{"id":45579,"date":"2018-01-02T10:14:53","date_gmt":"2018-01-02T12:14:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=45579"},"modified":"2018-02-02T10:10:33","modified_gmt":"2018-02-02T12:10:33","slug":"entrevista-marcelo-colares-the-cigarettes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/01\/02\/entrevista-marcelo-colares-the-cigarettes\/","title":{"rendered":"Entrevista: Marcelo Colares (The Cigarettes)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/carime.elmor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carime Elmor<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda faixa do \u00e1lbum \u201cBingo\u201d parece ser o que prevalece h\u00e1 20 anos na vida de Marcelo Colares, vocalista, guitarrista e compositor da The Cigarettes, banda indie brasileira que surgiu no in\u00edcio dos anos 1990. \u201cWe\u2019re gonna make a sound\u201d. Marcelo mora em Itaperuna (RJ), e ap\u00f3s pouco mais de duas d\u00e9cadas \u00e0 frente de seu projeto musical, lan\u00e7ando discos e EPs de maneira espa\u00e7ada e incessante, diz que \u201cpor mais que fique alguns meses sem fazer nada, vai chegar uma hora que vou fazer outro disco. Nesse sentido nada vai me parar\u201d. E n\u00e3o vai parar mesmo: s\u00f3 em 2017 foram tr\u00eas lan\u00e7amentos da The Cigarettes!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/midsummermadness.bandcamp.com\/album\/bingo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bingo<\/a>\u201d foi o primeiro CD, lan\u00e7ado em 1997 ap\u00f3s duas fitas cassetes (\u201c<a href=\"http:\/\/mmrecords.com.br\/cigarettes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fel\u00edcia + Foolish Things and Blah Blah Blah<\/a>\u201d, de 1994, e \u201c<a href=\"http:\/\/mmrecords.com.br\/cigarettes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brazil\u00b4s Sad Samba<\/a>\u201d, de 1996) pelo selo carioca midsummer madness. De l\u00e1 para c\u00e1, Marcelo Colares segue produzindo ativamente (e fazendo turn\u00eas inusitadas). Entre os lan\u00e7amentos mais recentes est\u00e3o \u201c<a href=\"https:\/\/midsummermadness.bandcamp.com\/album\/the-cigarettes-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Cigarettes<\/a>\u201d (2012), que ganhou registro em vinil, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/15\/the-waste-land-the-cigarettes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Waste Land<\/a>\u201d (2015), os singles \u201c<a href=\"https:\/\/midsummermadness.bandcamp.com\/track\/impossible-crush\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Impossible Crush<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/midsummermadness.bandcamp.com\/track\/blusky\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blusky<\/a>\u201d, de 2016, e o compacto duplo \u201c<a href=\"https:\/\/midsummermadness.bandcamp.com\/album\/dream-baby-dream-40-days\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dream Baby Dream \/ 40 Days<\/a>\u201d (2017), todos pela midsummer madness.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de 2017, dois lan\u00e7amentos marcaram a parceria da The Cigarettes com o selo Pug Records, de Juiz de Fora. Primeiro foi o EP \u201c<a href=\"https:\/\/pugrecords.bandcamp.com\/album\/the-lights-ep\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Lights<\/a>\u201d em setembro e, logo na sequencia, o \u00e1lbum in\u00e9dito \u201c<a href=\"https:\/\/pugrecords.bandcamp.com\/album\/saturno-wins\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Saturno Wins<\/a>\u201d, em novembro, um disco predominantemente ac\u00fastico (<a href=\"https:\/\/pugrecords.