{"id":45644,"date":"2018-01-08T10:06:05","date_gmt":"2018-01-08T12:06:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=45644"},"modified":"2018-02-06T10:05:39","modified_gmt":"2018-02-06T12:05:39","slug":"entrevista-ana-bacalhau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/08\/entrevista-ana-bacalhau\/","title":{"rendered":"Entrevista: Ana Bacalhau"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7ar um disco com os versos \u201cvida nova \u00e9 aquilo que mais quero \/ come\u00e7ar do ponto zero \/ meu destino refazer\u201d n\u00e3o \u00e9 algo que se faz \u00e0 toa. Especialmente quando quem os canta \u00e9 a dona de uma das vozes mais populares de um pa\u00eds: Ana Bacalhau, a vocalista do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/06\/14\/deolinda-ao-vivo-na-praca-xv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Deolinda<\/a>, banda que deu novo impulso \u00e0 m\u00fasica popular portuguesa a partir de 2008. \u201cDepois de 10 anos com o Deolinda a cantar os outros, eu senti vontade de cantar a mim mesma\u201d, diz Ana, em entrevista ao Scream &amp; Yell. \u201cHavia partes de mim que n\u00e3o cabiam no Deolinda e pediam para sair para fora\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado dessa busca, iniciada em 2013 com uma s\u00e9rie de shows chamada \u201c15\u201d, na qual a cantora interpretava influ\u00eancias como Am\u00e1lia Rodrigues, Pearl Jam, Elis Regina ou Janis Joplin, \u00e9 o \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/1XKN7gO9Rl8quc9w3xQTpN\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nome Pr\u00f3prio<\/a>\u201d (2017), lan\u00e7ado em outubro em Portugal. \u00c0 moda da cantora brasileira que lhe influenciou, Ana buscou reunir no disco composi\u00e7\u00f5es dos melhores nomes da gera\u00e7\u00e3o atual lusa. \u00c9 o caso de Samuel \u00daria, Miguel Ara\u00fajo (Os Azeitonas), Jorge Cruz (Diabo na Cruz) ou a rapper Capicua, respons\u00e1vel pelo divertid\u00edssimo rap \u00e0 lusitana \u201cA Bacalhau\u201d, uma esp\u00e9cie de \u201cvingan\u00e7a\u201d contra todas as piadas infames j\u00e1 ouvidas pela cantora gra\u00e7as a seu sobrenome. \u201c\u00c9 o meu Grito do Ipiranga!\u201d, brinca Ana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o disco tamb\u00e9m traz tr\u00eas composi\u00e7\u00f5es da cantora \u2013 duas delas, em parceria com o m\u00fasico portugu\u00eas Janeiro. \u201cN\u00e3o me vejo como autora, s\u00f3 escrevo quando tenho algo entalado e preciso por para fora\u201d, explica. Mas que fiquem calmos os f\u00e3s do Deolinda: apesar da banda ter anunciado recentemente uma pausa na carreira, \u201cNome Pr\u00f3prio\u201d \u00e9 parte apenas de um \u201cat\u00e9 logo\u201d, e n\u00e3o um de \u201cadeus\u201d. \u201cAchamos que era uma altura em que seria bom para o Deolinda parar durante um tempo por conta de projetos paralelos\u201d, explica Ana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um deles \u00e9 compartilhado com o marido Jos\u00e9 Pedro Leit\u00e3o, contrabaixista do Deolinda: Luz, a filha que Ana concebeu junto com a cria\u00e7\u00e3o de \u201cNome Pr\u00f3prio\u201d \u2013 e que acompanhou a entrevista via Skype com o Scream &amp; Yell ao lado da m\u00e3e, brincando em um tapete. Enquanto isso, o guitarrista Lu\u00eds da Silva Martins se dedica a um projeto de guitarra portuguesa e o compositor e guitarrista Pedro da Silva Martins trabalha no disco de retorno da cantora Lena D\u2019\u00c1gua, famosa nos anos 1980 em Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, Ana Bacalhau conta mais sobre o processo de concep\u00e7\u00e3o de \u201cNome Pr\u00f3prio\u201d, explica a \u00e2nsia de cantar a si mesma e comenta algumas das principais