{"id":45331,"date":"2017-12-11T11:28:08","date_gmt":"2017-12-11T13:28:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=45331"},"modified":"2018-01-10T11:40:23","modified_gmt":"2018-01-10T13:40:23","slug":"entrevista-putas-bebadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/11\/entrevista-putas-bebadas\/","title":{"rendered":"Entrevista: Putas B\u00eabadas"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pedro Salgado, de Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo no come\u00e7o da conversa com o Putas B\u00eabadas no Quiosque do Jardim do Pr\u00edncipe Real, em Lisboa, enquanto bebe um cafpe, o baixista e vocalista Miguel Abras recorda o momento da sua entrada na banda: \u201cEles formavam um trio composto pelo Leonardo Bindilatti (bateria), o Hugo \u201cSushi\u201d (guitarrista) e um baixista que se desinteressou do projeto. Na \u00e9poca, eu tocava baixo, mas n\u00e3o tinha banda e aceitei o convite\u201d, conta. Um ano mais tarde, o conjunto lisboeta editava o EP \u201cDuas Songs\u201d (2012), na mesma altura em que o Pega Monstro lan\u00e7ou o primeiro \u00e1lbum. A entrada do guitarrista Jo\u00e3o D\u00f3ria, pouco depois, coincidiu com um per\u00edodo em que Hugo n\u00e3o pode tocar com o grupo devido a compromissos profissionais. \u201cAgradou-nos a forma como o D\u00f3ria se enquadrou no grupo, a sua leitura legal das can\u00e7\u00f5es e o interesse que ele tinha em canta-las\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum de estreia, \u201c<a href=\"https:\/\/putasbebadas.bandcamp.com\/album\/jovem-excelso-happy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jovem Excelso Happy<\/a>\u201d (2013), mostrava um estilo garage punk contundente e funcionou como manifesto de inten\u00e7\u00f5es de uma banda para quem o esp\u00edrito de 1977 ainda est\u00e1 presente e impulsionou a carreira do Putas B\u00eabadas. O quarteto atuou no Crak Festival (B\u00e9lgica) e fez v\u00e1rios shows durante essa fase. Em fun\u00e7\u00e3o de diversos assuntos pessoais, o processo de grava\u00e7\u00e3o do novo disco demorou quatro anos, mas recompensou o esfor\u00e7o do coletivo. Globalmente, \u201c<a href=\"https:\/\/putasbebadas.bandcamp.com\/album\/orgulho-de-ex-buds\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Orgulho de Ex-Buds<\/a>\u201d (2017), mant\u00e9m a acelera\u00e7\u00e3o dos trabalhos anteriores, destacando-se a arrasadora \u201cGeme\u201d, a pegada dan\u00e7ante de \u201cProte\u00edna\u201d ou a atmosf\u00e9rica \u201cFada Deste Lar\u201d, num registo subversivo e sexual, mas plenamente confiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazendo jus \u00e0 sua postura guerreira, a banda apresentou o novo \u00e1lbum num ringe de luta ap\u00f3s um combate de Muay Thai, em Novembro, no Campolide Atl\u00e9tico Clube. Para al\u00e9m da tentativa de desformatar os moldes dos shows e sugerir alternativas em iniciativas similares, a identifica\u00e7\u00e3o de processos tamb\u00e9m norteou a festa de lan\u00e7amento do disco. \u201cA nossa m\u00fasica sempre se relacionou com o conceito de combate, uma luta n\u00e3o violenta, mas bruta e quisemos mostrar isso de forma distinta sem recorrer apenas a uma atua\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de outro grupo\u201d, refere Jo\u00e3o D\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As letras de Miguel Abras, um dos aspectos marcantes do conjunto, descrevem habitualmente um personagem imagin\u00e1rio, que anda na rua, metido em apuros, quase sempre b\u00eabado e violador. Uma das novas figuras criadas pelo m\u00fasico lisboeta \u00e9 apresentada na faixa \u201cGorduchinha\u201d com sentido de humor. \u201cEssa m\u00fasica relata a hist\u00f3ria de um sujeito desesperado que toma um rel\u00e2mpago no saco quando se encontra numa fal\u00e9sia transformando-se em empregada escolar. Como j\u00e1 lavei pratos foi nesse universo que me inspirei para escrever a can\u00e7\u00e3o. Tento sempre pegar em figuras que n\u00e3o s\u00e3o retratadas (risos)\u201d, conclui. De Lisboa para o Brasil, o Putas B\u00eabadas conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tCg7kRaWq3c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cOrgulho de Ex-Buds\u201d \u00e9 um disco cat\u00e1rtico no qual a voz se destaca e engloba v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas. Sentem que o novo disco superou \u201cJovem Excelso Happy\u201d, o \u00e1lbum anterior?