{"id":45554,"date":"2017-12-28T13:48:38","date_gmt":"2017-12-28T15:48:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=45554"},"modified":"2018-02-27T09:28:33","modified_gmt":"2018-02-27T12:28:33","slug":"literatura-linha-m-de-patti-smith","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/28\/literatura-linha-m-de-patti-smith\/","title":{"rendered":"Literatura: &#8220;Linha M&#8221;, de Patti Smith"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecei a ler &#8220;Linha M&#8221;, de Patti Smith, de forma despretensiosa?\u2014?comprei o livro h\u00e1 algum tempo, em uma Feira do Livro da USP, mas nunca o tirei da estante. A raz\u00e3o \u00e9 simples: apesar de ter lido?\u2014?e gostado muito?\u2014?de &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/21\/livro-so-garotos-patti-smith\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00f3 Garotos<\/a>&#8220;, primeiro livro de mem\u00f3rias <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/15\/um-passeio-no-east-village-e-patti-smith\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da poeta punk de Nova York<\/a>, eu nunca fui exatamente um grande f\u00e3 seu. (A mem\u00f3ria pode me trair, mas acho que li &#8220;S\u00f3 Garotos&#8221; antes de completar minha primeira audi\u00e7\u00e3o completa de &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/30\/um-classico-horses-de-patti-smith\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Horses<\/a>&#8220;, seu grande disco). A prosa de tom delicado de &#8220;S\u00f3 Garotos&#8221; foi o que me fez comprar &#8220;Linha M&#8221; (os dois editados no Brasil pela Companhia das Letras).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despretens\u00e3o de ler &#8220;Linha M&#8221; (&#8220;M Train&#8221; no original) tamb\u00e9m tem surgiu por raz\u00f5es pessoais. Cheguei ao fim de 2017 morto de tanto trabalhar?\u2014?um bocado por op\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Cabe\u00e7a vazia, o ditado \u00e9 bem conhecido. Enquanto escrevo essas linhas, me preparo para ir dormir antes de meu \u00faltimo dia de trabalho coletivo nesta temporada. Comecei a ler o livro pouco antes do come\u00e7o do plant\u00e3o de Natal, \u00e9poca em que nada acontece e os dias parecem se arrastar \u00e0 espera de algo?\u2014?\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/06\/19\/as-diferencas-de-because-the-night\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">love is the ring, the telephone<\/a>\u201d, vale sempre lembrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que me chamou a aten\u00e7\u00e3o no come\u00e7o do livro \u00e9 que quase sempre que eu acabava um cap\u00edtulo (quase sempre acompanhado da audi\u00e7\u00e3o de &#8220;Harvest Moon&#8221;, de Neil Young, disco que at\u00e9 \u00e9 citado <em>en passant<\/em> por Patti) me dava uma instant\u00e2nea vontade de dormir. Mas \u00e9 uma vontade diferente de dormir: n\u00e3o \u00e9 porque o livro fosse chato, mas apenas porque seu ritmo lento, contemplativo, pedia isso. Ao percorrer as p\u00e1ginas, entendi o porqu\u00ea: ao contr\u00e1rio de &#8220;S\u00f3 Garotos&#8221;, no qual conta a hist\u00f3ria de seu relacionamento com o fot\u00f3grafo e artista Robert Mapplethorpe, &#8220;Linha M&#8221; \u00e9 um livro \u201cem suspens\u00e3o\u201d, escrito sob o efeito das mem\u00f3rias da vida ao lado de Fred \u2018Sonic\u2019 Smith (do MC5), com quem Patti viveu entre 1980 e 1994?\u2014?quando ele morreu, v\u00edtima de um ataque card\u00edaco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-45557\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/patti2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/patti2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/patti2-300x186.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o evidente \u00e0 primeira vista: &#8220;S\u00f3 Garotos&#8221; \u00e9 um livro sobre o passado. J\u00e1 &#8220;Linha M&#8221; \u00e9 sobre o presente em aus\u00eancia?