can\u00e7\u00f5es do trabalho, como o blues-pop \u201cCi\u00fame\u201d, primeiro single do disco. Al\u00e9m disso, indica artistas portugueses para os brasileiros, fala sobre redes sociais (\u201ch\u00e1 que ser mais erotismo do que pornografia\u201d) e d\u00e1 pistas do que pode estar na mira de sua carreira no futuro. \u201cO mundo est\u00e1 de pernas pro ar! Quando o Deolinda voltar, espero que tudo esteja a caminho de ser resolvido\u201d, diz. \u201cSe n\u00e3o estiver, infelizmente, o Deolinda n\u00e3o vai falhar em conversar um bocadinho sobre isso\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AhI9uPDrX1E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que \u00e9 o \u201cNome Pr\u00f3prio\u201d? Por que gravar um disco solo nesse momento da tua carreira?<\/strong><br \/>\nEm 2013, fiz uma s\u00e9rie de concertos chamada \u201c15\u201d. Nele, fiz vers\u00f5es de can\u00e7\u00f5es que foram importantes no meu percurso: Am\u00e1lia (Rodrigues), Pearl Jam, Elis Regina, Miriam Makeba\u2026 eram muitas coisas diferentes, mas que me influenciaram. Naquela \u00e9poca, comecei a pensar como ligar estas influ\u00eancias minhas: a m\u00fasica portuguesa, mas tamb\u00e9m a can\u00e7\u00e3o anglo-sax\u00f4nica e a lusofonia. S\u00e3o mundos diferentes, mas que se juntam de forma coerente para mim. Deixei amadurecer a ideia na cabe\u00e7a, e fiquei \u00e0 espera de um momento na carreira do Deolinda em que eu pudesse ter tempo para esse projeto. Depois do \u201cOutras Hist\u00f3rias\u201d, o \u00faltimo disco do Deolinda, vi que havia um tempo para me concentrar nessa ideia de disco solo. Come\u00e7amos o ensaio em setembro de 2016, gravamos em fevereiro de 2017, e a\u00ed est\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Li numa entrevista que voc\u00ea queria cantar a Ana, e n\u00e3o a Deolinda. O que isso quer dizer, afinal?<\/strong><br \/>\nDepois de 10 anos com o Deolinda a cantar os outros, eu senti vontade de cantar a mim mesma. Sempre cantei em bandas: tive o Lupanar, um trio de jazz chamado Tricotismo, e depois o Deolinda. No Deolinda, canto a vida dessa personagem que v\u00ea a vida pelas janelas de Lisboa. \u00c9 um projeto espec\u00edfico e partilhado com peda\u00e7os meus, do Pedro, do Lu\u00eds e do Z\u00e9. N\u00f3s quatro servimos a esta personagem. E comecei a pensar quem \u00e9 que sou quando estou solo \u2013 n\u00e3o sozinha, porque obviamente ningu\u00e9m faz nada sozinho, mas sim quando \u00e9 o meu nome que est\u00e1 no cartaz. Essas partes de mim come\u00e7aram a pedir para sair c\u00e1 para fora. Eu queria que esse disco n\u00e3o fosse um decalque do Deolinda, mas sim do meu mundo. \u00c9 \u00f3bvio que h\u00e1 coisas do Deolinda que est\u00e3o l\u00e1: ele est\u00e1 no meu DNA, mas tamb\u00e9m h\u00e1 outras coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea gravou o disco ao mesmo tempo em que estava gr\u00e1vida. Como foi a concep\u00e7\u00e3o das duas obras \u2013 o disco e a Luz, a tua filha \u2013 ao mesmo tempo?<\/strong><br \/>\nSim! (risos). Foi em conson\u00e2ncia. No primeiro ensaio, eu j\u00e1 estava gr\u00e1vida. A Luz me acompanhou, e o crescimento dela acompanhou o do disco. Foi interessante: eu estava em busca de mim como mulher, como indiv\u00edduo, e acabei tamb\u00e9m por me entender como m\u00e3e, algu\u00e9m que est\u00e1 a moldar a vida de outra pessoa. Isso teve uma influ\u00eancia forte na forma como interpreto. Acho que toda a luminosidade do disco, da capa, tem muito a ver com o momento de concep\u00e7\u00e3o, de dar a luz \u00e0 Luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neste disco, foi a primeira vez que voc\u00ea gravou m\u00fasicas suas. Como foi se colocar \u00e0 pena?