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tanto, porque o \u00e1lbum anterior estava fechado nele pr\u00f3prio e este trabalho reflete apenas a nova abordagem est\u00e9tica que temos nessas can\u00e7\u00f5es. O outro disco foi gravado em fita K7, usando o formato como \u201cengenharia\u201d desse \u00e1lbum e no \u201cOrgulho de Ex-Buds\u201d utilizamos o auto-tune. Esse efeito resultou de uma descoberta, n\u00e3o foi premeditado, nem planejamos que a voz tivesse um papel t\u00e3o forte no trabalho. Depois percebemos a for\u00e7a que essa constru\u00e7\u00e3o iria dar \u00e0s m\u00fasicas e inclusivamente fizemos coros. \u00c9 um pouco como muitas bandas t\u00eam feito at\u00e9 hoje. Nesse cap\u00edtulo, os Beach Boys s\u00e3o refer\u00eancias e agradam-nos. Acaba por ser uma lufada de ar fresco. Tentamos fugir do punk tradicional, apesar da estrutura estar presente e a banda ter essa ra\u00edz. Por isso, esse disco n\u00e3o \u00e9 o passo maior, mas apenas a etapa seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agradou-me a f\u00faria s\u00f4nica e a provoca\u00e7\u00e3o sexual de \u201cFada Deste Lar\u201d. Em quem se inspiraram para fazer essa m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nEssa can\u00e7\u00e3o foi inspirada numa ex-namorada do D\u00f3ria e a parte que ele canta aborda os encontros rom\u00e2nticos, enquanto o Abras tem uma perspectiva mais sexual, agressiva e crua. Na can\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 evocado o aspecto florestal sugerindo uma ninfa e a paix\u00e3o desconhecida. \u00c9 uma esp\u00e9cie de paradoxo entre borboletas e viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dos aspectos que mais me impressionou no show foi a sua liberdade interpretativa e a convic\u00e7\u00e3o com que abordaram o hardcore e o punk rock. Identificam-se com esta perspetiva?<\/strong><br \/>\nSim, temos uma forma criativa de abordar a m\u00fasica que escutamos e aceitamos diferentes modos de interpreta\u00e7\u00e3o. O Putas B\u00eabadas n\u00e3o gravou o disco tocando ao mesmo tempo. Se o tivesse feito daria outro est\u00edmulo \u00e0 banda. Como no nosso show cada elemento cai para cima do outro, numa esp\u00e9cie de derrocada, esse fato gera um efeito poderoso. O punk e o hardcore s\u00e3o refer\u00eancias do grupo e isso reflete-se na m\u00fasica que fazemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sendo integrantes da Cafetra Records como v\u00eam a evolu\u00e7\u00e3o do selo?<\/strong><br \/>\nAinda estamos aprendendo a fazer as coisas da melhor forma, mas, durante estes 10 anos, evolu\u00edmos imensamente na forma como programamos eventos, distribu\u00edmos a nossa m\u00fasica e tentamos aprimorar esse processo. Fazemos o trabalho independente de sempre, usando como recurso o tempo dispon\u00edvel e a vontade que temos no desenvolvimento das v\u00e1rias tarefas. O esp\u00edrito de cooperar e escrever can\u00e7\u00f5es mant\u00e9m-se inalterado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Identificam-se com algum m\u00fasico ou banda brasileira?<\/strong><br \/>\nAgrada-nos a provoca\u00e7\u00e3o do Mamonas Assassinas e a forma de cantar do Tim Maia. O funk e a sua conota\u00e7\u00e3o sexual, meio garanh\u00e3o, n\u00e3o sendo uma influ\u00eancia direta, tamb\u00e9m nos seduz. Para al\u00e9m disso, apreciamos o metal feminino brasileiro dos anos 80 e de uma banda punk de S\u00e3o Paulo, o Olho Seco. A m\u00fasica \u201cOrgasmo Legal\u201d, do J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3, \u00e9 um dos temas da nossa prefer\u00eancia. Gostamos bastante de m\u00fasica brasileira, embora n\u00e3o se manifeste diretamente na sonoridade do Putas B\u00eabadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a ambi\u00e7\u00e3o futura de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nFazer muitos discos, continuar tocando, enquanto tivermos algo para dar ao p\u00fablico, e arrumar um espa\u00e7o maior em Portugal para que mais pessoas escutem a banda. Atuar no Brasil seria muito legal, mas tamb\u00e9m pretendemos inovar o nosso trabalho. O futuro \u00e9 imprevis\u00edvel e s\u00f3 o caminho que trilharmos poder\u00e1 esclarecer todas as quest\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hzydJ-Cs4c4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/l85L2KeywhM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Agrada-nos a provoca\u00e7\u00e3o do Mamonas Assassinas e a forma de cantar do Tim Maia. Para al\u00e9m disso, apreciamos o uma banda punk de S\u00e3o Paulo, o Olho Seco&#8221;, contam.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/11\/entrevista-putas-bebadas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":45332,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[47,2499],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45331"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45331"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45331\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45333,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45331\/revisions\/45333"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45332"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45331"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45331"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45331"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}