{"id":46215,"date":"2018-01-19T09:28:50","date_gmt":"2018-01-19T11:28:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=46215"},"modified":"2018-02-14T00:50:06","modified_gmt":"2018-02-14T02:50:06","slug":"entrevista-marcatti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/19\/entrevista-marcatti\/","title":{"rendered":"Entrevista: Marcatti"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcos.paulino.313?\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Marcos Paulino<\/strong><\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.marcatti.com.br\/loja\/index.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O site de Marcatti<\/a> adverte os visitantes: \u201cHist\u00f3rias em quadrinhos nojentas e desaconselh\u00e1veis a todas as idades\u201d. N\u00e3o \u00e9 verdade. O trabalho que o quadrinista oferece ali \u00e9 muito recomend\u00e1vel. Aos 55 anos, o paulistano Francisco Marcatti Jr. tem uma longa jornada dedicada aos quadrinhos, iniciada quando, aos 15 anos, teve duas hist\u00f3rias publicadas na revista \u201cPapagaio\u201d, feita por alunos do Col\u00e9gio Equipe, onde ele nunca estudou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na edi\u00e7\u00e3o de abril de 1979 da revista \u201cBoca\u201d, publica sua primeira HQ em que exibe a influ\u00eancia do comix underground de Gilbert Shelton e Robert Crumb. No ano seguinte, com o dinheiro de uma heran\u00e7a, compra uma impressora off-set de mesa, e assim, al\u00e9m de escrever, editar e desenhar suas hist\u00f3rias, passa tamb\u00e9m a imprimir, dobrar, grampear e distribuir as diversas revistas de sua autoria. Simultaneamente \u00e0 sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o, Marcatti colaborou com revistas como \u201cChiclete com Banana\u201d, \u201cMad\u201d e \u201cCasseta &amp; Planeta\u201d, al\u00e9m de ter feito as capas dos \u00e1lbuns \u201cAnarkophobia\u201d e \u201cBrasil\u201d, da banda Ratos de Por\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2001, criou aquele que \u00e9 provavelmente seu personagem mais conhecido, Frauzio, para uma revista mensal, lan\u00e7ada pela Editora Escala e distribu\u00edda em bancas de jornal. Hoje, a HQ de Frauzio \u00e9 trimestral e pode ser comprada no site do autor, assim como seus demais t\u00edtulos. No ano passado, Marcatti participou da 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o do FLIQ (Festival Limeirense de Quadrinhos), assim como tem feito com todos os eventos onde \u00e9 poss\u00edvel divulgar seu trabalho, conforme conta na entrevista a seguir ao <a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mundo Plug<\/a>, parceiro do Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.marcatti.com.br\/loja\/index.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-46217 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/frauzio1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"890\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/frauzio1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/frauzio1-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.marcatti.com.br\/loja\/index.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>http:\/\/www.marcatti.com.br<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00ea se descobriu artista?<\/strong><br \/>\nQuando era bem pequeno, vivia quebrando coisas e minha m\u00e3e dizia que eu s\u00f3 fazia \u201carte\u201d. At\u00e9 hoje, continuo apanhando por ter escolhido essa profiss\u00e3o. [Risos] Falando s\u00e9rio, n\u00e3o me considero artista. Prefiro me perceber como um profissional de comunica\u00e7\u00e3o. Aquilo que fa\u00e7o depende da participa\u00e7\u00e3o do leitor. N\u00e3o quero fazer algo pessoal e fruto exclusivo de mim. Quando crio uma HQ, produzo s\u00f3 a metade do trabalho. A outra metade \u00e9 conclu\u00edda individualmente na cabe\u00e7a e na alma de cada leitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O humor muitas vezes escatol\u00f3gico sempre foi sua voca\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSou \u201cfilho\u201d da contracultura. Meu objetivo sempre foi provocar e questionar, e o humor \u00e9 a mais poderosa forma de criar desconforto. A primeira vez que algu\u00e9m usou a palavra \u201cescatol\u00f3gico\u201d para descrever meu trabalho, fui buscar seu significado no dicion\u00e1rio. Fiquei fascinado pelo fato de ter duas defini\u00e7\u00f5es t\u00e3o diferentes. Abordar excrementos e etc. \u00e9 a parte divertida. Mas a segunda defini\u00e7\u00e3o, que trata do estudo do fim do mundo sob o aspecto b\u00edblico, me deixou mais inspirado. Com toda a intelig\u00eancia e sabedoria que o bicho-homem tem, \u00e9 um desperd\u00edcio de neur\u00f4nios passar a vida discutindo e especulando sobre o fim de sua pr\u00f3pria esp\u00e9cie. Do ponto de vista individual, a morte \u00e9 um tema importante, mas o fim da esp\u00e9cie me soa como amea\u00e7a vazia de um poder in\u00f3cuo. \u00c9 hil\u00e1rio, pueril e inspirador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para criar seus personagens, voc\u00ea se inspirou em pessoas de carne e osso?<\/strong><br \/>\nSim e n\u00e3o. Procuro jamais individualizar minhas observa\u00e7\u00f5es. Minhas personagens s\u00e3o um pouco de todos n\u00f3s. Cada uma carrega alguns v\u00edcios de comportamento que, de um modo ou de outro, todos temos. N\u00e3o me inspiro em pessoas, mas no comportamento de algumas delas, incluindo de mim mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 da mesma gera\u00e7\u00e3o do Laerte, do Angeli e do Glauco. Por que foi por um caminho t\u00e3o diferente do deles?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 dif\u00edcil de explicar em poucas palavras&#8230; De uma forma mais ampla, posso ser considerado da mesma gera\u00e7\u00e3o dessa turma maravilhosa e inspiradora. E fa\u00e7o quest\u00e3o de incluir Luiz G\u00ea nessa lista! Mas tenho em torno de 10 anos de diferen\u00e7a de idade com rela\u00e7\u00e3o a eles. Quando o Laerte tinha 20 anos, eu tinha 11, por exemplo. Comecei a fazer HQs quando esses monstros j\u00e1 eram minha refer\u00eancia. Junto com a carga de influ\u00eancia com a qual eles me inundaram, vieram os desdobramentos sociais e culturais de quase uma d\u00e9cada. Incluindo os desdobramentos que eles provocaram!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.marcatti.com.br\/loja\/detalhes.asp?id=349&amp;cat=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-46218 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/rdp.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"890\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/rdp.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/rdp-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que decidiu produzir sozinho toda a sua obra?<\/strong><br \/>\nTenho muita pressa! Olho meu trabalho como um conjunto e preciso v\u00ea-lo realizado dessa forma. Quest\u00f5es de mercado, grades de programa\u00e7\u00e3o editorial e toda essa conversa business me enchem o saco. Por conta do conte\u00fado, meu trabalho n\u00e3o \u00e9 comercialmente vi\u00e1vel, mas minha postura de trabalho segue a l\u00f3gica da ind\u00fastria. Nenhuma editora s\u00e9ria teria capacidade de escoar a velocidade de t\u00edtulos que produzo. Al\u00e9m do mais, n\u00e3o sei dizer se gosto mais de desenhar ou de imprimir! [Risos]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea conseguiu viabilizar esse trabalho solit\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nNo final da d\u00e9cada de 1970, estudei na Escola Senai de Artes Gr\u00e1ficas. L\u00e1, tomei contato com os processos de produ\u00e7\u00e3o e impress\u00e3o gr\u00e1fica. Eu fazia minhas HQs e j\u00e1 sabia que Gilbert Shelton, nos EUA, e Hunt Emerson, na Gr\u00e3 Bretanha, imprimiram, eles mesmos, suas revistas. Em 1980, recebi o dinheiro de uma pequena heran\u00e7a e comprei uma m\u00e1quina offset. Ruim pra caralho! Mas \u00e9 a ela que devo todo meu esp\u00edrito de produzir e produzir e produzir&#8230; Em pouco mais de dez anos, de 1981 a 1993, criei e imprimi perto de 35 t\u00edtulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Financeiramente, \u00e9 vi\u00e1vel se manter cuidando de todo o processo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 claro que n\u00e3o! H\u00e1 anos venho vivendo exclusivamente de HQs. \u00c9 dif\u00edcil, para n\u00e3o dizer quase imposs\u00edvel. Mas, no Brasil, n\u00e3o conhe\u00e7o uma profiss\u00e3o honesta que seja bem remunerada. Se foder fazendo o que gosta n\u00e3o \u00e9 um \u201cprivil\u00e9gio\u201d de quadrinistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje voc\u00ea vende sua produ\u00e7\u00e3o pelo site. Onde mais os f\u00e3s podem encontrar suas revistas?