<\/strong><br \/>\nFoi complicado (risos). Quando comecei a cantar e tocar guitarra [viol\u00e3o, no \u201cportugu\u00eas-brasileiro\u201d], adolescente, eu fazia can\u00e7\u00f5es em ingl\u00eas. Depois, parei: quando comecei com os Lupanar, interpretava as m\u00fasicas dos outros e fiquei pregui\u00e7osa (risos). N\u00e3o me vejo como autora, s\u00f3 escrevo quando tenho algo entalado e preciso por para fora. Tamb\u00e9m acho mais f\u00e1cil escrever s\u00f3 a letra do que a m\u00fasica e a letra. Pode estar o mundo a desabar \u00e0 minha volta e consigo escrever letra. J\u00e1 para a m\u00fasica, \u00e9 preciso pegar na guitarra e ficar em sil\u00eancio \u2013 e agora mesmo com a beb\u00ea \u00e9 dif\u00edcil estar quieta. O que aconteceu \u00e9 que eu j\u00e1 tinha algumas letras, e conheci um m\u00fasico jovem, o Janeiro, que tem muita facilidade musical. Dei-lhe tr\u00eas letras e ele sacou duas incr\u00edveis, que s\u00e3o \u201cS\u00f3 Eu\u201d e \u201cMenina Rabina\u201d. \u201cS\u00f3 Eu\u201d \u00e9 uma express\u00e3o que minha v\u00f3 usava muito, \u201cs\u00f3 eu, mais ningu\u00e9m n\u00e3o\u201d, que \u00e9 algo muito portugu\u00eas. \u201cMenina Rabina\u201d \u00e9 como me chamavam quando me comportava mal, \u00e9 uma menina mal-comportada. J\u00e1 o \u201cDeixo-me Ir\u201d, que \u00e9 s\u00f3 minha, saiu f\u00e1cil. Peguei na guitarra e me veio o refr\u00e3o: \u201cDeixo-me ir\u201d. Quando \u00e9 que isto acontece? Quando canto, ent\u00e3o \u00e9 uma m\u00fasica sobre esse processo terap\u00eautico que \u00e9 cantar. Num disco em que pretendo cantar a mim, era importante ter algo que era s\u00f3 meu, ent\u00e3o me dei for\u00e7a, ganhei coragem e consegui finalmente escrever algo meu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando ouvi \u201cMenina Rabina\u201d, senti que ela tamb\u00e9m poderia ser um coment\u00e1rio a respeito do feminismo, da mulher que luta para n\u00e3o precisar ser \u201cbem comportada\u201d. \u00c9 isso?<\/strong><br \/>\n\u00c9 o retrato da minha vida, e \u00e9 tamb\u00e9m o retrato de uma gera\u00e7\u00e3o de mulheres que t\u00eam alergia a pap\u00e9is pr\u00e9-existentes e que lhes s\u00e3o impostos. Quero criar meu pr\u00f3prio caminho na minha vida e dos que me s\u00e3o pr\u00f3ximos, sem regras de conduta. N\u00e3o quero ter de me comportar s\u00f3 porque sou mulher, mas sim me comportar de certa maneira porque sinto que esta \u00e9 a minha verdade. E n\u00e3o tenho pena se nos acham dif\u00edceis, rabugentas, rabinas ou m\u00e1 comportadas. N\u00e3o tenho pena nenhuma. Para poder almejar ser feliz, n\u00e3o posso estar preocupada com o que os outros pensam de mim e deixar que me encaixem numa forma onde n\u00e3o me sinto confort\u00e1vel. Sou feminista neste sentido. Ao ser humano, tudo tem de ser permitido desde que n\u00e3o perturbe a vida dos outros. Uma pessoa que est\u00e1 em busca da sua liberdade n\u00e3o ir\u00e1 fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa que eu queria perguntar \u00e9 que teu disco me lembrou algo que a Elis Regina fazia aqui no Brasil\u2026<\/strong><br \/>\nAi, adoro a Elis!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para fazer seu disco, voc\u00ea se cercou de um grupo de amigos, dos melhores compositores portugueses da atualidade. Como foi este processo?