{"id":45465,"date":"2017-12-20T11:19:51","date_gmt":"2017-12-20T13:19:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=45465"},"modified":"2018-01-29T10:02:23","modified_gmt":"2018-01-29T12:02:23","slug":"saiba-como-foi-o-festival-estopim-2017-em-curitiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/20\/saiba-como-foi-o-festival-estopim-2017-em-curitiba\/","title":{"rendered":"Saiba como foi o Festival Estopim 2017, em Curitiba"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rafael.p.donadio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rafael Donadio<\/a><br \/>\nFotos por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/haistudio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">HAI Studio<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O embargo realizado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, <a href=\"http:\/\/www.bemparana.com.br\/pista1\/arnica-fechada-e-iliada-na-camara-sensibilizai-vos-parlamentares\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no in\u00edcio de 2017<\/a>, na casa que abriga o coletivo curitibano Arnica Cultural reflete o retrocesso pol\u00edtico e cultural que vivemos em todo o pa\u00eds. A resist\u00eancia ouvida, vista e sentida na primeira edi\u00e7\u00e3o do Festival Estopim, realizado pelo pr\u00f3prio coletivo, nos \u00faltimos dias 15, 16 e 17 de dezembro exibe a for\u00e7a dos artistas na luta contra essa opress\u00e3o. Como bem disse Alexandre Osiecki (fundador e produtor do Psicod\u00e1lia): \u201cA conjuntura pol\u00edtica n\u00e3o ajuda os festivais, independentes ou dependentes de patroc\u00ednio privado e\/ou p\u00fablico. Mas \u00e9 exatamente essa dificuldade que faz os grupos se fortalecerem e se juntarem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sexteto que comp\u00f5em a banda Trombone de Frutas e gerencia a Arnica Cultural, espa\u00e7o que j\u00e1 recebeu artistas do porte de Met\u00e1 Met\u00e1, Curumin, Nomade Orquestra, Apanhador S\u00f3, Di Melo, Yuck e muitos outros, mostrou que n\u00e3o se calar\u00e1 t\u00e3o facilmente. O Festival Estopim colocou em pauta, no primeiro dia, de conversas e trocas, as dificuldades, impasses e poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es de se produzir m\u00fasica, festival e arte no Brasil. Na calmaria de boas conversas, a pol\u00edcia n\u00e3o apareceu e n\u00e3o viu problema nenhum ali pelos cantos do bairro Bigorrilho. Mal sabem que o grito foi alto. Muito alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As trocas come\u00e7aram cedo com a mesa \u201cFazendo o Rol\u00ea\u201d e a presen\u00e7a de Salma J\u00f4 e Macloys Aquino, da banda Carne Doce, Kaila Pelisser e Katherine Zander, da banda Cora, e Madu e Vitor Salmazo, do grupo Machete Bomb. Mediada por Heitor Humberto, os grupos e a plateia discutiram sobre a dificuldade de se auto produzir, a import\u00e2ncia dos shows e a dificuldade, principalmente dos curitibanos ali presentes (Cora e Machete Bomb) de entrar no circuito independente de festivais. Tamb\u00e9m ressaltaram a import\u00e2ncia dos selos, tamb\u00e9m independentes, na produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o das bandas, neste caso espec\u00edfico da Cora, que trabalha com a PWR Records (PE) e com Honey Bomb Records (RS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSelos foram essenciais para nos entendermos como produto. Entender o pr\u00f3ximo passo ap\u00f3s o cair da ficha: &#8216;eu sou artista&#8217;. Selo te d\u00e1 um norte do que fazer. Al\u00e9m da import\u00e2ncia da parte mercadol\u00f3gica, que pode ser honesta\u201d, declararam as meninas da Cora. Por outro lado, Salma ressaltou o papel dos selos para toda uma cena ser constru\u00edda e fortalecida: \u201cMesmo n\u00e3o trabalhando com nenhum, a gente sabe que quando vamos tocar em alguns lugares, os selos locais s\u00e3o fundamentais para o show acontecer\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois, Michelle Hesketh (Musicletada e Ru\u00eddo CWB), Alexandre Osiecki (Psicod\u00e1lia) e Jonas Bender Bustince (Festival Enxame) participaram da mesa \u201cAmplifica A\u00ed\u201d, mediada por Bina Zanette, para tra\u00e7ar um panorama dos festivais que movimentam o Sul. Todas as hist\u00f3rias ali compartilhadas t\u00eam uma situa\u00e7\u00e3o em comum: os quatro festivais surgiram da falta de espa\u00e7o para as bandas tocarem, cada um na sua regi\u00e3o e no seu tempo. E tamb\u00e9m todos ali presentes chegaram a uma conclus\u00e3o: Estopim e os demais festivais s\u00e3o apenas alguns passo, tem muita banda precisando de espa\u00e7o em Curitiba, no Paran\u00e1 e pelo Brasil afora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para finalizar a primeira noite do Estopim, a noite \u201csilenciosa\u201d, a mesa \u201cBuracos no Teto\u201d reuniu Toni Aiex (TMDQA), Rodrigo Chavez (Arnica), Matheus Mantovani (On\u00e7a Discos), Hannah Carvalho e Leticia Tom\u00e1s (PWR Records) e Luciano Faccini (\u00c1gua Viva Concertando Art\u00edstico) para discutir sobre as iniciativas que reinventam as cenas independentes. E como bem pontuou Leticia, \u201cIndepend\u00eancia foi a palavra-chave\u201d. E completou: \u201cVimos que se n\u00e3o tivesse ningu\u00e9m movimentando a cena e as bandas com mulheres no meio independente, nada aconteceria.