{"id":45416,"date":"2017-12-14T09:18:53","date_gmt":"2017-12-14T11:18:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=45416"},"modified":"2018-04-26T13:01:00","modified_gmt":"2018-04-26T16:01:00","slug":"entrevista-nacao-zumbi-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/14\/entrevista-nacao-zumbi-2017\/","title":{"rendered":"Entrevista: Na\u00e7\u00e3o Zumbi (2017)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gil Luiz Mendes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trajet\u00f3ria da Na\u00e7\u00e3o Zumbi tem v\u00e1rias nuances, desde se reinventar depois de perder seu l\u00edder e frontman at\u00e9 se firmar como uma das bandas mais inventivas e originais j\u00e1 surgidas na hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira. Com mais de duas d\u00e9cadas mostrando m\u00fasicas com a assinatura particular do grupo, os pernambucanos decidiram em 2017 mostrar essa versatilidade criativa fazendo releituras, algumas improv\u00e1veis, de can\u00e7\u00f5es de outros artistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O repert\u00f3rio escolhido para o rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u201cRadiola Volume 1\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/01\/os-50-discos-de-2017-para-a-apca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">presente na lista de 50 melhores discos de 2017 da APCA<\/a>) vai de Erasmo Carlos \u00e0 David Bowie, passa por Tim Maia e Beatles e alcan\u00e7a Gilberto Gil e Marvin Gaye, por\u00e9m passa longe de ser um disco de meros covers. A propriedade das guitarras de L\u00facio Maia e o vocal de Jorge Du Peixe podem fazer um ouvinte desavisado achar que a Na\u00e7\u00e3o criou as can\u00e7\u00f5es por eles interpretadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA ideia de inicial foi de L\u00facio\u201d, conta Dengue ao Scream &amp; Yell. \u201cMas o engra\u00e7ado \u00e9 que na sequencia ele mesmo queria desistir do projeto\u201d, revela. No papo abaixo, o baixista fala sobre o processo de grava\u00e7\u00e3o de \u201cRadiola Volume 1\u201d, a escolha da m\u00fasicas e a desobrigatoriedade de soar como uma banda que veio de Pernambuco. Ele ainda conta que o pr\u00f3ximo ano ver\u00e1 um novo \u00e1lbum autoral da Na\u00e7\u00e3o e que outros volumes do Radiola podem vir no futuro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oY8PBel0JdE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a ideia de fazer esse disco de releituras?<\/strong><br \/>\nA ideia de inicial foi de L\u00facio, mas o engra\u00e7ado \u00e9 que na sequencia ele mesmo queria desistir do projeto. S\u00f3 que eu e Jorge j\u00e1 t\u00ednhamos gostado da ideia e falamos que quer\u00edamos fazer. Acho que fomos felizes em manter essa opini\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos os componentes da banda tem algum projeto paralelo que tamb\u00e9m faz releituras. Isso influenciou para fazer o \u201cRadiola Volume 1\u201d?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, a gente sempre teve isso. Exercitamos muito com o Los Sebosos Postizos (que regrava can\u00e7\u00f5es de Jorge Ben) j\u00e1 h\u00e1 muitos anos. \u201cRadiola Volume 1\u201d \u00e9 um tipo de Los Sebosos da Na\u00e7\u00e3o (risos). A gente adorou a ideia de fazer esse disco por ser uma oportunidade de tocar essas vers\u00f5es. N\u00e3o sei se o nosso p\u00fablico percebe isso, mas adoramos fazer vers\u00f5es. No primeiro disco da banda n\u00e3o tem nenhuma, mas a partir do segundo todo \u00e1lbum tem, pelo menos, uma vers\u00e3o. At\u00e9 digo que nossos principais hits n\u00e3o s\u00e3o m\u00fasicas nossas. Brinco que a gente n\u00e3o sabe compor (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 o processo de fazer essas releituras?<\/strong><br \/>\nPra mim \u00e9 muito confort\u00e1vel, n\u00e3o tenho medo de mexer nessas m\u00fasicas. Sinto a responsa, mas sem medo de meter a m\u00e3o ou desrespeitar. Quanto mais pr\u00f3ximo do original, mais voc\u00ea corre o risco de ficar uma merda. Acho que tem que correr pro outro lado mesmo, seja l\u00e1 que lado for esse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como surgiu o repert\u00f3rio do disco?