<\/strong><br \/>\nEssa busca de amigos que me conhecem e que vai me escrever (ou descrever) foi algo inspirado no trabalho incr\u00edvel que a Elis fazia de descobrir autores e os trazer para sua esfera. \u00c9 uma influ\u00eancia, e fico feliz com a compara\u00e7\u00e3o. Vejo-me como int\u00e9rprete, adoro cantar as palavras e as notas dos outros. Esse disco me pareceu a oportunidade perfeita de cantar muitos autores que eu queria. Quando falei com todos, pedi que escrevessem sobre a Ana que eles conhecessem, falassem de uma faceta minha. Conhe\u00e7o todos muito bem, pessoalmente \u2013 a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o Afonso Cruz, e achei interessante ter tamb\u00e9m a vis\u00e3o de algu\u00e9m sobre mim que n\u00e3o me conhece ao vivo. Quando comecei a receber as m\u00fasicas, fiquei feliz, pois todas s\u00e3o certeiras. O Carlos Guerreiro, dos Gaiteiros de Lisboa, que me conhece h\u00e1 muito tempo, fez uma can\u00e7\u00e3o surrealista, \u201cDebaixo da Mosca\u201d. Ela n\u00e3o faz grande sentido, como \u00e0s vezes tamb\u00e9m n\u00e3o fa\u00e7o. Tem a m\u00fasica da Capicua, t\u00e3o biogr\u00e1fica que \u00e9 quase autobiogr\u00e1fica. O Samuel \u00daria, que pegou bem esta coisa da inquieta\u00e7\u00e3o, de eu n\u00e3o estar contente e em busca de algo. O Nuno Prata, com \u201cPasso a Tratar-Me Por Tu\u201d, que tamb\u00e9m tem essa coisa da busca constante na minha vida. E h\u00e1 sentimentos comuns a todos, como o \u201cCi\u00fame\u201d que o Miguel Ara\u00fajo me deu, ou o \u201cMorreu Romeu\u201d, que \u00e9 gostarmos de algu\u00e9m e depois vermos este algu\u00e9m nos bra\u00e7os de outra pessoa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vbmFyWClWoE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que \u201cCi\u00fame\u201d como primeiro single? \u00c9 por que ela \u00e9 muito diferente do Deolinda?<\/strong><br \/>\nFoi. Ao escolher o primeiro single, queria algo que n\u00e3o deixasse d\u00favidas que estou num caminho diferente. \u201cCi\u00fame\u201d tinha intensidade, um som com cavaquinhos e a raiz portuguesa, mas tamb\u00e9m o \u00f3rg\u00e3o Hammond, algo bluesado, um soul-rock com final \u00e0 la [Janis] Joplin. \u00c9 outra grande influ\u00eancia. Isso nunca coube no territ\u00f3rio do Deolinda, e acho que \u00e9 uma das can\u00e7\u00f5es que balizam o disco \u2013 o outro \u00e9 o da Capicua, \u201cA Bacalhau\u201d. Escolhi estes extremos para caracterizar bem o que queria dizer. J\u00e1 o segundo single, \u201cLeve como uma Pena\u201d, \u00e9 do Jorge Cruz, do Diabo na Cruz, e se calhar de fato parece mais com o Deolinda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E \u201cA Bacalhau\u201d, como surgiu?<\/strong><br \/>\nTudo nasceu com uma ideia minha. Vi um concerto do [cantor popular portugu\u00eas] Fausto h\u00e1 um tempo. No show, ele misturava os ritmos tradicionais e dan\u00e7as portuguesas por baixo, e falava, quase dizendo a letra. Pensei: \u201cBolas, isso n\u00e3o est\u00e1 assim t\u00e3o afastado do hip-hop\u201d. \u00c9 um hip-hop \u00e0 portuguesa! Aqui temos a figura do mandador de baile, quem vem \u201cmandar\u201d o baile e dizer umas coisas ao p\u00fablico. Achei gra\u00e7a em juntar essas duas tradi\u00e7\u00f5es, e pensei em usar o corridinho, um ritmo portugu\u00eas que \u00e9 geralmente instrumental. Liguei \u00e0 Capicua e disse: \u201cAna\u201d, pois ela tamb\u00e9m se chama Ana, \u201ceu estava aqui com uma ideia meio parva. Diz l\u00e1 se ela \u00e9 completamente rid\u00edcula ou se achas gra\u00e7a. Quero fazer um corridip-corridop\u201d. Ela gostou, mas ela disse que queria que a letra deveria ter for\u00e7a, porque afinal seria eu quem mandaria no baile. Ela me disse que teria de ser uma esp\u00e9cie de egotrip, falando sobre a minha vida. Conversamos por umas duas horas. N\u00e3o queria chamar de homenagem, mas vejo \u201cA Bacalhau\u201d como uma prenda dela para mim. Uma m\u00fasica com meu nome!