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">os dois liberados para download gratuito<\/a>). \u201cIsso de ser ac\u00fastico foi sendo definido na hora que a gente ia fazer, n\u00e3o foi nada planejado\u201d, conta Marcelo, que defende que nem tudo precisa seguir uma l\u00f3gica de mercado e que, 20 anos depois, \u201cao mesmo tempo que Cigarettes n\u00e3o \u00e9 uma banda importante, ela tem uma import\u00e2ncia, ainda que seja s\u00f3 para algumas pessoas\u201d. Confira o bate papo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" style=\"border: 0; width: 100%; height: 120px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1023705553\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/tracklist=false\/artwork=small\/transparent=true\/\" width=\"300\" height=\"150\" seamless=\"\"><span data-mce-type=\"bookmark\" style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" class=\"mce_SELRES_start\">?<\/span><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente comecei a ler o livro \u201cOur Band Could Be Your Life\u201d [Nossa banda pode se tornar sua vida], do Michael Azerrad. Tem mais de 20 anos que o The Cigarettes existe. Ent\u00e3o, primeiramente, gostaria de saber se voc\u00ea pensava que a banda poderia se tornar a sua vida? Quando voc\u00ea come\u00e7ou, em 1994, como era esse sonho?<\/strong><br \/>\n\u00c9 bem louco, porque voc\u00ea come\u00e7a a tocar e o impulso inicial \u00e9 tocar, simplesmente. E depois v\u00e3o ou n\u00e3o v\u00e3o acontecendo coisas. Mas o que percebo \u00e9 que mesmo que eu deixe de lado por algum tempo, a m\u00fasica acaba sempre voltando. Quando vejo, estou compondo, gravando, tocando. Costumo dizer que esse movimento \u00e9 involunt\u00e1rio em certa medida. Quando voc\u00ea v\u00ea, voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 fazendo as coisas e, pelo menos comigo, n\u00e3o tem muito planejamento ou um processo de decis\u00e3o. Talvez eu quisesse que a banda fosse mais a minha vida, minha vida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o Cigarettes, eu tenho que me virar para dar conta da sobreviv\u00eancia. Mas \u00e9 uma grande parte da minha vida, sem d\u00favida. Todo mundo que \u00e9 envolvido e faz m\u00fasica de alguma forma, ela te toma um espa\u00e7o bem grande, independente de terem uma proje\u00e7\u00e3o maior ou menor. Sobre a banda poder ser a minha vida, acho que sim, de alguma forma ela tem sido. The Cigarettes n\u00e3o \u00e9 uma banda importante, sabe? Sou mais eu que fa\u00e7o umas m\u00fasicas e gravo. Percebo, n\u00e3o sei porque, que algumas pessoas ficam incomodadas com isso, por exemplo, de n\u00e3o eu ter uma banda fixa e de eu estar fazendo as coisas do jeito que eu fa\u00e7o esse tempo todo. De alguma forma, mesmo assim, o Cigarettes acaba conquistando a aten\u00e7\u00e3o de algumas pessoas. Ent\u00e3o, acredito que, ao mesmo tempo que Cigarettes n\u00e3o \u00e9 uma banda importante, ela tem uma import\u00e2ncia, ainda que seja s\u00f3 para algumas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas estavam com a ideia de relan\u00e7ar o \u201cBingo\u201d [primeiro \u00e1lbum de est\u00fadio do The Cigarettes de 1997]. O Eduardo Ramos estava fazendo uma remixagem. Recentemente, colocaram o disco no Spotify, mas foi a vers\u00e3o original. Ainda h\u00e1 essa inten\u00e7\u00e3o? Queria que me falasse sobre a import\u00e2ncia de se fazer um \u201crevival\u201d de um disco que, para a m\u00fasica independente brasileira, tem uma hist\u00f3ria muito legal at\u00e9 nas entrelinhas, sobre voc\u00ea ficar indo ao est\u00fadio para fazer a p\u00f3s produ\u00e7\u00e3o do seu jeito, na marra, para ficar com a identidade que gostaria.