{"id":46249,"date":"2018-01-23T00:47:45","date_gmt":"2018-01-23T02:47:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=46249"},"modified":"2018-03-27T19:39:13","modified_gmt":"2018-03-27T22:39:13","slug":"entrevista-the-dirty-fuse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/23\/entrevista-the-dirty-fuse\/","title":{"rendered":"Entrevista: The Dirty Fuse"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A gente n\u00e3o faz show. O que fazemos \u00e9 armar uma festa&#8221;. Assim dizia John Drake, baixista da banda grega The Dirty Fuse, minutos antes de comprovar na pr\u00e1tica suas palavras. Drake, Christos Kogios (bateria), Manolis Kisamitakis (saxofone), Kostas Bakoulas e Eri Kapetanaki (guitarras) haviam vindo ao Brasil pela primeira vez, e receberam a reportagem do Scream &amp; Yell no Korova 71, agradabil\u00edssimo bar em Campinas onde fariam o quinto show da sua turn\u00ea brasileira, que contaria ainda com mais seis datas, todas no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas como, voc\u00ea se pergunta, uma banda de surf music da Gr\u00e9cia vem fazer uma turn\u00ea do Brasil? Descontadas as quest\u00f5es log\u00edsticas e o trabalho do produtor Neri Melo (tamb\u00e9m baterista do Mullet Monster Mafia), a resposta para isso se encontra no \u201csexto integrante\u201d, ou integrante honor\u00e1rio da banda, Duda Victor. Paranaense, Victor morou alguns anos na Gr\u00e9cia e l\u00e1 formou a banda, juntamente com o baterista Kogios. Ele voltou ao Brasil h\u00e1 alguns anos, montou a banda Terremotor (nome de uma can\u00e7\u00e3o do Dirty Fuse), mas retornou \u00e0s fileiras da sua agremia\u00e7\u00e3o grega para tocar no ter\u00e7o final de cada uma das apresenta\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos shows, a energia punk se soma \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o igualmente en\u00e9rgica da rebetika (can\u00e7\u00f5es urbanas da Gr\u00e9cia, geralmente sobre crime, drogas e prostitui\u00e7\u00e3o, que chegaram a ser oficialmente proibidas no pa\u00eds durante parte dos anos 30 e 40). Com a velocidade se sobrepondo ao peso, o som foge dos clich\u00eas \u201cpunk ex\u00f3tico\u201d ou \u201crock mistureba\u201d, e comp\u00f5e uma m\u00fasica imediatamente assimil\u00e1vel e dan\u00e7\u00e1vel. E como boa parte de seus registros em est\u00fadio s\u00e3o ao vivo, as execu\u00e7\u00f5es no palco se assemelham muito ao registro do disco, com o b\u00f4nus da presen\u00e7a de palco da banda, que inclui o carisma de Drake, a figura \u00e0 la Poison Ivy de Eri ou as dancinhas de Christos e Manolis. E quando Duda Victor se soma ao quinteto, o clima de festa se instala de vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De cervejas de 600 ml em m\u00e3os, a banda toda (menos Eri) entabulou um papo quase t\u00e3o veloz quanto suas sequ\u00eancias de acordes. Por\u00e9m, assim como sua m\u00fasica, o resultado da velocidade n\u00e3o \u00e9 apressado, e sim algo muito agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nr7SJ4DXDBA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos come\u00e7ar pelo \u00f3bvio: o Brasil. Acredito que o pa\u00eds j\u00e1 faz parte do imagin\u00e1rio da banda faz tempo, por causa do Duda. Quanto essa viagem tem correspondido \u00e0s expectativas?<\/strong><br \/>\nJohn Drake: Para mim, tem sido melhor do que imagin\u00e1vamos que seria. As pessoas t\u00eam sido loucas \u2013 ou mais loucas do que eu esperava. Elas s\u00e3o realmente abertas [\u00e0 m\u00fasica] e de bom cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas tem se alternado entre bares e teatros nessa turn\u00ea. \u00c9 um esquema muito diferente do que voc\u00eas fazem na Gr\u00e9cia?<\/strong><br \/>\nManolis Kisamitakis: N\u00e3o mesmo. Bem, no SESC Registro sim, por causa das cadeiras. Mas j\u00e1 tocamos em lugares grandes assim. Ent\u00e3o estamos nos sentindo em casa. E a disposi\u00e7\u00e3o do p\u00fablico tem faz com que nos sintamos em casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duda Victor: O bom de voc\u00ea tocar em teatros \u00e9 que o pessoal est\u00e1 l\u00e1 pela m\u00fasica. Em bares, o pessoal vai para conversar, beber, e a m\u00fasica \u00e9 s\u00f3 mais uma coisa oferecida ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Christos Kogios: O legal de tocar em lugares pequenos, como esse aqui (Korova 71), \u00e9 que voc\u00ea realmente sente a vibra\u00e7\u00e3o das pessoas. Mas fazemos a mesma coisa onde quer que estejamos, seja um bar ou um est\u00e1dio (os outros riem). OK, seja