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a letra \u00e9 um pouco uma vingan\u00e7a, depois de tantas piadas que voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido com o teu nome\u2026<\/strong><br \/>\n\u00c9 mesmo! \u00c9 o meu Grito do Ipiranga! (risos). \u00c9 p\u00e1, \u00e9 que \u00e9 mesmo, desde pequena ouvi piadas, quando era mi\u00fada sofri com isso na escola. Ainda hoje, ou\u00e7o piadas, cada vez menos originais. Ouvir uma piada comigo original \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil. Mas \u00e9, \u201cA Bacalhau\u201d \u00e9 uma vingan\u00e7aaaaaaa! (grita)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como t\u00eam sido os primeiros shows solo? Isto \u00e9, n\u00e3o exatamente sozinha, porque tens uma banda\u2026<\/strong><br \/>\nS\u00e3o os Pataniscas! \u00c9 uma esp\u00e9cie de bolinho de bacalhau, mas \u00e9 diferente. Voc\u00eas t\u00eam Pataniscas no Brasil?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apenas em restaurantes portugueses, mas eu n\u00e3o lembro de j\u00e1 ter comido.<\/strong><br \/>\n\u00c9 espetacular! Eu fa\u00e7o umas pataniscas de-li-ci-o-sas, s\u00e3o uma das minhas especialidades! Mas pois bem: est\u00e1vamos ensaiando, e pensamos que a banda tinha de ter um nome. O que pode ser? Ora, se s\u00e3o a banda da Ana Bacalhau, s\u00e3o os Pataniscas! S\u00f3 fiz um concerto at\u00e9 agora, em Loul\u00e9 [cidade do Sul de Portugal, na regi\u00e3o do Algarve]. Foi bonito. A maior parte das pessoas que comprou bilhete para aquele show n\u00e3o conhecia o disco, porque os ingressos se esgotaram antes do lan\u00e7amento do disco. Foi um voto enorme de confian\u00e7a, fiquei emocionada \u2013 afinal, podiam n\u00e3o gostar nada do disco. Eu n\u00e3o sabia como as pessoas iam reagir, n\u00e3o sabia se iam sentir falta das can\u00e7\u00f5es do Deolinda, se iam pedir para cantar. Decidi que n\u00e3o vou cantar nada do Deolinda, n\u00e3o acho que \u00e9 correto da minha parte. Mas confesso que tinha um bocadinho de receio que as pessoas n\u00e3o conseguissem separar as duas carreiras. Para al\u00e9m de todos os nervos da estreia, estava muito gripada, e n\u00e3o sabia como ia ficar a minha voz. Comecei super nervosa, mas no meio do concerto, fiquei mais confiante, porque vi que as pessoas estavam genuinamente a gostar do que eu cantava. No final, a salva de palmas quando sa\u00edmos do palco me deu um al\u00edvio. Depois, quando sa\u00ed para falar com o p\u00fablico, entendi que as pessoas perceberam mesmo o que \u00e9 que eu estava tentando fazer. Foi bonito!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 espa\u00e7o na turn\u00ea para voc\u00ea vir ao Brasil?<\/strong><br \/>\nAi, queria tanto! Queria mesmo, s\u00e9rio! O Deolinda \u00e9 sempre t\u00e3o bem recebido quando vai ao Brasil, queria tanto mostrar esse disco ao Brasil. Vamos ver se \u00e9 poss\u00edvel. Da minha vontade, sempre que \u00e9 poss\u00edvel, vou ao Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Achei que voc\u00ea ia dizer que a Luz precisaria crescer um pouquinho para ir junto.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, \u00e9 na boa! Ela j\u00e1 est\u00e1 aqui a ouvir a m\u00e3e falando, reconhece as m\u00fasicas. Isso \u00e9 t\u00e3o engra\u00e7ado. Quando ela era mais pequenina, eu cantava para que ela adormecesse. Agora, felizmente, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais preciso, ela adormece bem. Para comer \u00e9 que \u00e9 um tormento. Quando ela est\u00e1 mais rabugenta para comer, come\u00e7o a cantar can\u00e7\u00f5es do Deolinda ou do meu disco, e ela reconhece. Mas o que ela prefere \u00e9 o aquecimento vocal! Mamamamamamama, bababababa, ela ri muito! Ouviu tanto o aquecimento na barriga que fica feliz quando ouve. Esta \u00e9 a minha vida e a vida do pai, que me acompanha na banda, e acho que \u00e9 importante para ela acompanhar os pais algumas vezes, conhecer o mundo atrav\u00e9s da vida dos pais. Se eu for ao Brasil, quero muito levar minha filha, para ela sentir o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o os planos do Deolinda para o futuro?