<\/strong><br \/>\nVeio de uma enxurrada de sugest\u00f5es. Eram sempre coisas que todos gostavam e foi muito dif\u00edcil, antes do primeiro dia de grava\u00e7\u00e3o, parar e escolher o repert\u00f3rio. Lembro quando a gente chegou a Fortaleza para o primeiro dia de grava\u00e7\u00e3o, havia 300 sugest\u00f5es e nenhuma completa. Mas a primeira m\u00fasica que saiu foi \u201cRefazenda\u201d (que tamb\u00e9m foi o primeiro single do \u00e1lbum). Sobraram muitas que gravamos e n\u00e3o entraram no disco e bilh\u00f5es que a gente apenas cogitou. Por isso que esse \u00e9 \u201cVolume 1\u201d. A gente pretende fazer um segundo e talvez um terceiro. S\u00e3o muitas coisas que a gente quer tocar al\u00e9m do \u00f3bvio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-45419\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/nacao2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"747\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/nacao2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/nacao2-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/nacao2-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas v\u00e3o fazer com essas grava\u00e7\u00f5es que n\u00e3o entraram no disco?<\/strong><br \/>\nA gente nem sabe se isso vai entrar no \u201cVolume 2\u201d. A gente sempre gosta de fazer coisa nova. Acho que pro segundo volume a gente vai entrar em est\u00fadio de novo e fazer mais 10 m\u00fasicas novas e a\u00ed vai sobrar m\u00fasica de novo e um belo dia a gente faz o \u201c3\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 existe um cronograma para os pr\u00f3ximos discos de releituras?<\/strong><br \/>\nCronograma zero. N\u00e3o tem prazo, mas acho que n\u00e3o vai vir logo. Em 2018 vamos lan\u00e7ar um \u00e1lbum autoral que est\u00e1 sendo composto ainda. J\u00e1 gravamos algumas coisas instrumentais e depois Jorge pega para trabalhar em cima, coloca as letras, depois volta para a gente. \u00c9 um processo bem demorado. Por isso que a gente demorou sete anos para lan\u00e7ar um disco e est\u00e1 demorando cada vez mais para lan\u00e7ar um disco autoral. A gente n\u00e3o ensaia mais como antigamente e a gente tamb\u00e9m n\u00e3o se preocupa. O nosso tempo \u00e9 outro. Por isso pode ser que o \u201cRadiola Volume 2\u201d s\u00f3 venha daqui h\u00e1 10 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dividir o disco com metade de m\u00fasicas nacionais e metade de m\u00fasicas internacionais foi proposital?<\/strong><br \/>\nIsso surgiu no processo de decupagem mesmo. A gente gravou at\u00e9 mais nacionais do que internacionais, mas que ficaram nas sobras. Na verdade, o crit\u00e9rio foi o que se encaixava melhor. Teve tamb\u00e9m pessoas como Carlos Trilha e Pedro Baby que nos ajudaram a escolher as m\u00fasicas dando a opini\u00e3o deles. Por acaso, quando a gente chegou nesse denominador comum, \u201cAshes to Ashes\u201d quase ficou de fora porque como Bowie morreu, mesmo eu n\u00e3o acreditando que ele tenha morrido (risos), demorou muito para chegar a autoriza\u00e7\u00e3o. Fizemos pedido para editora e para fam\u00edlia e estava naquele momento de fazer o esp\u00f3lio. At\u00e9 o \u00faltimo momento ainda n\u00e3o havia chegado, ent\u00e3o a gente j\u00e1 estava preparado para tira-la do disco, mas ainda bem que chegou a tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que gravar esse disco em tr\u00eas cidades diferentes?<\/strong><br \/>\nA banda est\u00e1 se encontrando menos, cada um morando num lugar diferente. A gente aproveitou shows que far\u00edamos em Fortaleza e no Rio Janeiro para se juntar e gravar. Em Fortaleza chegamos dois dias antes do show para fazer isso. Em S\u00e3o Paulo n\u00e3o lembro se tinha show, talvez tenha rolado ir apenas para gravar mesmo. N\u00e3o foi t\u00e3o funcional gravar em tr\u00eas est\u00fadios diferentes, mas foi do jeito que deu para a gente agilizar. Se fosse esperar para todo mundo ficar semanas em um est\u00fadio em qualquer lugar do pa\u00eds n\u00e3o ia dar certo. J\u00e1 havia uma conversa entre n\u00f3s para n\u00e3o gravar em Recife, S\u00e3o Paulo ou Rio de Janeiro. Acabou que ainda gravamos algumas poucas coisas no Rio e em S\u00e3o Paulo, mas a maioria das coisas foi em Fortaleza. A gente queria descentralizar isso e buscar outro tipo de ar para inspira\u00e7\u00e3o. V\u00e1rias m\u00fasicas bem legais sa\u00edram dessas sess\u00f5es de Fortaleza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o regravar nenhuma m\u00fasica pernambucana tamb\u00e9m tem a ver com essa fuga dos padr\u00f5es tradicionais?