\u201d PWR Records \u00e9 um selo recifense que lan\u00e7a apenas trabalhos que tenham mulheres na forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e1bado, onde o barulho estava liberado, no Hermes Bar, os gritos por liberdade e pela cultura soaram ainda mais fortes. Mulamba (Curitiba, PR) subiu ao palco \u00e0s 22h e levou o p\u00fablico ao auge j\u00e1 na primeira apresenta\u00e7\u00e3o, com os dois grandes hits \u201cMulamba\u201d e \u201cP.U.T.A\u201d. A \u00faltima, com direito a solo de dan\u00e7a de Fl\u00e1via Massali, que no meio de uma roda no p\u00fablico que j\u00e1 lotava o local, emocionou a todos, inclusive ao sexteto que tocava e apreciava o show de Fl\u00e1via. E nada mais a dizer de uma banda que consegue dar um peso ainda maior, mais rock\u2019n\u2019roll, \u00e0 m\u00fasica \u201cMaria de Vila Matilde\u201d, de Douglas Germano e imortalizada pela Mulher do Fim do Mundo, Elza Soares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Carne Doce (Goi\u00e2nia, GO) manteve o p\u00fablico atento e suado, sempre no auge, dan\u00e7ado e acompanhando a bandleader Salma J\u00f4, que, da mesma forma, dan\u00e7ava, se contorcia e suava em cima do palco. Como sempre, com muita maestria, ela cantava e entoava seus gritos caracter\u00edsticos que penetram a alma. Para finalizar e mandar todos para casa com a roupa ensopada, os donos da festa, Trombone de Frutas, fizeram seu baile. Sempre com um humor sarc\u00e1stico, os trombonistas frut\u00edferos apresentaram as m\u00fasicas dos dois \u00e1lbuns da carreira. E ap\u00f3s essa enxurrada de adrenalina, alguns guerreiros ainda aguentaram na pista, sob o comando de DJ Baqueta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tirar todos da ressaca do dia anterior \u2013 principalmente daqueles que abusaram dos drinks caseiros e deliciosos \u2013 e tamb\u00e9m daquela cl\u00e1ssica e j\u00e1 esperada ressaca de domingo, a primeira banda do dia 17 subiu ao palco com apenas meia hora de atraso, nada que tenha preocupado os presentes, que j\u00e1 voltavam aos drinks. Tuyo (Curitiba, PR) e o seu folk futurista acordou e levantou a galera e fez muito mais que o papel de \u201cbanda local\u201d. Fez um show digno de banda principal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a galera j\u00e1 fora da prostra\u00e7\u00e3o de domingo, Tagore (Recife, PE) trouxe, mais uma vez, o psicodelismo nordestino para os palcos curitibanos, e colocou todo mundo para dan\u00e7ar e fritar. Tamb\u00e9m j\u00e1 ambientados com os palcos da capital paranaense, Francisco, El Hombre (Campinas, SP) levou todo mundo ao \u00eaxtase com alguns hits do ver\u00e3o: \u201cTriste, Louca ou M\u00e1\u201d, \u201cCalor da Rua\u201d, \u201cBolso Nada\u201d e \u201cT\u00e1 Com D\u00f3lar, T\u00e1 Com Deus\u201d. O bis da Francisco veio para resumir a representatividade dessa primeira edi\u00e7\u00e3o do Festival Estopim \u2013 desde as conversas \u201csilenciosas\u201d at\u00e9 todos os shows \u2013, que mostraram a for\u00e7a das mulheres, da m\u00fasica e dos artistas independentes. Aos gritos, todos se deliciaram com o refr\u00e3o de \u201cN\u00e3o Vou Descansar At\u00e9 o Temer Derrubar!\u201d.<\/p>\n<figure style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/estopim5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><em>Mulamba<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u2013 Rafael Donadio (Facebook:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rafael.p.donadio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rafael.p.donadio<\/a>) \u00e9 jornalista do Di\u00e1rio do Norte do Paran\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A resist\u00eancia ouvida, vista e sentida na primeira edi\u00e7\u00e3o do Festival Estopim exibe a for\u00e7a dos artistas na luta contra a opress\u00e3o\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/20\/saiba-como-foi-o-festival-estopim-2017-em-curitiba\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":38,"featured_media":45474,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[937,1356,2056,839,2519,2491],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45465"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/38"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45465"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45465\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45491,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45465\/revisions\/45491"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}