<\/strong><br \/>\nEm meados de 2017, o Rodrigo Lari\u00fa (midsummer madness) me escreveu falando dos planos dele de relan\u00e7ar o \u201cBingo\u201d, de talvez lan\u00e7ar uma outra vers\u00e3o. Eu cheguei a enviar para o Eduardo as fitas VHS onde o disco foi gravado. O disco foi gravado em dois gravadores ADAT, um formato que ningu\u00e9m usa mais. A gente usava umas fitas chamadas de Super VHS. Ele chegou a digitalizar tudo e come\u00e7aria a remixar. Tinha essa ideia de relan\u00e7ar, talvez mesmo em CD. A gente estava tocando essa ideia, tinha a ideia de fazer um fanzine com depoimentos de galera que curte, a gente chegou a receber alguns destes depoimentos. Tinha essa ideia de relan\u00e7amento, eu n\u00e3o sei se ele vai retomar isso ou n\u00e3o. O disco, eu acredito que tenha alguma import\u00e2ncia. Tem gente que gosta dele, outras pessoas focam em supostos problemas de grava\u00e7\u00e3o, sobre ser mal gravado. Mas eu acho isso uma bobagem, porque o pouco de proje\u00e7\u00e3o que o disco teve, foi do jeito que ele \u00e9. Eu n\u00e3o acredito que isso seja algo que torne o disco pior. Eu acho que \u00e9 um disco importante, e n\u00e3o sou s\u00f3 eu que acho isso, tanto \u00e9 que estamos falando dele agora. Voc\u00ea n\u00e3o ia perder seu tempo de me ligar para falar sobre algo ruim, acredito. Acho que o \u201cBingo\u201d tem uma for\u00e7a, tanto \u00e9 que se passaram 20 anos, e ainda que sejam poucas pessoas que curtem, s\u00e3o pessoas ligadas nesse tipo de som, ent\u00e3o \u00e9 algo digno de nota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, e essa caracter\u00edstica que ele tem da grava\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, isso mostra o quanto que era verdade o movimento que estava rolando. E hoje, os m\u00fasicos est\u00e3o tendo muito mais no\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o musical, mixagem, porque facilitou. Tem mais conte\u00fado dispon\u00edvel e mais programas acess\u00edveis. Ent\u00e3o, essa grava\u00e7\u00e3o do \u201cBingo\u201d \u00e9 uma marca da \u00e9poca, de como era feito.<\/strong><br \/>\nClaro, \u00e9 muito mais f\u00e1cil hoje, voc\u00ea tem mais ferramentas, tudo est\u00e1 mais dispon\u00edvel. Naquela \u00e9poca era mais complicado, meio que a gente ia abrindo caminho na foice. Era um pouco mais pesado de se conseguir fazer as coisas do que \u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00f3 de voc\u00eas terem gravado em um est\u00fadio, j\u00e1 \u00e9 muita coisa para a \u00e9poca.<\/strong><br \/>\nSim, a gente conseguir um est\u00fadio naquele momento para gravar, j\u00e1 era um salto. Antes a gente gravava em portastudio e at\u00e9 duplo deck, gravava no que dava. Era sempre aquela coisa de fazer com o que se tinha, sem deixar que as limita\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas ou de equipamentos acabassem te impedindo de fazer. Eu vou fazer de um jeito ou de outro. O \u201cBingo\u201d \u00e9 um passo a mais nessa caminhada. Tinha um est\u00fadio de verdade, mas eu n\u00e3o sabia operar, s\u00f3 tinha no\u00e7\u00f5es e fui meio que fazendo, aprendendo enquanto fazia. Ent\u00e3o d\u00e1 para notar, tem algumas m\u00fasicas, por exemplo, que o bumbo n\u00e3o aparece, coisas assim. Mas o que se percebe, passado duas d\u00e9cadas, \u00e9 que isso n\u00e3o impediu as pessoas de continuarem a se lembrar do disco, e mesmo com todas essas limita\u00e7\u00f5es, as pessoas ainda se lembram do Cigarettes, do \u201cBingo\u201d, e tinha uma porrada de bandas naquela \u00e9poca que ningu\u00e9m se lembra mais, e na \u00e9poca eram faladas. Fico muito contente com isso tudo, tenho orgulho, claro, de ter feito aquele disco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-45583\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/bingo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/bingo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/bingo-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/bingo-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E foi importante voc\u00eas colocarem ele dispon\u00edvel, agora, em plataformas que as pessoas usam mais. Acaba que \u00e9 quase um relan\u00e7amento.