um bar ou teatro grande, a gente se diverte muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: A gente n\u00e3o faz show. O que fazemos \u00e9 armar uma festa. E a festa pode rolar em um bar, um teatro, uma garagem. Onde chegamos, armamos a festa, seja onde for. Esse \u00e9 o nosso lema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kostas Bakoulas: Fazemos a mesma coisa e nos divertimos igual em todos os lugares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A internet abre espa\u00e7o para alguns fen\u00f4menos geogr\u00e1ficos, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 absurdo perguntar se o p\u00fablico dessa turn\u00ea j\u00e1 estava familiarizado com a m\u00fasica de voc\u00eas.<\/strong><br \/>\nJohn: A maior parte das pessoas que estamos encontrando aqui n\u00e3o sabem nada sobre o Dirty Fuse, mas tem muita gente que gosta do estilo, e entre esses sempre tem um ou outro que j\u00e1 ouviu alguma coisa na internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manolis: Mas tem o lance do nosso instrumento&#8230; Tocamos seis can\u00e7\u00f5es com o tzouras, que \u00e9 um instrumento tradicional. N\u00e3o \u00e9 comum para os brasileiros, ent\u00e3o eles ficam naquela de \u201co que \u00e9 isso?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem o \u201cfator ex\u00f3tico\u201d.<\/strong><br \/>\nManolis: Sim. E por isso o p\u00fablico presta ainda mais aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: E quem toca \u00e9 a Eri, o que tamb\u00e9m \u00e9 um \u201cfator ex\u00f3tico\u201d por ser uma mulher em uma banda majoritariamente masculina. Isso tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algumas bandas de surf music que entrevistei recentemente dizem que n\u00e3o faz sentido querer manter o g\u00eanero preso nos anos 1960 ou 1990, que foram os per\u00edodos de maior popularidade do g\u00eanero. Que \u00e9 melhor trazer influ\u00eancias de outros g\u00eaneros, tentar trazer novidade e algo mais pessoal ao g\u00eanero.<\/strong><br \/>\nManolis: Bem, n\u00e3o vamos falar de gostos pessoais (risos), mas \u00e9 certo que toda banda precisa encontrar seu terreno firme e se fortalecer a partir da\u00ed. Somos gregos, temos influ\u00eancias gregas e tocamos de acordo com isso. Acho que todas as bandas precisam ser assim, ser fieis ao que lhes \u00e9 natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kostas: Para n\u00f3s, isso foi natural. Mas n\u00e3o acho que cada banda tenha que incluir isso ou aquilo no seu som. Pode ser que alguma banda de surf pense: \u201cah, o legal \u00e9 fazer como as bandas dos anos 1960, tocar como elas, porque \u00e9 disso que gostamos\u201d. Isso pode ser legal tamb\u00e9m. Ficar pr\u00f3ximo passado ou querer evoluir, os dois podem ser bons. Se funciona, por que n\u00e3o? N\u00f3s tentamos tocar como no passado e n\u00e3o funcionou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Duda fez a maior parte dos arranjos das nossas can\u00e7\u00f5es, e ele era muito consciente da sonoridade grega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kostas: Para n\u00f3s, gregos, esse \u00e9 um som comum. Mas n\u00e3o para o Duda. Ent\u00e3o ele sabia puxar isso na gente de um modo diferente. \u00c9 como se chegasse um alem\u00e3o aqui e pirasse no samba e tentasse incorporar ao som, fazer um \u201csamba surf\u201d (risos). Foi o que o Duda fez. Ele n\u00e3o tentava tocar como um grego, mas teve o ouvido para o melhor lado dos nossos sons.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AcGj-PLRqug?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pYSl90TBCm8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PLX8n_ATakb8pG5N9FN5YeBzurQFJ0ilX6\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Conhe\u00e7a e divirta-se com uma banda de surf music da Gr\u00e9cia que preparou uma turn\u00ea de 11 datas pelo estado de S\u00e3o Paulo neste come\u00e7o de 2018. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/23\/entrevista-the-dirty-fuse\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":46251,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2572,2571],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46249"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46249"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46249\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46814,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46249\/revisions\/46814"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46251"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}