{"id":46205,"date":"2018-01-18T09:16:28","date_gmt":"2018-01-18T11:16:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=46205"},"modified":"2021-11-04T23:35:19","modified_gmt":"2021-11-05T02:35:19","slug":"cinema-me-chame-pelo-seu-nome-de-luca-guadagnino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/18\/cinema-me-chame-pelo-seu-nome-de-luca-guadagnino\/","title":{"rendered":"Cinema: \u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d, de Luca Guadagnino"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-46207 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/mechame.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"661\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/mechame.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/mechame-204x300.jpg 204w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado no in\u00edcio de 2017 no Festival de Sundance, \u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d (\u201cCall Me By Your Name\u201d) surgiu como um filme pequeno, de car\u00e1ter independente, e foi crescendo durante o ano, ap\u00f3s seu lan\u00e7amento comercial nos Estados Unidos e em alguns pa\u00edses da Europa, terminando 2017 na lista de melhores filmes do National Board of Review e do American Film Institute (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?s=%22Me+Chame+Pelo+Seu+Nome%22\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e de alguns votantes do Melhores do Ano Scream &amp; Yell<\/a>), al\u00e9m disso, e tem se tornado presen\u00e7a constante em premia\u00e7\u00f5es como o Globo de Ouro, o Critics&#8217; Choice Awards e o Independent Spirit Award, colocando seu nome entre os cotados da corrida pelo Oscar 2018. Tendo o nome do brasileiro Rodrigo Teixeira entre seus produtores, \u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d foi exibido no Festival do Rio ano passado e chega agora as salas de cinemas brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d acompanha o jovem Elio em seu despertar sexual perante a presen\u00e7a de um novo aluno de seu pai, que passa a residir junto da fam\u00edlia em sua casa de ver\u00e3o, em algum lugar ao norte da It\u00e1lia. Como um cl\u00e1ssico romance pequeno burgu\u00eas na Europa, o filme acompanha de forma delicada esse fervor do primeiro amor, em meio \u00e0s tens\u00f5es da sexualidade d\u00fabia de ambos. Adaptado do romance de mesmo nome do norte-americano Andr\u00e9 Aciman, \u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d vem sendo desenvolvido desde 2007, ano de lan\u00e7amento do livro. A ideia inicial era que o italiano Luca Guadagnino (de \u201cUm Sonho de Amor\u201d, 2009) e o norte-americano James Ivory co-dirigissem o longa, por\u00e9m o resultado final foi Luca na dire\u00e7\u00e3o e James respons\u00e1vel pelo roteiro, que remete ao auge da produ\u00e7\u00e3o \u201cMerchant-Ivory\u201d: \u201cRetorno a Howards End\u201d (1992) e \u201cUm Janela para o amor\u201d (1985), e mais diretamente ao cl\u00e1ssico \u201cMaurice\u201d (1987), drama tamb\u00e9m de tem\u00e1tica homossexual. De todo modo, \u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d \u00e9 mais solar e apaixonado do que \u201cMaurice\u201d, um longa que falava mais sobre repress\u00e3o e medo, em contraste \u00e0 liberdade e as descobertas desse novo lan\u00e7amento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dire\u00e7\u00e3o de Guadagnino \u00e9 a respons\u00e1vel por dar um tom leve ao filme, que entre banhos na piscina, leituras pela casa e conversais triviais, cria uma tens\u00e3o sexual latente, que pulsa como se retorn\u00e1ssemos a nossa profus\u00e3o de horm\u00f4nios adolescentes. Desde os primeiros takes, com est\u00e1tuas de m\u00e1rmore a exaltar a beleza masculina grega cl\u00e1ssica, fica claro que a est\u00e9tica tem importante fun\u00e7\u00e3o no filme, tanto na constru\u00e7\u00e3o do desejo desses personagens quanto na constru\u00e7\u00e3o do universo onde eles transitam, criando uma alegoria de pungente beleza visual. O resultado t\u00e3o charmoso \u00e9 o encontro de atua\u00e7\u00f5es precisas do elenco, em especial do jovem Timoth\u00e9e Chalamet, e de uma cuidadosa fotografia, de responsabilidade do tailand\u00eas Sayombhu Mukdeeprom (que trabalhou ao lado de Apichatpong Weerasethakul em \u201cTio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas\u201d, de 2010). De takes bem constru\u00eddos e cores marcantes (o azul cristalino, o verde-\u00e1gua e aquele amarelado do sol entrando pelas janelas), destaca-se tamb\u00e9m o figurino, que \u00e9 o ponto mais marcante na reconstru\u00e7\u00e3o de \u00e9poca (a hist\u00f3ria se passa em 1983). Al\u00e9m disso, a trilha d\u00e1 um tom de saudosa melancolia ao filme, em especial as can\u00e7\u00f5es assinadas por Sufjan Stevens, que ficam na cabe\u00e7a do espectador ao final da proje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KQT32vW61eI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos destaques da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 Michael