<\/strong><br \/>\nSim, quase que um relan\u00e7amento\u2026 Acho importante deixar claro que n\u00e3o estou reivindicando nada, vou continuar fazendo as minhas m\u00fasicas, gravar quando der, lan\u00e7ar quando der, do jeito que der. E \u00e9 isso. N\u00e3o estou querendo dizer que fui o criador de tudo, nada disso, sabe? \u00c0s vezes as pessoas podem ter essa impress\u00e3o e n\u00e3o quero convencer ningu\u00e9m disso. \u00c9 s\u00f3 uma experi\u00eancia que vai se encaminhando. S\u00f3 quero fazer as minhas m\u00fasicas, e quem quiser ouvir, ouve, e quem n\u00e3o quiser, n\u00e3o escuta, n\u00e3o tem essa. Nunca vou brigar com ningu\u00e9m para me afirmar, nunca tive ganhos materiais com a m\u00fasica. Pelo contr\u00e1rio at\u00e9, se for considerar o lado pr\u00e1tico da coisa, a m\u00fasica mais atrapalhou. Mas isso n\u00e3o me desestimula de forma alguma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tanto \u00e9 que voc\u00ea gravou o \u201cSaturno Wins\u201d (2017).<\/strong><br \/>\nTanto \u00e9 que continuo fazendo. Acho que para se fazer qualquer coisa \u00e9 dif\u00edcil, a vida \u00e9 dif\u00edcil. As dificuldades que enfrentei n\u00e3o me tornam melhor do que ningu\u00e9m. Sou algu\u00e9m que faz m\u00fasica e que mostra pro mundo. Fico muito feliz quando as pessoas gostam. \u00c9 basicamente isso. N\u00e3o estou reivindicando nenhum papel de destaque, de precursor de nada, embora seja poss\u00edvel verificar que, olhando retrospectivamente, talvez tenha havido algum pioneirismo no The Cigarettes, talvez. Mas isso n\u00e3o faz diferen\u00e7a para a minha vida, porque n\u00e3o se trata disso. Por que um artista faz o que ele faz? Essa \u00e9 outra quest\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de responder. N\u00e3o \u00e9 por um motivo s\u00f3, n\u00e3o existe uma \u00fanica explica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o v\u00e1rias coisas que v\u00e3o se mostrando ao longo do tempo, eu estou nesse processo ainda, desde sei l\u00e1 quando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar agora sobre o novo disco. \u201cSaturno Wins\u201d (2017), lan\u00e7ado em novembro de 2017 pela Pug Records, \u00e9 voz e viol\u00e3o, mais cru, e n\u00e3o t\u00e3o \u201cobscuro\u201d. \u00c9 um som mais limpo e claro do que os seus outros trabalhos. Como foi construindo a ideia deste disco?<\/strong><br \/>\n\u00c9, ele teve uma masteriza\u00e7\u00e3o boa, feita com um gringo, eu e Eduardo Ramos pagamos para o Alan Douches fazer, o Eduardo indicou esse cara para masterizar. Isso deu um som mais cristalino, acho que ajudou a dar essa clareza a mais para o som. Gravei esse disco ano passado (2016) com a Bruna Buzollo, l\u00e1 de Uberaba, ela manja bastante de \u00e1udio e fez a capta\u00e7\u00e3o dos viol\u00f5es, fez tudo com bastante cuidado, a gente se entendia muito bem e isso acabou refletindo no disco. Mas essa coisa de ser mais ac\u00fastico, isso foi sendo definido na hora que a gente ia fazer, n\u00e3o foi nada planejado tamb\u00e9m. Fui para o Tri\u00e2ngulo Mineiro fazer uns shows j\u00e1 com essa ideia de gravar com ela. Fiz quatro shows com a Nathalia Motta (Derrota) na bateria, e o Eddie Shumway (Lava Divers) no baixo, e toquei guitarra e cantei. Depois de quatro shows fui gravar. A ideia inicial era usar bateria eletr\u00f4nica, s\u00f3 que quando comecei a tocar as m\u00fasicas para a Bruna, que produziu e deu uns toques, ela falou: \u201cO que voc\u00ea acha da gente fazer s\u00f3 voz e viol\u00e3o?\u201d. Eu falei \u201cBora!