00fateis a nossa transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 a quest\u00e3o de garimpar, existem coisas boas! \u00c9 at\u00e9 uma letra mais curta e direta. Talvez um \u201cquem n\u00e3o se recicla, se fode\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais os planos para a banda daqui para frente?<\/strong><br \/>\nValter &#8211; No momento \u00e9 levar o \u00e1lbum \u00e0queles a quem podemos fazer diferen\u00e7a positiva&#8230; isso volta para gente, para que possamos assim estar em constante movimento.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Usl40uTlWwE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Rafael Donadio (Facebook:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rafael.p.donadio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rafael.p.donadio<\/a>) \u00e9 jornalista do Di\u00e1rio do Norte do Paran\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com uma identidade mais definida e com letras reflexivas, pontuais e atuais, Sollado agora \u00e9 muito mais que groove brasileiro. \u00c9 frevo, \u00e9 punk, \u00e9 \u201cforr\u00f3ck\u2019n\u2019roll psychobrega\u201d, \u00e9 samba, \u00e9 maracatu\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/02\/01\/entrevista-sollado\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":38,"featured_media":46389,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2594],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46388"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/38"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46388"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46388\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46393,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46388\/revisions\/46393"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46389"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46388"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46388"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46388"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}