{"id":45457,"date":"2017-12-19T09:37:38","date_gmt":"2017-12-19T11:37:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=45457"},"modified":"2018-02-28T10:23:46","modified_gmt":"2018-02-28T13:23:46","slug":"tres-perguntas-os-amanticidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/19\/tres-perguntas-os-amanticidas\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: Os Amanticidas"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100011036646439\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lucas Vieira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAmada que mata amante\u201d. Foi assim Itamar Assump\u00e7\u00e3o definiu \u201cAmanticida\u201d, t\u00edtulo de uma de suas m\u00fasicas, presente em \u201cAs Pr\u00f3prias Custas S\/A\u201d, \u00e1lbum de 1982. 30 anos depois, o termo batiza um grupo de S\u00e3o Paulo que tem o trabalho do compositor maldito paulistano como luz-guia. Mas definir Os Amanticidas como um grupo que apenas reverencia Itamar em suas can\u00e7\u00f5es \u00e9 pouco. Estamos falando de uma banda que est\u00e1 trabalhando diretamente com o cotidiano paulista e a raiz dos g\u00eaneros populares do pa\u00eds: frevo, samba e bai\u00e3o, que s\u00e3o assimilados com os breques e ritmos cadenciados de quem ouviu muito Paulinho da Viola, Jards Macal\u00e9, Grupo Rumo e, principalmente Arrigo Barnab\u00e9 e Tom Z\u00e9 \u2014 estes dois \u00faltimos s\u00e3o participa\u00e7\u00f5es especiais do disco de estreia da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em 2016, o primeiro \u00e1lbum do grupo traz esse caldeir\u00e3o de influ\u00eancias bem expl\u00edcito. A forma\u00e7\u00e3o Alex Huszar (baixo e voz), Joera Rodrigues (bateria), Jo\u00e3o Sampaio (guitarras, cavaquinho e bandolim) e Luca Fraz\u00e3o (viol\u00e3o de sete cordas) mostra um trabalho que permite seguramente consider\u00e1-los herdeiros diretos da obra do baiano de Irar\u00e1, que se conectaram diretamente com tudo que aconteceu (e ainda acontece) de mais moderno na m\u00fasica nacional. \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.lnk.to\/OsAmanticidas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Amanticidas<\/a>\u201d, lan\u00e7ado pelo edital ProAC, tem produ\u00e7\u00e3o do \u201cIsca\u201d Paulo Lepetit e j\u00e1 foi apresentado em palcos como CCSP, Festivais de Inverno de Botucatu e Braganc?a Paulista e na Semana Elpi?dio dos Santos de Sa?o Luiz do Paraitinga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica \u201cFreguesia\u201d, que abre o disco, tornou-se clipe em outubro de 2017. Com dire\u00e7\u00e3o de Rafael Fraz\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o da filmes para bailar, o v\u00eddeo traz um passeio pela cultura de S\u00e3o Paulo atrav\u00e9s de imagens de uma feira de rua, embaladas pelo som cadenciado da m\u00fasica. A identidade paulista e a sonoridade do grupo foram os assuntos da entrevista que o Scream &amp; Yell fez com a banda. Confiram:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NTmH4XWMyKs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 o grande segredo de explorar caminhos mais experimentais sem perder o tino popular?<\/strong><br \/>\nAcho que \u00e9 isso que a gente se pergunta constantemente no nosso processo. Mas basicamente a forma que a gente encontrou de buscar esse equil\u00edbrio \u00e9 a seguinte: quando um de n\u00f3s traz uma can\u00e7\u00e3o pra trabalhar nos ensaios, ela chega num estado bem cru, quase sempre voz e viol\u00e3o, \u00e0s vezes partindo at\u00e9 de um g\u00eanero bem claro e conhecido da m\u00fasica popular (\u201cFreguesia\u201d, por exemplo, \u00e9 um samba; \u201cDuas Afli\u00e7\u00f5es\u201d \u00e9 um frevo, etc.). A\u00ed a parte mais experimental entra ao longo do processo coletivo de arranjo, quando a gente faz um esfor\u00e7o consciente para, de certa forma, fugir um pouco dos formatos de arranjo tradicionais desse ou daquele g\u00eanero, dar uma cara realmente nossa pro resultado final, pensando cada arranjo para tentar dialogar com aquela can\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O clipe de \u201cFreguesia\u201d retrata o com\u00e9rcio de rua, um lado urbano muito ligado a S\u00e3o Paulo. Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas e, principalmente, da m\u00fasica d\u2019Os Amanticidas com a cidade?<\/strong><br \/>\nA banda toda \u00e9 paulistana, at\u00e9 o Alex, que nasceu no Rio, mas mora aqui desde cedo e est\u00e1 devidamente naturalizado. E nos parece que ningu\u00e9m que faz arte por aqui fica imune a alguma influ\u00eancia da cidade, porque S\u00e3o Paulo tem um ritmo muito pr\u00f3prio, muito intenso, \u00e9 uma presen\u00e7a que se imp\u00f5e e n\u00e3o d\u00e1 pra ignorar. A\u00ed tem o fato de que a m\u00fasica daqui sempre esteve muito presente na nossa forma\u00e7\u00e3o, desde muito antes de a banda existir. Nossa refer\u00eancia maior, que \u00e9 o Itamar Assump\u00e7\u00e3o, assim como todo o resto da chamada Vanguarda Paulista, fazia essa m\u00fasica muito particularmente paulistana. Nosso outro grande mestre, o Tom Z\u00e9, veio de longe e se tornou um dos maiores tradutores de S\u00e3o Paulo por meio da can\u00e7\u00e3o. E mesmo hoje a cena musical daqui \u00e9 muito rica e movimentada, cheia de gente que a gente acompanha, admira e at\u00e9 copia um pouco de vez em quando, como Met\u00e1 Met\u00e1, Passo Torto, Siba. Ent\u00e3o todos n\u00f3s fomos desde muito cedo influenciados tanto pela cidade em si quando pela sua produ\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro disco explorou bastante o samba e o frevo, ritmos tradicionais, com toda uma linguagem que vai em busca de dire\u00e7\u00f5es diferentes. Existe alguma sonoridade que voc\u00eas gostariam de trabalhar mas que por algum motivo n\u00e3o coube no trabalho?<\/strong><br \/>\nAchamos que n\u00e3o tem nenhuma linguagem espec\u00edfica. Talvez o esfor\u00e7o pros pr\u00f3ximos trabalhos seja at\u00e9 no sentido de pensar cada vez menos em termos de samba, frevo, bai\u00e3o e outros g\u00eaneros. O nosso objeto mesmo, que a gente estuda, pesquisa e produz, \u00e9 a can\u00e7\u00e3o brasileira, e ela j\u00e1 carrega uma longa tradi\u00e7\u00e3o de compositores que usam esses g\u00eaneros tradicionais mais como um ve\u00edculo pra comunicar o que eles tem pra dizer do que como um elemento central da obra. Ent\u00e3o no fim das contas o que a gente quer \u00e9 fazer can\u00e7\u00f5es que comuniquem, e cujos arranjos tenham uma cara nossa e, na medida poss\u00edvel, original.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9e7L_9ho_hA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c6UyOhC5APQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Lucas Vieira (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100011036646439\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Facebook<\/a>) \u00e9 jornalista e escreve sobre m\u00fasica desde 2010 e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/dizconauta.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dizconauta<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os Amanticidas \u00e9 uma banda que est\u00e1 trabalhando diretamente com o cotidiano paulista e a raiz dos g\u00eaneros populares do pa\u00eds: frevo, samba e bai\u00e3o\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/19\/tres-perguntas-os-amanticidas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":37,"featured_media":45458,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2407],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45457"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/37"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45457"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45457\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45459,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45457\/revisions\/45459"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}