\u201d. E ficou desse jeito. Ela ia mixar tamb\u00e9m, s\u00f3 que ela tem uma casa em Uberaba, o Laborat\u00f3rio 96, e \u00e9 muito corrido o dia dela, ent\u00e3o acabou que ela ficou sem tempo e o Eduardo Ramos, em 2017, pegou para fazer, ficou mixando durante uns dois ou tr\u00eas meses, depois a gente mandou para o Alan Douches, ele masterizou e eu lancei pela Pug Records, selo do Eduardo Vasconcelos. Ele tem me dado muita aten\u00e7\u00e3o e tido muito cuidado com a forma que os lan\u00e7amentos se d\u00e3o, e \u00e9 tamb\u00e9m uma pessoa empolgada com esse universo, pelo menos aparenta ser. Sou muito grato a ele por isso. As pessoas parece que n\u00e3o entendem, eu vou lan\u00e7ar um disco para quem quiser ouvir, n\u00e3o \u00e9 que eu vou lan\u00e7ar um disco e dominar o mundo. Eu vou lan\u00e7ar um disco porque as m\u00fasicas est\u00e3o prontas, gravadas, mixadas. Quem quiser ouvir, ouve, \u00e9 simples. As pessoas ficam esperando que eu v\u00e1 fazer uma caralhada de shows ou v\u00e1 divulgar de mil formas, mas n\u00e3o. \u00c9 um pouco estranho que nos dias de hoje aconte\u00e7a isso ainda. Rola um discurso de que a m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 o mais importante ou que a m\u00fasica s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 tudo, voc\u00ea tem que se apresentar de determinada forma, fazer isso e aquilo, e quase transformar sua vida em um reality show para divulgar a m\u00fasica. Mas estou em outra, vou fazer o que quiser, o que tiver vontade e sentir que posso fazer sem me agredir, sem for\u00e7ar uma barra absurda. Voc\u00ea s\u00f3 quer dizer alguma coisa, sabe? E voc\u00ea encontra formas de dizer. Nem tudo tem que ser guiado por uma l\u00f3gica de mercado. Esse discurso de que voc\u00ea tem que fazer e acontecer, mesmo a m\u00fasica independente, que se diz progressista, acaba repetindo uma l\u00f3gica neoliberal de meritocracia, de que s\u00f3 se d\u00e1 bem quem faz por onde, o que \u00e9 meio incongruente. Independente de querer ou n\u00e3o, vou continuar fazendo m\u00fasica. Por mais que eu fique alguns meses sem fazer nada, vai chegar uma hora que eu vou fazer outro disco, nesse sentido nada vai me parar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As 10 faixas do \u201cSaturno Wins\u201d tornam o disco bem coerente dentro de uma est\u00e9tica sonora. Voc\u00ea ouve o disco todo e ele tem um caminho. E \u00e9 legal a \u00faltima m\u00fasica, somente, ser em portugu\u00eas, porque \u00e9 uma surpresa. Queria saber dos momentos dessas composi\u00e7\u00f5es, se elas s\u00e3o recentes, nasceram em um mesmo fluxo, ou algumas s\u00e3o antigas que voc\u00ea foi escolhendo e montando essa hist\u00f3ria?<\/strong><br \/>\n\u00c9 meio que as duas coisas, acaba que conta uma hist\u00f3ria, mas como eu estava falando, \u00e9 intencional, mas \u00e9 inconsciente, tamb\u00e9m. \u00c9 como se eu viesse planejando aquilo em um segundo plano, como se houvesse um processamento em segundo plano que vai montando as coisas sem que eu perceba. At\u00e9 a m\u00fasica 6 foi tudo feito entre o finalzinho de 2015 e meados de 2016. Mas vai chegando ao final e tem duas m\u00fasicas mais antigas, de 2001, 2002. A faixa 9, \u201cSunflower\u201d, \u00e9 do in\u00edcio de 2015. E a \u00faltima, \u201cComunh\u00e3o de Bens\u201d, n\u00e3o \u00e9 minha, \u00e9 da Laura Wrona. Fui decidindo l\u00e1 na hora, eu n\u00e3o tinha planejado, sinceramente, e acabou que ficou meio uniforme o disco. Fui mexendo nas m\u00fasicas mais antigas durante esse tempo, acertando detalhes, mas isso tudo \u00e9 de uma forma meio espont\u00e2nea, sem eu perceber. Todo o meu processo de cria\u00e7\u00e3o \u00e9 assim, vou mexendo e chega uma hora que vou gravar. Essa hora, \u00e0s vezes, \u00e9 surpresa, \u00e0s vezes, \u00e9 esperada. O processo de cria\u00e7\u00e3o \u00e9 quase sempre involunt\u00e1rio e at\u00e9 misterioso, voc\u00ea n\u00e3o tem como explicar porque fez daquele jeito e s\u00f3 depois de ter sa\u00eddo de voc\u00ea, voc\u00ea come\u00e7a a perceber: \u201cAh, isso pode ter a ver com aquela outra coisa\u201d. Raramente \u00e9 uma motiva\u00e7\u00e3o deliberada, \u201ceu vou falar sobre isso\u201d ou \u201cfazer dessa maneira para soar desse jeito\u201d, normalmente \u00e9 espont\u00e2neo e involunt\u00e1rio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-45584\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/saturno.