<\/strong><br \/>\nNa verdade a gente se desobrigou disso. A gente quis fazer coisas que a gente ouviu de rock. A base desse disco \u00e9 rock. A gente quis realmente fazer isso e se desobrigar (de gravar m\u00fasica pernambucana). Todo mundo sabe que a gente \u00e9 pernambucano, tem 200 discos cheio de m\u00fasicas pr\u00f3prias que fala da cultura e dessas paradas (do Estado) o tempo todo. Ent\u00e3o a gente quis mesmo ir pra esse lado nosso que muita gente n\u00e3o sabe que a gente tem, e \u00e9 um lado muito importante e bem grande. Tem m\u00fasica brasileira no disco, mas n\u00e3o quisemos puxar a sardinha para Pernambuco n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como o p\u00fablico est\u00e1 recebendo essas vers\u00f5es feitas pela Na\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA gente testou esse repert\u00f3rio em um show no Circo Voador no Rio e sentiu o poder do hit. Posso dizer que o disco \u00e9 um disco de hits. \u201cSexual Healing\u201d n\u00e3o \u00e9 um tipo de m\u00fasica que o p\u00fablico da Na\u00e7\u00e3o Zumbi est\u00e1 acostumado. Parte do nosso p\u00fablico gosta de bater cabe\u00e7a e andamentos mais r\u00e1pidos. E uma das nossas d\u00favidas era se as pessoas iriam gostar quando toc\u00e1ssemos essa m\u00fasica. Foi um engano absurdo nosso! Essa m\u00fasica est\u00e1 t\u00e3o no subconsciente das pessoas que elas cantaram como se estivessem num show do Los Hermanos ou do O Rappa, desses que as pessoas cantam as m\u00fasicas do come\u00e7o ao fim. Uma m\u00fasica em ingl\u00eas e todo mundo cantando foi um dos pontos altos desse show do Rio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ISpRSLfvaAM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span class=\"curator-description\">\u2013 Gil Luiz Mendes (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.facebook.com\/gil.luizmendes<\/a>), jornalista, 32 anos, viveu boa parte da vida no Recife e hoje mistura a sua loucura com a de S\u00e3o Paulo. Tem passagens pelas r\u00e1dios Jornal do Commercio, CBN , Central3 e tem textos publicados no IG e na Carta Capital. \u00c9 skatista e m\u00fasico quando d\u00e1 tempo. A foto que abre o texto \u00e9 de\u00a0Dovil\u00e9 Babraviciut\u00e9 \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/span><\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Lucio Maia (2014): &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/02\/entrevista-lucio-maia-nacao-zumbi\/\">As pessoas ainda est\u00e3o interessadas em nos ouvir<\/a>&#8221;<br \/>\n&#8211; Lucio Maia (2016): &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/01\/entrevista-nacao-zumbi-2016\/\">A gente nunca seguiu tend\u00eancia de mercado<\/a>&#8220;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com mais de duas d\u00e9cadas mostrando m\u00fasicas com a assinatura particular do grupo, os pernambucanos decidiram em 2017 mostrar essa versatilidade criativa fazendo releituras\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/14\/entrevista-nacao-zumbi-2017\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":40,"featured_media":45418,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2511],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45416"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/40"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45416"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45416\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47274,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45416\/revisions\/47274"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45418"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}