<\/strong><br \/>\nOlha, neste momento, todos n\u00f3s temos projetos paralelos. O Luis tem um disco a solo, de guitarra portuguesa \u2013 e a\u00ed \u00e9 mesmo solo, porque \u00e9 s\u00f3 ele tocando. O Pedro est\u00e1 escrevendo para outras artistas e tamb\u00e9m est\u00e1 envolvido com o disco da Lena D\u2019\u00c1gua [cantora pop portuguesa dos anos 1980], al\u00e9m de outros projetos que ele tem em desenvolvimento. O Z\u00e9 tem umas ideias que quer concretizar e eu tenho o meu disco. Portanto, n\u00f3s achamos que era uma altura que est\u00e1vamos concentrados em coisas paralelas, e seria bom para o Deolinda parar durante um tempo. Fazer uma pausa, para nos podermos dedicar agora a outros projetos, e enriquecermos-nos de experi\u00eancias. Isso, para daqui a algum tempo \u2013 um ano, dois, quando sentirmos que estamos preparados \u2013, voltamos com toda a for\u00e7a, renovados, e andar para a frente com novas m\u00fasicas e novas can\u00e7\u00f5es. Vamos alargar este universo da Deolinda, que continua, claro, obviamente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7liJDqq-Efs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos \u00faltimos anos, Portugal passou por uma forte crise econ\u00f4mica. Morei em Lisboa em 2013, vi o show de lan\u00e7amento do \u201cMundo Pequenino\u201d [o terceiro disco de est\u00fadio do Deolinda] no Coliseu dos Recreios, e lembro que ali as coisas come\u00e7avam a melhorar, mas ainda estavam muito ruins. Como est\u00e1 Portugal agora?<\/strong><br \/>\nOlha\u2026 felizmente, as coisas est\u00e3o melhores. (pensa um pouco). Finalmente, o poder pol\u00edtico come\u00e7ou a olhar mais para o ser humano e menos para a economia, e distribuir o pouco que h\u00e1 para os que t\u00eam menos, para ajudar as pessoas que n\u00e3o tem a possibilidade de ajudar a si mesmos. Al\u00e9m disso, estamos tendo um enorme boom no turismo. Lisboa e Porto, sim, mas tamb\u00e9m em outras cidades do pa\u00eds. A vinda para c\u00e1 de celebridades (para morar), como a Madonna e o Michael Fassbender ajuda. Agora Portugal est\u00e1 na moda e isso ajuda a economia. \u00c9 uma ideia de um Portugal mais pr\u00f3ximo da realidade. N\u00f3s, portugueses, tamb\u00e9m estamos mais confiantes das nossas capacidades, temos menos vergonhas de sermos quem somos. Ainda temos alguns constrangimentos a n\u00edvel financeiro, mas o ar est\u00e1 mais respir\u00e1vel. Os l\u00edderes t\u00eam suas falhas \u2013 e houve algumas, como os inc\u00eandios e o per\u00edodo da seca \u2013, mas eles est\u00e3o mais aberto ao humanismo. Sei que no Brasil \u00e9 um bocadinho ao contr\u00e1rio, infelizmente\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pffff\u2026 N\u00e3o vamos falar sobre isso! O Deolinda \u00e9 uma banda que cresce na crise e se identifica com isso, especialmente por m\u00fasicas como \u201cParva que Sou\u201d. No momento que as coisas ficam bem em Portugal, vai ser a hora de cantar os problemas do mundo ou as coisas boas de Portugal?