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/saturno.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/saturno-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/saturno-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma hist\u00f3ria legal de se contar \u00e9 sobre as turn\u00eas. A \u00faltima do The Cigarettes foi aquela no Nordeste, em 2015? Como foram esses shows, a viagem, o encontro da banda com diferentes p\u00fablicos?<\/strong><br \/>\nTeve essa em novembro de 2015 e aquela no Tri\u00e2ngulo Mineiro, que foi depois, em tr\u00eas cidades. Teve essa turn\u00ea maluca no Nordeste que quando eu vi estava o Mancha (Leonel) na banda, o Ugeda, uma banda muito maluca, o Gordinho, que toca na Pelvs \u2013 e \u00e9 DJ \u2013 ele era o mais, vamos dizer, o mais careta da turma. Essa banda surgiu assim: eu gravei \u201cThe Waste Land\u201d (2015), o disco anterior ao \u201cSaturno Wins\u201d, no est\u00fadio do S\u00e9rgio Ugeda, um est\u00fadio que ele tinha, n\u00e3o tem mais. A gente acabou de gravar o disco e eu ajudei ele a esvaziar o im\u00f3vel. Foi uma coisa muito louca porque a gente estava terminando de mixar e ele recebeu um e-mail falando que ia ter que entregar o im\u00f3vel. Sendo que o disco anterior, o \u201cThe Cigarettes\u201d (2012), foi o \u00faltimo tamb\u00e9m gravado em um est\u00fadio no Rio. Eu gravo um disco e o est\u00fadio fecha, duas vezes seguidas aconteceu isso, uma vibe bem intensa. Mas retomando, rolou isso, gravei o disco com o Ugeda, foi maneiro, passou um tempo a gente ia lan\u00e7ar o disco e eu chamei o Ugeda para tocar bateria comigo, ele tamb\u00e9m tinha gravado no disco. Fizemos show no Rio e BH com baixistas do Rio que fui convidando. O Gordinho j\u00e1 estava tocando tamb\u00e9m, e tinham outros shows marcados, o pr\u00f3ximo seria na Casa do Mancha. Eu e Ugeda ficamos tentando encontrar outro baixista. Eu chamei o Ricardo Spencer, e ao mesmo tempo ele chamou o Mancha. Os dois aceitaram. A\u00ed o Spencer se ofereceu de tocar teclado, ele come\u00e7ou a tocar, e tamb\u00e9m umas maracas, foi bem divertido. O Spencer arrasando nas maracas. Conhe\u00e7o ele h\u00e1 muito tempo, desde os anos 1990, ele chegou a tocar comigo em Aracaj\u00fa e Salvador uma vez. Ficamos eu, guitarra e voz, Gordinho na outra guitarra, Ugeda na bateria e Mancha no Baixo. E a\u00ed rolou da gente tocar no DoSol, em Natal, o Lari\u00fa deu uma for\u00e7a para a gente conseguir marcar esse show. E a gente tinha tocado antes no Festival Mundo, em Jo\u00e3o Pessoa, mas foi furada, n\u00e3o tinha ningu\u00e9m no lugar. Tanto \u00e9 que \u00edamos dormir l\u00e1, mas decidimos sair do show e ir direto para Natal. Eu lembro que nessa ida, de Jo\u00e3o Pessoa para l\u00e1, o Ugeda estava dirigindo. A gente indo, fumando, o Ugeda, no volante, fumando tamb\u00e9m, e virando para tr\u00e1s para pegar o beck. A\u00ed de noite, a gente no meio do Nordeste, chega uma hora, ele vira para pegar, solta uma m\u00e3o do volante e o carro sai da estrada. A\u00ed todo mundo \u201ccaralho! caralho!\u201d. A\u00ed o Gordinho, que n\u00e3o fuma, falou: \u201cparou, parou com isso agora, vamos dar um tempo\u201d. Porque (o carro) saiu, mas ele conseguiu voltar, mas foi um susto muito grande. A gente alugou o carro em Macei\u00f3, na praia. A gente tentou em locadora, mas era muita burocracia. Chegamos na praia perguntando \u201conde a gente aluga um carro aqui?