{"id":45450,"date":"2017-12-18T09:50:42","date_gmt":"2017-12-18T11:50:42","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=45450"},"modified":"2018-01-23T08:48:41","modified_gmt":"2018-01-23T10:48:41","slug":"entrevista-young-lights","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/18\/entrevista-young-lights\/","title":{"rendered":"Entrevista: Young Lights"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um EP em 2013 (\u201cAn Early Winter\u201d) e um \u00e1lbum cheio (\u201cCities) em 2014, a Young Lights chega agora ao segundo disco, \u201c<a href=\"https:\/\/younglights.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Young Lights<\/a>\u201d (2017), o primeiro registro com a atual forma\u00e7\u00e3o composta por Vitor \u201dBoss\u201d \u00c1vila (guitarra), Jo\u00e3o Paulo Pesce (baixo) e Gentil Nascimento (bateria) mais Jairo \u201cJay\u201d Horsth Paes (vocal). Com produ\u00e7\u00e3o de Leonardo Marques, o disco novo traz oito faixas e conta com as participa\u00e7\u00f5es de Gustavo Bertoni (vocalista do Scalene) em \u201cFast Heart\u201d e do guitarrista Matheus Fleming (C\u00e2mera) em \u201cUnderstand, Man\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cYoung Lights\u201d, o disco, tamb\u00e9m marca o desligamento da banda com o coletivo cultural <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/geracaoperdidamg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gera\u00e7\u00e3o Perdida de MG<\/a> e a aproxima\u00e7\u00e3o do grupo com a produtora cultural <a href=\"http:\/\/quente.org.br\/younglights\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quente<\/a>, casa de nomes como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/09\/11\/entrevista-oceania\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Oceania<\/a>, Pequeno C\u00e9u, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/15\/faixa-a-faixa-songs-of-wood-fire-m-o-o-n-s\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">M O O N S<\/a> e Dibigode, entre outros. \u201cN\u00e3o faz muito sentido pra gente ficar s\u00f3 em uma bolha, s\u00f3 em uma realidade ou em algo mais fechado\u201d, conta Jairo \u201cJay\u201d Horsth Paes em entrevista exclusiva ao Scream &amp; Yell, uma conversa que mostra que o grupo est\u00e1 querendo voar mais alto. \u201cO que a gente mais quer agora \u00e9 tocar\u201d, avisa Jay.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada como projeto pessoal de Jay em 2014 (ele nasceu em Belo Horizonte, mas cresceu nos Estados Unidos, local de onde retornou em 2010), a Young Lights agora \u00e9 um quarteto em que todos os m\u00fasicos colaboram intensamente na sonoridade: \u201cTodo mundo contribuiu igualmente\u201d, avisa Jay, que aproveita o bate papo para elogiar o est\u00fadio Ilha do Corvo e o produtor Leonardo Marques, falar do processo de composi\u00e7\u00e3o do disco e, ainda, louvar a cada vez mais forte atua\u00e7\u00e3o das mulheres na cena alternativa nacional. Confira o papo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/younglights.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Ou\u00e7a e baixe &#8220;Young Lights&#8221; no Bandcamp oficial do quarteto mineiro<\/em><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j3wDOxdwWC4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Young Lights&#8221;, o disco, soa de certa forma mais coeso do que os discos e EPs anteriores. Como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nBicho, o processo foi meio que uma loucura, mesmo. Acho que foi no come\u00e7o de 2016 que come\u00e7ou a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o. Escrevi uma porrada de m\u00fasica (s\u00e9rio, tipo umas 27 m\u00fasicas) e eram todas \u201cmeia boca\u201d, sem arranjos e com aquelas letras de &#8220;ah vou colocar isso a\u00ed e depois eu penso em algo mais inteligente pra falar&#8221; (risos). Acho que estava numa fase bem criativa por conta da falta de m\u00fasicas novas nos shows. A gente estava tocando as mesmas m\u00fasicas