{"id":46242,"date":"2018-01-22T10:36:46","date_gmt":"2018-01-22T12:36:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=46242"},"modified":"2018-02-15T11:18:04","modified_gmt":"2018-02-15T13:18:04","slug":"entrevista-luiz-gabriel-lopes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/22\/entrevista-luiz-gabriel-lopes\/","title":{"rendered":"Entrevista: Luiz Gabriel Lopes"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">De diversas maneiras, a vida n\u00e3o anda nada f\u00e1cil no Brasil destes dias incertos, mas o m\u00fasico mineiro Luiz Gabriel Lopes consegue tirar da m\u00fasica a esperan\u00e7a para um futuro melhor, e canta em \u201c1986\u201d, faixa que abre seu terceiro disco solo, \u201cMANA\u201d, que segue \u201ctransformando a f\u00e9 em uma ora\u00e7\u00e3o para se cantar\u201d. Lan\u00e7ado de forma independente pelo pr\u00f3prio m\u00fasico, e <a href=\"http:\/\/www.lglopes.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dispon\u00edvel para audi\u00e7\u00e3o e download gratuito em seu site oficial<\/a>, \u201cMANA\u201d (2017) avan\u00e7a no territ\u00f3rio aberto por \u201cPassando Portas\u201d (2010) e \u201cO Fazedor de Rios\u201d (2015), e adaptando uma frase no encarte de seu disco de estreia, a m\u00fasica de Luiz Gabriel Lopes \u00e9 \u201cum trabalho em progresso\u201d constante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 verdade que a t\u00f4nica estil\u00edstica que me move enquanto compositor tem suas ra\u00edzes nessa m\u00fasica brasileira dos anos 60\/70, mas devo dizer que sou um ouvinte atento aos trabalhos dos meus contempor\u00e2neos\u201d, avisa Luiz Gabriel em bate papo por e-mail. Em 2017, o m\u00fasico, que ainda se divide entre as bandas Graveola e Ti\u00e3o Du\u00e1, comp\u00f4s em parceria com Ava Rocha, Romulo Fr\u00f3es, Barro e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/18\/entrevista-maglore-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Teago (Maglore)<\/a>, al\u00e9m de dividir com C\u00e9sar Lacerda a produ\u00e7\u00e3o de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/09\/26\/tres-perguntas-flavio-tris\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sol Velho Lua Nova<\/a>\u201d, do Fl\u00e1vio Tris, e de assumir a fun\u00e7\u00e3o em mais dois trabalhos vindouros o disco da Laura Catarina, e o disco do T\u00e9o Nic\u00e1cio. \u201cVejo a cena brasileira com muito interesse, tem coisas maravilhosas sendo feitas em todo canto\u201d, avisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMANA\u201d conta com participa\u00e7\u00f5es de Ceumar (\u201cUma voz que me emociona muito\u201d) e Maur\u00edcio Pereira (\u201cUm cara que eu admiro h\u00e1 muito tempo\u201d) e foi gravado em S\u00e3o Paulo, no est\u00fadio Minduca, por Lenis Rino, \u201cum cara muito vers\u00e1til, um m\u00fasico que eu j\u00e1 conhecia pelas conex\u00f5es dele com a cena de BH, e que sempre admirei\u201d, explica. Em um momento tenso de extremos (num ano de Copa do Mundo e elei\u00e7\u00f5es pol\u00edticas), Luiz Gabriel busca acrescentar paz e calma ao dia-a-dia. \u201cA m\u00fasica cria realidades, o que eu fa\u00e7o \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o humilde e de cora\u00e7\u00e3o pras energias do planeta\u201d, acredita, e completa: \u201cA gente sabe que tem muita coisa errada rolando, muita descren\u00e7a, mas \u00e9 importante cantar \u2018o que \u00e9 bom permanecer\u00e1\u2019\u201d. Confira o bate papo.<\/p>\n<p><em>Luiz Gabriel Lopes (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lglopesbr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb\/lglopesbr<\/a>) apresenta &#8220;MANA&#8221; em S\u00e3o Paulo nos dias 17\/02 no MAM-SP e no dia 18\/02 no SESC Campo Limpo. Acompanhe as novidades no Facebook: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lglopesbr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb\/lglopesbr<\/a><\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9mkx6sOjfho?