\u201d e apareceu um maluco dizendo que sabia. Era uma Fiorino e o cara que estava alugando o carro perguntou: \u201cVoc\u00eas querem beck tamb\u00e9m?\u201d. Tinha tudo, a gente alugou o carro, comprou beck e o cara ainda perguntou se a gente queria mais coisa. Mas n\u00e3o, s\u00f3 isso mesmo. Fomos para a casa do Coletivo Pop Fuzz, galera muito gente fina, eles acolheram a gente l\u00e1. Voltando para essa casa, tinha um acesso por uma rua bem estreita e a gente n\u00e3o sabia se dava para passar. Na hora de fazer uma curva ficou em uma situa\u00e7\u00e3o que se n\u00e3o batesse na parede, ca\u00eda em um penhasco. A\u00ed o Mancha estava no volante e ele preferiu bater na parede. Ainda bem. Ent\u00e3o, arrebentou a porta um pouco, mas a gente deu um jeito l\u00e1, mas foi surreal porque a gente n\u00e3o tinha feito nenhum show ainda e o carro j\u00e1 tinha batido. Macei\u00f3 foi o primeiro show, no Pup Fiction, depois fomos para Jo\u00e3o Pessoa, Natal, no DoSol era muita molecada, tinha uma galera que nunca tinha ouvido falar. A percep\u00e7\u00e3o de cada um varia muito, depois lendo as cr\u00edticas, teve desde gente que achou o show mais chato do festival, at\u00e9 o melhor show. Isso de algu\u00e9m n\u00e3o gostar do seu som \u00e9 muito relativo, porque cada um acha uma coisa e que bom que \u00e9 assim. Depois de Natal, fomos para Recife, e o Mancha n\u00e3o tocou com a gente, porque era em um Museu, um formato de banda menor, e para um p\u00fablico mais velho que ia para l\u00e1 ouvir m\u00fasica s\u00e1bado de tarde. Foi o \u00fanico show desses tr\u00eas que tinha cach\u00ea e a gente demorou pra caramba pra receber. E essa galera que, supostamente, n\u00e3o era o nosso p\u00fablico, nos receberam muito bem. Umas senhoras chegaram depois pra conversar com a gente e comprar o CD falando \u201csom bem gostosinho dos anos 1990\u201d (risos). Foi massa, porque meio que o \u201cnosso p\u00fablico\u201d a gente j\u00e1 conhece, ter contato com uma galera diferente \u00e9 sempre bem interessante. Foram esses quatro shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o essa turn\u00ea acabou sendo a mais \u201crock\u2019n\u2019roll\u201d da trajet\u00f3ria do The Cigarettes?<\/strong><br \/>\nDa hist\u00f3ria recente acho que foi, nos anos 1990 tamb\u00e9m teve umas hist\u00f3rias bem curiosas, mas acho que essa foi campe\u00e3. Voltando pra S\u00e3o Paulo ainda fiquei na casa da Bruna Buzollo, com quem gravei o \u201cSaturno Wins\u201d, e gravei umas tr\u00eas m\u00fasicas com ela nesses dias. Conheci a Bruna por causa da Let\u00edcia Rezende, namorada dela. As duas abriram juntas o Laborat\u00f3rio 96 em Uberaba. A Let\u00edcia era produtora, eu a conheci em um belo dia, in\u00edcio de 2015, quando ela chegou falando que adorava meu som, veio me perguntar sobre um show ac\u00fastico em S\u00e3o Paulo. E me perguntou, depois, se eu nunca tinha pensado em fazer algumas coisas maiores. Respondi que n\u00e3o estava rolando muito e perguntei se ela n\u00e3o queria me ajudar, e acabou que muitos destes shows que eu falei, a Let\u00edcia que me ajudou a marcar. Conheci a Bruna por conta da Let\u00edcia que foi produtora do The Cigarettes por um tempo. A Bruna comp\u00f5e tamb\u00e9m e a gente gravou v\u00e1rias coisas, inclusive no EP \u201cThe Lights\u201d, que saiu antes do \u201cSaturno Wins\u201d. Das seis m\u00fasicas, quatro eu gravei com a Bruna Buzollo. Foi um bom encontro, tem rendido bastante coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A The Cigarettes, querendo ou n\u00e3o, \u00e9 considerada uma pioneira no movimento de guitar bands indie brasileiras. Depois de voc\u00eas surgiram v\u00e1rias legais, at\u00e9 porque foi em 1994 que come\u00e7aram. Ent\u00e3o, por mais que esse \u00faltimo disco tenha sido mais gravado com viol\u00e3o, eu fico curiosa de te perguntar sobre a sua guitarra. Qual \u00e9 a guitarra que voc\u00ea mais usa? Existe um som de guitarra que persegue a sua cabe\u00e7a, por uma busca de identidade sua?