<\/strong><br \/>\nPois, teremos que cantar os problemas do mundo. O mundo est\u00e1 de pernas pro ar! \u00c9 engra\u00e7ado: Portugal sempre anda em contraciclo! N\u00e3o entendo. Quando aqui est\u00e1 a ficar bom\u2026 P\u00e1, os Estados Unidos est\u00e3o de cabe\u00e7a para baixo! O Brasil tamb\u00e9m est\u00e1 virado de cabe\u00e7a para baixo. Valha-me Deus, \u00e9 altura de cantar os problemas do mundo! N\u00e3o sei o que se passa! \u00c9 um desespero. Apesar de n\u00e3o estarem aqui t\u00e3o pr\u00f3ximos, os problemas est\u00e3o pr\u00f3ximos do cora\u00e7\u00e3o, porque o mundo somos todos n\u00f3s. Eu nunca posso estar bem se o meu semelhante n\u00e3o est\u00e1 bem. \u00c9 triste ver a pol\u00edtica se afastando do ser humano, dificultando a vida e a liberdade. Para mim, n\u00e3o h\u00e1 felicidade sem liberdade, e ver que a liberdade do ser humano, de ser feliz e ser quem \u00e9, est\u00e1 cada vez mais sendo cortada e limitada em tantos pa\u00edses me deixa angustiada. Quando o Deolinda voltar, espero que tudo esteja a caminho de ser resolvido. Se n\u00e3o estiver, infelizmente, o Deolinda n\u00e3o vai falhar em conversar um bocadinho sobre isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"http:\/\/anabacalhau.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Voc\u00ea tem uma participa\u00e7\u00e3o ativa nas redes sociais<\/a>, tem as cr\u00f4nicas, o blog\u2026 como \u00e9 lidar com isso? H\u00e1 problemas com a exposi\u00e7\u00e3o? Quais s\u00e3o os limites?<\/strong><br \/>\nDos artistas que conhe\u00e7o e admiro, todos que tem uma carreira longa foram capazes de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o emocional com seu p\u00fablico, que permitem \u00e0s pessoas se reconhecerem neles, como um amigo. H\u00e1 ali um di\u00e1logo que se consegue com m\u00fasica, mas que tamb\u00e9m se conhece do trato, de ir falar com o p\u00fablico ao final dos concertos, e agora esta realidade das redes sociais. No entanto, como todos, temos direito nas nossas profiss\u00f5es a um lado p\u00fablico e um lado \u00edntimo \u2013 e este n\u00e3o pode ser totalmente exposto. Esta intimidade s\u00f3 pode ser exposta pela m\u00fasica, quando cantamos a n\u00f3s pr\u00f3prios. Minha rela\u00e7\u00e3o com a exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica se estabelece na diferen\u00e7a entre o erotismo e a pornografia. Tem de haver qualquer coisa que se v\u00ea, mas muito que se adivinha, e n\u00e3o se pode mostrar tudo. Sen\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 mist\u00e9rio. Na nossa rela\u00e7\u00e3o com o outro, para manter o interesse, tem de existir tamb\u00e9m algum mist\u00e9rio, uma parte do outro que n\u00e3o conseguimos alcan\u00e7ar. Esse \u00e9 o meu limite, de fato. H\u00e1 uma parte pequenina que \u00e9 s\u00f3 mesmo minha, n\u00e3o mostro a mais ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que artistas portugueses os brasileiros devem ouvir hoje \u2013 e j\u00e1 come\u00e7o dizendo que n\u00e3o vale falar do Salvador Sobral, porque este at\u00e9 na trilha de novela j\u00e1 est\u00e1!<\/strong><br \/>\nEu sei! (Risos). Felizmente, acho que o interc\u00e2mbio Portugal-Brasil est\u00e1 em uma din\u00e2mica interessante. Agora h\u00e1 pouco tempo a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/30\/capicua-e-rael-falam-do-projeto-lingua-franca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Capicua<\/a> esteve a\u00ed, \u00e9 uma artista interessante de se conhecer. H\u00e1 a Isaura, uma artista de voz linda, com um trabalho dentro do pop e da eletr\u00f4nica bem interessante. O <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/25\/entrevista-samuel-uria-2016\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Samuel \u00daria<\/a>\u2026 por favor, conhe\u00e7am o Samuel, que o trabalho dele \u00e9 incr\u00edvel. Muitos destes artistas, eu tenho a felicidade de cantar no meu disco. Os <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/04\/16\/dead-combo-cla-legendar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dead Combo<\/a>, a M\u00e1rcia, deixa ver, os Virgem Suta, o Valete, os PAUS, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/24\/entrevista-linda-martini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Linda