{"id":45619,"date":"2018-01-04T09:45:43","date_gmt":"2018-01-04T11:45:43","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=45619"},"modified":"2018-03-07T08:15:54","modified_gmt":"2018-03-07T11:15:54","slug":"concrete-and-gold-o-oitavo-disco-do-foo-fighters","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/04\/concrete-and-gold-o-oitavo-disco-do-foo-fighters\/","title":{"rendered":"\u201cConcrete and Gold\u201d, o oitavo disco do Foo Fighters"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em algum momento da virada do s\u00e9culo, Dave Grohl recebeu (da m\u00eddia e dos f\u00e3s) a coroa de \u201ccara mais bacana do rock mundial\u201d, e a honraria subiu a cabe\u00e7a do eterno ex-baterista do Nirvana, que virou arroz de festa em shows dos outros enquanto a discografia de sua banda descia a ladeira deixando estupefatos aqueles que <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/12\/06\/o-fator-foo-fighters\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00e3o entendiam a idolatria extrema \u00e0 banda de Dave Grohl<\/a>. Se juntarmos as can\u00e7\u00f5es que realmente valem a pena do fraco \u201cOne By One\u201d (2002), do exagerado \u201cIn Your Honor\u201d (2005) e do mediano \u201cEchoes, Silence, Patience and Grace\u201d (2009) conseguir\u00edamos um disco nota 7 (com muita boa vontade). Mas dai com a forma\u00e7\u00e3o finalmente fixa, o quinteto pariu um disca\u00e7o, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/28\/foo-fighters-muito-barulho-por-tudo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wasting Light<\/a>\u201d (2011), e uma baita s\u00e9rie de document\u00e1rios (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/22\/26-anos-depois-foo-fighters-repete-u2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">inspirada no U2<\/a>) que ofuscava um disquinho mequetrefe, \u201cSonic Highways\u201d (2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio 2017, ent\u00e3o, era esse: Dave Grohl virou um mala que mais fala nos shows do que toca e seus document\u00e1rios est\u00e3o bem melhores do que os discos de sua banda. Ent\u00e3o por que perder tempo ouvindo o nono disco de in\u00e9ditas dos caras? N\u00e3o vale a pena, seja sincero, mas um play involunt\u00e1rio em \u201cConcrete and Gold\u201d revela algo inacredit\u00e1vel: o disco \u00e9 bom pra cacete, ao menos na primeira metade. Desta forma, esque\u00e7a as participa\u00e7\u00f5es engana p\u00fablico (Justin Timberlake, Alison Mosshart e Paul McCartney) que est\u00e3o ali s\u00f3 para \u201cvalori$ar\u201d o produto final, mas nada acrescentam ao todo, e concentre-se na ideia do projeto: \u201cQuer\u00edamos chocar os extremos do hard rock com o pop, algo que soasse como o Motorhead tocando \u2018Sgt Peppers\u2019 ou Slayer tocando \u2018Pet Sounds\u2019\u201d, disse Dave. O resultado soa um Imagine Dragons raivoso (?) e extremamente mel\u00f3dico. A principal influ\u00eancia do disco, segundo Grohl, \u00e9 o momento de esperan\u00e7a e medo pelo qual vive os Estados Unidos hoje.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ifwc5xgI3QM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cConcrete and Gold\u201d abre com uma cita\u00e7\u00e3o torta do melhor \u00e1lbum que o Foo Fighters gravou em sua hist\u00f3ria: \u201cThe Colour and the Shape\u201d, de 1997. Da mesma forma que o segundo \u00e1lbum do grupo abria com uma baladinha suave de menos de um minuto e meio de dura\u00e7\u00e3o, \u201cDoll\u201d, \u201cConcrete and Gold\u201d \u00e9 introduzido pela doce vinhetinha (que explode na metade de sua curta dura\u00e7\u00e3o) \u201cT-Shirt\u201d, que atualiza \u201cDoll\u201d para os tempos atuais, com os anos de experi\u00eancia de Dave marcados nas costas como chicotadas: se em \u201cDoll\u201d, Dave dizia que n\u00e3o se sentia bem preparado, aqui ele se mostra a vontade para mostrar o que aprendeu em 20 anos: \u201cSe tem uma coisa que eu aprendi \/ \u00c9 que se as coisas melhoram demais \/ Elas v\u00e3o piorar\u201d. A faixa seguinte, \u201cRun\u201d, foi o primeiro clipe, e aposta na f\u00f3rmula introdu\u00e7\u00e3o mel\u00f3dica seguida de uma explos\u00e3o hard rock e de um refr\u00e3o pop, m\u00e9todo que tamb\u00e9m \u00e9 usado na poderosa &#8220;The Sky Is a Neighborhood&#8221;, segundo single e clipe do disco, com refr\u00e3o cantado em coro (com apoio de Alison Mosshart, do The Kills).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto \u201cRun\u201d quanto &#8220;The Sky Is a Neighborhood&#8221; acenam para o desespero da situa\u00e7\u00e3o do mundo nos tempos atuais, no geral, e dos Estados Unidos da Am\u00e9rica controlado por um menino mimado, no privado. Na primeira can\u00e7\u00e3o, Dave avisa: \u201cOs ratos est\u00e3o marchando (&#8230;), Os c\u00e3es est\u00e3o perseguindo (&#8230;), N\u00f3s somos as apostas da na\u00e7\u00e3o: Se tudo for deletado, o que voc\u00ea ir\u00e1 fazer?