\u2014?mesmo tendo sido escrito quase duas d\u00e9cadas depois a morte de Fred. N\u00e3o importa se est\u00e1 em viagem, por M\u00e9xico, Jap\u00e3o, Espanha ou Alemanha, ou em sua Nova York vendo seriados policiais e tomando incont\u00e1veis caf\u00e9s (at\u00e9 para aplacar o seu pr\u00f3prio ritmo): a narrativa de Patti sente os efeitos dessa \u201cletargia\u201d, desse espa\u00e7o \u201centre\u201d em que o nada parece preencher os dias. \u00c9 um livro bonito, \u201cdolorosamente bonito\u201d como diz a frase cr\u00edtica escolhida para estampar a contracapa e convencer o incauto leitor a embarcar nessa jornada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acompanhar Patti nesse caminho n\u00e3o \u00e9 exatamente simples: sua escrita \u00e9 dispersa, alternando sonho, realidade, viagem e mem\u00f3ria. Mas \u00e9 um exerc\u00edcio interessante?\u2014?afinal, a pr\u00f3pria cabe\u00e7a do leitor tamb\u00e9m n\u00e3o funciona assim? Ao ler &#8220;Linha M&#8221;, me deixei levar por p\u00e1ginas apenas percorrendo as letras e pensando em hist\u00f3rias da minha pr\u00f3pria vida que ressoavam com as letras de Patti?\u2014?o caf\u00e9 especial que ela toma no M\u00e9xico me trouxe \u00e0 tona o mate que passei uma tarde inteira bebendo em Col\u00f4nia do Sacramento no ano passado. A aus\u00eancia de Fred, as hist\u00f3rias vividas juntas com ele e que n\u00e3o podem mais ser compartilhadas, tamb\u00e9m me fizeram pensar nas minhas pr\u00f3prias, \u00e0 maneira que me cabe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E essa foi talvez a maior beleza de &#8220;Linha M&#8221; para mim: ao contar seu pequeno cotidiano, Patti Smith me fez pensar em como o meu dia a dia funciona?\u2014?e como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/08\/09\/download-as-lembrancas-sao-escolhas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">as lembran\u00e7as s\u00e3o escolhas<\/a>. Posso levar algumas frases bonitas do livro (minha favorita \u00e9 \u201cDesculpe, hoje n\u00e3o tem leite, s\u00f3 alegria\u201d, dita pela autora a um gatinho encontrado em sua nova casa em Rockaway Beach, na zona metropolitana de Nova York), mas n\u00e3o preciso levar sua hist\u00f3ria exatamente comigo. \u00c9 como se o livro fosse mais do que tinta e papel, mas sim, um espelho?\u2014?m\u00e1gico, talvez?\u2014?que revele n\u00e3o s\u00f3 o que h\u00e1 dentro do leitor, mas tamb\u00e9m o que falta nele. \u00c0s vezes, \u00e9 o suficiente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WFHTWuLRLzY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista e trabalha no caderno Link, de O Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Um cl\u00e1ssico: \u201cHorses\u201d, o primeiro disco de Patti Smith (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/30\/um-classico-horses-de-patti-smith\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cS\u00f3 Garotos\u201d \u00e9 para todos aqueles que ainda acreditam no amor (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/21\/livro-so-garotos-patti-smith\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Leia um trecho de &#8220;S\u00f3 Garotos&#8221;:\u00a0Patti Smith, CBGB e Television (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2017\/01\/07\/patti-smith-cbgb-e-television\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;S\u00f3 Garotos&#8221; \u00e9 um livro sobre o passado. J\u00e1 &#8220;Linha M&#8221; \u00e9 sobre o presente em aus\u00eancia?\u2014?mesmo tendo sido escrito quase duas d\u00e9cadas depois a morte de Fred &#8220;Sonic&#8221; Smith\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/28\/literatura-linha-m-de-patti-smith\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":45556,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[1176],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45554"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45554"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45554\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45558,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45554\/revisions\/45558"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45556"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45554"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}