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMANA\u201d \u00e9 seu terceiro disco solo, e a primeira coisa que senti foi uma sonoridade mais leve, mais alegre que nos dois anteriores, ainda que os tr\u00eas mantenham em foco essa paix\u00e3o que voc\u00ea sente pela m\u00fasica brasileira da primeira metade dos anos 70. Como voc\u00ea v\u00ea \u201cMANA\u201d na sua discografia?<\/strong><br \/>\nInteressante. Penso que sim, a alegria pode ser uma chave pra entender o que eu chamaria de uma escolha pela claridade: esse \u00e9 um trabalho onde busquei conscientemente me aproximar de tonalidades mais solares do meu trabalho, no intuito de uma proposi\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica \/ sensorial que caminhasse nessa dire\u00e7\u00e3o, como uma esp\u00e9cie de &#8220;proje\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica&#8221;, positiva e propositiva, nesses tempos \u00e1ridos. Nos \u00faltimos anos, comecei a perceber com mais for\u00e7a a responsabilidade que \u00e9 soltar um disco no mundo. A m\u00fasica tem esse estranho poder de ressoar infinitas vezes, e se misturar \u00e0 vida das pessoas de forma muito \u00edntima. Da\u00ed a vontade de fazer um trabalho que proporcionasse um mergulho interior otimista, emanando um sentimento de comunidade, de cren\u00e7a nas coisas que valem a pena, apesar de todo o contexto de desesperan\u00e7a que nos rodeia. Como artista, tento colocar meu cora\u00e7\u00e3o e minha inspira\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o desse sentimento. Como diz aquela can\u00e7\u00e3o do Lulu Santos, &#8220;eu vejo a vida melhor no futuro&#8221;, \u00e9 basicamente disso que o disco trata. Sobre as inspira\u00e7\u00f5es propriamente musicais, \u00e9 verdade que a t\u00f4nica estil\u00edstica que me move enquanto compositor tem suas ra\u00edzes nessa m\u00fasica brasileira dos anos 60\/70, mas devo dizer que sou um ouvinte atento aos trabalhos dos meus contempor\u00e2neos. Estamos num momento onde o estilha\u00e7o de refer\u00eancias \u00e9 t\u00e3o grande que acaba por criar um grande v\u00e1cuo de caminhos, no qual muita coisa boa e inusitada pode surgir: acho muito rico isso. A fertilidade da produ\u00e7\u00e3o musical atual no Brasil me alimenta muito. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, 2017 foi o ano em que ampliei significativamente meu leque de colabora\u00e7\u00f5es composicionais, e de maneira muito plural tive o prazer de comp\u00f4r em parceria com artistas que muito admiro: desde a Ava Rocha e o Romulo Fr\u00f3es at\u00e9 o Barro e o Teago da Maglore. Comp\u00f4r em parceria \u00e9 um aprendizado, um desafio. Sem d\u00favida tudo isso acaba por engrossar o meu caldo particular de influ\u00eancias, e reverbera na minha discografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A sonoridade&#8230;<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 era uma vontade fazer um trabalho mais el\u00e9trico, mais enxuto, mais simples. Menos elementos, mais generosidade com as can\u00e7\u00f5es em si, a melodia, a letra, a voz. Existe uma tradi\u00e7\u00e3o muito &#8220;maximalista&#8221; em Belo Horizonte, que gera frutos maravilhosos, mas sem querer tamb\u00e9m acaba desempenhando uma esp\u00e9cie de patrulha psicol\u00f3gica, como se o simples n\u00e3o fosse legal&#8230; uma coisa de dentro da cabe\u00e7a da gente, mesmo. Da\u00ed, conseguir me desvencilhar disso e apontar numa outra dire\u00e7\u00e3o, foi pra mim, um desafio. No in\u00edcio, os shows com a banda ainda tinham viol\u00e3o em algumas m\u00fasicas, mas me lembro que a proposta de radicalizar e fazer tudo na guitarra veio num show que fizemos no Mundo Pensante, em SP. Passamos o som com viol\u00e3o e guitarra, mas minutos antes de subir no palco resolvi testar fazer tudo na guitarra, lembro que apanhei muito pra transpor os arranjos, pois a l\u00f3gica \u00e9 totalmente diferente, mas foi um passo interessante, que ajudou a definir a sonoridade com mais clareza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 um raro m\u00fasico estradeiro, que viaja mostrando suas can\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios cantos do mundo. Essas viagens influenciaram &#8220;MANA&#8221;?