h\u00e1 tr\u00eas anos, coisas que gravei praticamente sozinho, com amigos e produtores. Anyways, eu e o Jo\u00e3o come\u00e7amos a morar juntos numa casa enorme e montamos um est\u00fadio no meio da nossa sala. Ao inv\u00e9s de uma TV de LED bonitona a gente comprou uma bateria e colocou l\u00e1 no meio. Em vez de mesas a gente tinha amps e PAs, foi muito boa essa \u00e9poca e fico at\u00e9 com uma puta saudade porque a gente n\u00e3o mora mais l\u00e1. Foi uma fase boa da vida viu!? Depois, com as m\u00fasicas mais ou menos estruturadas, a gente j\u00e1 marcava o est\u00fadio com o Leonardo Marques (Ilha do Corvo), gravava e come\u00e7ava a brincar com elas, tacando uns reverbs, overdubs, uns sons cabulosos de feedbacks, synths dos anos 70&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi trabalhar com o Leonardo Marques? Quais as contribui\u00e7\u00f5es ele trouxe para a sonoridade da banda?<\/strong><br \/>\nCara, te falo que eu, pessoalmente (Jay), n\u00e3o gosto muito de gravar. Meu tes\u00e3o mesmo \u00e9 suar, gritar e cair no palco. Acho grava\u00e7\u00e3o um saco e \u00e0s vezes \u00e9 muita press\u00e3o para executar algo que deveria sair naturalmente de dentro mim. \u00c0s vezes acho meio decepcionante. Mas dessa vez foi diferente, fiquei de cara. Primeiro \u00e9 o lugar, n\u00e9: a Ilha Do Corvo \u00e9 um sonho pra qualquer m\u00fasico. L\u00e1 tem at\u00e9 um cheirinho especial, n\u00e3o sei o que \u00e9 que o L\u00e9o faz. Tem um fliperama oldschool, uns 300 instrumentos mais velhos que meu pai com sons absurdamente bons, al\u00e9m de ser um lugar muito confort\u00e1vel, quase nost\u00e1lgico e muito aconchegante. Voc\u00ea simplesmente se sente em casa. O segundo ponto \u00e9 o cara: O Leonardo Marques \u00e9 uma pessoa sensacional, j\u00e1 passou por bandas como Diesel, Transmissor, Maglore, Congo Congo, j\u00e1 produziu uns discos maravilhosos. Ele \u00e9 muito gente boa, atencioso, organizado, flex\u00edvel e muito criativo. Antes de a gente come\u00e7ar a gravar, falamos pra ele que quer\u00edamos algo bem &#8220;BOOOOM&#8221; e ele entendeu exatamente. Quando gravamos &#8220;Understand, Man&#8221; foi quando soubemos que esse disco novo seria grandioso, com uma pegada diferente do que o L\u00e9o era acostumado a fazer, e acho que ele curtiu tamb\u00e9m! Ele ajudou a gente demais em rela\u00e7\u00e3o a achar sons, timbres das guitarras, som de caixa pra bateira, grave nos baixos, equaliza\u00e7\u00e3o das vozes e a pegada dos viol\u00f5es. Usamos um piano lind\u00e3o que ele tem no est\u00fadio tamb\u00e9m, com um som meio sombrio e velho. Indicaria a experi\u00eancia de gravar com ele pra todo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 sempre uma discuss\u00e3o entre m\u00fasicos quanto ao formato de grava\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas preferem esta linha mais anal\u00f3gica ou preferem a digital?<\/strong><br \/>\nPreferimos a linha anal\u00f3gica. Achamos que essa linha digital nivelou para baixo muitas bandas. Tudo muito comprimido e moderno demais, sem din\u00e2mica e sinceridade. O disco tem v\u00e1rios errinhos e a gente optou por deixar desta forma em v\u00e1rios momentos mesmo. Entendemos tamb\u00e9m que n\u00e3o existe melhor nem pior. Acho que pra Young Lights especificamente (que, perto de v\u00e1rias bandas independentes, convenhamos, \u00e9 bastante comercial), seria positivo ter uma grava\u00e7\u00e3o mais anal\u00f3gica e menos moderninha. Se a gente tivesse abusado de compress\u00e3o, pre-sets ou autotunes, por exemplo, correr\u00edamos o risco de deixar o som muito plastificado. Fizemos a escolha certa ao gravar com o Leo Marques porque ele n\u00e3o deixou isso acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente voc\u00eas anunciaram a sa\u00edda do Coletivo Gera\u00e7\u00e3o Perdida. Aparentemente de forma amig\u00e1vel. Quais os motivos levaram a voc\u00eas optarem por esta escolha?