<\/strong><br \/>\nCom a fascinante e hist\u00f3rica explos\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o independente de HQs que o pa\u00eds vem testemunhando, feiras e eventos t\u00eam ocorrido no Brasil todo. Na medida do poss\u00edvel, procuro estar presente em todos os eventos que promovam a liga\u00e7\u00e3o direta entre autor e leitor. Feiras como a FLIQ, de Limeira, da qual participei no ano passado, t\u00eam sido fundamentais no estreitamento dessa rela\u00e7\u00e3o. Costumo dizer que a melhor parte de ser autor independente \u00e9 conhecer seu leitor pelo nome e sobrenome!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Levando em conta todas as etapas, da cria\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias \u00e0 sua impress\u00e3o e posterior venda, qual \u00e9 a mais dif\u00edcil?<\/strong><br \/>\nSem sombra de d\u00favida, vender \u00e9 a parte mais dif\u00edcil. \u00c9 doloroso conversar com um leitor e apreciador do seu trabalho e, de repente, ter de interromper a conversa com a pergunta \u201cd\u00e9bito ou cr\u00e9dito?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Das publica\u00e7\u00f5es com as quais colaborou, qual te deixou mais feliz?<\/strong><br \/>\nJamais me envolvi ou colaborei com outras publica\u00e7\u00f5es sem estar motivado ou criativamente estimulado. N\u00e3o h\u00e1 predileta. Cada uma guarda peculiaridades e contextualiza\u00e7\u00f5es que s\u00f3 me d\u00e3o orgulho e saudade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 fez a graphic novel &#8220;Mariposa&#8221; e adaptou o romance &#8220;A Rel\u00edquia&#8221;, de E\u00e7a de Queiroz. O que achou dessas experi\u00eancias?<\/strong><br \/>\nEssas experi\u00eancias s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto diferentes entre si. Sob meu ponto de vista, divido meu trabalho em tr\u00eas \u201cpernas\u201d: novelas, adapta\u00e7\u00f5es e provoca\u00e7\u00f5es. Como a \u201cMariposa\u201d, tamb\u00e9m lancei \u201cA Risada de Arnaldo\u201d e \u201cCavacos\u201d. Adaptei \u201cA Rel\u00edquia\u201d, de E\u00e7a de Queiroz, e estou adaptando \u201cOs Miser\u00e1veis\u201d, de Victor Hugo, para a Cia das Letras. Comparando com o processo mec\u00e2nico, a gente precisa fazer um furo para depois fazer uma rosca. Com uma broca, fazemos um furo e, delicadamente, passamos o \u201cmacho\u201d para criar os fusos&#8230; Nas adapta\u00e7\u00f5es, fa\u00e7o o furo, passo os tr\u00eas machos e sopro v\u00e1rias vezes para garantir que n\u00e3o sobrem limalhas nos veios das roscas. Nas novelas, eu passo machos de diferentes medidas, for\u00e7ando e revolvendo meu tema at\u00e9 quase espanar a rosca. E, com o Frauzio, eu fa\u00e7o o furo com prego e for\u00e7o o parafuso at\u00e9 sair sangue do buraco!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea est\u00e1 planejando para o futuro pr\u00f3ximo?<\/strong><br \/>\nFazer HQs! Muitas HQs! Viver s\u00f3 tem gra\u00e7a quando se vive. Cada minuto dedicado a fazer planos \u00e9 desperdi\u00e7ado em vivenciar e saborear tudo aquilo que se pode e se disp\u00f5e a fazer.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.marcatti.com.br\/loja\/detalhes.asp?id=342&amp;cat=12\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-46219 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/print_vicios_1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"840\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/print_vicios_1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/print_vicios_1-214x300.jpg 214w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcos.paulino.313?\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcos Paulino<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista editor do site Mundo Plug (<a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.mundoplug.com<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Sou &#8216;filho&#8217; da contracultura. 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