<\/strong><br \/>\nAs muitas viagens que fiz nos \u00faltimos anos foram pela m\u00fasica e para a m\u00fasica. N\u00e3o tenho d\u00favidas de que o processo de mergulhar mais profundamente na estrada, inventando circuitos, conhecendo pessoas e culturas de tantos lugares diferentes, foi o grande catalisador criativo que me moveu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 energia do disco. \u00c9 verdade que eu j\u00e1 vinha de uma kilometragem razoavelmente grande de turn\u00eas internacionais, principalmente com o Graveola e o Ti\u00e3oDu\u00e1, mas foi talvez o mergulho em modo &#8220;solo&#8221; (e algumas vezes, em duo com o T\u00e9o Nic\u00e1cio), pelos rinc\u00f5es dos Brasis, que me trouxe propriamente algumas intui\u00e7\u00f5es que se materializaram no som do &#8220;MANA&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na mesma pegada das viagens, voc\u00ea \u00e9 um artista extremamente prolifico, que se divide entre carreira solo e outras duas bandas al\u00e9m de projetos como o disco do Fl\u00e1vio Tris. Como decidir o que \u00e9 LG Lopes, o que \u00e9 Graveola e o que \u00e9 Ti\u00e3oDu\u00e1?<\/strong><br \/>\nNo meu caso, essa versatilidade profissional surge como a mistura de dois tra\u00e7os: uma necessidade art\u00edstica de express\u00e3o em diferentes campos e projetos, e o instinto de sobreviv\u00eancia mesmo, pra conseguir pagar minhas contas trabalhando com projetos em que estou verdadeiramente imbu\u00eddo, de cora\u00e7\u00e3o e esp\u00edrito. No que toca \u00e0s composi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o tenho uma clareza a priori do que vai pra cada lugar mas \u00e9 a pr\u00f3pria obra que organiza a si mesma, numa multiplicidade de caminhos desenhados de modo org\u00e2nico. Claro que os processos criativos que cada projeto percorre s\u00e3o bem distintos, mas o \u00edmpeto inicial \u00e9 basicamente o mesmo, que \u00e9 a experi\u00eancia de mundo, a express\u00e3o dos sentimentos e imagens que formam essa experi\u00eancia. Como um arbusto que se ramifica a partir das mesmas ra\u00edzes, uma cosmovis\u00e3o repartida em \u00e2ngulos e colora\u00e7\u00f5es particulares, mas que emana de um mesmo centro. J\u00e1 nos trabalhos onde atuo como produtor musical \/ diretor art\u00edstico, rola um exerc\u00edcio distinto, de um olhar mais distanciado, e portanto mais anal\u00edtico. \u00c9 algo relativamente novo na minha vida, isso de dirigir trabalhos de outros artistas, mas os convites que t\u00eam surgido s\u00e3o quase sempre irrecus\u00e1veis, dada a paix\u00e3o que me move na dire\u00e7\u00e3o deles. Esse ano ocupei esse papel em tr\u00eas trabalhos: al\u00e9m do \u201cSol Velho Lua Nova\u201d, do Fl\u00e1vio Tris, que fiz em parceria com o C\u00e9sar Lacerda, h\u00e1 dois trabalhos em processo de produ\u00e7\u00e3o, ambos de estr\u00e9ia: o disco da Laura Catarina, e o disco do T\u00e9o Nic\u00e1cio. Saem neste ano, e tenho a alegria de poder dizer que sim, est\u00e3o ficando lindos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;MANA&#8221; segue o modelo de &#8220;O Fazedor de Rios&#8221;, que contava com Chico C\u00e9sar, Gustavito e Laura Catarina, e inclui algumas participa\u00e7\u00f5es especiais: Mauricio Pereira, Ceumar e T\u00e9o Nic\u00e1cio, que toca o baixo no disco. Como rolou a aproxima\u00e7\u00e3o com eles e a participa\u00e7\u00e3o de cada um no \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nPenso que isso das participa\u00e7\u00f5es \u00e9 um recurso que ajuda a contar uma hist\u00f3ria, estabelecer hipertextos, tra\u00e7ar mapas. Ceumar e Maur\u00edcio Pereira s\u00e3o figuras de