<\/strong><br \/>\nA Gera\u00e7\u00e3o Perdida para mim representava um grupo de amigos muito talentosos que sempre se reuniam e faziam protestos art\u00edsticos. A gente bebia demais junto (risos), grav\u00e1vamos tudo n\u00f3s mesmos, faz\u00edamos nossos pr\u00f3prios eventos, n\u00e3o depend\u00edamos de ningu\u00e9m e n\u00e3o \u00e9ramos presos a nada. Mas eu acho que, ao passar dos anos, se transformou em algo diferente pra mim. A Young Lights sempre foi uma banda bem cabe\u00e7a aberta pra tocar com outras bandas, fazer corres pra tocar em lugares diferentes, para p\u00fablicos diferentes e eu acho que a vida, em fun\u00e7\u00e3o disso, foi levando a gente para um caminho diferente do deles. N\u00e3o faz muito sentido pra gente ficar s\u00f3 em uma bolha, s\u00f3 em uma realidade ou em algo mais fechado. Acho que a gente estava com certa obriga\u00e7\u00e3o de ir a todos os eventos que a Gera\u00e7\u00e3o produzia, sendo que a gente tocava tamb\u00e9m pra caralho e as datas n\u00e3o batiam, sei l\u00e1. \u00c9 feito um fim de relacionamento mesmo: voc\u00ea v\u00ea que n\u00e3o faz mais sentido (at\u00e9 por quest\u00e3o de princ\u00edpios diferentes) quando est\u00e1 fora. As coisas mudam mesmo, bicho. Continuo amando e apoiando todo mundo da Gera\u00e7\u00e3o Perdida, pois eles s\u00e3o um grupo de pessoas sinistras e respons\u00e1veis pelos melhores discos do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas fazem parte da gera\u00e7\u00e3o de bandas brasileiras que cantam em ingl\u00eas. Acredito que esta escolha deve-se muito de voc\u00ea ter vivido fora e tamb\u00e9m pela sonoridade que voc\u00eas adotam. Em algum momento voc\u00eas j\u00e1 foram pressionados a cantar em portugu\u00eas? Tem essa inten\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nMuito boa essa pergunta. Muita gente j\u00e1 encheu o saco at\u00e9 demais. Fica chato demais algu\u00e9m usar &#8220;voc\u00ea canta em ingl\u00eas&#8221; como uma cr\u00edtica, n\u00e9. \u00c9 o jeito natural que penso, falo e consigo aprender, portanto n\u00e3o pode ser surpresa para as pessoas que eu cante em ingl\u00eas tamb\u00e9m. Entendo totalmente que talvez tenha gente que cante em ingl\u00eas s\u00f3 pra tirar onda ou cante em ingl\u00eas como uma forma de atingir um p\u00fablico maior no exterior e acho esse pensamento bem primitivo. Para mim, a m\u00fasica j\u00e1 \u00e9 uma linguagem universal em si. Voc\u00ea tem de sentir e n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio entender. Por exemplo: as minhas bandas preferidas s\u00e3o Bon Iver, Radiohead, The Tallest Man On Earth e juro por Deus que at\u00e9 eu, como um falante fluente do idioma, muitas vezes n\u00e3o fa\u00e7o a m\u00ednima ideia do que essas caras falam nas m\u00fasicas. Simplesmente amo o jeito que eles conseguem transmitir o sentimento atrav\u00e9s de melodias e notas no viol\u00e3o. Agora, seria massa demais se eu conseguisse realmente me expressar musicalmente em portugu\u00eas. Esse grande dia vai chegar (risos). J\u00e1 fiz uma m\u00fasica em portugu\u00eas pro EP &#8220;Dist\u00e2ncia&#8221; da banda Lupe de Lupe. Ela foi feita com ajuda porque escrevo brutalmente errado em portugu\u00eas. Inclusive, essa entrevista foi totalmente editada pelo Gentil, ent\u00e3o se voc\u00eas lerem algo que est\u00e1 bem escrito n\u00e3o foi exatamente eu que escrevi. (O Gentil aqui est\u00e1 \u201cpenando\u201d pra conseguir viu?).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 percept\u00edvel no novo disco uma maior participa\u00e7\u00e3o de todos os integrantes, o que fez com que a sonoridade ganhasse mais camadas e energia. Isto se deu devido a uma maior liberdade na hora de compor? Todos puderam contribuir at\u00e9 o resultado final?