{"id":46342,"date":"2008-01-13T11:28:46","date_gmt":"2008-01-13T13:28:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=46342"},"modified":"2023-03-29T00:36:59","modified_gmt":"2023-03-29T03:36:59","slug":"cinema-desejo-e-reparacao-de-joe-wright","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/01\/13\/cinema-desejo-e-reparacao-de-joe-wright\/","title":{"rendered":"Cinema: &#8220;Desejo e Repara\u00e7\u00e3o&#8221;, de Joe Wright"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-46344 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/desejo.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"636\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/desejo.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/desejo-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Jonas Lopes<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o fazer a compara\u00e7\u00e3o do filme com o livro \u2013 ainda mais quando o livro \u00e9 s\u00e9rio concorrente a melhor da d\u00e9cada (e, conseq\u00fcentemente, do s\u00e9culo) at\u00e9 agora. Mas para quem n\u00e3o esperava grande coisa, at\u00e9 que &#8220;Desejo e Repara\u00e7\u00e3o&#8221; surpreende. \u00c9 um bom filme, longe da obra-prima que \u00e9 o romance de Ian McEwan (&#8220;Repara\u00e7\u00e3o&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal diferen\u00e7a est\u00e1 na \u00eanfase no desejo em detrimento da repara\u00e7\u00e3o. Ou seja, a expia\u00e7\u00e3o da culpa de Briony Tallis perde espa\u00e7o para a paix\u00e3o de sua irm\u00e3 Cecilia (Keira Knightley melhorou como atriz) e o injusti\u00e7ado Robbie. O sofrimento de Briony carece da ambig\u00fcidade talhada a bisturi por McEwan, misturando veneno e ingenuidade. Na tela o seu ato pareceu apenas motivado por uma paix\u00e3o frustrada por Robbie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande for\u00e7a de &#8220;Repara\u00e7\u00e3o&#8221;, afinal, est\u00e1 na met\u00e1fora do poder da literatura atrav\u00e9s da mente imaginativa da menina. H\u00e1 uma passagem no livro em que Briony come\u00e7a a brincar com um dedo \u2013 dobrando-o e esticando-o \u2013, que a leva a pensar que basta uma simples ordem mental para que ele se mexesse. Como em uma hist\u00f3ria, o mundo em que o romancista \u00e9 rei. No papel, em suas narrativas, ela poderia fazer tudo. A confus\u00e3o entre real e imaginado provoca a fic\u00e7\u00e3o que Briony engendra para colocar Robbie na cadeia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando v\u00ea o casal na fonte, ela sente, no livro, um misto de surpresa e excita\u00e7\u00e3o. No filme, sente apenas horror. O moralismo do romancista que ordena o mundo conforme seus princ\u00edpios torna-se apenas uma moral como conven\u00e7\u00e3o social. Esse trecho do dedo, por sinal, \u00e9 um bom exemplo da dificuldade de transformar texto em imagem; como transpor o fluxo de pensamentos sem recorrer ao batido truque do off?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todo modo, &#8220;Desejo e Repara\u00e7\u00e3o&#8221; funciona como hist\u00f3ria de amor imposs\u00edvel. O roteiro, em geral, \u00e9 eficiente, derrapando apenas quando tenta dizer para o telespectador o que j\u00e1 havia ficado subentendido (caso de quando Briony finalmente se d\u00e1 conta de quem cometeu o crime). A dire\u00e7\u00e3o de Joe Wright (&#8220;Orgulho e Preconceito&#8221;) tamb\u00e9m \u00e9 segura (apesar do tom um tanto dramalh\u00e3o do final), e tem seu \u00e1pice em um plano-seq\u00fc\u00eancia de v\u00e1rios minutos em uma praia da Normandia, durante a guerra.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/STvqLQzeqoc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Desejo e Repara\u00e7\u00e3o&#8221; funciona como hist\u00f3ria de amor imposs\u00edvel. 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