refer\u00eancia pra mim, j\u00e1 h\u00e1 bastante tempo, cada um num campo muito particular do meu afeto. Da\u00ed pensei que t\u00ea-los como vozes convidadas ampliaria a paleta de cores e sentidos daquelas can\u00e7\u00f5es, e sinto que a narrativa do \u00e1lbum tamb\u00e9m ganha nuances especiais com esse jogo. \u00c9 como um lance meio cinematogr\u00e1fico mesmo, de aproximar mundos&#8230; a voz \u00e9 um instrumento muito pict\u00f3rico. Eu ou\u00e7o o Mauricio cantar a primeira frase de &#8220;Apologia&#8221; e me v\u00eam tantas camadas de coisas n\u00e3o-ditas, nesse misterioso subtexto t\u00edmbrico &amp; interpretativo da voz&#8230; acho um fen\u00f4meno muito intrigante. O mesmo com a Ceumar, \u00e9 uma voz que me emociona muito, tem algo de t\u00e3o profundamente cristalino&#8230; Amo muito a presen\u00e7a deles no disco. Com o T\u00e9o, conta tamb\u00e9m o lance da participa\u00e7\u00e3o dele muito forte no disco, e especialmente naquela can\u00e7\u00e3o (&#8220;381 Blues&#8221;). Foi uma m\u00fasica feita em parceria, durante uma viagem de carona que fizemos pro sul da Bahia&#8230; al\u00e9m disso, ele canta em v\u00e1rios momentos do show, a voz dele tamb\u00e9m faz parte da estrutura-base do disco, da\u00ed foi algo bastante natural t\u00ea-lo dividindo o lead naquela faixa e somando em vocais em v\u00e1rias outras.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iEwQQIXAUZ8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Grande parte das can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum s\u00e3o suas, com exce\u00e7\u00e3o de &#8220;Matan\u00e7a&#8221;, do Augusto Jatob\u00e1, e &#8220;Caboclin&#8221;, do Gustavito e do Thiago Braz. Como essas duas can\u00e7\u00f5es se encaixaram no conceito do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\n&#8220;Caboclin&#8221; \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o que eu vi nascer, e me emocionou desde a primeira vez que ouvi. Me toca num ponto especialmente profundo, de reconhecimento daquelas imagens e sensa\u00e7\u00f5es, de um jeito ancestral&#8230; Sou muito f\u00e3 dos meus contempor\u00e2neos mineiros. E apesar de ter material de sobra para fazer um disco s\u00f3 com composi\u00e7\u00f5es minhas, eu tinha vontade de gravar no disco algo de outros compositores. Colocar-se no papel do int\u00e9rprete \u00e9 algo que me parece importante, no sentido de tra\u00e7ar uma cartografia das pr\u00f3prias conex\u00f5es, de um pertencimento hist\u00f3rico a um determinado contexto, e construir a narrativa do \u00e1lbum tamb\u00e9m com esse &#8220;sampleamento&#8221; de outras obras. J\u00e1 &#8220;Matan\u00e7a&#8221; \u00e9 uma regrava\u00e7\u00e3o no sentido cl\u00e1ssico: \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o do Augusto Jatob\u00e1, um dos grandes hits do folk-rural-nordestino dos anos 80, que foi lan\u00e7ado pelo Xangai. Quando crian\u00e7a, ouv\u00edamos muito a grava\u00e7\u00e3o ao vivo do &#8220;Cantoria&#8221;, aquele precioso par de discos que juntou Xangai, Elomar, Vital Farias e Geraldo Azevedo&#8230; l\u00e1 em casa, t\u00ednhamos os dois vinis. Eu e minha irm\u00e3 sab\u00edamos cantar a letra de v\u00e1rias m\u00fasicas, mas essa era um desafio, lembrar todos aqueles nomes de \u00e1rvores, hehehe&#8230; Da\u00ed por uma sincronia muito maluca, em 2014, o Xangai participou de um show que fiz no Festival Vozes do Brasil, a convite da Patricia Palumbo, em BH. Pintou a id\u00e9ia, fizemos o arranjo, ficou massa, logo rolou o insight de incluir essa vers\u00e3o no repert\u00f3rio do disco&#8230; e assim foi feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea v\u00ea a cena musical brasileira hoje, no geral, e a cena mineira, em particular? Como \u00e9, para voc\u00ea, esse momento que a gente est\u00e1 vivendo?