<\/strong><br \/>\nTudo no disco foi bem pensado e ao mesmo tempo bastante natural. Eu escrevia a base das m\u00fasicas e algumas ideias de arranjo, principalmente bateria. Eu acho que o resto do pessoal, em certos momentos, sentiu um pouco o peso para conseguir atender as expectativas que eu j\u00e1 havia criado na cabe\u00e7a. Ao mesmo tempo, aprendi demais sobre composi\u00e7\u00e3o neste per\u00edodo, e aprendi a deixar as coisas em aberto e ficar mais leve porque, na verdade, est\u00e1vamos todos em um time. A partir do momento que decidi abrir um espa\u00e7o para esses caras na minha vida e deixar com que eles fizessem parte do projeto\/banda Young Lights, tudo deixou de ser \u201cs\u00f3 meu&#8221; ou &#8220;a banda do Jay&#8221;. Todo mundo contribuiu igualmente, eu acho. As guitarras do Boss (V\u00edtor) est\u00e3o geniais, os baixos do Jo\u00e3o bem n\u00edtidos e groovados e as baterias do Gentil simples e marcantes. A gente faz um belo time e n\u00e3o trocaria eles por nenhum outro &#8220;m\u00fasico fod\u00e3o&#8221;. Do que a gente n\u00e3o entende de progress\u00e3o de acorde ou teoria musical, a gente foca o dobro em feeling, sentimento e honestidade com a m\u00fasica. Foi essa a nossa miss\u00e3o com esse disco e a declaro cumprida.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Q2W4k9qONv4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esta energia explosiva presente no novo disco \u00e9 tamb\u00e9m muito latente tamb\u00e9m no palco, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/08\/17\/saiba-como-foi-o-festival-transborda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como presenciei no show que vi no Festival Transborda<\/a>. Sei que voc\u00ea \u00e9 um cantor que adora o palco, mas a transposi\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o, do est\u00fadio para o palco, \u00e9 dif\u00edcil?<\/strong><br \/>\nMassa demais que voc\u00ea conseguiu ir pra este show! Foi um show muito importante pra gente, o Transborda \u00e9 um dos festivais mais importantes de BH. Cara, essa cr\u00edtica de &#8220;voc\u00eas s\u00e3o muito diferentes ao vivo comparados com os discos&#8221; foi uma das que a gente mais ouviu. Nesse disco novo a gente levou muito em considera\u00e7\u00e3o isso. A gente queria muito que o disco novo tivesse a mesma pegada, energia e emo\u00e7\u00e3o dos shows ao vivo. Nos \u00faltimos trabalhos (o EP \u201cAn Early Winter\u201d e o disco \u201cCities\u201d) foi tudo gravado com instrumentos emprestados, pessoas emprestadas (com a maior boa vontade, claro) e as m\u00fasicas acabaram tendo essa sonoridade. O disco novo foi totalmente diferente. Foi o Boss (guitarra) gravando com as guitarras dele, os pedais dele, o timbre que ele gosta, o Jo\u00e3o (baixo) gravou com o baixo dele (ou algum do est\u00fadio com o timbre parecido) e os efeitos dele, o Gentil gravou com os pratos que ele usa ao vivo. Ent\u00e3o, no final das contas, conseguimos transferir, pelo menos sonoramente, o palco para o disco. N\u00e3o foi nada f\u00e1cil chegar nesse som, mas veio naturalmente, porque a gente acabou descobrindo eles tocando pra caralho durante quase tr\u00eas anos juntos na estrada. Mas, pra transmitir l\u00e1 na hora, acho que foi f\u00e1cil. At\u00e9 mesmo por ter gravado algumas partes ao vivo. Por exemplo, gravamos baixo e bateria ao mesmo tempo, com uma guia de viol\u00e3o. Tamb\u00e9m gravei a m\u00fasica que fecha o disco &#8220;Singing Bird (In A Cage)&#8221; ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Quente tem sido parceira da banda nesta nova empreitada. Como se deu a aproxima\u00e7\u00e3o? Qual a import\u00e2ncia de fazer parte do selo?<\/strong><br \/>\nConhecemos a Quente faz um tempo j\u00e1. Acho que foi em 2015 que a gente come\u00e7ou a trocar ideia com eles sobre uma parecia. O Nest come\u00e7ou a frequentar os nossos shows, a sempre usar a camisa da banda. E essa atitude de achar uma galera que acredita no que voc\u00ea faz foi o que fez essa parceria ser bem bacana. Primeiro eles convidaram a gente pra fazer parte de alguns eventos que eles produziam, desde feiras e festivais como Son\u00e2ncias at\u00e9 projetos como o M\u00fasica Quente. Mas a gente foi naturalmente se aproximando. Eles est\u00e3o com uma galera foda de BH tamb\u00e9m como Pequeno C\u00e9u, Dibigode, M