<\/strong><br \/>\nForam v\u00e1rias guitarras, a \u00faltima que usei na grava\u00e7\u00e3o do disco que saiu em vinil, o \u201cThe Cigarettes\u201d (2012), eu comprei em 2008. \u00c9 uma guitarra simples, uma Fender Squier Jagmaster, uma mistura da Jaguar com a Jazz Master. Acho que \u00e9 poss\u00edvel tirar o som que voc\u00ea quer de uma guitarra independente do instrumento. \u00c9 poss\u00edvel tirar som legal de qualquer guitarra. J\u00e1 gravei com Giannini, Yamaha, que \u00e9 bem fuleira. A que tenho usado nos \u00faltimos 10 anos tem sido essa, ela \u00e9 uma vers\u00e3o standard, uma vers\u00e3o de estudo da Fender. A Squier \u00e9 uma s\u00e9rie mais barata. Mas tem Giannini que tem som muito bom, acho que d\u00e1 para se virar independente da sua ferramenta. \u201cO artes\u00e3o n\u00e3o pode culpar a ferramenta\u201d, tem esse ditado, acho que d\u00e1 para encontrar formas de se chegar em um resultado bom. \u00c9 claro que se voc\u00ea puder ter os melhores instrumentos, melhor, claro. Sobre som de guitarra, a quest\u00e3o dos timbres, tem v\u00e1rios. O som de guitarra do The Jesus and Mary Chain \u00e9 uma coisa que sempre tentei. The Raveonettes tamb\u00e9m \u00e9 uma banda com som de guitarra muito bom. Dinosaur Jr., The Smiths, tem uma infinidade de bandas. Nem dou conta mais de tanta banda que tem, as que falei s\u00e3o antigas, mas tem muita banda nova, j\u00e1 desisti de acompanhar tudo. N\u00e3o tem como, se voc\u00ea for fazer isso voc\u00ea n\u00e3o faz outra coisa da vida. O que acabo descobrindo costuma ser mais por acidente, n\u00e3o fico garimpando a \u00faltima novidade, tem muito tempo que n\u00e3o fa\u00e7o isso. Por mais que voc\u00ea persiga um determinado som, o que voc\u00ea consegue acaba sendo uma outra coisa, uma aproxima\u00e7\u00e3o daquilo e ao mesmo tempo uma coisa diferente e na melhor das hip\u00f3teses, em algum momento, voc\u00ea acaba conseguindo criar alguma coisa que seja mais a sua identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gra\u00e7a de ser m\u00fasico e persistir compondo parece ser justamente essa. Talvez nunca encontrar e, enquanto isso, n\u00e3o parar de compor e buscar esse \u201calmejado\u201d som.<\/strong><br \/>\nO F\u00e1bio Leopoldino (ex-Second Come), que j\u00e1 morreu, e fez a capa do \u201cBingo\u201d, ele falava que o que ele queria era fazer um som que a pessoa ouvisse e falasse: \u201cAh, isso \u00e9 do F\u00e1bio\u201d, e esse \u00e9 um bom alvo. Voc\u00ea conseguir criar uma marca, isso \u00e9 uma coisa que voc\u00ea vai perseguindo e uma hora voc\u00ea acaba conseguindo. Pode ser por mil coisas: o jeito que a pessoa toca, o jeito que a pessoa canta, o jeito que ela comp\u00f5e, alguma falha que a pessoa tenha.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EVe3RAUeduk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/S8O8rht1ZV8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SMvvU-Njm5Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8211; Carime Elmor (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/carime.elmor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb\/carime.elmor<\/a>) \u00e9 jornalista da Tribuna de Minas e\u00a0fazedora dos zines <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/malditasgrls\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Malditas<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Nem tudo tem que ser guiado por uma l\u00f3gica de mercado. 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