Stuhlbarg, na pele do pai de Elio; sua delicadeza ao interpretar o texto e a transcender o n\u00e3o-dito \u00e9 marcante, tanto que seu nome \u00e9 um forte candidato ao posto de concorrente ao Oscar de Ator Coadjuvante. Armie Hammer, como Oliver, sedimenta aqui seu car\u00e1ter de gal\u00e3, mas, mesmo assim, ele surge praticamente como uma escada para Chalamet, a real estrela do filme. Presente no tamb\u00e9m cotado ao Oscar \u201cLady Bird\u201d (2017), Timoth\u00e9e Chalamet consegue congregar de forma s\u00e1bia o t\u00e9dio, a tens\u00e3o e a ansiedade da adolesc\u00eancia. Elio \u00e9 apresentado de formas m\u00faltiplas: fala diferentes l\u00ednguas, ora franc\u00eas, ora ingl\u00eas; toca cl\u00e1ssicos ao piano de forma certeira e usa camisetas do Talking Heads; l\u00ea livros cl\u00e1ssicos e fuma como um adulto; celebra o namorico com uma adolescente de sua idade ao mesmo tempo em que n\u00e3o tem temores em tocar o corpo de Oliver de forma direta; um personagem cativante e delicadamente constru\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de extremamente bem recebido pela cr\u00edtica especializada, \u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d tem gerado debates dentro da comunidade gay, que enxerga uma perpetua\u00e7\u00e3o do estere\u00f3tipo do romance-gay-branco nos personagens de classe alta do filme. Al\u00e9m, h\u00e1 um complexo debate sobre a diferen\u00e7a de idade entre ambos, j\u00e1 que o personagem de Elio n\u00e3o tem completos 18 anos, levando a outra constru\u00e7\u00e3o social de inicia\u00e7\u00e3o homossexual de jovens por homens mais velhos. Em todo caso, n\u00e3o h\u00e1 como negar: \u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d \u00e9 realmente um filme de \u201cproblemas de primeiro mundo\u201d ou \u201cproblemas de brancos ricos\u201d e em nenhum momento se prop\u00f5e a ser um libelo de luta de classes ou de representatividade, mas sim t\u00e3o-somente um romance, um \u201ccoming of age\u201d, um extrato daquele pequeno momento e assumir-se assim, de forma t\u00e3o firme, \u00e9 um dos trunfos do longa, pois ele fala de forma bastante verdadeira sobre os personagens ao qual se limita. Nesse sentido, deve-se evitar a compara\u00e7\u00e3o com \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/02\/21\/tres-filmes-capitao-fantastico-moonlight-e-manchester-a-beira-mar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Moonlight<\/a>\u201d (2017), j\u00e1 que o ganhador do Oscar do ano passado \u00e9 uma hist\u00f3ria socialmente bem mais complexa e com diferentes camadas, sendo a presen\u00e7a de personagens homossexuais a \u00fanica semelhan\u00e7a entre ambos os filmes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todo modo, contar hist\u00f3rias de amor \u00e9 basilar na constru\u00e7\u00e3o de quase todos os filmes e livros, portanto j\u00e1 se come\u00e7a em desvantagem ao contar hist\u00f3rias que todo mundo j\u00e1 contou, ainda mais quando j\u00e1 temos romances suntuosamente poderosos (desde \u201cCasablanca\u201d at\u00e9 a trilogia \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/06\/30\/antes-da-meia-noite-richard-linklater\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Before<\/a>\u201d, passando por p\u00e9rolas como \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/06\/26\/tres-filmes-hiroshima-nova-york-los-angeles\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hiroshima, Meu Amor<\/a>\u201d). No final das contas, o trunfo de \u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d \u00e9 a sua delicadeza em construir e costurar encontros, di\u00e1logos e olhares num filme sugestivo, que conta uma hist\u00f3ria j\u00e1 conhecida de forma distinta, entre a melancolia e a sensualidade, apresentando de forma pungente todas as descobertas e \u201cprimeiras vezes\u201d de Elio. Enfim, gostando do filme ou n\u00e3o, depois de assisti-lo voc\u00ea nunca mais ver\u00e1 um p\u00eassego com os mesmos olhos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7yCwv8FjidU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e colabora com o sites\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aescotilha.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Escotilha<\/a>. Escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O trunfo de \u201cMe Chame Pelo Seu Nome\u201d \u00e9 a sua delicadeza em construir e costurar encontros, di\u00e1logos e olhares num filme sugestivo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/18\/cinema-me-chame-pelo-seu-nome-de-luca-guadagnino\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":46206,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[5370,2553],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46205"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46205"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46205\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46209,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46205\/revisions\/46209"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}