Martini<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/28\/entrevista-marta-ren\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marta Ren<\/a>. Depois, v\u00e3o vendo. Com estas coisas de Spotify agora, se h\u00e1 algo de bom s\u00e3o os \u201cartistas relacionados\u201d. Se procurarem e gostarem destes artistas, depois vejam os artistas relacionados. \u00c9 uma rede muito interessante que se est\u00e1 a criar em Portugal, em diversos campos, n\u00e3o s\u00f3 na matriz portuguesa, mas em outras com identidade pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vou para a pergunta mais dif\u00edcil: Ana, voc\u00ea vai para uma ilha deserta e s\u00f3 pode levar cinco discos na bagagem&#8230;<\/strong><br \/>\nOlha, levava um da Elis. Voc\u00eas dizem El\u00eds, marcando o i. Aqui a gente diz \u201c\u00c9lis\u201d. Um disco da Janis Joplin, qualquer um deles. Levaria um disco do Miles Davis, provavelmente o \u201cKind of Blue\u201d. A\u00ed, \u00e9 dif\u00edcil! Callas, uma \u00f3pera qualquer de Callas. E levaria Nick Drake. Nos momentos mais calminhos, que eu preciso de consolo, \u00e9 o Nick Drake.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gjZHDh0ULzo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EjHmI_ert44?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c6UWQqRbbeE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista e trabalha no caderno Link, de O Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; No Rio de Janeiro, Deolinda embala novamente os sonhos de um pa\u00eds em crise (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/06\/14\/deolinda-ao-vivo-na-praca-xv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Entrevista \u2013 Deolinda (2013): \u201cA individualidade \u00e9 uma coisa muito rara hoje em dia\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/23\/entrevista-deolinda\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cLisboetas falando sobre seus problemas falam mais sobre o Brasil que os brasileiros\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/30\/deolinda-ao-vivo-no-sesc-santana\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Bruno Capelas em Lisboa: \u201c\u00c9 dif\u00edcil botar algum reparo no repert\u00f3rio atual do Deolinda\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/13\/deolinda-ao-vivo-em-lisboa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Pedro Salgado em Lisboa: Deolinda ao vivo em 2011 e o triunfo do fado pop (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/30\/deolinda-o-triunfo-do-fado-pop\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Download: Do Amor regrava m\u00fasica do Deolinda. Baixe o EP \u201cProjeto Visto\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/03\/download-projeto-visto\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ela est\u00e1 solo, mas n\u00e3o sozinha, e nesta entrevista via Skype reflete sobre &#8220;Nome Pr\u00f3prio&#8221;, seu primeiro disco sem o acompanhamento dos Deolinda, que anunciaram uma pausa este ano\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/08\/entrevista-ana-bacalhau\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":45645,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1993,65,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45644"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45644"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45644\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45654,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45644\/revisions\/45654"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45645"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}