O O N S, bandas que a gente respeita demais. No come\u00e7o de 2017, j\u00e1 pensando no disco, pensamos em como poder\u00edamos levar esse material o mais longe poss\u00edvel e conclu\u00edmos que n\u00e3o tinha mais ningu\u00e9m em BH que estava disposto a ajudar a gente como a Quente estava. O Marcelo faz toda comunica\u00e7\u00e3o, o Luciano faz a log\u00edstica\/financeiro e o Nest acompanha a gente nos shows e faz papel de produtor. Acho que formamos um belo time! Como a gente ainda n\u00e3o vive s\u00f3 de m\u00fasica (todos n\u00f3s temos trabalho durante a semana), essa parceria de agenciamento e produ\u00e7\u00e3o deixa a gente com menos tarefas e com mais tempo pra focar nas m\u00fasicas, nos ensaios e nas redes sociais. Acho que hoje em dia, se voc\u00ea achar uma galera que acredita em voc\u00ea e que est\u00e1 disposta a te ajudar, acredita neles e deixa rolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00fasica brasileira (especialmente a mineira) tem vivido um dos seus melhores momentos de uns tempos para c\u00e1. Nesse sentido quem s\u00e3o os esp\u00edritos irm\u00e3os da Young Lights?<\/strong><br \/>\nRealmente a cena independente do Brasil e, especialmente de MG, est\u00e1 linda demais de se ver. \u00c9 muito legal ver tantos amigos lan\u00e7ando disco e trabalhos incr\u00edveis como a galera da Gera\u00e7\u00e3o Perdida \u2014 <a href=\"https:\/\/fernandomotta.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fernando Motta<\/a>, Jo\u00e3o Carvalho (<a href=\"https:\/\/sentidor.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sentidor<\/a>\/<a href=\"https:\/\/bichanorecords.bandcamp.com\/album\/um-tempo-lindo-pra-estar-vivo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">El Toro Fuerte<\/a>), <a href=\"https:\/\/fabiodecarvalho.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">F\u00e1bio De Carvalho<\/a>, <a href=\"https:\/\/jonathantadeu.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jonathan Tadeu<\/a>, <a href=\"https:\/\/aldan.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aldan<\/a>, <a href=\"https:\/\/grupoporco.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Grupo Porco<\/a> e o pr\u00f3prio <a href=\"https:\/\/vitorbrauer.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">V\u00edtor Brauer<\/a> com os spokenword loucos dele (eles fizeram uma turn\u00ea de 52 datas no Brasil em um Corsa &#8217;98, isso \u00e9 muito louco). A galera da <a href=\"https:\/\/devise.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Devise<\/a> (o Luis Couto principalmente faz um corre absurdo), a galera do <a href=\"https:\/\/killmoves.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kill Moves<\/a>, que representa a <a href=\"http:\/\/www.balaclavarecords.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Balaclava<\/a> aqui em MG. Mas eu realmente tiraria meu chap\u00e9u pra galera da <a href=\"https:\/\/mietabh.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mi\u00eata<\/a>. Elas s\u00e3o a banda que faz o maior corre aqui em BH, acho. Temos um grande respeito pela banda, at\u00e9 porque elas fazem parte de algo maior que a gente, que \u00e9 a cena de mulheres na m\u00fasica, que est\u00e1 sendo algo emocionante de se ver espalhando pelo pa\u00eds. As mulheres que tocam em bandas est\u00e3o mais unidas e juntas coletivamente do que nunca. Respeito demais a nossa irm\u00e3 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ekenaoficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ekena<\/a>, de SP, que come\u00e7ou alguns festivais feitos totalmente por mulheres. A Fl\u00e1via (<a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/the-biggs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Biggs<\/a>), de Sorocaba, que faz o <a href=\"https:\/\/www.girlsrockcampbrasil.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Girls Rock Camp,<\/a> a Ana Garcia (<a href=\"http:\/\/coquetelmolotov.