\u201d. J\u00e1 &#8220;The Sky Is a Neighborhood&#8221; questiona: \u201cProblemas \u00e0 direita e a esquerda: De que lado voc\u00ea est\u00e1?\u201d. A primeira metade do \u00e1lbum aposta mais intensamente no rock como mostra a estranha \u201cMake it Right\u201d, com bateria e percuss\u00e3o torta numa jun\u00e7\u00e3o de psychobilly com world music partida ao meio por um riff de guitarra blueseiro enquanto Dave grita que \u201cn\u00e3o precisa de um m\u00e1rtir\u201d. J\u00e1 \u201cLa Dee Da\u201d soa tanto Royal Blood quanto BRMC com um baixo suj\u00e3o na introdu\u00e7\u00e3o varrendo o caos para debaixo do tapete (a letra cita nominalmente a Casa Branca).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TRqiFPpw2fY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a tempestade s\u00f4nica da primeira metade do disco, a banda baixa a bola em \u201cDirty Water\u201d, a sexta faixa do disco, que come\u00e7a cadenciada e parte em um crescendo at\u00e9 alcan\u00e7ar os cinco minutos de dura\u00e7\u00e3o enquanto Dave recebe um r\u00e1pido Bob Dylan: \u201cEu sinto um terremoto chegando\u201d. Em \u201cHappy Ever After (Zero Hour)\u201d, o espirito que visita Dave \u00e9 o dos Beatles do \u201cWhite Album\u201d, numa balada ac\u00fastica que soa muito mais interessante (\u201cN\u00e3o h\u00e1 Super-Her\u00f3is agora\u201d, avisa o vocalista) do que \u201cArrows\u201d, um dos pontos mais baixos do \u00e1lbum, faixa menor que retoma ao universo esquec\u00edvel de \u201cSonic Highways\u201d. Em \u201cSunday Rain\u201d, quem toca a bateria \u00e9 Paul McCartney, e todo o barulho que Taylor Hawkins estava causando nas can\u00e7\u00f5es anteriores d\u00e1 espa\u00e7o a conformismo e bocejos (que se estende ao vocal de Taylor, que assume a can\u00e7\u00e3o). O barulho \u00e9 retomado em \u201cThe Line\u201d, que soa demais classic rock para as massas, barulho para quem come ma\u00e7\u00e3 raspadinha com colher. A faixa t\u00edtulo fecha o disco oferecendo densidade, mas nem ela consegue acordar o ouvinte ap\u00f3s tantas faixas sonolentas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No balan\u00e7o geral, \u201cConcrete and Gold\u201d oferece um candidato a cl\u00e1ssico para adentrar o repert\u00f3rio da banda, \u201cThe Sky Is a Neighborhood&#8221;, que sozinha \u00e9 melhor que todo o \u00e1lbum anterior do grupo (\u201cSonic Highways\u201d? Humpft), e um grupo de can\u00e7\u00f5es inicial que mostra que o Foo Fighetrs ainda t\u00eam folego&#8230; para gravar metade de um grande disco. J\u00e1 a segunda metade n\u00e3o traz nada de muito relevante, algo que os f\u00e3s j\u00e1 est\u00e3o acostumados, vamos combinar. A grande quest\u00e3o \u00e9: metade de um \u00e1lbum \u00e9 um bom \u00e1lbum? Neste tempo de playlists em portais de streaming, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio mais do que uma grande can\u00e7\u00e3o pra colocar a banda nos ouvidos e cora\u00e7\u00f5es de seu p\u00fablico, e \u201cThe Sky Is a Neighborhood&#8221; cumpre essa necessidade com louvor, mas \u201cConcrete and Gold\u201d joga o ouvinte para o alto, tal qual uma ma\u00e7\u00e3, em sua primeira metade, para deixa-lo esborrachar no ch\u00e3o na sequencia. Soa bem Dave Grohl p\u00f3s coroa de \u201cnice guy\u201d, mas nada de se decepcionar com algo que n\u00f3s j\u00e1 sab\u00edamos que iriamos nos decepcionar. Foco nas can\u00e7\u00f5es boas e volume no talo. Partiu.<\/p>\n<p>Ps. Sobre a turn\u00ea brasileira? <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rcSak4hZdP0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comento neste v\u00eddeo o que acho realmente do Foo Fighters ao vivo<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XTeDhSypRgY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Foo Fighetrs ainda t\u00eam folego&#8230; para gravar metade de um grande disco, mas nada de se decepcionar com algo que n\u00f3s j\u00e1 sab\u00edamos que iriamos nos decepcionar.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/04\/concrete-and-gold-o-oitavo-disco-do-foo-fighters\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":45621,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[112],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45619"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45619"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45619\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45623,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45619\/revisions\/45623"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45621"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}