<\/strong><br \/>\nViajo muito nos meus contempor\u00e2neos, gosto de sacar compositores que t\u00e3o produzindo e lan\u00e7ando coisas em cada cidade. Acho que \u00e9 uma das grandes piras da internet, essa coisa do acesso irrestrito as sons que est\u00e3o sendo produzidos mundo afora&#8230; Eu vejo a cena brasileira com muito interesse, tem coisas maravilhosas sendo feitas em todo canto, muita gente talentosa, for\u00e7as incr\u00edveis atuando em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es. Aprendo muito, troco muito com o rol\u00ea. O mercado tamb\u00e9m vai se transformando, ainda que num escopo que infelizmente n\u00e3o d\u00e1 conta de escoar grande parte dessa produ\u00e7\u00e3o independente. Da\u00ed tem que ser meio pesquisador mesmo, ir um pouco mais fundo nas buscas&#8230; O nosso cen\u00e1rio tem crescido muito, mas sinto que ainda temos pela frente uma grande estrutura\u00e7\u00e3o por ser feita, em termos de circuito&#8230; tamos caminhando, fortalecendo. Se todo mundo ajuda um pouco a levantar o corre, sem olhar s\u00f3 pro pr\u00f3prio umbigo, a coisa vai longe, eu boto f\u00e9 e vejo coisas concretas rolando nesse caminho. Em BH, especificamente, eu percebo que tem uma mir\u00edade de gente foda criando coisas incr\u00edveis, me inspiro muito pelo cen\u00e1rio que brota da cidade. Mas \u00e9 importante que a galera tamb\u00e9m atente pra necessidade de sair, levar o som a ser ouvido em outras pra\u00e7as, fazer as parada rodar. N\u00e3o s\u00f3 por ser o imperativo pra qualquer trampo que queira criar sua pr\u00f3pria sustentabilidade, mas tamb\u00e9m pelo combust\u00edvel que isso d\u00e1 no nosso pr\u00f3prio quadro de refer\u00eancias. Me sinto muito vivo nessa hist\u00f3ria, hoje troco ideia com muita gente gra\u00e7as \u00e0 m\u00fasica e isso s\u00f3 faz crescer meu amor pela parada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma mensagem em \u201cMANA\u201d?<\/strong><br \/>\nEu sempre acredito que um disco \u00e9 como uma carta de inten\u00e7\u00f5es. \u00c9 um lance que vai ficar vibrando no ar, at\u00e9 sabe-se l\u00e1 quando, a gente perde totalmente o controle do alcance e do significado que aqueles sons v\u00e3o criar em torno de si. Acho que a responsabilidade de lan\u00e7ar um disco tem a ver com a perspectiva da qual cada um escolhe enxergar o mundo. Eu entendo super quem se prop\u00f5e a meter o dedo na ferida, \u00e9 importante tamb\u00e9m, mas com o tempo eu fui entendendo que a minha escolha passa por outro lugar. Eu escolho vibrar na frequ\u00eancia do que eu quero pra mim, do que eu acredito que \u00e9 necess\u00e1rio pra mim e pro mundo. \u00c9 uma coisa de cultivar as utopias mesmo, n\u00e3o perder de vista a luz no fim do t\u00fanel. A gente sabe que tem muita coisa errada rolando, muita descren\u00e7a, mas \u00e9 importante cantar &#8220;o que \u00e9 bom permanecer\u00e1&#8221;. A m\u00fasica cria realidades, o que eu fa\u00e7o \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o humilde e de cora\u00e7\u00e3o pras energias do planeta.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mhs2a2BddJo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Jo\u00e3o Lima \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cA m\u00fasica cria realidades, o que eu fa\u00e7o \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o humilde e de cora\u00e7\u00e3o pras energias do planeta\u201d, acredita Luiz Gabriel, que est\u00e1 lan\u00e7ando &#8220;MANA&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/22\/entrevista-luiz-gabriel-lopes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":46243,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2444],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46242"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46242"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46242\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46246,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46242\/revisions\/46246"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46243"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}