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coquetel Molotov<\/a>), a galera da <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pwrlabel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PWR Records<\/a>, as meninas do <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/laboratorio96\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Laborat\u00f3rio 96<\/a> (Uberaba), a Ana Zumpano (<a href=\"http:\/\/www.lavadivers.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lava Divers<\/a>). Essas mulheres est\u00e3o fazendo uma grande diferen\u00e7a na cena independente e espero que continuem. Enquanto isso, acho que, n\u00f3s homens, ficamos o tempo inteiro disputando, querendo inflar nossos egos e esquecendo da coletividade. Enfim, a gente t\u00eam muito de aprender com elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se por um lado h\u00e1, como voc\u00ea apontou, existe a uni\u00e3o das mulheres, de outro h\u00e1 o que o Vitor Brauer chamou, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/19\/entrevista-lupe-de-lupe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em entrevista por aqui<\/a>, o status de &#8220;criar o seu pr\u00f3prio trono&#8221;, onde cada gere individualmente sua pr\u00f3pria carreira. Por que isso acontece? O que falta para fazer com que a cena cres\u00e7a ainda mais, mas de forma coletiva?<\/strong><br \/>\nAcho que os dois pensamentos nem est\u00e3o em lados t\u00e3o diferentes assim, s\u00e3o at\u00e9 complementares. Gerir individualmente a pr\u00f3pria carreira \u00e9 tomar as melhores decis\u00f5es sem ficar dependente dos outros, mas pensar coletivamente s\u00f3 tende a melhorar pra todo mundo, inclusive pra voc\u00ea (risos). <a href=\"https:\/\/vitorbrauer.bandcamp.com\/album\/hist-ria-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O pr\u00f3prio Vitor fez um projeto com 52 vers\u00f5es de m\u00fasicas de bandas independentes<\/a>. As bandas divulgam essas vers\u00f5es, os f\u00e3s dessas bandas acabam conhecendo o trabalho dele e vice versa. Acho que isso \u00e9 pensar coletivamente. E pra crescer de forma coletiva acho que o pensamento tem que ser focar mais nos pontos em comum do que o contr\u00e1rio. Claro que v\u00e3o ter bandas, produtores, festivais que v\u00e3o pensar diferente do voc\u00ea, mas, em algum n\u00edvel, est\u00e1 todo mundo junto, ningu\u00e9m na cena \u00e9 uma multinacional ou algo do tipo. Acho que todo mundo tem que escolher as batalhas que quer lutar, ser verdadeiro a elas e pensar no resto como pormenores. \u00c9 meio isso: focar nas coisas que realmente importam e nas batalhas que realmente valem a pena lutar sen\u00e3o voc\u00ea vai s\u00f3 se fechar cada vez mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o os planos futuros da banda?<\/strong><br \/>\nO que a gente mais quer agora \u00e9 tocar. A fase de grava\u00e7\u00e3o \u00e9 bem estressante, n\u00e9? Ent\u00e3o a gente quer fazer muitos shows a partir de janeiro de 2018. Queremos muito ir pro Sul do Brasil e tamb\u00e9m pro Nordeste, que s\u00f3 conseguimos ir uma vez. Precisamos ir mais vezes a S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m. Enfim, queremos tocar muito daqui pra frente e aproveitar o m\u00e1ximo essa fase p\u00f3s disco novo. Com rela\u00e7\u00e3o a material, a ideia \u00e9 fazer uma boa live para o disco novo nos pr\u00f3ximos meses e j\u00e1 lan\u00e7ar m\u00fasicas novas no segundo semestre de 2018, se tudo der certo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DYPd1hd5qJc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Bruno Lisboa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@brunorplisboa<\/a>) \u00e9 redator\/colunista do\u00a0<a href=\"http:\/\/pignes.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pigner<\/a>\u00a0e do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Formada como projeto do vocalista Jay em 2014, a Young Lights agora \u00e9 um quarteto em que todos os m\u00fasicos colaboram na sonoridade do novo disco. 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